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17/01 - 2019


Como disputas ideológicas no país chegaram ao parto



Corrida eleitoral e congresso internacional refletiram polarização entre liberais e conservadores que chegou a discussões sobre partos normais e cesáreas. Parto normal ou cesariana? A pergunta, que até há algum tempo podia ser simplesmente um debate familiar sobre a chegada de um bebê, se tornou para alguns setores da sociedade e até para políticos uma expressão de diferenças ideológicas entre liberais e conservadores. No período eleitoral de 2018, sites de cada um destes espectros associaram a discussão sobre as vias de parto a orientações políticas e até a candidatos. Na véspera do 2º turno da eleição presidencial, um texto publicado no portal Jornalistas Livres dizia: "Bolsonaro coloca em risco parto humanizado no Brasil". O portal, que se define como uma "mídia alternativa em defesa da Democracia, da Cultura, dos Direitos Humanos e das Conquistas Sociais", inclui em seu conteúdo tags como "#LulaLivre" (em referência ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba após condenação em segunda instância) e matérias favoráveis a líderes de esquerda, como "Posse de Nicolás Maduro recebe apoio em todo o mundo". Assinado por Maíra Libertad, enfermeira obstétrica do Coletivo de Parteiras, a postagem de 17 de outubro denunciava o risco de retrocesso, com a eleição de Bolsonaro, de políticas de governos petistas em prol da ampliação dos partos normais e redução no número de cesáreas. Mas o texto de Libertad logo foi classificado uma semana depois como "fake news" por um outro portal, o Estudos Nacionais — este marcado por repetidos artigos contra o aborto e títulos como "É Jair, ou já era!" (fazendo referência ao presidente Jair Bolsonaro), "A verdadeira educação está fora das universidades brasileiras" e "Entidades de controle populacional mundial continuam investindo no Brasil". Texto de enfermeira obstétrica foi publicado no portal Jornalistas Livres na véspera do 2º turno Reprodução/via BBC A postagem do Estudos Nacionais criticou o fato do nome de Bolsonaro ter sido citado no texto de Libertad sem que o candidato tivesse alguma vez se manifestado sobre o debate relativo às vias de parto: "Tratou-se de uma afirmação baseada em meras suposições". Ainda segundo o portal, a publicação da enfermeira seria uma expressão de que "a defesa do parto humanizado é vista pela esquerda como parte de suas pautas". Este é apenas um dos textos publicado no Estudos Nacionais em que a defesa do parto humanizado é associado à esquerda. A chamada humanização da gestação indica a busca por procedimentos, do pré-natal ao parto, que não sejam desrespeitosos e excessivamente artificiais para grávida, bebê e família. Com estas premissas, tanto partos normais quando cesarianas podem ser "humanizados". Mas essa tendência frequentemente vai ao encontro do clamor por alternativas à cesariana - uma cirurgia. Alguns grupos de ativistas e pesquisadores também reivindicam que o nascimento possa ser feito em outros lugares que não os hospitais, como a própria casa das famílias, e com a participação de outros profissionais da saúde que não necessariamente sejam médicos. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cesarianas podem salvar vidas de mulheres e bebês — mas apenas quando tecnicamente necessárias, como no caso de trabalho de parto prolongado, sofrimento fetal ou quando o bebê está numa posição anormal. Segundo um texto no site Estudos Nacionais, 'a defesa do parto humanizado é vista pela esquerda como parte de suas pautas' Reprodução/via BBC Representante de nova chapa do Cremerj diz que diretoria é 'conservadora' Em entrevista à BBC News Brasil, Libertad disse ter escrito que "Bolsonaro coloca em risco parto humanizado no Brasil" como diagnóstico de um contexto. "No programa de governo do Bolsonaro, havia pouco material sobre a saúde e nenhuma menção à questão do parto. Não tínhamos certeza de que haveria retrocesso, mas tudo indicava que sim", diz. A enfermeira obstetra justifica essa percepção citando a aproximação da família Bolsonaro de nomes da área médica que têm defendido abertamente a limitação do aborto e criticado os movimentos pela humanização do parto. É o caso do ginecologista Raphael Câmara, coordenador do Grupo de Trabalho Materno Infantil do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio). Ele esteve sob os holofotes em agosto, quando se colocou contrário à legalização do aborto em uma audiência pública no STF (Supremo Tribunal Federal), e já publicou diversos artigos questionando a defesa da redução de cesáreas. Sua chapa no Cremerj também esteve representada em uma foto, publicada na coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, em que Flávio Bolsonaro (senador eleito pelo PSL e filho de Jair Bolsonaro) aparece ao lado de dois membros da nova diretoria fazendo o sinal de armas - marca da família Bolsonaro. A imagem, ambientada na cerimônia de posse da chapa, veio à tona em outubro. Câmara disse não ter ido à cerimônia, mas afirmou à BBC News Brasil por telefone que a nova diretoria "foi eleita assumidamente com uma pauta mais conservadora". "A maioria das pessoas é de direita. Então, ideologicamente, estamos mais para o lado do Bolsonaro", afirma o ginecologista, acrescentando ter votado e feito campanha por Bolsonaro. Congresso internacional é alvo de nota de conselho Câmara, em nome da nova diretoria, assinou por sua vez uma nota de repúdio ao conteúdo de palestras do 22º Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo). O congresso, o maior a nível internacional para esta especialidade, foi sediado no Rio em outubro. Parte da programação, referente ao aborto e às vias de parto, foi acusada de parcialidade. "[O Cremerj repudia o congresso] por não dar um único espaço ao contraditório, defendendo a manutenção da legislação atual sobre o aborto (...) deixando claro que o congresso tomou posição ideológica num tema que deveria ser técnico", diz a nota do conselho. O texto também defende o "parto humanizado em hospital com médico" e clama pelo "bem-estar materno-fetal sem demonizar o obstetra". Em entrevista à BBC News Brasil, Câmara disse que a manifestação foi motivada por "centenas" de denúncias coletadas pela entidade. "O que aconteceu foi que eles (a organização do congresso) escolhiam as maiores salas para falar do aborto", disse Câmara, coordenador do Grupo de Trabalho Materno Infantil do conselho. "Deve-se debater o aborto, mas os dois lados deveriam ter direito a voz". Ele também aponta para a conexão entre as reivindicações pela humanização do parto e pelo aborto. "Quem defende uma coisa, defende outra. Tanto que, no mundo do parto humanizado, aquelas pouquíssimas pessoas contrárias ao aborto são demonizadas", disse Câmara por telefone, citando o nome de uma colega que deixaria de receber potenciais pacientes por, sendo contrária ao aborto, ser boicotada em grupos de grávidas e mães nas redes sociais. A programação do congresso da Figo incluía palestras classificadas no site do evento em temas como "obstetrícia clínica", "saúde sexual e direitos humanos", "oncologia ginecológica" e "saúde fetal pré-natal". O conteúdo foi definido por uma comissão científica formada por 13 especialistas de 12 países diferentes - um deles do Brasil, Marcos Felipe Silva de Sá, diretor científico na Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entidade que mediou a nível local a produção do evento. Parte da programação dedicou-se a abordar técnicas e debates sobre políticas referentes ao aborto. Havia palestras e oficinas com títulos como "Como o estigma do aborto impacta a todos nós" e "Aborto seguro: recomendações da OMS em abortos médicos". Também membro da Febrasgo, onde é diretor de Defesa e Valorização Profissional, Juvenal Barreto diz que não percebeu anormalidades ou conflitos no decorrer do congresso internacional. Titular da diretoria da entidade, Barreto explica que a presença de palestras relativas ao aborto atende a demandas dos participantes, oriundos de vários países e com interesses técnicos. "Um congresso internacional trata de assuntos dos mais diversos. O aborto é proibido no Brasil, mas liberado em outros países do mundo. Fala-se em um contexto mundial. Os participantes não vieram para o Brasil para discutir zika na gravidez, por exemplo", afirmou por telefone à BBC News Brasil. Segundo o representante da Febrasgo, a entidade, como representante local, não tem participação alguma na decisão de quem e quais assuntos serão apresentados. Ele também refuta a acusação de desequilíbrio na visibilidade dada ao tema do aborto. "O tamanho das salas foi definido apenas por contingências operacionais. Não havia nenhuma intenção de 'doutrinar', como foi interpretado", diz. Sites conservadores monitoraram programação do congresso Os fatos de haver participantes do mundo todo e de o congresso não tratar exclusivamente de temas brasileiros, no entanto, não impediu que sites e entidades contrárias ao aborto tomassem o evento como uma afronta. Ainda antes do congresso, que ocorreu entre 14 e 19 de outubro no centro de convenções RioCentro, o congresso da FIGO foi acompanhado de perto por sites conservadores, como o Estudos Nacionais, que vincularam interesses pró-aborto à discussão sobre a humanização do parto. Um texto de 19 de outubro sobre o congresso, publicado no Estudos Nacionais, afirma, sem dar detalhes, que uma "tendência e reivindicação do parto humanizado tem sido incluída dentro da narrativa de ONGs que tradicionalmente lutam pela legalização do aborto". No mesmo portal, um outro texto daquele mês afirmou que um fator que une as duas pautas é o "conceito da autonomia e empoderamento feminino". Um outro site que analisou e criticou a programação do congresso da Figo foi o Aleteia, portal internacional patrocinado por fundações católicas e disponível em oito idiomas. Apenas a página no Facebook do site em português tem mais de 700 mil curtidas. O site traz como mote a frase "Vida plena com valor — Estilo de vida, plenitude e valores que permanecem" e seções como "histórias inspiradoras", "espiritualidade" e "viagem e cultura". Um texto no site detalha e classifica as atividades do congresso como sendo uma orientação para "matar bebês" e denuncia interesses de ONGs, fundações e clínicas de abortos no evento. Janaina Paschoal: 'Obstinação pelo parto normal' No Twitter, a deputada estadual eleita por SP Janaina Paschoal endossou nota do Cremerj Reprodução/via BBC A nota da Cremerj foi, por sua vez, catapultada nas redes sociais pela deputada estadual eleita em São Paulo Janaina Paschoal (PSL). O posicionamento, publicado em 18 de outubro, foi multiplicado por Paschoal, no Twitter e no Facebook. Ela citou o que seria um "viés ideológico no Congresso da Figo": "Ciência pressupõe diálogo, não monólogo!" Escrevendo à BBC News Brasil por WhatsApp, a deputada estadual eleita por São Paulo afirmou que não é "contrária a nenhum tipo de parto" e que toda mulher deve escolher pela melhor opção, "sendo certo que o olhar médico não pode ser desprezado". "O que me importa é preservar a vida e a saúde de mãe e bebê. Insistir num parto normal, quando o quadro indica ser inviável, não é inteligente. Em uma audiência, eu ouvi uma médica testemunhar que o parto normal tem preferência, pois os alunos precisam aprender. O que é isso? As parturientes são cobaias?", questionou. "Estou pensando nas mulheres mais simples, que acabam reféns dos modismos das mais abastadas", escreveu. Paschoal fala em 'mantra da epidemia da cesárea' Reprodução/via BBC Em agosto, Paschoal escreveu no Twitter que reivindicações pelo parto humanizado teriam enveredado para uma "obstinação pelo parto normal", motivada pelo "mantra da epidemia de cesárea". Perguntada sobre casos ou dados de mulheres que teriam sido prejudicadas por tal "obstinação", Paschoal afirmou que teve como base relatos aos quais teve acesso como advogada e durante a campanha, e também em conversas com o doutor Raphael Câmara. Segundo o médico, ele e Paschoal se aproximaram em uma audiência pública no STF sobre a interrupção da gravidez, em agosto. "O nosso grupo, contra o aborto, era bem menor. Então, acabamos ficamos bem próximos. O Magno Malta (senador não reeleito pelo Partido da República, próximo a Bolsonaro) também estava lá", explicou. Debate sobre taxa de cesarianas no Brasil Câmara é autor de diversos artigos publicados na internet e em jornais onde questiona a validade científica, o financiamento e o "conflito de interesse ideológico" que permeia debates sobre abortos e cesáreas. Ele põe sob suspeita, por exemplo, dados do número de abortos ilegais no Brasil. Os dados oficiais que existem são de abortos legais — segundo o Ministério da Saúde, em 2016 e 2017 eles foram da ordem anual de 1,6 mil. Já sobre abortos clandestinos, por motivos óbvios — afinal, a interrupção da gravidez, com algumas exceções, é considerada crime —, não há dados consolidados. Câmara questiona a validade científica de dados levantados por estudos e ONGs que falam em centenas de milhares de abortos ilegais no país. Ele também põe em dúvida os benefícios do parto normal e as metas internacionais para redução de cesarianas, apesar das orientações da Organização Mundial da Saúde. Em 2015, a OMS publicou um posicionamento sobre tais metas, afirmando que, embora a comunidade acadêmica internacional tenha considerado nas últimas décadas a taxa ideal de cesáreas na faixa entre 10% e 15% dos partos, particularidades locais e questões metodológicas tornam difícil a definição de uma meta unificada. Mas, naquele mesmo ano, a organização apontou no Brasil uma "verdadeira cultura da cesariana", sendo o país um dos expoentes no mundo da "epidemia de cesarianas". Dados do Ministério da Saúde mostram que, naquele ano, 55,5% dos partos feitos no país foram cesáreas e 44,5% partos normais. Um estudo publicado no periódico The Lancet estimou que, em 2015, o percentual mundial de partos por cesárea foi bem menor que no Brasil: uma média de 21%. A OMS coloca-se claramente pela necessidade de redução das cesáreas, afirmando que este procedimento "pode causar complicações significativas e às vezes permanentes, assim como sequelas ou morte" em mães e bebês. Diz um documento de 2015 da instituição: "Os esforços devem se concentrar em garantir que cesáreas sejam feitas nos casos em que são necessárias, em vez de buscar atingir uma taxa específica de cesáreas". 'Não é sobre esquerda e direita, mas sobre direitos' Presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras na Paraíba (Abenfo-PB), Waglânia Freitas diz que movimentos que lutam pela redução no número de cesáreas não anulam a importância deste tipo de parto e nem o desejo da parturiente. Um congresso organizado pela Abenfo-PB foi citado no texto "Problemas e interesses do movimento pelo parto humanizado", publicado no Estudos Nacionais, como um exemplo de uma "excessiva autonomia da mulher" que seria prejudicial ao bebê — nas entrelinhas, no caso de um aborto. Segundo o portal, o principal tema do encontro na Paraíba teria sido a interrupção da gestação, ao lado da pauta do parto humanizado. Para Freitas, entretanto, apontar estes como temas prioritários é uma maneira "descontextualizada" de falar do evento organizado pela Abenfo-PB, que também versou sobre outros assuntos. "O movimento pela humanização do parto reconhece a importância da cesárea. Agradecemos a existência dessa tecnologia, ela salva vidas - quando indicada. Mas quando não é bem utilizada, ela põe em risco mães e bebês, matando ou deixando sequelas", disse Freitas à BBC News Brasil por telefone. "Defendo que a mulher tenha direito ao seu corpo, à cesárea no horário que ela quiser. Mas ela precisa ter conhecimento sobre os riscos. Não entendo que seja algo ideológico, de esquerda ou de direita. É de direitos". A professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) diz que não viu situações atípicas no decorrer do evento, mas que percebe um aumento de ataques nas redes sociais contra a pauta da humanização do parto. "Não podemos sair do contexto em que estamos. Temos uma polarização na qual existe uma linha política que nega e alija direitos; e outra que defende direitos conquistados historicamente", diz Freitas, que diz defender pessoalmente as conquistas dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão. Disputa entre categorias Para além de interpretações sobre dados e políticas públicas que versam sobre o tema, outro assunto divisivo é o papel de diferentes categorias profissionais na gravidez e no parto. Um post do Estudos Nacionais classifica o congresso da Figo como tendo um viés "antimédico", parte de um contexto mais amplo que poderia desembocar em "uma definitiva luta de classes entre médico x paciente, médico x doula, médico x marido" durante a gravidez. A nota do Cremerj menciona um contexto de "demonização" dos obstetras no evento. À BBC News Brasil, Câmara disse que os obstetras são a "especialidade mais agredida" entre os médicos. Quando perguntado pela reportagem se há dados que comprovem isto, o ginecologista afirmou que isto ainda teria que ser levantado pelo conselho, mas que sua percepção se origina em casos que chegam à entidade. "Não é violência obstétrica, mas violência contra o obstetra. Você acha que não tem obstetra safado? Claro que tem, como tem jornalista. Mas o termo 'violência obstétrica' nos impede de fazer qualquer coisa", disse o ginecologista e diretor no Cremerj. "As enfermeiras e doulas querem este filão." O termo "violência obstétrica" tem sido usado por instituições como o Ministério da Saúde e a Fiocruz para designar práticas que desrespeitam a mulher durante a gravidez ou o parto. Ele se caracteriza, por exemplo, em situações como o uso desenfreado da ocitocina sintética para acelerar o parto vaginal, o que pode aumentar o risco de hemorragia; levar o bebê para longe da mãe após o nascimento; ou não deixar a parturiente comer ou beber, ou ainda ameaçá-la ou fazê-la alvo de chacotas. Embora não cite diretamente o termo "violência obstétrica", uma declaração da OMS de 2014 afirma que "no mundo inteiro, muitas mulheres sofrem abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto nas instituições de saúde", o que configura um "quadro perturbador". Já neste ano, a organização publicou uma série de recomendações em relação ao parto. O documento afirma que a maioria dos nascimentos ocorre em situações em que não há fatores de risco para a mãe e o bebê, mas, no entanto, há uma "medicalização crescente dos processos de parto". "Isto tende a enfraquecer a capacidade da mulher de dar à luz e afeta de maneira negativa a sua experiência de parto. Ademais, o maior uso de intervenções no trabalho de parto sem indicações claras continua a ampliar a lacuna de saúde na equidade entre ambientes ricos e pobres em recursos", diz o documento. A organização tem por anos encorajado a participação de outros profissionais da saúde, como enfermeiras e parteiras, na gravidez — do pré-natal ao parto. Para Waglânia Freitas, os temores corporativos da categoria médica não se sustentam diante de uma diminuição no volume de cesáreas. Para ela, o lugar dos médicos continua garantido neste cenário. "Há um medo da categoria médica de perder espaço, mas eles têm um espaço garantido.... Qual é o espaço? É o da intervenção, da assistência àquele grupo de mulheres que estão na iminência de morrer ou adoecer", diz.

17/01 - 2019


Vikings pisaram na América antes de Colombo? A descoberta que pôs fim ao mistério



Em 1963, explorador norueguês Helge Ingstad anunciou descoberta de restos de assentamento viking na costa do Canadá que existiu cerca de 500 anos antes da chegada de Colombo à América. No verão de 1960, um casal norueguês, o aventureiro Helge Ingstad e sua esposa, a arquiteta Anne Stine, navegou até um remoto e pequeno vilarejo de pescadores no extremo norte de Terranova, na costa atlântica do Canadá. "Eles chegaram e perguntaram às pessoas onde havia ruínas. Uma das pessoas com quem conversaram foi George Decker, meu avô...", disse à BBC Loretta Decker, que trabalha para a Parks Canada, entidade que cuida dos parques nacionais e reservas naturais do país, e mora na remota aldeia de pescadores onde tudo aconteceu: L'Anse aux Meadows, ou Caverna das Águas-vivas, em português. "Meu avô, que era o representante da aldeia, mostrou o que havia em nossos campos. Há um rio que ainda tem salmão, um terraço marinho e uma praia elevada e coberta com grama. É um lindo lugar. E lá você vê o que essencialmente são os contornos das casas. "Por muitas gerações, a região foi chamada de 'o campo indiano' porque as pessoas daqui assumiram que ele tinha pertencido aos povos indígenas. "Mas quando os Ingstad viram esse campo, lembram-se muito do que haviam visto na Groenlândia." Foi uma descoberta promissora, pois o que os Ingstad esperavam encontrar eram provas físicas de que os vikings tinham ido da Groenlândia para a América do Norte há mil anos. Isso significaria que eles teriam sido os primeiros europeus no continente - cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo. As ruínas dessas construções poderiam ser a evidência que buscavam, então começaram as escavações. Um mundo desconhecido A história de que os vikings cruzaram o Atlântico era antiga. Aparece nas páginas das Sagas Nórdicas, a antiga coleção escandinava de mitos e lendas, que relata o auge da conquista e exploração viking há mil anos. De acordo com as sagas, um Viking chamado Leif Erikson liderou uma expedição a partir de uma colônia nórdica na Groenlândia em direção ao oeste. Ele navegou por mares desconhecidos, em busca de terra e recursos para suprir as carências na colônia da Groenlândia. Erikson teria, segundo as sagas, encontrado uma terra de florestas e pradarias, com riachos cheios de salmão. Por ter encontrado videiras de uvas silvestres, chamou o novo território de Vinlândia. "Durante muito tempo, os especialistas tentaram encontrar a terra da lenda, armados com instruções de navegação, descrições, mas ninguém a encontrou", diz Decker. "Há um mapa muito antigo, que é debatido se é realmente autêntico, chamado de o mapa de Skálholt, mostrando a Promontorium Winlandiae ("promontório ou cabo de Vinlândia") e os Ingstand pensaram que era localizado na península nórdica da ilha de Terra Nova (na costa nordeste da América do Norte) ". É por isso que os Ingstad foram a L'Anse aux Meadows: estavam em busca da mítica Vinlândia. O teste de ferro Apesar de seu entusiasmo, o explorador e a arqueóloga tiveram que lutar contra a descrença da comunidade científica: eles não eram os primeiros a embarcar nessa lenda. Durante mais de 100 anos, arqueólogos da Finlândia, Dinamarca e Noruega usaram os antigos épicos nórdicos para guiar sua busca pelo povoado perdido de Erikson. "No começo, os viam com muito ceticismo, críticas e, em geral, com a reação 'de novo a mesma coisa!", diz Decker. Mas o que encontraram nas escavações ao longo dos anos mudou tudo isso. "Alguns dos artefatos encontrados eram claramente nórdicos, como um alfinete de bronze. Também encontraram muitas evidências de madeira que haviam sido esculpidas com ferramentas de ferro. Eles encontraram pinheiro europeu." "Além disso...os detalhes da forma como as casas foram construídas e organizadas. E havia evidências de produção de ferro e forjamento." Isso era algo que os nativos, cuja cultura era da Idade da Pedra, nunca fizeram. E as uvas? L'Anse aux Meadows foi finalmente a prova de que os vikings haviam chegado à América do Norte. Há descobertas promissoras em L'Anse aux Meadows que indicam que os vikings encontraram uvas em expedições mais ao sul Pixabay A descoberta foi anunciada em todo o mundo. Mas era a lendária Vinlândia? Na época do anúncio, as escavações descobertas em L'Anse aux Meadows foram descritas como "um campo de alojamento". "A própria Vinlândia mesmo é como uma província maior ou departamento — uma extensão de um território que continha diferentes lugares que eles usavam." Mas então, onde os vikings encontraram as uvas míticas? Segundo Loretta Decker, há descobertas promissoras em L'Anse aux Meadows que indicam que os vikings encontraram uvas em expedições mais ao sul. "Encontramos nozes da nogueira branca americana, que significa que os vikings tinham que ter ido para o rio de San Lorenzo, mais ao sul, onde crescem, não apenas essas nogueiras, como também uvas do tipo River Bank Grape ou Frost Grape (Vitis riparia), que amadurecem no mesmo período que as nozes." "Se eles encontraram as nozes, encontraram as uvas, o que prova de alguma forma que o que dizem as Sagas é verdade." Acredita-se que o assentamento viking em L'Anse aux Meadows tenha existido por apenas 20 anos. Hoje é patrimônio da humanidade e, perto das ruínas, foram feitas reconstruções de casas vikings com madeira e cobertas de grama, há cerca de um milênio.

16/01 - 2019


A bactéria mais eficiente que repelentes químicos para afastar insetos e doenças



Cientistas querem utilizar micro-organismos do gênero Xenorhabdus como arma no combate a mosquitos transmissores de dengue, malária e zika. Bactéria funciona como eficiente repelente contra insetos, dizem pesquisadores Divulgação Uma bactéria comum que vive naturalmente no solo revelou-se tão eficiente como repelente contra insetos quanto os princípios ativos químicos mais usados pelos produtos do mercado. A expectativa dos cientistas é que os micro-organismos do gênero Xenorhabdus possam ser utilizados como armas no combate a mosquitos, como os transmissores de dengue, malária e zika, e outras pragas, como carrapatos. "Sabíamos que as bactérias Xenorhabdus matam insetos e produzem certas substâncias químicas com propriedades antibióticas, antifúngicas e inseticidas", conta à BBC News Brasil o biólogo Mayur Kumar Kajla, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, e do Instituto Nacional de Pesquisas da Malária de Nova Delhi, na Índia. "Por acaso, no laboratório constatamos, enquanto examinávamos várias amostras de bactérias isoladas, que quando misturadas ao sangue elas impediam que os mosquitos se alimentassem. Então vislumbramos a possibilidade de produzir um repelente de mosquitos." Os testes mostraram que a ideia é eficiente. Os compostos obtidos da Xenorhabdus repeliram os insetos de forma tão efetiva quanto os repelentes comerciais à base de DEET e picaridina. Os cientistas envolvidos na pesquisa acreditam que conseguiram abrir uma nova maneira, portanto, para conter mosquitos e outras pragas transmissoras de doenças - com uma vantagem: seria um repelente natural e não sintético, mas igualmente eficaz contra picadas. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira pelo periódico Science Advances. De acordo com a publicação, a descoberta "pode ajudar a reduzir o risco de patógenos perigosos, como a dengue, a malária e a zika". "Muitos tipos de bactérias já são utilizadas em aplicações farmacêuticas, como antibióticos. Estudos anteriores de bactérias do gênero Xenorhabdus já haviam mostrado várias bioatividades, como propriedades antibióticas, antifúngicas e inseticidas em metabólicos secundários que a bactéria produz. No entanto, esta é a primeira vez que se explorou sua capacidade de agir como repelentes naturais de mosquitos", frisou o periódico, em nota divulgada à imprensa. Testes Kajla e sua equipe utilizaram um sistema de alimentação celular para rastrear os compostos da bactéria capazes de agir sobre os insetos. No laboratório, foi utilizada a espécie Xenorhabdus budapestensis da bactéria. Os cientistas testaram então a ação dos compostos obtidos, e compararam com dois repelentes sintéticos, um feito de DEET e outro de picaridina. A fórmula natural, obtida a partir da bactéria, foi tão ou mais eficaz do que os sintéticos ao repelir o Aedes aegypti – o mosquito transmissor da dengue. E também foram eficientes contra outros dois mosquitos vetores, o Anopheles gambiae e o Culex pipiens. A expectativa dos pesquisadores e os compostos possam ser utilizados em uma variedade mais ampla de outras espécies de mosquitos transmissores de doenças. Uso em seres humanos "Até agora descrevemos os compostos ativos repelentes produzidos por essas bactérias e comprovamos que esses compostos são potentes em repelir mosquitos Aedes, Anopheles e Culex, em testes de laboratório. Os próximos passos são avaliar sua toxicidade em culturas de células e em modelos animais, antes que estes possam ser testados na pele humana", contextualiza Kajla. O cientista explica que as bactérias "produzem estes compostos em seu meio de crescimento", ou seja, uma dieta líquida na qual os pesquisadores cultivam as bactérias. Isso significa que "os compostos ativos repelentes podem ser isolados a partir das culturas bacterianas". "Assim, os compostos purificados são utilizados nos ensaios repelentes, e não as próprias bactérias", diz o biólogo. "Desta forma, os compostos ativos repelentes, e não as bactérias, podem se tornar o ingrediente ativo numa fórmula repelente, muito semelhante aos repelentes do mercado baseados em DEET." Produtos sintéticos Os dois produtos sintéticos que foram comparados com o composto extraído das bactérias são os princípios ativos dentre os mais comuns nos repelentes à venda hoje em dia. DEET é um composto químico comercialmente indicado no Brasil como Diethyl Toluamide. Seu nome científico oficial, de acordo com a União Internacional de Química Pura e Aplicada é N,N'-Diethyl-3-methylbenzamide. Protege contra insetos, carrapatos e outros artrópodes e é utilizado para prevenir doenças como dengue, malária, febre amarela, entre outras. O composto foi desenvolvido pelo Exército americano, testado primeiramente como pesticida em áreas rurais e utilizado como repelente primeiro apenas pelos militares, já a partir da Segunda Guerra. Seu uso civil começou em 1957. A picaridina – também chamada de icaridina ou KBR 3023 – é um princípio ativo derivado da pimenta. Sua nomenclatura científica oficial é 1-piperidinecarboxylic acid 2-(2-hydroxyethyl)-1-­methylpropylester. É um produto eficiente contra os mosquitos transmissores de dengue, febre amarela, leishmaniose, além do carrapato vetor da febre maculosa. Historicamente, o uso do composto foi indicado pelo médico infectologista francês Eric Lundwall ao exército em missões na Guiana Francesa – por causa da alta incidência de malária na região amazônica. Em 2002, a picaridina foi lançada comercialmente. No Brasil, produtos com esse princípio ativo chegaram às prateleiras em 2005.

16/01 - 2019


Sapo Romeu, o mais solitário do mundo, finalmente conhece sua parceira Julieta



Cientistas dizem ter encontrado Julieta, que será sua parceira, durante uma expedição a uma remota floresta nublada da Bolívia. Julieta foi encontrada durante uma expedição a uma remota floresta nublada da Bolívia Robin Moore, Global Wildlife Conservation (via BBC) Um sapo ameaçado de extinção, que passou mais de 10 anos isolado em um aquário na Bolívia, vai finalmente ganhar uma companheira. Conhecido como o anfíbio mais solitário do mundo, Romeu é um sapo-aquático-de-sehuencas (Telmatobius yuracare) — acreditava-se até agora que ele era o último representante da espécie. Mas os cientistas dizem ter encontrado Julieta, que será sua parceira, durante uma expedição a uma remota floresta nublada do país. Romeu foi descrito por bióloga como sendo 'meio tímido e lento' Robin Moore, Global Wildlife Conservation (via BBC) Ela foi capturada junto a outros quatro sapos da espécie em um riacho. A ideia é que eles se reproduzam e sejam reintroduzidos de volta à natureza. Teresa Camacho Badani é chefe de herpetologia do Museu de História Natural Alcide d'Orbigny, na cidade boliviana de Cochabamba, e líder da expedição. Ela está confiante na teoria de que os opostos se atraem, mesmo se tratando de sapos: "Romeu é muito calmo e relaxado, ele não se mexe muito", disse ela à BBC News. "Ele é saudável e gosta de comer, mas é meio tímido e lento." Romeu (à esquerda) e Julieta (à direita), sua futura companheira, têm personalidades bem diferentes Robin Moore, Global Wildlife Conservation (via BBC) Já Julieta tem uma personalidade muito diferente. "Ela é bem enérgica, nada muito e come bastante. Às vezes tenta escapar." Os cinco sapos capturados — três machos e duas fêmeas — são os primeiros sapo-aquático-de-sehuencas vistos na natureza em uma década, apesar das buscas realizadas na selva boliviana. Quando Romeu foi descoberto, há 10 anos, os biólogos sabiam que a espécie estava ameaçada, mas não esperavam que ele permanecesse sozinho por tanto tempo. A busca por uma companheira para Romeu atraiu a atenção internacional há um ano, quando ele chegou a ganhar um perfil em um site de relacionamentos. Os animais recém-descobertos estão agora em quarentena no centro de conservação do museu, onde segue a corrida para impedir a extinção da espécie. Ela é bem enérgica, nada muito e come bastante. Às vezes tenta escapar', diz Badani sobre Julieta Robin Moore, Global Wildlife Conservation (via BBC) A espécie ameaçada O sapo-aquático-de-sehuencas (Telmatobius yuracare) já foi abundante em pequenos córregos, rios e lagoas das florestas nubladas no alto das montanhas da Bolívia. A população de sapos aquáticos está diminuindo rapidamente na Bolívia, no Equador e no Peru. Eles enfrentam uma combinação de ameaças, incluindo mudanças climáticas, destruição de habitat e a introdução de trutas invasivas. Chris Jordan, da organização Global Wildlife Conservation, que está apoiando os esforços de conservação dos anfíbios, disse que há risco de levar os animais para cativeiro. No entanto, há muito poucos sapos desta espécie na natureza para manter uma população viável no longo prazo. "Temos uma chance real de salvar os sapos sehuencas — restaurando uma parte única da diversidade de vida que é a base das florestas da Bolívia, e gerando informações importantes sobre como recuperar espécies semelhantes com grave risco de extinção." Cinco sapos da espécie - três machos e duas fêmeas - foram capturados durante a expedição Stephanie Knoll, Museu de História Natural Alcide D'Orbigny (via BBC) Osapos recém-descobertos vão receber tratamento para se proteger contra quitridiomicose, doença infecciosa que está exterminando anfíbios em todo o mundo. Depois disso, Romeu vai se encontrar finalmente com Julieta, em uma tentativa de produzir descendentes que vão poder finalmente ser devolvidos ao seu habitat natural. Na Bolívia, 22% das espécies de anfíbios enfrentam algum grau de ameaça de extinção — seja pela perda de habitat, a poluição ou a mudança climática. Expedição procurou sapos em riachos de florestas Stephanie Knoll, Museu de História Natural Alcide D'Orbigny (via BBC) Teresa Camacho Badani diz que a história de Romeu é importante para chamar a atenção para a situação dos anfíbios. A expedição não encontrou nenhum outro sapo aquático em riachos vizinhos, levantando questões preocupantes sobre a saúde do ecossistema. "É realmente uma boa oportunidade de usar o Romeu para ajudar a entender essas ameaças, ajudar a entender como trazer essas espécies de volta, mas também para aproveitar o espaço global que Romeu e sua espécie têm agora", diz ela. Outros anfíbios, como o sapo-parteiro-de-maiorca, da Espanha, e o sapo-de-Kihansi, da Tanzânia, procriaram e foram reintroduzidos na natureza a partir de apenas alguns representantes da espécie no passado. "Eles oferecem esperança, no contexto desta sexta extinção em massa, de que há soluções para manter nossa biodiversidade maravilhosa, para proteger espécies ameaçadas e até extintas na natureza e trazê-las de volta para recuperar algumas das belezas desses ecossistemas", afirma Jordan. Todas as espécies são importantes e não devem ser subestimadas, já que seu DNA representa milhões e milhões de anos de evolução, acrescenta.

16/01 - 2019


Aquecimento dos oceanos bateu recorde em 2018, dizem cientistas



Em estudo publicado nesta quarta (16), pesquisadores chineses e americanos afirmam que as águas do planeta atingiram as temperaturas mais altas nos últimos 60 anos. Ondas atingem barreira em porto de Aki, província de Kochi, enquanto tufão Jebi se aproxima do Japão na terça feira, 4 de setembro de 2018. Ichiro Banno/Kyodo News via AP Pesquisadores chineses e americanos constataram que a temperatura dos oceanos em 2018 foi a mais quente já registrada nos últimos 60 anos. O estudo, com base nos dados mais recentes do Instituto de Física Atmosférica, na China, foi publicado nesta quarta (16) na revista científica "Advances in Atmospheric Sciences". A conclusão está de acordo com a tendência de aquecimento dos oceanos registrada nos últimos cinco anos — que já eram os cinco mais quentes desde a década de 1950, dizem os cientistas. O aumento na temperatura oceânica acontece desde então e se acelerou a partir da década de 1990. “A tendência de longo prazo de aquecimento do oceano é uma grande preocupação tanto para a comunidade científica quanto para o público em geral. As temperaturas mais altas causam a expansão térmica da água e um aumento do nível do mar — o que expõe a água doce costeira à intrusão de água salgada e torna comunidades mais suscetíveis ao aparecimento de tempestades”, dizem os pesquisadores no estudo. Além do Instituto de Física Atmosférica, ligado à Academia de Ciências da China, a pesquisa envolveu especialistas do Ministério de Recursos Naturais e da Universidade Hohai, também no país asiático, e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica e da Universidade St. Thomas, nos Estados Unidos. O aquecimento visto nos oceanos em 2018 resultou em um aumento médio de 1,4 mm no nível do mar ao redor do globo em comparação à média de nível registrada em 2017. Os padrões associados ao nível do mar atual devem continuar no futuro, segundo a pesquisa. O aumento de calor no oceano também eleva as temperaturas e a umidade do ar — o que, por sua vez, intensifica as tempestades e as chuvas fortes. Em 2018, foram registradas várias tempestades tropicais no mundo, como os furacões Florence e Michael e os tufões Jebi, Maria, Mangkhut e Trami. Entre outras consequências listadas pelos cientistas como decorrentes do aquecimento dos oceanos, estão a diminuição no nível de oxigênio presente neles, o branqueamento e a morte de corais e o derretimento de geleiras. Há também efeitos indiretos, como a intensidade de secas, ondas de calor, e risco de incêndios. “O aquecimento global é consequência do aprisionamento de gases de efeito estufa — que mantêm a radiação do calor dentro do sistema terrestre. Devido à longevidade do dióxido de carbono e outros gases desse tipo, mitigar as mudanças e os riscos de consequências socioeconômicas causadas pelo aquecimento global e dos oceanos depende de adotar medidas para reduzir imediatamente as emissões de gases estufa”, concluem os pesquisadores.

16/01 - 2019


Em um mês, apenas uma nova vaga do Mais Médicos foi efetivamente ocupada em área que atende 17 mil indígenas



Distrito Indígena no Amazonas sofre com desistências ao longo de editais e convocações. Diretor afirma que, além de brasileiro formado em Cuba, apenas outro médico atua na região. Hixcaryanos vivem em aldeia isolada à margem do Rio Nahmundá Douglas Henrique e Paulo Frazão/Rede Amazônica Em dezembro de 2018, o G1 publicou um levantamento que apontava uma área com 17 mil indígenas era atendida por apenas um médico, no Amazonas. A área em questão é o Distrito Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Parintins, responsável por atender 120 aldeias. Em um mês, o número de médicos na região subiu de um para dois médicos. Ainda existem 12 vagas em abertas para o Dsei do Baixo Amazonas. Um nova etapa de inscrições, prevista para os dias 23 e 24 de janeiro, será aberta e destinada a profissionais brasileiros formados no exterior. Ao longo desse mês, o Dsei de Parintins chegou a receber demanda "fora do comum" para preenchimento de vagas, segundo o diretor do distrito, José Augusto. Mas a maioria dos interessados sequer se apresentou. Outros chegaram a visitar zonas indígenas, mas abriram mão da vaga. "Essa semana mesmo um rapaz que se apresentou há um tempo e passou cerca de dez dias numa região indígena voltou à nossa sede [do Dsei de Parintins] e disse que a vaga 'não estava dentro das suas expectativas'", relata o diretor. A sede do Distrito fica no município de Parintins, localizado a 534 km de Manaus, e é possível chegar lá por barco ou avião. Mas os médicos que se candidatam às vagas têm pela frente desafio muito maior. "As pessoas, nem sempre, estão dispostas a passar por esse tipo de rotina". "É complicada a situação. As áreas são de difícil acesso. Quando os nossos médicos cubanos precisaram sair do programa, 12 vagas abriram. Mais de quatro pessoas se apresentaram. Mas é isso... Nem todos querem ficar. Por isso, efetivados, só temos dois" Em tese, acontece um rodízio para que médicos consigam atender outros quatro municípios atendidos pelo Dsei. Entre eles, espalham-se, em zonas de difícil acesso, as 120 aldeias indígenas. Pela região, segundo dados do Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi), índios de 46 etnias diferentes recebem atendimento no distrito. Nem toda aldeia é de fácil acesso e isso reflete diretamente na permanência ou não de um candidato para assumir a vaga no tratamento de indígenas. José Augusto usa como exemplo o caso de um médico, já idoso que, independente da vontade de trabalhar com saúde indígena, não conseguiu se adaptar. "Um dos que se apresentou vai ter que ser desligado. Ele tem 66 anos e tem dificuldade de mobilidade. Não tem como trabalhar em área indígena. ele entrou para a área, caiu da escada do barco e, ao invés de atender, precisou ser transferido para o hospital. É muito complicado". comentou. Carreira solo Rafael Dutra é o único remanescente do antigo grupo de profissionais do Mais Médicos que atua no Dsei de Parintins Reprodução/Rede Amazônica Efetivados e em atividade, hoje, são apenas dois médicos. Um deles, o Dr. Rafael Dutra, era o único brasileiro que integrava a antiga equipe de atendimento na área - todos os outros eram cubanos e precisaram deixar o programa. Ele é formado em cuba e, desde a saída dos companheiros, precisou atender à toda região só. Desde então, raramente consegue sinal no celular para mandar notícias. Agora, ao longo desse início da segunda quinzena do ano, ele está imerso na Aldeia Ponta Alegre, que fica no município de Barreirinha e atende índios Sateré- Mawé, no Rio Andirá. Desde o fim de novembro que Rafael vive a rotina e pratica o rodízio de atendimento aos mais de 17 mil indígenas sozinho. Recentemente, ganhou apoio. Ainda assim, há a incerteza na diretoria do Dsei sobre o compromisso dos médicos que se apresentam para a missão. Situação geral dos Dseis no Amazonas Mais de 86% das vagas do Programa Mais Médicos ainda não foram ocupadas nos Distritos Sanitários. Ao todo, foram ofertadas 92 vagas e 91 médicos fizeram adesão. Mas 80 profissionais ainda não se apresentaram. Esses números são do mais recente boletim do Ministério da Saúde. Narcotráfico, piratas e conflitos de terras: problemas marcam região de distritos indígenas do AM que seguem sem médicos Mais Médicos: maioria das vagas não ocupadas está nos distritos indígenas

16/01 - 2019


Remédios caseiros, como canja de galinha, podem curar resfriado?



Do suco de laranja às cápsulas de alho, há muitas receitas para combater o resfriado comum; mas há alguma evidência de que funcionam? Há poucas experiências tão universais quanto pegar um resfriado. A infecção que atinge as vias respiratórias superiores é causada por mais de 200 tipos de vírus — e, ao que parece, há quase a mesma quantidade de remédios caseiros para combatê-los. Mas algum deles funciona? Na essência de qualquer remédio caseiro, está a ideia de que ele reforçará nosso sistema imunológico. Quando um vírus entra no organismo, ele se depara com dois mecanismos de defesa: o sistema imune inato (ou natural) tenta expulsar as células invasoras, enquanto o sistema imune adaptativo (ou adquirido) tem como alvo agentes patogênicos específicos com os quais o corpo já teve contato antes - ele cria células de memória dos novos para que o organismo seja capaz de combatê-los caso retornem. É por isso que costumamos pegar catapora apenas uma vez, enquanto o resfriado comum — que muda sua aparência à medida que passa de uma pessoa para a outra, confundindo nossas células de memória — é algo que podemos ter dezenas de vezes. Não é novidade que o estilo de vida e a dieta afetam a resistência do nosso sistema imunológico. Mas como o sistema imunológico de pessoas saudáveis só fica debilitado quando há uma carência de vitaminas ou minerais, reforçar a dieta com os chamados "alimentos que fazem bem para resfriado" não vai fazer muita diferença se já tivermos uma alimentação relativamente equilibrada, diz Charles Bangham, diretor da Divisão de Doenças Infecciosas da universidade Imperial College London, na Inglaterra. "Apenas se você tiver com deficiência de um nutriente vital, como vitamina, zinco ou ferro, será muito útil reforçar esse elemento em particular. Mas se você tem uma dieta balanceada, adicionar mais nutrientes não torna o sistema imunológico mais eficiente", diz. Os suplementos Apesar disso, estudos que buscam curas para o resfriado comum descobriram que elas podem fazer a diferença. A grande maioria das pesquisas foca em suplementos, em vez de alimentos - na verdade, nenhum estudo confiável foi feito para analisar, por exemplo, se a canja de galinha pode realmente ser um medicamento eficaz. Mas um suplemento que pode ajudar é um remédio caseiro popular: o alho. Em um pequeno estudo, 146 adultos saudáveis tomaram um placebo ou um suplemento diário de alho por 12 semanas durante o inverno. No grupo do placebo foram registrados 65 resfriados, resultando em 366 dias de doença — já entre aqueles que tomaram suplemento de alho foram contabilizados apenas 24 resfriados, somando 111 dias de doença. Outro suplemento que as pessoas procuram quando sentem os primeiros sintomas do resfriado é a vitamina C. Algumas pesquisas sugerem que também pode ajudar - embora não tanto quanto você deve imaginar. Uma revisão de 29 estudos sobre suplementos de vitamina C não chegou à conclusão que os suplementos diminuem muito o risco de resfriados ou aliviam seus sintomas. Mas identificou uma redução na duração dos resfriados — de 14% no caso de crianças, e de 8% em adultos. Os pesquisadores concluíram que, como os suplementos são de baixo risco, talvez valha a pena tentar para ver se ajudam. O suco de laranja talvez não seja tão útil: não há evidências sólidas de que ele pode ajudar a prevenir resfriados, aliviar os sintomas ou reduzir a duração dos mesmos. Isso acontece porque o suco não contém doses de vitamina C suficientemente altas para ter o mesmo impacto que os suplementos diários, diz Harri Hemilä, pesquisador de saúde pública da Universidade de Helsinque, na Finlândia, e autor da revisão de estudos sobre suplementos de vitamina C. Uma garrafa pequena de suco de laranja fresco tem cerca de 72mg de vitamina C, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos — que é mais do que a quantidade mínima diária recomendada de 40mg, mas ainda assim fica aquém do que muitos suplementos oferecem. Também tem o zinco. Uma revisão de estudos que examinou a eficácia de doses diárias de pastilhas de acetato de zinco para o resfriado comum descobriu que elas encurtavam a duração de sintomas — nariz escorrendo e entupido, por exemplo, em cerca de um terço; espirros em 22%; e tosse à quase metade. O estudo concluiu que, se o tratamento for iniciado dentro de 24 horas após aparecerem os primeiros sintomas, tomar uma dose diária de 80mg de pastilhas de acetato de zinco pode ajudar a tratar o resfriado comum. No entanto, Hemilä argumenta que é mais correto analisar a recuperação total de um resfriado, em vez de medir a duração dos sintomas - o que evita que os dados sejam comprometidos por pessoas que abandonam o estudo antes de se recuperarem completamente e aquelas que apresentam resfriados prolongados que podem distorcer as descobertas. Em estudo realizado com 199 pacientes com resfriado comum, ele identificou que aqueles que tomaram pastilhas de zinco se recuperaram três vezes mais rápido. Muitas vezes, os cientistas dizem que as vitaminas e minerais são melhor consumidos por meio de alimentos, em vez de suplementos — embora apontem que, como acontece com a vitamina C, muitas vezes é mais fácil obter altas doses de uma vitamina por meio de suplementos. No caso do zinco, no entanto, é o contrário. Para ser eficaz contra resfriados, deve ser consumido em forma de pastilha — e não de simples comprimidos ou alimentos ricos em zinco, diz Hemilä. "As pastilhas de zinco são dissolvidas lentamente na região da garganta e o efeito do zinco é local", explica. "Não sabemos qual é o mecanismo bioquímico desse efeito. Mas os estudos que identificaram que as pastilhas de zinco são eficazes usaram pastilhas grandes que levam até 30 minutos para dissolver na boca." Poder 'reconfortante' Ainda assim, uma complicação é que os pesquisadores não costumam avaliar se as pessoas tinham algum tipo de deficiência — de vitamina C ou zinco, por exemplo — antes de iniciar o tratamento. Desta forma, qualquer benefício de combate ao resfriado pode estar relacionado ao fato de que, ao tomar um suplemento, alguns participantes estavam apenas suprindo uma carência, em vez de o suplemento estar fazendo diferença para pessoas que estavam saudáveis. Outra dificuldade é o efeito placebo. É claro que muitos estudos, como o de suplementos de alho, tem um grupo de controle que recebe placebo (medicamento inerte, sem propriedades farmacológicas) — então se sabe que o resultado não se deve apenas ao efeito placebo. Mas se juramos que algo que tem pouca ou nenhuma evidência científica, como canja de galinha ou suco de laranja, realmente nos cura, pode ser devido ao efeito placebo. Pesquisas mostraram que placebos são eficazes no alívio de muitos sintomas, desde a dor à síndrome do intestino irritável, embora as razões ainda não sejam totalmente compreendidas. Independentemente de ser vitamina C ou canja de galinha, pode ser que o efeito placebo sozinho ajude a nos recuperar de um resfriado. Um estudo revelou que pessoas que acreditavam nas supostas propriedades de combate ao resfriado da equinácea (planta medicinal) tiveram resfriados mais leves e durante períodos mais curtos quando tomavam doses diárias da erva, em comparação com aqueles que não acreditavam em seu poder de cura. Estudos anteriores em que os participantes não sabiam que estavam tomando equinácea não apresentaram melhora nos sintomas do resfriado. Isso também funciona da maneira inversa. Durante muito tempo, acreditava-se que o leite piorava a produção de muco quando estamos resfriados, mas já foi demonstrado que isso não é verdade. Um estudo descobriu, no entanto, que pessoas que acreditavam que o leite causava muco relataram mais problemas respiratórios depois de beber. Enquanto os placebos são geralmente administrados por médicos em ensaios clínicos, o efeito placebo dos remédios caseiros pode estar relacionado a nossa vida cotidiana, diz Felicity Bishop, professora associada de psicologia da saúde na Universidade de Southampton, na Inglaterra. "Estudos mostram que o efeito do comprimido placebo vem de uma relação de confiança entre pacientes e profissionais de saúde, alguém que é atencioso e pode oferecer tratamentos com segurança", diz ela. "E é isso que os pais fazem quando somos crianças. A natureza do relacionamento que é importante, mais do que quem é a pessoa." Além de amigos e familiares de confiança, o efeito placebo também pode ser fortalecido pela forma como os alimentos são comercializados, acrescenta Bishop. A boa notícia? Saber que remédios caseiros são placebos não impedirá, necessariamente, que eles aliviem os sintomas do resfriado. "Mesmo quando um médico diz ao paciente para tomar algo que é placebo, mas que fez bem a algumas pessoas, pode fazer o paciente se sentir melhor", diz ela. Há ainda o efeito reconfortante provocado por esses alimentos. A nutricionista Sarah Schenker diz que o bem-estar gerado pela canja de galinha, por exemplo, pode ajudar alguém que está resfriado a se sentir um pouco melhor. Mais do que a quantidade de vitamina C que consumimos, a probabilidade de não pegar um resfriado no inverno depende muito de cada indivíduo — incluindo o quanto acreditamos em placebos, mas também dos nossos genes. "Os genes de algumas pessoas as deixam particularmente suscetíveis a certas doenças. É muito mais importante perceber que diferimos geneticamente uns dos outros — algumas pessoas têm gripe e nem percebem, enquanto outras apresentam sintomas graves. Isso é parcialmente determinado pelos genes, que têm um impacto muito maior". Para a maioria das pessoas com sistemas imunológicos saudáveis, podemos fazer pouco mais do que confiar no poder dos placebos para nos recuperar dos resfriados no inverno... embora tomar alguns suplementos de zinco ou alho possam ajudar também.

15/01 - 2019


Mais Médicos: 18% das vagas não foram preenchidas e ministério abrirá nova chamada



Restam 1,4 mil posições abertas para o programa no Brasil. Nova chamada ocorrerá nos dias 23 e 24 de janeiro para profissionais brasileiros formados no exterior. Médico do programa Mais Médicos durante atendimento Karina Zambrana /ASCOM/MS Foram preenchidas 7.057 vagas do Programa Mais Médicos desde que o governo de Cuba decidiu sair da cooperação com o Brasil – 82% de um total de 8.517 posições oferecidas pelo Ministério da Saúde. Com isso, os postos serão abertos em uma próxima etapa prevista para os dias 23 e 24 de janeiro destinada a profissionais brasileiros formados no exterior. Dentre os 1.707 médicos que se inscreveram na última chamada, 1.089 compareceram aos locais escolhidos. As vagas remanescentes foram somadas às 842 que haviam restado anteriormente – totalizando 1.460 posições em aberto. O ministério informa que, caso as vagas não sejam totalmente preenchidas nesta próxima etapa, elas serão reabertas nos dias 30 e 31 de janeiro para médicos estrangeiros. Veja como está o preenchimento das vagas do programa: Total de vagas oferecidas na primeira etapa de seleção: 8.517 Quantos médicos se apresentaram na primeira etapa: 5.968 Quantas vagas ficaram disponíveis para a segunda etapa: 2.549 Quantos médicos se apresentaram até a quinta-feira (10): 1.089 Quantas vagas serão disponibilizadas nas próximas etapas: 1.460 Cronograma das próximas etapas: 22/1 - Validação dos documentos dos brasileiros formados no exterior 23/1 a 24/1 - Brasileiros formados no exterior escolhem vagas remanescentes 29/1 - Publicação da validação dos documentos dos médicos estrangeiros 30/1 a 31/1 - Médicos estrangeiros escolhem vagas remanescentes

15/01 - 2019


O homem que descobriu não ser o pai biológico dos três filhos ao ser diagnosticado com doença hereditária



Quando Richard Mason foi diagnosticado com fibrose cística, descobriu que a doença o havia deixado infértil já na infância – até então, ele acreditava ser o pai biológico de seus três filhos. Richard fez o teste porque não estava conseguindo engravidar Emma, sua atual mulher Reprodução/Facebook O empresário britânico Richard Mason, com 54 anos, não acreditou quando recebeu a notícia de que tinha uma fibrose cística que havia provocado infertilidade durante toda a sua vida – afinal, ele tinha três filhos. "Pensei que o diagnóstico estava errado", disse Mason em uma entrevista ao programa BBC Radio 5 Live. Preocupado, ele questionou sua ex-mulher, Kate, se era o pai biológico dos três filhos do casal. Como ela garantiu que sim, Mason manteve a esperança de que os exames estivessem errados. Mas não estavam. O empresário de fato teve fibrose cística durante a vida toda. A doença hereditária é considerada grave e afeta diversos órgãos, em um processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade dos mucos. Na maioria dos homens afetados, a doença leva à infertilidade. No Brasil, ela afeta uma em cada 10 mil pessoas. As irmãs de Mason já tinham a doença, e ele havia feito um teste para descobrir se também havia nascido com ela porque não estava conseguindo engravidar sua segunda mulher, Emma. Testes de DNA confirmaram: os gêmeos Ed e Joal, de 19 anos, e Willem, de 23 anos, não eram filhos biológicos de Mason. Fraude de paternidade Mason havia se separado de sua ex-mulher em 2007, depois de 20 anos de casamento. Ao descobrir que os três filhos nascidos durante o matrimônio não eram seus, resolveu processar a ex-mulher por fraude de paternidade. Kate foi condenada a devolver US$ 320 mil dos quase US$ 5 milhões que havia recebido no acordo de divórcio. A Justiça permitiu que ela mantivesse em segredo a identidade do verdadeiro pai dos jovens. "Eu não sabia o que era real e o que não era. Foi como se eu tivsse vivendo em Matrix (o filme)", disse Mason ao jornal inglês The Daily Mail. "Durante muito não consegui pensar em outra coisa", contou o empresário ao BBC Radio 5 Live. "Em algum momento do futuro vou descobrir quem é o pai biológico, tenho certeza. Não sei se é um de meus amigos, pode ser alguém muito próximo de mim", disse Mason à BBC. "Quando você tem um mistério assim em sua vida e é afetado por ele dessa forma, qualquer pessoa gostaria de saber a verdade." Mason está oferecendo US$ 6,4 mil para quem o ajudar a descobrir quem é o pai biológico de seus filhos. A BBC tentou entrar em contato com Kate, a ex-mulher de Mason, mas não recebeu nenhuma resposta. Mason afirma que continua se sentindo o pai de seus três filhos Reprodução/Facebook Afastamento dos filhos Apesar de conseguir uma vitória no processo contra a ex-mulher, Mason não teve paz. Por causa da disputa legal, seus filhos decidiram cortar suas relações com ele. "Ver o que eles estão fazendo no Facebook me parte o coração. Meu mais velho se formou há pouco tempo e eu sequer fui convidado", disse Mason. Hoje só Ed, um dos gêmeos de 19 anos, mantém contato com ele. Em um programa do canal ITV, Mason mandou um recado para os filhos. "Não fiz nada de errado. Eu amo vocês e as portas estão abertas. Apenas venham, e lhes darei o maior abraço que já receberam na vida", afirmou. Joel, um dos filhos gêmeos, explicou ao The Daily Mail porque não fala com o pai de criação. "É um homem muito manipulador, não é o tipo de pessoa com quem você queira estar. Comecei a notar quando tinha 15 anos", disse Joel, que afirmou, no entanto, não ter a intenção de procurar seu pai biológico. "Richard continua sendo meu pai e não vou buscar a verdade. Duvido que (o pai biológico) sequer saiba que nós existimos", disse. Mason também diz sentir que os jovens continuam sendo seus filhos. "Eles são meus filhos. Você se sente traído, sente essa sensação de raiva que não se pode explicar. Mas eu sigo sendo o pai", disse Mason.

15/01 - 2019


Grávidas que respiram ar poluído têm maior risco de aborto espontâneo, diz estudo



Segundo autor do estudo, no primeiro trimestre de gravidez o perigo oferecido pela poluição pode ser tão alto quanto fumar tabaco. Risco de aborto aumenta após pico de poluição no ar Free-Photos/Creative Commons Mulheres grávidas expostas a altos níveis de poluição do ar – mesmo que por um curto tempo – têm uma chance bem maior de sofrer aborto espontâneo do que quem respira ar puro, segundo um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, publicado no mês passado na revista científica "Fertility and Sterility" (Fertilidade e Esterilidade, em tradução livre). Os resultados mostram que altos níveis de um poluente chamado dióxido de nitrogênio (NO²) aumentam em 16% o risco de aborto espontâneo. Produzido pela queima de combustíveis fósseis, o NO² é um gás bastante presente em diversos lugares poluídos no mundo. No Brasil, a contaminação por NO² atinge diversos centros urbanos – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador –, segundo a Plataforma de Qualidade do Ar do Instituto de Energia e Meio Ambiente. Estudos anteriores já haviam analisado o risco de aborto em casos em que a exposição à poluição é prolongada. Mas essa é a primeira vez que um estudo é publicado com análise de exposição por um curto período. Nível de poluição no ar é oito vezes maior que o indicado pela OMS, segundo pesquisador Juan Diaz/Arquivo Pessoal "Notei um padrão aparente entre a perda da gravidez e a qualidade do ar e resolvi investigar a fundo", disse Matthew Fuller, um dos autores do estudo, ao divulgá-lo em dezembro. Na verdade, diz Fuller, respirar um ar muito poluído por um curto tempo no primeiro trimestre da gravidez gera o mesmo perigo de perda do bebê do que fumar tabaco. A pesquisa foi uma análise de casos de aborto entre 2007 e 2015 e envolveu 1,3 mil mulheres do estado americano de Utah. Os pesquisadores analisaram o risco de aborto em um período de três a sete dias depois de picos de concentração de poluentes do ar na região. Mas, segundo os autores dos estudos, os resultados podem valer para outros locais. "Os problemas que vivemos por aqui não são exclusivos. Conforme a população aumentar, a poluição atmosférica vai se tornar um problema maior tanto nos Estados Unidos quanto nos países em desenvolvimento", disse Fuller. A pesquisa foi feita de maneira que as mesmas mulheres foram analisadas em diferentes momentos (um tipo de estudo conhecido como cross-over), assim foi possível excluir outros fatores relativos ao risco de perda do bebê, como idade da mãe, por exemplo. Como analisou casos retrospectivos, o levantamento não foi capaz de analisar a idade do feto no momento do aborto, portanto não conseguiu apontar em que momento o feto fica mais vulnerável à poluição. A pesquisadora Claire Leiser, que coordenou o estudo, reconhece que os resultados são um retrato restrito do problema e afirma que a questão precisa ser analisada mais a fundo.

15/01 - 2019


Jason Padgett, o homem que se converteu em um gênio da matemática após sofrer um golpe na cabeça



Quando jovem, ele só queria saber de 'garotas, festas e álcool'; mas tudo mudou em uma noite de 2002, quando dois homens o atacaram violentamente. Foi literalmente um golpe que fez Jason Padgett deixar de ser um jovem americano festeiro para se tornar um matemático obsessivo e ser reconhecido como um gênio na matéria — com uma habilidade pouco usual: ele pode "ver" números e geometria, não são meras abstrações. "Eu levava uma vida muito superficial. Só me interessavam as garotas, as festas e o álcool", contou Padgett ao programa Outlook, do serviço mundial da BBC, como parte da série especial "Sentidos extraordinários". "Fiquei para trás no anos 80... Seguia usando o corte de cabelo curto na parte de cima e grande atrás; também vestia casacos de couro sem camisa", lembra, envergonhado, da sua juventude no Alasca. "Minha vida consistia em sair para bares em busca de garotas, beber, ir ao trabalho no dia seguinte com ressaca... Eu fazia isso de seis a sete noites por semana". "Aquele estereótipo do idiota que você vê entrando em um bar... Este era eu", diz, rindo. Mas esta vida de "cabeça oca" terminou repentinamente na sexta-feira de 13 de setembro de 2002, na cidade americana de Tacoma, no Estado de Washington — para onde Padgett tinha se mudado havia pouco tempo. Como foi o ataque Naquela noite, ele foi com uma amiga e um sujeito com quem ela saía para um karaokê. O grupo se divertiu. Padgett, fiel aos anos 80, cantou Blaze of Glory, de Bon Jovi, artista que ele adorava imitar. Enquanto estava no palco, viu dois homens sentados no canto, mas não deu maior importância a isso. Ele não podia imaginar que aqueles desconhecidos mudariam sua vida para sempre. Quando ele e os companheiros de noite saíram do karaokê, Padgett sentiu e ouviu um forte e repentino golpe na cabeça, fazendo com que caísse de joelhos. "Vi uma luz branca, como se alguém tivesse tirado uma foto", lembra. Conforme os agressores continuavam agindo, sua amiga observava a cena em choque; seu par saiu correndo; e as pessoas dentro do karaokê observavam a cena pela janela, mas não faziam nada. Já Padgett tentava reagir mordendo a perna de um dos atacantes. "A coisa que mais me lembro é de pensar: 'Quero machucar esses caras antes de morrer'". "De repente, um deles me disse: 'Passa sua jaqueta'. Assim, percebi que era um assalto", conta. Padgett, então, cumpriu a ordem dos agressores e passou a jaqueta - que havia custado apenas US$ 99 e ficou danificada depois do ocorrido. Os atacantes saíram correndo, e Padgett teve a sorte de estar perto de um hospital. Ali, foi diagnosticado com uma concussão e sangramento no rim. Depois de ser tratado com uma injeção de analgésico, ele foi para casa. TOC O violento episódio do qual foi vítima deixou como consequência um transtorno obsessivo compulsivo (TOC). O medo do que aconteceu, e o fato de que ninguém o ajudou, levaram Padgett a ter medo de sair e estar perto de outras pessoas. Jason Padgett Jason Padgett/via BBC Ele passou a viver trancado em casa e desenvolveu uma obsessão pela limpeza. "Eu tinha um medo irracional de germes, lavava minhas mãos centenas de vezes por dia". Ele até desinfetou seu dinheiro, limpando cada cédula, uma a uma. O fato de estar longe da família e amigos fez com que seu distúrbio passasse despercebido: ele viveu três anos assim. Mas o trauma na cabeça deixou outra consequência.... Mudou, literalmente, a forma como via as coisas. "Tudo parecia ligeiramente pixelado, as nuvens, o sol... Observava a água escoar pelo ralo e via tangentes, com linhas como ondas, que se cruzavam". "Era lindo, mas ao mesmo tempo assustador", lembra. Fractais Padgett notou que todas essas formas pixeladas pareciam se mover dentro de uma grade. "Era como um videogame e parecia algo matemático." Curioso, ele foi à internet e lá aprendeu sobre a geometria fractal, uma abordagem matemática impulsionada pelo francês Benoit Mandelbrot. Os fractais foram descritos como blocos que constroem tudo o que existe no universo. São figuras que se repetem, para formar outras maiores. Padgett explica da seguinte maneira: "É como uma tela de televisão... Os pequenos quadradinhos de cor formam quadrados maiores, e é assim que o todo é formado". De repente, ele percebeu que tudo o que via "podia ser separado em pedaços menores, mas idênticos". Ele via padrões em tudo. Então, sua obsessão passou a ser desenhar estas figuras fractais. Mudança de vida Felizmente, seu interesse em entender o que via o levou a sair do isolamento. Padgett procurou ajuda psicológica para o TOC e se matriculou em um curso de matemática em uma universidade próxima. A guinada não só o fez sair de casa, mas também conhecer quem mais tarde se tornaria sua esposa. "Minha vida melhorou drasticamente", diz. Padgett conheceu sua futura esposa na universidade Jason Padgett/via BBC Outro episódio marcante foi quando Padgett viu na televisão uma entrevista com Daniel Tammet, um homem que tem Asperger (um transtorno do espectro do autismo) e é considerado um gênio da matemática e linguística. Pessoas como ele, com competências mentais extraordinárias, são chamadas de "savants". "Foi a primeira vez que alguém, além de mim, falou sobre como os números se parecem", diz Padgett. Ele decidiu então procurar um especialista para saber se ele também tinha a chamada síndrome do sábio - ou savant. Uma série de ressonâncias cerebrais confirmou isso. Ele também foi diagnosticado com sinestesia, como é conhecido o distúrbio em que os sentidos são misturados. Isso explicou como ele poderia "ver" a matemática. Para Padgett, o diagnóstico foi um alívio. Virada inesperada Padgett viajou o mundo contando sua história e escreveu um livro sobre suas experiências: Struck by genius (Algo como "Golpeado pela genialidade"). Sua fama teve uma consequência inesperada: um dos homens que o atacou — a quem Padgett jurou vingança por muitos anos — entrou em contato e demonstrou grande pesar pelo ocorrido, que atribuiu ao álcool e às drogas. O agressor disse que, como Padgett, também havia começado um nova estágio na vida, livre de violência. Padgett aceitou o pedido de desculpas e o parabenizou por ter mudado de vida. Embora o ataque tenha causado anos de dor e problemas, Padgett está satisfeito. "Passaria pela mesma coisa novamente para alcançar este despertar matemático. É mágico".

15/01 - 2019


China anuncia primeiro nascimento de broto de planta na Lua da história



Sementes de algodão, levadas pela missão que pousou no lado escuro da Lua, começaram a germinar em um recipiente lacrado a bordo da sonda. Imagem mostra semente de algodão brotando embaixo de uma camada protetora CLEP As sementes levadas para a Lua pela missão chinesa Chang'e-4 germinaram, informou a CNSA, agência espacial chinesa. É a primeira vez que qualquer material biológico cresce na Lua, sendo um marco importante para a exploração espacial de longa duração. A Chang'e 4 é a primeira missão a pousar e explorar o lado escuro da Lua, aquele que nunca foi visto do nosso planeta, por estar posicionado de costas para a Terra. A sonda não-tripulada aterrissou no lado oculto da Lua no dia 3 de janeiro, equipada com instrumentos para analisar a geologia da região. Planta cresce na lua pela primeira vez na história Já foram cultivadas plantas na Estação Espacial Internacional antes, mas nunca na Lua. A capacidade de plantar no satélite será fundamental para missões espaciais de longa duração, como uma viagem a Marte, que levaria cerca de dois anos e meio. Isso significa que os astronautas poderiam colher seus próprios alimentos no espaço, reduzindo a necessidade de voltar à Terra para reabastecer. Em feito inédito, sonda chinesa pousa na face oculta da Lua Reprodução/JN A sonda chinesa que pousou na Lua transportava sementes de algodão e batata, leveduras e ovos de mosca-das-frutas. As plantas estão em um recipiente lacrado a bordo da sonda. As culturas vão tentar formar uma "minibiosfera" - um ambiente artificial e autossustentável. Nesta terça-feira, a imprensa estatal chinesa informou que as sementes de algodão começaram a brotar. O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, tuitou uma imagem da semente germinada, dizendo que ela marca "a conclusão do primeiro experimento biológico da humanidade na Lua". Para Fred Watson, do Observatório Astronômico da Austrália, esta é "uma boa notícia". "Isso sugere que pode não haver problemas intransponíveis para os astronautas no futuro ao tentar cultivar suas próprias plantações na Lua em um ambiente controlado", afirmou Watson à BBC. "Eu acho que certamente há um grande interesse em usar a Lua como plataforma, principalmente para voos para Marte, porque é relativamente perto da Terra", avalia Watson. O professor Xie Gengxin, responsável pelo experimento, foi citado no jornal South China Morning Post: "Nós levamos em consideração a sobrevivência futura no espaço." "Aprender sobre o crescimento dessas plantas em um ambiente de baixa gravidade nos permitiria estabelecer as bases para a futura criação de uma base espacial", acrescentou Gengxin. Segundo ele, o algodão pode eventualmente ser usado para roupas, enquanto as batatas podem ser uma fonte de alimento para os astronautas, e a colza para produção de óleo. A agência de notícias chinesa Xinhua afirmou que as sementes foram "adormecidas", por meio de tecnologia biológica, durante a jornada de 20 dias da Terra à Lua. Eles só começaram a crescer quando o centro de controle da missão enviou um comando para a sonda regar as sementes. Ainda de acordo com a Xinhua, a sonda tirou cerca de 170 fotos até agora que foram enviadas de volta à Terra. Na sexta-feira, o programa chinês de exploração espacial divulgou várias imagens, incluindo fotos panorâmicas do local de pouso, assim como vídeos da aterrissagem.

15/01 - 2019


Mais de 500 cidades correm risco de surto de dengue nesse verão


A situação é mais grave no Centro-Oeste, como mostrou o 'Bom Dia Brasil' desta terça (15). Mais de 500 cidades correm risco de surto de dengue nesse verão O verão com temperaturas acima da média e pancadas de chuva trouxe um alerta contra o mosquito da dengue: mais de 500 cidades correm risco de surto da doença, segundo dados do Ministério da Saúde. A situação é mais grave na região Centro-Oeste, como mostrou o 'Bom Dia Brasil' desta terça (15). Agentes de saúde em Brasília estão observando um descuido na prevenção — em seguir aquelas regras básicas que todo mundo conhece — de não deixar água parada nos pratinhos de plantas, não deixar lixo acumulado. Chove, a água fica empoçada: lugar perfeito para focos de mosquito. A fase mais aguda da doença que Jeniffer teve já passou — mas as pintinhas e a coceira pelo corpo ainda incomodam. "Eles falam que é a última etapa, que é pintar o corpo todinho. E coça bastante também", diz. Leoni teve dengue hemorrágica. "Tem muito lixo, fica muito lixo. E tem muita gente que não cuida dos quintais. Tem que prestar mais atenção nessas coisas, porque o negócio é sério, eu fiquei ruim. Eu pensei que eu fosse morrer", conta. Jeniffer e Leoni fazem parte dos mais de 29 mil casos de dengue notificados pela Secretaria de Saúde de Goiânia no ano passado. Em Goiás, o aumento do número de casos de dengue foi de quase 32%. Foram 63 mil casos confirmados com 64 mortes no ano passado — contra 43 mil casos e 53 mortes em 2017. Febre amarela, dengue, zika e chikungunya: entenda as doenças do Aedes que afetam o Brasil De acordo com o Ministério da Saúde, a região Centro-Oeste apresentou o maior número de casos suspeitos no ano passado: foram 93 mil. Em seguida, vêm as regiões Sudeste, com 68 mil casos, Nordeste, com 66 mil, Norte, com 16 mil, e Sul, com 2.900 casos. Em Bauru, interior de São Paulo, em todo o ano passado, foram registrados 132 casos de dengue. Neste ano, já são 62 casos da doença. A prefeitura até preparou uma estrutura extra, com salas de hidratação, só para as vítimas de dengue. Esse condomínio na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde moram 300 famílias, vive uma epidemia de zika e chikungunya. Na casa da dona Rosângela, a coisa ficou feia. "Ficou bastante. A minha família toda, todo mundo, aconteceu pegar chikungunya — minha mãe, que tá com 86 anos, tem a minha filha, o meu filho, o outro filho também. O meu neto. A minha neta", conta. No Pará, a maior preocupação é com a chikungunya. Em Belém, o número de vítimas em 2018 mais que triplicou em comparação com 2017. Três das quatro pessoas que moram na casa de dona Larissa pegaram a doença. "Muitas dores nas juntas, nos ombros, nos joelhos e nos pés. Até hoje ainda sinto nos pés", diz. Brasília está entre as 504 cidades do país com risco de dengue, chikungunya e zika. Agentes de saúde estão encontrando mais focos do mosquito nas casas. O lago Norte, uma das áreas mais caras de Brasília, está entre os locais onde mais foi encontrado o mosquito da dengue. Enquanto o índice de infestação predial no Distrito Federal ficou em 1,48% das casas visitadas, aqui o percentual chegou a 8,74% — o que já é considerado estado de risco quando se fala de infestação do mosquito. Para intensificar o combate ao mosquito, a secretaria de saúde vai contar com 350 agentes de vigilância ambiental e 400 bombeiros. O Ministério da Saúde informou que as ações de combate ao Aedes aegypti são realizadas durante todo o ano com estados e municípios, e que dá apoio técnico e insumos — como larvicidas — para combate ao mosquito, além de veículos para realizar os fumacês e ainda teste para diagnóstico. Em dezembro, foram distribuídas mil caminhonetes para reforçar os serviços de vigilância. Esse calorão e a água parada atraem os mosquitos, mas o calor também chama resfriado — ainda mais com ar condicionado.

15/01 - 2019


O cientista ganhador do Nobel que perdeu seus títulos por causa de ideias racistas



O americano James Watson, ganhador do prêmio Nobel de 1962, perdeu seus títulos honorários depois de fazer comentários racistas sobre raça e inteligência. James Watson AP Photo/Ivan Sekretarev O cientista americano James Watson, ganhador do prêmio Nobel de 1962, perdeu seus títulos honorários depois de fazer comentários racistas sobre raça e inteligência. Em um documentário de televisão que foi ao ar em 2 de janeiro, o pesquisador, pioneiro na pesquisa do DNA, repetiu opiniões segundo a qual a genética tem um papel nas notas que brancos e negros têm em testes de inteligência e de coeficiente intelectual. O laboratório Cold Spring Harbor, em Nova York, onde ele trabalhava, frisou que os comentários do cientista de 90 anos de idade são "infundados e imprudentes". Watson já tinha emitido opiniões similares em 2007, quando afirmou que os africanos eram menos inteligentes que os europeus, mas se desculpou depois. O pesquisador ganhou o Nobel de medicina de 1962 com os cientistas Maurice Wilkins e Francis Crick pela descoberta da estrutura de dupla hélice de DNA. O feito é considerado um dos momentos-chave da ciência moderna. As declarações racistas Em 2007, o cientista, que trabalhou no laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge, disse ao jornal britânico Times que era "pessimista a respeito do futuro da África", porque "todas as nossas políticas sociais são baseadas na suposição de que a sua inteligência (dos africanos) é a mesma dos brancos, quando todas as provas indicam que não é assim". Watson disse ainda que, por mais que ele quisesse que todos fossem iguais, "as pessoas que tiveram que lidar com trabalhadores negros sabem que isto não é verdade". O acadêmico nascido em Chicago, nos EUA, também disse que as pessoas não deveriam ser discriminadas por sua raça, pois "há muita gente de cor que é muito talentosa". Depois, ele pediu desculpa pelos comentários. "A todos os que deduziram do que eu disse, que a África, como continente, é geneticamente inferior, a todos estes eu peço desculpas. Não foi o que eu quis dizer. Não há base científica para afirmar isso", disse. As consequências Depois de seus comentários de 2007, o laboratório de Cold Spring Harbor suspendeu o pesquisador de seus quadros. O cientista perdeu seu posto de reitor do laboratório, e foi destituído de suas funções administrativas. Initial plugin text Mas, por ter pedido desculpas à época, ele reteve seus títulos honorários de reitor emérito, de professor emérito e de membro honorário. Porém, depois das declarações dadas ao documentário televisivo "American Masters: Decoding Watson" ("Mestres americanos: decodificando Watson", em tradução livre), que foi ao ar este ano, o laboratório de Nova York retirou todos os títulos de Watson. À emissora pública americana PBS, autora do documentário, Watson disse que suas visões sobre raça e inteligência não tinham mudado. "As declarações de Watson são reprováveis e carecem de respaldo científico", disse o laboratório em nota. As novas declarações, disse o laboratório, revertiam as desculpas que o cientista já tinha pedido. Segundo a mídia dos EUA, Watson se encontra hoje numa enfermaria, recuperando-se de um acidente automobilístico, e tem consciência "mínima" do seu entorno. A venda da medalha Watson vendeu sua medalha de ouro do Nobel em 2014. Foi a primeira vez na história que um ganhador do prêmio se desfez do objeto. Segundo disse ele em um comunicado à época, a intenção era dedicar parte do valor da venda a projetos de pesquisa nas universidades e instituições científicas nas quais estudou e trabalhou ao longo de sua carreira. "Minha intenção é fazer doações filantrópicas ao laboratório Cold Spring Harbor, à Universidade de Chicago e ao Clare College de Cambridge, e assim seguir contribuindo para que o mundo acadêmico siga sendo um lugar onde predomine a decência e as grandes ideias", disse. Naquele mesmo ano, o biológo molecular disse que tinha sido excluído da comunidade científica por causa de seus comentários sobre raça e inteligência em 2007.

15/01 - 2019


Cidadania e justiça para combater a insegurança na velhice



Idosos precisam de programas especiais para garantir seus direitos “O que torna uma vida boa na velhice? Cidadania e justiça em sociedades que estão envelhecendo” (“What makes a good life in late life? Citizenship and justice in aging societies”) é um amplo estudo realizado ao longo de dois anos por pesquisadores ligados ao The Hastings Center. Embora retrate a sociedade norte-americana, seus fundamentos podem servir para qualquer país que, como o Brasil, ainda está longe de ter políticas públicas estruturadas para proteger os idosos. Nos Estados Unidos, uma em cada cinco pessoas terá mais de 65 anos em 2035. No Brasil, o número de idosos já ultrapassou a marca de 30 milhões e, em 2031, a previsão é de que o total de velhos supere o de crianças e adolescentes até 14 anos. Recentemente, a “Folha de S.Paulo” publicou reportagem mostrando que a profissão de cuidador de idosos é a que mais cresceu no país nos últimos dez anos: eram cerca de 5 mil em 2007 e, em 2017, 34 mil. Idosas almoçam em instituição: necessidade de criação de redes de proteção social e econômica voltadas para os mais velhos https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/60/Tavshe6.JPG Algumas perguntas nortearam a pesquisa, tais como: como proporcionar qualidade de vida a pessoas mais velhas com doenças crônicas e recursos limitados? De que tipo de serviços esses idosos precisam para viver com dignidade? Como estabelecer prioridades e fazer os investimentos necessários para atender a essas demandas? Como ficam os direitos de cuidadores, familiares ou profissionais numa sociedade que está envelhecendo? Que tipo de perspectivas devemos ter em relação a políticas envolvendo o fim da vida que não se limitem a decisões tomadas por profissionais da saúde? No ensaio “Envelhecimento precário: insegurança e risco na velhice” (“Precarious aging: insecurity and risk in late life”), que integra o estudo, Amanda Grenier e Christopher Phillipson abordam uma questão que também ocorre por aqui: a representação, feita pelos meios de comunicação, de uma velhice saudável e próspera que não corresponde à realidade. É verdade a geração que está na casa dos 60 e 70 teve mais oportunidades que a de seus pais e avós, mas a desigualdade persiste e seu efeito cumulativo está criando grupos de idosos que viverão mais, mas em situação de grande precariedade. Há urgência na criação de redes de proteção social e econômica voltadas para este segmento, ou crescerá o risco de assistirmos a uma escalada de casos de abandono e todo tipo de abuso contra os mais velhos. Países ricos como os EUA, Canadá e Austrália têm visto crescer o número de velhos sem-teto. Trata-se de uma questão moral que não pode desaparecer do horizonte ético da sociedade. No entanto, não há apenas notícias ruins. A Sociedade Americana de Geriatria (American Geriatrics Society) criou um programa voltado para o treinamento de lideranças na área geriátrica. Chama-se Elia (Emerging Leaders in Aging) e seu objetivo é praticamente fazer uma revolução: dar prioridade ao cuidado focado no paciente, para garantir sua independência, autonomia e qualidade de vida. Tudo o que queremos preservar no envelhecimento. Esse blog estará de férias entre 17 e 31 de janeiro, retornando dia 3 de fevereiro.

14/01 - 2019


Equipe da UFPA desenvolve aplicativo para ajudar idosos no tratamento de Alzheimer



A ferramenta, chamada "MemoryLife", possibilita que os usuários trabalhem suas funções cognitivas e pode ser baixado gratuitamente. Equipe da UFPA desenvolve aplicativo para ajudar idosos no tratamento de Alzheimer Divulgação / UFPA Uma equipe da Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolveu um aplicativo de celular para auxiliar idosos no tratamento do Mal de Alzheimer. A ferramenta, chamada "MemoryLife", possibilita que os usuários trabalhem suas funções cognitivas e pode ser baixado gratuitamente. O aplicativo tem o objetivo de ajudar os idosos a manterem as suas funções cognitivas por mais tempo, retardando a evolução da doença, mantendo-os mais independentes nas suas atividades diárias, além de incluí-los digitalmente. “Acredito que, primeiro de tudo, é a oportunidade de colocar o idoso em contato com este tipo de tecnologia, incluindo-o digitalmente. Percebemos que muitos deles têm interesse de se apropriar deste tipo de tecnologia, ou já até utilizam, mas com outros fins. Além disso, o aplicativo é uma tecnologia relativamente barata e acessível à população, tendo um maior alcance”, ressalta a professora Kátia Omura. O "MemoryLife" é uma iniciativa da professora Kátia Omura, da aluna Alanna Ferreira, da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (FFTO) e do estudante Ailson Freire, do curso de Engenharia da Computação. Jogos inspirados no cotidiano O aplicativo conta com jogos de memória e lógica, com diferentes níveis, para treinar os aspectos cognitivos mais afetados pela doença. Todos os jogos remetem ao cotidiano dos usuários, relacionados a atividades diárias dos idosos. Uma atualização do MemoryLife será testada por idosos da Unidade de Atendimento à Pessoa Idosa Nosso Lar Socorro Gabriel e por integrantes da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz-PA). A nova versão contará com avaliação cognitiva dentro do aplicativo, para que o usuário e seu familiar possam acompanhar a evolução do idoso.

14/01 - 2019


Dorme menos de 6 horas por noite? Estudo indica que você tem mais chances de ter problemas de saúde



Quem dorme menos de 6 horas tem maior risco de aterosclerose, afirma pesquisa. Quem dorme menos de 6 horas por noite tem maior risco de aterosclerose - um acúmulo de placas nas artérias por todo o corpo, diz pesquisa C_Scott/Pixabay Um estudo divulgado nesta segunda-feira (14) pode tirar ainda mais o sono de quem já dorme pouco. De acordo com os pesquisadores, quem dorme menos de seis horas por noite tem maior risco de aterosclerose – um acúmulo de placas nas artérias por todo o corpo – em comparação com aqueles que têm sono considerado normal, ou seja, de sete a oito horas por noite. A pesquisa foi publicada no "Journal of American College of Cardiology". Doença vascular crônica e progressiva, que geralmente aparece em adultos e idosos, a aterosclerose é uma inflamação da camada mais interna das artérias, também chamada de túnica íntima – justamente a parte que fica em contato direto com o sangue. Essa inflamação ocorre como consequência do acúmulo e oxidação de lipoproteínas nas paredes arteriais. "Este é o primeiro estudo a mostrar que o sono objetivamente medido é independentemente associado à aterosclerose em todo o corpo, não apenas no coração", afirma o professor e nutricionista José Ordovás, pesquisador do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III, de Madri, e diretor de nutrição do Centro de Pesquisa de Nutrição Humana Jean Mayer USDA Envelhecimento na Universidade Tufts, em Massachussetts. Ele lembra que estudos anteriores já mostraram que a falta de sono aumenta o risco de doenças cardiovasculares, bem como favorecem os fatores de risco para problemas cardíacos – como alterações nos níveis de glicose, pressão arterial, inflamações e obesidade. Considerados os fatores de risco tradicionais para doenças cardíacas, o estudo mostrou que os que dormem menos de seis horas têm 27% mais chance de ter aterosclerose em todo o corpo do que aqueles que dormem de sete a oito horas. E aqueles que têm um sono de má qualidade estão 34% mais propensos a ter a doença em comparação aos que dormem bem – o estudo avaliou a qualidade do sono considerando quantas vezes por noite a pessoa acordou e a frequência de movimentos enquanto estava dormindo. "É importante destacar isso: um sono mais curto, porém de boa qualidade, pode superar os efeitos prejudiciais de sua menor extensão", comenta o cardiologista Valentin Fuster, diretor-geral do Centro Nacional de Investigações Cardiovasculares Carlos III e editor-chefe do "Journal of American College of Cardiology". "Há duas coisas que costumamos fazer todos os dias: comer e dormir. Sabemos há muitos anos a relação entre boa nutrição e saúde cardiovascular; no entanto, não sabemos tanto a relação entre o sono e a saúde cardiovascular", acrescenta Ordovás. Metodologia Os pesquisadores monitoraram a rotina de 3.974 adultos espanhóis, todos empregados em uma mesma instituição bancária – ou seja, com rotinas profissionais semelhantes. O cardiologista Fuster realizou exames de imagem para detectar a prevalência e as taxas de progressão de lesões vasculares. Os participantes da pesquisa tinham idade média de 46 anos e todos nunca haviam sido diagnosticados com problemas cardíacos. Dois terços eram homens. Todos utilizaram um aparelhinho para monitoramento constante de atividades e movimentos, durante sete dias. Este dispositivo mediu a rotina de sono deles de uma maneira objetiva e precisa - ao contrário de pesquisas que se baseiam em questionários declaratórios. Eles foram divididos em quatro grupos: os que dormiam menos de seis horas, os que dormiam de seis a sete horas, os que dormiam de sete a oito horas e os que dormiam mais de oito horas. Todos os participantes realizaram um check-up do coração: ultrassonografia cardíaca 3D e tomografia computadorizada cardíaca. Segundo os pesquisadores, a maneira como foram determinados os participantes deste estudo é o grande diferencial em relação a outras pesquisas relacionando sono e saúde do coração. Primeiramente, pelo tamanho da amostragem, maior do que o usual. Outra característica interessante foi o fato de que este estudo focou uma população originalmente saudável, enquanto pesquisas assim costumam selecionar pessoas com apneia do sono ou outros problemas. Outras conclusões Se dormir pouco pode ser ruim, exagerar também não é um bom hábito. Embora entre os participantes fosse pequeno o número daqueles que dormem mais de oito horas, os pesquisadores concluíram que esse comportamento também estaria associado ao aumento na aterosclerose, sobretudo no caso das mulheres. O estudo também concluiu que consumo de álcool e cafeína está ligado a um sono de má qualidade. "Muitas pessoas acham que o álcool é um bom indutor de sono, mas há um efeito que precisa ser levado em conta", afirma Ordovás. "Se uma pessoa toma bebidas alcoólicas, ela pode acordar depois de um curto período de sono e ter dificuldade em voltar a dormir. E, quando consegue, geralmente é um sono de má qualidade." O café, por sua vez, é daquelas substâncias que ora aparecem como vilãs, ora como benéficas para a saúde. De acordo com Ordovás, mesmo que algumas pesquisas mostrem que ingerir a bebida pode trazer efeitos positivos ao coração, tudo depende da maneira como a pessoa o metaboliza. "Dependendo da genética, se você metabolizar o café mais rapidamente, isso certamente não afetará seu sono", comenta. "Mas se você metabolizá-lo lentamente, a cafeína pode afetar o sono e aumentar as chances de doenças cardiovasculares." "A medicina está entrando em uma fase fascinante. Se até agora tentávamos entender as doenças cardiovasculares, estudos como este nos ajuda a começar a entender a saúde cardiovascular", compara Fuster.

14/01 - 2019


Dengue: a corrida pela vacina que envolve pesquisadores brasileiros, japoneses e americanos



A dengue é endêmica em mais de 120 países, causando 400 milhões de infecções e quase 20 mil mortes a cada ano. A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti, que também dissema outras doenças Paulo Whitaker/Reuters Cerca de 3,9 bilhões de pessoas em todo o mundo – mais da metade da população do planeta – correm o risco de contrair dengue, uma das doenças virais transmitidas por mosquitos que se espalham mais rápido. Hoje, a dengue é endêmica em mais de 120 países, causando 400 milhões de infecções e quase 20 mil mortes a cada ano. No Brasil, no ano passado, entre 1º de janeiro e 10 de dezembro, houve 159.718 casos confirmados, com 141 mortes. Para diminuir esses números e evitar uma nova epidemia, como a de 2015, quando houve 1,6 milhão de casos e 972 mortes, instituições públicas de pesquisa e empresas, como o Instituto Butantan, em São Paulo, a companhia japonesa Takeda e a americana Merck Sharp & Dohme (MSD) vêm trabalhando para desenvolver vacinas. A única já em uso no mundo contra a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti é a Dengvaxia, produzida por uma multinacional de origem francesa. Indicada para prevenir a dengue causada pelos quatro vírus da dengue (1, 2, 3 e 4), a vacina foi liberado para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 28 de dezembro de 2015, para pessoas de 9 a 45 anos, residentes em áreas endêmicas. Ela é vendida em clínicas particulares e cada pessoa deve receber três doses, com intervalo de seis meses entre elas. Posteriormente, estudos do próprio fabricante indicaram que ela apresentava riscos para pessoas que nunca tiveram contato com nenhum dos vírus da dengue. Elas poderiam desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, a Anvisa resolveu contraindicar o imunizante para essas pessoas. Antes disso, também pesava contra a Dengvaxia sua relativa baixa eficácia, com média de 66% contra os quatro vírus. Vacina da dengue é contraindicada para quem nunca teve a doença, diz Anvisa Vírus atenuado A história do desenvolvimento da nova vacina do Butantan começou em 2007, quando o instituto obteve licença para pesquisar os quatro vírus da dengue. O National Institutes of Health (NIH), a instituição pública de pesquisa em Saúde dos Estados Unidos, havia conseguido atenuá-los geneticamente (deixá-los capaz de provocar uma resposta imune do organismo humano, mas não a doença). Com eles, os americanos criaram uma espécie de protótipo de imunizante, tetravalente (para os quatro vírus ao mesmo tempo), líquido, que tinha de ser mantido congelado. Foi esta formulação que foi usada para realizar os primeiros testes em seres humanos. Com a licença obtida, o Butantan trouxe o protótipo para o Brasil e a transformou numa vacina propriamente dita. Também tetravalente, ela é liofilizada, ou seja, em pó, que precisa ser diluída antes de ser aplicada nas pessoas. Instituto Butantan assina acordo de R$ 389 milhões para produzir vacina contra a dengue "Com isso, ela pode ser mantida em refrigeradores comuns, presentes em qualquer local de vacinação", diz o pesquisador Alexander Roberto Precioso, diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto. "Fizemos testes mostrando que o resultado do nosso produto era equivalente ao da solução americana, o que nos possibilitou pular a fase 1 (testes em animais) e ir direto para a segunda, que verifica a segurança dela em humanos." Depois de concluída com sucesso a fase 2, o Butantan solicitou à Anvisa, em 2013, aprovação do estudo de fase 3, que foi concedida em 2015. "Nessa etapa, continua o monitoramento da segurança da vacina, mas o objetivo principal é demonstrar a eficácia dela, se realmente ela protege, ou seja, se a reposta imunológica gerada é capaz de imunizar contra os quatro vírus da dengue", explica Precioso. Após a aprovação na Anvisa, o Instituto começou, em 2016, um estudo que vem sendo feito por 16 centros de pesquisa clínica nas cinco regiões do país, avaliando se a vacina realmente protege contra dengue, em 17 mil voluntários. Eles estão divididos em três faixas etárias: crianças de 2 a 6 anos, um grupo intermediário de 7 a 17, e adultos de 18 a 59. O objetivo é que o produto imunize a população de 2 anos a 59 anos. Instituto Butantan Marcos Santos/USP Imagens Testes finais Outra vacina que também está passando pela fase três de testes é a TAK-003, desenvolvida pela japonesa Takeda. Segundo seu vice-presidente e chefe do programa global de dengue, Derek Wallace, o produto já passou pelas fases de 1 e 2 com bons resultados. "Ela induziu respostas imunológicas contra todos os quatro sorotipos de vírus da dengue em diferentes grupos etários, tanto em indivíduos soropositivos [que já foram infectados por um dos vírus] quanto nos soronegativos", diz. A vacina da Takeda está sendo testada em 20.100 crianças e adolescentes saudáveis (com idades de 4 a 16 anos), em oito países endêmicos, inclusive no Brasil. "Nós esperamos poder analisar os dados de avaliação e publicá-los em uma revista científica revisada por pares ainda no início de 2019", revela Wallace. "Resultados adicionais são esperados a posteriori neste ano, juntamente com os de outros estudos de fase 3." Se é uma boa notícia que dois imunizantes contra a dengue estejam em estágio avançado de desenvolvimento, a má é que ainda não há prazo definido para elas estarem disponíveis e entrar em programas de vacinação. Na verdade, isso pode demorar um pouco. "Atualmente, nós estamos focados no desenvolvimento clínico do nosso imunizante contra dengue, por isso é prematuro comentar em relação a quando o produto estará disponível", diz Wallace. A vacina do Butantan também ainda não tem data para estar pronta. Nem o recrutamento dos 17 mil voluntários foi concluído. Ainda faltam cerca 1,5 mil, principalmente crianças de 2 a 6 anos, devido a dificuldade de obtenção de autorização de ambos os pais para que elas possam participar do estudo. O prazo inicial para completar o grupo delas era dezembro de 2018, mais foi prorrogado para junho de 2019. Como cada pessoa que recebe o produto experimental deve ser acompanhada por cinco anos, os testes para esta faixa etária irão até junho de 2024. Para os primeiros que receberam o imunizante, eles terminam em 2021. O fato de o país estar passando por um período com relativamente poucos casos de dengue poderá, paradoxalmente, atrasar a conclusão dos estudos. "Não é possível afirmar, com certeza, quando a vacina estará disponível na rede pública, pois a demonstração da sua eficácia depende da circulação dos vírus, que tem sido pequena nos últimos anos", explica Precioso. "No entanto, se ela voltar a ser significativa, poderemos mostrar que o imunizante funciona a qualquer momento, pois temos um grande número de voluntários já vacinados." De acordo com ele, se os casos de dengue aumentarem na população em geral e, nos voluntários, principalmente entre os que receberam placebo - e não a vacina -, o Butantan pode providenciar a documentação necessária e solicitar à Anvisa o registro do produto para aquele grupo etário específico. Acordo Brasil-EUA O que também poderá acelerar a disponibilidade da vacina é um acordo, assinado, no dia 12 de dezembro, entre o instituto brasileiro e a MSD. Em 2014, essa empresa obteve licença para usar os mesmos vírus atenuados do NIH, utilizados pelo Butantan, para desenvolver um imunizante para ser comercializada nos Estados Unidos, Canadá, China, Japão, União Europeia e outros países, com exceção do Brasil. Como as pesquisas da MSD começaram depois, os testes dela ainda estão na fase 1. O acordo estipula que o Butantan repasse para a MSD as informações sobre os testes clínicos que está realizando até que os estudos de ambos os parceiros se nivelem. Depois disso, cada um poderá produzir sua própria vacina. O termo também prevê o licenciamento exclusivo de patentes do produto desenvolvido pelo Butantan para a MSD. Este item tem mão dupla, se a MSD obtiver patentes do seu próprio imunizante, o instituto brasileiro terá acesso gratuito a elas. Além disso, a empresa americana não poderá comercializar no Brasil a vacina que vier a desenvolver e pagará ao Butantan royalties sobre as vendas dela no exterior. Por enquanto, como o desenvolvimento de seu imunizante está mais adiantado, o instituto brasileiro receberá da MSD, nessa primeira etapa do acordo, US$ 25 milhões e poderá obter mais US$ 75 milhões, à medida que a empresa norte-americana avance no desenvolvimento e comercialização de seu produto. "O acordo é excelente para o Butantan e para o Brasil", assegura Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto. "Primeiro, porque demonstra o nível de excelência que os nossos pesquisadores e servidores atingiram no desenvolvimento de uma vacina inédita no mundo. Segundo, porque aponta o caminho que a biotecnologia brasileira deve perseguir: desenvolver produtos e processos inovadores para resolver problemas concretos do país e do mundo." De acordo com Covas, normalmente a lógica nessa área é o país ser importador de tecnologia. O acordo inverte isso: o Brasil exporta conhecimento. "Além disso, a parceria poderá acelerar o desenvolvimento da vacina, na medida em que o Butantan fornece conhecimentos que impulsionarão o produto da MSD e ao mesmo tempo terá acesso à tecnologia produtiva e experiência da empresa americana, com a possibilidade de testar o imunizante em outros países com epidemiologia diferente da que ocorre no Brasil", diz.

14/01 - 2019


Rússia perde o controle de seu único radiotelescópio espacial



Spektr-R, conhecido como 'Hubble russo', estuda buracos negros, estrelas de nêutrons e campos magnéticos. Lançamento do radiotelescópio russo ocorreu em 2011 STR/AFP A agência especial russa Roscosmos anunciou nesta segunda-feira (14) que perdeu o controle do radiotelescópio espacial Spektr-R. Os cientistas trabalham para restabelecer o contato – o telescópio não responde às instruções do centro de controle terrestre desde a quinta-feira (10). Apesar disso, uma estação de rastreamento dos EUA recebeu sinais do radiotelescópio, o que significaria, ainda segundo a agência espacial russa, que os sistemas operam de forma autônoma. O Spektr-R, também chamado de "Hubble russo" – em referência ao telescópio espacial americano – foi lançado em 2011 para estudar buracos negros, estrelas de nêutrons e campos magnéticos. Câmera principal do telescópio Hubble está quebrada, diz Nasa "Não se pode enterrar um satélite que permanece, sem qualquer dúvida, vivo", disse o diretor do projeto, Yuri Kovalev. A Rússia planeja lançar outro radiotelescópio este ano, o Spektr-RG, cuja missão será "completar o mapa do universo".

14/01 - 2019


Hantavírus: o que é a doença que já matou mais de 10 pessoas na Argentina



Uma única festa de aniversário no sul da Argentina pode ter sido o ponto de partida para a morte e contágio de diversas pessoas por hantavirose. Hantavírus é transmitido por roedores Reprodução/RBS TV A hantavirose é uma doença viral grave transmitida por roedores. É comum que sejam registrados casos de contágio por hantavírus a cada ano em países da América do Sul, inclusive o Brasil. Mas um surto fatal da doença no sul da Argentina tem chamado a atenção. De dezembro do ano passado até o último sábado (12), dez pessoas morreram. Uma delas era uma mulher chilena de 29 anos que contraiu o hantavírus na Argentina, segundo a imprensa local. De acordo com o último relatório do Ministério da Saúde de Chubut, região no sul da Argentina, 28 pessoas foram contagiadas até o momento. O que preocupa em relação a este surto não é só o alto número de vítimas fatais, mas a suspeita de que todos os infectados contraíram a doença de outras pessoas. O mais comum é que o contágio ocorra diretamente pela inalação de partículas de urina, fezes e saliva de roedores silvestres - não pelo contato com outros humanos infectados. Por isso, os casos da doença costumam ser isolados. Diferentemente dos seres humanos, roedores, como ratos e ratazanas, podem carregar o hantavírus por toda a vida sem adoecer. No Brasil, de 2007 a 2015, segundo levantamento dos pesquisadores em epidemiologia Lidsy Ximenes Fonseca, Stefan Vilages de Oliveira e Elisabeth Carmen Duarte, "foram notificados 13.181 casos de hantavirose, dos quais 8% foram confirmados e 410 evoluíram para óbito". O que surpreende no caso da Argentina, é a alta concentração de casos da doença numa mesma localidade e com grande número de mortos num curto espaço de tempo. Um surto afeta a pequena localidade de Epuyén, na Patagônia argentina Google Maps As pessoas que morreram lá conheciam umas às outras e muitas delas eram integrantes da mesma família. O que aconteceu? Todos os casos de morte e contaminação ocorreram na cidade de Epuyén, na província de Chubut, na Patagônia argentina. As autoridades sanitárias da cidade conseguiram rastrear a origem do surto: foi numa festa de aniversário celebrada no dia 24 de novembro. Acredita-se que um homem presente à festa tenha contraído a doença antes, quando limpava um galpão em desuso. No local, possivelmente havia saliva, urina ou fezes de ratos. Os casos mais frequentes de contágio se dão pela inalação do pó produzido pela urina seca de roedores, em locais fechados. Raios de sol e desinfetantes matam o vírus, por isso não é comum que muitas pessoas sejam infectadas ao mesmo tempo. Mas o hantavírus também pode ser transmitido entre humanos durante os primeiros dias de contágio. Isso é raro, mas as autoridades sanitárias afirmam que é o que ocorreu em Epuyén. A hantavirose gera sintomas parecidos com uma gripe: febre, dores musculares, calafrios, dores de cabeça, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia. Mas, depois de alguns dias, o quadro se agrava e surgem dificuldades respiratórias que desembocam na chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus. Neste caso, as pessoas passam a ter febre, dificuldade de respirar, respiração acelerada, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca, pressão baixa, e edema pulmonar não cardiogênico. É possível, neste caso, que o paciente evolua para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório. Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade dessa doença é de 38% e não há um "tratamento específico" para ela. A festa fatal O Instituto Malbrá, em Buenos Aires, que é o laboratório onde são analisados possíveis casos de contágio por hantavirose, confirmou à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), que o surto se originou na festa de aniversário de uma jovem que completava 14 anos. "Foram analisadas 400 amostras, dentre as quais as de todos os presentes no aniversário", detalhou o laboratório ligado ao Ministério da Saúde da Argentina. Segundo a imprensa local, cerca de 50 pessoas que estiveram na festa permanecem de quarentena, em suas casas. A primeira vítima fatal do surto foi a própria aniversariante. A jovem de 14 anos morreu no dia 3 de dezembro, dez dias após festa. O homem que teria originado o contágio e a esposa dele, que também ficou doente, se recuperaram. Seis pessoas que estiveram na festa morreram entre dezembro e os primeiros dias de 2019. Na semana passada, o governo de Chubut anunciou que duas mulheres e um adolescente de 16 anos se somaram à lista de mortos. Os três estavam internados num hospital de Esquel, cidade próxima ao local onde a festa foi realizada. José Antonio Vergara, médico da Unidade de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Los Lagos, no Chile, foi quem anunciou a morte de mais uma mulher, de 29 anos, no sábado. Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus, e as "medidas terapêuticas são fundamentalmente de suporte". Preocupação Embora por hora acredite-se que todos os casos de contágio surgiram em Epuyén – inclusive o da mulher chilena que morreu – as autoridades estão em alerta para a possível disseminação do vírus. Além do caso no Chile, há também duas pessoas contaminadas nas cercanias de Chubut. As autoridades locais suspenderam três celebrações tradicionais que ocorreriam na região. Também avaliam estabelecer um "isolamento obrigatório" de cerca de 60 vizinhos dos infectados. Além disso, o Instituto Malbrán avalia a possibilidade de o vírus ter sofrido mutações e se tornado mais perigoso. O cenário que mais preocupa agora é que o hantavírus possa ser disseminado pelo vapor da saliva, o que facilitaria a propagação da doença. No entanto, o médico Jorge Elias, diretor da Área Programática de Saúde Noroeste, do Ministério da Saúde de Chubut, fez um apelo para que a situação seja colocada sob perspectiva e que não haja pânico. "Em Epuyén vivem cerca de 2,5 mil pessoas, das quais 24 casos deram positivo. Não devemos alarmar a comunidade", afirmou.

14/01 - 2019


Peste bubônica: entenda o que é a doença causada por bactéria identificada no Rio de Janeiro



Bactéria responsável pela doença foi diagnosticada em uma mulher em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, neste domingo (13). É o primeiro caso descrito no Brasil desde 2005. Neste domingo (13), uma infecção pela bactéria Yersinia pestis foi confirmada em São Gonçalo (RJ). A bactéria causa a peste, doença que pode aparecer em duas formas: a bubônica ou a pneumônica. Entre 2010 e 2015, foram 3.248 casos reportados em todo o mundo — mas, no século 14, a peste chegou a matar 50 milhões de pessoas na Europa, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). [ATUALIZAÇÃO: o Ministério da Saúde informou na tarde desta segunda-feira (14) que no caso de São Gonçalo, após novo exame, foi descartada a peste bubônica. O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do estado do Rio de Janeiro refez a análise e identificou a bactéria Morganella morganni – uma bactéria oportunista comum no ambiente e nas pessoas.] Hoje, a maior parte dos casos, segundo a OMS, está no Congo, Madagascar e Peru. No Brasil, o último caso foi registrado em 2005, no Ceará, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Entenda o que é a doença, como é transmitida, qual o tratamento e como se prevenir: O que é a peste? Existem duas variações da doença: a bubônica e a pneumônica. Todas são causadas pela mesma bactéria, a Yersinia pestis, que está presente em pequenos mamíferos, como o rato, e em suas pulgas. Na forma bubônica, os linfonodos — pequenos conjuntos de células do sistema de defesa espalhados pelo corpo — ficam inflamados, formando o que se chama de "bubão pestoso". Em fases avançadas da infecção, os linfonodos inflamados podem se transformar em feridas abertas, com pus. "A peste afeta os roedores. É a mortalidade dos ratos que é o prenúncio da peste. A pulga não é um parasita habitual do ser humano, é acidental. A peste é sempre uma doença da baixíssima condição social. Para ter casos de peste, é preciso ter uma condição social muito baixa, uma pobreza extrema. É o que acontecia naqueles aglomerados na Idade Média. E tem que faltar água, não ter como lavar a mão", diz Kléber Luz, infectologista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Se não for tratada, a peste bubônica pode se agravar e se transformar em peste septicêmica. Nesse caso, a bactéria cai na corrente sanguínea e a infecção se espalha por todo o corpo. A peste também pode aparecer nos pulmões — é a forma pneumônica da doença, a mais grave. Esse é o tipo que, se não for tratado, pode ser fatal entre 18 e 24 horas depois de aparecerem os primeiros sintomas, de acordo com a OMS. Quais os sintomas? Os primeiros sintomas da peste costumam aparecer entre um e sete dias após a infecção — é o chamado período de incubação. Os sinais podem ser: Formação de bubões que podem soltar pus Febre alta Calafrios Dores na cabeça e no corpo Fraqueza Vômito e náusea Confusão mental Taquicardia (coração batendo rápido demais) e hipotensão (pressão arterial baixa) Hemorragias No caso da peste pneumônica, a pessoa pode cuspir sangue e sentir dor no tórax. Como é transmitida? A doença é passada de um animal para o outro por meio de pulgas infectadas. Normalmente atinge pequenos mamíferos, como ratos. Em humanos, a transmissão se dá de três formas: pela mordida de pulgas infectadas; por contato direto com materiais contaminados ou com fluidos corporais de alguém doente; pela inalação de gotículas respiratórias de pacientes contaminados com a peste pneumônica. quando a transmissão é feita pela pulga, normalmente a pessoa desenvolve a versão bubônica da doença. Já a transmissão entre humanos normalmente leva à forma pneumônica da infecção. Qual o tratamento? O tratamento é feito com antibióticos, de preferência nas primeiras 15 horas após o início dos sintomas, de acordo com o Ministério da Saúde. Como prevenir? É recomendado evitar contato com roedores, tomar cuidados com mordidas de pulgas e não manusear carcaças de animais, além de evitar contato com tecidos e fluidos corporais contaminados. Também é preciso instituir o controle das pulgas, que são as vetoras das bactérias, e investigar lugares com muitas mortes de pequenos animais.

14/01 - 2019


Documentário mostra casos de brasileiros que sofrem hoje os impactos das mudanças climáticas



Se não bastassem os alertas dados pelos cientistas, se não bastassem os apelos da comunidade internacional para o Brasil não abandonar o Acordo de Paris, que em 2015 acordou planejamentos produtivos no sentido de baixar as emissões de gases do efeito estufa. Se não bastassem os sinais evidentes de dias mais quentes ou muito frios, secas que tornam solos inviáveis para a agricultura, tempestades e furacões que devastam tudo e tiram vidas humanas. Há quem ainda se dê o direito de negar o impacto das atividades humanas sobre as mudanças climáticas. Atribuir ao Sol a maioria dos problemas, remontar a eras passadas que já testemunharam o avanço do gelo sobre a superfície terrestre, é a opção dos negacionistas. Alta de 1,5ºC na temperatura vai aumentar desigualdades e afetar mais pobres, dizem cientistas brasileiros Estes preferem deixar tudo como está, sem mudanças de paradigma. Fecham os olhos e ouvidos às evidências que já submetem milhares de pessoas a uma vida cheia de privações por não conseguirem chamar a atenção de autoridades, ou mesmo da sociedade civil como um todo, para suas tragédias. Cada vez estão mais perto de nós os casos que mostram que aquele “amanhã” anunciado nos anos 80, por exemplo, pelo famoso Relatório Brundtland, também chamado de “Nosso Futuro Comum”, já chegou. É dever de todos, nem que seja por uma atitude solidária, dar atenção a esses relatos. Com este objetivo, sete organizações da sociedade civil fizeram um documentário de 24 minutos chamado “O Amanhã É Hoje”, mostrado em dezembro, na Polônia, durante a Conferência das Partes sobre o Clima (COP24) convocada pelas Nações Unidas. Os efeitos das mudanças do clima sobre a vida de brasileiros, expostos na tela, são capazes de tirar o fôlego até dos menos sensíveis. Para começar, falemos sobre desmatamento. Por mais cético que seja o cidadão, é impossível não perceber que o verde faz falta, mesmo nas cidades. Havia um descontrole sobre árvores derrubadas que chegaram a registrar 27 mil quilômetros quadrados/ano de desmatamento em 2004. O efeito de um bom patrulhamento e de informações sobre a necessidade, para os humanos, de manter a floresta em pé, sem visar somente ao lucro produzido pelas madeiras, acabou dando resultado. Até que, em 2012, comemorou-se uma baixa, dos 27 mil para 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento. Ricardo Abramovay, professor titular de economia da FEA/USP, um dos entrevistados para o documentário, lembra que depois deste gol o país voltou a mostrar um desmatamento preocupante: “De 2012 para cá, já estamos com 7 mil quilômetros quadrados de desmatamento. De julho a novembro de 2018 as queimadas na Amazônia cresceram 36%. E o Brasil, apesar do progresso que viveu (em termos ambientais) entre 2004 e 2012, hoje já é o sétimo maior emissor de gases do efeito estufa”, disse ele. O cenário é triste, devastador. Um pequeno grupo de indígenas Krikati formou uma brigada voluntária contra incêndios e tem tido muito trabalho. O fogo se alastra com uma facilidade aterrorizante, estimulado pela falta de chuvas e pelo desmatamento. Isto, quando não é criminoso, como costuma acontecer também no Maranhão, mas em outra parte, onde as quebradeiras de coco babaçu ficam sem sua principal fonte de renda quando as palmeiras são queimadas por quem as considera apenas um entrave ao gado e à monocultura. Esta história é contada com detalhes nesta reportagem. Em 2017 o país registrou mais de 275 mil incêndios, sendo 132 mil só na Amazônia. Celiana Krikati, a única mulher da brigada de sua aldeia, fala para a câmera do documentário e não consegue segurar as lágrimas, principalmente quando se lembra da precariedade de ferramentas de que dispõem para combater o fogo: “O fogo estragou áreas de cultivo, de caça, de pesca. A gente combatia o fogo com chinelos, chiteiras. A gente ainda não tem todo o material completo, estamos lutando por isso. Não recebemos recursos, a brigada é constituída por pais de família e está sendo protetora da terra indígena. Tudo isso é um trabalho que é do estado porque esse risco também é para a comunidade." A Terra Indígena Krikati sofre com as queimadas há tempos. Incêndios levaram embora, de 2009 a 2011, 60% das aldeias. De Norte a Sul, os impactos das mudanças climáticas já alcançam os brasileiros. Esta é a principal mensagem do documentário, que foi também ouvir a agricultora Maria José Rocha, de São José do Egito, no sertão de Pernambuco. Ela sobreviveu a seis anos de uma seca cruel, que levou dali as chances de bons cultivos. Havia árvores frutíferas, cabras... “A gente via os animais morrendo sem poder fazer nada. Tentávamos dar, mesmo de graça, mas ninguém queria porque ninguém tinha condições de alimentá-los ou dar-lhes água. Isso foi em 2012, quando felizmente, ao menos, as crianças não morreram. Tínhamos o dinheiro do Bolsa Família que nos ajudava a comprar água”, disse ela. Da seca às enchentes. Ouve-se também o drama de quem viveu a tormenta em Nova Friburgo, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro, que em 2011 foi devastada por temporais que deixaram centenas de mortos. No litoral catarinense, os produtores de ostras dão conta mudanças no nível do mar que põem em risco seus negócios. “A situação mais gritante (que dá conta de mudanças climáticas) é a não presença do vento Sul. Antigamente, há cerca de três décadas mais ou menos, a gente costumava dizer que quando o vento Sul batia, ficava três, quatro dias ventando, e isso era bom para o nosso negócio”, disse Leonardo Cabral. No litoral de São Paulo, cidade de Santos, moradora conta seu desespero com uma ressaca que invadiu seu prédio, levou-lhe dois carros e a fez subir ao ponto mais alto do edifício, com o filho no colo e muito medo de uma tsunami. O mar entrou também com força e tirou mais de 600 metros de terra da Comunidade Nova Enseada, em São Paulo. Como se vê, não é preciso ir longe para mostrar os efeitos que as mudanças climáticas já estão causando. O Brasil, que nos anos 70 era considerado quase imune a essas questões, já que tinha bens naturais em profusão, está na rota das dificuldades. Vale a pena repetir aqui a reflexão de Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima (OC): “Continuar debatendo se isso (as mudanças climáticas causadas pelas ações humanas) existe ou não é imoral”. Amélia Gonzalez Arte/G1

14/01 - 2019


A rotina dos trabalhadores que passam quase um terço do dia no transporte em SP



Pesquisa de 2018 revelou que tempo médio de deslocamento dos paulistanos é de 2h43 por dia; urbanista diz que, além de expandir redes de transporte, poder público deveria incentivar ida de empresas para a periferia. Passa da meia-noite. A Lua é a única fonte de luz sobre as ruas de terra e a passarela que cruza um pequeno rio em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo. O coaxar de sapos, barulhos indecifráveis em meio à escuridão e a incerteza do que pode surgir da mata aceleram o batimento cardíaco e apertam o passo de Sidinéia Aparecida Chagas, de 27 anos. À noite, o caminho de 1 km do ponto de ônibus até sua casa parecer muito mais longo que de dia, diz ela. Esse é o último trecho do caminho da gestora de uma biblioteca comunitária após um dia de trabalho e faculdade, intercalados por uma saga de 5 horas dentro de seis ônibus diferentes antes de rever o marido e o filho de 9 anos. "A sensação é de desespero. Mulheres foram estupradas neste caminho e a minha irmã já foi assaltada. Ontem mesmo ouvi um barulho vindo da mata e saí correndo desesperada até chegar em casa", conta. Ela disse que o marido não vai buscá-la no ponto de ônibus porque prefere que ele fique em casa cuidando do filho. "Fizemos este acordo porque entendemos que é mais perigoso uma criança ficar em casa sozinha do que eu andar na escuridão. Sem opção, eu não ligo o celular para não chamar a atenção e torço para que pelo menos tenha alguém para me acompanhar. Se alguma coisa acontecer, não tem sinal de celular para pedir ajuda nem pessoas perto para pedir socorro. A única saída é fugir para o mato". Durante uma semana, a BBC News Brasil acompanhou o trajeto diário de três trabalhadores que passam até um terço de suas vidas dentro de ônibus ou trem. Uma pesquisa feita em parceria pelo Ibope e a Rede Nossa São Paulo em setembro de 2018 revelou que o tempo médio de deslocamento dos paulistanos é de 2h43 por dia. Mas a rotina do zelador Ludovico Jesus Tozzo, de 58 anos, se descola desses números. Ele conta que quase nunca vê a luz do dia ao lado da mulher, de seus dois filhos e netos porque passa cerca de 7h de seu dia no trajeto de ida e volta do trabalho. Quando há um acidente, chove ou é época escolar, passa facilmente das 8h - um terço da vida sendo enxergada por meio de uma janelinha de ônibus. Às 4h40, ele dá um beijo na mulher, guarda a marmita na mochila e anda apressado pelas ruas sem calçada do Jardim do Sol, em São Mateus (extremo leste de São Paulo), em direção ao ponto de ônibus. Em 15 minutos, ele chega à primeira das três conduções que usa em seu trajeto até a Vila Andrade, na zona sul. São 40 km que separam a casa do zelador — três horas para ir e outras quatro para voltar. Logo no primeiro micro-ônibus, ele se junta a dezenas de outros trabalhadores rumo à estação Itaquera do metrô — da casa dele. Até lá, são 40 minutos em pé no transporte. Desde o último domingo, as pessoas que moram longe enfrentam ainda mais uma barreira no transporte público paulistano. Desde então, as passagens de Metrô, trens e ônibus passaram de R$ 4 para R$ 4,30. A integração entre os modais, usada por quem mora longe, foi de R$ 6,96 para R$ 7,48. Horas perdidas O urbanista especializado em trânsito Flamínio Fishman diz que os trabalhadores entrevistados pela reportagem "são como escravos", pois o tempo que eles gastam com trabalho e transporte praticamente os impede de ter lazer e cultura. Para Fishman, entretanto, a melhor solução para resolver o problema da mobilidade não é investir prioritariamente em transporte público, mas, sim, em reduzir a distância entre o empregado e o emprego. "Temos sim que aumentar nossa malha de trem, metrô e corredores de ônibus, mas isso só vai remediar temporariamente. A solução é aproximar as empresas e o comércio do domicílio, mudar o uso do solo. Isso porque a gente está com uma cidade muito grande, que passou do limite. É necessário levar o trabalho para onde as pessoas residem através de uma legislação que reduza impostos e incentive o deslocamento de empresas para as periferias. Também é necessário construir mais habitações populares no centro", afirmou. Sidinéia diz que estudaria ou passaria mais tempo com o filho e o marido, se não ficasse tanto tempo no ônibus Felipe Souza/BBC News Brasil Questionado, o Governo de São Paulo afirmou que vai construir 3.683 moradias populares no centro da capital "justamente para aproximar o local de moradia do local de trabalho". Em nota, a Secretaria Estadual da Habitação disse que "80% das unidades do projeto serão para inscritos que moram fora da área central e que tenham pelo menos um membro da família trabalhando no centro da cidade". A Secretaria Estadual de Transportes, por sua vez, diz que vai fazer uma "expansão significativa" dos transportes em massa, mas sem dizer quanto vai aumentar até o fim da gestão. A prefeitura promete construir 72 km de corredores até 2020. A gestão municipal informou ainda que 35 imóveis localizados no centro expandido serão destinados para a moradia social. A prefeitura diz que também implantará um plano que propõe aumentar a população na região, com incentivo à oferta de empregos e serviços. O urbanista entrevistado pela BBC News Brasil explica que a superlotação nos transportes foi causada principalmente por uma valorização constante das áreas centrais da cidade. Isso fez a população mais pobre morar cada vez mais longe por não conseguir comprar um imóvel na região e necessitar se deslocar por horas para ter acesso a serviços de qualidade, como parques, museus e shoppings. "As pessoas fazem muitas compras no centro expandido. É necessário reforçar os subcentros localizados em áreas mais distantes, como Itaquera, São Miguel Paulista e Tucuruvi. Investir em mercados municipais, comércio local e serviços mais distantes do centro. O poder público também deve descentralizar as atividades culturais, bibliotecas e levar opções de lazer de qualidade para a periferia", afirmou. A prefeitura diz que há 83 parques em áreas consideradas periféricas e que oferece incentivos fiscais para empresas na zona leste, "com o objetivo de aumentar a oferta de empregos em locais densamente povoados da periferia". Segundo a administração, mais de 20 empresas se instalaram na região por meio desse programa. Outra solução, segundo Flamínio Fishman, é o incentivar o home office, o trabalho em casa. "Isso tem que ser considerado pelas empresas porque tem muita gente saindo de casa para trabalhar sem necessidade. Gente que pode ficar em casa com seu notebook está se deslocando à toa. Os serviços de entregas e o e-commerce também devem receber incentivos, pois contribuem para evitar deslocamentos desnecessários", disse. A gerente de biblioteca Sidinéia inicia sua jornada diária às 8h em direção à biblioteca comunitária onde trabalha no bairro Colônia, no mesmo distrito onde mora, em Parelheiros. De lá, às 17h, ela pega um ônibus até a faculdade onde cursa administração, em Santo Amaro, também na zona sul. No trajeto de ida e volta são seis conduções, que totalizam cinco horas por dia no transporte público. "O maior problema é o caminho de casa até o ponto de ônibus porque tenho que atravessar uma ponte por cima de um pequeno rio. Se chove, é certeza que você vai chegar no trabalho com a roupa suja de barro ou com água espirrada pelos carros. Mas se está seco, sobe uma poeira e você chega com o tênis sujo e o cabelo cheio de terra. Difícil escolher quando é menos pior. O jeito é levar um paninho na bolsa para limpar pelo menos os sapatos", conta. Se tivesse mais tempo, ela conta que poderia "fazer um curso, ficar mais tempo com o filho ou dormir. Até mesmo no ônibus eu poderia fazer parte dessas coisas se eu conseguisse me sentar", diz. Estratégias Ao longo de anos de experiência no transporte, os trabalhadores entrevistados pela reportagem desenvolveram técnicas para economizar dinheiro e ter mais chances de conseguir um assento no ônibus ou trem — ou ao menos evitar fazer a viagem "esmagado". A empregada doméstica Marlene Fernandes de Lima, de 59 anos, por exemplo, faz a chamada "rota negativa". A estratégia é começar a viagem no sentido oposto ao que quer ir, para descer numa estação com mais chances de conseguir um assento e, aí sim, seguir no sentido correto. "Faço isso porque ninguém oferece o lugar. Só levantam quando entra (no metrô) uma gestante ou um idoso com mais de 70, 80 anos. Para não levantar, eles fingem que estão dormindo ou mexendo no celular", conta ela. Marlene relata que o excesso de viagens em pé a deixa cada vez mais dia mais cansada e desgastada. "Isso piorou depois que passei dos 50 anos. O pior é que eu chego em casa e ainda preciso fazer comida, lavar louça e limpar a casa. Tenho sorte porque minha filha mora do meu lado e muitas vezes limpa tudo antes de eu chegar", diz a empregada doméstica. A primeira parte da jornada de Marlene começa em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, às 4h20, e termina no Ipiranga, na zona sul da capital, às 7h. A volta tem a mesma duração. "Se eu perdesse menos tempo, eu poderia ficar mais em casa ou até passeando. É triste pensar nessa vida perdida. Eu já pensei em desistir, mas não dá para ficar sem trabalhar, ainda mais agora que fiquei viúva. Quero trabalhar só mais dois anos até eu me aposentar porque eu não aguento mais", conta ela. Já Ludovico usa uma estratégia econômica. Para não pagar mais uma passagem, ele não passa a catraca do ônibus até chegar à sua primeira baldeação em Itaquera. "Como eu demoro mais de três horas para ir de casa ao trabalho, se eu passar o Bilhete Único logo quando entro no ônibus, perco a integração e tenho de pagar mais uma passagem", explica. A Prefeitura de São Paulo confirmou que o Bilhete Único Vale-Transporte e o Bilhete Único Estudante podem ser usados em até quatro veículos diferentes durante duas horas, Porém, disse que não há nenhum projeto para mudar essa regra. Depois de Itaquera, o caminho de Ludovico continua pela linha vermelha do metrô até a estação Anhangabaú, onde desce e caminha até o terminal Bandeira. De lá, ele embarca em outro ônibus e, depois de 40 minutos de viagem, ainda faz mais uma caminhada de 15 minutos até o prédio onde trabalha como zelador. Ele disse que já tentou diversos caminhos e estratégias diferentes para reduzir o tempo do trajeto. Segundo ele, essa é a melhor opção porque, além de demorar o mesmo tempo do trem, evita caminhadas mais longas. "Eu não sou mais um menino. Trabalho todos os dias e só folgo uma vez por semana, sábado ou domingo. Então, evito caminhar mais do que eu preciso", diz o zelador. Ciclo de pobreza O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas e do Mackenzie Rafael Bicudo diz que essa perda de tempo no transporte público causa um fenômeno chamado de ciclo intergeracional de pobreza. "Os pais dessas pessoas viveram em situação pior ou semelhante a elas e, salvo raras exceções, seus filhos não conseguirão romper esse ciclo e também viverão assim. Isso ocorre porque as dificuldades fazem essas pessoas terem uma perda de oportunidade e ascensão social. Elas não conseguem se dedicar a cursos, faculdades e têm dificuldades para chegar pontualmente em entrevistas e no trabalho porque dependem de ônibus e trens e algumas ainda enfrentam enchentes", afirmou. Ele explica que isso dificulta, e muito, principalmente a vida dos trabalhadores mais pobres. Em seu ponto de vista, isso torna desigual a competição por uma vaga no mercado de trabalho. "A longo prazo, isso causa um desgaste físico e emocional, que resulta numa perda de produtividade. Isso faz com que essas pessoas sejam inseridas em empregos com salários menores e precários. Eu tenho alunos que saem 23h da faculdade, chegam 1h em casa e acordam às 4h para o trabalho. Como essa pessoa pode concorrer a uma vaga com outra que vai à faculdade de carro com ar condicionado e não precisa trabalhar?". O urbanista Flamínio Fishman diz que essa é a realidade de outras cidades brasileiras que tiveram um grande crescimento populacional nas últimas décadas, como Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. "Isso ocorre no país inteiro onde há uma taxa de crescimento populacional desenfreada. Florianópolis (capital de SC), por exemplo, é outra cidade que está perdendo muito em conforto por causa desse crescimento que ela não comporta mais. Outra cidade que piorou muito é Curitiba, no Paraná. O Governo Federal precisa incentivar que cidades não cresçam de maneira desordenada como São Paulo", afirmou. Sonhos Com tanto tempo gasto apenas com deslocamentos entre o trabalho e a casa, os trabalhadores entrevistados quase não conseguem ter um momento de lazer e cultura. Mas têm muitos sonhos e a esperança de ter uma vida menos corrida no futuro. Ao serem questionados pela reportagem sobre quais eram seus maiores sonhos, a resposta foi unânime: viajar. Sidinéia diz que seu maior desejo é conhecer o continente africano, principalmente Guiné-Bissau. "Eu sou apaixonada pelas histórias que são contadas. Aqui no Brasil, porém, nosso passado é negado o tempo todo. Hoje, para eu me reconhecer como mulher negra, eu tive de passar por um processo. Mesmo assim, eu não me vejo em lugares em que eu frequento. Para mim, conhecer Guiné-Bissau é conhecer uma realidade diferente do que a imprensa mostra, de que é um lugar feio e sem prosperidade", conta. Já Marlene conta que nunca saiu do Estado de São Paulo em seus 59 anos de vida. O lugar mais longe que ela visitou foi a cidade de Avanhandava, a 470 km da capital paulista, viagem feita em seis horas, o mesmo tempo que ela gasta para ir e voltar do trabalho. Um voo de São Paulo para Recife demora três horas. "Eu já fui lá algumas vezes visitar a minha irmã lá (Avanhandava). Mas eu quero conhecer outras cidades, passear. Eu gostaria de conhecer Recife. Meu sonho é andar de avião", conta. O sonho de Ludovico, que também nunca saiu do Estado de São Paulo, é conhecer o Nordeste e o Norte. "Se Deus me ajudar que eu me aposente, eu queria conhecer outros lugares. Só conheço a Baixada Santista (litoral) e Sorocaba (97 km de SP). Eu queria conhecer a Bahia, Fortaleza, Amazonas. Tudo no Brasil mesmo", conta. Hoje, ele conta que já se sente realizado quando consegue chegar em casa antes dos filhos irem para a cama ou dormir mais de seis horas numa noite.

14/01 - 2019


Herpes vírus: quais doenças pode causar?



O vírus do herpes disseminou-se por todo o planeta. Há 2 tipos de herpes vírus: o vírus da varicela zoster (VVZ) e o vírus do herpes simples, que pode ser dos tipos 1 e 2. O VVZ é o responsável pela varicela ou catapora. É uma doença que normalmente acomete crianças. Começa com uma febre e alguns dias depois surgem bolinhas na pele, com uma base vermelha. Espalha rapidamente e o período de doença dura uns 7 a 14 dias. As bolinhas — que são como pequenas bolhas ou “vesículas” — podem coçar bastante e o grande problema é que são altamente transmissoras do vírus. Por isso é que a catapora é facilmente transmitida de uma criança para outra, tanto pelo contato direto com as lesões, como pelas vias respiratórias. Estas lesões secam e viram casquinhas. Quando a criança só tem casquinhas pelo corpo é que a catapora deixa de ser contagiosa. Importantíssimo: há vacina disponível na rede pública e todas as crianças com 1 ano de idade devem recebe-la com um reforço depois. É arriscado beijar bebês recém-nascidos? Veja que cuidados tomar na hora da visita O VVZ tem uma característica nada animadora: depois que a criança teve a catapora este vírus pode migrar quietinho e ficar em estado de latência por muitos anos, “escondido” em gânglios do corpo. A vida vai seguindo e ninguém sente nada. Um belo dia, por uma queda de resistência ou por qualquer outro motivo, o VVZ resolve se reativar e vem pela pele, geralmente seguindo o trajeto de um nervo. É o herpes zoster ou cobreiro, doença que dói intensamente e produz muito desconforto, principalmente em idosos. Importantíssimo: há vacina, que pode ser dada para adultos com mais de 50 anos. O outro tipo do vírus do herpes é o simples — que, por sua vez, é dividido em tipo 1 e tipo 2. O herpes simples tipo 1 acomete principalmente a região da face, ao redor dos lábios e nos olhos. Começa com uma sensação de ardência e queimação. Na sequência, aparecem as microbolhinhas características. Doem bastante e demora uma média de 7 a 10 dias para sarar. As lesões são altamente contagiosas. Por isso é que pessoas com herpes labial devem evitar o contato direto (beijo, por exemplo) com quaisquer outras pessoas, especialmente com bebês, que correm o risco de ter um quadro mais intenso com complicações graves como encefalite, por exemplo. O herpes simples tipo 2 acomete a região dos genitais. Também inicia com uma sensação de ardência e queimação e depois surgem as bolhinhas que incomodam bastante. É uma doença sexualmente transmissível. O uso da camisinha protege da contaminação. Os herpes simples tipos 1 e 2 podem reativar várias vezes ao longo da vida. Outro dado importante é que o tipo 1 pode acometer os genitais pelo contato oral. Não há vacinas disponíveis para os vírus do herpes simples. Doenças infectocontagiosas exigem responsabilidade de quem tem, para não passar para os outros, e de quem não tem, vacinando-se sempre que houver indicação. Ana Escobar Arte/G1

13/01 - 2019


Não se culpe pelos erros dos filhos



Para se preservar, é importante estabelecer limites na relação e não tentar resolver problemas alheios A maternidade e – para sermos justos com os homens – a paternidade representam um divisor de águas na vida das pessoas. Ao nos tornarmos responsáveis por outro ser humano, nos esforçamos para nos transformar numa versão melhorada de nós mesmos. Generosidade, sacrifício e abnegação passam a ser as palavras que nos definem. Imaginamos que essa entrega toda terá o poder de criar indivíduos felizes e de bom caráter (na verdade, nossas versões aperfeiçoadas). E quando isso não acontece? Até quando você vai se culpar e tentar resolver os problemas do rebento que agora é gente grande? Filhos com problemas, pais desesperados: é indispensável estabelecer limites https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=72855051 O psicólogo Henry Cloud, Ph.D em filosofia e autor de best-sellers como “Limites: quando dizer sim e quando dizer não”, que escreveu com John Townsend, usa uma imagem bem simples para ilustrar sua tese: “uma casa sempre tem uma cerca ou um muro para demarcar o terreno. No mundo imaterial dos relacionamentos, essa linha é mais difícil de se traçar, mas, se não estabelecermos limites, corremos o risco de acabarmos numa situação tóxica. Se o vizinho não corta os galhos da árvore que lhe pertence, eles vão cair no seu quintal. O mesmo se dá nas relações. Há adultos que não se responsabilizam por seus atos, mas você não pode se tornar ‘proprietário’ dos problemas de seus filhos”. Cloud lembra que há eventos sobre os quais não temos controle, mas podemos, e devemos, criar barreiras para que os outros não se apossem do nosso território. “O limite é uma linha de propriedade, de posse, que estabelece quem controla, quem é o responsável”, ele explica. “Dessa forma, assim como não deixamos a porta da casa aberta, podemos evitar que determinadas pessoas se aproximem. Entrar num terreno sem ser convidado é ilegal, mas não damos a devida atenção quando alguém força a barra no coração, na alma do outro”, acrescenta. Mentir, não cumprir compromissos, envolver-se em ilegalidades – a lista é longa e dolorosa, mas cabe ao adulto que tomou más decisões reparar o erro. O psicólogo dá o exemplo de um casal às voltas com o filho que, sem conseguir ter controle sobre os gastos, fica cheio de dívidas. “Quando os pais se desesperam e se perguntam: ‘como vamos pagar isso?’, eu digo que o erro está no pronome nós. Não são eles que têm que arcar com a responsabilidade”, analisa. Não se trata de abandonar os filhos, e sim de se fazer presente com o apoio de quem é solidário, mas sem abrir mão da crítica construtiva de quem vê os deslizes e sabe que é seu dever apontá-los. Cloud e Townsend já venderam milhões de exemplares e exploram esse filão mostrando como traçar limites também nos relacionamentos amorosos e no ambiente profissional.

11/01 - 2019


O campo magnético da Terra está se comportando de maneira imprevista – e intrigando cientistas



Modelo existente de descrição do campo magnético terá que ser atualizado. Vista da Terra pela tripulação Apollo 17 NASA Uma movimentação com características inesperadas no magnetismo da Terra está intrigando cientistas do mundo todo e fazendo com que os modelos existentes de descrição do campo magnético precisem ser atualizados. Por causa de seu núcleo feito de metal líquido, a Terra funciona como um enorme ímã com pólos positivo e negativo. O campo magnético é a uma "camada" de forças ao redor do planeta entre esses dois pólos. Conhecida como magnetosfera, essa grande camada é extremamente importante para a vida terrestre. "É o campo magnético que nos protege das partículas que vêm de fora, especialmente do vento solar (que pode ser muito nocivo)", explica o geólogo Ricardo Ferreira Trindade, pesquisador do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). A maior parte do campo magnético é gerada pela movimentação dos metais líquidos que compõem o centro do planeta. Conforme o fluxo varia, o campo se modifica. A questão, segundo Trindade, é que nos últimos dez anos ele tem "variado numa velocidade muito maior do que variava antigamente". O pólo norte muda magnético constantemente de posição, mas sempre dentro de um limite. Embora a direção dessas mudanças seja imprevisível, a velocidade costumava ser constante. No entanto, nos últimos anos o norte magnético está se movendo do Canadá para a Sibéria em uma velocidade muito maior do que a projetada pelos cientistas. Modelo de campo A mudança está forçando os especialistas em geomagnetismo a atualizarem o Modelo Magnético Mundial, espécie de mapa que descreve o campo magnético no espaço e no tempo. "Ele é criado a partir de um conjunto de observações feitas no mundo inteiro ao longo de 5 anos, a partir dos quais se monta um modelo global que muda no tempo e no espaço, mostrando a variabilidade do campo", explica Trindade. "É uma espécie de mapa 4D." O modelo é importante porque é a base para centenas de tecnologias de navegação modernas - dos controles de rotas de navios ao Google Maps. "Ele é fundamental para geolocalização e até para o posicionamento de satélites", afirma o geólogo. A versão mais recente do modelo foi feita em 2015 e deveria durar até 2020, mas a velocidade com o que a magnetosfera tem mudado está forçando os cientistas a atualizarem o modelo antes do previsto. Além da mudança do pólo, um pulso eletromagnético detectado sob a América do Sul em 2016 gerou uma mudança logo após a atualização do modelo em 2015. As muitas mudanças imprevistas têm aumentando o número de erros no modelo atual o tempo todo. Segundo a Nature, pesquisadores do Noaa (centro de administração oceânica e atmosférica), nos EUA, e do Centro de Pesquisa Geológica Britânica perceberam que o modelo estava tão defasado que estava quase excedendo o limite aceitável - e prestes a gerar possíveis erros de navegação. A nova atualização deverá sair dia 30 de janeiro de 2019, segundo a Nature, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo. Segurança espacial O modelo é essencial também para a segurança espacial. Como distribuição do campo não é homogênea, onde ele é mais fraco, a proteção que oferece é menor - isso faz que com que essas regiões, principalmente a altíssimas altitudes, sejam um pouco mais vulneráveis a ventos solares. "Temos regiões onde ele é maior e outras onde o campo magnético muito baixo. Aqui (na América do Sul) temos uma anomalia grande que faz o campo magnético ser de baixa intensidade", explica Ernesto. "Equipamentos atmosféricos, satélites e telescópios, principalmente, têm maior probabilidade de sofrerem danos se estiverem sobre essas regiões", explica. As causas Os cientistas estão trabalhando para entender por que o campo magnético está se modificando com tanta velocidade. "O campo é todo variável e muito imprevisível", afirma a geóloga Marcia Ernesto, também pesquisadora do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). A movimentação do pólo norte pode estar ligada um jato de ferro líquido se mexendo sob a superfície da crosta terrestre na região sob o Canadá, segundo um estudo de pesquisadores da Universidade de Leeds publicado na Nature Geoscience em 2017. Segundo Philip W. Livermore, um dos autores do estudo, esse jato poderia estar enfraquecendo o campo magnético no Canadá, enquanto o da Sibéria se mantém forte, o que estaria "puxando" o norte magnético em direção à Rússia. O campo é tão variável que o pólo norte e o pólo sul magnéticos já se inverteram muitas vezes desde a formação do planeta. A sua atual configuração é a mesma há 700 mil anos, mas pode começar a se inverter a qualquer momento. Segundo Ernesto, essa inversão demoraria cerca de mil anos. "Pode ser que (a aceleração nas mudanças no campo) signifique que ele está caminhando para uma inversão, mas não é certeza. Pode ser que seja apenas uma aceleração momentânea", diz Márcia Ernesto.

11/01 - 2019


Ministério da Saúde decide exonerar diretora de departamento de prevenção ao HIV


Exoneração de médica sanitarista foi criticada por entidade de apoio a pessoas com HIV. O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (11) que foi determinada a exoneração da diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV e Hepatites Virais, Adele Benzaken. O órgão é responsável por traçar as políticas públicas e campanhas contra as infecções sexualmente transmissíveis. A demissão ainda não foi publicada no "Diário Oficial da União", e não há previsão de quando o nome do substituto de Benzaken será anunciado. No entanto, segundo o ministério, fica no cargo um dos atuais coordenadores do órgão, Gerson Pereira. Até a nova nomeação, a política de combate às ISTs e ao HIV não sofrerá alterações, informou a pasta. Demissão criticada A exoneração de Benzaken recebeu críticas de entidades de apoio à prevenção do HIV no Brasil, que enviaram ofícios ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que mantivesse a ex-diretora no cargo. Em nota, o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp) argumentou que o trabalho de Benzaken no governo difundiu "sem ofender as famílias" a importância do tratamento antirretroviral pelas pessoas vivendo com HIV. "O HIV não é somente um tema de saúde, é também um tema social. É necessário enfrentar o preconceito e a discriminação que sofrem as PVHA e as populações mais vulneráveis ao HIV", diz a nota. Adele Benzaken é médica sanitarista graduada pela Universidade Federal do Amazonas e com doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Ela também integrou o "Painel de Especialistas em DST, incluindo o HIV" da Organização Mundial de Saúde (OMS) de dezembro de 2008 a julho de 2013. Em 2018, o Brasil registrou uma redução de 16% no número de detecções de Aids – doença causada pelo HIV – nos últimos seis anos, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado em novembro pelo Ministério da Saúde. Na época, o ministério apontou que a ampliação do acesso à testagem e a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento são razões para a queda. O diagnóstico precoce é importante para que a pessoa com o vírus HIV não desenvolva Aids e controle o vírus no organismo com os remédios disponíveis.

11/01 - 2019


Extinção: A onda de 1,6 mil metros que pode ter ajudado a dizimar os dinossauros



Cientistas afirmam que o impacto de um asteroide há 65 milhões de anos causou o tsunami mais devastador da história. A maior onda já documentada no hemisfério sul na história moderna tinha 23,8 metros de altura Uplash Em maio de 2018, cientistas documentaram nas Ilhas Campbell, na Nova Zelândia, a maior onda já registrada no hemisfério sul na história moderna. Ela media 23,8 metros de altura. Você consegue imaginar uma onda quase 70 vezes maior? Há 65 milhões de anos, um asteroide de 14 quilômetros de diâmetro atingiu a Terra com consequências catastróficas. O impacto abriu uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro, cujo centro está localizado na atual Península de Yucatán, no México. A onda gigante pode ter sido parte da causa da extinção dos dinossauros Fausto Garcia/Unplash Conhecido como asteroide de Chicxulub, nome da cidade mais próxima à cratera, o corpo celeste seria parte de um asteroide muito maior que, após uma colisão no espaço, se dividiu em vários fragmentos. Entre outras coisas, ele pode ter ajudado a dizimar os dinossauros, que eram os vertebrados terrestres dominantes. Agora, pesquisadores do Departamento de Ciências da Terra e Meio Ambiente da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, afirmam que o asteroide também gerou um tsunami, responsável por uma destruição sem precedentes. Força da água Segundo a equipe de cientistas, o enorme impacto fez com que o asteroide afundasse a 1,5 mil metros de profundidade nos dez minutos que se seguiram à colisão. A força um tsunami nunca visto. Estima-se que a potência dele foi 29 mil vezes maior do que a do terremoto e do subsequente tsunami que matou mais de 200 mil pessoas no Oceano Índico em 2004. Há 65 milhões de anos, o impacto de um asteroide gerou um tsunami com consequências catastróficas, dizem cientistas dimitrisvetsikas1969/Creative Commons Por meio de uma simulação, os pesquisadores concluíram que o impacto do asteroide Chicxulub gerou uma onda de 1,6 mil metros de altura - quatro vezes maior que o Empire State Building, em Nova York. Nos primeiros metros, o tsunami chegou a alcançar velocidades superiores a 140 quilômetros por hora, segundo os cientistas. Essa onda gigante inicial gerou centenas de réplicas menores que percorreram boa parte do planeta em alta velocidade. Nas primeiras 24 horas, os efeitos do impacto do tsunami se estenderam do Golfo do México ao Atlântico. "O asteroide Chicxulub causou um enorme tsunami, como nunca foi visto na história moderna", afirmou Molly Range, principal pesquisadora do projeto, ao site de notícias científicas Live Science. "Só no início deste projeto que me dei conta da escala real do tsunami". Sem dúvida, um divisor de águas para o nosso planeta.

11/01 - 2019


Mais Médicos: mais de 1,4 mil vagas ainda não foram preenchidas


O número representa 17,2% dos 8.517 postos de trabalho oferecidos na seleção do programa. Profissionais formados no exterior, sem o diploma revalidado, devem ser os próximos a escolher locais de atuação. Ainda existem mais de 1.400 vagas não preenchidas no programa Mais Médicos O Ministério da Saúde informou, nesta sexta-feira (11), que 1.462 vagas do programa Mais Médicos ainda não foram preenchidas. O número representa 17,2% dos 8.517 postos de trabalho que foram abertos para substituir médicos cubanos, que encerraram o contrato com o governo brasileiro em 14 de novembro. Na quinta (10), terminou o prazo para que médicos brasileiros com registro profissional no país se apresentassem nos locais onde escolheram atuar. Dos 1.707 que se inscreveram nesta etapa de seleção, 1.087 compareceram aos municípios escolhidos. As 620 vagas que não foram ocupadas foram somadas a outras 842 que também não tinham sido preenchidas após o fim da primeira etapa, encerrada em 18 de dezembro. O edital de seleção para o Mais Médicos, lançado no dia 20 de novembro, buscou selecionar profissionais brasileiros, com registro no país, para ocupar 8.517 vagas do programa. Dessas, 5.968 foram preenchidas na primeira etapa de inscrição. As 2.549 vagas restantes foram, então, oferecidas novamente a médicos com diploma brasileiro, na segunda etapa de seleção, que terminou nesta quinta (10). Veja como está o preenchimento das vagas do programa: Total de vagas oferecidas na primeira etapa de seleção: 8.517 Quantos médicos se apresentaram na primeira etapa: 5.968 Quantas vagas ficaram disponíveis para a segunda etapa: 2.549 Quantos médicos se apresentaram até sexta (11): 1.087, dos 1.707 que estavam inscritos. Quantas vagas serão disponibilizadas nas próximas etapas: 1.462 Próximas etapas Nas próximas fases, as mais de 1,4 mil vagas serão oferecidas a médicos que têm diploma estrangeiro — mesmo sem a revalidação do documento. Os brasileiros formados no exterior escolhem os locais de atuação nos dias 23 e 24 de janeiro. Em seguida, se sobrarem vagas, estrangeiros formados fora do país podem escolher municípios onde trabalhar, nos dias 30 e 31 de janeiro. Segundo o Ministério da Saúde, 10.205 médicos brasileiros ou estrangeiros formados no exterior completaram a inscrição de participação no Mais Médicos. Confira, abaixo, o cronograma com as próximas etapas de seleção para o Mais Médicos: 23 e 24 de janeiro: médicos brasileiros formados no exterior escolhem os locais de atuação entre as 1.462 vagas disponíveis. 30 e 31 de janeiro: médicos estrangeiros formados no exterior escolhem locais de atuação entre as vagas remanescentes. 4 e 5 de fevereiro: brasileiros com diploma estrangeiro começam as atividades (se já tiverem participado das atividades preparatórias). 6 e 7 de fevereiro: estrangeiros sem registro no país começam as atividades (se já tiverem participado das atividades preparatórias). De 25 a 27 de março: profissionais — brasileiros ou não — com diploma de fora do país começam a trabalhar (depois das atividades preparatórias).

11/01 - 2019


A cobra coberta por mais de 500 carrapatos resgatada na Austrália



Réptil foi encontrado em piscina, onde, acredita-se, deve ter tentado se livrar de parasitas; após resgate, carrapatos foram retirados por veterinários. Especialistas acreditam que cobra entrou em piscina para tentar se livrar de carrapatos Tony Harrison/Facebook/BBC Caçadores de cobras na Austrália resgataram uma cobra píton-carpete coberta por centenas de carrapatos. O réptil, que deveria estar doente, estava em uma piscina de uma casa em Gold Coast, na região de Queensland, na Austrália. O profissional que a removeu levou a cobra para tratamento em uma clínica de animais silvestres. Veterinários removeram mais de 500 carrapatos, segundo informou o caçador de serpentes Tony Harrison à BBC, e a cobra passa bem. Carrapatos são artrópodes que se prendem a hospedeiros - humanos ou animais - para se alimentar do sangue destes. Muitas vezes eles transmitem doenças. Veterinários retiraram mais de 500 carapatos de animal Tony Harrison/Facebook 'Como segurar um saco de bolas de gude' Harrison diz acreditar que a cobra, que foi batizada de Nike, estava tentando afogar os carrapatos na piscina. "Obviamente, a cobra estava extremamente desconfortável", afirmou. "Sua face inteira estava inchada e a cobra estava completamente atordoada pelos carrapatos colados nele." Ele disse que remover os carrapatos da cobra pareceu como "segurar uma sacola de bolas de gude" movendo sob suas mãos. Cobras às vezes são atacadas por carrapatos e outros parasitas, diz o professor Bryan Fry, da Universidade de Queensland. No entanto, a presença de um grande número de carrapatos indica que a cobra estava provavelmente doente, afirma Fry, possivelmente por causa de estresse sob o calor ou condições de seca. "Claramente é um animal que estava seriamente doente para ter suas defesas naturais tão derrubadas", diz. "Duvido que teria sobrevivido se não tivesse sido removida e tratada." Mais tarde, Harrison compartilhou que Nike estava sofrendo de uma infecção, mas já estava melhor. "Nike está mais enérgico hoje", disse Harrison em um vídeo compartilhado na página dos caçadores de cobras de Gold Coast e Brisbane. "Mas ele vai ser um paciente de longo prazo no santuário Currumbin Wildlife até que esteja bem o suficiente para ser solto."

11/01 - 2019


Brasil teve mais de 140 mil acidentes com escorpiões em 2018; veja como se proteger



O verão é o período de maior risco para aparecimento do animal, segundo o Ministério da Saúde, que publicou alerta nesta sexta (11). Escorpião amarelo tem picada dolorida Reprodução/RBS TV O Ministério da Saúde registrou, no ano passado, 141,4 mil acidentes com escorpiões, segundo nota divulgada nesta sexta-feira (11). O número representa um aumento de 16 mil ocorrências em relação ao ano anterior, e um crescimento de quase 50 mil em relação a 2016. Os dados referentes a 2018 ainda são preliminares. Em 2016, 115 pessoas morreram por conta de acidentes com escorpiões no Brasil. Em 2017, foram 88 vítimas fatais. A pasta ainda não tem o levantamento sobre mortes no ano passado porque esse número só é calculado dois anos depois do ano de referência. Parque da Cidade em Jacareí é fechado para combate a escorpiões O clima úmido e quente do verão contribui para o aparecimento desses animais, que se escondem em esgotos e entulhos. Locais com acúmulo de lixo também costumam trazer riscos, pois o escorpião se alimenta de baratas — que são atraídas pelos resíduos. Escorpião encontrado na região de Bauru TV TEM/Reprodução Confira dicas de como evitar acidentes com escorpiões: Use telas em ralos no chão, pias e tanques; Procure vedar possíveis frestas nas paredes e colocar soleiras nas portas; Afaste camas e berços das paredes; Faça uma checagem em roupas e sapatos antes de vestir ou calçar, para se certificar de que nenhum inseto entrou; Mantenha jardins e quintais livres de entulhos, folhas secas e lixo doméstico; Guarde o lixo da casa em sacos bem fechados, pois os resíduos podem atrair baratas, que servem de alimento para o escorpião; Mantenha a grama aparada; Evite colocar a mão em buracos, embaixo de pedras ou em troncos apodrecidos; Use luvas e botas para manusear entulho e materiais de construção, por exemplo; Se morar em área rural, procure preservar os predadores dos escorpiões: lagartos, sapos, e aves noturnas, como as corujas; Evite usar pesticidas, pois eles não têm eficácia comprovada para controlar o animal em ambientes urbanos. Trabalhadores da construção civil, madeireiras, transportadoras ou distribuidoras de hortaliças, legumes e frutas são considerados grupos de risco, assim como crianças. Abaixo dos 7 anos de idade, os pequenos também correm mais risco de ter sintomas longe do local da picada — por isso é necessário socorrê-las o mais rápido possível. Escorpião encontrado em casa em Campinas, SP Reprodução/EPTV O que fazer em caso de acidentes? O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan recomendam ir, imediatamente, ao local de atendimento mais próximo (confira a lista). Confira outras medidas que também podem ser adotadas: A pessoa que foi picada deve ficar em posição deitada e permanecer calma; Lavar o local da picada com água e sabão ajuda, mas só se isso não for atrasar o atendimento médico; Mantenha o local da picada elevado; Dê água à vítima. Em caso de acidentes leves — que, segundo o Ministério da Saúde, são 87% das ocorrências — não é necessário aplicar antídoto, mas só o profissional de saúde poderá fazer essa avaliação.

11/01 - 2019


Fibras: o carboidrato que salva vidas, mas que a maioria das pessoas não come o suficiente



Estudo encomendado pelo OMS mostra que consumo de fibras reduz as chances de doenças cardíacas e morte prematura. A fibra está presente em frutas, legumes, pães e massas integrais e lentilhas Unsplash Comer mais fibras ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas e morte, além de diabetes tipo 2 e câncer de intestino. É o que mostra uma revisão histórica publicada pela revista científica The Lancet. O levantamento, encomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para guiar a formulação de novas diretrizes sobre a quantidade de fibras na dieta, sugere, no entanto, que a maioria das pessoas não está ingerindo quantidade suficiente do nutriente. As fibras são carboidratos encontrados em alimentos como frutas, verduras, legumes, cereais matinais, pães e massas integrais, feijão, lentilha, grão de bico, nozes e sementes. Elas são conhecidas por prevenir e tratar a constipação - mas seus benefícios para a saúde vão muito além. "A evidência agora é esmagadora. É um divisor de águas, as pessoas têm que começar a fazer algo a respeito", afirmou o professor John Cummings, um dos pesquisadores, à BBC News. Alerta para dietas low carb Há uma preocupação de que as pessoas estejam deixando de comer fibras à medida que as dietas low carb, que restringem o consumo de carboidratos, se tornam mais populares. "Precisamos levar a sério este estudo. Suas descobertas sugerem que, embora cada vez mais populares, qualquer dieta que recomende pouca ingestão de carboidrato deve levar em conta o custo da perda de fibras de grãos integrais", afirma Nita Forouhi, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Esta pesquisa confirma que o consumo de fibras e grãos integrais são claramente importantes para a saúde no longo prazo." Quantidade ideal A maioria das pessoas ao redor do mundo está consumindo menos de 20g de fibra por dia. Pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e da Universidade de Dundee, na Escócia, dizem que deveríamos consumir no mínimo 25g de fibra por dia. Esta seria, segundo eles, a quantidade "adequada" para melhorar a saúde, mas há benefícios em ingerir mais de 30g. Chegar a essa quantidade, no entanto, pode não ser tão simples. Por exemplo, uma banana por si só pesa cerca de 120g, mas não é composta apenas por fibras. Tirando todos os açúcares naturais e a água, restam apenas cerca de 3g de fibras. Como consumir 30g? Elaine Rush, professora de nutrição da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, preparou a lista abaixo como um exemplo de como atingir a meta diária de 25-30g de fibras: Meia xícara de aveia em flocos: 9g de fibras Dois Weetabix (cereal matinal de trigo integral): 3g de fibras Uma fatia espessa de pão integral: 2g de fibras Uma xícara de lentilhas cozidas: 4g de fibras Uma batata cozida com casca: 2g de fibras Meia xícara de acelga: 1g de fibras Uma cenoura: 3g de fibras Uma maçã com casca: 4g de fibras "Não é fácil aumentar a (quantidade de) fibra na dieta", ela reconhece. "É uma grande mudança para as pessoas. Um grande desafio", acrescenta Cummings. Dicas O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, oferece algumas dicas para aumentar a ingestão de fibras. Entre elas, estão: Cozinhar batatas com casca Substituir o pão branco, macarrão e arroz por suas versões integrais Escolher cereais matinais ricos em fibras, como mingau de aveia Acrescentar grão de bico, feijão ou lentilha na salada Comer nozes ou frutas frescas na hora do lanche ou da sobremesa Consumir pelo menos cinco porções de frutas ou verduras e legumes por dia Qual o benefício? Os resultados da pesquisa sugerem uma redução de 15% a 30% na mortalidade relacionada a todas as causas e doenças cardiovasculares, ao comparar pessoas que consomem mais quantidade de fibra àquelas que comem menos. O maior consumo de alimentos ricos em fibras também foi associado a uma queda de 16% a 24% na incidência de doenças coronarianas, derrames, diabetes tipo 2 e câncer colorretal. Após analisar 185 estudos e 58 ensaios clínicos, a revisão sugere que se mil pessoas substituírem uma dieta pobre em fibras (menos de 15g) por uma alimentação rica no nutriente (25-29g), 13 mortes e seis casos de doenças cardíacas poderiam ser evitados. Foi o que eles observaram no decorrer dos estudos, que costumam monitorar os participantes por uma ou duas décadas. E quanto mais fibras as pessoas comiam, melhor. Como a fibra atua no organismo? Costumava haver a ideia de que as fibras não tinham muita função - que o corpo humano não conseguia digeri-las. Mas a fibra nos faz sentir saciados e afeta a forma como a gordura é absorvida no intestino delgado, além de servir de alimento para bilhões de bactérias que vivem no intestino grosso. Funciona como uma espécie de cervejaria, em que as bactérias fermentam as fibras para produzir uma série de compostos químicos. Isso inclui ácidos graxos de cadeia curta, que são absorvidos pelo organismo e têm efeito em todo o corpo. "Temos esse órgão preparado para digerir fibras, que muita gente simplesmente não usa muito", diz Cummings.

11/01 - 2019


Bolsonaro sanciona lei que estabelece julho como o mês nacional de combate à hepatite viral



A legislação, publicada nesta sexta (11) no Diário Oficial da União, institui o 'Julho Amarelo', quando deverão ser realizadas ações anuais de combate à doença, que registrou mais de 40 mil casos em 2017. Campanha de prevenção às hepatites na Paraíba. Assessoria/Agevisa O presidente Jair Bolsonaro sancionou, nesta quinta (10), a lei que institui o 'Julho Amarelo'. A legislação estabelece que deverão ser realizadas em todo o país, neste período, ações de combate às hepatites virais — dos tipos A, B, C, D, e E — que somaram mais de 40 mil casos no Brasil em 2017. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta (11). A Organização Mundial de Saúde já havia estabelecido, em 2010, a data de 28 de julho como o Dia Mundial da Hepatite. Diversos estados e municípios brasileiros já promoviam iniciativas de combate à doença. A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por vírus, remédios, álcool e outras drogas, assim como doenças autoimunes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria das hepatites causadas por vírus no Brasil são dos tipos A, B, e C. O tipo C é o que mais mata no país, sendo responsável por 70% dos óbitos. A transmissão pode acontecer por contato de fezes com a boca, nos tipos A e E. Para os tipos B e C, a doença é transmitida através do contato com sangue contaminado — seja em ambientes hospitalares ou de laboratório, por exemplo, até por meio de compartilhamento de seringas ou agulhas. A hepatite também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez e o parto. Os tipos A, B, C e D podem ser transmitidos por relação sexual desprotegida. Em 2017, o Brasil teve um aumento de 73% nos casos de hepatite A, devido ao aumento no número de casos no estado de São Paulo. Em 2018, a prefeitura da capital paulista registrou que 80% dos casos da doença são em homens. Entre os sintomas da doença estão pele e olhos amarelados, cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura e fezes claras. Em muitos casos, no entanto, a pessoa não tem sintomas, segundo o Ministério da Saúde. Isso aumenta os riscos de a hepatite evoluir para cirrose ou câncer, por exemplo. Por isso, o órgão recomenda ir ao médico e fazer exames de rotina. 'Erradicação da hepatite B é factível', diz vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações As vacinas para os tipos A, B, e D (quem se vacina contra o tipo B também está protegido contra o tip D) estão disponíveis no SUS. Para os tipos C e E não há vacina. O SUS também oferece tratamento gratuito para todos os tipos da doença. Remédio contra a hepatite C é eficiente no combate à chikungunya em células humanas, dizem cientistas brasileiros

11/01 - 2019


'Prato feito' brasileiro tem tamanho exagerado e excesso de calorias



Essa é uma das conclusões de estudo internacional que analisou valor calórico de refeições vendidas por restaurantes populares de seis países, publicada no British Medical Journal em dezembro. Os restaurantes brasileiros que vendem prato feito estão exagerando no tamanho das porções — e, consequentemente, na quantidade de calorias. Essa é uma das conclusões da seção brasileira de um estudo internacional que analisou o valor calórico de refeições vendidas por restaurantes populares de seis países, publicada no British Medical Journal recentemente. "A nossa conclusão é que precisamos prestar atenção na quantidade de alimento que ingerimos, não só no fast food, mas também em restaurante que serve refeição completa, o PF", explica Vivian Suen, pesquisadora responsável pelo estudo no Brasil e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. A pesquisa contou com apoio da Fapesp. O resultado de comer mais calorias que o necessário, diz Suen, pode ser ganho de peso e obesidade. As análises mostraram que uma refeição brasileira, sem bebida e sobremesa, contém em torno de 1200 kcal — sendo que quatro opções analisadas tinham mais de 1600 kcal. O NHS, o serviço de saúde pública da Inglaterra, recomenda que um homem adulto ingira 2500 kcal por dia e uma mulher adulta 2000 kcal. Assim, os PFs brasileiros têm cerca de metade da necessidade calórica diária de um homem adulto e 60% de uma mulher adulta. "Se você comer 1200 kcal no almoço, 1200 kcal no jantar, além de café da manhã e outras refeições ao longo do dia, você vai ultrapassar as calorias recomendadas", calcula Vivian. "Ao longo de um ano, 300 kcal a 400 kcal a mais que o necessário todos os dias, sem aumentar a quantidade de atividade física, pode significar alguns quilos a mais". A pesquisadora ressalta, no entanto, que a quantidade de calorias recomendada varia de pessoa para pessoa, levando em conta seu estilo de vida, saúde, e mesmo o padrão das refeições ao longo do dia. Assim, o tamanho do PF pode não ser um problema para uma pessoa com um alto gasto calórico (por exemplo, um trabalhador que faça muito esforço físico ou um praticante de esportes) ou que coma muito apenas no almoço e compense com outras refeições menores. "Se a pessoa comer mais que o indicado no almoço, mas não estiver ganhando peso, está ok", fala Suen. Já para a média da população, a recomendação é pedir para os restaurantes diminuírem o tamanho das porções - principalmente a quantidade de arroz. Caso não seja possível, vale dividir o prato com outra pessoa ou mesmo embrulhar o restante e levar para casa. Os PFs e fast foods analisados no estudo Para fazer o estudo, os pesquisadores visitaram restaurantes em Ribeirão Preto e compraram os dois pratos mais vendidos em cada local. Todos eles eram formados pelo clássico arroz com feijão, carne e salada, com acompanhamentos diversos. Também compraram lanches e salgados fast food. Em seguida, a comida foi levada para o laboratório para análise da quantidade calórica. O PF mais calórico pesava nada menos que um quilo. Além do arroz e feijão, tinha frango à parmegiana, macarrão alho e óleo, mandioca frita e farofa. No total, 2013 kcal — mais do que o total recomendado para uma mulher ao longo de todo o dia. Já um dos PFs menos calóricos tinha 700 gramas e 790 kcal, composto de arroz, feijão, frango grelhado, legumes cozidos e ovo frito. É bem menos que um pão de batata analisado, recheado com requeijão, presunto e bacon, com 333 gramas e 1120 kcal. A pesquisa não avaliou o valor nutricional dos pratos, mas, segundo Vivian Suen, o PF brasileiro, além de grande e com muitas calorias, não é muito nutritivo. "Se olharmos o que tem no prato, vamos ver que a qualidade nutricional não é boa. Primeiro, há muito pouca salada — duas ou três folhinhas de alface. Segundo, há muita quantidade de arroz — em torno de duas escumadeiras, quando o ideal seria de 3 a 4 colheres de sopa. A carne também é muito gordurosa". Mas qual seria o tamanho da refeição ideal? Além das 3 a 4 colheres de sopa para arroz, Vivian Suen recomenda uma colher de sopa de feijão, uma carne do tamanho da palma da mão magra (tirando a camada de gordura aparente), uma porção de legumes refogados e salada verde à vontade. Outra sugestão é comer apenas um tipo de carboidrato — se você está comendo arroz, não pegue macarrão ou salada de batata. Se for comer em um restaurante por quilo, capriche na quantidade de folhas verdes e salada, que aumentam a sensação de saciedade e têm poucas calorias, recomenda Suen Unsplash Resultado foi parecido nos demais países analisados Além do Brasil, a pesquisa foi realizada em Gana, China, Índia, Finlândia e Estados Unidos. Os resultados foram parecidos para todos os países exceto a China — no país asiático, foi encontrada uma maior variedade de refeições com menor valor calórico. Entre as motivações do estudo está "a associação positiva entre taxas crescentes de obesidade e o aumento de consumo de energia (calórica) em diversos países, realçando o papel central que comer demais desempenha na epidemia global de obesidade". Assim, compreender melhor o tamanho e valor calórico das refeições populares seria uma forma de entender possíveis razões por trás do aumento da alta da obesidade. "Esse é o primeiro estudo de que temos conhecimento que mediu a energia das refeições de restaurantes em diferentes países, o que nos permitiu examinar dados de refeições de estabelecimentos que não fornecem informações nutricionais rotineiramente", diz a pesquisa. Considerando todos os lugares analisados, os resultados "mostram que duas refeições médias por dia proveriam quase todo o requerimento diário de energia" de uma pessoa que tenha uma necessidade energética um pouco abaixo da média, "sem considerar nenhuma refeição adicional, bebidas, lanches, aperitivos ou sobremesa", diz a pesquisa. "Até a média das porções avaliadas nesse estudo é muito alta em relação aos requerimentos de energia humana, especialmente para pessoas que tem requerimentos de energia menores, como pessoas sedentárias, mulheres idosas e pessoas com peso abaixo da média".

11/01 - 2019


Quando uma estrela vira um buraco negro: pela primeira vez, cientistas podem ter flagrado o fenômeno



Equipe internacional flagrou evento raro no espaço e agora publica estudo sobre fenômeno. Imagem mostra The Cow - ou AT2018cow Sloan Digital Sky Survey Em 17 de junho do ano passado, os telescópios do Atlas (The Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), no Havaí, captaram uma estranha anomalia a 200 milhões de anos-luz da Terra. Na constelação de Hércules, um objeto absurdamente brilhante rapidamente acendeu e desapareceu. O fenômeno intrigou a comunidade astronômica. Liderada pela astrofísica Raffaella Margutti, professora e pesquisadora da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e membro do Ciera (Center for Interdisciplinary Exploration and Research in Astrophysics), uma equipe internacional de cientistas chegou a uma provável conclusão: as lentes dos telescópios registraram, pela primeira vez, o nascimento de um buraco negro - ou, ao menos, de uma estrela de nêutrons. O anômalo objeto observado - tecnicamente uma estrela superluminosa supernova ou simplesmente uma hipernova - foi batizado como AT2018cow. Informalmente, The Cow. "Acreditamos que The Cow é a formação de um buraco negro ou estrela de nêutrons", afirma a astrofísica Margutti. "Sabemos, por teoria, que buracos negros e estrelas de nêutrons se formam quando uma estrela morre. Mas nunca antes os havíamos visto logo depois de nascerem. Nunca." O estudo foi apresentado nesta quinta-feira em evento da Sociedade Astronômica Americana, em Washington, nos Estados Unidos. E será publicado no periódico especializado Astrophysical Journal. Conceitos Conforme explica a Nasa, a agência espacial americana, acredita-se que os buracos negros primordiais sejam aqueles que "se formaram no início do universo, logo após o Big Bang". Todos os demais seriam buracos negros estelares, ou seja, aqueles que se formam com a morte de uma estrela. "A formação ocorre quando o centro de uma estrela muito massiva colapsa sobre si mesmo. Esse colapso também causa uma supernova, uma estrela explodindo", esclarece texto divulgado pela agência. 'Sabemos, por teoria, que buracos negros e estrelas de nêutrons se formam quando uma estrela morre. Mas nunca antes os havíamos visto logo depois de nascerem', diz Margutti Divulgação Supernova, no caso, é um evento astronômico que ocorre no estágio final da evolução de algumas estrelas. Trata-se de uma explosão muito brilhante, de duração curta na escala espacial. O efeito luminoso lembra o do nascimento de uma estrela - mas a consequência é seu apagamento definitivo. A palavra supernova para designar esse tipo de astro foi cunhada em 1931 pelos astrônomos Walter Baad (1893-1960) e Fritz Zwicky (1898-1974). Este fenômeno costuma ser o que antecede, portanto, a formação de um buraco negro estelar. Ou uma estrela de nêutrons - que é o núcleo colapsado de uma estrela que pode ou não um dia se tornar um buraco negro. Foi tal momento de transição que os cientistas acreditam terem presenciado. E esta é a importância fundamental da pesquisa divulgada nesta quinta-feira. "Verificar este raro evento ajudará os astrônomos a entender melhor a física em ação nos primeiros momentos da criação de um buraco negro ou de uma estrela de nêutrons", afirma a Universidade Northwestern, em comunicado divulgado à imprensa. The Cow A descoberta de The Cow deixou a comunidade astronômica curiosa desde o primeiro momento. "O que observamos desafiou nossas noções atuais de morte estelar", comenta Margutti. O objeto visto tinha um brilho anormal para os padrões. Era de 10 a 100 vezes mais luminoso do que uma supernova típica, conforme mediram os cientistas. Além disso, sua explosão e seu desaparecimento também ocorreram de maneira muito rápida. Em apenas 16 dias, o objeto já havia emitido toda a sua força. Para o universo, em que os fenômenos costumam durar de milhões a bilhões de anos, este período curto foi muito menos do que um estalar de dedos. "Vimos que a fonte passou de inativa para a luminosidade máxima em apenas alguns dias", lembra a astrofísica. "Isso foi o suficiente para deixar toda a equipe animada. Estávamos diante de algo incomum para os padrões astronômicos." Outra curiosidade foi que, no momento da explosão, suas partículas voaram a 30 mil quilômetros por segundo - ou seja, 10% da velocidade da luz. Margutti analisou The Cow com registros obtidos de diversos observatórios - e cruzou os dados. Em sua pesquisa, ela utilizou imagens de telescópios instalados no Havaí, no Arizona (Estados Unidos) e no Atacama (Chile). Diante do que foi visto, os cientistas concluíram que o objeto era formado basicamente dos gases hidrogênio e hélio. Dados coletados posteriormente de um observatório das Ilhas Canárias fizeram com que astrônomos classificassem The Cow como sendo uma superluminosa supernova, ou hipernova, por conta do brilho intenso. Várias hipóteses passaram a ser lançadas para explicar o fenômeno, tanto da luminescência quanto do desaparecimento rápido do objeto. Principalmente desde o início de novembro vinha ganhando corpo a ideia de que se tratava da morte de uma estrela - e, consequentemente, do nascimento de um buraco negro. O que agora Margutti e equipe apontam com evidências mais seguras. Técnica abrangente A chave para a pesquisa divulgada hoje está na técnica empregada. Enquanto tradicionalmente os astrônomos estudam mortes estelares por meio do comprimento de onda óptico - ou seja, com telescópios captando a luz visível -, a equipe de Margutti contou também com detecções de raios X, ondas de rádio e raios gama para "enxergar" o fenômeno. Com isso, eles conseguiram estudar o fenômeno mesmo muito tempo depois do brilho visível desaparecer. Para obter tais informações, Margutti usou observações registradas pelo NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array), da Nasa. Trata-se de um telescópio espacial especializado em captar dados por raios X. Segundo avaliação de Margutti, a localização privilegiada de The Cow foi um fator que propiciou que este fenômeno fosse flagrado pela primeira vez. Afinal, no gigantismo do universo, devem haver estrelas se transformando em buracos negros o tempo todo. Entretanto, conforme ela apontou na pesquisa, em geral há uma grande quantidade de material ao redor de buracos negros recém-nascidos - e isto acaba bloqueando a visão dos astrônomos. No caso observado, contudo, havia 10 vezes menos material ao redor do objeto do que o normal. E esta "limpeza" permitiu que os aparelhos captassem diretamente o núcleo luminoso, depois colapsado muito possivelmente em um buraco negro. "Teria sido difícil verificar isso fosse um cenário normal", comenta Margutti. "The Cow tinha pouca massa de material em volta. Assim, pudemos observar o seu 'motor' diretamente". Outro fator foi sua relativa proximidade com a Terra. "Afinal, 200 milhões de anos-luz estão próximos para nós. Este é o objeto em transição mais próximo da Terra que já encontramos", afirma.

11/01 - 2019


41% dos brasileiros são contra qualquer tipo de aborto, diz Datafolha


Outros 34% concordam que as regras para o aborto deveriam continuar como estão. Para 46%, mulheres estupradas que engravidam devem receber ajuda financeira para ter o filho. Pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal "Folha de S. Paulo" nesta quinta-feira (10) aponta que 41% dos brasileiros são contrários a qualquer tipo de aborto e que a prática deveria ser totalmente proibida. Atualmente, o aborto é permitido em apenas três casos no Brasil: quando a gravidez é resultado de estupro; quando há risco de vida para a mulher; se o feto for anencéfalo. Nas duas primeiras situações, a permissão do aborto é prevista em lei. No caso de feto anencéfalo, foi resultado de um entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em qualquer outra situação, o aborto é considerado um crime no Brasil. O levantamento foi realizado pelo Datafolha entre os dias 18 e 19 de dezembro, e ouviu 2.077 pessoas com 16 anos ou mais em 130 cidades de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O nível de confiança é de 95%. Veja os números: O aborto deveria: Ser totalmente proibido: 41% Continuar como hoje: 34% Ser permitido em mais situações: 16% Ser permitido em qualquer situação: 6% Não sabe: 2% Outras respostas: 1% Para 4 em cada 10 entrevistados, o aborto deve ser totalmente proibido, mesmo que a mulher corra risco de morrer ou tenha sido vítima de estupro. Para 34%, a lei deve continuar como é hoje, e 16% consideram que o aborto deve ser permitido em mais situações. Ainda entre os entrevistados, 6% responderam que deve ser permitido em qualquer situação. Ajuda financeira O Datafolha perguntou ainda se os entrevistados concordavam que mulheres estupradas que engravidam deveriam receber ajuda financeira para ter o filho, e 51% responderam que não. Outros 46% concordaram. Veja os números: Mulheres estupradas que engravidam não deveriam abortar, e sim receber ajuda financeira para ter o filho: Discorda: 51% Concorda: 46% Não sabe: 2% Não concorda nem discorda: 1%

11/01 - 2019


Hora de aventura!



Sonda japonesa Hayabusa JAXA Em 2010, a sonda japonesa Hayabusa fez história ao trazer para a Terra as primeiras amostras de material coletadas de um asteroide. Mas a missão de 7 anos e 4 bilhões de km percorridos foi cheia de percalços e sustos. Os painéis solares se degradaram muito mais rapidamente do que o previsto, o que causou uma queda na produção de energia para os instrumentos. Várias partes mecânicas simplesmente emperraram e para complicar ainda mais, a explosão de um dos tanques de combustível fez a nave girar sem controle o que fez as comunicações com a Terra se interromperem por mais de 2 meses. Apesar de tudo isso, a cápsula com as amostras conseguiu voltar para Terra e foi recuperada. Posteriormente foi verificado que a sonda não tinha conseguido coletar a quantidade de material prevista, mas o pouco que chegou aqui vem sendo analisado com grande cuidado. Depois de aprender com as falhas da Hayabusa, a Agência Espacial Japonesa (JAXA) lançou a Hayabusa 2 em 2014 com destino ao asteroide Ryugu com uma missão muito mais ambiciosa. A sonda chegou no asteroide em junho do ano passado e logo após mapear sua superfície, liberou 2 jipinhos com o tamanho de um pote de margarina que se movem aos pulos, como pulgas, pela superfície. Além deles, mais 2 outros jipes pegaram carona, um da Agência Espacial Europeia (ESA) que pousou em outubro de 2018 e funcionou por 17 horas, conforme planejado. O último dos jipes será liberado em julho deste ano e em dezembro a nave encerra sua fase de ciência após coletar amostras de Ryugu e em dezembro de 2020 elas devem ser recolhidas em um deserto na Austrália. Asteroide Ryugu JAXA Apesar da grande expectativa girar em torno das amostras, os resultados iniciais obtidos pelos jipinhos e pelos dados obtidos a partir da sonda já permitem algumas conclusões importantes. Por exemplo, o asteroide nada mais é do que um amontoado de rochas, pedras, poeira e regolito, uma espécie de poeira tão fina quanto talco. Esse amontoado de coisas é resultado de um impacto violento que teria acontecido nas épocas iniciais de formação do Sistema Solar. Essas colisões teriam feito o Ryugu aumentar seu período de rotação de 3,5 horas para as atuais 7,6 horas. Outra conclusão interessante é que a análise dos dados obtidos até agora não mostrou a presença de água, mas mostrou materiais que só poderiam ter sido criados na presença de água. O asteroide está bem mais perto do Sol do que os objetos do Cinturão de Kuiper, como Ultima Thule sobrevoado pela New Horizons no Ano Novo, portanto é de se esperar que a superfície de Ryugu tenha sido castigado por intensos raios ultravioleta do Sol durante bilhões de anos. Isso explicaria essa descoberta, mas mais interessante que isso é que deve ter havido água no asteroide que foi atingido há bilhões de anos e que acabou dando origem a Ryugu. Basicamente, no início do Sistema Solar os asteroides deviam conter muito mais água do que o suposto até agora e isso ajuda a entender a origem da água na Terra, por exemplo. Bem no comecinho do Sistema Solar, a Terra passou por um período chamado de 'Grande Bombardeio'. Nesse período que deve ter durado entre 1 e 2 bilhões anos, a quantidade de asteroides vagando pelo espaço era muito grande e havia muitas colisões entre eles. Fatalmente eles acabavam atingido um planeta também e com a violência das colisões, bem como sua frequência, fazia com que a superfície da Terra fosse um grande oceano de lava. Mas como subproduto, esses asteroides poderiam ter trazido água que aos poucos foram se acumulando até que quando a Terra esfriou, formando os oceanos. Mas a quantidade de água encontrada nos asteroides atualmente não daria conta de fazer isso e a culpa sempre recaiu sobre os cometas. Todavia, a sonda Rosetta e o módulo Philae mostraram que se a quantidade de água no núcleo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko for típica dos cometas em nosso sistema, a quantidade de água trazida por eles só daria para justificar 1/3 do total na Terra. Agora com essas novas evidências, talvez a história tenha sido outra, dando um papel mais importante para os asteroides. Agora vem a parte mais esperada da missão, a coleta das amostras. De acordo com a JAXA, no próximo mês a Hayabusa 2 deve executar suas manobras para se aproximar do asteroide e executar a coleta. A estratégia é a seguinte, depois do mapeamento da superfície do asteroide, a sonda lançou uma espécie de estaca de navegação, uma esfera recoberta de material altamente reflexivo, ou seja, facilmente reconhecível. A nave deve capturar a posição da esfera e vai usa-la para sincronizar sua órbita com a rotação de Ryugu. Ao mesmo tempo, a fraca gravidade do asteroide vai puxando a nave que aos poucos vai perdendo altura. Chegando a uma altura adequada, mas sem tocar a superfície, a sonda vai disparar um projétil que deve atingir a superfície lançando pedras e poeira para o espaço. Nesse momento a Hayabusa vai estar esperando com um braço esticado e uma espécie de cesta para coletar tudo o que conseguir. Essa estratégia foi adotada para evitar que o braço toque a superfície e cause contaminação com microorganismos terrestres, mas também para evitar o risco da nave se desgovernar caso a ponta do braço atingisse uma pedra que se deslocasse, fazendo a nave girar. A parte que deixa a manobra mais arriscada é que quando a esfera de referência foi lançada, ela caiu a uma distância de mais de 10 metros longe do ponto escolhido. O ponto de queda é, por outro lado, uns 3 metros da borda de outra área escolhida como alternativa. Os engenheiros da JAXA então escolheram um ponto bem no meio entre o ponto principal e o secundário. Se fosse só isso, tudo bem, mas esse ponto tem duas rochas de sentinela e a nave deve fazer a aproximação "às cegas". A nave vai usar a esfera como referência e ao chegar na altura prevista vai navegar de lado até chegar ao ponto da coleta entre as duas rochas. Esse voo lateral será feito sem olhar para o lado para desviar das rochas, pois a câmera de navegação só aponta para frente, justamente para se orientar pela esfera reluzente na superfície. O ano começou muito bem com o pouso da Chang’e 4 no lado oculto da Lua e com o sobrevoo da New Horizons em Ultima Thule, e agora já temos a perspectiva da primeira coleta da Hayabusa 2. Se tudo correr bem, ela pode executar ainda mais outras duas coletas antes de voltar para casa. Só para não esquecer, ainda tem a OSIRIS-REx orbitando o asteroide Bennu se preparando para fazer uma coleta no ano que vem!

11/01 - 2019


Fêmeas de periquitos preferem machos inteligentes, diz estudo



Pesquisadores fizeram um teste com 34 periquitos-australianos e respondem à teoria de Charles Darwin. Testes com periquitos mostra preferência das fêmeas por parceiros mais "espertos". Kadisha/Pixabay Especialistas em periquitos sabem há bastante tempo que as fêmeas apreciam o esplendor da plumagem dos machos e o virtuosismo de seu canto. Mas, para escolher um companheiro, elas levam em conta também a inteligência? Charles Darwin chegou a teorizar sobre isso, mas a hipótese se mostrou de difícil verificação em animais. Um experimento realizado por pesquisadores da Academia de Ciências da China e Universidade de Leiden, na Holanda, cujos resultados foram publicados nesta quinta-feira (10) na revista "Science", parece dar uma resposta afirmativa a esta pergunta sobre a evolução. Os pesquisadores fizeram um teste com 34 periquitos-australianos, endêmicos no país, mas presentes em muitas outras regiões, visto que são animais de estimação populares. Uma das fêmeas observadas, por exemplo, foi colocada na presença de dois machos, e escolheu um deles. Os pesquisadores souberam qual dos dois era o escolhido porque contaram quantos minutos ela passou com cada um dentro da jaula. Depois, o macho que não foi escolhido recebeu um treinamento para aprender a abrir dois tipos de caixas que continham sementes. O macho favorito não recebeu esse treinamento. Em seguida, a fêmea observou os dois em frente às caixas, um exercício cruel para o macho favorito, que só conseguiu mostrar sua inaptidão, enquanto seu rival se exibia ao abrir. Finalmente, ambos os machos foram colocados de novo na jaula com a fêmea. Os pesquisadores acreditavam que ela mudaria sua preferência depois de observar o desempenho deficiente de seu macho favorito. E foi o que aconteceu: oito das nove periquitas do grupo de teste mudaram de macho e passaram mais tempo com o macho que anteriormente era o preterido, mas que demonstrou ser mais inteligente. "A observação direta das habilidades cognitivas pode afetar os critérios de preferência do companheiro", concluem os autores do estudo que, segundo eles demonstra que "as habilidades cognitivas podem ser selecionadas diretamente por meio da escolha do companheiro". E a inteligência proporcionaria uma vantagem reprodutiva, ou seja, em termos de evolução. Os pesquisadores apontam, no entanto, que trata-se apenas de um experimento e que são necessários mais estudos para confirmar o método e consolidar os resultados.

10/01 - 2019


Senadores dos EUA condenam programa de envio de médicos de Cuba: 'tráfico de pessoas'


Resolução menciona os médicos cubanos que estavam no Brasil pelo programa Mais Médicos e deixaram o país após o governo de Cuba se retirar do projeto criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. O programa do regime de Cuba que exporta médicos cubanos para outros países do mundo foi classificado como tráfico de pessoas por uma resolução apresentada no Senado dos Estados Unidos nesta quinta-feira (10). A resolução cita especificamente cerca de 8,3 mil médicos cubanos que estavam recentemente alocados no Brasil sob um contrato com o governo de Cuba, pelo programa Mais Médicos – criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Em novembro, Cuba retirou os médicos do Brasil depois de críticas do então presidente eleito, Jair Bolsonaro, que classificou o programa de "trabalho escravo". Bolsonaro tomou posse em 1º de janeiro. Bolsonaro criticou, à época, o fato do governo de Cuba ficar com a maior parte dos salários pagos aos médicos. O presidente, ainda antes de tomar posse, condicionou a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos e a liberdade para trazerem suas famílias. Com o sistema de saúde, Cuba arrecada divisas externas enviando mais de 50 mil trabalhadores de saúde para mais de 60 países. A condenação – apresentada por iniciativa do senadores Bob Menendez, democrata de Nova Jersey, e Marco Rubio, republicano da Flórida – é em grande medida simbólica, tendo como objetivo chamar atenção para a situação, e não penalizar ninguém. "As informações recentes vindas do Brasil mostram que o governo cubano lucra com suas missões médicas estrangeiras patrocinadas pelo Estado, que são vendidas como diplomacia médica, mas se parecem muito mais com servidão contratada", disse Menendez em um comunicado. Os Estados Unidos e Cuba possuem relações conturbadas desde que Fidel Castro assumiu o poder na revolução de 1959.

10/01 - 2019


Brasil tem 10,2 mil casos de sarampo e corre risco de perder certificado de erradicação



Ministério atualizou números da doença nesta quinta-feira (10) - Amazonas e Roraima apresentam surtos. Vacina contra o sarampo está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) Erasmo Salomão/Ministério da Saúde O Ministério da Saúde atualizou os casos de sarampo no Brasil: são 10.274 casos confimados. Os estados do Amazonas e de Roraima apresentam surtos. Se até fevereiro o país ainda tiver novos casos, pode perder o certificado de erradicação da doença concedido pela Organização Mundial de Saúde. O número de registros divulgado pela pasta é referente ao início de 2018 até 8 janeiro de 2019. Outros estados também apresentaram casos confirmados, mas não estão em surto da doença. Casos de sarampo no Brasil De acordo com o ministério, os casos estão relacionados à importação do genótipo do vírus (D8), o mesmo que circula na Venezuela. A melhor forma de se prevenir contra o sarampo é por meio da vacinação: as doses estão disponíveis nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Certificado em risco O Brasil tem um modelo considerado exemplar quando o assunto é calendário de vacinação, mas a oferta de vacinas no SUS não tem sido suficiente para garantir a taxa desejável de cobertura vacinal da população. Por causa disso, em 2017 o país teve o menor índice de vacinação em crianças menores de um ano em 16 anos. Todas as vacinas recomendadas para adultos estão abaixo da meta de cobertura ideal. Se até fevereiro de 2019 o país ainda tiver novos casos, pode perder o certificado de erradicação da doença concedido pela Organização Mundial de Saúde, segundo alerta da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para o ministério, parte do problema está na falta de conhecimento de parcela da população que não conviveu com as doenças como sarampo e poliomelite e desconhece as sequelas que elas deixam. O calendário extenso de vacinação, uma conquista dos avanços da ciência, também faz com que algumas pessoas não voltem para completar as doses necessárias em alguns casos ou priorizem uma ou outra vacina. As notícias falsas sobre as vacinas e supostos efeitos adversos também são um problema. Em agosto de 2018, o Ministério da Saúde criou um canal exclusivo para combate às chamadas fake news. Através de um número de Whatsapp, a pessoa pode encaminhar uma mensagem duvidosa que foi recebida e checar diretamente com o ministério. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1