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17/09 - 2019


O tratamento experimental que pode parar o resfriado comum



Em vez de atacar os vírus, cientistas se concentraram em tornar corpo humano 'inóspito' a organismos invasores. A maioria dos resfriados é causada pelos rinovírus Divulgação Cientistas acreditam ter descoberto uma forma de parar o resfriado comum e vírus parecidos que podem causar paralisia. Em vez de tentar atacá-los diretamente, eles se concentraram em uma proteína essencial dentro de nossas células de que os vírus precisam para se replicarem. Gripe ou resfriado: quais as diferenças? Ao fim do experimento, os cientistas constataram que ratos e células pulmonares humanas tiveram uma "proteção completa". No entanto, eles dizem que ainda não estão prontos para realizar testes em humanos. Desafio Combater o resfriado comum sempre foi um enorme desafio para a medicina. A maioria dos resfriados é causada pelos rinovírus. Mas existem cerca de 160 tipos diferentes deles. Além disso, esses vírus sofrem muitas mutações, tornando-se resistentes a drogas ou aprendendo a se "esconder" das células de defesa do nosso organismo. Para combatê-los, cientistas passaram então a usar a chamada "terapia dirigida", ou seja, em vez de atacar o vírus, tornam nosso corpo inóspito a esses invasores. Um vírus não tem tudo de que precisa para se replicar. Em vez disso, precisa infectar outra célula e roubar parte de seu material genético. Cientistas da Universidade Stanford e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, encontraram um dos componentes dos quais os vírus dependem. Dependência Eles começaram a fazer experimentos com células humanas e depois usaram a edição genética para desativar as instruções dentro do nosso DNA, uma por uma. Essas células modificadas foram então expostas a uma variedade de vírus - incluindo rinovírus que causam o resfriado comum e vírus mais perigosos que estão intimamente relacionados à poliomielite. Os vírus testados não conseguiram se replicar dentro das células que tinham as instruções para uma proteína (chamada metiltransferase SETD3) desativada. Os cientistas criaram, então, camundongos geneticamente modificados que eram completamente incapazes de produzir essa proteína. "A falta desse gene protegia completamente os ratos da infecção viral", diz à BBC Jan Carette, professor-associado de Microbiologia e Imunologia da Universidade Stanford. "Esses ratos sempre morriam (sem a mutação), mas sobreviveram dessa vez. Eles ficaram mais protegidos e houve uma redução muito forte na replicação viral." A proteína de que esses vírus dependem normalmente tem um papel na complexa "rede" que organiza o interior das células do corpo, chamado citoesqueleto. As descobertas, publicadas na revista científica "Nature Microbiology", revelaram que os camundongos geneticamente modificados eram saudáveis, apesar de não terem a proteína essencial para a replicação viral. Gripe ou resfriado: quais as diferenças? Possível cura? O objetivo não é produzir seres humanos geneticamente modificados, mas encontrar um medicamento que possa suprimir temporariamente essa proteína e fornecer maior proteção contra vírus. "Identificamos um componente fantástico de que todos os enterovírus e rinovírus precisam e dependem. Sem ele, os vírus realmente não têm chance", diz Carette. "Este é realmente um bom primeiro passo - o segundo passo é ter um produto químico que imite essa exclusão genética. Acho que o desenvolvimento (do medicamento) pode ser relativamente rápido", acrescenta. O papel exato da proteína na replicação viral ainda é incerto e vai exigir mais estudos. Para a maioria das pessoas, o resfriado comum é mais um inconveniente do que uma ameaça à saúde, mas nos asmáticos pode piorar muito os sintomas. Além disso, alguns dos enterovírus podem causar paralisia se espalhar para o cérebro. Jonathan Ball, professor de virologia molecular da Universidade Nottingham, no Reino Unido, que não participou da pesquisa, descreveu as descobertas como "interessantes". No entanto, ele alerta que os cientistas precisam ter certeza de que a abordagem é segura. "Existe um interesse crescente no desenvolvimento de tratamentos direcionados a essas proteínas hospedeiras, porque elas podem teoricamente impedir a mutação viral - uma das principais barreiras ao desenvolvimento de antivirais eficazes amplamente ativos", explica. "Mas os vírus são muito adaptáveis e é possível que mesmo um tratamento direcionado ao invasor não os mantenha afastados por muito tempo", conclui

17/09 - 2019


Atendimentos do SUS a jovens com depressão crescem 115% em três anos



Levantamento do Ministério da Saúde divulgado nesta terça-feira (17) inclui procedimentos ambulatoriais e internações no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2015 e 2018. A depressão é uma doença que atinge mais pessoas ao redor do mundo a cada ano Frédéric Cirou/AltoPress/PhotoAlto/AFP/Arquivo Os atendimentos ambulatoriais e internações no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados à depressão cresceram 52% entre 2015 e 2018, passando de 79.654 para 121.341. Na faixa etária de 15 a 29 anos, o crescimento foi de 115%, segundo um levantamento do Ministério da Saúde divulgado nesta terça-feira (17). A pasta explica que o aumento nos dados pode estar relacionado à maior procura pela assistência, mas não descarta um possível aumento nos casos de depressão na população. Dra. Ana Escobar | Suicídio: precisamos falar sobre isso "A depressão às vezes ela é vista como 'frescura'", destacou em coletiva de imprensa o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. "As pessoas diminuem a importância, eventualmente, de um drama pra um adolescente que, em tempos de internet, é super amplificado". Em 2019, dados parciais mostram que já foram feitos, no SUS, 49.176 atendimentos relacionados à depressão e 16.311 internações. Aumento nos diagnósticos de depressão Entre 2011 e 2018, foram notificados 339.730 casos de violência autoprovocada, 33% deles classificados como tentativa de suicídio. Jovens entre 15 e 29 anos representam 45% do total. Os estudantes são 30% dos casos notificados, logo após vêm as donas de casa, com 23% das notificações. No Brasil, estima-se que 14,1 milhões de pessoas tenham diagnóstico de transtornos ou sofrimentos mentais, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% nos últimos dez anos. A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades normalmente prazerosas. O SUS oferece atendimento a pessoas com transtornos mentais nas Unidades de Saúde da Família e nos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps. Nesses serviços é possível ter uma avaliação profissional e, se necessário, ser encaminhado para outro serviço especializado da Rede de Atenção Psicossocial do SUS. Campanha de apoio à vida Os números sobre a doença foram divulgados durante o lançamento da campanha "Se liga! Dê um like na vida", que tem o objetivo de estimular a população jovem a dialogar e "desmistificar a vida virtual". A ideia, segundo os responsáveis, é valorizar as relações presenciais e reforçar a importância de estar sempre alerta aos sintomas da depressão, além de buscar ajuda. Na contramão da tendência mundial, taxa de suicídio aumenta 7% no Brasil em seis anos "Faltava essa pegada, essa linguagem pra juventude", disse a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. O filme da campanha será veiculado até 1º de outubro em cinemas e na internet. Busque ajuda Em caso de sintomas de depressão, procure a ajuda de um profissional habilitado. O Ministério da Saúde divulga os seguintes endereços para ajuda: CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde). UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita). O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas por dia, todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre a ligação gratuita.

17/09 - 2019


USP detecta bactérias resistentes à limpeza e celular como fonte de contaminação em UTIs



Estudo publicado no Reino Unido alerta sobre a necessidade de revisão dos procolos de higiene. Pesquisadores coletaram amostras dentro do Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto (SP). Pesquisa da USP identifica bactérias resistentes à limpeza em UTIs em Ribeirão Preto Um mapeamento realizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP) identificou que a maioria das bactérias está resistente à limpeza diária e que o celular é uma das principais fontes de contaminação nesses ambientes. Os resultados do estudo foram publicados em artigo na revista inglesa “Fronteiras na Saúde Pública”, em agosto deste ano. Segundo o pesquisador Lucas Ferreira Ribeiro, o objetivo do grupo é alertar profissionais da saúde sobre a importância da revisão constante dos protocolos de higiene. “Às vezes, o contato com determinado paciente e o toque em outras superfícies dentro da própria UTI, você pode criar contaminações cruzadas dentro deste ambiente. Então, há a necessidade de estar vigilante e comprometido com a higienização adequada”, diz. A pesquisa destaca ainda que o uso de antibióticos não é o único fator que torna as bactérias resistentes. O uso do mesmo produto químico diariamente também leva os microrganismos - principalmente os que são potencialmente mais preocupantes - se tornarem adaptados e ele. Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto Antônio Luiz/EPTV Para mapear as comunidades de microrganismos, o grupo coletou amostras de superfícies que devem ser limpas diariamente, como colchões, camas, maçanetas e respiradores, em dias de funcionamento normal, sem que as equipes de enfermagem fossem avisadas. Também foram recolhidas amostras das superfícies de computadores, celulares e pastas de prontuários que estavam nas UTIs, assim como dos jalecos utilizados pelos profissionais. As coletas ocorreram antes e logo após a limpeza diária com produtos específicos. “Observamos que na UTI pediátrica havia uma diversidade maior de microrganismos e isso pode estar relacionado à entrada e à saída maior de visitantes. Em ambos encontramos esses microrganismos relacionados com infecções hospitalares”, afirma Ribeiro. Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal em Ribeirão Preto Antônio Luiz/EPTV O pesquisador destaca que muitas bactérias podem estar em visitantes saudáveis e não gerar nenhum tipo de problema, mas, em ambiente de UTI, especialmente pediátrica, esses microrganismos oferecem mais risco, devido à vulnerabilidade dos pacientes. “Mesmo após a limpeza, não houve a diminuição efetiva de bactérias relacionadas com infecção hospitalar. Então, há a necessidade de rever esses protocolos, buscar outros mais eficientes ou mesmo ter rotatividade, não só de limpeza, mas da parte de higienização”, diz. A pesquisa utilizou técnicas de sequenciamento genético de última geração que permitem identificar uma quantidade maior de gêneros e espécies de microrganismos, em comparação com os testes atuais, em que são realizados cultivos de bactérias em laboratório. “Cabe destacar que nenhum hospital é completamente estéril. Já se sabe que o hospital tem uma impressão digital que é diferente em cada ambiente, porém, todos compartilham de uma microbiota”, detalha a microbiologista Maria Eugênia Guazzaroni. USP mapeia bactérias em UTI no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto Antônio Luiz/EPTV A partir dos resultados, os pesquisadores querem conscientizar os funcionários dos hospitais, principalmente aqueles que trabalham com a limpeza, sobre a importância de seguir os protocolos de higiene e esterilização. Outro dado importante do estudo é que o celular é uma das vias de contaminação mais comum. Por isso, profissionais da saúde e até mesmo familiares dos pacientes devem estar atentos para nunca manusear os aparelhos dentro das UTIs. “Pega o telefone, dá uma olhada e naquele momento acaba de contaminar o aparelho. Se ele contaminou o aparelho, ou vai levar para casa, ou vai andar em outro quarto e pode ter o aparelho como fonte de contaminação”, afirma o pesquisador Rafael Silva Rocha. Doutor em biologia molecular pela Universidade Autônoma de Madrid, na Espanha, Rocha alerta que os jalecos nunca devem ser usados pelos profissionais da saúde fora do ambiente hospitalar. Isso porque, também carregam inúmeras bactérias. “O jaleco é um material de proteção pessoal e tem que ser tratado como algo altamente contaminado. Não é enfeite, não é só para mostrar que está sendo usado. Ele tem que ser usado para proteger a si mesmo e outras pessoas, e não tratar como acessório de moda”, diz. USP de Ribeirão Preto aponta celular como uma das principais fontes de contaminação em UTI Antônio Luiz/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca

17/09 - 2019


Cientistas franceses alertam para aumento da temperatura global em até 7ºC até o fim do século



Cerca de 100 pesquisadores e engenheiros franceses elaboraram modelos climáticos que prevem, no pior dos cenários, um aumento na temperatura média mundial até 2100 superior aos 4,8ºC anunciados em 2014 pelo IPCC. Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa Philippe Huguen/AFP O aquecimento global se anuncia mais pronunciado do que o previsto, com o pior cenário prevendo +7ºC em 2100 - alertaram cientistas franceses nesta terça-feira (17), apresentando novos modelos climáticos que vão servir de base para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Cenário mais pessimista até agora previa aumento de +4,8ºC Houve a multiplicação de ondas de calor na Europa que serão comuns em 2050 Cientistas alertam para aumento de queimadas e incêndios florestais Especialistas insistem que ainda há tempo de reverter esse cenário Em 2021, os especialistas climáticos da ONU vão revelar seu novo relatório de avaliação sobre a evolução do clima, o sexto desde 1990. Cerca de 100 pesquisadores e engenheiros franceses, principalmente do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), do Comissariado para a Energia Atômica (CEA) e da Météo-France, trabalharam na elaboração de dois modelos climáticos que vão alimentar os trabalhos. IPCC diz que aquecimento global pode reduzir safras e alerta para conservação de florestas tropicais Novo relatório climático do IPCC diz que 'mudanças sem precedentes' são necessárias para limitar aquecimento a 1,5ºC Esses modelos foram, em seguida, submetidos a vários cenários socioeconômicos. O que é aquecimento global? Cenário pessimista No cenário mais pessimista, com base em um crescimento econômico rápido alimentado por energias fósseis, o aumento da temperatura média mundial atinge de 6,5ºC a 7ºC em 2100. No último relatório do IPCC de 2014, o pior cenário previa +4,8ºC em relação ao período pré-industrial. E o que isso significa concretamente para as sociedades humanas? Na França, a multiplicação de ondas de calor é um bom exemplo, responderam os cientistas durante uma coletiva de imprensa. A onda de calor de 2003, que matou 15.000 pessoas na Europa, será comum nos anos 2050. Mulher se refresca em ducha na praia em Nice como uma onda de calor atinge grande parte do país Uma mulher está debaixo de um chuveiro na praia em Nice. Onda de calor atinge grande parte da França. Eric Gaillard/Reuters Isso será acompanhado de "secas muito mais longas e prolongadas", "práticas agrícolas em grandes dificuldades", "incêndios florestais que se multiplicam em regiões onde hoje não são muito frequentes", aponta David Salas y Melia, pesquisador climatologista e responsável pelo clima no centro de pesquisa CNRM (Météo-France-CNRS). Os cientistas também submeteram seus modelos climáticos a outros cenários. Os mais otimistas, com base em uma forte cooperação internacional e prioridade dada ao desenvolvimento sustentável, permitiria permanecer logo abaixo da meta de aquecimento de 2°C e "ao custo de exceder temporariamente a meta de 2°C durante o século". Como o aquecimento global vai espalhar uma 'praga bíblica' Aquecimento do planeta já é o maior evento climático em 2 mil anos, indica pesquisa Esse cenário implica a redução imediata das emissões de CO2, a neutralidade global de carbono em 2060 e uma captura atmosférica de CO2 de cerca de 10 a 15 bilhões de toneladas por ano em 2100, o que é tecnicamente incerto. Agir agora O Acordo Climático de Paris de 2015 prevê limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C, ou mesmo 1,5°C. O mundo não segue este caminho, pois os compromissos assumidos até agora pelos Estados levariam a um aquecimento de 3°C. COP 21 Cúpula do Clima Paris rascunho de acordo Benoit Doppagne/Belga/AFP Na segunda-feira (16), o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma cúpula em Nova York para pedir aos líderes mundiais que aumentem suas ambições. "A temperatura média do planeta no final do século depende muito das políticas climáticas que serão implementadas agora e ao longo do século XXI", insistem o CNRS, Météo-France e CEA em sua apresentação. Essa notícia é ainda mais preocupante, pois esses novos modelos climáticos desenvolvidos pelo CNRM e pelo Instituto Parisiense Simon Laplace são mais confiáveis e mais refinados do que os anteriores. "Há um salto qualitativo nos resultados dos modelos" – Pascale Braconnot, cientista do programa de pesquisa climática mundial (WCRP). Outros modelos estrangeiros que já foram divulgados, sobre os quais o IPCC também se debruçará, também estão apontando para um aquecimento acentuado. "Isso pode ser explicado por uma resposta climática mais forte ao aumento dos gases de efeito estufa antropogênicos do que nas simulações de 2012, mas as razões para esse aumento da sensibilidade e o grau de confiança a ser adicionado ainda precisam ser avaliados", de acordo com a apresentação. Graças a essa escala mais refinada, os pesquisadores modelaram melhor as consequências do aquecimento global na Europa Ocidental para as ondas de calor, mas também sobre a evolução das geleiras no Ártico, que pode desaparecer, ou quase desaparecer, no verão no final do século, ou os ciclones no Oceano Índico.

17/09 - 2019


O que é vaginismo: 'Meu corpo não me deixa fazer sexo'



Transtorno sexual afeta uma a cada 500 mulheres no Reino Unido; vergonha e tabu impedem muitas delas de buscar ajuda. Transtorno sexual afeta uma a cada 500 mulheres no Reino Unido; vergonha e tabu impedem muitas delas de buscar ajuda BBC "Meu corpo não me permite fazer sexo e, quando faço, é como se alguém estivesse me esfaqueando". É assim que a britânica Hannah Van de Peer descreve suas relações sexuais. Ela sofre de uma condição chamada vaginismo, que afeta uma a cada 500 mulheres no Reino Unido. Vaginismo é a contração involuntária dos músculos próximos à vagina, o que dificulta ou até impede a penetração pelo pênis durante a relação sexual. As causas são variadas e podem aparecer em qualquer momento da vida da mulher, como depois de episódios como cândida, parto, trauma sexual ou menopausa. Mas algumas mulheres podem descobrir que têm o transtorno quando tentam - e não conseguem - fazer sexo pela primeira vez. Vergonha e tabu acabam impedindo muitas delas de buscar ajuda, apesar de a condição ser curável. Segundo a ginecologista Leila Frodsham, o vaginismo é um dos "poucos tabus sexuais que ainda existem e que destroem a vida das pessoas". "É muito normal ficar preocupada com a primeira vez e todas nós provavelmente já passamos por isso, mas mulheres com vaginismo podem viver com isso por toda a vida", diz. "Muitas delas normalmente descrevem a condição como se estivessem sendo esfoladas ou cortadas. Ou até mesmo como se houvesse agulhas enfiadas na pele", acrescenta. Sexo e dor Hannah conta que frequentou uma escola religiosa e que essa experiência a afetou profundamente. "Ali me ensinaram que as mulheres não podem ter prazer com o sexo, que o sexo é doloroso; que causa doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez", diz. "Me ensinaram que as mulheres não podem ter prazer com o sexo", diz Hannah BBC "Sempre me falaram que perder a virgindade doeria muito; para mim, era como se fosse uma barreira intransponível. Minha sensação é como se enfiassem uma faca em mim e a torcessem. É realmente muito doloroso", acrescenta. Quando Hannah percebeu que havia algo errado com sua vagina, sentiu-se como se não tivesse feito "a transição de menina para mulher". "Desde que comecei a falar publicamente sobre isso, conversei com várias mulheres que também sofrem do mesmo mal. É uma sensação de solidão, como se não pudéssemos falar sobre isso com ninguém. Acho que as mulheres precisam entender que qualquer uma de nós pode ser acometida por este transtorno." Para Frodsham, o vaginismo também pode ter fundo emocional. "Sexo é complicado. Sexo não é só físico. Se fosse, bastaria tomar um remédio para curar qualquer problema. Mas todas temos as nossas percepções, valores com os quais crescemos, nossas crenças, nossas próprias experiências sexuais que definem como nos sentimos sobre o sexo", diz. "Sempre me perguntam se acho que a educação religiosa pode ser um das causas para o vaginismo. Não há dúvida de que sim". "Acho que há muitas mulheres que crescem neste tipo de ambiente e não têm problema nenhum com isso", acrescenta. "Mas há outras que são como esponjas e acabam absorvendo todos os valores espalhados pelo imaginário popular. Um deles, por exemplo, é de que o sexo será bastante doloroso na noite de núpcias e de que é preciso haver sangue para provar a virgindade". Amina (nome fictício) também sofre com o transtorno. Ela tem origem muçulmana e diz que, embora não tenha tido que provar que era virgem quando casou, "esse pensamento permeou toda a minha vida". "Na minha noite de núpcias, não houve nenhum problema com a intimidade, porque já éramos muito próximos, mas senti como se meu corpo estivesse se fechando e não consegui abrir minhas pernas porque me senti com muito medo", lembra. Segundo ginecologista Leila Frodsham, vaginismo é um dos "poucos tabus sexuais que ainda existem e que destroem a vida das pessoas". BBC "Era uma sensação de queimação; o músculo se contraía. É difícil falar sobre isso, porque as pessoas não entendem. Elas acham que você está exagerando ou inventando", acrescenta. Cura Segundo Frodsham, o vaginismo é "totalmente curável". "A mulher pode usar seu polegar para massagear o músculo do assoalho pélvico. A partir daí, o músculo relaxa porque elas se sentem mais confortáveis e percebem que a vagina é grande o suficiente para fazer sexo". Enquanto isso, tanto Hannah quanto Amina esperam poder sentir prazer ao ter relações sexuais. "Estou casada há mais de cinco anos. Uso dilatadores. São de diferentes tamanhos; começa do menor para o maior. Quando chega ao maior, pode fazer sexo", explica Amina. "Sinto que melhorei bastante. Ainda acho difícil ter sexo com penetração. Então, estou usando tampão vaginal e pequenos vibradores para facilitar a penetração", diz Hannah. "Fico muito feliz que as pessoas estejam falando mais abertamente sobre isso", conclui.

17/09 - 2019


Seminário vai tratar do envelhecimento de pessoas com deficiência intelectual



Apae de São Paulo promove o evento, que será realizado na quinta e sexta no Memorial da América Latina Na velhice, é recorrente a sensação de invisibilidade. No entanto, há um contingente de idosos ainda mais invisível: o dos indivíduos com deficiência intelectual. No Brasil, a estimativa é de que sejam mais de 500 mil acima dos 60 anos. Essa é uma questão que vem ganhando corpo há pelo menos duas décadas, o que levou a Apae de São Paulo a organizar o I Seminário Internacional sobre o Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual, como explica Leila Castro, especialista em envelhecimento da área de Ensino, Pesquisa e Inovação da instituição. “Desde o início dos anos 2000, essa população já demonstrava sinais de envelhecimento. A Apae de São Paulo preconiza a inclusão das pessoas com deficiência em todas as fases da vida e essa é uma nova frente na qual atuamos. Nosso trabalho visa à manutenção da funcionalidade, com protocolos que incluem o planejamento de vida e a busca de preservação da autonomia e da independência”, afirma. Leila Castro, especialista em envelhecimento da área de Ensino, Pesquisa e Inovação da Apae de São Paulo Divulgação Na Europa e nos Estados Unidos já há estudos longitudinais – que se estendem por um longo período de tempo – específicos sobre esse grupo. Na opinião de Leila, esta será a oportunidade de dar início a uma discussão mais ampla no Brasil. “Temos que estimular uma produção nacional de conhecimento nesse campo. A instituição acompanha a questão do envelhecimento no país e sabemos que há muitas demandas da população em geral a serem atendidas. Isso faz com que outras condições de envelhecimento, como a de pessoas com deficiência intelectual, fiquem em segundo plano, mas também precisamos de políticas públicas voltadas para esse público”, diz. De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”. O site da Apae paulista apresenta as diferenças entre deficiência intelectual e doença mental, que, infelizmente, ainda são confundidas: “Na deficiência intelectual a pessoa apresenta um atraso no seu desenvolvimento, dificuldades para aprender e realizar tarefas do dia a dia e interagir com o meio em que vive. Ou seja, existe um comprometimento cognitivo, que acontece antes dos 18 anos, e que prejudica suas habilidades adaptativas. Já a doença mental engloba uma série de condições que causam alteração de humor e comportamento e podem afetar o desempenho da pessoa na sociedade. Essas alterações acontecem na mente da pessoa e causam uma alteração na sua percepção da realidade. Em resumo, é uma doença psiquiátrica, que deve ser tratada por um psiquiatra, com uso de medicamentos específicos para cada situação”. Tamar Heller, professora da University of Illinois em Chicago: palestrante do evento University os Illinois A abordagem do envelhecimento feita pela instituição inclui, como não poderia deixar de ser, a família. “Os pais estão idosos, os irmãos também envelheceram, há uma grande preocupação em relação ao dia de amanhã. Se um irmão ou irmã fica com a tutela mas trabalha, vai precisar de um serviço de apoio”, enfatiza Leila. O seminário acontece nos dias 19 e 20, no Memorial da América Latina. A conferência de abertura será feita por Tamar Heller, professora da University of Illinois em Chicago, que dirige um centro de excelência sobre o assunto. Outros participantes internacionais são Philip McCallion, responsável por um estudo longitudinal feito sobre o tema na Irlanda, e Ramón Novell Ansina, que participou do “Informe Seneca”, levantamento semelhante realizado na Espanha. Que este seja um passo definitivo para diminuir essa invisibilidade.

17/09 - 2019


Pesquisadores da UFRGS tentam tornar diagnóstico de Alzheimer e Parkinson mais preciso após descoberta de proteína



Ideia é inibir a proteína, na tentativa de indicar a existência da doença antes que ela se agrave. Resultado é considerado um avanço para o tratamento e para a qualidade de vida dos pacientes. Estudo, que começou com ratos, já é feito em humanos. Pesquisadores analisaram a presença do Rage no cérebro por microscopia de fluorescência. Arquivo pessoal Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificou uma proteína responsável pelo início de processos de neurodegeneração após o organismo sofrer uma inflamação aguda, o que pode levar ao entendimento da causa de doenças como Alzheimer e Parkinson. "Nunca se estudou ela nesse contexto clínico anterior, como causa da doença. Para tratar doença neurodegenerativa atualmente, como é uma doença que você perde muito neurônio, e neurônio é uma célula com renovação muito limitada, praticamente não se divide. Então a gente ficou na causa, lá na origem da doença. Nós somos, em Parkinson, o único grupo no mundo trabalhando com o Rage [proteína] como origem da doença", explicou ao G1 o professor do Departamento de Bioquímica da UFRGS e coautor da pesquisa Daniel Pens Gelain. Chamada de Receptor para Produtos Finais de Glicação Avançada (Rage, na sigla em inglês), essa proteína está presente normalmente no sistema imune, mas também pode aparecer em outros tipos de células quando há uma inflamação. A ideia é que o estudo possa contribuir para tornar mais preciso o diagnóstico do Parkinson, que hoje é feito a partir da análise dos sintomas, o que costuma ocorrer quando a doença já está bastante avançada. Ainda não existe um exame capaz de identificá-la com exatidão. “Desenvolver um exame de sangue que detecte alguma alteração relacionada à doença antes da manifestação dela seria o ideal para o tratamento. O problema da neurodegeneração é que depois que ela está diagnosticada, já há muita perda neuronal. Os tratamentos são todos para aliviar os sintomas, não existe nenhum tratamento que barre a neurodegeneração”, destaca Gelain. A identificação de marcadores clínicos que indiquem a existência da doença antes que ela se agrave seria um avanço para o tratamento e para a qualidade de vida dos pacientes. Em testes com ratos, os cientistas conseguiram inibir a ação da proteína no cérebro dos animais e evitar a neurodegeneração. Os resultados do estudo foram publicados em 2017, no periódico internacional Journal of Biological Chemistry. Este ano, o artigo foi selecionado para constar em um número especial da revista em que estão reunidos os trabalhos considerados mais representativos dos avanços da pesquisa científica em bioquímica realizada na América do Sul, nos últimos quatro anos. Estudo de inibição do Rage Para chegar a esse resultado, os cientistas induziram a sepse nos animais. A sepse ocorre quando, na tentativa de proteger o corpo de um agente infeccioso, o sistema imunológico provoca uma inflamação generalizada, que se espalha pelo organismo e acaba afetando diferentes órgãos, podendo até mesmo comprometer seu funcionamento. Conforme o pesquisador, a motivação para o trabalho surgiu da observação de que os pacientes de sepse, mesmo após sua recuperação, apresentavam grande frequência de sequelas, com variados problemas neurológicos. Os cientistas verificaram que, após a recuperação da sepse, os animais apresentavam uma série de alterações características da doença de Alzheimer. Já os animais que tiveram a proteína Rage inibida após a sepse tiveram uma recuperação desses marcadores bioquímicos e melhores performances em testes cognitivos. “Neste trabalho, a observação que eu considero mais importante é que nós inibimos a proteína, o Rage, já bem depois da sepse, numa fase em que começam os primeiros indícios de neurodegenaração no cérebro. Isto é uma coisa que faz falta na clínica hoje, que faz falta num contexto de medicina: tratamentos que possam ser aplicados quando já tem a doença diagnosticada”, afirma Gelain. Camila Tiefensee Ribeiro, bolsista de mestrado, realiza teste de coordenação motora em ratos. Arquivo pessoal Doença de Parkinson Em outro artigo, publicado na revista Scientific Reports, os pesquisadores demonstraram que a inibição do Rage interrompeu o desenvolvimento de Parkinson em ratos. A doença é caracterizada pela perda de neurônios e os principais sintomas estão relacionados ao sistema motor. Os roedores nos quais o Rage foi bloqueado tiveram menos neurônios perdidos e melhor desempenho nos testes de coordenação motora. “Foi um resultado bastante bom, e nós estamos focando agora a doença de Parkinson para os nossos próximos trabalhos”, relata Gelain. Para os pesquisadores, o trabalho pode colaborar para a compreensão dos processos que envolvem a neurodegeneração e para a busca de novas formas de tratamento. O estudo está confirmando algumas hipóteses relacionadas à origem da doença, que é pouco conhecida pelos pesquisadores. Segundo o professor, uma sequência de eventos inflamatórios, durante a vida das pessoas, desencadeia, de alguma forma, um processo inflamatório no cérebro. "Quando isso é na região que é afetada no Parkinson, acaba virando Parkinson. Quando isso é na região afetada pelo Alzheimer, vira Alzheimer. E quando o cérebro não consegue terminar esse processo de inflamação, o Rage fica lá, porque a resposta inflamatória é uma coisa que o organismo faz para se livrar de algum problema, só que às vezes a gente não consegue terminá-la. O porquê de não conseguir terminar em alguns casos não está muito claro, mas isso acontece bastante”. Melhora do diagnóstico Os pesquisadores também desenvolvem estudos com cérebros humanos, comparando amostras de pessoas saudáveis e de doentes com Parkinson, em uma parceria com o Banco de Cérebros da Universidade de São Paulo (USP). São realizados estudos clínicos com pacientes diagnosticados com a doença, em colaboração com a Santa Casa de Misericórdia e com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O acompanhamento com os pacientes acontece há cerca de três anos. São feitas coletas e análises do sangue para avaliar os sintomas e alterações ao longo do tempo. “Por isso estamos muito empolgados com esses dados clínicos, com esse estudo. Os médicos estão nos dando bastante amostra, estão bem empolgados também”.

16/09 - 2019


Em Campinas, especialistas debatem incidência de câncer infantil por contato com agrotóxico



Pesquisadores de diferentes países apresentaram dados sobre a contaminação que é provocada, muitas vezes, pelo contato dos pais com substâncias que podem ser passadas aos filhos. Terence Dwyer, professor de Epidemiologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido Mirela Von Zuben/G1 Em fórum realizado no Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), nesta segunda-feira (16), especialistas do mundo todo se reuniram para discutirem o impacto do uso de agrotóxicos sobre a incidência de câncer infantil. O Brasil, segundo maior país do mundo em área plantada com transgênicos no mundo em 2018,com 51,3 milhões de hectares (atrás dos EUA), registra uma morte a cada 2 dias e meio por intoxicação advinda de agrotóxicos agrícolas. O dado foi apresentado pela professora Larissa Mies Bombardi, doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), que apontou que o nível de contaminação de crianças por uso de agrotóxicos é grave. Segundo seus estudos, 343 bebês foram intoxicados em sete anos, em casos notificados. Somados aos casos não notificados, a projeção indica uma possibilidade de 17.150 contaminações de bebês. “Para cada caso notificado, tem outros 50 alvos não notificados. Do total de pessoas infectadas, 20% são crianças e adolescentes de zero a 19 anos”, explicou a professora. Larissa Mies Bombardi, professora doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) Mirela Von Zuben/G1 O Brasil, que usa 500 mil toneladas de agrotóxicos por ano e liberou o uso de mais 51 agrotóxicos em julho deste ano, registra outro dado alarmante: a intoxicação muitas vezes está relacionada a tentativas de suicídio. “40% do total de notificações no Brasil são de pessoas que ingeriram agrotóxico para tentar suicídio. Na região Nordeste, como no Ceará e em Pernambuco, esse número chega a 70%”, afirmou Bombardi. Risco pode vir do útero O australiano Terence Dwyer, professor de Epidemiologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e coordenador do Consórcio do Coorte Internacional do Câncer da Criança (I4C), apresentou durante o fórum dados que expõem também o risco de contaminação das crianças pelo ambiente de trabalho dos pais, que podem vir já do útero. De acordo com o professor, o risco aumenta de acordo com a idade da criança, que é mais alto até os quatro anos. Além disso, os filhos primogênitos têm maior probabilidade de nascerem com genes que configurem uma pré-disposição ao desenvolvimento do câncer. “Muitos pais querem respostas: porque os filhos deles desenvolveram câncer? Os doutores não podem dar estas respostas a eles”, disse o australiano. A apresentação de Dwyer aos brasileiros também mostrou que uma em cada 100 crianças nascem com cromossomos anormais que podem causar câncer. Segundo ele, de dez a 20, em cada 100 mil crianças, desenvolvem câncer hoje. Boldrini integra consórcio Silvia Brandalise, presidente do Centro Infantil Boldrini, explicou que o grupo foi convidado a integrar o I4C quando fez um estudo de leucemia em lactentes, mostrando uma associação entre a exposição materna a uma série de pesticidas na gravidez e o aparecimento do câncer na criança. “Quando você mergulha no que já se provou de substâncias que são tóxicas para o organismo, você fica boquiaberta. O que os estamos vivendo, em um mundo em que se omite uma coisa tão seria e não se faz nada?”, questionou a presidente do Boldrini. Trabalho em indústrias químicas Professor Kjeld Schmiegelow, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca Mirela Von Zuben/G1 O professor Kjeld Schmiegelow, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, estudou, sobre um período de quatro décadas, o risco de câncer em crianças que têm pais que trabalham em indústrias químicas, principalmente nas gráficas, de pintura, têxteis e de extração de madeira e papel. Segundo ele, homens e mulheres que trabalharam nestes locais e tiveram filhos com ao menos um ano após a exposição, apresentaram risco aumentado para a incidência de câncer: no sistema nervoso central, no caso de mães e filhos; e leucemia mieloide aguda, em filhos e pais. "Mesmo que o mecanismo biológico exato por trás das exposições dos pais e a incidência de câncer nas crianças ainda seja incerto, as associações são claras e pedem intervenções legislativas”, pontuou em sua pesquisa. Veja mais notícias da região no G1 Campinas

16/09 - 2019


Ministro da Saúde fala em ampliar zona de segurança em lançamento de campanha de vacinação na fronteira



A declaração foi dada em Ponta Porã (MS), cidade vizinha à Pedro Juan Caballero, fronteira com o Paraguai. Luiz Henrique Mandetta esteve na cidade para o lançamento do "Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras". Ministro Mandetta participando de lançamento de campanha de vacinação em MS Ministério da Saúde/Divulgação O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta segunda-feira (16) em ampliar uma zona de segurança na fronteira do Brasil com o Paraguai. "Faz isso em aproximadamente 10 cidades e aí vai gradativamente ampliando uma zona de segurança", afirmou o ministro. A declaração foi dada em Ponta Porã (MS) cidade vizinha à Pedro Juan Caballero, fronteira com o Paraguai. Mandetta esteve na cidade para o lançamento do "Movimento Vacina Brasil nas Fronteiras" e para anunciar um pacote de ações voltado para o fortalecimento da vigilância em cidades brasileiras fronteiriças a países que compõem o Mercosul. "Nós vamos presidir o Mercosul e uma das ações que nós propusemos foi aprimorar, fortalecer em parceria com todos nossos países vizinhos, irmãos, como é o caso do Paraguai, a vacina. Então, hoje aqui a gente faz um ato simbólico que representa toda a área de fronteira [...] Agora começa por essas áreas de fronteira, cidades irmãs como é o caso de Ponta Porã e Pedro Juan e nas outras também, colocando carteiras de vacinação em dia. Não há especificante uma meta, então, aqui Ponta Porã, algo em torno, de além das doses normais, mais 12 mil doses", explicou. De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é vacinar na região de fronteira crianças de 6 meses a pessoas com 29 anos contra o sarampo; e crianças a partir dos 9 meses e pessoas com até 59 anos contra a febre amarela. Não há registros de sarampo em nenhuma das duas cidades, mas em Mato Grosso do Sul foram registrados esse ano 2 casos da doença, um em Campo Grande e outro em Três Lagoas. No Brasil O Brasil confirmou 3.339 novos casos de sarampo no país desde junho, quando um novo surto da doença teve início. De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado na sexta-feira (13), dezesseis estados registram surto ativo da doença. O boletim aponta que, nos últimos três meses, os casos confirmados neste surto representam 89% do total de casos em 2019. Neste período foram notificados em todo o país 24.011 casos suspeitos. Destes, 73,8% seguem em investigação (17.713) e 12,3% foram descartados (2.957). Initial plugin text

16/09 - 2019


Como fazer cocô direito, segundo a ciência



Sentar-se na privada não é a maneira mais saudável de fazer número 2; entenda por quê. Passamos quase seis meses da nossa vida fazendo cocô BBC Você sabia que, em média, uma pessoa passa seis meses de sua vida fazendo cocô? (Assista ao vídeo) São 145 kg por ano ou o peso de um urso panda adulto. Mas uns são mais eficientes do que outros nesta tarefa. Tudo depende se você faz número 2 sentado ou agachado. Muitas pessoas sentem dificuldade para fazer cocô. Ao nos sentarmos na privada, nosso canal anal fica em um ângulo de 90 graus. Hemorroidas e até derrames Isso faz com que o músculo do assoalho pélvico acabe "estrangulando" nosso cólon, ocasionando hemorroidas, desmaios e até derrames. Mas por que, então, continuamos a nos sentar na privada? Acredita-se que as primeiras privadas tenham surgido há 6 mil anos. No início do século 4, Roma tinha 144 banheiros públicos, e frequentar esses locais era um evento social. A privada romana se tornou um símbolo da civilização europeia. Mas se você tiver um desses tronos de porcelana, uma dica: eleve seus joelhos a um ângulo de 35 graus. Além de favorecer a saúde, você ainda pode ganhar alguns segundos. Quem faz cocô agachado leva, em média, 51 segundos para completar a tarefa, contra 114 a 130 segundos de quem se senta na privada.

16/09 - 2019


Crânio de leão-das-cavernas extinto há 30 mil anos é encontrado na Sibéria



Descoberta foi feita em área onde serão construídas novas moradias. Além de ossos de animais, foram achados também mais de duas mil ferramentas de trabalho antigas. Crânio de leão-das-cavernas é encontrado na Sibéria Didier Descouens/CC BY-SA 4.0 Um grupo de arqueólogos encontrou em Krasnoiarsk, na Sibéria (Rússia), um lugar onde os caçadores da Idade da Pedra desmembravam animais. Entre os restos mortais, os especialistas encontraram o crânio de um leão-das-cavernas (Panthera leo spelaea). A descoberta, que pertence ao Paleolítico, teria entre 20 mil e 30 mil anos. As escavações foram realizadas em um local onde novas casas estão sendo construídas. Rússia descobre exemplares de leões-das-cavernas de 12 mil anos “Durante as escavações (...) foi encontrado um material arqueológico e de paleofauna [fauna da Idade da Pedra] interessantes. Trata-se principalmente de ossos de cavalos, renas, veados e bisões. Entre eles estava a cabeça de leão-das-cavernas, que agora está sendo analisada em laboratório”, disse à a agência TASS Ígor Filátov, representante da organização de Geoarqueologia de Krasnoiarsk. Segundo o especialista, esse tipo de descoberta é rara na Sibéria e na Rússia em geral. Pesquisadores descobrem espécie inédita de dinossauro no noroeste do Paraná Os arqueólogos também descobriram uma grande quantidade de instrumentos de trabalho antigos: lascas, furadores, e ferramentas para cortar. “No total, existem mais de dois mil objetos. Nesse local, o homem das cavernas abria as carcaças de animais, quebrava os ossos e removia a medula óssea”, diz o arqueólogo. Os leões-das-cavernas eram felinos enormes de uma espécie já extinta. Eles viveram nos territórios da Europa e da Sibéria na última fase do Pleistoceno (300 mil a 10 mil anos atrás). Este animal foi amplamente representado na arte pré-histórica.

16/09 - 2019


Videogames violentos são 8 vezes mais citados nos EUA quando atiradores de massacres em escolas são brancos



Análise de mais de 200 mil matérias de jornal e experimentos com universitários indica que estereótipos raciais levam negros a serem mais responsabilizados por crimes. Pesquisa da Associação Americana de Psicologia indica que estereótipos raciais influenciam na busca por fatores 'externos', como o uso de videogames, após tiroteios em escolas Getty Images/Via BBC Videogames violentos são lembrados com maior frequência como possíveis motivações de massacres em escolas quando atiradores são brancos do que quando são negros, segundo um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia (APA) nesta segunda-feira (16). Para os autores do trabalho, os resultados indicam que estereótipos associando os negros à violência possivelmente fazem com que estes sejam mais responsabilizados por crimes, enquanto para os brancos há uma tendência à busca por explicações externas: como videogames. Tiroteio em torneio de videogames na Flórida deixa três mortos, incluindo o atirador Por que autoridades nos EUA querem demolir escola do massacre de Columbine Massacre em escola escocesa levou Grã-Bretanha a proibir armas em 1997 O estudo teve duas etapas: experimentos com universitários e análise de 204,7 mil reportagens de jornais sobre 204 ataques a tiros realizados nos Estados Unidos entre 1978 (ano que segundo os autores consolidou o consumo de videogames, com o lançamento do console Atari) e 2018. Os ataques considerados no levantamento tiveram pelo menos três vítimas, sem incluir os autores, e não tinham conexão com o crime organizado, tráficos de drogas e atividades de gangues. Após a extensa análise das reportagens, os pesquisadores, das universidades de Villanova, Virginia Tech e do Estado da Pensilvânia, verificaram que havia uma probabilidade oito vezes maior de menção a videogames quando os autores de tiroteios em escolas eram brancos na comparação com negros. Videogames foram mencionados em 6,8% dos artigos sobre massacres em escolas perpetrados por brancos, contra 0,5% por negros. Vínculo entre videogames e agressões Os autores da publicação alertam, porém, que diversos trabalhos científicos de áreas variadas não conseguiram vincular o uso de videogames à concretização de atos violentos na vida real por seus usuários. Apesar disso, mídia e políticos frequentemente mencionam jogos ao comentarem massacres, especialmente quanto estes acontecem em escolas. "Quando um ato violento é perpetrado por alguém que não corresponde ao estereótipo racial de pessoa violenta, as pessoas tendem a procurar uma explicação externa para o comportamento violento", diz Patrick Markey, líder do estudo e professor de psicologia na Universidade Villanova. "No caso de um jovem branco dos arredores da cidade grande (áreas que nos EUA frequentemente abrigam as casas das famílias mais abastadas) que comete um ato violento horrível como um tiroteio na escola, há uma maior probabilidade de se culpar erroneamente os videogames do que se o jovem fosse negro." Autores de publicação destacam que, apesar da literatura mostrar que negros tendem a usar mais videogames, o uso de jogos violentos é apontado com pouca frequência como explicação para tiroteios em massa Getty Images/Via BBC O estudo usou dados sobre local, data, nome e etnia dos autores de massacres no repositório Stanford Mass Shootings in America. No conjunto abordado, foram contabilizados 73 tiroteios realizados por negros e 131 por brancos. Foram considerados atiradores do sexo masculino pois, de acordo com os autores do estudo, o volume de tiroteios perpetrados por mulheres seria insuficiente para encontrar padrões. Ainda de acordo com os pesquisadores, a menção menos frequente aos videogames no caso de atiradores negros surpreende ainda pois este grupo racial tende justamente a usar mais estes jogos e outras mídias, segundo outras pesquisas, No entanto, quando considerados massacres em locais que não fossem escolas, a menção a videogames foi praticamente a mesma entre brancos (1,8% das reportagens) e negros (1,7%). Os autores acreditam que a diferença possa ser explicada por uma associação entre videogames, juventude e ambiente escolar. "A etnia é um fator importante, mas parece ser relevante apenas quando o atirador é jovem, como nos tiroteios em escolas. Videogames não são considerados quando o atirador é mais velho, como em Las Vegas (tiroteio que tirou a vida de 58 pessoas (além do atirador) durante um show na cidade americana em 2017", respondeu Markey à BBC News Brasil por e-mail. "Quando o atirador é um jovem branco, falamos de videogames, mas quando ele é mais velho ou negro, não." – Patrick Markey, professor de psicologia A pesquisa foi publicada na revista especializada Psychology of Popular Media Culture com o título He Does Not Look Like Video Games Made Him Do It: Racial Stereotypes and School Shootings (em tradução livre, "Ele não aparenta ter sido motivado por videogames: estereótipos raciais e tiroteios em escolas"). Entrevistas com universitários Outra etapa do estudo envolveu experimentos com 169 universitários e confirmou resultados semelhantes aos da análise do noticiário. Nesta fase, os participantes leram uma matéria de jornal falsa sobre um tiroteio em massa fictício realizado por um jovem de 18 anos, descrito como um ávido fã de videogames violentos. Metade dos participantes leu um artigo ilustrado com uma foto de um atirador branco, e a outra metade com uma imagem de um atirador negro. Os universitários que leram o artigo com a foto de um jovem branco tiveram uma probabilidade significativamente maior de culpar os videogames como fator motivador do que a outra metade do grupo. Entidade pede que mídia e políticos evitem associação com videogames Associação publicou documento pedindo que a mídia e os políticos evitem vincular jogos violentos a tiroteios em escolas Getty Images/Via BBC A APA tem acompanhado de perto a questão do uso de videogames e sua suposta relação com a violência. Em 2015, uma força-tarefa da associação publicou um documento que indica que mais de 90% das crianças nos EUA jogam videogames e que mais de 85% dos produtos no mercado continham alguma forma de violência. A força-tarefa encontrou uma associação entre exposição a videogames violentos e algum comportamento agressivo, mas os indícios sobre a relação entre jogos e violência mortal foram insuficientes. Algumas pesquisas recentes, porém, questionam até a associação entre jogos violentos e comportamento agressivo. Levantamentos com acadêmicos e clínicos também indicaram que a maioria desses especialistas não acredita que o videogame seja um perigo grave à sociedade. Devido à falta de evidências científicas, a Sociedade para Mídia e Tecnologia, uma divisão da APA que se concentra no impacto da mídia sobre o comportamento humano, pediu que o vínculo entre jogos violentos a tiroteios em escolas seja evitado por políticos e na imprensa.

16/09 - 2019


Estudo confirma recorde de longevidade da francesa Jeanne Calment, que morreu aos 122 anos



A pesquisa é baseada em novos documentos e modelos matemáticos que descartam uma possível fraude apontada em 2018 por pesquisadores russos. Jeanne Calment viveu até os 122 anos Jean-Paul Pelisser/Reuters O recorde de longevidade da francesa Jeanne Calment, falecida oficialmente aos 122 anos em 1997, é válido, de acordo com um estudo científico publicado nesta segunda-feira (16) pelo geriatra e epidemiologista François Herrmann, dos hospitais universitários de Genebra. A pesquisa é baseada em novos documentos e modelos matemáticos que descartam uma possível fraude apontada em 2018 por pesquisadores russos. Japonesa de 116 anos é declarada a pessoa mais velha do mundo Idosa do Ceará completa 114 anos e é uma das pessoas mais velhas do mundo Segundo eles, a tese de que a francesa, que ficou famosa no final do século XX por sua idade avançada, não era Jeanne, mas sua filha, Yvonne Calment, "é infundada". A afirmação foi feita por pesquisadores suíços e franceses em um artigo publicado no "Journal of Gerontology". Para sustentar suas conclusões, os autores recuperaram vários documentos históricos, incluindo um artigo publicado na imprensa local em 1934 em Arles - onde Calment morava. De acordo com o artigo, uma "multidão" compareceu ao funeral de Yvonne, filha de Jeanne, que morreu aos 36 anos. Os pesquisadores suíços acham difícil de imaginar que nenhuma testemunha não tenha notado a fraude de identidade, que teria necessitado da cumplicidade de dezenas de pessoas. Todos os documentos encontrados descartam a hipótese russa. Idade de Jeanne Calment é “crível” O estudo analisa outro argumento dos pesquisadores russos, que consideravam estatisticamente impossível para um ser humano viver 122 anos. Ao estudar a longevidade de todas as pessoas nascidas na França em 1875 e 1903, os pesquisadores calcularam que um centenário tinha uma em dez milhões de chances de atingir a idade de 122 anos. Uma probabilidade baixa, mas que não torna a idade de Jeanne Calment menos "crível", de acordo com um dos co-autores da pesquisa.

16/09 - 2019


Unicamp descobre zika em placentas de gestantes com exame negativo e avalia mudança de protocolo junto ao estado



Falso-negativo ocorreu quando mulheres grávidas com sintomas da doença passaram por exames entre 2016 e 2017 dentro do protocolo estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde de SP. Pesquisadores da Unicamp analisaram placentas de maneira diferente. A estrutura do vírus Zika, observada no crio-microscópio; tecnologia levou Nobel de Química de 2017 Royal Swedish Academy of Sciences Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou a presença do vírus da zika nas placentas de gestantes que tiveram sintomas da doença no período de epidemia, mas resultado negativo em exames. Pesquisadores analisaram mais amostras do que o atual protocolo estadual exige, e pedem à Secretaria de Estado da Saúde que avalie mudanças nesse processo. Essas mulheres com falso-negativo tiveram seus bebês no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp (Caism). Os tecidos das placentas colhidos, assim como exames de sangue, foram analisados pelo Instituto Adolfo Lutz, que tem o padrão de usar uma única amostra de placenta. As pacientes autorizaram a pesquisa também pela universidade, que estudava o desenvolvimento de um novo protocolo de coleta da placenta. A diferença foi grande. A análise do tecido pela Unicamp foi feita em 17 placentas e o vírus foi confirmado em 14 delas. Antes, todas estavam com resultado negativo para zika. As cinco amostras de cada placenta foram coletadas e armazenados em condições ideais desde os partos, mantidas congeladas a -70º. As gestantes foram acompanhadas desde a gestação - 2016 e 2017 - até os nascimentos dos bebês, que ocorreram entre 2017 e 2018. Os bebês nasceram sem microcefalia. O protocolo estadual prevê acompanhamento deles, mas nem todas as mães o mantiveram. A Unicamp vai fazer contato com as 14 mães e monitorar seus bebês. O estudo, financiado por Fapesp e CNPq, foi realizado durante o primeiro semestre de 2019 e os resultados finais foram obtidos em agosto. Eliana Amaral foi orientadora do estudo do vírus da zika em placentas na Unicamp. Antonio Scarpinetti / Unicamp Placenta é marcador do zika A pesquisa faz parte de uma tese de doutorado e foi feita em parceria entre a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e o Instituto de Biologia (IB). Professora titular de obstetrícia e orientadora da tese, Eliana Amaral explica que a placenta se mostrou uma importante depositária do vírus da zika. "Nós vimos que a placenta é um repositório e um marcador de zika. Significa que não importa quando teve a gravidez, mas mostrou que estava com o vírus zika presente. Não sabemos se é uma barreira", afirma Eliana. Os 14 bebês precisam ser acompanhados para verificar se apresentarão ou não alguma sequela por conta do vírus na placenta. Algumas das possibilidades provocadas por arboviroses como o zika são problemas auditivos, oftalmológicos e neurológicos. "É natural para uma mãe que, quando está vendo que não tem nada com a criança, não faça nenhum segmento. Vamos em busca dessas 14 crianças para confirmar se não tiveram nenhuma consequência". "Como se falou muito do zika só pela microcefalia, a nossa discussão é que as arboviroses podem ter outros tipos de consequência. E entender que a placenta sempre pode ser um bom marcador. Não se dá tanto valor à placenta quanto ela deveria receber", completa a orientadora do estudo. Bebê com circunferência do crânio menor que 32 centímetros é considerado portador de microcefalia Reprodução/TV Globo Amostras de diferentes partes da placenta Eliana também atua como coordenadora do grupo de pesquisa de arboviroses na gestação da FCM. Segundo ela, no início da epidemia no Brasil, o governo agilizou formas de diagnosticar a doença. "Não podemos exigir deles um conhecimento que não existia". Os resultados eram rápidos, mas a conclusão da pesquisa mostra que o protocolo precisa ser alterado. Primeiramente, os testes com as cinco amostras das placentas das mães foram feitos na Unicamp utilizando o mesmo kit para diagnóstico do zika usado pelo estado. "O nosso teste deu positivo, usando o mesmo teste". Dez dos 14 casos positivos apareceram já no teste usado pelo Instituto Aldolfo Lutz. Um outro teste feito no Laboratório de Vírus Emergentes do Instituto de Biologia consolidou as 14 confirmações da presença do zika. A professora explica que a divergência nos resultados pode ser explicada pelas orientações de coleta e manuseio, que eram diferentes na época. "A diferença é que tínhamos amostras coletadas de cinco partes diferentes, rigorosamente controladas para que o tecido ficasse vivo para que o exame fosse feito. Acreditamos que a grande razão da divergência tem a ver com as orientações que não eram habituais, de como tem que ser a coleta, o armazenamento, o cuidado com a placenta". Os exames foram feitos pela doutoranda Emanuella Meneses Venceslau, com coorientação da docente Maria Laura Costa do Nascimento, da FCM, e colaboração de José Luiz Proença Módena, coordenador do laboratório. Da esq. para a dir., o pesquisador José Luiz Proença Módena, as professora Eliana Amaral e Maria Laura Costa, respectivamente, orientadora e coorientadora do estudo, e Emanuella Meneses Venceslau, autora da tese Antoninho Perri/Ascom/Unicamp. Mudança no protocolo do diagnóstico Em relação ao protocolo, primeiro é preciso ter a discussão deste estudo com a Secretaria de Estado da Saúde e, posteriormente, do estado de São Paulo com Ministério da Saúde, informou a professora. A Unicamp aguarda retorno do estado sobre essa questão. "Estabelecer um protocolo de, em situações de arboviroses, manter essa coleta mais detalhada, minuciosa, cuidados da placenta e submeter aos procedimentos recomendados. Toda grávida com febre, manchas na pele, com sinais de arboviroses deveria fazer. O objetivo é transformar isso em política pública", defende Eliana Amaral. A pesquisa foi feita com uso de recursos, como um freezer a -70º, que não existem atualmente em todas as maternidades. Por isso, será necessário discutir o que será possível fazer para obter o diagnóstico mais preciso. "A coleta [da placenta] tem que ser de imediato, de preferência na primeira e segunda hora, coletadas as amostras e feita a conservação. Temos no Caism uma estrutura bem desenvolvida de conservação de material, o Biobanco. Esse protocolo é que permitiu que a gente teria uma amostra de qualidade". Estudo foi feito com mulheres que tiveram filhos no Caism, o Hospital da Mulher da Unicamp, em Campinas. Reprodução/EPTV O que dizem estado e Ministério da Saúde A Secretaria de Estado confirmou o contato feito pela Unicamp e disse, por nota, que o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual segue os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para investigação e diagnóstico de doenças. "O setor está à disposição da pesquisadora", diz o texto. O Ministério informou que ainda não foi comunicado oficialmente pelo estudo e esclareceu que "adota o protocolo publicado no Guia de Vigilância em Saúde que orienta, diante de um caso suspeito de Zika, principalmente gestantes, casos graves e óbitos, só descartar a partir do resultado de duas sorologias não reagentes ou PRNT [Teste por neutralização de redução de placas] negativo." "Ainda de acordo com o Guia de Vigilância em Saúde, as amostras de placenta para análise histopatológica e imunohistoquímica devem ser coletadas até a 14ª semana de gestação; em casos de amostras de fetos e natimortos e recém-nascidos com malformação congênita, priorizam-se amostras de sistema nervoso central para IHQ", completa a nota. O Ministério explica que desde 2016 desenvolveu estratégias de diagnóstico rápido para a Síndrome Congênita Associada à Infecção pelo vírus zika em crianças, e também fornece ajuda financeira para os pacientes que têm a síndrome. "Quando forem identificados sinais e sintomas compatíveis com a síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika, ou confirmado diagnóstico, a criança é encaminhada para a estimulação precoce, atendimento que envolve técnicas para estimulação neurossensorial específicas para lidar com problemas de mobilidade motora, fala, postura, entre outros. Cabe informar que as equipes de profissionais, junto aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) poderão promover a estimulação precoce das crianças". Veja mais notícias da região no G1 Campinas

15/09 - 2019


A pior hora do dia para ficar doente



Pesquisas mostram que a eficácia de vacinas e até a recuperação de infecções e lesões é influenciada pelo relógio biológico do corpo humano. Dê uma boa olhada na pele do seu antebraço. Aperte se quiser. Pode não parecer diferente de 12 horas atrás, mas se você se cortasse ou se queimasse, ela cicatrizaria em mais do que o dobro da velocidade se você a machucasse durante o dia, em comparação com a noite. Essa variação em nossa resposta a lesões se estende muito além da pele. Se você for tomar vacina contra a gripe, marque uma consulta matinal: você produzirá mais de quatro vezes mais anticorpos protetores se for vacinado entre as 9h e as 11h, em comparação com seis horas depois. No entanto, se você precisar de cirurgia cardíaca, o inverso é verdadeiro: suas perspectivas de sobrevivência a longo prazo são significativamente melhores se você for submetido à faca à tarde. De fato, onde quer que você olhe no corpo, do cérebro ao sistema imunológico, os ritmos de 24 horas que governam a atividade das células e tecidos – geralmente chamados de "ritmos circadianos" – parecem ditar nossa recuperação física de infecções e lesões. Relógio biológico: 12 pontos para entender como ele afeta a sua vida Como o horário das refeições afeta a sua cintura "Quem somos fisiologicamente durante o dia é diferente do que somos à noite", diz Tami Martino, diretor do Centro de Investigações Cardiovasculares da Universidade de Guelph, no Canadá, que procura aplicar esse conhecimento emergente sobre o tempo biológico à medicina humana e animal. Do câncer à cardiologia, da artrite às alergias, uma melhor compreensão desses ritmos pode permitir que medicamentos e intervenções sejam administrados aos pacientes nos momentos em que eles são mais propensos a serem eficazes e menos propensos a causar danos. O fortalecimento desses ritmos também pode permitir que os pacientes se recuperem mais rapidamente e reduzam alguns sintomas físicos da doença. "Acredito que a medicina circadiana pode mudar para sempre a maneira como administramos a saúde humana", diz Martino. "Está no topo da escala com coisas como terapia genética, células-tronco e inteligência artificial como uma das novas tecnologias mais promissoras para lidar com as doenças". A vacina contra a gripe, por exemplo, é melhor de ser tomada pela manhã Divulgação CMS Fisiologia de hora em hora A ideia de que nossa fisiologia varia de hora à hora é, na verdade, antiga. O médico grego Hipócrates observou um fluxo e refluxo de 24 horas na gravidade da febre. A medicina tradicional chinesa também descreve a vitalidade de diferentes órgãos atingindo o pico em vários momentos - os pulmões entre as 3h e as 5h, o coração entre as 11h e 13h, os rins entre as 17h e as 19h e assim por diante. No entanto, há um interesse renovado no efeito de nossos relógios corporais internos sobre doenças e tratamentos da medicina moderna, graças a um número crescente de estudos recentes. Ajustando nossos impulsos, comportamento e bioquímica, esses ritmos nos preparam para eventos regulares em nosso ambiente, os quais são ditados pelo ciclo diário de luz e escuridão. Quando se trata de cura, há uma boa razão pela qual ela pode ser aumentada durante o dia em comparação à noite. "Nossas células evoluíram para poder curar feridas de maneira mais eficaz no momento biológico em que elas são mais prováveis de ocorrer", diz John O'Neill, biólogo circadiano do Laboratório de Biologia Molecular do Conselho de Pesquisa Médica em Cambridge, Reino Unido. "Se você é humano, é extremamente improvável que ocorra uma grande ferida quando estiver dormindo no meio da noite, enquanto durante o dia é muito mais provável que se machuque." Sua própria pesquisa revelou que as células chamadas fibroblastos, que ajudam a reparar os danos nos tecidos ao estabelecer um novo colágeno para as células da pele, migram para as áreas lesadas mais rapidamente durante o dia. "Encontramos consistentemente quase uma diferença de duas vezes na cicatrização de feridas simplesmente em função do tempo biológico", diz O'Neil. E quando analisaram dados do Banco Internacional de Lesões por Queimaduras, descobriram que as pessoas que sofrem queimaduras durante a noite demoram aproximadamente 11 dias a mais para cicatrizar do que as feridas durante o dia. Nosso sistema imunológico também está sujeito a ritmos biológicos que afetam a forma como responde a infecções. Pode parecer estranho, a princípio, variar nossa capacidade de responder a patógenos de acordo com a hora do dia, diz Rachel Edgar, virologista do Imperial College de Londres. Mas esse recurso pode ter evoluído como um meio de nos proteger contra a ativação excessiva do sistema imunológico. "Se você receber uma resposta inflamatória muito grande, precisará controlar isso, caso contrário, pode causar muitos danos", diz Edgar. Ela tem explorado a interação entre ritmos circadianos e infecções virais, como o herpes. Em um estudo, ela descobriu que o vírus do herpes se replicava 10 vezes mais em camundongos infectados no início do período de descanso - que, sendo eles animais noturnos, caem durante o início da manhã - em comparação com se estavam infectados no início do seu período ativo. Suas descobertas sugerem que o efeito pode ser devido a mais do que alterações na atividade no sistema imunológico. Os ritmos diários das próprias células infectadas também afetam a extensão de uma infecção viral. Horas diferentes para doenças diferentes Essa evidência se encaixa em um estudo recente em humanos, que encontrou respostas aprimoradas à vacina contra a gripe sazonal quando foi administrada pela manhã em comparação à tarde. Mesmo assim, sugerir que há uma hora ideal do dia para adoecer é muito simplista, adverte Edgar. "Será diferente para diferentes agentes infecciosos", diz ela. Por exemplo, a sepse, que causa risco de vida e é uma resposta a uma infecção, pode ser desencadeada pela injeção de moléculas encontradas na superfície das bactérias no sangue. Se você fizer isso com ratos durante a "noite", apenas 20% sobreviverão, em comparação com mais de 90% se forem injetados durante o período ativo. As descobertas estão abrindo novas e empolgantes perspectivas para o tratamento de doenças infecciosas. "Se soubermos que um vírus se espalha para células vizinhas em um determinado momento, poderíamos potencialmente dar terapias antivirais no momento em que elas serão mais eficazes", diz Edgar. "Fazer isso pode reduzir a quantidade de antivirais que você precisa fornecer, o que também tem implicações para o paciente". Não é apenas a nossa resposta a infecções que poderia se beneficiar dessa abordagem. Mais da metade dos medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde – 250 medicamentos encontrados em todos os hospitais do mundo – parecem atingir vias moleculares reguladas por relógios celulares internos, o que pode torná-los mais ou menos eficazes, dependendo de quando são tomados. Estes incluem os analgésicos comuns, como aspirina e ibuprofeno, bem como medicamentos para pressão arterial, úlceras pépticas, asma e câncer. Em muitos casos, os medicamentos em questão têm uma meia-vida inferior a seis horas, o que significa que eles não permanecem no sistema por tempo suficiente para funcionar de forma ideal se forem tomados em um momento que não é ideal. Por exemplo, o medicamento para pressão arterial valsartan é 60% mais eficaz quando tomado à noite, em comparação com a primeira coisa de manhã. Verificou-se que a aspirina é mais eficaz quando tomada à noite, assim como alguns comprimidos anti-histamínicos para alergias como a rinite alérgica. Um estudo recente em humanos sugere que a radioterapia pode ser mais eficaz se administrada à tarde e não pela manhã. Barreiras logísticas Cronometrar medicamentos e tratamentos para quando eles provavelmente serão mais eficazes não é tão fácil quanto parece. O custo dos ensaios clínicos aumenta se você precisar iniciar sistematicamente os testes na hora certa do dia para fazer o tratamento. Também não é fácil fazer os pacientes cumprirem o que lhes é pedido. Conseguir que eles sigam um curso de terapia já é complicado, e garantir que eles tomem esses medicamentos em um horário específico é ainda mais difícil. O'Neill e outros suspeitam que essa seja uma das principais razões pelas quais, apesar de manifestarem interesse na chamada cronoterapia, as empresas farmacêuticas ainda não fizeram muito a respeito. Nem os ritmos circadianos de todos também são os mesmos. Alguns de nós somos diurnos e outros noturnos. Uma proporção significativa da população também trabalha no turno da noite, o que pode ter seu próprio impacto no ritmo circadiano e na saúde. No momento, não há um teste rápido e simples para confirmar com precisão onde estão os ponteiros do relógio interno de um indivíduo. Além disso, há o próprio ambiente hospitalar - muitos edifícios hospitalares modernos têm janelas pequenas e pouca iluminação interna que permanece ligada dia e noite. Isso é problemático, porque pouca luz do dia e muita luz artificial à noite prejudicam nossos ritmos biológicos e o sono. Ritmos desalinhados ou restritos são uma característica comum dos pacientes hospitalares. Para agravar o problema, certos medicamentos, incluindo a morfina, também podem alterar o tempo dos relógios circadianos, enquanto o sono dos pacientes - também crítico para sua capacidade de se curar - pode ser ainda mais interrompido por dor, preocupação ou ruído. Isso leva a perguntas sobre quão seriamente isso está impedindo sua recuperação e sobrevivência. Algumas das evidências mais fortes vêm de pacientes com doenças cardíacas. Como outros tecidos, o sistema cardiovascular tem um ritmo circadiano forte - nossa frequência cardíaca e pressão arterial são mais baixas quando dormimos, mas aumentam acentuadamente ao acordar; nossas plaquetas, pequenos fragmentos de sangue que ajudam o sangue a formar coágulos, são mais pegajosas durante o dia; enquanto os níveis de hormônios como a adrenalina, que contraem nossos vasos sanguíneos e fazem o coração bater mais rápido, também são mais altos durante o dia. Essas variações circadianas afetam eventos cardíacos graves, como ataques cardíacos. "Se você monitora as pessoas que entram nas enfermarias de emergência, descobre que é mais provável que ocorram ataques cardíacos entre as 6h e o meio-dia em comparação com qualquer outra hora do dia ou da noite", diz Martino. No entanto, o tempo também pode afetar nossa capacidade de nos recuperarmos de uma lesão cardíaca. Impacto do horário da cirurgia Um estudo recente sugeriu que, para as pessoas submetidas à cirurgia de substituição da válvula cardíaca, aquelas que realizaram cirurgia à tarde tiveram metade do risco de sofrer um evento cardíaco importante durante os 500 dias seguintes, em comparação com as que foram submetidas à cirurgia matinal. Se todos os pacientes foram submetidos à cirurgia à tarde, isso pode resultar em um grande problema sendo evitado para cada 11 pacientes, calcularam os pesquisadores. Outros estudos indicaram que, para pacientes em recuperação de um ataque cardíaco ou cirurgia cardíaca, aqueles com maior exposição à luz do dia têm maiores taxas de sobrevida e saem mais cedo do hospital. Estudos em animais estão fornecendo informações sobre o porquê disso. Quando Martino e seus colegas expuseram grupos de ratos a ciclos claro-escuro normais ou interrompidos após ataques cardíacos simulados, eles encontraram diferenças significativas no número e tipo de células imunes que se uniram ao coração, na quantidade de tecido cicatricial - e, também, taxas de sobrevivência. Os ratos cujos ritmos circadianos foram interrompidos, como poderia ocorrer durante uma internação hospitalar, eram mais propensos a morrer de lesão cardíaca. Estudos posteriores revelaram diferenças no tipo e número de células imunes que se infiltram no tecido cardíaco lesionado, dependendo da hora do dia em que a lesão ocorre. "Algumas unidades de terapia intensiva ou unidades de tratamento cardíaco diminuem as luzes um pouco à noite, o que é um pouco útil, mas outras nem diminuem", diz Martino. "Por exemplo, se as pessoas entram em enfermarias de emergência e não há camas disponíveis, elas podem ficar sob luz intensa a noite toda - ou podem estar em um corredor a noite toda, depois de um ataque cardíaco ou derrame. E, portanto, obviamente, o sono e os ritmos circadianos serão profundamente perturbados durante os primeiros dois dias, essenciais para a cura." Então o que fazer sobre isso? Agendar cirurgia para quando o corpo está em melhor posição para lidar com ele é uma solução. Para cirurgia cardíaca, pode ser à tarde, mas pode ser diferente para outras intervenções. Por exemplo, o estudo de O'Neill sobre a cicatrização de feridas sugeriu que mais colágeno seja aplicado quando as lesões são sustentadas durante o dia, o que pode estar associado a uma maior cicatrização. "Para a cirurgia estética, pode-se dizer que é melhor realizar a cirurgia muito mais tarde - possivelmente à noite - porque levaria mais tempo para curar, mas pode resultar em menos cicatrizes", especula ele, enfatizando que ninguém ainda testou isso. Outra solução pode ser a instalação dos chamados sistemas de iluminação circadiana ou centrada no ser humano, que variam em intensidade e cor ao longo de 24 horas, tentando imitar as condições naturais de iluminação ao ar livre. No hospital Glostrup, em Copenhague, na Dinamarca, os médicos têm medido o impacto desse sistema na enfermaria de reabilitação de AVC. Os dados até o momento sugerem que os pacientes exibem ritmos circadianos mais robustos em resposta ao sistema de iluminação circadiano e mostram depressão e ansiedade reduzidas, em comparação com os de uma seção da enfermaria com iluminação hospitalar convencional. Pode até ser possível criar medicamentos que possam estabilizar ritmos circadianos em pacientes hospitalizados - ou paralisá-los por tempo suficiente para realizar a cirurgia no momento ideal de recuperação. Tais moléculas já estão sendo testadas em animais, com resultados promissores. "No futuro, posso imaginar um mundo em que estamos usando uma pílula circadiana ou a presença ou ausência de luz para curar doenças cardíacas", diz Martino. Luz, sono e tempo; muitas vezes não nos damos conta, mas essas três coisas muito básicas têm o potencial de transformar os cuidados de saúde.

15/09 - 2019


A Era do Plástico: o uso do material pode marcar o inicio do Antropoceno?



No ritmo que estamos seguindo, tudo indica que o plástico será um dos maiores vestígios que deixaremos para o mundo; pesquisas estimam que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano. Será que podemos dizer que estamos vivendo a era do plástico? Getty Images/ BBC Imagine como seria uma aula de história em uma escola no ano 3000. Que rastros teríamos deixado os estudantes que habitam a Terra? Assim como conhecemos hoje as ferramentas primitivas da Idade da Pedra ou as armas mais sofisticadas da Idade do Ferro, que vestígios veriam de nossa era? No ritmo que estamos seguindo, tudo indica que o plástico será um dos maiores vestígios que deixaremos para o mundo. Um novo estudo revela que a grande quantidade de plástico que usamos está sendo marcada no registro fóssil do planeta. Portanto, alguns cientistas afirmam que estamos na Era do Plástico. "Estamos usando tanto plástico que é por isso que seremos lembrados", disse à BBC Jennifer Brandon, bióloga microplástica da Universidade da Califórnia (EUA) e autora da pesquisa. Um fóssil eterno Pesquisas estimam que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano Getty Images/ BBC Para chegar a essa conclusão, Brandon e sua equipe analisaram sedimentos do fundo do mar perto da costa da Califórnia, que datam de 200 anos atrás. Ao analisar seus compostos, eles notaram que a partir de 1940 a quantidade de plásticos microscópicos dobrava a cada 15 anos. Em 2010, quando as amostras foram coletadas, as pessoas estavam depositando plástico no mar a uma taxa 10 vezes maior do que antes da Segunda Guerra Mundial. "É como se estivéssemos fazendo chover plástico no oceano", diz Brandon. A bióloga diz que sua descoberta reforça a ideia de que o acúmulo de plástico pode ser usado como um indicador do início do Antropoceno, uma era geológica proposta pela comunidade científica que se caracteriza pelas mudanças que os seres humanos causaram no planeta. O estudo de Brandon sugere que "nosso amor pelo plástico" é um dos marcos que indicam o início do Antropoceno. "O plástico é um marcador biológico perfeito porque nunca se degrada", diz Brandon. "Dura quase para sempre." Uma pegada prejudicial O plástico é popular há apenas 75 anos, mas a marca que ele deixa é duradoura. As amostras analisadas por Brandon e sua equipe revelam que a maior parte do plástico contido no fundo do mar veio de fibras de roupas, mas também foram encontrados fragmentos de materiais de sacolas e outros tipos de partículas. Pesquisas anteriores estimaram que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano. Outros estudos mostraram que os organismos marinhos que ingerem plástico sofrem danos que se espalham por toda a cadeia alimentar. Muitos morrem depois de ingerir o produto. Um relatório sobre o futuro dos mares, divulgado recentemente pelo governo do Reino Unido, alertou que a quantidade de plástico no mar pode triplicar em uma década, a menos que o lixo seja contido. Cinco nações asiáticas - China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Tailândia - respondem por até 60% do lixo plástico que acaba nos oceanos, de acordo com um relatório de 2015 da Ocean Conservancy e do McKinsey Center for Business and Environment. Com esse tipo de resíduo despejado na água em uma escala que chega a milhões de toneladas por ano, desde plânctons minúsculos até baleias enormes acabam ingerindo esse material acidentalmente ao se alimentar ou ao confundi-lo com o próprio alimento. A explicação de pesquisadores é que o plástico não só parece, mas também tem cheiro de comida. Uma questão existencial Brandon diz que os seres humanos "se tornaram dependentes do plástico", mas adverte que ela não defende sua eliminação completa de nossas vidas. Para ela, a chave é mudar alguns hábitos e usar apenas o estritamente necessário. "É uma questão existencial", diz ela. "Nossas decisões diárias estão sendo registradas no oceano. Queremos ser lembrados por essa quantidade de plástico?"

15/09 - 2019


Tem receita para o médico dar uma má notícia?



Protocolo ensina essa tarefa difícil na qual a empatia tem papel fundamental Médicos dão más notícias o tempo todo, embora nem todas sejam terríveis. Vão desde as que incomodam temporariamente, como não pegar peso durante duas semanas, passando pelas sérias, como iniciar um tratamento para manter a pressão estável, até as mais dramáticas, como anunciar a morte de um ente querido ou a existência de uma doença grave ou terminal. Do outro lado, está um ser humano: às vezes disposto a cooperar, ou então, em situação de enorme fragilidade emocional. O progressivo envelhecimento da população levará a um número cada vez maior desse tipo de conversa, que demanda não apenas treinamento, mas também empatia por parte dos profissionais de saúde. Em 1992, o oncologista Robert Buckman lançou um livro que se mantém como referência no meio: “How to break bad news”. Ele criou um protocolo denominado SPIKES, que se refere a um acrônimo em inglês organizando seis etapas a serem seguidas. A primeira letra é a do “setting up”: preparar um ambiente acolhedor para dar a notícia. A segunda é “perception”, na qual o médico deve observar o quanto o paciente já sabe sobre seu diagnóstico e prognóstico. Na terceira, “invitation”, a preocupação é avaliar o quanto ele deseja saber sobre o diagnóstico, além do seu preparo emocional para receber a informação. O quarto passo é “knowledge”: a hora de dar a notícia propriamente dita, de forma clara, realista, mas também acolhedora. A quinta etapa é a chamada “emotions”, quando se lida com as diversas emoções do paciente, sempre com empatia. Por último, “strategy and summary” é quando as estratégias terapêuticas devem ser consideradas, mostrando as possibilidades de tratamento. A hora de dar uma má notícia ao paciente: o progressivo envelhecimento da população levará a um número cada vez maior desse tipo de conversa, que demanda empatia por parte dos profissionais de saúde https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16857593 Para ele, não se tratava de um protocolo a ser seguido apenas em casos de um quadro grave e irreversível: “má notícia é qualquer notícia que altera, negativa e drasticamente, a visão do paciente sobre seu futuro”, sempre ressaltou. Nesse caso, podemos incluir todas as doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes, que demandam engajamento para que o tratamento funcione. A questão ainda é sensível para muitos médicos. Embora hoje haja consenso de que o treinamento dos profissionais de saúde é indispensável, nem sempre a conversa funciona como deveria. Se o doutor adia a comunicação, falando de generalidades, pode tornar ainda mais difícil o momento da má notícia. Se suaviza em excesso a situação, como se estivesse “dourando a pílula” quando o caso é grave, pode acarretar a desconfiança do paciente. E se emenda o comunicado com uma enxurrada de informações sobre o tratamento e próximos passos, não dá tempo para a pessoa assimilar o que está acontecendo e lidar com as emoções que afloram. O momento da escuta de quem está ali, recebendo o diagnóstico, é tão importante quanto anunciar o protocolo para combater a doença. Talvez todos devêssemos ter um papo com nossos médicos para saber como eles se comportariam ao nos dar esse tipo de notícia.

14/09 - 2019


Como funcionaria um 'viável' elevador até o espaço, segundo pesquisadores



Batizado de Cabo Espacial, o modelo desenvolvido por Zephyr Penoyre e Emily Sandford propõe 'ancorar' na Lua um cabo que se estende à zona de gravidade da Terra. Batizado de Cabo Espacial, modelo propõe 'ancorar' na Lua um cabo, o que dispensaria o uso de foguetes AFP Parece uma ideia tirada da ficção científica. E, certamente, diversas obras do gênero - a começar por "As Fontes do Paraíso" (1979), de Arthur C. Clarke - flertaram com a possibilidade de construção de um elevador entre a terra e o espaço. A proposta, no entanto, também foi levada seriamente em consideração por diversos cientistas desde que Kosntantin Tsiolkovski, tido como pai da cosmonáutica soviética, propôs em 1895 a construção de uma torre de 35.786 km. Uma estrutura dessa, sugeria Tsiolkovski, permitiria colocar objetos em órbita geoestacionária da Terra sem a necessidade de foguetes. Desde então, uma série de estudos científicos desenvolveu o conceito em torno de baratear o custo de escapar da atração gravitacional de nosso planeta. O grande problema, no entanto, é que a construção de uma estrutura desse porte implica desafios que até agora eram impossíveis de serem superados, mesmo teoricamente. À época de Tsiolkovski, que dizem ter se inspirado na Torre Eiffel, não existiam materiais suficientemente resistentes para tirar a ideia do papel, entre outros problemas. O desafio durou até a década de 1960, quando uma equipe de engenheiros americanos aventou a possibilidade de utilizar um cabo preso a um satélite na órbita geoestacionária. 'Cabo espacial' Diversos outros cientistas continuaram trabalhando em busca da solução do problema, incentivados pela Nasa e outras agências espaciais. Nos anos 1990, houve um novo avanço: o desenvolvimento de nanotubos de carbono levou a Nasa a se convencer que era factível um elevador espacial. E no fim de agosto deste ano, dois pesquisadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e de Columbia, nos Estados Unidos, apresentaram uma nova proposta de elevador espacial que é viável com tecnologia atual, segundo eles. Batizado de Cabo Espacial, o modelo desenvolvido por Zephyr Penoyre e Emily Sandford propõe "ancorar" na Lua um cabo que se estende à zona de gravidade da Terra. "Com os materiais atuais, é possível construir um cabo que se estenda até a altura da órbita geoestacionária, o que facilitaria a viagem e a construção entre a Terra e a Lua", disseram eles em um artigo para a revista Acta Astronomica, disponível no portal ArXiv, da Universidade Cornell. O tal cabo, estimam os pesquisadores, teria que ser bastante estreito em suas extremidades, para não desmoronar devido à pressão gravitacional. E também precisaria ser amplo no centro, a fim de impedir sua quebra. Assim, em vez de gerar um impulso forte o suficiente para deixar a órbita da Terra, os astronautas teriam apenas que alcançar a extremidade inferior desse Cabo Espacial. Segundo a revista Futurism, nesse modelo "a nave espacial se prenderia a um transportador alimentado por energia solar que subiria por meio do cabo". "Esse cabo seria uma infraestrutura muito parecida com as primeiras ferrovias: o transporte de pessoas e suprimentos seria muito mais simples e fácil do que uma viagem espacial típica", afirmou Penoyre à publicação. Num futuro próximo No artigo, os pesquisadores de Cambridge e Columbia asseguram que os nanotubos de carbono seria resistentes o suficiente para servir à estrutura. Mas admitem que hoje não é possível fabricá-los em escala, e por isso não descartam o uso de outros materiais. A viabilidade da ideia de um elevador espacial foi ratificada neste ano pela Academia Internacional de Astronáutica em relatório especial sobre o tema. Em O Caminho para a Era do Elevador Espacial, a instituição afirma que a possibilidade de fabricação em larga escala de grafenos monocristalinos (inclusive mais resistentes que nanotubos de carbono) torna a construção da estrutura bem mais próxima do que muitos pensam.

14/09 - 2019


Como liberação da maconha impacta vendas de sorvete, álcool e camisinha



Segundo pesquisadores, logo após a liberação do uso recreativo de maconha em Estados americanos houve um aumento de 3,1% no consumo de sorvete, 4,1% de biscoitos e 5,3% de salgadinhos. A análise se baseia nas vendas registradas em lojas varejistas entre 2006 e 2016. Pesquisadores notaram aumento no consumo de sorvete, biscoitos e salgadinhos em Estados americanos com uso liberado de maconha AFP Porta de entrada ou estímulo para outras drogas? Explosão do número de usuários? Aumento dos casos de violência e de doenças mentais? Alta da venda de bebidas alcoólicas? Avanço da natalidade e da obesidade? Afinal, o que pode acontecer ao comportamento da sociedade que libera o consumo de maconha? Pesquisadores têm mapeado há décadas efeitos diversos da liberação dessa droga em Estados americanos, onde foi possível perceber recentemente, por exemplo, tanto um consumo menor de álcool e camisinha quanto um aumento das vendas de junk food. "Identificamos que maconha e junk food são complementares, ou seja, a venda de guloseimas cresce com a legalização dessa droga", afirmou Michele Baggio, um dos autores do artigo e professor do departamento de Economia da Universidade de Connecticut, à BBC News Brasil. Segundo ele, logo após a liberação do uso recreativo de maconha houve um aumento de 3,1% no consumo de sorvete, 4,1% de biscoitos e 5,3% de salgadinhos. A análise se baseia nas vendas registradas em lojas varejistas entre 2006 e 2016. Ele ressalta que esse estudo foi feito com base em informações concretas de consumo, e não em respostas que entrevistados de uma determinada amostra dá por meio de questionários e entrevistas. Os pesquisadores compararam dados estatísticos de condados localizados nas divisas de Estados que liberaram o consumo de maconha com outros localizados nos vizinhos proíbem a substância. O objetivo foi evitar que outras variáveis pudessem influenciar os resultados dos estudos, que levaram em conta também recessos estudantis, sazonalidade e aumento da população. Mas o que mais pode acontecer com a liberação além dos conhecidos efeitos ligados ao uso medicinal? 'Larica' e obesidade Uma série de estudos científicos apontou que o THC (tetrahidrocanabinol), componente ativo da maconha, atua na região do cérebro responsável pelo apetite, e pode afetar a fome sentida, o olfato, o prazer em comer e a saciedade, por exemplo. Para Michele Baggio, da Universidade de Connecticut, e Alberto Chong, da Universidade Estadual da Georgia, o estudo que associa liberação da maconha e aumento do consumo de junk food pode municiar políticas públicas de Estados que discutem a legalização de drogas enquanto lidam com a obesidade da população. Mais de 30% dos adultos na América do Norte são considerados obesos. O excesso de peso tem um impacto de até US$ 210 bilhões por ano em gastos diretos e indiretos em saúde nos Estados Unidos, segundo estimativa do governo americano. A liberação da maconha para uso recreativo tem impacto no peso da população ou pode agravar a atual epidemia de obesidade? Estudos publicados nos Estados Unidos na última década dizem não. Um dos mais recentes foi produzido pela Universidade de Michigan a partir de dados de 33 mil pessoas ao redor dos Estados Unidos ao longo de três anos. O trabalho acadêmico identificou, por exemplo, que o consumo de maconha tem pouca correlação com a obesidade - e costuma levar a um ganho de peso pouco significativo. No grupo estudado, houve ganho generalizado de peso entre todos os ouvidos, mas em menor grau entre aqueles que dizem consumir maconha. Há uma série de hipóteses, entre elas a mudança de neurônios relacionados à saciedade (compensando o aumento de apetite), a adoção de hábitos mais saudáveis para compensar o uso de uma droga e um impacto positivo da maconha sobre a incidência de desordens ligadas à obesidade, além de diferenças metabólicas entre as pessoas presentes no estudo. Estudos mapearam impacto do uso de maconha na alimentação e no comportamento sexual BBC/GettyImages Menos álcool, uso medicinal incentiva o recreativo A correlação entre o consumo de maconha e de álcool já foi tema de dezenas de estudos que tentavam entender: uma substância substitui a outra ou elas são consumidas juntas? Segundo uma revisão crítica de 39 deles, feita pela bioestatística Meenakshi Subbaraman, da entidade americana Grupo de Pesquisas sobre Álcool, 16 desses trabalhos indicam que maconha e bebida alcoólica são substitutas e 12 apontam que elas são complementares. Em agosto passado, Baggio e Chong, desta vez acompanhados de Sungoh Kwon, da Universidade de Connecticut, publicaram um artigo novamente baseado em vendas do comércio varejista. Mas desta vez o trio de pesquisadores investigou a correlação entre o consumo de álcool e a liberação da maconha para uso medicinal. Segundo o estudo, os condados que liberaram a droga para esse fim registraram uma queda de 12,4% nas vendas de bebidas alcoólicas, principalmente cerveja e vinho. "A legalização da maconha medicinal nesse caso é relevante porque há uma extensão significativa dessa liberação para pessoas que usam a droga de modo recreativo", explica Baggio à BBC News Brasil. O pesquisador afirma que essa queda das vendas de álcool não indica, no entanto, que pessoas que usavam cerveja e vinho como automedicação trocaram essas substâncias por maconha medicinal. Mais sexo inseguro, maior natalidade É consenso no meio acadêmico que o uso de maconha impacta negativamente tanto a fertilidade masculina quanto a feminina – há efeitos colaterais como queda na contagem de espermatozoides e desregulação do ciclo menstrual. Por outro lado, estudos apontam desde os anos 1980 uma correlação positiva entre o consumo dessa droga e um comportamento sexual de risco, como a prática de sexo sem camisinha e com múltiplos parceiros. Mas essas pesquisas têm dificuldade de provar que uma atitude é causa da outra. Em novembro passado, um terceiro estudo liderado por Michele Baggio procurou entender o impacto da liberação da maconha medicinal nas vendas de camisinha e nas taxas de natalidade. Foram analisados dados entre 2004 e 2014. Segundo o artigo, a taxa de nascimentos por 10.000 mulheres em idade fértil passou de 4 para 5,3 em Estados que liberaram o uso da droga para fins medicinais. Já a venda de camisinhas no varejo caiu 4,3%. "Não é possível falar com confiança se esse impacto é uma clara evidência de atividade sexual de alto risco", afirmam os pesquisadores. O trio de cientistas ressalta em todos os estudos, por fim, que as pesquisas precisam ser aprofundados e as mudanças de comportamento em decorrência da liberação da maconha, acompanhados.

14/09 - 2019


Controverso tratamento que promete atrasar a menopausa em 20 anos deve chegar ao Brasil em 2020



Cientistas retiram partes do ovário da mulher, congelam e reimplantam anos depois para impedir menopausa. Tratamento pode custar mais de R$ 50 mil. É vantajoso para mulheres optarem por atrasar a menopausa em até 20 anos? Getty Images/ BBC Se você pudesse atrasar a menopausa, faria isso? É algo que parece tão improvável que, certamente, poucas mulheres se fazem essa pergunta. Agora, porém, a clínica inglesa ProFam coloca na mesa um tratamento que, segundo eles, pode atrasar a menopausa em até 20 anos. Eles conseguem fazer isso removendo o tecido ovariano para congelá-lo e reimplantar quando o paciente entra no estágio da vida que muitas temem e que geralmente ocorre após 45 anos. A menopausa chega quando os ovários param de gerar estrogênio e progesterona. Este enxerto faz com que eles continuem a produção desses hormônios sexuais femininos. Assim, a mulher continua a ovular e ter períodos durante o tempo em que o enxerto funciona, que geralmente dura cerca de sete anos, conforme explica Simon Fishel, um dos fundadores da clínica e pioneiro na fertilização in vitro. A técnica não é nova, como ele admite: é usada há anos para preservar a fertilidade feminina. A novidade é o novo uso que o ProFam oferece: evitar a menopausa. "A comunidade científica observa esses transplantes há 20 anos. Eu diria que nos últimos cinco ou sete anos ocorreu um debate debate interessante... Devemos ter essa conversa para dar à geração mais jovem a chance de decidir", diz Fishel. No entanto, nem todos os especialistas pensam como ele, então o assunto não ficou isento de polêmicas. Menopausa e fertilidade A técnica usada pelo ProFam consiste em remover, por meio de uma cirurgia que dura meia hora, entre um terço e metade do córtex do ovário, onde os folículos que podem amadurecer para se tornarem óvulos são encontrados. "O ovário continua funcionando, absolutamente. Depois de usar uma técnica semelhante com pacientes com câncer por 20 anos, posso dizer. Não há redução de fertilidade ou redução de material nos anos da pré-menopausa", diz Fishel. Tratamento completo pode passar dos R$ 50 mil Getty Images/ BBC Os cientistas dividem o tecido em "tiras". Eles são congelados para ser reimplantados no futuro. Quando isso acontece, sua eficácia depende da quantidade de "bons óvulos" que eles contêm, de acordo com o especialista. "Se conseguirmos nove tiras, podemos implantar três na primeira vez. Se durarem seis ou sete anos, quando esse enxerto de três falhar, faremos um novo transplante. Chamamos de transplante episódico". Fishel pratica esse procedimento há anos em pacientes com câncer cuja fertilidade estava em risco. É baseado nessa experiência que ele afirma que a técnica pode atrasar a menopausa em 20 anos. As pacientes que mais se beneficiariam, segundo o especialista, são aquelas com menos de 40 anos de idade. Embora Fishel acredite que, dependendo do histórico familiar e da reserva ovariana, esse limite pode ser estendido excepcionalmente para 43 anos. Aquelas com menos de 35 anos poderiam até conservar esse tecido com dois objetivos: atrasar a menopausa e preservar a fertilidade. A cirurgia custa entre 6.000 e 7.000 libras esterlinas (de R$ 30 mil a R$ 35 mil, aproximadamente), que teriam que adicionar as 4.000 libras do implante (cerca de R$ 20 mil) e os custos de conservação de tecidos, que seriam " pelo menos 100 libras por ano" (quase R$ 500), segundo Fishel. A partir do próximo ano, também poderá ser realizado no Brasil, onde o ProFam planeja abrir uma filial. Mas por que alguém iria querer atrasar a menopausa? "Acho que sintomas como mudanças de humor, ansiedade ou ondas de calor não são medicamente ameaçadores, até certo ponto, mas também não são leves", diz Fishel. "Algumas mulheres dizem: 'Tivemos esses sintomas, sofremos e continuamos com nossas vidas.' Entendo, mas também sabemos que 60% das mulheres que passam pela menopausa precisam de atenção médica e retornam ao médico por razões de todos os tipos, como para mudar de medicação, pois a terapia hormonal não funciona ou não é apropriada." "Para essas mulheres que sofrem os sintomas mais graves, como osteoporose, doenças cardiovasculares e disfunção cognitiva, retardar a menopausa pode melhorar muito sua qualidade de vida". O novo tratamento da ProFam, no entanto, teve uma recepção morna pela comunidade científica. Como explicou o médico espanhol especializado em Ginecologia e Obstetrícia José Luis Neyro, é verdade que a menopausa pode levar a uma perda significativa de qualidade de vida. "Sabe-se que o déficit de estrogênio está relacionado à má administração de gorduras pelo organismo. Com a perda desse hormônio, minerais são perdidos nos ossos e a massa óssea é perdida. Em relação a tudo isso, aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, trombose, osteoporose e fraturas", disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. A isso se acrescenta a possibilidade de ter insônia, sudorese noturna, sufocamento, secura vaginal ou perda do desejo sexual. "Mas também sabemos nos últimos 25 anos que a terapia hormonal, quando administrada criteriosamente, pode reverter todos esses problemas, principalmente entre as mulheres que apresentam sintomas graves", diz Neyro. O especialista questionou as razões pelas quais alguém iria querer adiar a menopausa. "Não há como prever quando a menopausa ocorrerá ou quais sintomas ela terá. Também não há como dizer a priori quanto tempo essa sintomatologia durará para uma mulher e por que isso não acontece com sua vizinha". "Eu tenho um princípio que diz que nem tudo que é tecnicamente viável deve ser realizado." "Primeiro lugar, a cirurgia é mínima, mas não posso garantir que não terei complicações. Segundo, quando retiro o córtex do ovário, subtraio parte dos folículos primordiais, o que teoricamente faz diminuir a vida do ovário". "A ideia me incomoda um pouco, principalmente porque eu não sei quando a menopausa aparecerá... Talvez essa paciente pertença ao grupo de mulheres que não sofrerão nenhum sintoma." Segundo Neyro, é necessário fazer um ensaio clínico antes de colocar na rua "a oferta de possibilidade terapêutica". A Sociedade Britânica da Menopausa (BMS, por sua sigla em inglês) concorda com Neyro. Em uma declaração, a entidade reconheceu a eficácia dos enxertos de tecido ovariano para preservar a fertilidade. Mas ele observou "várias limitações" que "deveriam ser mais valorizadas antes de incluir esta técnica na prática clínica padrão para retardar a menopausa". Entre elas, a falta de estudos e uma amostra maior de casos práticos que foram acompanhados a longo prazo para comprovar a eficácia do tratamento no momento do adiamento da menopausa. Durante o primeiro mês de funcionamento da ProFam, 11 mulheres foram submetidas à cirurgia. De acordo com Fisher, "não são muitas" e o tecido acaba de ser removido, portanto, é preciso esperar até que cheguem à idade da menopausa para reimplantá-lo e ainda mais tempo para ver os resultados. Mas o especialista argumentou que o tratamento já se mostrou eficaz na continuação da produção de hormônios sexuais femininos, embora tenha sido aplicado com outra intenção: preservar a fertilidade. "Entre as pacientes com câncer que fizeram isso, 95% começaram a ter hormônios aos quatro ou cinco meses". "Eu estive envolvido no início da fertilização in vitro, 40 anos atrás, e quase todos os nossos colegas e a sociedade eram contra. Hoje, cerca de 40 milhões de pais provavelmente são gratos por termos tentado, apesar de termos ido contra a comunidade científica geral", diz Fisher. "O mesmo pode estar acontecendo neste debate. Não sabemos, mas acho que chegou a hora de dizer às gerações mais jovens que já está disponível, caso queiram pensar sobre o assunto".

14/09 - 2019


Você cuida bem do seu intestino? Faça o quiz e descubra


Com ajuda do gastroenterologia Décio Chinzon, secretário geral da Federação Brasileira de Gastroenterologia, o G1 elaborou perguntas para você saber se está mantendo hábitos saudáveis Você cuida bem do seu intestino? Faça o quiz e descubra

13/09 - 2019


Cientistas capturam pela primeira vez a imagem de um cometa vindo de outro sistema solar



O registro em cores do C/2019 Q4 (Borisov) foi feito na madrugada de terça-feira (10); objeto interestelar leva o nome do astrônomo russo Gennady Borisov, que o avistou pela primeira vez em 30 de agosto desse ano. Imagem do cometa C/2019 Q4 (Borisov) composta com duas cores pelo observatório Gemini Gemini Observatory/NSF/AURA Astrônomos do observatório Gemini, no Havaí (EUA), conseguiram capturar a imagem de um cometa interestelar, pela primeira vez. Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (13), os pesquisadores informaram que o registro foi feito na madrugada de 10 de setembro. O cometa foi descoberto em 30 de agosto de 2019 pelo russo Gennady Borisov O observatório Gemini captou a imagem do objeto em cores em 10 de setembro É a primeira vez que um cometa de outro Sistema Solar consegue se aproximar Antes, um asteroide interestelar pôde ser observado em nosso Sistema Descoberto em 30 de agosto, o cometa C/2019 Q4 foi avistado pela primeira vez pelo astrônomo amador russo, Gennady Borisov. Sua trajetória hiperbólica é uma das evidências de que sua origem é interestelar, ou seja, de fora do nosso Sistema Solar. "Essa imagem foi possível devido à capacidade do telescópio se Gemini ajustar rapidamente para observar objetos como esse, que têm janelas muito curtas de visibilidade" disse em nota Andrew Stephen, coordenador de observações do laboratório havaiano. Cientistas descobrem vapor de água em planeta com a massa de 10 Terras Mancha vermelha em Júpiter é um furacão do tamanho da Terra Ele garantiu que teve que "brigar por esta foto", pela dificuldade em registrar este objeto que se desloca por um percurso próximo à trajetória aparente do sol. Segundo o observatório, com a aproximação do cometa, as condições de observação deste fenômeno será mais favorável nos próximos meses. Cauda do cometa O registro mostra uma cauda que indica a presença de gases, um indicativo para que este objeto seja realmente um cometa. Os astrônomos do Havaí explicaram que é a primeira vez que um visitante interestelar apareceu com esta característica. O único outro objeto de fora do Sistema Solar que foi observado por pesquisadores foi o asteroide ‘Oumuamua com um formato mais alongado e sem esta cauda resultante do descongelamento dos gases que formam o cometa.

13/09 - 2019


Brasil confirma 3.339 casos de sarampo desde junho, 16 estados registram surto



Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul passam a integrar a lista de estados com surto ativo da doença em novo boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Ministério da Saúde. A vacinação é a forma mais eficaz na proteção contra o sarampo Susan Hortas/Divulgação O Brasil confirmou 3.339 novos casos de sarampo no país desde junho, quando um novo surto da doença teve início. De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado nesta sexta-feira (13), dezesseis estados registram surto ativo da doença. Em 90 dias foram notificados 24.011 casos suspeitos A maioria dos casos confirmados está em São Paulo (97,5%) Não houve novos registros de óbitos, foram 4 mortes confirmadas Crianças são mais suscetíveis às complicações e mortes por sarampo Vacinação é a melhor forma de se proteger contra o sarampo O boletim aponta que, nos últimos três meses, os casos confirmados neste surto representam 89% do total de casos em 2019. Neste período foram notificados em todo o país 24.011 casos suspeitos. Destes, 73,8% seguem em investigação (17.713) e 12,3% foram descartados (2.957). Veja onde se vacinar em São Paulo Veja quem deve se vacinar contra o sarampo no resto do Brasil O estado de São Paulo concentra a maioria (97,5%) dos casos, com 2.708 confirmados e três das quatro mortes por sarampo registradas no país até agora. No estado, duas crianças e um adulto faleceram pela infecção. Outra morte de uma criança foi confirmada em Pernambuco. Veja os estados com mais casos confirmados: São Paulo (3.254) Rio de Janeiro (18) Pernambuco (13) Minas Gerais (13)* Santa Catarina (12) Paraná (7) Rio Grande do Sul (7)* Maranhão (3) Goiás (3) Distrito Federal (3) Mato Grosso do Sul (1)* Espírito Santo (1) Piauí (1) Rio Grande do Norte (1) Bahia (1) Sergipe (1) *estados que agora têm novos casos confirmados da doença Aumento dos casos O último registro do ministério, de 4 de setembro de 2019, era de 2.753 casos de sarampo no país, desde junho. O aumento no número de ocorrências se deve principalmente à confirmação clínica de casos que estavam em investigação, segundo o Ministério da Saúde. Caxumba: baixa adesão à vacina contribui para o aparecimento da doença De acordo com a pasta, nos primeiros meses de 2019, o governo conseguiu interromper a transmissão do vírus do sarampo na região Norte. Alguns meses depois, novos casos foram importados de Israel, Malta e Noruega, iniciando uma nova cadeia de transmissão dentro do país. Quais são os grupos prioritários? O governo federal orientou que todos os bebês entre seis meses e menos de um ano devem tomar uma "dose extra" da vacina. Em São Paulo, que concentra a maioria dos casos, a atual campanha contra o sarampo também busca imunizar jovens de 15 a 29 anos. Vacina contra sarampo a partir dos 50 anos: saiba quando tomar Além disso, a recomendação é para que todos sigam o Calendário Nacional de Vacinação. Em todo o país, a vacinação contra sarampo na rede pública só ocorre até os 49 anos. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Infografia: Karina Almeida/G1 Campanha de outubro O sarampo ganhará destaque na tradicional campanha de vacinação do ministério, que começa em outubro e será feita em duas etapas para interromper a circulação do vírus no país. Primeira etapa Entre 7 a 25 de outubro, vacinação de crianças de seis meses a menores de 5 anos. O dia D para as crianças acontecerá em 19 de outubro. Segunda etapa De 18 a 30 de novembro, o foco é a população de 20 a 29 anos. O dia D para jovens e adultos será em 30 de novembro. Surto no Brasil Antes considerado um país livre do sarampo, o Brasil perdeu o certificado de eliminação da doença concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em fevereiro deste ano, após registrar mais de 10 mil casos em 2018. O surto aconteceu principalmente nos estados de Amazonas e Roraima. Durante as décadas de 1970 e 80, o sarampo ainda era umas das principais causas de mortalidade infantil no Brasil. A partir de 1999, o país não registrou mais mortes pela doença, o que só voltou a ocorrer em 2018. Sarampo: quem pode tomar a vacina? Initial plugin text

13/09 - 2019


Cientistas chineses usam método de edição de DNA para tratar paciente com HIV



Tentativa era curar ao mesmo tempo leucemia e infecção pelo HIV em uma pessoa de 27 anos. Estudo não chegou à cura para a Aids, mas obteve avanços. Células do vírus HIV (viriões), em imagem microscópica produzida em 2011 Maureen Metcalfe, Tom Hodge/CDC/AP Pela primeira vez, cientistas chineses conseguiram usar o método Crispr de edição de DNA para tentar curar uma pessoa que vive com o vírus HIV. Eles implantaram no paciente células de sangue alteradas em laboratório para serem resistentes à infecção do vírus. Embora não tenham conseguido a cura para o HIV, o método se mostrou um avanço na pesquisa, segundo o grupo de cientistas. O estudo foi publicado na revista "The New England Journal of Medicine", na quarta-feira (11). O método Crispr vem sendo amplamente usado em pesquisas de laboratório, e esse grupo de cientistas chineses foi bastante criticado pela comunidade científica, no ano passado, quando revelou ter usado esse método em embriões, levando ao nascimento de duas meninas gêmeas. A edição do DNA de embriões ainda é considerada arriscada demais, em parte porque as mudanças provocadas no genoma podem passar para futuras gerações. Como foi usado o método A edição de genes altera permanentemente o DNA, o "código da vida" de um organismo. O método Crispr ainda é relativamente novo. Por meio dele, cientistas podem cortar um pedaço do DNA e inserir outro, em um ponto específico. Método Crispr permite 'editar' o DNA Betta Jaworski Neste caso específico, um homem de 27 anos que vive com o vírus HIV precisava de um transplante de células tronco de sangue para tratar uma leucemia - um transplante de medula óssea. Ao mesmo tempo, em tratamentos anteriores, dois outros homens parecem ter sido curados tanto do câncer quanto do HIV, por meio de transplantes de células vindas de doadores com resistências naturais ao HIV. Como esse tipo de doador é extremamente raro, os cientistas chineses tiveram a ideia de criar uma resistência parecida ao HIV, editando o gene específico que possibilita essa resistência. Eles conseguiriam, em laboratório, imitar uma mutação genética. O transplante colocou, de fato, o câncer em remissão. E as células que foram alteradas para resistir ao HIV continuam funcionando, mesmo 19 meses depois. Mas elas correspondem a somente 5% a 8% dessas células sanguíneas. Portanto, a quantidade delas foi superada pelas células que ainda estão infectadas com o HIV. "Elas precisariam alcançar 90% ou mais para que realmente tivéssemos a chance de curar o HIV", explica June. Agora, cientistas estão testando diferentes alternativas para que o método seja mais eficiente. Um dos líderes do estudo, Hongkui Deng, da universidade de Pequim, afirmou que o princípio fundamental da pesquisa estava correto. Sem efeitos indesejados Um dos resultados mais estimulantes, segundo os pesquisadores, é que a edição do DNA neste caso não teve efeitos não desejados sobre outros genes do corpo. June comentou que "uma das preocupações é que formassem uma 'célula Frankestein', que atingiria outros genes em vez daqueles desejados", mas isso não ocorreu. A China está avançando rapidamente nesse tipo de pesquisa e pode chegar a tratamentos viáveis antes que outros países, como os Estados Unidos, segundo a pesquisadora. Grupo de cientistas polêmico O artigo publicado esta semana, cujos autores são vários cientistas chineses, é o primeiro a relatar o uso do método Crispr para tratar uma doença em uma pessoa adulta e, portanto, as mudanças no DNA ficam limitadas àquela única pessoa. A tentativa foi um sucesso em alguns aspectos, mas não é ainda uma cura para o HIV. De qualquer forma, segundo Carl June, pesquisadora da Universidade da Pensilvânia (EUA), o estudo mostra que a edição genética é uma promessa e parece ser uma técnica precisa e segura em pacientes. June é uma especialista em genética que escreveu um comentário na mesma revista científica. "Isso é muito bom para esse campo de pesquisa", afirmou. "Não há nenhuma preocupação com esse estudo, do ponto de vista genético." O governo chinês incentivou financeiramente a pesquisa e manifestou estar de acordo com os procedimentos. Na pesquisa anterior do mesmo grupo, com embriões, esses apoio não foi feito abertamente em todas as etapas.

13/09 - 2019


Esqueletos conhecidos como 'amantes de Modena' eram homens, indica estudo



Os homens viveram em Modena, na Itália, há 1.600 anos atrás e foram encontrados em 2011. Uma nova técnica, que usa proteína de esmalte dos dentes, permitiu a descoberta. 'Amantes de Modena' eram homens, diz estudo Archeomodena/Reprodução/TV Globo Pesquisadores descobriram que dois esqueletos, conhecidos como "os amantes de Modena" por estarem de mãos dadas, eram homens. A descoberta foi publicada no periódico científico Scientific Reports. Os homens viveram em Modena há 1.600 anos atrás. Eles foram encontrados na Itália em 2011 e estavam mal preservados. Até então os cientistas nunca haviam conseguido determinar o sexo dos esqueletos. Uma nova técnica, que usa proteína de esmalte dos dentes, permitiu a descoberta. Os cientistas mapearam a presença de uma proteína que só existe na arcada dentária de homens. A "isoforma Y da amelogenina" estava presente nestes esqueletos. Os pesquisadores dizem que os dois homens foram intencionalmente enterrados de mãos dadas. A relação entre estes homens, no entanto, permanece um mistério, mas a descoberta traz mais informações sobre as técnicas funerárias da época. "A descoberta pode ter implicações profundas na nossa compreensão das práticas funerárias na Itália antiga", dizem os pesquisadores no artigo da Scientific Reports. Pesquisadores descobrem que esqueletos "Os amantes de Modena" são homens

13/09 - 2019


Promessas falsas de cura do câncer geram milhões de visualizações e lucro no YouTube



Maior parte dos vídeos sobre saúde na plataforma é feita por amadores; Brasil é parte de problema global. BBC encontrou mais de 80 vídeos com desinformação relacionada a saúde em 10 línguas diferentes no YouTube Cecilia Tombesi/BBC "Oi, estou com um parente com metástase óssea, você pode me receitar esse remédio?", pede Reginaldo, comentando em um vídeo no YouTube. Sua irmã, de 44 anos, foi diagnosticada com câncer de mama há três anos e está em seu terceiro tratamento de quimioterapia depois que o câncer se espalhou. Reginaldo dos Santos, um vendedor de Vitória da Conquista, na Bahia, procura a solução em um vídeo intitulado "Remédio Caseiro Contra o câncer, tumores e outros". E o remédio receitado é o melão-de-são-caetano, planta de origem asiática. Câncer é a principal causa de morte nos países ricos, diz estudo O autor do vídeo, um homem do interior do Estado do Espírito Santo, é dono do canal "Elizeu Artes e Criação". Em um vídeo, publicado em 2016, ele olha para câmera e diz que a planta "combate tumores e câncer". "De 80% a 90% das células de câncer são desfeitas com melão-de-são-caetano", afirma. O vídeo, que contém anúncios, tem 142 mil visualizações e se mistura a outros de seu canal: "Sal e vinagre tira ou não queimados de panela?", "Como fazer letras 3D", "Como tirar manchas do rosto e limpar a pele com menos de R$ 5". A promessa de curar câncer com melão-de-são-caetano, uma afirmação sem comprovação científica, está entre vídeos de "receitas, artes, experimentos e dicas domésticas". O vídeo é apenas um entre vários em português carregados de desinformação sobre saúde disponíveis na plataforma. Uma investigação exclusiva da BBC Brasil e do BBC Monitoring, braço da BBC que noticia e analisa informações do mundo todo, encontrou vídeos monetizados com desinformação e curas falsas para o câncer em 10 idiomas, incluindo português. Um vídeo "monetizado" significa que é acompanhado por anúncios que podem gerar dinheiro, tanto para os criadores quanto para o YouTube. Em nota, o YouTube disse que "a desinformação é um desafio difícil" e que a empresa toma "diversas medidas para endereçar isso" (leia a resposta completa do YouTube no fim desta reportagem). Fato ou Fake: confira o serviço de monitoramento e checagem de conteúdos duvidosos YouTuber brasileiro diz que melão-de-são-caetano cura câncer, mas não há comprovação científica disso; procurado pela BBC, ele colocou o vídeo em modo privado Reprodução/YouTube Procurando no YouTube por "tratamento para o câncer" e "cura para o câncer" em português, inglês, russo, ucraniano, árabe, persa, hindi, alemão, francês e italiano, a BBC encontrou mais de 80 vídeos com desinformação sobre saúde. Dez dos vídeos encontrados tinham mais de um milhão de visualizações. Um vídeo brasileiro cujo título diz que aranto, uma planta de origem africana, cura câncer, tem mais de 3 milhões de visualizações. Não é uma afirmação verdadeira — não há estudos científicos que a comprovem. Mas milhares de brasileiros procuram por respostas no YouTube. "É muito assustador quando você ou alguém que você ama recebe um diagnóstico de câncer", diz o cardiologista Haider Warraich. "Isso nos faz tomar decisões mais com a emoção do que com a razão." Isso pode ser perigoso porque, como Warraich escreveu no jornal americano New York Times, a "desinformação médica pode provocar um número de corpos ainda maior" que outros tipos de desinformação. Uma pesquisa da Universidade Yale de 2017 concluiu que pacientes que optam por tratamentos alternativos para cânceres curáveis no lugar dos tratamentos convencionais têm maior risco de morte. A ciência, diz Warraich, "é incerta por natureza", enquanto alguns vídeos no YouTube oferecem respostas absolutas, algo que é muito mais atrativo para quem está fazendo justamente isso — procurando soluções. 'Acredito em parte' Para Reginaldo, o YouTube oferece outras soluções que ele não vê na medicina. "Remédio caseiro é sempre melhor que remédio de farmácia." Ele diz que tentou ajudar preparando garrafas de babosa e mel para a irmã consumir paralelamente ao tratamento convencional. "Se os médicos falarem que funciona, eles param de ganhar dinheiro. Eu acredito neles em parte. É que, quando a pessoa está boa, a quimioterapia parece matar mais que a própria doença", lamenta. Outras "curas" sem respaldo científico encontradas pela BBC envolvem o consumo de substâncias específicas, como cúrcuma ou bicarbonato de sódio. Ou então: dietas de sucos, jejum, leite de burra ou apenas água fervente. No Brasil, a maior parte das "curas" envolve frutas e plantas exóticas. Alguns dos vídeos incluem ressalvas como "procure o seu médico antes de adotar essa prática", embora divulguem no título e outras partes do vídeo que a receita divulgada de fato oferece uma cura. Para Yasodara Córdova, pesquisadora-sênior sobre desinformação e dados na Digital Harvard Kennedy School, em Cambridge, EUA, o Brasil tem uma cultura de "sabedoria secular e confiança nos recursos naturais", em outras palavras, um potencial científico que "não foi aproveitado de maneira estruturada". "O que não está sendo devidamente transformado em ciência, muitas vezes por falta de recursos, está sendo colocado no YouTube como notícia falsa." Algumas das plantas ou frutas divulgadas nos vídeos como soluções milagrosas de fato são objetos de pesquisas para investigar se podem contribuir para o tratamento de diferentes doenças. Mas são estudos preliminares, que requerem mais pesquisas. Outras, pelo contrário, são objetos de pesquisas que apontam contraindicações, algo ignorado nos vídeos. No caso do melão-de-são-caetano, há pesquisas que apontam que a fruta tem potencial para fornecer compostos anticancerígenos, mas, apesar de diversos links e vídeos apresentando a fruta com a segurança de que se trata de um remédio absoluto contra o câncer, os próprios estudos dizem que mais pesquisas e testes são necessários para concluir algo nessa direção. Justin Stebbing, professor da medicina do câncer e oncologia da Imperial College of London, explica que algumas plantas são de fato usadas para o desenvolvimento de remédios e contêm químicos anticancerígenos, mas muitas vezes "não estão nas concentrações ou quantidades corretas e não estão purificadas para ter efeitos anticancerígenos". Milhares de brasileiros procuram na internet respostas para tratar doenças Reprodução/EPTV Um suco ou chá de uma planta, por exemplo, não tem a concentração dos extratos feitos em laboratório. "O processo de extrair esses químicos e purificá-los levam anos", assim como a escolha das "concentrações precisas", que passam por "triagens clínicas por muitos anos antes de um produto ser considerado efetivo e seguro para dar a pacientes". As plantas, em geral, "são seguras para tomar com tratamentos convencionais, mas sozinhas não vão ter um efeito significativo contra o câncer ou prolongar a qualidade ou quantidade de vida, que é o que oncologistas estão tentando fazer". "Não estou dizendo que a medicina tem todas as respostas, porque não tem. Mas é preciso tomar cuidado com remédios alternativos na internet sem filtro que são objetos de afirmações como de que curam o câncer, baseado em sentimentos ou porque alguém ouviu dizer, porque precisamos de muito mais hoje em dia para fazer uma afirmação como essa." Pesquisador de câncer na Universidade Oxford, no Reino Unido, o médico David Robert Grimes explica que, diferentemente das curas falsas divulgadas no YouTube, "a medicina é cuidadosamente regulada, rigorosa e objetiva". "Fazemos pesquisas científicas para verificar se algo funciona. Se funciona, pode virar um remédio, e isso é testado de novo e de novo e de novo", afirma. "Sua eficácia pode ser medida. A ciência é um processo aberto e todo mundo pode testar a ideia de todo mundo." "Isso não acontece no campo da chamada medicina alternativa. Você tem que simplesmente acreditar no que alguém está dizendo", observa. "Quem oferece uma 'cura mágica' para o câncer está mentindo. Quando as pessoas oferecem soluções fáceis para questões complicadas, devemos desconfiar." Questionado em comentários no vídeo, YouTuber recomenda 'remédio natural' Reprodução/YouTube A BBC News Brasil entrou em contato com Elizeu Correia, o criador do vídeo que diz que melão-de-são-caetano cura câncer. Por email, ele afirmou que o vídeo não fala sobre "um chazinho perigoso ou venenoso" e que não estaria mais aberto a visualizações — de fato, depois de ser abordado, ele mudou o vídeo para modo privado. Desinformação 'contagiosa' Por que a desinformação dá certo no YouTube? Para a professora de Ciência de Antropologia, Risco e Decisão da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Heidi Larson, os vídeos "mexem" com as pessoas. "Evocam diferentes tipos de emoção e isso pode ser muito contagioso", afirma ela, que também dirige um projeto de confiança na vacinação. Além disso, o sistema de recomendação do YouTube já foi acusado de levar usuários a buracos negros de teorias da conspiração e radicalização, já que, para manter o usuário no site, reproduz vídeos automaticamente depois que o primeiro vídeo acaba. E, muitas vezes, o algoritmo escolhe vídeos com temas semelhantes — e isso também vale para a desinformação. Na prática, significa que se um usuário cai em um vídeo que desinforma, pode acabar assistindo a vários outros vídeos que também desinformam. A BBC pediu uma entrevista com algum representante do YouTube. Em vez disso, a empresa divulgou uma nota: "A desinformação é um desafio difícil, e nós tomamos diversas medidas para endereçar isso, incluindo mostrar mais conteúdo confiável sobre questões médicas, exibindo painéis de informação com fontes confiáveis e removendo anúncios de vídeos que promovam afirmações danosas. Nossos sistemas não são perfeitos, mas estamos constantemente fazendo melhorias e permanecemos comprometidos para progredir nesse espaço". A empresa anunciou em janeiro que iria "reduzir recomendações de conteúdo borderline (no limite do aceitável) e conteúdo que poderia desinformar usuários de forma danosa — como vídeos promovendo uma falsa cura milagrosa para uma doença séria". Mas isso, até agora, apenas em inglês. Mudanças em outras línguas ainda não foram anunciadas. Além disso, a empresa já afirmou que, nos esforços para combater a desinformação, esse sistema de recomendação vai mudar, com recomendação de vídeos que são confiáveis a pessoas que estão assistindo a vídeos que talvez não sejam. O YouTube planeja mudar seu sistema de recomendação Reuters Lucrando com desinformação Os vídeos encontrados pela BBC tinham uma série de anúncios no começo ou no meio. Havia anúncios de universidades respeitadas, empresas de turismo e filmes. Isso significa que tanto o YouTube quanto os criadores dos vídeos podem lucrar com o conteúdo. Mas as "diretrizes para conteúdo adequado para publicidade" do YouTube estabelecem que vídeos que promovam ou defendam "declarações ou práticas médicas ou de saúde prejudiciais", como "tratamentos não médicos que prometam curar doenças incuráveis" não podem ter publicidade. A plataforma tem o poder de desmonetizar certos tipos de conteúdo e remover as receitas para os criadores dos vídeos. E essa política é global. Os vídeos monetizados encontrados pela BBC News Brasil, porém, estavam no ar desde 2016. A política da plataforma em relação a desinformação sobre saúde, portanto, não é clara ou não é aplicada corretamente. A BBC enviou as informações sobre os vídeos com curas falsas encontradas no YouTube nas dez línguas pesquisadas. Depois da publicação da reportagem, a empresa informou ter desmonetizado mais de 70 dos vídeos por violarem suas políticas de monetização. Erin McAweeney, uma pesquisadora do instituto Data & Society que trabalhou com saúde e dados, levanta outro problema: mesmo que o YouTube desmonetize esses vídeos, "não há evidências que mostrem que desmonetizar resolve o problema do tamanho da audiência e de seu alcance". "Há muitas motivações por trás do compartilhamento de desinformação. Dinheiro é só uma delas. Não temos evidências que confirmam que desmonetização leva a 'despriorização'. E, em muitos casos, receber atenção e visualização em um vídeo é algo mais valioso para seus criadores do que o dinheiro que gera", afirma. E há uma questão final: quem, afinal, determina o que é desinformação? "Estamos pedindo que corporações com pessoas que não são especialistas em saúde pública façam esse julgamento por nós, todos os cidadãos. Há linhas tênues, gradientes da verdade. O desafio é como estabeleceremos essa linha e quem será a pessoa ou as pessoas que a estabelecerão", diz Isaac Chun-Hai Fung, um professor de epidemiologia da Georgia Southern University, nos Estados Unidos. Escutar os pacientes Mas os especialistas apontam para outro impasse, menos relacionado à plataforma. Profissionais de saúde, eles dizem, também tem um pouco de responsabilidade. Com uma equipe de alunos, Fung e pesquisadores da William Paterson University analisaram informações sobre saúde em inglês no YouTube. Descobriram que, não importasse qual fosse o tópico de saúde, a maioria dos 100 vídeos mais populares no YouTube era criada por amadores, pessoas que não são profissionais de saúde ou ciência. "A comunidade de saúde pública e de ciência tem hesitado em se engajar nas redes sociais. Precisamos nos engajar", diz Larson, da Escola de Higiene & Medicina Tropical. Fung defende que a solução para a desinformação relacionada a saúde também deve considerar a produção de vídeos sobre ciência e medicina moderna. "Deve haver vídeos de alta qualidade que eduquem sobre o tema em várias línguas e com linguagem acessível. Profissionais de saúde devem trabalhar com profissionais de mídia para fazer isso. Não acho que haja investimento." Outra conclusão de seu estudo é que vídeos que atraem visualizações normalmente são aqueles que contam experiências pessoais. "Para comunicar os benefícios da medicina moderna, temos que adotar estratégias similares aos vídeos com maior quantidade de visualizações no YouTube. Será que alguém que se beneficiou da medicina moderna pode contar sua história, por exemplo?", pergunta. McAweeney declara que, se conteúdo com conspirações e desinformação sobre câncer está mais disponível que conteúdo científico, então "as instituições confiáveis são as responsáveis por produzir conteúdo para preencher os vazios de dados". Warraich, o cardiologista, diz achar que médicos devem criar "maneiras pelas quais pacientes podem entrar em contato com eles". "Se os pacientes pudessem acessar seus médicos, adivinhem quem seria sua fonte?" A comunicação é chave, de acordo com Larson. Mas especialmente a parte de "escutar", que, trabalhando com pessoas que hesitam em serem vacinadas, ela aprendeu a defender. A comunidade científica "não tem sido boa o suficiente em escutar" pessoas que têm dúvidas, ela diz. "Não é um ambiente de informações fácil de navegar. Temos que ter empatia."

13/09 - 2019


Entenda como funciona o transplante de fezes



Procedimento é indicado como tratamento de infecções recorrentes causadas pela bactéria Clostridium difficile, mas já começou a ser testado contra outras doenças, como diabetes. Embora o nome possa soar curioso, o transplante de fezes é um procedimento importante no tratamento de infecções recorrentes causadas pela bactéria Clostridium difficile, que se prolifera no intestino e pode causar quadros de diarreia frequentes. Nos casos mais graves, pode levar ao desenvolvimento de "colite pseudomembranosa", processo inflamatório intenso que forma membranas no intestino, com diarreia e sangue nas fezes, afetando milhares de brasileiros todos os anos. Por que médicos americanos acreditam que transplante de fluido vaginal pode beneficiar mulheres Transplante fecal: ‘Por que resolvi virar uma doadora de fezes’ A infecção recorrente começa quando o paciente já tratou a bactéria uma primeira vez sem sucesso. Geralmente, a bactéria se torna resistente aos antibióticos. O Centro de Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estima que um em cinco pacientes com infecção por Clostridium terá o problema no futuro. O transplante de fezes, então, torna-se uma opção viável. Simulação dos órgãos internos do corpo humano Pixabay “O transplante fecal transfere a flora de um indivíduo que tem bactérias boas para passar para o indivíduo que está com a flora danificada”, explica o médico Flavio Steinwurz, presidente da Organização Pan-Americana de Colite e Crohn e membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia. O transplante também começa a ser visto como esperança de tratamento contra diabetes e doenças neurológicas. Os estudos, porém, ainda estão na fase experimental e não são consenso entre os médicos. Saiba como ocorre o transplante de fezes: Transplante de fezes Agência Canarinho/G1

13/09 - 2019


Planeta onde foi localizado vapor d'água será alvo de novo telescópio previsto para 2021



Hubble detecta vapor d’água em planeta na zona habitável de uma estrela ESA/Hubble, M. Kornmesser 7 pontos sobre a descoberta Exoplaneta K2-18 b foi descoberto em 2015 pelo telescópio Kepler O K2-18 b tem massa de até 10 vezes a da Terra, é rochoso e tem atmosfera com nuvens Ele está na zona habitável de sua estrela: é a região em que a radiação incidente é suficiente para manter a água no estado líquido Astrônomos do College London estudaram um conjunto de dados públicos do Hubble Pesquisa conseguiu filtrar a luz refletida pelo exoplaneta que está a 125 anos luz da Terra Dados observados indicam presença de vapor d’água Telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2021, vai investigar indícios de outras substâncias, como metano, oxigênio e ozônio Telescópio espacial James Webb, em imagem artística da Nasa Nasa/Divulgação A trajetória de uma descoberta Um tempão atrás, sei lá, há quase 10 anos, eu escrevi sobre a primeira identificação de um gás na atmosfera de um exoplaneta. Era uma detecção de hélio na atmosfera de um Júpiter quente, se não me engano, bem no limiar do instrumento. A detecção era marginal, o planeta em questão era um planeta bem maior e mais quente que Júpiter, quase uma estrela, e o mais empolgante nem foi o resultado, mas sim a detecção em si. Nasa capta nova imagem brilhante dos anéis de Saturno As dificuldades técnicas em se conseguir identificar as espécies químicas na atmosfera de um exoplaneta através de seu espectro são muito grandes. Além da estabilidade do instrumento, há que se considerar que não é possível apontar para o planeta apenas. Da distância em que estamos, toda a luz refletida pelo sistema de planetas, cometas, asteroides e tudo o que houver em torno da estrela vai vir junto com a luz da estrela, que é muito mais intensa. Desde a época desta primeira detecção, astrônomos do mundo inteiro desenvolveram técnicas para “filtrar” a luz da estrela e ficar com o que interessa. No caso, a luz do exoplaneta. E assim foi feito com o exoplaneta K2-18 b, descoberto em 2015 pelo telescópio Kepler. Ele foi identificado como uma ‘super-Terra’, ou seja, um planeta com massa de até 10 vezes a massa da Terra. Mais do que isso, um exoplaneta entra na categoria de ‘mini-Netuno’, um planeta até rochoso, mas com uma grossa camada de nuvens. No caso de K2-18 b, sua massa deve ficar em torno das 8 vezes a massa da Terra, com um raio um pouco maior que o dobro do raio do nosso planeta. Além de super-Terra, isso o faz um planeta rochoso. Cientistas anunciam descoberta de água na atmosfera de um planeta fora do sistema solar Outra coisa interessante dessa super-Terra é que ela está na zona habitável da sua estrela, uma anã vermelha menor e mais fria que o Sol. A zona habitável é aquela região ao redor de uma estrela em que a radiação incidente é suficiente para manter a água no estado líquido, ou seja, mais que 0 graus Celsius e menos do que 100 graus. Isso não significa, a priori, que haja água no estado líquido em K2-18 b. Além da radiação incidente, é preciso ter outras condições favoráveis, como a existência de uma atmosfera que não seja muito densa, ou muito rarefeita. Veja o caso do Sistema Solar: Vênus, Terra e Marte estão na zona habitável do Sol, mas só a Terra possui oceanos. Para estudar K2-18 b, uma equipe de astrônomos liderada por Angelos Tsiaras, da Universidade College London, baixou um conjunto de dados públicos do Hubble. Sim, isso mesmo, os dados estavam à disposição de quem quisesse pega-los, depois que foi cumprido o prazo de exclusividade da pessoa que fez as observações. Com o Hubble, a estabilidade do instrumento estava garantida, restou ao grupo “apenas” trabalhar na filtragem da luz do exoplaneta. Na verdade, o termo mais correto é subtração da "luz da estrela" da "luz total" registrada. Depois disso, o grupo de Tsiaras rodou diversos modelos de transmissão/reflexão de luz por diversos tipos de atmosferas. Em outras palavras, os programas simulavam a capacidade de absorção de atmosferas com diferentes composições químicas, incluindo até mesmo nuvens e os modelos que mais se aproximam dos dados observados são os que incluem vapor d’água! Dentre os resultados, não é possível excluir a presença de hidrogênio e hélio, que deve estar presente em um planeta com tanta massa. Modelos com nitrogênio (como nossa atmosfera), ou com nuvens também descrevem bem os dados obtidos pelo Hubble e não dá para descartar nenhum dos dois cenários. Mas o que se sabe é que sem vapor d’água nenhum modelo se encaixa direito, ou seja, é sim muito provável que haja vapor d’água na atmosfera dessa super-Terra. E por que tanto interesse em vapor d’agua? Porque K2-18 b tem atmosfera com água na forma gasosa, podendo até ter nuvens. Além disso, está justo na região ao redor da estrela em que sua iluminação fornece condições para haver água líquida. Não é exagero especular que pode haver, de fato, água líquida em K2-18 b e, você sabe, água em estado líquido é uma condição muito importante para haver vida, ao menos a vida como conhecemos. K2-18 b está a uma distância de 125 anos luz, uma distância pequena em termos relativos, o que o fará um alvo preferencial quando o telescópio espacial James Webb for lançado em 2021 se tudo der certo. Com um telescópio do porte dele, será possível obter mais detalhes da atmosfera do exoplaneta, investigando inclusive a possibilidade de haver outras substâncias, como metano, oxigênio e ozônio que foram propostos como assinaturas da existência de vida em outros planetas. Em menos de 10 anos teremos essa resposta!

13/09 - 2019


Equipe brasileira do Inpe ajudou a monitorar rota de sonda indiana até a órbita da Lua



Equipe de cientistas recebeu representante indiano e encaminhou dados de satélites para a agência espacial do país. O Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) ajudou a missão indiana que levou a sonda Chandrayaan-2 até os polos da Lua. Uma equipe de 12 pessoas, com técnicos e um engenheiro, recebeu dados de satélites e depois enviou para a Organização de Pesquisa Especial da Índia (ISRO). Um cientista indiano veio ao Brasil para acompanhar o processo. O Inpe deu suporte durante a etapa de trajeto até a Lua, mas não atuou na execução da aterrissagem. A Chandrayaan-2 foi lançada em 22 de julho deste ano. Ela sucedeu a primeira missão, a Chandrayaan-1, que sobrevoou a Lua e fez uma mapeamento da superfície em 2008. Em 2019, a ideia era tornar a Índia o quarto país a aterrissar no satélite natural, depois de Estados Unidos, Rússia e China. Na última sexta-feira (6), a sonda estava prestes a pousar na Lua. A ISRO perdeu o contato a poucos metros do solo. No domingo (8), o módulo de pouso Vikram foi encontrado na superfície lunar, mas a comunicação não foi recuperada. "Foi meio que um balde de água fria. Seria a cereja do bolo ter a missão completa. Mas, de qualquer forma, todo o processo é aprendizado. Foi uma evolução muito grande dos indianos", disse Fernando Almeida, engenheiro eletrônico do Inpe Nasa diz que missão lunar da Índia é inspiradora, após país perder contato com módulo espacial A missão indiana foi idealizada com tecnologia nacional, e contou com parcerias estrangeiras. No caso do instituto brasileiro, os pesquisadores ajudaram a monitorar a órbita da sonda em aproximação com a Lua. Participou também uma equipe do Laboratório JPL, da agência espacial americana (Nasa). O trajeto idealizado até o satélite natural funcionou assim: várias órbitas elípticas ao redor da Terra, que aos poucos foram se expandindo para entrar em curso até a Lua, que atraiu a Chandrayaan-2 com sua força de gravidade. A questão é que, em alguns pontos da órbita, as antenas indianas não tinham capacidade de monitorar a sonda. Nesta hora, entraram os cientistas do Brasil. Da esquerda para a direita: Rita Mesquita, Edil Nascimento, Dharvendra Yadav, Lucilene Lobato e Fernando Almeida; Equipe brasileira que atua em Alcântara, estação do Inpe, junto com visitante indiano (centro da foto) Fernando Almeida/Arquivo Pessoal "As nossas antenas servem para receber os dados a bordo da sonda e também para enviar telecomandos, para dar ordens para alguma atividade no espaço", explicou Fernando. "Quem controlava a sonda era a Índia, através do centro de controle em Bangalore. Eles criaram uma rede de comunicação com as nossas antenas e as da Nasa. As antenas são apenas o ponto de apoio entre o centro de controle e a espaçonave", disse o engenheiro do Inpe. As antenas das estações de Alcântara e Cuiabá, do Inpe, faziam contato com três satélites – dois brasileiros e um em parceria com a China. Eles enviavam os dados para o instituto, que encaminhava para a agência espacial indiana. O rastreamento começou em 22 de julho, dia do lançamento, e seguiu até 14 de agosto. Essas antenas do Inpe também seguem e ajudam no controle dos satélites brasileiros. De acordo com Fernando, os cientistas já participaram de uma missão chinesa, e outras indianas, incluindo o envio de uma sonda para a órbita de Marte e a primeira Chandrayaan-1. Cientistas acompanham tentativa de pouso na superfície da Lua na ISRO, agência espacial indiana. Reprodução/YouTube ISRO A missão O objetivo da missão era obter informações sobre a composição mineral da Lua e eventual presença de água nos polos. O contato com a base foi perdido cerca de 20 minutos depois de iniciado o procedimento de pouso suave, que visa reduzir a velocidade do módulo para garantir uma chegada segura. Os cientistas da ISRO acompanhavam a missão ao vivo na sede da agência espacial quando o sinal do módulo foi perdido. O pouso do módulo Vikram estava agendado para acontecer às 17h25h da sexta-feira. Depois, o jipe Pragyan deveria explorar a superfície lunar entre 20h30 e 21h30. "A descida do módulo de pouso Vikram estava normal até uma altitude de 2,1 km. Então nós perdemos comunicação. Os dados estão sendo analisados", disse Kailasavadivoo Siva, responsável pela ISRO após a tentativa de pouso. Índia lançou missão até a Lua na segunda-feira, 22 de julho Indian Space Research Organisation/Reuters

12/09 - 2019


Pizza contra câncer e estudo sobre temperatura do escroto ganham prêmio Ig Nobel 2019



Ganhadores receberam 10 trilhões na moeda do Zimbábue, praticamente sem valor. Silvano Gallus levou o prêmio de medicina por defender que a pizza pode proteger contra doenças e a morte, mas apenas se for feita e comida na Itália. Brian Snyder/Reuters Um estudo sobre se a pizza fabricada e comida na Itália ajuda a prevenir o câncer e outro sobre a temperatura do escroto estão este ano entre os ganhadores do prêmio "Ig Nobel" nos Estados Unidos. Cientistas que mediram o volume da saliva de crianças e outros que estudaram o prazer de aliviar a coceira também foram destacados na 29ª edição do prêmio Ig Nobel, que celebra o lado incomum e cômico da ciência. Ig Nobel 2017 premia pesquisas sobre música intravaginal, gatos líquidos e orelhas grandes de idosos Veja as pesquisas 'que fazem rir' premiadas com o Ig Nobel 2016 Ig Nobel 2015 premia 'frangossauro' e teste com picadas de abelha no pênis Os prêmios foram entregues nesta quinta-feira na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts. Seu objetivo é "celebrar o incomum, homenagear a imaginação e estimular o interesses das pessoas na ciência, na medicina e na tecnologia", disseram os organizadores do evento. Como em toda cerimônia de premiação do Ig Nobel, foram lançados aviões de papel do palco. O maior prêmio na categoria de anatomia foi para Roger Mieusset, Louis Boujan e Bourras Bengoudifa por seu estudo de 2007 que mede a assimetria na temperatura do escroto em carteiros nus e vestidos na França. Mieusset, especialista em medicina reprodutiva na Universidade de Toulouse, é o inventor de uma cueca térmica que em algumas condições funciona como anticoncepcional. Os ganhadores receberam 10 trilhões na moeda do Zimbábue, praticamente sem valor. Uma equipe japonesa ganhou o prêmio de química por estimar o volume total de saliva produzido por dia por uma criança típica de cinco anos. Iman Farahbakhsh, do Irã, ganhou o prêmio de engenharia por uma máquina que troca a fralda de bebês e que foi patentada nos Estados Unidos no ano passado. Uma equipe internacional recebeu o prêmio por medir o grau de prazer de aliviar a coceira, enquanto Silvano Gallus levou o prêmio de medicina por defender que a pizza pode proteger contra doenças e a morte, mas apenas se for feita e comida na Itália.

12/09 - 2019


Mudanças climáticas não são causadas pela ação humana, diz presidente de Comissão de Mudanças Climáticas do Congresso



Para Zequinha Marinho (PSC-SE), atividade humana não é o principal fator do aquecimento do planeta; à BBC News Brasil, ele diz que chamará meteorologista que não crê em mudanças climáticas para audiência. 'Tem muita coisa que é muito folclórica nessa questão de mudança climática', afirmou Zequinha Marinho à BBC News Brasil Waldemir Barreto/Agência Senado Semanas atrás, o Congresso Nacional instalou uma comissão de deputados e senadores para discutir o tema das mudanças climáticas e o aumento recente no número de queimadas da Amazônia. É a Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC). Aquecimento global causará ondas de calor ainda mais intensas do que as vistas neste verão europeu, diz estudo Países que menos contribuem para mudanças climáticas são mais afetados por elas, diz relatório Novo estudo mostra que mudanças climáticas já provocam danos sérios à saúde humana Mas, ao contrário do que seria de se esperar, a comissão é presidida por um senador que duvida do consenso científico sobre a influência humana nas mudanças climáticas - isto é, alterações no clima e na temperatura do planeta e suas regiões particulares intensificadas pela ação do homem. Para o senador Zequinha Marinho (PSC-PA), que preside a CMMC, "a influência humana é muito pequena" nas alterações do clima. "Algumas estatísticas dizem que não chega a 4%", disse ele em entrevista à TV Senado no dia 28 de agosto, quando a comissão foi instalada. "Tem muita coisa que é muito folclórica nessa questão de mudança climática. O mundo vai acabar, as calotas de gelo vão derreter tudo… o que derrete, na estação adequada torna a congelar. Se você pegar ao longo da história, vai ver que não tem muita diferença do que já foi (o clima). Essa questão climática ela é cíclica, naturalmente. A história mostra isso", disse ele. A CMMC é formada por 12 senadores e 12 deputados federais. Tem até o fim do ano para produzir um relatório sobre a questão - inclusive com sugestões de medidas a serem tomadas pelo governo. Este ano, excepcionalmente, o grupo também é o responsável por coordenar a resposta do Congresso ao aumento do desmatamento e do número de queimadas na região amazônica. Na próxima quarta-feira (19), o grupo vai revisar e bater o martelo sobre o plano de trabalho a ser seguido nos próximos meses. A comissão não tem poder de investigação para identificar os responsáveis pelas queimadas ou pelo desmatamento - papel que seria de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O relator do colegiado é o deputado federal Edilázio Júnior (PSD-MA). Marinho já sabe quem quer chamar para a primeira audiência pública da comissão: o meteorologista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Luiz Carlos Molion - conhecido por desafiar o consenso científico e negar a existência das mudanças climáticas. "Estamos buscando um cientista da Universidade Federal de Alagoas (Molion) para que ele venha a fazer um comentário sobre tudo isso, a fim de que a gente possa se situar no tempo e no espaço (...). É uma autoridade", disse Marinho à BBC News Brasil na tarde de quinta-feira (12). Ao falar com a reportagem, Marinho não se lembrava o nome exato do cientista - arriscou que seria algo como "Polion", mas reafirmou que se tratava de um professor da Ufal. "Vamos ouvir os setores mais importantes. Vamos ouvir o agronegócio, vamos ouvir os movimentos sociais, representados por uma entidade, e vamos ouvir o governo", disse, sobre os trabalhos da comissão. 'Praticamente natural' À BBC News Brasil, o senador reafirmou seu ponto de vista e algo que já tinha dito à TV Senado: uma coisa é a mudança no microclima das cidades; a outra, o aquecimento do planeta como um todo. "Olha, a mudança climática eu acho (que é) praticamente natural. Por quê? Porque à medida que a população aumenta, faz as cidades crescerem, isso vai aquecendo. Uma coisa é você ter uma mata virgem, um campo… o calçamento, o microclima de qualquer lugar ele é afetado", disse ele. Ao contrário do que diz Marinho, a maioria absoluta dos pesquisadores que estudam o tema afirma que a temperatura média do planeta está aumentando, e que este aumento é provocado pela ação humana. Principalmente por meio da emissão em larga escala dos chamados gases do efeito estufa - sobretudo o dióxido de carbono. Martin Beniston é ex-diretor do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade de Genebra, na Suíça, e um dos maiores especialistas sobre clima no mundo. Em julho deste ano, ele disse à BBC News Brasil que os dias que quebram o recorde de maior temperatura têm se tornado mais frequentes desde a década de 1980. "Diversos estudos apontam que o mundo ficou 1ºC mais quente no último século. Em alguns países do mundo, como na Suíça, essa variação chegou a 3º C", disse ele. "Se analisarmos as últimas décadas, percebemos que os dias com recorde de temperatura máxima vêm acontecendo com muito mais frequência do que os dias com recorde de temperatura mínima. Também são mais prolongados", disse o especialista. 'Debate qualificado e moderado' Zequinha Marinho diz que vai buscar um debate moderado na comissão. "Nós vamos buscar fazer um debate qualificado (na Comissão) que não embarque na emoção de que o mundo vai se acabar, que o clima vai cozinhar todo mundo… não é assim também. Todo mundo sabe disso. Nós queremos trabalhar um equilíbrio entre as partes, de modo que a gente possa ajudar o governo a ter uma percepção real daquilo que tem que ser feito. A política pública tem que entrar em campo", disse. Luiz Carlos Molion, o meteorologista mencionado por Zequinha Marinho, esteve no Senado em maio deste ano para falar sobre o tema das mudanças climáticas. "Até hoje, na série americana, o ano mais quente da história foi 1934. Dos dez anos mais quentes, quatro se deram durante aquela década. Faço parte da vertente de pesquisa científica que não nega que existem períodos de aquecimento", disse ele na ocasião. "A diferença fundamental entre o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão da ONU) e nós é que eles dizem que essas alterações são provocadas pela atividade humana. Enquanto nós apresentamos evidências físicas de que a variabilidade é natural. O homem não tem nada a ver com a ocorrência dessas alterações", afirmou. À frente da comissão, Zequinha Marinho diz que vai propor ao governo medidas para regularizar a propriedade das terras dos moradores e produtores rurais, além de medidas para melhorar a qualidade técnica da agricultura desenvolvida na região. O problema das queimadas, por exemplo, precisa ser enfrentado com treinamento e mais acesso a equipamentos para que os agricultores usem o fogo de forma controlada, segundo ele. "Todas as tentativas que o governo faz aqui dão errado. Por que dá errado? Porque a Amazônia tem 23,5 milhões de habitantes, nove Estados. Como é que vamos fazer política ambiental se a gente não leva em conta o homem? Tenho que levar em conta a presença humana. Não tem como negar um debate que diz respeito à sobrevivência dos habitantes. Se algum governo quiser fazer algo que dê resultado na Amazônia, vai ter que discutir com o amazônida, com o ser humano", disse ele. 'Governo Bolsonaro manobrou para eleger Marinho', diz adversário A chegada de Zequinha Marinho à presidência da Comissão se deu por meio de uma eleição - rompendo um acordo anterior anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O amapaense queria o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) como presidente do colegiado. "Nas últimas horas antes da instalação (da Comissão) teve uma interferência do governo, inclusive com troca de integrantes, e surgiu esse nome, do Zequinha, para participar de uma disputa que não estava prevista", disse Vieira. "Ninguém sabia que teria eleição, foi uma interferência do governo realmente na busca de ter o controle sobre a comissão." "Ele (Zequinha) acha que não tem aquecimento", diz Vieira à BBC News Brasil. "É um retrato daquilo que o governo quer. Um controle sobre as informações, negando inclusive a ciência." Zequinha Marinho nega que sua eleição tenha a ver com o Executivo. Por ser natural do Estado do Pará e ter passado a vida toda na região, ele se considera apto a conduzir os trabalhos do grupo. "Não. Não foi o governo. Veja só: eu sou amigo do Alessandro, o Alessandro é de Sergipe. Eu sou nascido e criado e militante político aqui (em Belém) há muitos anos. Então eu me julguei, como alguém nascido aqui, capaz de fazer esse debate. Tenho toda uma vivência, tenho 60 anos de idade (...). Então me julgo qualificado para conversar sobre o assunto", diz. Negacionismo climático Ao longo dos últimos meses, várias figuras do governo de Jair Bolsonaro ou ligadas ao presidente colocaram em dúvida a existência da mudança climática provocada pela ação humana. Na próxima quinta-feira (19), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deve se encontrar em Washington DC (EUA) com representantes do Competitive Enterprise Institute (CEI), uma entidade que "questiona o alarmismo sobre o aquecimento global" e "opõe-se ao Acordo do Clima de Paris", segundo sua própria página na internet. A reunião foi noticiada pelo jornal Folha de S.Paulo. Em meados de julho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, também pôs em dúvida a existência do aquecimento global. "Só por curiosidade: quando está quente a culpa é sempre do possível aquecimento global e quando está frio fora do normal como é que se chama", escreveu ele no Twitter. Usar dias frios para negar aquecimento global não faz sentido, indica pesquisa A alegação não faz sentido, segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil à época. Logo depois das eleições de 2018, Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris, um tratado assinado por 195 países e que pretende reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O presidente, porém, voltou atrás na decisão. No cenário mundial, o presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, é conhecido por negar a existência da mudança climática provocada pelo homem. Em novembro deste ano, Trump disse não acreditar em um relatório de seu próprio governo sobre a mudança do clima.

12/09 - 2019


Nasa capta nova imagem brilhante dos anéis de Saturno



Imagem foi feita pelo telescópio Hubble em 20 de junho. Saturno estava a 845 milhões de quilômetros de distância da Terra. Imagem captada pelo telescópio Hubble mostra Saturno com anéis brilhantes Nasa / ESA/ A. Simon (GSFC), M.H. Wong (Universidade da California, Berkeley) e OPAL O mais recente registro de Saturno, feito pelo telescópio Hubble, da Agência Espacial Americana (Nasa), mostra um brilho excepcional nos anéis do planeta e detalhes atmosféricos que antes só podiam ser percebidos por naves espaciais. A imagem foi captada em 20 de junho deste ano pela Wide Field Camera 3, quando o planeta estava a cerca de 845 milhões de quilômetros de distância. Ela revela que uma grande tempestade captada na região do pólo norte em 2018 já se dissipou. Outro detalhe que chama a atenção é a cor do planeta. Segundo a Nasa, a coloração âmbar vêm de neblinas produzidas em reações fotoquímicas causadas pela radiação ultravioleta solar. Anéis de Saturno são mais jovens e 'moldados' por interações com luas do planeta Também é possível de observar na imagem um misterioso padrão hexagonal, perceptível no polo norte. Segundo a Nasa, este padrão é causado por um jato de alta velocidade, e foi descoberto em 1981 pela sonda Voyager 1. De acordo com a Nasa, esta é a segunda imagem captada em uma série anual de instantâneos feitos no projeto Legacy Atmospherees Outer Planets (OPAL). O projeto ajuda cientistas a entender a dinâmica atmosférica dos planetas gigantes de gás do Sistema Solar. Confira abaixo a imagem registrada em 2018 Imagem de Saturno captada pela Nasa em 2018 mostra tempestade atmosférica no pólo norte NASA / ESA /Amy Simon e time OPAL / J. DePasquale (STScI)

12/09 - 2019


O que é síndrome de Reiter, dolorosa doença que levou ator pornô a abandonar carreira



Cansado de ouvir rumores sobre a sua saúde, ator pornô espanhol Nacho Vidal decidiu romper o silêncio; ele disse ter a síndrome de Reiter ou artrite reativa, doença que, segundo ele, o impede de exercer qualquer trabalho. Cansado de ouvir rumores sobre a sua saúde, o ator pornô espanhol Nacho Vidal decidiu romper o silêncio Getty Images/Via BBC "Eu tinha a doença de Reiter, não Aids. A síndrome de Reiter em relação à Aids é como comparar uma Ferrari a um Lada (carro de fabricação russa). O Lada seria a Aids e o Reiter, a Ferrari da dor." Foram essas palavras que Nacho Vidal, um dos atores pornôs mais famosos do mundo, escolheu para descrever a doença que o levou a renunciar à carreira. Vidal costuma chamar a síndrome de que sofre de Reiter, mas a comunidade científica prefere o termo "artrite reativa". 'Médicos têm de ajudar pacientes também na hora da morte', diz enfermeira que perdeu filho de 2 anos Casal perde guarda de filho por recusar quimioterapia O objetivo desse outro nome é evitar uma homenagem a Hans Reiter, um dos primeiros médicos a descobrir a doença, mas também liderança nazista que fez experimentos com prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha. O ator espanhol estava havia sete meses no centro de uma série de rumores e especulações sobre sua saúde, depois que foi divulgado que ele teria HIV. Mas o exame que ele havia feito produziu um falso positivo. Segundo o ator, o erro ocorreu devido aos sintomas da artrite reativa. Os efeitos dessa síndrome são tão perversos que Vidal chegou a dizer aos médicos: "Vou me suicidar de dor". Após o primeiro diagnóstico errado, um médico finalmente conseguiu identificar que o ator sofria, na realidade, de artrite reativa. Essa doença costuma afetar homens que têm entre 15 e 35 anos Getty Images/Via BBC Reação a uma infecção "Eu contraí uma doença há sete meses que se chama síndrome de Reiter. É uma síndrome que adquiri sem perceber, há muito tempo, ao longo de toda a minha história na indústria pornô, ao contrair gonorreias e clamídias", afirmou Vidal. Uma em cada 30 mil pessoas padece de artrite reativa, um mal que afeta sobretudo homens entre 15 e 35 anos, segundo a Federação Espanhola de Doenças Raras. A síndrome surge como uma reação a uma infecção e não é, em si, contagiosa. No entanto, algumas das bactérias que podem provocar essa reação são transmitidas durante relações sexuais ou com a ingestão de alimentos contaminados, conforme explica o site na internet da Clínica Mayo, centro médico localizado em Rochester, nos Estados Unidos. É o caso das bactérias da clamídia e da salmonela, que, na opinião de Vidal, podem ter sido a origem de sua artrite reativa. "A gonorreia e a clamídia são doenças que você pega, toma um remédio e, no dia seguinte, já está bem. Eu peguei gonorreia umas 50 vezes e a clamídia 50 vezes também" – Nacho Vidal, ator pornô espanhol "O que aconteceu é que o vírus Reiter apareceu no sangue com as gonorreias e as clamídias. Ele esteve adormecido por muito anos, não sei quantos. Eu tinha e não sabia." A explicação de Vidal não é precisa, já que a síndrome de Reiter ou artrite reativa não é um vírus, mas sim uma reação imunológica. E é importante destacar que a maioria das pessoas expostas a bactérias que causam a artrite reativa não chegam a desenvolver a doença. E que sintomas ela provoca? Os primeiros sintomas costumam ser inchaço e dor muscular, além de dor nos intestinos, nas genitálias e nas vias urinárias, conforme explica a Clínica Mayo. Joelhos e pés costumam ser os mais afetados pela dor e o inchaço. Também é comum que esses sintomas cheguem acompanhados de conjuntivite, problemas de pele e inchaço nos dedos das mãos e dos pés. "Eu tive uma febre muito forte. Comprei remédios e pensava que era uma gripe estomacal, porque precisava ir com frequência ao banheiro. Me enchi de remédios e a febre não baixava", contou Vidal. "De repente, tive uma inflamação na próstata. Você nem imagina a dor." Nacho Vidal era um dos atores pornôs mais famosos do mundo. Hoje ele diz que não consegue mais exercer qualquer tipo de trabalho Getty Images/Via BBC Mas as dores não pararam por aí. "Começou, então, a doer minha mão direita. No dia seguinte, me levantei e a mão estava inflada, inchada. Era como se fosse um coração batendo: Tum, tum, tum, tum." Segundo a Federação Espanhola de Doenças Raras, a síndrome surge entre uma e três semanas depois de uma infecção urogenital ou gastrointestinal. E o primeiro sinal costuma ser dificuldade para urinar. 'Pedia para morrer' Vidal conta que passou a tomar opioides durante o dia e injeções de morfina à noite, para aguentar a dor. Essas substâncias analgésicas eram administradas, segundo ele, conforme instruções médicas. O ator disse que ficou, por três meses, prostrado na cama, com a mão inchada e doendo. Logo ocorreu o mesmo com o tornozelo e com um joelho, de onde eram retiradas "três seringas de líquido amarelado por dia". "Sempre pensei que era como um viking, que aguentava de tudo. Mas foi doloroso." – Nacho Vidal, ator pornô espanhol De noite, ele se arrastava pelo chão até o banheiro, porque não conseguia caminhar devido a um inchaço na perda. Da mesma maneira, voltava à cama úmida, já que não parava de suar. Segundo instituições médicas como a Clínica Mayo e a Escola Americana de Reumatologia, a síndrome pode se tornar crônica, mas não necessariamente. Em geral, a remissão começa após ano.

12/09 - 2019


Marcos Pontes recebe alta após atendimento em hospital de Brasília



Segundo boletim médico, ministro teve náusea, vômito, sudorese e dificuldade de andar. Ele deixou hospital no início da tarde. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, recebeu alta na tarde desta quinta-feira (12), após receber atendimento no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. Segundo boletim médico divulgado pelo HFA, o ministro teve náusea, vômito, sudorese e dificuldade de andar. O boletim afirma que Pontes deve ficar pelo menos 48 horas em repouso absoluto. Ele passou por exames e deixou a unidade no início da tarde. Ao sair do hospital, ele disse que "são coisas que vem com a idade" e que "vai passar". Inicialmente, o Ministério da Ciência e Tecnologia divulgou que o ministro havia sido internado na noite de quarta (11). No entanto, segundo o HFA, ele foi admitido às 7h45 desta quinta. Ainda de acordo com o boletim médico, Marcos Pontes começou a sentir os sintomas na semana passada, mas eles se agravaram na última madrugada. Ausência na Câmara O ministro era esperado nesta quinta Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, para uma audiência sobre a exoneração de Ricardo Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A audiência será remarcada. A notícia da internação foi dada pelo deputado que presidia a mesa, Rodrigo Agostinho (PSB-SP). Ele afirmou: "Nós estamos com um problema, o ministro Marcos Pontes foi internado no Hospital das Forças Armadas por um problema de saúde. Nós estamos aqui com a equipe técnica do ministério". Na mesma sessão, a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) disse: "Nós sabemos que foi um motivo de força maior a não vinda do ministro. Um mal súbito, que o ministro inclusive está internado. Estimamos que o ministro melhore o mais rápido possível". Ricardo Salles A internação de Marcos Pontes é a segunda de um ministro de Estado no Hospital das Forças Armadas em 15 dias. Em 27 de agosto, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu entrada na Unidade de Emergência "com quadro de mal estar". Ele recebeu alta no dia seguinte. Ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, tem alta do Hospital das Forças Armadas, em Brasília Brenda Ortiz/G1 Segundo o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, Salles fez exames que foram considerados "normais". Em tom de brincadeira, o general classificou o episódio como "estresse ambiental". O Ministério da Defesa divulgou nota na qual o médico responsável pela alta do ministro, Nestor Francisco Miranda Júnior, recomendava "repouso pelo prazo de cinco dias". Na época da internação, Salles havia entrado em evidência por causa das queimadas na Amazônia. *Sob supervisão de Maria Helena Martinho Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

12/09 - 2019


Cigarro eletrônico: 7 respostas sobre mortes nos EUA, legislação, maconha e risco de doenças



Estados Unidos registraram 6 mortes e 450 casos de hospitalizações. Tendência é proibir cigarro eletrônico com sabor. No Brasil, comércio não é regulamentado. As 6 mortes e os 450 casos de hospitalizações nos Estados Unidos em aproximadamente um mês aumentaram as dúvidas sobre o uso dos cigarros eletrônicos. Médicos e cientistas têm dúvidas sobre o que está causando os graves problemas pulmonares. Autoridades pedem que o uso do produto seja suspenso até que haja uma maior compreensão dos efeitos sobre o corpo humano. Nesta reportagem, vamos responder as principais dúvidas sobre o tema 7 dúvidas sobre os cigarros eletrônicos: O que são os cigarros eletrônicos e quais os tipos? Esse tipo de cigarro é permitido no Brasil? Por que tanta preocupação nos EUA? Quais as medidas recentes tomadas pelos EUA? Há relação entre as mortes com o acetato de vitamina E e a maconha? Produtos com canabidiol apresentam risco? O que dizem as pesquisas mais recentes sobre o tema? Veja, abaixo, as respostas: 1. O que são e quais são os tipos de cigarros eletrônicos? Os cigarros tradicionais funcionam por combustão. Já os eletrônicos, por vaporização, e aparecem também na forma de "canetas" com um líquido interno. Utilizam bateria para evaporar uma mistura geralmente feita com álcool, água, glicerina, propilenoglicol e essências. Ele é uma espécie de dispositivo "vaporizador" de aromas, sabores e outros produtos químicos: álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina. Recorte de infográfico publicado pelo G1 em maio de 2019 2. Esse tipo de cigarro é permitido no Brasil? Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante. A "Food and Drug Administration" (FDA), a "Anvisa" norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas. Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigaretts nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) norte-americano. A Anvisa justifica essa decisão com "a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto", especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto. Cigarro eletrônico surgiu como promessa de auxílio para quem deseja parar de fumar Isabella Mendes/Pexels 3. Por que tanta preocupação nos EUA? Autoridades de saúde pública dos EUA investigam 450 casos de doenças pulmonares relacionadas ao fumo de cigarros eletrônicos em 33 estados e um território norte-americanos. Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis. Usuário de cigarro eletrônico; doença pulmonar não identificada está ligada ao produto Christopher Pike/Reuters 4. Quais as medias recentes tomadas pelos EUA? Uma das grandes preocupações é o uso do cigarro eletrônico por adolescentes e jovens adultos, muitos deles atraídos justamente pelo uso das essências que dão "sabor" à inalação. Segundo a FDA, mais de 3,5 milhões de adolescentes usam os vaporizadores. Pacientes examinados nos estados de Illinois e Wisconsin tinham idade média de 19 anos, e um terço do total era menor de 18. A empresa Juul, que controla 70% do mercado de cigarros eletrônicos nos EUA, recebeu uma advertência da FDA nesta semana por usar em publicidade a ideia de que os novos produtos são mais seguros para a saúde do que os cigarros tradicionais. A empresa é alvo de críticas por campanhas que caem no gosto de adolescentes. O governo do presidente Donald Trump analisa proibir as essências justamente para tirar o apelo para o público jovem. Um levantamento do IMARC Group apontou que o mercado foi avaliado em US$ 11,5 bilhões em 2018, com potencial de atingir 24,2 bilhões em 2024. A tendência nos EUA é banir o cigarro eletrônico com sabor. 5. Há relação entre as mortes com o acetato de vitamina E e a maconha? Os sintomas de pacientes que procuraram hospitais nos Estados Unidos se assemelham aos da pneumonia. Incluem dificuldade de respirar, febre, tosse e vômitos, além de dor de cabeça, tontura e incômodo no peito. Uma das suspeitas sobre o crescente número de casos recai sobre o acetato de vitamina E, que foi encontrado em 34 vaporizadores analisados pelas autoridades de saúde do estado de Nova York. Entretanto, uma investigação do governo norte-americano não encontrou nenhuma ligação óbvia entre os casos registrados e produtos componentes dos cigarros eletrônicos. Todos os objetos analisados tinham origem no mercado negro e foram usados com misturas líquidas que incluíam o THC (Tetraidrocanabinol), o que sugere um problema na combinação do acetato de vitamina E com o componente ativo da maconha. Vários tipos de cigarro eletrônico são vistos durante reunião em Londres Leon Neal/AFP 6. Produtos com canabidiol apresentam risco? Essa é uma hipótese e não estão descartados os perigos do uso desse composto com a nicotina, em vez de produtos à base de cannabis. Outros compostos químicos também investigados são a glicerina e o propilenoglicol presentes nos ingredientes da mistura líquida vaporizada, usados para o processo de aquecimento ou para enfatizar os "sabores". Também são analisadas outras substâncias que ajudam a dar viscosidade à mistura líquida e as partículas de metal que os cigarros eletrônicos liberam. Em resumo: cientistas estão, no momento, tateando, recolhendo evidências e informações para ter uma ideia melhor do que está ocorrendo. 7. O que dizem as pesquisas mais recentes sobre o tema? Estudos realizados nos EUA com os cartuchos utilizados nos "e-cigarros" demonstraram que, em muitos deles, de variadas marcas, havia substâncias não especificadas, potencialmente tóxicas ou cancerígenas, e com concentrações duvidosas, que poderiam ser deletérias para a saúde das pessoas. De acordo com a "American Heart Association" (Associação do Coração dos EUA), os diferentes sabores dos e-cigarros tendem a incentivar um maior consumo desse produto e levar ao vício. Usuários da vaporização com essências disseram aos pesquisadores que se sentiam mais viciados à prática do que aqueles que não usavam nenhum produto extra. Outro estudo dessa associação relacionou o consumo de cigarros eletrônicos ao aumento do risco de doenças cardiovasculares como o infarto. Já pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) alertaram para os riscos da vaporização para o sistema circulatório, registrando danos aos vasos sanguíneos. O CDC recomendou que usuários fiquem atentos a sinais como dores no peito e falta de ar. Há também o reforço de autoridades para que não sejam comprados aparelhos e compostos líquidos "na rua" ou que tenham sido modificados. "Receitas caseiras" encontradas no YouTube para melhorar a vaporização também são desaconselhadas até que os problemas sejam esclarecidos. VÍDEOS SOBRE O CIGARRO ELETRÔNICO Veja vídeos do Bem Estar sobre o tema: Cigarro eletrônico é tão ruim quanto o tradicional Teste mostra que índice de nicotina em cigarro eletrônico é o mesmo do cigarro comum Doutora Ana Responde: Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar? Initial plugin text

12/09 - 2019


Anvisa propõe rótulos de alimentos com alertas sobre alto teor de açúcar, gordura e sódio



Produtos teriam que apresentar essa informação na embalagem. Proposta vai para consulta pública durante 45 dias. Avisos frontais devem complementar informação da tabela nutricional, dispostas geralmente na parte de trás dos alimentos. USP Imagens A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quinta-feira (12) a abertura de uma consulta pública sobre uma proposta para atualizar os rótulos nutricionais dos alimentos embalados. Segundo a agência, o objetivo é facilitar a compreensão da rotulagem nutricional pelos consumidores para realização de escolhas alimentares. A agência já recebeu mais de 30 mil contribuições da sociedade sobre o tema. Brasil quer colocar alerta na frente dos rótulos dos alimentos A proposta avaliada compreende a tabela de informação nutricional, alegações nutricionais e a novidade de incluir uma rotulagem nutricional frontal. Os rótulos de alimentos com alto teor de sódio, gordura e açúcar teriam a simbologia de uma lupa, para que o consumidor possa visualizar nos produtos o que pode trazer de maior risco para a saúde. A lupa da rotulagem frontal será obrigatória em alimentos com altos níveis de açúcar, gordura ou sódio Reprodução/Anvisa Como será feito o cálculo para o alto teor A Anvisa adotou os seguintes limites para cada composto, considerando cada 100 ml ou 100g do produto: Açúcar: 10g para sólidos e 5g para líquidos; Gordura saturada: 4g para para sólidos e 2g para líquidos; Sódio: 400 mg para sólidos e 200g para líquidos. Passados esses limites, se a proposta for aprovada, a empresa deverá inserir o alerta. Tabelas mais legíveis Para a tabela de informação nutricional, a Anvisa propõe incluir a declaração dos valores nutricionais por 100 g ou 100 ml do alimento, para permitir comparações. E reduzir a variabilidade no tamanho das porções. Além disso, estabelece critérios de legibilidade, como caracteres e linhas em cor 100% preta sobre um fundo branco. Também determina o tamanho da letra, a espessura das linhas e da margem, sempre buscando melhorar sua visualização e leitura. Nova tabela nutricional será mais legível e com informações padronizadas Reprodução/Anvisa Se aprovada a proposta, todas as embalagens terão rótulos com a imagem de uma lupa, alertando para o fato de que aquele alimento contém alto teor de açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio. Para entrar nessa categoria, o produto deve ter quantidades iguais ou superiores aos limites definidos desses ingredientes. Os limites serão diminuídos gradualmente no período de adaptação, a partir da publicação da norma. O design da rotulagem frontal foi feito a partir de pesquisas com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade de Brasília (UnB). Uso não obrigatório para pequenos produtores A rotulagem frontal é voluntária nos rótulos dos alimentos fabricados por agricultor familiar, empreendedor familiar rural, empreendimento econômico solidário e Micro Empreendedores Individuais (MEI). E também não se aplica a alimentos cuja declaração da tabela nutricional é voluntária e a alimentos com teores naturais elevados de algum nutriente crítico, para evitar a transmissão de uma mensagem inadequada. Novos rótulos pretendem evitar má interpretação sobre os produtos Marcelo Camargo/Agência Brasil Quanto às alegações nutricionais, a Anvisa propõe uma mudança nos critérios para evitar enganos. Alimentos com rotulagem frontal de açúcar adicionado não podem ter alegações para açúcares e açúcares adicionados. Ainda que o alimento seja de fato reduzido em açúcar, se houver a rotulagem frontal, a alegação não será permitida. O mesmo acontece com gordura saturada, não podem ter alegações para gorduras totais, saturadas, trans e colesterol, e com sódio, para sódio ou sal. Críticas à proposta O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Alimentos (ABIA), João Dornellas, criticou a proposta, mas esclareceu que a associação defende que haja rotulagem nutricional na frente das embalagens. "Ainda acreditamos que existem modelos que podem ser melhorados, trazendo ainda melhores informações específicas sobre a quantidade de açúcar, gordura saturada e sódio em relação a dieta diária recomendada por aquela pessoa." Próximos passos A proposta apresentada ainda precisará ser colocada em consulta pública, quando o texto ficará disponível no site da agência para receber contribuições de qualquer pessoa, durante 45 dias. É só depois dessa etapa que os diretores da agência colocarão a proposta em votação para definir se ela entra ou não em vigor como Resolução da Diretoria Colegiada, o que estabeleceria novas regras para as indústrias do setor alimentício.

12/09 - 2019


Por que médicos americanos acreditam que transplante de fluido vaginal pode beneficiar mulheres



Mulheres que repetidamente têm vaginose bacteriana poderiam receber microorganismos saudáveis das doses doadas. Bactérias da vaginose bacteriana cobrindo células Getty Images/Via BBC Médicos norte-americanos esperam começar a oferecer transplante de fluidos vaginais — e já começaram um programa para encontrar doadores em potencial. Eles dizem acreditar que algumas mulheres podem se beneficiar de uma dose saudável de micróbios vaginais para se proteger contra uma infecção chamada vaginose bacteriana (VB). Conheça a Pussypedia, a enciclopédia online sobre a vagina A equipe da Universidade Johns Hopkins, EUA, diz que foi inspirada no sucesso de transplantes fecais. Embora a vaginosa bacteriana possa ser tratada com antibióticos, muitas vezes ela volta. O que é VB? Vaginose bacteriana não é uma doença sexualmente transmissível. É comum, e mulheres podem notá-la se tiverem um aumento do corrimento vaginal na maior parte dos casos com odor semelhante a peixe. A condição não é séria, mas deve ser tratada porque ter VB pode deixar as mulheres mais vulneráveis a infecções sexualmente transmissíveis e infecções urinárias. Se a mulher está grávida, aumenta o risco de ter o bebê prematuramente. Por que doar fluido vaginal ajuda? VB pode ocorrer quando há uma mudança no equilíbrio natural de bactérias na vagina. A vagina, como o intestino, é casa de vários micro-organismos diferentes. Nossas dietas, comportamento e alguns tipos de medicamento que tomamos podem interferir nesse ecossistema muito bem balanceado. E, enquanto existem vários estudos e trabalhos sobre o microbioma intestinal, sabemos menos sobre a vagina. Especialistas sabem que micro-organismos saudáveis na vagina preferem um ambiente ácido, e quando o pH se transforma em muito alcalino, outros tipos de bactéria - incluindo aquelas que causam VB - florescem. Um número de fatores pode aumentar o pH vaginal e fazer o VB mais provável, inclusive manter relações sexuais (sêmen e saliva são um pouco mais alcalinos), usar duchas ou sabonetes vaginais, além de mudanças hormonais em momentos específicos do mês durante o ciclo menstrual da mulher. Como seria um transplante? Os pesquisadores estão analisando o que é preciso para uma doação segura para começar a oferecer transplantes para mulheres com VB. Eles esperam fazer isso logo agora que têm a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), a agência federal reguladora dos Estados Unidos. Eles analisaram um pequeno grupo de voluntários e publicaram suas conclusões no periódico científico "Frontiers in Cellular and Infection Microbiology". Baseado nas 20 mulheres testadas, os pesquisadores dizem ter entendido o que pode fazer uma doadora ser a doadora "ideal". Amostras de fluidos vaginais com a bactéria Lactobacillus crispatus tendem a ter mais conteúdo de ácido láctico protetor e um pH mais baixo que pode ser benéfico, dizem. Como uma precaução, doadores teriam que se abster de sexo por ao menos 30 dias antes de dar uma amostra e seriam testados por infecções, incluindo HIV, para preveni-los de passá-las para as pessoas recebendo as doações. "A doação será por autocoleta, que sabemos que as pessoas tendem a preferir", diz uma das pesquisadoras, a médica Laura Ensign. A mulher insere e depois remove um disco plástico flexível - similar a um copo menstrual ou um diafragma - para colher a amostra. "É rápido e fácil e uma amostra coletada dessa forma seria material suficiente para produzir uma dose para doação", afirma. Como monitorar o ciclo menstrual ajuda as mulheres no esporte A mulher recipiente poderia inserir a dose por meio de um aplicador semelhante àqueles de absorventes internos. "Se conseguirmos financiamento, podemos começar imediatamente. Algumas das pessoas que fizeram parte do estudo disseram que adorariam participar", afirma Ensign. "Planejaríamos, então, dar transplante para 40 recipientes para começar. Alguns receberiam a dose verdadeira e outros um placebo. Todas também tomariam antibióticos para seu VB, no entanto."

12/09 - 2019


Kimberly-Clark anuncia recall de lenços umedecidos para bebê por presença de bactéria



Bactéria não apresenta riscos para pessoas saudáveis, mas pode causar infecções em caso de sistema imunológico comprometido, segundo a fabricante. A Kimberly-Clark do Brasil anunciou o recall de dois lotes de toalhas umedecidas para bebês, por presença da bactéria Enterobacter gergoviae – segundo a empresa, presente naturalmente no ambiente e no organismo humano. Fazem parte do recall: Toalhas Baby Wipes lote 024, produzidas entre as 6h e as 9h do dia 24 de janeiro de 2019 Toalhas Umedecidas Max Clean Huggies, lote 219, produzidas entre as 6h30 e as 7h30 do dia 7 de agosto de 2019 O recolhimento dos produtos começa nesta quinta-feira (12). Os consumidores que tiverem produtos desses lotes devem suspender a utilização e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa, pelo telefone 0800 709 5599 (de segunda a sexta, das 8h às 20h), ou pelo site www.kimberly-clark.com.br/contato. Em nota, o Procon informa que os consumidores que sofreram algum tipo de acidente pela manipulação do produto poderão solicitar, por meio do Judiciário, a reparação dos danos eventualmente sofridos. Lotes das toalhas umedecidas Baby Wipes e Huggies Max Clean são alvo do recall Kimberly-Clark/Reprodução Riscos Segundo a companhia, a bactéria não apresenta riscos para a saúde em pessoas saudáveis. Em pessoas com o sistema imunológico comprometido, pode causar infecções tratáveis com assistência médica. "Em casos extremos de pessoas que, além do sistema imunológico comprometido, estejam hospitalizadas e apresentem doenças preexistentes, a infecção pode se tornar severa e requerer assistência médica adicional para se evitar risco de vida", adverte a fabricante.

12/09 - 2019


Marcos Pontes é internado em Brasília, diz ministério da Ciência e Tecnologia



Presença dele era aguardada em audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Pontes é o 2º ministro a parar no hospital em 15 dias. O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes Marcelo Camargo/Agência Brasil O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, de 56 anos, foi internado no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. Inicialmente, a assessoria do ministério informou que ele procurou atendimento na noite de quarta-feira (11). No entanto, o hospital afirma que ele deu entrada às 7h45 desta quinta (12). No início da tarde, ele recebeu alta. Embora o ministério tenha informado que Pontes estava internado, por volta das 10h35 ele disse que não estava. "Estou no hospital, mas não preciso ficar internado por ora", escreveu o ministro em mensagem enviada à colunista Andréia Sadi por volta das 10h35. "Nada de infarto. Ontem (quarta) não passei bem à tarde e me escalaram para fazer consultas e exames hoje (quinta)." Em boletim médico, o HFA informou que o ministro teve quadro de náusea, vômito, sudorese e dificuldade de andar. Após exames, ele foi liberado e recebeu recomendação para ficar em repouso absoluto por, pelo menos, 48 horas. Ausência na Câmara Marcos Pontes era esperado nesta quinta na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, para uma audiência sobre a exoneração de Ricardo Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A audiência será remarcada. A notícia da internação foi dada pelo deputado que presidia a mesa, Rodrigo Agostinho (PSB-SP). Ele afirmou: "Nós estamos com um problema, o ministro Marcos Pontes foi internado no Hospital das Forças Armadas por um problema de saúde. Nós estamos aqui com a equipe técnica do ministério". Na mesma sessão, a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) disse: "Nós sabemos que foi um motivo de força maior a não vinda do ministro. Um mal súbito, que o ministro inclusive está internado. Estimamos que o ministro melhore o mais rápido possível". Ricardo Salles A internação de Marcos Pontes é a segunda de um ministro de Estado no Hospital das Forças Armadas em 15 dias. Em 27 de agosto, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu entrada na Unidade de Emergência "com quadro de mal estar". Ele recebeu alta no dia seguinte. Ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, tem alta do Hospital das Forças Armadas, em Brasília Brenda Ortiz/G1 Segundo o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, Salles fez exames que foram considerados "normais". Em tom de brincadeira, o general classificou o episódio como "estresse ambiental". O Ministério da Defesa divulgou nota na qual o médico responsável pela alta do ministro, Nestor Francisco Miranda Júnior, recomendava "repouso pelo prazo de cinco dias". Na época da internação, Salles havia entrado em evidência por causa das queimadas na Amazônia. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. (*Sob supervisão de Maria Helena Martinho)

12/09 - 2019


Rejeitar vacinas é 'brincar com fogo', diz Presidente da Comissão Europeia



Em evento organizado junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) para refletir sobre a queda das coberturas vacinais na Europa, Jean-Claude Juncker disse que os 'antivacina' contribuem com expansão de doenças que poderiam ser erradicadas. Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker Jean-François Badias/Reuters O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, denunciou nesta quinta-feira (12) aqueles que "brincam com fogo" por rejeitar as vacinas, durante a primeira "cúpula mundial" sobre o tema das vacinas organizada em Bruxelas junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Enquanto em algumas partes do mundo os seres humanos morrem por causa da falta de vacinas, aqui [na Europa] as pessoas arriscam suas vidas e as de outros por rejeitá-las", lamentou Juncker, no início da reunião. Em um contexto de aumento de casos de doenças que podem ser erradicadas por vacinas, como o sarampo, a União Europeia e a OMS decidiram organizar essa reunião entre políticos, membros da sociedade civil, especialistas da área da saúde e representantes de redes sociais. Drauzio Varella: Movimento antivacina é criminoso OMS e Facebook se unem em combate à desinformação Retorno de doenças No mundo, quase três vezes mais casos de sarampo foram registrados no primeiro semestre de 2019 do que em todo o ano de 2018. "Na Europa, o número de mortes relacionadas ao sarampo multiplicou por seis entre 2016 e 2018. E esses casos afetam principalmente pessoas não vacinadas", explicou Juncker. Sarampo: quem pode tomar a vacina? O motivo, segundo o presidente do executivo da comunidade, "muitos europeus desconfiam das vacinas", especificamente "38% deles acreditam que causam as doenças contra as quais deveriam proteger". "As mentiras sobre vacinas estão se espalhando em países desenvolvidos da Europa, nos Estados Unidos, Canadá e outros lugares, mas também em países menos desenvolvidos, como Paquistão e República Democrática do Congo", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desinformação preocupa mais do que grupos 'antivacina', diz epidemiologista O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus Denis Balibouse/Reuters Para Ghebreyesus, a situação dificulta "o combate à poliomielite, ao ebola e outras doenças que poderiam ser evitadas com vacinas". Tanto a Comissão como a OMS trabalham com plataformas digitais e redes sociais para tentar combater as campanhas de desinformação ligadas às vacinas. Para Ghebreyesus, "os recentes anúncios do Pinterest e do Facebook que redirecionam os usuários para informações precisas e confiáveis sobre vacinas são bem-vindos. É um bom começo, mas é preciso fazer mais".