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21/06 - 2018


Pesquisa mostra que transtornos mentais diferentes podem ter a mesma causa genética



Esforço global de cientistas encontrou forte sobreposição genética entre condições como depressão e déficit de atenção. Achados estão na 'Science' desta quinta-feira (21). Estudo mostra que, pelo menos no nível genético, há muita similaridade entre as condições psiquiátricas NeuPaddy/Pixabay/CC0 Creative Commons Estudo publicado na revista "Science" nesta quinta-feira (21) mostra que transtornos mentais diferentes, como depressão e déficit de atenção, dividem o mesmo grupo de genes, e por isso, podem ter a mesma causa genética. O estudo faz parte do projeto BrainStorm Consortium, iniciativa de cientistas norte-americanos que tenta medir o peso que a genética tem em distúrbios psiquiátricos. A pesquisa envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Austrália e da Ásia e teve a coordenação de Ben Neale, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O primeiro autor foi Verneri Anttila, que faz o pós-doutorado no MIT. "Este foi um esforço sem precedentes no compartilhamento de dados, de centenas de pesquisadores em todo o mundo, para melhorar nossa compreensão do cérebro" -- Verneri Anttila (MIT). Para chegar a essas conclusões, cientistas mediram a sobreposição de fatores de risco genéticos de 25 distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Foram analisados dados de 215.683 pacientes e de 657.164 pessoas saudáveis (grupo-controle). Também pesquisadores consideraram o quadro clínico e características de quase 1,2 milhões de indivíduos. Além das similaridades genéticas, a comparação entre os grupos e o mapeamento de genes traz dois desdobramentos importantes: A pesquisa reforça que pessoas com pais com distúrbios psiquiátricos têm mais chance de desenvolver condições similares; Distúrbios psiquiátricos diferentes estão relacionados a um mesmo conjunto de genes, mesmo que os sintomas se apresentem de formas diferentes. Autores ressaltam que a descoberta mostra a necessidade do reconhecimento das similaridades entre as condições para que novas estratégias de tratamento sejam desenvolvidas. Sobreposição genética entre diferentes doenças Os resultados do estudo apontam que a sobreposição genética foi mais forte entre Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), transtorno bipolar, depressões mais graves e esquizofrenia. Os dados também indicaram forte sobreposição genética entre anorexia nervosa e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), bem como entre TOC e síndrome de Tourette. Entre os distúrbios neurológicos, houve fraca sobreposição de genes. Dados do estudo mostram que a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer, a epilepsia e a esclerose múltipla, mostraram pouca ou nenhuma correlação genética entre si e com outros distúrbios cerebrais. Cientistas dizem ser necessário uma maior quantidade de dados para analisar ainda qual o impacto da similaridade genética entre as diferentes condições. Eles acreditam, no entanto, que a sobreposição de genes agora apresentada exerce uma forte pressão sobre as fronteiras clínicas estabelecidas entre os distúrbios mentais. "O alto grau de correlação genética entre muitos dos distúrbios psiquiátricos acrescenta mais evidências de que os atuais limites clínicos não refletem diferentes processos patogênicos, pelo menos no nível genético", escreveram.

21/06 - 2018


Imunização de crianças em queda: por que os pais deixam de vacinar os filhos? Veja perguntas e respostas



Vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura em 16 anos. Por causa da baixa adesão, vacinação contra a gripe foi prorrogada em vários estados Cristine Rochol/PMPA Os baixos índices de imunização de crianças no Brasil acenderam o alerta em especialistas. Mas afinal, quais os motivos por trás da decisão de pais que não vacinaram os filhos? Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, um dos motivos que explicam o menor índice em 16 anos de cobertura de vacinação em crianças menores de um ano é o fato de que as vacinas estão culturalmente vinculadas à percepção de risco da doença. Quando se trata de doenças erradicadas, a população tem mais dificuldade de enxergar seus perigos. Teoria de que vacinas deixam crianças expostas a todo tipo de infecção é infundada, diz estudo Bem Estar tira dúvidas sobre a vacina da gripe Imunização falha e onda antivacina explicam aumento de 400% de sarampo na Europa, diz OMS "As vacinas acabam sendo 'vítimas de seu próprio sucesso'. A cultura do ser humano é de se vacinar quando há um risco iminente, quando ele não enxerga esse risco, não trata com prioridade, o que é um equívoco" Kfouri cita como exemplo os dados de cobertura da vacina contra a gripe, em 2016, que em três semanas atingiu a meta de 80% de cobertura, quando houve um surto da doença. “Hoje isso não seria possível nem em três meses.” Para a pediatra Ana Escobar, consultora do programa "Bem Estar", muitos pais mais jovens ficaram muito longe da realidade de ter uma criança com poliomelite ou sarampo, por exemplo. "Não conhecem e nem nunca viram crianças com estas doenças. Por isso, não há um estímulo vigoroso para que compareçam aos postos de saúde com a frequência necessária para vacinar seus filhos. Há pouca informação na mídia sobre a gravidade destas doenças, que de fato diminuíram sensivelmente sua incidência", analisa. Na campanha de vacinação contra a gripe de 2018, as crianças de seis meses a cinco anos e as gestantes registram o menor índice de vacinação contra a gripe. A três dias do fim da campanha, apenas 65,92% das crianças tinham sido vacinadas. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo com menos de um ano vacinada não foi alcançada. Dentre as vacinas do calendário infantil, apenas a BCG teve índices satisfatórios em 2016 e 2017. A vacina Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubeóla e varicela, apresenta o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. Seguido da vacina de Rotavírus Humano que ficou 20% abaixo da meta. Mas por que os pais deixam de vacinar os filhos? Para Kfouri um impeditivo para a vacinação é o fato de muitas vezes a população e até os profissionais da área da saúde não conhecem a doença para qual precisam se imunizar e consequentemente não entendem seus riscos. "Doenças como rubéola, sarampo e poliomelite foram erradicadas, e não são mais vistas, dificultando que as pessoas enxerguem o risco. Muitas vezes até profissionais da área de saúde deixam de fazer recomendações mais enfáticas [sobre a importância de se imunizar] também por esta falta de percepção." Há outros motivos para que as pessoas deixem de se vacinar? Além da percepção do risco da doença, fatores como o horário de funcionamento dos postos de saúde, além da falta sazonal de uma determinada vacina podem ser motivos para a falta de vacinação, segundo Kfouri. Ele lembra que os postos funcionam em horário comercial e nem sempre atendem as necessidades das famílias, cujo os pais trabalham fora. “Os horários nem sempre são os mais adequados, é preciso repensar isso.” Ana Escobar lembra ainda que há uma diminuição da frequência de campanhas de vacinação para doenças erradicadas: "As campanhas de vacinação, feitas com grande frequência na época de erradicação da poliomielite, com intensa propaganda nos meios de comunicação – os mais velhos ainda se lembram do Zé Gotinha- estimulava o comparecimento aos postos. Com a erradicação da Polio e a diminuição da frequência das campanhas, o estímulo para se vacinar diminuiu também". Medo de supostas reações pode contribuir para a não vacinação? Para Kfouri, o público que deixa de vacinar seus filhos por medo das reações é uma parcela desprezível que não impacta os índices de cobertura. Quais as consequências desses baixos índices de imunização? Para a doutora Ana Escobar, não há dúvidas: o risco do retorno de doenças já erradicadas é uma das consequências dos baixos índices de imunização. "Observe-se que frequentemente temos tido um aumento de casos de sarampo aqui ou ali, que imediatamente é controlado com campanhas de vacinas. Importante saber que a única doença oficialmente erradicada do planeta é a varíola. Nem a poliomielite está erradicada. Portanto, baixas coberturas vacinais pode, sim, trazer algumas destas doenças de volta", explica. A comunicação sobre a necessidade de se vacinar ainda é ineficaz? Segundo Ana Escobar, apesar dos avanços na comunicação, ainda temos dificuldade nesta área quando o tema é vacinação: "A importância das vacinas só aparece como “explosão” e lembrança de sua importância quando o número de casos para determinada doença aumenta, como o que aconteceu recentemente com a febre amarela." "O 'medo iminente' de adoecer e morrer é que faz as pessoas correrem. O 'perigo remoto e longínquo' destas doenças, aliado à falta de informação sobre as mesmas, não faz ninguém correr. Poucos jovens de hoje sabem o que é difteria, o que causa e por que se morre com esta doença, por exemplo", diz.

21/06 - 2018


Na véspera do encerramento, campanha de vacinação contra a gripe não atingiu 8,6 milhões de pessoas



Menor índice de vacinação é entre crianças de seis meses a cinco anos. Ministério da Saúde diz que 44 crianças morreram por causa de gripe, mais que o dobro do ano passado. Criança é vacina contra a gripe A em posto de saúde no bairro da Terra Firme, em Belém. Igor Mota/Amazônia Hoje/Arquivo Na véspera do último dia da campanha nacional de vacinação contra a gripe, 8,6 milhões de brasileiros ainda não tinham se vacinado, de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar do prazo ter sido prorrogado até sexta, dia 22 de junho, a meta do Ministério da Saúde de ter 54, 4 milhões de pessoas vacinadas não foi alcançada. O governo recomenda que municípios que tenham estoque ampliem a vacinação também para crianças de cinco a nove anos de idade e aos adultos de 50 a 59 anos (veja abaixo qual é o público-alvo atual). Entre o público alvo que ainda precisava ser alcançado, 3,6 milhões são crianças com menos de cinco anos. O Ministério da Saúde informou que já registrou 44 mortes de crianças nesta faixa etária por complicações relacionadas à gripe neste ano. O número é mais que o dobro do mesmo período do ano passado, quando foram 14 óbitos. Quem deve ser vacinado A vacina contra a gripe é indicada por pessoas em maior risco de transmissão (como profissionais da saúde) ou pessoas com maior possibilidade de desenvolver complicações mais graves (como é o caso de idosos). Os grupos são: Professores da rede pública e privada; Profissionais de saúde; Crianças entre 6 meses e cinco anos (estão com a menor cobertura); Gestantes; Mulheres com parto recente (com até 45 dias); Idosos a partir de 60 anos; Povos índigenas; Portadores de doenças crônicas; População privada de liberdade (inclui funcionários do sistema prisional e menores infratores). Alerta sobre a cobertura Para o Ministério da Saúde, a baixa cobertura registrada até o período "acendeu um alerta". A preocupação, segundo a pasta, é com o inverno, período considerado de maior circulação do vírus da gripe. A região Sudeste tem menor cobertura vacinal contra a gripe até o momento, com 77,2%. Em seguida estão as regiões Norte (78,4%), Sul (84,8%), Nordeste (89,3%) e Centro-Oeste com a melhor cobertura, de 96,5%. Entre os estados, Goiás, Amapá, Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Tocantins, Maranhão, Paraíba, e Alagoas possuem cobertura vacinal contra a gripe acima de 90%. Os estados com as taxas mais baixas de vacinação contra a gripe são Roraima, com 60,4% e Rio de Janeiro, com 62,4%. Cobertura vacinal Total de casos e mortes Segundo boletim que contabilizada dados até 16 de junho, foram 3.122 casos de influenza em todo o país, com 535 mortes. Do total, 1.885 casos e 351 mortes foram por H1N1. Em relação ao vírus H3N2, foram 635 casos e 97 mortes. Houve ainda 278 registros de influenza B, com 31 mortes e outros 324 registros de influenza A não subtipado, com 56 mortes. A taxa de mortalidade por influenza no Brasil está em 0,26% para cada 100 mil habitantes. Em 73,5% houve, pelo menos, um fator de risco para complicação, tais como cardiopatias, diabetes e pneumopatias.

21/06 - 2018


Infecções por vírus estão associadas à doença de Alzheimer, diz estudo



Pesquisa publicada na 'Neuron' nesta quinta-feira (21) identificou fragmentos de vírus da herpes em quatro áreas do cérebro de pessoas que tiveram a demência. Ilustração desenvolvida por cientistas mostra cérebro sendo afetado por vírus. Relação entre micro-organismos e o órgão é muito debatida pela ciência Shireen Dooling/Biodesign Institute at ASU A doença de Alzheimer pode ser uma consequência de infecções por vírus que aconteceram ao longo da vida, principalmente o vírus da herpes, diz estudo publicado nesta quinta-feira (21) na revista "Neuron". A pesquisa analisou três diferentes bancos de dados de cérebros e mostrou, segundo os autores, o maior conjunto de evidências registrado até agora sobre essa relação. No total, cientistas analisaram 622 cérebros de pessoas que tiveram Alzheimer e 322 órgãos de pessoas sem a doença. O estudo teve a participação de pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona e da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, ambas nos Estados Unidos. Cientistas contaram com financiamento do NIH (Instituto Nacional de Saúde dos EUA). "Trata-se de um estudo publicado em uma revista importante sobre uma discussão grande na ciência: a relação entre micro-organismos e o cérebro", diz Almir Ribeiro Tavares Júnior, professor da Faculdade de Medina da Universidade Federal de Minas Gerais que já acompanhou estudos com Alzheimer no NIH. O pesquisador explica que cientistas desconfiam há décadas da relação entre demências e infecções. Acredita-se que a proteína associada à doença de Alzheimer, a beta amiloide, pode ser produzida como uma reação do sistema imunológico a infecções por micro-organismos. "A beta amiloide se associa com morte neuronal e pior transmissão de impulsos entre neurônios. Antes, pensava-se que ela fosse a causa da doença de Alzheimer. Hoje, ela também é estudada como consequência", diz o pesquisador. Almir Tavares alerta, no entanto, que as pessoas estudadas não necessariamente tiveram herpes. "O estudo mostra que essas pessoas tiveram contato com o vírus ao longo da vida", diz. "Não dá para inferir que uma pessoa que tem herpes vai desenvolver a doença. Cada situação precisa de um estudo específico", conclui Tavares. Vírus da herpes e dificuldades do estudo Ao comparar cérebros de pessoas acometidas pela demência com cérebros normais, o estudo identificou altos níveis de herpesvírus humano (HHV) 6A e 7 em amostras de cérebro de pessoas que haviam tido a doença. Os cientistas encontraram fragmentos do vírus em quatro regiões diferentes do cérebro. Pesquisadores salientam, no entanto, que o estudo não permite estabelecer uma relação de causalidade entre Alzheimer e infecções, mas aponta para uma relação possível. "Seria muito difícil cravar essa relação, porque seria necessário um estudo prospectivo, com uma intervenção", diz o pesquisador da UFMG. "Um dos problemas é acompanhar essas pessoas por muitas décadas", conclui Tavares. Além da presença do vírus, cientistas sequenciaram o DNA e o RNA de todos os 944 cérebros analisados e encontraram diversos mecanismos associados ao Alzheimer que podem ter sido deflagrados pelas infecções. "Eles estavam procurando por sinais indiretos que podem ter sido deixado pelos vírus", completa Tavares. "É um conjunto de ideias batalhado por pesquisadores há anos. Agora, cientistas conseguiram um financiamento para a análise de um grande conjunto de dados, mas ainda é uma pesquisa e não tem implicação prática nesse momento", diz Almir Tavares.

21/06 - 2018


Notificações de acidentes de trânsito ligados ao trabalho crescem mais de seis vezes entre 2007 e 2016



Foram mais de 118 mil casos reportados ao Ministério da Saúde no período. Em 2016, internações ligadas a problemas a caminho do trabalho ou no exercício da função somaram 10% das hospitalizações por acidentes. Trânsito na Marginal Pinheiros (São Paulo) em foto de 11 de junho de 2018 Marivaldo Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo Os acidentes de transporte relacionados ao trabalho cresceram 568,5% - ou cerca de 6,7 vezes - no Brasil em nove anos (2007-2016), informa levantamento do Ministério da Saúde feito a partir de dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). O dado considera acidentes ocorridos quando o trabalhador tem uma função que envolve locomoção ou quando estava indo ou voltando do local de trabalho. Considerando os dados de 2016, os acidentes de trânsito relacionados ao trabalho representaram em média 10% das internações por todos os acidentes de trânsito observados no período (foram 180 mil no ano de 2016). No período, segundo uma das fontes oficiais disponíveis, foram 16.568 mortes no período, o que representa um percentual de 14% de óbitos dentro dos casos notificados. Abaixo, confira a evolução do taxa de acidentes de transporte relacionados ao trabalho ao longo do tempo. No total, foram 118.310 notificações desse tipo de acidente entre 2007 e 2016, com maiores índices em 2015 (17.327) e 2016 (18.706), informa a pasta. Em 2007, foram 2.798 notificações, número que subiu para 18.706 em 2016. O Ministério da Saúde informa que o número pode refletir uma maior eficiência no envio das notificações -- e não só um incremento nos acidentes. A pasta, no entanto, cita que o maior aumento registrado na frota de veículos a partir de 2013 no Brasil também pode ajudar a explicar o maior número de notificações. Apesar da melhora nos registros nos últimos anos, o Ministério da Saúde considera a possibilidade de subnotificação em muitos casos de internação por ausência de preenchimento ou desconhecimento sobre a razão de deslocamento. Perfil demográfico Considerando o perfil de quem sofre acidente, a maioria é homem (81,7%), tem entre 18 e 29 anos (40,1%), e é da raça/cor negra (39,8%) com escolaridade de ensino médio (33,9%). Quanto à análise da situação no mercado de trabalho, o maior percentual de acidentes foi notificado para empregados registrados (61,8%). A região com maior percentual de registros de acidentes de transporte relacionados ao trabalho no Sinan foi a Sudeste (47,5%), e a menor, a região Norte (9,2%). Número de mortes é divergente O boletim do Ministério da Saúde considerou dois registros para contabilizar o número de mortes, com dados diferentes entre eles. Segundo o Sistema de Informações de Mortalidade(SIM), que integra o DataSus, o Brasil teve 16.568 mortes de acidentes de transporte relacionadas ao trabalho entre 2007 e 2016. Em 2007, foram registrados 1.447 óbitos; em 2016, 1.393. Já no Sinan, foram notificados 76 óbitos em 2007; contra 768 em 2016. Segundo o Ministério da Saúde, o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) registrou 63,1% menos mortes que o SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade).

21/06 - 2018


A caixa revolucionária que coleta água do ar no deserto



Coletora foi testada com sucesso no deserto do Arizona e pode ser adaptada para qualquer outro no mundo. O aparelho pode ser usado em qualquer lugar do mundo e não usa eletricidade Stephen McNally/UC Berkeley/Divulgação A tecnologia para captar água potável a partir das moléculas de água distribuídas na atmosfera já existe há muitos anos, mas aparelhos que sejam pequenos, eficientes e capazes de fazê-lo em grande em escala ainda são um desafio. Por tudo isso, o trabalho do cientista americano Omar Yaghi, professor de química na Universidade da Califórnia em Berkeley, é um avanço nesse sentido. Ele criou uma caixa que retira água do ar do deserto e funciona apenas com luz solar, sem a necessidade de nenhuma outra fonte de energia. O pesquisador e sua equipe acabaram de testar o aparelho com sucesso no deserto do Arizona. Yaghi é reconhecido internacionalmente por ser pioneiro no desenvolvimento de um tipo de material com altíssima capacidade de absorção, que foi usado na produção da coletora da água. Entre os diversos prêmios que já recebeu, está o que ganhou neste ano da Fundação BBVA Fronteiras do Conhecimento na categoria Ciências Básicas. O reconhecimento veio por causa de seu trabalho com as chamados Metal Organic Frameworks (MOF, ou estruturas metalorgânicas), conjuntos de moléculas em que cadeias de átomos de carbono se unem por meio de íons metálicos, formando estruturas. O químico Omar Yaghi trabalha com estruturas metalorgânicas UC Berkeley/Divulgação O próprio Yaghi deu um nome a esse campo de pesquisa: "química reticular". Os cientistas podem modificar as estruturas metalorgânicas para incorporar propriedades diferentes – por exemplo, tornando-os porosos e aumentando sua capacidade de absorção. Além de captar água, esse material tem potencial para absorver CO² da atmosfera e armazenar gases para combustíveis. Poros aumentam a superfície interna da estrutura, sendo ideais para absorção de água UC Berkeley/Divulgação Vários tipos de MOF já estão sendo testados para aumentar a capacidade do tanque de automóveis que funcionam à base de hidrogênio, por exemplo. A aplicação do material para captação de água do deserto é uma das mais promissoras. Caixa surpresa Os poros de MOF atraem e armazenam as moléculas de água do ar e depois os soltam, sem demandar altas temperaturas ou uso de eletricidade. A coletora de água é basicamente uma caixa dentro de outra. Na de dentro, há uma camada feita com as estruturas metalorgânicas e que absorve as moléculas durante a noite. A caixa maior, de plástico, tem uma tampa que fica aberta durante a noite para captar a umidade. Várias startups estão de olho na nova tecnologia UC Berkeley/Divulgação Durante o dia, a tampa é fechada, e com o calor do sol o aparelho se aquece e funciona como uma estufa. O calor moderado dentro do dispositivo faz o MOF liberar as moléculas de água, que se condensam no interior da caixa maior e escorrem para o fundo. A grande novidade desse material é que ele absorve a água, mas não a "segura" com muita força. Outros materiais, como as argilas, também absorvem umidade, mas precisam ser aquecidos a altas temperaturas para liberá-la. Mais barato A caixa testada no Arizona pode armazenar cerca de 200 ml de água por kg de MOF em um ciclo de captação. O material não deixa resíduos no líquido, que pode ser bebido sem tratamento. O tipo de material usado no protótipo da caixa contém zircônio, um metal caro. Mas Yaghi pretende testar em breve uma caixa coletora de água com outra variedade de estrutura metalorgânica, o MOF 303, que tem a base de alumínio – 150 vezes mais barato. Esse tipo de MOF captura o dobro de água, podendo melhorar o rendimento do dispositivo. O químico afirma que já existe um enorme interesse comercial no protótipo, com várias startups atuando no desenvolvimento de versões comerciais da coletora. Yaghi está trabalhando em aplicações da tecnologia em Riad, na Arábia Saudita, em parceria com a Cidade do Rei Abdul Aziz para a Ciência e Tecnologia, uma entidade governamental voltada para pesquisas. O cientista afirma que o sistema pode ser adaptado para coletar água em qualquer deserto do mundo. "Um terço da população vive em áreas com escassez de água, então poder obtê-la dessa forma é algo muito poderoso", afirma.

21/06 - 2018


Inverno começa oficialmente nesta quinta-feira (21) em todo o Brasil



Estação teve início às 7h07 (horário de Brasília). Tempo frio vai até o dia 22 de setembro às 22h53, quando começa a primavera. Em foto de maio desse ano, forte neblina encobre o céu durante o amanhecer no bairro Nova Esperança, em Manaus. Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo Com temperaturas mais baixas e inversões térmicas que causam nevoeiros e neblinas no período da manhã, o inverno começou oficialmente nesta quinta-feira (21) às 07h07 (horário de Brasília) e se estende até o dia 22 de setembro às 22h53, quando tem início a primavera. Confira a previsão do tempo Em todo o Brasil, o inverno leva a variações no regime de chuvas -- com o Sudeste ficando mais seco. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o trimestre que compreende o inverno (junho, julho agosto) será o período menos chuvoso do ano nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Também no inverno, o ar seco e o vento calmo favorecem a formação da bruma - substâncias sólidas suspensas na atmosfera, tais como poeira e fumaça - o que polui o ar. Na região Norte, o Instituto Nacional de Metereologia (INMET) informa que o volume de chuvas deve variar de normal a acima da média chuvas. A exceção fica com o centro amazonense e centro-sul do Pará, onde existe uma tendência de as chuvas ficarem de normal a abaixo da média. Na maior parte do Nordeste, a temperatura permanecerá próxima à média, enquanto que no interior da região inicia-se o período seco e a previsão é de temperaturas ligeiramente mais altas que a média nacional no inverno e baixos índices de umidade relativa. Na maior parte da região Sul, o INMET informa que o inverno ficará dentro da normalidade com temperaturas mínimas podendo atingir valores abaixo de 0ºC em áreas serranas e de planalto, principalmente no mês de julho. Inversão térmica e umidade Segundo o Inpe, inversões térmicas e nevoeiros no período da manhã reduzem a visibilidade no inverno. O nevoeiro consiste na existência de gotículas d’água que flutuam no ar e reduzem a capacidade de observação a menos de 1000 m. Quando ocorrer nevoeiros, a umidade do ar deve alcançar 98% no período da manhã. Já o contrário ocorre à tarde, com a umidade do ar registrando valores de até 40%.

21/06 - 2018


A gente tem data de validade para morar sozinho?



Há sinais de alerta que não deveriam passar despercebidos, mas a avaliação é mais difícil em casos de declínio cognitivo leve Esse blog já tratou dos desafios de filhos que levam pais idosos e frágeis para morar com eles, assim como pôs em discussão a falta de opções de moradias para velhos com diferentes graus de independência e autonomia. Como pano de fundo para essas questões há uma pergunta recorrente: até quando é possível morar sozinho? Há muitos sinais de alerta que não deveriam passar despercebidos: em casa, desorganização e sujeira, correspondência acumulada, contas atrasadas, eletrodomésticos quebrados, produtos vencidos na geladeira e nos armários. E o que dizer quando a pessoa se isola, restringindo sua interação social, ou se descuida a ponto de não trocar de roupa ou zelar pela própria higiene? Morar sozinho: é importante checar se não há risco para a pessoa idosa https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=25221123 Há testes, como a Escala de Katz ou o Questionário Pfeffer, para medir a capacidade de dar conta das atividades diárias, com perguntas sobre se a pessoa é capaz de fazer compras sozinha, cuidar dos medicamentos, lidar com dinheiro e esquentar água para chá ou café e apagar o fogo. No entanto, nem sempre é simples fazer essa avaliação, explicou Ivete Berkenbrock, coordenadora da saúde do idoso da Secretaria de Saúde de Curitiba e uma das palestrantes do XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia: “os idosos utilizam estratégias para se adaptar às dificuldades e limitações e não expressam preocupação com os riscos. Os casos mais difíceis são aqueles de pacientes que têm um declínio cognitivo leve ou estão num estágio inicial de demência, porque essas pessoas mantêm sua autonomia e negam ou minimizam os problemas”. Uma das maiores preocupações da médica geriatra é com as quedas, que podem representar um divisor de águas pelo impacto que representam na saúde: “é um equívoco comum só se preocupar com a queda quando ocorre uma fratura. Há até familiares que comemoram o fato de o idoso ter ossos fortes, mas essa não é a leitura correta. Se ele cai com frequência, é preciso acender a luz vermelha!”. A assistente social Maria Angélica Sanchez, ex-presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG, citou também estudo que relacionava o hábito de comer sozinho a um impacto negativo no estado nutricional do idoso e seu declínio cognitivo. Entretanto, lembrou que é fundamental conversar com a pessoa sobre a necessidade de mudança, além de lhe destinar um espaço confortável e acolhedor: “há um histórico de vida que não pode ser desconstruído de uma hora para a outra”. Embora ainda fora do horizonte brasileiro, o uso de inteligência artificial facilitará que pacientes com demência continuem a viver em suas casas. Recente trabalho de pesquisadores da Universidade de Surrey (Inglaterra) mostrou que sensores e monitores são capazes de detectar alterações no estado geral de saúde e na execução das rotinas diárias. Tal monitoramento teria o potencial de antecipar uma situação de emergência. Mariza Tavares Arte/G1

20/06 - 2018


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Como o uso de ar-condicionado está deixando o mundo mais quente



A demanda por ar-condicionado está explodindo. Saiba quais são os impactos para o planeta. Qual a melhor forma de permanecer fresco num mundo cada vez mais quente? Divulgação Conforme o clima no mundo fica mais quente, sistemas de ar-condicionado estão se tornando cada vez mais populares. Mas será que a energia consumida para deixar nossas casas e escritórios mais frescos vai acabar acelerando a mudança climática, ou alterações no design dos aparelhos conseguirão evitar isto? Ao contrário do que dizem os teóricos da conspiração, o mundo está sim ficando mais quente: 16 dos 17 anos mais quentes já registrados ocorreram desde 2001, dizem os climatologistas. Assim, não surpreende que a demanda por ar-condicionado seja cada vez maior. A energia consumida por esses aparelhos deve triplicar de hoje até o ano de 2050, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Isto significa que, até 2050, os aparelhos espalhados pelo mundo estarão usando toda a capacidade elétrica dos Estados Unidos, Europa e Japão, somados. Cientistas e empresas de tecnologia estão, portanto, tentando tornar os sistemas mais eficazes. Pesquisadores da Universidade de Stanford, por exemplo, desenvolveram um sistema que usa materiais de ponta e se ampara nos princípios de uma área da ciência ainda pouco explorada, a nanofotônica. A equipe de Stanford criou um material altamente reflexivo, que dissipa o calor mesmo sob a luz solar direta. E a energia térmica infravermelha que resulta do processo é refletida num comprimento de onda que ultrapassa a atmosfera da Terra e chega ao espaço, ao invés de ficar confinada no planeta. Em testes, os cientistas descobriram que o material pode ser usado para resfriar a água que circula em canos abaixo dos painéis. Uma vez resfriada, a água (que fica alguns graus abaixo da temperatura do ar) pode ser usada para resfriar um prédio. E o processo todo funciona sem eletricidade. Invento da Skycool Systems em teste num telhado AASWATH RAMAN Os pesquisadores registraram uma empresa - batizada de SkyCool Systems - para tentar levar a nova tecnologia ao mercado. "É bem possível que os futuros aparelhos de ar-condicionado sejam duas vezes mais eficientes do que os atuais", afirmou Danny Parker, do centro de energia solar da University of Central Florida. Parker e seus colegas passaram os últimos anos tentando encontrar formas de tornar os sistemas de refrigeração mais eficazes. Em 2016, por exemplo, o grupo descobriu que dispositivos refrigerados com vapor de água podiam ser conectados a aparelhos convencionais de ar-condicionado - tornando o ar resultante ainda mais frio. Com a modificação, os aparelhos tradicionais de ar-condicionado faziam menos esforço para abaixar a temperatura do ar. Os pesquisadores calcularam que sistemas como este poderiam melhorar a eficácia da refrigeração de 30% a 50%, dependendo do clima local. Uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a Samsung, desenvolveu uma tecnologia chamada "wind free", ou "sem vento", em tradução livre. A ideia é ir repondo lentamente a massa de ar frio dentro do cômodo depois que a temperatura desejada for atingida - sem a necessidade de ventiladores com alto consumo de energia operando o tempo todo. A empresa garante que aparelhos que usam a nova técnica são 32% mais eficazes que os ar-condicionados tradicionais. A verdade é que já existem alguns dispositivos bastante eficientes no mercado - inclusive modelos que usam dispositivos simples chamados de "inversores". Os inversores são basicamente sensores que ajustam a potência do aparelho à temperatura ambiente - ou seja, o ar-condicionado continua funcionando, mas com baixo desempenho. A longo prazo, um aparelho com um inversor acaba sendo mais eficaz que um modelo mais simples, que funciona sempre à mesma potência, e por isso precisa ser ligado e desligado para que seja mantida a temperatura no cômodo. "Quando não estão rodando na potência máxima (os aparelhos com inversores) são muito mais eficientes", diz Parker. "Muitas pessoas em países em desenvolvimento podem não optar por gastar um dinheiro a mais comprando aparelhos com inversores, mas se o fizessem, isto representaria uma diferença no aumento do consumo de energia para refrigeração", diz Brian Motherway, da IEA. "É realmente importante fazer as pessoas pensarem em comprar os aparelhos mais eficientes", diz ele. "A solução já está disponível nas prateleiras das lojas". Esta "solução" pode ser difícil de vender em locais como a China, diz Iain Staffell, especialista em energia do Imperial College de Londres. "As pessoas buscam um aparelho que seja o mais barato possível, e não estão muito preocupadas com o gasto que terão na conta de luz no futuro, uma vez que a energia é muito barata na China", diz ele. Mesmo assim, grupos dedicados a questões de energia lançaram uma campanha no começo deste ano, cujo objetivo é etiquetar os produtos no mercado quanto à eficiência energética. A iniciativa é similar às etiquetas que os brasileiros já conhecem em seus eletrodomésticos. O aplicativo desliga os aparelhos quando ninguém está em casa TADO Lidar melhor com o que já temos Simplesmente gerenciar melhor os aparelhos de ar-condicionado que já temos poderia economizar muita energia. Uma empresa chamada Tado desenvolveu um aplicativo para celular chamado "Smart AC Control". Ligado aos aparelhos, ele os desliga automaticamente quando as pessoas deixam o cômodo. E também controla a potência dos aparelhos com base na previsão do tempo. Melhoras de gerenciamento como esta podem reduzir o consumo de energia em até 40%, diz a empresa. Além disso, o aumento da demanda por ar-condicionado não importaria tanto para o meio ambiente se toda a eletricidade que eles consumissem viesse de fontes renováveis. Mas este é um resultado improvável, mesmo com o rápido avanço das fontes renováveis em vários países. "Nós percebemos que a eletricidade necessária para refrigeração - em casas e outros prédios - estava crescendo de forma muito rápida", diz Brian Motherway, da IEA. E isto não só porque as temperaturas estavam aumentando, mas também porque a renda das pessoas estava crescendo, especialmente nos países mais afetados pelo aquecimento global, diz ele. China, Índia e Indonésia serão responsáveis por metade de todo o crescimento no gasto de energia para esta finalidade esperado para os próximos 30 anos. Mesmo assim, já é possível sentir os efeitos hoje. Uma companhia elétrica indiana recentemente culpou o "uso extensivo de aparelhos de ar-condicionado" pela alta demanda de eletricidade na região nordeste do país (a mais densamente povoada, onde está a cidade de Calcutá). Embora as vendas de ar-condicionado não tenham crescido na China em 2015 e 2016, no ano passado houve um pico de 45% nas vendas, diz Dinesh Kithany, da empresa de pesquisas IHS Markit. O pico foi causado, entre outras coisas, por um verão especialmente quente. A firma de Kithany também estima que existiam 130 milhões de aparelhos em funcionamento em 2016, e 160 milhões em 2017. Melhoras na tecnologia dos aparelhos e a mudança para fontes mais limpas de energia podem reduzir o impacto da refrigeração, diz Staffell. E ele também lembra que, num mundo em aquecimento, haverá menos demanda para aquecimento central. Pode ser que um fator - queda na demanda por aquecimento - ajude a atenuar os impactos do aumento na refrigeração.

20/06 - 2018


Anvisa diz que nunca houve pedido de registro para fosfoetanolamina



MPF pediu liberação de comercialização de composto como suplemento alimentar, mas Anvisa diz que nenhuma empresa protocolou registro para substância. Cápsulas de fosfoetanolamina produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos; composto é objeto de polêmica desde 2016 Cecília Bastos/USP Imagem A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que regulamenta o setor de medicamentos no país, diz que nunca houve qualquer pedido para o registro da fosfoetanolamina: seja como medicamento, seja como suplemento alimentar. A resposta da agência é uma reação a um pedido do Ministério Público Federal, protocolado em Uberlândia (MG) no dia 13 de junho. O MPF pediu liberação e comercialização da substância como suplemento alimentar. A agência salienta que o setor de alimentos da Anvisa já prevê a possibilidade da fosfoetanolamina ser comercializada como suplemento alimentar. Até agora, contudo, não houve qualquer pedido de registro da substância; e, por isso, não pode haver liberação de comercialização. Ainda, a Anvisa alerta só ser possível fazer a liberação de qualquer produto para registro após a garantia de boas práticas da indústria (o que diminui a chance, por exemplo, de contaminações e de medicamentos falsos). "A Anvisa não está proibindo empresas de produzir e comercializar produtos à base de fosfoetanolamina. Apenas exige das empresas interessadas que cumpram os trâmites legais para regularização da substância como alimento ou mesmo como medicamento." Ainda, segundo a Anvisa, mesmo que a fosfoetanolamina seja aprovada como suplemento, nenhuma empresa poderá fazer propaganda sobre qualquer efeito terapêutico -- de acordo com lei brasileira. "A Anvisa sempre procurou colaborar em todos os debates realizados para alertar sobre a inadequação de se liberar substâncias como a fosfoetanolamina por meio de recursos jurídicos, contrariando as práticas de todos os países desenvolvidos e o próprio esforço do Brasil", concluiu a agência. A fosfoetanolamina ficou popularmente conhecida como "pílula do câncer", mas seus supostos efeitos anticancerígenos não foram comprovados em testes. Em polêmica desde meados de 2016, a pílula começou a ser sintetizada por químico aposentado da USP nos anos 1980, que incitou controvérsias por distribuir informalmente o medicamento. Desde então, a pílula tem sido objeto de polêmica entre várias instituições -- e a Anvisa tem se manifestado no sentido de garantir que medicamentos passem por todos os testes necessários antes da sua aprovação. MP pede liberação da fosfoetanolamina como suplemento alimentar Utilização como suplemento De acordo com o procurador Cléber Eustáquio, que protocolou a ação com o pedido de comercialização da fosfoetanolamina, ficou demonstrado que a substância é atóxica e segura, sem apresentar quaisquer efeitos colaterais. Por isso, diz Eustáquio, ela poderia ser regularizada como suplemento alimentar. "Infelizmente, existe um entendimento equivocado de que a fosfoetanolamina seria um medicamento, o que, com certeza, não o é. Trata-se de suplemento alimentar", diz Cléber Eustáquio. O procurador pediu ainda que a Anvisa não realize qualquer impedimento para a comercialização da fosfo -- objeção que a agência diz não ser o seu papel institucional. "A agência lembra que o processo de registro, seja de um medicamento ou de um suplemento, só se inicia se um interessado (produtor ou importador) requerer o registro e apresentar a documentação que ateste a qualidade e a conformidade do seu produto com o regulamento sanitário vigente". "A Anvisa, portanto, não decide a priori por liberação ou proibição de nenhum produto, inclusive da fosfoetanolamina." O lançamento da fosfoetanolamina como suplemento já tinha sido sugerido pelo então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, em março de 2016. Em abril do mesmo ano, uma lei sancionada pela então presidente Dilma Rousseff autorizava a produção e venda da pílula, mas foram suspensas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2016. Em relação aos efeitos anticancerígenos, no entanto, os testes não vingaram. Em julho de 2016, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) iniciou um estudo e pacientes passaram por avaliação por uma equipe especializada com experiência em testes clínicos. Em 2017, o Icesp suspendeu a pesquisa devido à ausência de "benefício clínico significativo" nas pesquisas realizadas.

19/06 - 2018


'Descobri que tinha câncer vendo um programa de TV'



Depois de assistir depoimento de jornalista da BBC sobre descoberta do câncer de mama através de um sintoma menos conhecido, mulheres inglesas conseguiram diagnosticar tumores. Repórter da BBC (à esq.) falou sobre descoberta do câncer em vídeos online e em programas de TV, e despertou a atenção de duas mulheres que tinham o mesmo problema BBC Quando a jornalista da BBC Victoria Derbyshire falou abertamente sobre os sintomas que levaram ao seu diagnóstico de câncer de mama no programa da rede ITV The Real Full Monty, duas mulheres entraram em contato para dizer que seu depoimento fez com que elas mesmas fossem diagnosticadas. "Eu quero agradecer a você por salvar minha vida", dizia a primeira linha do email enviado por Margaret Witts, de 86 anos. Pouco depois, a repórter se reuniu com ela e com Maren Marshall, de 53 anos, para ouvir suas histórias. "Eu peguei uma taça de sherry (bebida alcoólica), me sentei, levantei as pernas e coloquei um cobertor sobre elas (para assistir ao programa)", relembra. "Mas quando você disse que descobriu ter um mamilo invertido e que seu seio tinha ficado achatado, meu alarme soou." Quando, ao final do programa, um aviso aconselhava as mulheres a irem conferir seus seios para detectar possíveis alterações, Margaret percebeu, diante do seu espelho, que um deles estava muito menor que o outro. "O mamilo daquele seio também estava mais elevado e metade dele estava virada para dentro. Comecei a apalpar o mamilo e senti um caroço áspero. Fiquei sem conseguir acreditar." Um mamilo invertido nem sempre é sinal de câncer - algumas pessoas nascem com eles assim, ou seu formato se altera com o tempo. No entanto, uma mudança repentina na aparência do seio precisa ser examinada imediatamente. De acordo com a ONG britânica Breast Cancer Care, um terço das pessoas que desenvolvem câncer de mama são diagnosticadas depois de encontrarem outro sintoma que não um caroço. 'Você fica sobrecarregada' A menção do mamilo invertido também chamou a atenção de Maren Marshall. "Eu sempre tive o mamilo invertido, mas estava um pouco mais do que antes", descreve. "Quando eu não usava sutiã, percebia uma depressão maior no seio. Antes, era mais liso. Acho que não teria feito nada a respeito se não tivesse visto o programa." Maren foi diagnosticada com câncer de mama depois de uma consulta com seu médico em maio. Agora, ele fez uma cirurgia para remover o tumor e o tecido que o rodeava. Margaret, por sua vez, fará uma mastectomia (cirurgia de remoção da mama) ainda neste mês de junho. "Depois (da mastectomia) vou ter que viver com a falta do seio de um lado, mas eu consigo superar isso. Não é o fim do mundo", diz. "Mas a palavra 'câncer' afeta todo mundo. Você fica sobrecarregada." Maren diz que ainda está "um pouco dormente" depois da experiência, e brinca que talvez ainda esteja se recuperando da anestesia. Sintomas menos conhecidos O câncer de mama pode ser detectado em suas fases iniciais na maioria dos casos, o que cria mais chances de tratamento e cura - que podem chegar a 95% de acordo com alguns especialistas. Daí a importância de observar possíveis sintomas e de procurar o médico em caso de observação de qualquer mudança incomum nos seios. "Depois (da mastectomia) vou ter que viver com a falta do seio de um lado, mas eu consigo superar isso. Não é o fim do mundo", diz Margaret, de 86 anos BBC "Mamilo invertido" é o nome que se dá quando o mamilo vira para dentro ou "afunda" no seio. O fenômeno nem sempre está ligado ao câncer, no entanto. Algumas mulheres nascem assim e outras ficam dessa forma após a amamentação. No entanto, se um mamilo afundar repentinamente ou ficar muito diferente do que era antes em curto espaço de tempo, deve ser examinado por um médico. Um terço das pessoas que desenvolvem câncer de mama são diagnosticadas depois de encontrarem um sintoma que não seja um caroço. Há uma lista de 12 sinais que podem indicar algo de errado, mas que não necessariamente significam a presença da doença. Confira: 1) Engrossamento da pele 2) Sulco na mama 3) Crostas no mamilo 4) Secreção mamilar 5) Irritação ou dores 6) Afundamento do mamilo 7) Crescimento de veias 8) Protuberâncias 9) Úlceras 10) Mudanças na textura da pele que a deixam parecida com "casca de laranja" 11) Mudança de forma e/ou tamanho 12) Nódulos

19/06 - 2018


Campanha de vacinação contra gripe será ampliada para adultos com mais de 50 anos e crianças em SP



Baixa procura por imunização de grávidas preocupa Secretaria da Saúde. Vacina contra gripe Reprodução/TV Globo Dois novos grupos serão incluídos na campanha de vacinação contra a gripe em todo o estado de São Paulo, informou a Secretaria da Saúde. A partir desta segunda-feira (25), poderão tomar a vacina adultos entre 50 e 59 anos e crianças com idade entre 5 e 9 anos, além dos grupos prioritários. Poderão ser imunizados: Crianças de 6 meses a cinco anos; Crianças de cinco a nove anos; Adultos entre 50 a 59 anos; Idosos (com mais de 60 anos); Trabalhadores da saúde; Gestantes; Puérperas (mulheres que estão amamentando); Professores das redes pública e privada; Indígenas; Pessoas privadas de liberdade (incluindo adolescentes cumprindo medidas socioeducativas); Profissionais do sistema prisional Pessoas com doenças que aumentam o risco de complicações em decorrência da influenza. A contraindicação da vacina é para quem tem alergia severa a ovo. Para tomar a vacina é necessário levar um documento de identificação e, se possível, a carteira de vacinação e cartão SUS. Quem tem doenças crônicas deve levar a receita da medicação que usa com data dos últimos seis meses. Mudança A decisão de incluir crianças com mais de cinco anos e adultos com mais de 50 foi tomada pelo Ministério da Saúde, que repassou a ordem para a Secretaria Estadual da Saúde. A diretora técnica da Divisão de Imunização da pasta, Helena Sato, explica que é a primeira vez que o ministério cria estes dois novos grupos. “São dois grupos que a influenza pode evoluir para complicações, como pneumonia ou uma internação hospitalar”, explicou a diretora. A Secretaria Estadual da Saúde informou que não tem mais estoque de vacina. Todas as doses já foram distribuídas para as cidades. Estado A cobertura de vacinação dos atuais grupos prioritários preocupa a Secretaria Estadual da Saúde. A meta é vacinar 90% da população, mas até agora apenas 75% procuraram a vacina. No estado, ainda é preciso vacinar cerca de 1,6 milhão de pessoas. O alerta na reta final da campanha é para crianças e grávidas, que ainda apresentam cobertura vacinal de 52% e 54%, respectivamente. Para Sato, as pessoas não tomam a vacina porque têm medo de ficarem resfriadas e porque acreditam que não é necessário tomar a dose todos os anos. Ela explica que a vacina não causa resfriado, porque o vírus da doença é diferente do da gripe, e que é preciso imunizar anualmente porque é o tempo que dura a proteção. Ela lembra que a composição da vacina também pode mudar dependendo do tipo do vírus que está circulando. “A baixa adesão preocupa. Gripe não é um simples resfriado e temos três vírus que circulam, e os três são contemplados na vacina”, explica a diretora. A vacina desse ano tem a possibilidade de proteger contra três tipos de vírus da gripe: o Influenza A, nas variações H1N1 e H3N2 e influenza B. Para o ministério, o acréscimo da proteção contra o H3N2 acontece após a infecção de 47 mil pessoas no hemisfério norte, em janeiro, mas no Brasil, segundo Carla Domingues, coordenadora-geral do programa de imunização do ministério, “não há nenhuma evidência que teremos uma circulação forte do H3N2”. Capital Na capital, o índice de cobertura da vacina está um pouco abaixo da do estado. De acordo com o último balanço da Secretaria Municipal da Saúde, divulgado na quarta-feira (13), a cobertura vacinal esté em 66,2%. A meta é atingir 90% dos grupos prioritários. A adesão mais baixa é das gestantes. A população é de 131.880 grávidas, e foram aplicadas pouco mais de 54 mil doses (o que corresponde a 43,5% da cobertura). O segundo grupo com a cobertura mais baixa é de crianças com idade entre seis meses e cinco anos. A cobertura vacinal está em 44,8%. A campanha de vacinação dos grupos prioritários termina na sexta-feira (22) e está disponível em todas as unidades de saúde da capital. Casos e óbitos de gripe Neste ano, no estado. foram notificados 458 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 71 mortes. No ano passado, foram 1.021 casos, com 200 óbitos. Já na capital foram confirmados 347 casos de SRAG em 2018. Não foi informado o número de mortes. Em todo ano de 2017, foram confirmados 402 casos, sendo que 38 casos evoluíram para óbito.

19/06 - 2018


A três dias do fim, campanha de vacinação contra a gripe ainda precisa alcançar 17% do público-alvo



Menor índice de vacinação é entre crianças de seis meses a cinco anos: 4,4 milhões ainda precisam ser imunizadas somente neste grupo. Campanha de vacinação contra gripe ainda não atingiu meta Semuc/Andrezza Mariot/Divulgação A três dias do final da campanha de vacinação da gripe, 9,5 milhões de brasileiros ainda não se vacinaram, de acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Saúde na tarde desta terça-feira (19). Apesar do prazo ter sido prorrogado até o dia 22 de junho, a meta do Ministério da Saúde de ter 54, 4 milhões de pessoas vacinadas ainda não foi alcançada. Com menor índice em 16 anos, vacinas que deveriam ser aplicadas em crianças ficaram fora da meta em 2017 Com a atualização do boletim, o percentual do público alvo que precisava ser alcançado até por volta das 15h30 era de 17%. Neste total, 4,4 milhões são crianças com menos de cinco anos. A vacina contra a gripe é indicada por pessoas em maior risco de transmissão (como profissionais da saúde) ou pessoas com maior possibilidade de desenvolver complicações mais graves (como é o caso de idosos). Em São Paulo, dois novos grupos serão incluídos na campanha, segundo a Secretaria da Saúde. A partir desta segunda-feira (25), poderão tomar a vacina adultos entre 50 e 59 anos e crianças com idade entre 5 e 9 anos, além dos grupos prioritários. Alerta sobre a cobertura Para o Ministério da Saúde, a baixa cobertura registrada até o período "acendeu um alerta". A preocupação, segundo a pasta, é com a proximidade do inverno, período considerado de maior circulação do vírus da gripe. Dentre as regiões, a Sudeste é a que teve a menor cobertura vacinal contra a gripe até o momento, com 70,9%. Em seguida, as regiões Norte (72%), Sul (81,3%), Nordeste (84%) e Centro Oeste (91,4%). Ainda segundo o boletim do Ministério, as crianças de seis meses a cinco anos e as gestantes registram o menor índice de vacinação contra a gripe. Um dado preocupante devido a vulnerabilidades de ambos. Já o público com maior cobertura é dos professores com 96,32%, seguido pelas puérperas, mulheres que deram à luz há pouco tempo, (94,78%). Hoje, a vacina é distribuída gratuitamente para os seguintes grupos: Professores da rede pública e privada; Profissionais de saúde; Crianças entre 6 meses e cinco anos (estão com a menor cobertura); Gestantes; Mulheres com parto recente (com até 45 dias); Idosos a partir de 60 anos; Povos índigenas; Portadores de doenças crônicas; População privada de liberdade (inclui funcionários do sistema prisional e menores infratores). Número de mortes dobrou O número de mortes relacionadas à gripe dobrou no país em relação aos seis primeiros meses do ano passado. De janeiro a junho deste ano, 2,7 mil pessoas foram identificadas com a doença e 446 morreram. Em 2017 eram 1,2 mil registros de influenza e 204 mortes. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde. De acordo com o último boletim da pasta, a taxa de mortalidade por influenza no Brasil está em 0,18% para cada 100 mil habitantes. A média de idade entre a maioria das vítimas era de 52 anos. Situação nos estados Alagoas - Alagoas vacina mais de 624 mil pessoas contra gripe e ultrapassa meta, diz Sesau Amazonas - AM tem cobertura vacinal abaixo da meta Bahia - Mais de 1 milhão de integrantes do público-alvo ainda não se vacinou na BA Ceará - Dois grupos prioritários ainda não atingiram meta de vacinação contra gripe no Ceará Goiás - Goiás encerra campanha de vacinação e comitê contra H1N1, mas mantém doses em postos até dia 22 Mato Grosso - Mais de 78 mil pessoas ainda têm que tomar vacina contra a gripe em MT Pará - Quase 300 mil ainda não vacinaram contra gripe no Pará Paraíba - Paraíba vacina mais de 817 mil pessoas contra a gripe até esta terça-feira Paraná - Mais de 200 mil crianças com menos de cinco anos ainda não tomaram a vacina contra a gripe no Paraná Rio de Janeiro - Campanha de vacinação contra a gripe é prorrogada no RJ até o dia 22 de junho Rio Gande do Norte - Vacinação contra gripe termina na sexta e RN ainda não atingiu meta de grupo prioritário São Paulo - Campanha de vacinação contra gripe será ampliada para adultos com mais de 50 anos e crianças em SP Santa Catarina - SC atinge 86% da meta de vacinação contra gripe Sergipe - Sergipe já alcançou 85% da cobertura vacinal contra a gripe influenza Tocantins - Quase 30 mil pessoas ainda precisam se vacinar contra a gripe no Tocantins

19/06 - 2018


Com menor índice em 16 anos, vacinas que deveriam ser aplicadas em crianças ficaram fora da meta em 2017



Vacina que previne o sarampo, caxumba, rubeóla e varicela apresenta o menor índice de cobertura. Campanha segue até o dia 31 de agosto e pretende atingir mais de 30 mil crianças Mary Porfiro/G1 A vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura em 16 anos. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo vacinada não foi alcançada. A três dias do fim, campanha de vacinação contra a gripe ainda precisa alcançar 10,8 milhões de pessoas Dentre as vacinas do calendário infantil, apenas a BCG teve índices satisfatórios em 2016 e 2017. A vacina Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubeóla e varicela, apresenta o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. Seguido da vacina de Rotavírus Humano que ficou 20% abaixo da meta. Para Carla Domingues, , coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, fatores como a erradicação de algumas doenças podem passar uma falsa sensação de tranquilidade para as pessoas que não viveram epidemias ou surtos de doenças como sarampo e poliomelite. "Quando você tem 29 anos sem sarampo, por exemplo, a população parece achar que essas doenças não são mais importantes. As pessoas não veem mais casos delas", analisa. O retorno de doenças erradicadas é a principal consequência da queda da cobertura vacinal e poderia desencadear um problema maior de saúde pública: "A sociedade como um todo precisa entender que foi feito um esforço muito grande para colocarmos tudo isso a perder e termos mortes por doenças que não estavam mais aqui". "Também é preciso lembrar que essas doenças têm sequelas absurdas: cegueira, surdez, sequelas motoras e de aprendizado. Um conjunto de problemas de saúde que não temos mais e que podemos voltar a ter por achar que a vacina é uma coisa irrelevante". Queda em 2017 A taxa de vacinação em crianças menores de um ano poderia ser considerada estável na maioria dos casos até o ano de 2015, quando os índices ainda estava satisfatórios, mas já apresentavam queda. Em 2016, seis vacinas do calendário infantil ficaram abaixo da meta. Em 2017, todas as vacinas do calendário infantil estão abaixo da meta de 95%. Segundo o Ministério da Saúde, o calendário de vacinação em crianças menores de um ano prevê a cobertura de doenças como: tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche, meningite e infecções por HiB, poliomielite, pneumonia, otite, diarreia por rotavírus e hepatite A. O calendário extenso, um benefício do avanço da medicina e dos programas de vacinação, pode ser entendido também como um fator da diminuição da cobertura. O Ministério da Saúde só contabiliza como vacinação completa quando todas as doses necessárias foram tomadas, o que não acontece em muitos casos. "A organização do serviço de saúde é uma questão. Muitos pais estão trabalhando no horário que o serviço de saúde atende. É preciso rever isso. E com o sucesso das vacinas, o calendário ficou grande para cumprir. Com isso, há quem priorize uma ou outra. As que ainda circulam e se ouve falar mais acabam tendo maior cobertura", explica Carla. Poliomelite A vacina da Poliomelite alcançou 77% da cobertura em 2017. Até 2015, costumava apresentar índices acima dos 95% recomendados pelo Ministério. O único estado brasileiro a atingir a meta em 2017 foi o Piauí. O Amapá teve o menor índice com 60,30%. O Brasil não tem casos de poliomelite desde 1989, quando a doença foi considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde nas Américas. Polio 2017 - em % percentual de cobertura No dia 9 de junho, a OMS reportou um caso de poliomelite em uma criança indígena de dois anos no leste da Venezuela depois de 29 anos da erradicação na região. Como existe o risco de importação da doença de regiões onde o vírus ainda circula, é importante manter as metas de vacinação estabelecidas. Crianças recebem vacina contra a gripe em Teresina Divulgação/Fundação Municipal de Saúde 'Não podemos negligenciar' Para Carla, é importante que haja uma conscientização dos pais: "A geração que não leva os filhos para se vacinar é uma geração que foi beneficiada pelo sucesso da campanha de vacinação. Não podemos negligenciar com nossos filhos". Ela também alerta sobre a disseminação de notícias falsas sobre as vacinas e supostos efeitos adversos. Para Carla, a população precisa entender que os benefícios da vacina são superiores a possíveis reações: "No caso da gripe, por exemplo, 1 a cada 3 milhões pode apresentar reação. Você não morre de vacina da gripe, mas temos 43 crianças mortas por gripe". O número de mortes relacionadas à gripe dobrou no país em relação aos seis primeiros meses do ano passado. De janeiro a junho deste ano, 2,7 mil pessoas foram identificadas com a doença e 446 morreram. Em 2017 eram 1,2 mil registros de influenza e 204 mortes. "É um caminho perigoso achar que vacina faz mal para a saúde. As vacinas foram responsáveis por um impacto de diminuição da morte infantil. Se pararmos de vacinar, nossa taxa de mortalidade infantil voltará a ser escandalosa. É um ganho da sociedade ter um programa como o nosso, com 14 vacinas disponíveis gratuitamente", diz Carla. Segundo ela, o Brasil não tem problemas de desabastecimento de doses de vacina. As vacinas de poliomelite e sarampo, que tiveram grande queda a partir de 2016, nunca faltaram no estoque nacional: "Pontualmente os laboratórios podem ter problemas de produção, mas não tivemos desabastecimento anual. Nunca faltou algum tipo de vacina um ano inteiro".

19/06 - 2018


EUA registra caso de peste bubônica em criança; entenda a doença


Menino foi medicado e se recupera em casa. EUA registra cerca de 7 casos por ano de peste. Os Estados Unidos registraram um caso de peste bubônica em um menino na última semana no estado de Idaho. A criança foi tratada com antibióticos e liberada para se recuperar em casa. Segundo o Departamento Local de Saúde do estado, esta é a primeira vez em 26 anos que um caso da doença é registrado no estado. Não se sabe se o menino contraiu a doença durante uma visita ao estado do Oregon ou em Idaho, onde mora. Autoridades de saúde disseram que esquilos que vivem perto da casa da criança no condado de Elmore, Idaho, tiveram testes positivos para a doença em 2015 e 2016, embora nenhum caso tenha sido relatado desde então. "A peste é transmitida aos seres humanos através de uma picada de uma pulga infectada", disse Sarah Correll, epidemiologista do Departamento de Saúde do Distrito Central. “As pessoas podem diminuir seu risco tratando seus animais de estimação contra pulgas e evitando o contato com a vida selvagem. Use repelente de insetos, calças compridas e meias quando visitar as áreas afetadas pela peste. ” Os Estados Unidos registram cerca de 7 casos da doenças por ano em áreas rurais do país, de acordo com Centro de Controle de Doenças e Prevenção. Peste no mundo Entre 1º de agosto e 8 de novembro de 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada de 2.034 casos de peste, incluindo 165 mortes, em 55 dos 113 distritos de Madagascar. A peste bubônica é uma das mais antigas doenças. Historicamente, ela tem sido responsável por pandemias generalizadas e com alta mortalidade. Ficou conhecida como "Peste Negra" durante o século 14, quando causou 50 milhões de mortes na Europa. Nos dias de hoje, no entanto, segundo a OMS e a ONU, a doença é facilmente evitada e tratada com antibióticos se detectada logo no início. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2000 e 2017 o Brasil registrou apenas um caso de peste em humanos. O que é peste? É uma doença infecciosa aguda, transmitida principalmente por picada de pulga infectada, e se manifesta sob três formas clínicas principais: bubônica, septicêmica e pneumônica. Ainda é um perigo para as pessoas por causa da resistência da infecção em roedores silvestres. Como é a transmissão? A peste bubônica é transmitida através da picada de pulga infectada. A pneumônica acontece através de gotículas no ar lançadas pela tosse. Quais são os sintomas? A peste bubônica pode causar febre, dor de cabeça, calafrios, fraqueza e um ou mais nódulos inchados. A pneumônica pode causar febre, dor de cabeça, calafrios, fraqueza e pneumonia com falta de ar, dor no peito e tosse. A septicêmica pode causar fraqueza extrema, febre, dor abdominal e sangramentos na pele ou alguns órgãos. Pode se apresentar como os primeiros sintomas de peste ou desenvolver de uma peste bubônica não-tratada. Como é o tratamento? O tratamento é feito com antibióticos, que devem ser administrados idealmente até as primeiras 15 horas após o início dos sintomas. Como é feita a prevenção? É preciso evitar o contato com roedores silvestres. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil existem duas áreas distintas consideradas focos naturais: o foco do nordeste e o foco de Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro.

19/06 - 2018


Disfunção erétil está associada ao risco cardiovascular



O desempenho sexual masculino pode ser um bom indicador da saúde do coração De acordo com pesquisa divulgada semana passada na publicação “Circulation”, da American Heart Association, a performance masculina na cama pode ser um bom indicador da saúde das artérias e do coração. Estudos anteriores já sugeriam a relação entre a disfunção erétil, que atinge 12 milhões de norte-americanos, e o risco cardiovascular. Desta vez, quase 2 mil homens, com idades entre 60 e 78 anos e sem histórico de doença coronariana ou acidente vascular cerebral, foram acompanhados durante quatro anos. Desses, 46% haviam relatado problemas de ereção e o que se constatou é que o grupo com disfunção erétil experimentou o dobro de infartos e derrames em relação ao que não tinha essa queixa. Pesquisa: performance masculina na cama pode ser um bom indicador da saúde das artérias e do coração https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=56447598 O médico Michael J. Blaha, um dos autores da pesquisa, afirmou à publicação que esses homens devem se submeter o quanto antes a uma avaliação cardiovascular: “é uma ótima oportunidade para identificar riscos que ainda não haviam sido detectados”. O grupo será acompanhado pelos próximos dez anos e a expectativa dos pesquisadores é descobrir se será possível realizar algum tipo de intervenção precoce. Há fatores de risco que são comuns à disfunção erétil e à doença cardiovascular, como obesidade, tabagismo e síndrome metabólica – que se caracteriza por um conjunto de condições que aumentam as chances de doença cardíaca: gordura abdominal, nível elevado de açúcar no sangue, taxas anormais de colesterol, além de hipertensão. No XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, a geriatra Aline Saraiva da Silva Correia, médica do hospital universitário da UFRJ e recentemente eleita vice-presidente da SBGG-RJ para o biênio 2018-2020, ressaltou a importância de o sexo ser um tema presente nas consultas: “é fundamental usar uma linguagem acessível, formular questões diretas e ouvir o paciente. Se o médico traz o assunto para dentro do consultório, ele se torna algo natural. Infelizmente, a formação do profissional de saúde ainda é falha nesse aspecto”. A longevidade trouxe desafios adicionais, porque um número cada vez maior de idosos continua a fazer sexo e sem proteção. “O homem mais velho vem de uma geração sem costume de usar preservativo. Como normalmente tem problemas em manter a ereção, descarta sua utilização. A falta de diálogo e de campanhas sobre doenças sexualmente transmissíveis dificulta a prevenção e, inclusive, o diagnóstico. Não basta perguntar se o idoso é casado ou viúvo, como se o estado civil determinasse sua atividade sexual. É preciso ir além para saber se tem alguém com quem mantenha relações sexuais, ou se as relações são com uma pessoa do mesmo sexo”, afirmou a geriatra. Mariza Tavares Arte/G1

18/06 - 2018


Um em cada cinco moradores das capitais brasileiras é obeso, aponta pesquisa do Ministério da Saúde



Levantamento diz que aumentou o consumo de frutas e hortaliças, a prática de atividades físicas e caiu o consumo de refrigerantes. Pesquisa que ouviu 53.034 pessoas. Nutricionistas aconselham que uma pessoa deve consumir 500 calorias menos do que o corpo requer diariamente para poder perder cerca de meio quilo em sete dias Arquivo/David Gray/Reuters Um em cada cinco (18,9%) brasileiros são obesos e mais da metade da população das capitais brasileiras (54,0%) está com excesso de peso, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2017, do Ministério da Saúde. De acordo com nota do ministério, o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 4,8% (de 2008 a 2017), a prática de atividade física no tempo livre aumentou 24,1% (de 2009 a 2017) e o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017). Em dez anos, houve o crescimento de 110% no número de pessoas de 18 a 24 anos que sofrem com obesidade, quase o dobro do aumento em todas as faixas etárias (60%). Nas faixas de 25 a 34 anos houve alta de 69,0%; de 35 a 44 anos (23,0%); 45 a 54 anos (14,0%); de 55 a 64 anos (16,0%); e nos idosos acima de 65 anos houve crescimento de 2,0%. Quando a comparação é sobre o excesso de peso, o crescimento foi de 56%. Assim como a obesidade, o excesso de peso também cresceu entre as faixas etárias da população brasileira. De 25 a 34 anos houve alta de 33,0%; de 35 a 44 anos (25,0%); 45 a 54 anos (12,0%); de 55 a 64 anos (8,0%) e nos idosos acima de 65 anos houve crescimento de 14,0%. O dado geral mostra que 54% da população brasileira sofre com excesso de peso. Para avaliar a obesidade e o excesso de peso, a pesquisa leva em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC). "Mesmo com esta tendência a estabilidade e com o crescimento de pessoas que praticam atividade física e que estão consumindo alimentos mais saudáveis, não podemos deixar de continuar vigilantes”, - Fátima Marinho, diretora do Departamento de Vigilância de Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde (DANTPS), do Ministério da Saúde Consumo de refrigerantes A pesquisa diz que o consumo de refrigerantes e sucos artificiais também vem caindo ao longo dos últimos 11 anos. A queda foi de 52,8%, saindo de 30,9%, em 2007, para 14,6% no ano passado. Por faixa etária, a queda é maior (54%) entre os adultos com idades entre 25 e 34 anos e idosos com 65 anos e mais. As outras faixas etárias apresentaram queda em torno de 50%. Frutas e hortaliças A ingestão regular (em 5 ou mais dias na semana) de frutas e hortaliças aumentou em ambos os sexos, mas o crescimento geral ainda foi menor que 5,0% no período de 2008 a 2017. Quando observado o consumo recomendado, 5 ou mais porções por dia em cinco ou mais dias da semana, houve aumento de mais de 20% entre os adultos de 18 a 24 anos e 35 a 44 anos.

18/06 - 2018


Países do Mercosul assinam acordo para rótulo frontal de alerta em alimentos



Proposta brasileira foi assinada na sexta-feira (15) em reunião de Ministros da Saúde. Alimentos ganharão novos rótulos USP Imagens O Brasil e os países do Mercosul vão adotar o rótulo frontal para tornar a leitura mais simples e alertar o consumidor dos componentes nutricionais dos alimentos. A medida foi proposta pelo governo brasileiro e virou uma declaração assinada na sexta-feira (15) durante reunião de MInistros de Saúde do Mercosul no Paraguai. A proposta é que o rótulo localizado na frente dos alimentos facilite o entendimento mais claro da quantidade contida nos alimentos de nutrientes considerados críticos, como o açúcar, sódio e as gorduras totais, trans e saturadas, que estão associadas a doenças crônicas, como a hipertensão e o diabetes. Além disso, o novo rótulo terá um alerta para conteúdo excessivo destes nutrientes. A proposta faz parte da estratégia de combate ao crescimento do número de pessoas com sobrepeso e obesidade em vários países do bloco. No Brasil, dados da Vigitel 2017, apontam que 54% da população está com excesso de peso e 18,9% está obesa. Segundo o Ministério da Saúde, a assinatura do documento não impõe uma data. No Brasil, a Anvisa é a responsável pelo desenvolvimento dos novos rótulos, mas ainda não há previsão para implementação. Primeiros passos O primeiro passo para essa nova política foi dado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que aprovou versão inicial do documento. Essa versão ficará disponível para contribuição da comunidade científica por 45 dias. Depois, a agência vai fazer a redação da norma, que ficará à disposição por 60 dias para novas contribuições. A expectativa é que até o final do ano a regulamentação seja publicada. "Mudanças serão necessárias porque o modelo atual dificulta o uso da rotulagem nutricional pelos consumidores por problemas de identificação visual, pelo baixo nível de educação e conhecimento nutricional", disse nota da agência. O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou parte da medida em Genebra, durante plenária da 71ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS) em maio. Ele citou que o Brasil vai adotar o alerta para altos teores de açúcar -- numa tentativa de diminuir o crescimento de altos índices de obesidade. Segundo o ministro, a meta é concluir até julho tanto os novos rótulos quanto a questão da redução de açúcar nos produtos. O ministro diz que busca diálogo e resolver "sem imposição" as mudanças, e que associações de empresários do setor não estão recebendo bem essas iniciativas para reduzir a obesidade no Brasil.

18/06 - 2018


Pessoas com doenças cardíacas não se exercitam o suficiente, diz estudo



Estudo feito no Brasil e na Austrália mostra que qualidade de vida deste pacientes piora sem exercícios apropriados. Pessoas com doenças cardíacas não se exercitam o suficiente, segundo estudo. Getty Images Um estudo divulgado nesta segunda-feira (18) e realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Adelaide, na Austrália, mostra que as pessoas com problemas cardíacos existentes ou que estão em risco de desenvolvê-las estão ignorando os conselhos médicos e não fazendo exercícios suficientes. O estudo publicado no "Plos One" analisou os hábitos de exercício de 3000 pessoas da população geral na Austrália Meridional e do sul do Brasil. "Há evidências de que mais de 70% das pessoas que sofrem ou que estão em risco de desenvolver um problema cardíaco devido a diabetes, pressão alta ou colesterol alto, não seguem um programa adequado de exercício regular moderado ou vigoroso, que é fundamental para evitar maiores complicações e até mortalidade", diz David A. Gonzalez-Chica, autor do estudo. As pessoas com problemas cardíacos estão vivendo mais - especialmente em países de alta renda, como a Austrália -, mas sua qualidade de vida a longo prazo está sendo afetada negativamente porque evitam exercícios moderados ou vigorosos. As diretrizes atuais sugerem que pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou vigorosa por semana são recomendados. "Muitas pessoas que vivem com doenças cardiovasculares, ou que estão em risco de desenvolver a condição devido a problemas de saúde existentes estão se exercitando muito pouco. Exercícios leves como caminhar não são suficientes. De acordo com nosso estudo, caminhar por pelo menos 150 minutos por semana é beneficial para melhorar a qualidade de vida, mesmo quando o indivíduo teve um problema cardíaco ", diz Gonzalez-Chica. "As mortes por doenças cardíacas respondem por 31% das mortes no mundo. Embora a maioria dessas mortes ocorra em países de baixa e média renda, como o Brasil, a condição é responsável por uma proporção crescente de doenças não transmissíveis em países de alta renda, como Austrália ", diz o Dr. Gonzalez-Chica. Em todo o mundo, o fardo das doenças cardiovasculares e seus fatores de risco é um problema crescente de saúde pública. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, as doenças não transmissíveis, como doenças do coração, causarão uma perda global de US$ 47 trilhões nas próximas duas décadas, sendo a doença cardiovascular a maior contribuinte para estes números.

18/06 - 2018


Impressão 3D, 'GPS do cérebro': separação de siamesas unidas pela cabeça incentiva avanços médicos



Iniciativa de equipe multidisciplinar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto se tornou referência para grupos médicos que atuam em cirurgias infantis de alta complexidade. Novos protótipos desenvolvidos por equipe do HC para separação de gêmeas siamesas em Ribeirão Preto Rodolfo Tiengo Um dos maiores centros de medicina do país, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) tem atraído a atenção da comunidade médica ao se debruçar sobre um procedimento inédito no Brasil: a separação de duas irmãs gêmeas que nasceram unidas pela cabeça. Um trabalho ainda em andamento - duas das cinco etapas foram realizadas até agora - que conjuga décadas de inovações científicas na mesa de cirurgia, de moldes feitos por meio de impressão 3D à utilização de neurotransmissores que funcionam como um "GPS" do cérebro, e promete deixar contribuições para diferentes áreas, seja na adequação de procedimentos de alta complexidade, seja no conhecimento gerado a ser transmitido para novos alunos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). "O legado de todo esse envolvimento é muito grande do ponto de vista local, quer dizer, a compreensão de que nós temos competência pra fazer procedimentos extremamente complexos e com sucesso até agora. Uma outra coisa é que essa multidisciplinaridade, toda essa complexidade, tem uma repercussão acadêmica também", afirma Hélio Machado, chefe do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do HC, à frente do time de especialistas que tem conduzido os trabalhos com as gêmeas. Busto de Hipócrates, conhecido como o Pai da Medicina, em frente ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) Rodolfo Tiengo/G1 O caso chegou ao conhecimento do Hospital das Clínicas por intermédio do neurocirurgião Eduardo Jucá, responsável pelo acompanhamento das irmãs no Ceará. Jucá foi aluno da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto e especializou-se em neurocirurgia pediátrica. Ele tomou conhecimento do caso das irmãs pouco tempo após o nascimento delas, quando as duas foram encaminhadas ao hospital onde ele atua como coordenador. Devido à complexidade, entrou em contato com a equipe do HC para articular as avaliações. Até agora, duas etapas foram realizadas, a última delas em 19 de maio, e foram concentradas na desvinculação de veias que unem as duas cabeças, o que ainda deve ser estender para a terceira fase, prevista para 4 de agosto. As meninas responderam bem à cirurgia e os pais estão otimistas com o processo de separação. A quarta etapa, que até então seria a última, será integralmente dedicada a expandir a área de cobertura da pele no crânio das crianças, hoje com 1 ano e dez meses, e garantir que elas tenham tecidos próprios suficientes para a finalização dos trabalhos mais adiante. Hélio Machado, chefe do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Rodolfo Tiengo/G1 Legado científico Machado lidera um grupo de 30 profissionais especializados, da neurocirurgia à pediatria, da cirurgia plástica à enfermagem, todos focados em garantir que as crianças consigam ser separadas e estejam prontas a viver como qualquer outro ser humano. Afora os benefícios médicos esperados por todos, conseguir dissociar os cérebros das meninas também representa confirmar o sucesso de esforços e inovações em diferentes áreas, da neurocirurgia e cirurgia plástica à anestesia, da organização hospitalar à assistência social. "Precisamos saber quais são os custos envolvidos nisso, custos não só externos, de deslocamento etc, mas internos. O que vamos gastar com as instalações nossas, instalações especiais, equipamentos especiais, material, medicamento e pessoal. Quer dizer, gestão de todo esse pessoal, tudo o que vamos usar aqui, tudo isso já faz parte de um processo organizacional que envolve também um trabalho de pesquisa, ensino, divulgação." Imagem da segunda etapa da separação das gêmeas siamesas no HC em Ribeirão Preto Divulgação/HC-RP O uso dos simuladores tridimensionais - um dos recursos mais importantes no caso e aplicado em parceria com a equipe do neurocirurgião James Goodrich, do Montefiore Medical Center, de Nova York - tem sido estudado há cinco anos pela USP. Um dos resultados disso foram apresentados em um artigo produzido por pesquisadores da física médica e da medicina de Ribeirão publicado em março deste ano na revista científica norte-americana "3D Printing in Medicine", que trata do uso de materiais capazes de promover uma experiência morfológica real dos tecidos humanos na construção de simuladores baseados em ressonânicas magnéticas. Experiência que promete aumentar a qualidade da cirurgia e reduzir custos com treinamento médico. "Neste caso, claro que não sabíamos que iam nascer essas crianças. Eu já sabia que precisava criar um sistema que simulasse uma cirurgia." A prática desse procedimento entra em um contexto de avanços que têm sido conquistados gradativamente ao longo das últimas décadas pela universidade. Entre alguns dos mais emblemáticos, Machado, que é médico há 45 anos, menciona a criação do setor de malformações congênitas do crânio do sistema nervoso e as técnicas aprimoradas em torno de problemas como a epilepsia infantil e os tumores de hipófise. Equipe médica responsável pela cirurgia de gêmeas siamesas em Ribeirão Preto (SP) Divulgação/HC-FMRP/USP "São setores que não existiam e que foram criados usando mais ou menos esse mesmo tipo de enfoque, de abordagem, de trabalho multidisciplinar, de aperfeiçoamento, de procura de técnicas cirúrgicas modernas, muitas viagens pelo intercâmbio com países e pessoas que fazem técnicas diferentes." Contexto que estabelece, aos poucos, um modelo denominado precisão em cirurgia, e que, além dos simuladores, conta com inovações como o neuronavegador - uma espécie de GPS do cérebro, também usado na separação das siamesas - e o uso da robótica na realização das intervenções cirúrgicas, estudado desde 2013 e considerado um passo importante a ser dado em breve. "A cirurgia robótica usa muito dessa interface com a física, com a matemática e com o setor médico de imagem e todo o setor de simulação de um centro cirúrgico, e trouxe pra gente um novo modelo de cirurgia." Entrada do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP Rodolfo Tiengo/G1 Segundo Machado, o ineditismo dos trabalhos deve também se refletir no ensino da medicina e impulsionar cada vez mais pesquisas. Para ele, iniciativas como essa reforçam a necessidade de se investir em tecnologia nacional. A priori estimada em R$ 9,5 milhões, se feita nos Estados Unidos, a separação das gêmeas realizada na USP hoje está orçada em R$ 200 mil. "Tudo isso precisa ser feito, construído e adaptado aqui. Não podemos ficar eternamente comprando tecnologia do exterior. Isso não só é extremamente caro, mas limita a nossa produtividade, toda criatividade nossa dos pesquisadores brasileiros." Exemplo de inovação Os avanços da equipe multidisciplinar da USP em Ribeirão Preto começam a atrair os olhares de outros grupos médicos. De acordo com o chefe da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, Jayme Farina Junior, um cirurgião de Brasília (DF) esteve em Ribeirão no fim de semana em que foi realizada a segunda etapa dos trabalhos com as siamesas a fim de colher informações para levar à sua equipe no Distrito Federal, onde enfrenta um caso parecido. “Toda equipe passa por esse aprendizado, passa por esse crescimento profissional que vai inclusive permitir que nós sejamos inclusive um centro de referência para casos semelhantes. Já tem um caso semelhante em Brasília que vai nascer dentro de dois meses mais ou menos. O cirurgião de Brasília veio pra cá agora no final de semana pegar informações pra que a gente possa inclusive colaborar com a equipe deles”, diz. Segundo Machado, a adoção de equipes multidisciplinares é uma realidade no tratamento de diferentes doenças, como o câncer, mas poucos centros, geralmente especializados, têm a possibilidade de reunir um time de especialistas para lidar com uma cirurgia de tamanha complexidade. "É difícil você juntar vários especialistas para se ocupar de um único caso. Hoje as pessoas estão muito dispersas e não têm tempo para assumir casos assim dessa magnitude que duram muito tempo." Primeiro molde em acrílico dos crânios das siamesas foi desenvolvido nos Estados Unidos a pedido da equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Chico Escolano/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão e Franca

17/06 - 2018


Por que nossas expressões faciais não refletem nossos sentimentos



O que entendemos como uma expressão universal de medo não é universal; em vez de leituras confiáveis de nossos estados emocionais, elas mostram nossas intenções e objetivos sociais. "Nossos rostos são formas de direcionar a trajetória de uma interação social", argumentam especialistas Getty Images via BBC Enquanto realizava pesquisas sobre emoções e expressões faciais na Papua Nova Guiné em 2015, o psicólogo Carlos Crivelli descobriu algo surpreendente. Ele mostrou aos habitantes da ilha de Trobriand fotografias do típico semblante ocidental do medo – olhos arregalados e boca aberta – e pediu que identificassem o que viam. Os trobriandeses não perceberam um rosto assustado. Em vez disso, interpretaram a fisionomia como indicação de ameaça e agressão. Em outras palavras, o que entendemos como uma expressão universal de medo não é universal. Mas se os trobriandeses têm uma interpretação diferente das expressões faciais, o que isso significa? Uma teoria que vem ganhando força – e tem cada vez mais adeptos – é de que as expressões faciais não refletem nossos sentimentos. Em vez de leituras confiáveis de nossos estados emocionais, elas mostram, na verdade, nossas intenções e objetivos sociais. O rosto age "como uma placa de trânsito para controlar o tráfego", diz Alan Fridlund, professor de psicologia da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos EUA, responsável pela elaboração de um estudo recente com Crivelli, da universidade britânica De Montfort. Nele, os especialistas defendem uma visão mais utilitária das expressões faciais. "Nossos rostos são formas de direcionar a trajetória de uma interação social", argumenta. Isso não quer dizer que nós tentamos ativamente manipular os outros com nossas expressões faciais (embora de vez em quando possamos fazer isso). Sorrir e franzir as sobrancelhas podem ser reações instintivas. Mas nossas expressões são menos um espelho do que está acontecendo dentro de nós do que um sinal que estamos enviando sobre o que queremos que aconteça em seguida. Sendo assim, sua melhor cara de "nojo", por exemplo, pode mostrar que você não está feliz com a forma como a conversa está se desenrolando – e que você busca uma alternativa àquela situação. "É a única razão que faz sentido para a expressão facial ter evoluído", diz Bridget Waller, professora de psicologia evolutiva da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra. Rostos, diz ela, estão sempre "dando algum tipo de informação importante e útil tanto para o emissor quanto para o receptor". Ideia de que as emoções são fundamentais, instintivas e estão expressas em nossos rostos está profundamente arraigada na cultura ocidental Getty Images via BBC As expressões e o tempo Embora possa parecer sensata, essa teoria existe há muito tempo. A ideia de que as emoções são fundamentais, instintivas e estão expressas em nossos rostos está profundamente arraigada na cultura ocidental. Os gregos antigos opuseram as "paixões" à razão; no século 17, o filósofo francês René Descartes expôs seis paixões básicas que poderiam interferir no pensamento racional. Em seguida, o artista Charles Le Brun conectou-as ao rosto, definindo "a configuração facial anatomicamente correta e adequadamente matizada para cada paixão cartesiana", escrevem Crivelli e Fridlund. Nos anos 60 e 70, a pesquisa científica também começou a apoiar a ideia de que algumas emoções básicas poderiam ser universalmente compreendidas por meio de expressões faciais. Em diferentes países do mundo, o pesquisador Paul Ekman pediu aos participantes que combinassem fotos de expressões faciais com emoções ou cenários emocionais. A conclusão foi de que algumas expressões ─ e seus sentimentos correspondentes ─ eram reconhecidas por pessoas de todas as culturas. (Essas "emoções básicas" foram felicidade, surpresa, repulsa, medo, tristeza e raiva.) Hoje, o legado das teorias de Ekman está por toda parte: desde cartazes espalhados por escolas até no programa do governo americano usado para identificar potenciais terroristas. Mas a teoria tem seus críticos. A antropóloga cultural americana Margaret Mead, que acreditava que nossas expressões eram comportamentos assimilados, era uma delas. Fridlund, que no início de sua carreira escreveu dois artigos em parceria com Ekman e depois se desiludiu de suas ideias, também. Novas pesquisas estão colocando em xeque dois dos principais pilares da teoria básica da emoção Getty Images via BBC Postos à prova Novas pesquisas estão colocando em xeque dois dos principais pilares da teoria básica da emoção. O primeiro é a ideia de que algumas emoções são universalmente compartilhadas e reconhecidas. O segundo, a crença de que as expressões faciais são espelhos confiáveis dessas emoções. "São dois pontos diferentes que realmente foram confundidos pelos estudiosos", diz Maria Gendron, do Departamento de Psicologia da Universidade de Yale. Essa nova leva de estudos inclui o trabalho recente de Crivelli. Ele passou meses mergulhado em meio aos trobriandeses da Papua Nova Guiné, assim como os mwani de Moçambique. Com os dois grupos indígenas, descobriu que os participantes do estudo não atribuíam emoções aos rostos da mesma maneira do que os ocidentais. Não era apenas o semblante do medo. Crivelli mostrou aos trobriandeses um rosto sorridente. Apenas uma pequena parcela o associou à felicidade. Cerca de metade daqueles a quem o pesquisador pediu para descrever a fisionomia em suas próprias palavras o chamou de "riso": uma palavra que lida com ação, não com sentimento. Se nossas expressões não refletem nossos sentimentos, há enormes consequências disso: inteligência artificial é uma delas Getty Images via BBC E vários descreveram o rosto sorridente como exibindo a "magia da atração", uma emoção exclusiva dos trobiandeses que Crivelli descreve como "um encantamento eufórico", ou uma sensação de ser positivamente impactado pela magia. Gendron encontrou reações similares quando estudava outros grupos indígenas – o povo himba na Namíbia e os hadza na Tanzânia. Ambos os grupos, quando solicitados a descrever uma expressão facial em suas próprias palavras, tenderam a não descrevê-la como "feliz" ou "triste". Em vez disso, focaram as ações das pessoas nas fotografias (descrevendo-as como rindo ou chorando) ou extrapolando as razões para as expressões ("Alguém morreu"). Em outras palavras, nem o pesquisador encontrou evidências de que o que está por trás de uma expressão facial – incluindo se uma expressão reflete uma emoção mais íntima – é inato ou universalmente compreendido. Sentimentos ocultos Para tornar tudo mais complicado, mesmo quando são interpretadas por outras pessoas como se retratassem um certo sentimento, nossas expressões faciais podem identificar uma emoção que não estamos realmente experimentando. Em uma análise de cerca de 50 estudos realizada em 2017, os pesquisadores descobriram que apenas uma minoria dos rostos das pessoas refletia seus sentimentos reais. Segundo um dos coautores, Rainer Reisenzein, apenas uma exceção fugia à regra: divertimento, que quase sempre resultava em sorrisos ou risos. Reisenzein hesita em interpretar o que essas descobertas significam. "Sou um desses cientistas antiquados que apenas pesquisam", brinca. No entanto, ele diz acreditar que há boas razões evolucionárias para não revelarmos nossos estados internos a outras pessoas: "Isso nos colocaria em desvantagem". Pessoas devem ler rostos "como uma placa de estrada", diz Fridlund Getty Images via BBC Se nossas expressões não refletem nossos sentimentos, há enormes consequências. Uma é no campo da inteligência artificial (IA), especificamente a robótica. "Um bom número de pessoas está treinando sua inteligência artificial e seus robôs sociais usando esses rostos clássicos de semblantes típicos", diz Fridlund. Mas se alguém que franze a testa em um robô está sinalizando algo diferente do que simples infelicidade, a IA pode responder a eles incorretamente. "Não há como prever como o robô deve reagir quando vê um rosto sorridente, um rosto mal-humorado ou um rosto zangado", observa. "Você tem que ter algum tipo de conhecimento do papel da pessoa em relação a você e também a história de vocês juntos, antes de saber o que esse rosto significa." Fridlund, que dá consultoria a empresas que desenvolvem esse tipo de tecnologia, diz acreditar que a IA extraída de situações contextualizadas será mais efetiva. Para a maioria de nós, porém, a nova pesquisa pode ter um efeito maior sobre como interpretamos as interações sociais. Poderíamos nos comunicar melhor, por exemplo, se víssemos rostos não como reflexos de emoções ocultas – mas sim como se ativamente quisessem falar conosco. "Quando você ri e como você ri em meio a uma interação social é absolutamente crucial", diz Waller Getty Images via BBC As pessoas devem ler rostos "como uma placa de estrada", diz Fridlund. "É como uma agulha em uma ferrovia: vamos seguir em frente ou vamos mudar a conversa?" Sendo assim, o franzir do rosto de sua amiga pode não significar raiva; talvez ela só queira que você concorde com seu ponto de vista. O beicinho do seu filho não reflete necessariamente tristeza; ele pode apenas querer que você tenha empatia ou o proteja de uma situação desconfortável. Dê uma gargalhada, exemplifica Waller: "quando você ri e como você ri em meio a uma interação social é absolutamente crucial." Uma risada inadequadamente cronometrada pode não revelar sua alegria interior com o que está acontecendo – mas pode mostrar que você não está prestando atenção à conversa, ou até sinalizar hostilidade. Beicinho de seu filho não reflete necessariamente tristeza; ele pode apenas querer que você tenha empatia ou o proteja de uma situação desconfortável Getty Images via BBC Para Crivelli, nossos rostos podem até ser mais calculistas do que isso. Ele nos compara a manipuladores de marionetes. Nossas expressões seriam, em sua visão, "fios ou cordas invisíveis que você está tentando usar para influenciar o outro". E, claro, essa outra pessoa também está nos manipulando. Somos criaturas sociais, no fim das contas.

17/06 - 2018


Torcer para o Brasil na Copa pode aumentar risco de infarto? Depende, diz a ciência



Diversos estudos já mostraram que há relação entre hospitalizações por problemas no coração e jogos de futebol. Mas tudo vai depender da importância que se dá ao jogo, do indivíduo e da expectativa. Confira cuidados. Torcedores na Holanda, Brasil, Uruguai, Gana, Argentina, Alemanha, Espanha e Paraguai em Copas do Mundo Arquivo/Reuters A ciência há muito tempo estuda a relação entre emoções fortes e dano ao coração. Estudos mostram que quem perde um ente querido, por exemplo, tem maior risco de infarto. Mas agora, pesquisas nos últimos anos começaram a verificar que algumas emoções aparentemente menos graves - como um jogo estressante de futebol - também podem ser um gatilho para uma hospitalização por problemas cardíacos. Em relação ao futebol especificamente, estudos brasileiros já se debruçaram sobre essa associação. Um levantamento da USP de Ribeirão Preto mostrou que as chances de um infarto nos períodos de realização da Copa é maior do que em qualquer outra época do ano: o índice de pacientes infartados nessas épocas cresceu de 4% a 8%. Outras pesquisas, como as coordenadas pelos cardiologistas Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese, e Nabil Ghorayeb, do Hospital do Coração, também viram que há mais atendimentos relacionados a problemas no coração durante a Copa. Os especialistas realizaram estudos em 2010, em 2014 e também planejam estudos para 2018. Na Copa de 2014 no Brasil, eles analisaram internações durante vários jogos em oito hospitais no Brasil. Na pesquisa, cada pessoa que aparecia no pronto-atendimento com sintomas de emergência cardiovascular respondia a um questionário sobre eventos que antecederam os sintomas. A pesquisa era feita um dia antes do jogo, durante a partida e dois dias depois. "Na Copa de 2014, demonstramos que houve mais atendimentos cardíacos relacionados ao futebol nos dias do jogo do Brasil, mas o mais interessante é que o número foi estatisticamente mais relevante quando a Alemanha jogou contra a Argentina", diz Nabil Ghorayeb. Cuidados com o coração na hora do jogo O médico explica que o modo como o jogo vai influenciar o coração do indivíduo depende da importância que ele dá ao futebol e à expectativa que ele tem sobre a partida - bem como por variáveis que passam por questões relativas à identidade (o jogo ter um impacto muito grande sobre o bem-estar), nacionalismo (o desempenho do país ser muito importante), e até classe social (pessoas de classe média baixa costumam ser mais impactadas). "O impacto no coração depende da expectativa. Nos jogos do Brasil em 2014, o Neymar tinha se machucado, ficou fora da Copa, e a questão do 7x1 foi mais a surpresa do placar. Não teve tanta procura na emergência em nosso estudo", diz. "Agora, na final entre Argentina e Alemanha, muitos estavam torcendo contra a Alemanha, e, quando a seleção alemã ganhou o Mundial, o impacto parece ter sido maior." Os pesquisadores também fizeram um estudo piloto em 2010, nos jogos da África do Sul. "No dia que o Brasil perdeu da Holanda, o número de internações por evento cardiovascular aumentou 28%", diz Ghorayeb. Pesquisas de fora do Brasil também observaram essa relação. Um estudo alemão publicado no "New England Jornal of Medicine", sobre os jogos da Alemanha em 2006 mostrou que, nos dias em que a Alemanha jogava, houve um aumento 2,66 maior no número de emergências cardíacas: esse dado é maior em homens (3,26); nas mulheres, o aumento foi menor (1,82). "Ver um jogo de futebol estressante mais que dobra a possibilidade de um evento cardiovascular. Em vista desse risco, principalmente em homens com histórico de doença cardiovascular, medicas preventivas são necessárias", concluíram os pesquisadores do estudo alemão. Torcedores durante o jogo Brasilx Alemanha durante a Copa de 2014 Euricles Macedo Cuidados e fatores de risco Nabil Ghorayeb explica que, se o indivíduo já tem algum problema cardiovascular, o risco de ter algum evento durante o jogo aumenta. Ele cita levantamento da FIFA de 2014 que mostrou que duas mortes de torcedores que compareceram ao estádio estavam relacionadas ao coração. Um torcedor argentino e outro português morreram em jogos do Mundial no Brasil. Os dois eram cardiopatas. O exagero na bebida álcoolica também aumenta o risco, descreve o cardiologista. "Há efeitos colaterais da bebida no coração. Há maior impacto emocional do jogo sob os efeitos do álcool", diz Ghorayabe. O médico também recomenda que o torcedor com tendência a ficar mais emocionado durante os jogos não assita aos jogos sozinho - e sempre na presença de, pelo menos, mais um adulto. "Se o torcedor começa a passar mal, precisa ter alguém com a possibilidade de entender o que está acontecendo e tomar as providências", recomenda. Quem é cardiopata ou tem pressão alta, o especialista recomenda tomar os medicamentos antes da partida. Outro ponto é cortar o cigarro, ou até ser radical e se afastar totalmente da televisão se o torcedor perceber que o estresse está ficando fora do controle. Tragédias e síndrome do coração partido A síndrome do coração partido, ou tako-tsubo, ocorre após um grande estresse emocional, como a perda de uma pessoa próxima ou um assalto Reprodução/Bem Estar Eventos estressores, de modo geral, abalam o coração. Tem toda uma área da ciência que se dedica especificamente ao assunto, avalia o especialista. É daí que vem a expressão síndrome de tako-tsubo ou síndrome do coração partido. "Tako-tsubo" é uma analogia a um vaso japonês usado na pesca. O coração quando abalado por um estresse emocional fica com uma de suas partes (o ventrículo) com forma semelhante a do vaso. "Estudos em grandes tragédias já demonstraram a correlação entre emoção e dano ao coração. Em grandes catástrofes, também há mortes por eventos cardiovasculares. Isso aconteceu em eventos como a Guerra do Golfo e Furacão Katrina", diz Ghorayeb.

16/06 - 2018


Seio pré-auricular: por que algumas pessoas têm um furinho na parte de cima da orelha?



Buraquinho que fica na cartilagem é resultado de malformação congênita, mas não costuma causar problemas. Já reparou se você mesmo, ou pessoas que conhece, têm um buraquinho no topo da cartilagem da orelha? BBC Ele é milimétrico, quase invisível, mas fica ali no cantinho, no ponto onde o topo da orelha se encontra com as maçãs do rosto. Se você não tem vergonha de parecer um pouco estranho, peça às pessoas próximas para conferir as orelhas delas. Talvez perceba que alguma tem um pequeno buraquinho na parte superior da cartilagem. Ele se chama seio ou fosseta pré-auricular e costuma passar despercebido. Na maioria dos casos, ele é apenas uma curiosidade a mais do corpo humano. Mas, em alguns grupos étnicos, pode estar presente em até 10% da população. Essas peculiaridades são resultado de uma malformação congênita, que pode ter forma de nódulo ou de um furo que aparece perto do ouvido externo. Não há muitos estudos sobre o tema, mas alguns dos que existem mostram que os furinhos são mais comuns na orelha direita do que na esquerda. Por que eles ocorrem? Os seios pré-auriculares aparecem por causa de uma fusão incompleta dos arcos branquiais no feto – eles são estruturas-chave para o desenvolvimento da cabeça e pescoço. Segundo o biólogo Neil Shubin em declaração ao site Business Insider, as fossetas poderiam ser "remanescentes das brânquias (órgãos da respiração) dos peixes". Também é possível que eles se formem por causa de "uma conexão anormal entre a pele e o tecido que fica por baixo", segundo dados da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. "O que provavelmente aconteceu é que uma forma particular de desenvolvimento dessa parte da orelha evoluiu", disse à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Vincent J. Lynch, professor do departamento de genética e anatomia na Universidade de Chicago. "Na maioria das vezes, esse processo ocorre normalmente, mas às vezes algo acontece e um seio pré-auricular se desenvolve." Segundo um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Yonsei, na Coreia do Sul, até 9% da população dos Estados Unidos poderia ter esses buraquinhos, enquanto na Ásia e em partes da África esse índice poderia chegar a 10%. A pesquisa menciona que eles são mais comuns em pessoas negras e de origem asiática do que em pessoas brancas. É perigoso? De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, as pessoas que possuem a fosseta pré-auricular não têm nenhum sintoma adicional – a menos que o furinho fique infectado. Nesse caso, o tratamento inclui antibióticos para a infecção ou uma cirurgia pra remover o sinal de malformação. De modo geral, ter um seio pré-auricular não representa nenhum problema. No entanto, se você tiver qualquer dúvida, pergunte a seu médico.

16/06 - 2018


A ciência secreta que explica o muitas vezes perigoso comportamento das multidões


Multidões podem ser letais – mas também surpreendentemente racionais. Conforme cientistas aprendem mais sobre como grupos de pessoas se comportam, descobrem como prevenir incidentes mortais no futuro. Às vezes, fazer parte de uma multidão é mais do que desconfortável: pode ser letal. No ano passado, esmagamentos causados pelo aglomeramento de pessoas provocaram mortes em lugares como um estádio angolano de futebol, uma praça italiana e um centro de doação de comida no Marrocos. Esses acontecimentos são trágicos e geralmente evitáveis. Por isso, cientistas no mundo inteiro estão tentando descobrir novas maneiras de minimizar a probabilidade de se repetirem. "A maior parte do comportamento humano é bem previsível, porque somos seres muito racionais", diz Shrikant Sharma, diretor do grupo Smart Space da firma britânica de engenharia BuroHappold. Isso permite que a análise de dados preveja como as pessoas vão se mover no espaço – e como isso pode ser afetado por mudanças no seu comportamento. A psicologia das multidões existe desde o século 19. Mas foi apenas nas últimas décadas que houve uma grande mudança no entendimento delas como algo além de uma massa sem cérebro. "A multidão é tão específica psicologicamente quanto o indivíduo", diz John Dury, especialista em psicologia social de gestão de multidões da Universidade de Sussex, no Reino Unido. Nos anos 1980, descobertas psicológicas foram aplicadas a rebeliões; nos anos 2000, a emergências em massa; e em 2010, a festivais de música e outros eventos de grande porte. Agora, a psicologia de multidões está sendo usada em emergências ainda mais especializadas – como ataques CBRN (químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares). A consciência da multidão Na verdade, o trabalho de psicólogos e especialistas em desastres apontou que muitas vezes há o surgimento de uma identidade coletiva durante emergências. Essa identidade é chave para determinar se uma multidão vai cooperar ou ser resiliente em uma situação específica. Em suas entrevistas com os sobreviventes dos ataques de Londres de 2005, por exemplo, Drury e seus colegas descobriram que houve muita cooperação entre membros da multidão: eles confortaram uns aos outros, compartilharam água e providenciaram primeiros socorros. "É importante não fazer coisas que prejudiquem a emergência desse tipo de identidade social compartilhada", diz Drury. Já que a identidade de multidão se sobrepõe a outras afiliações, não ajudaria dividir a multidão em, por exemplo, grupos étnicos ou religiosos com a esperança de torná-la mais administrável. Essas descobertas foram integradas a um guia de respostas de emergência de organizações como o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês). É crucial entender as regras que governam qualquer tipo de multidão. Tomemos como exemplo as "rodas punk" em shows. Há uma lógica nessa massa de corpos em ebulição, apesar de não ser sempre visível para quem não está nela. Essa lógica impede fãs de serem esmagados. Significa até que os participantes em um círculo muitas vezes acabem no mesmo local onde começaram. "Os administradores da segurança de uma multidão reconhecem as regras em rodas punk e danças confusas em geral", diz Drury. Mas se seguranças inexperientes que não conhecem a cena acreditarem que esse comportamento é perigoso e começarem a aplicar a força física, essa reação pode desencadear o perigo em si. Isso aconteceu no desastre de 1989 de Hillsborough, quando 96 pessoas morreram ao serem esmagadas em um estádio de futebol em Sheffield, no Reino Unido. Alguns policiais e guardas ficaram tão preocupados com hooligans que suas ações, como separando fãs em grupos apertados, pioraram tudo. De um ponto de vista psicológico, é também importante não superestimar os perigos de uma multidão. Drury diz que, apesar de desastres serem raros, a mídia e a cultura popular muitas vezes exageram os perigos. É mais dramático para propósitos de narração usar um termo como "pânico" em vez de "evacuação repentina", por exemplo, apesar de pânico em massa ser raro. O problema é que, se as pessoas são levadas a acreditar que os outros vão entrar em pânico em uma multidão, então elas ficam mais propensas a entrar em pânico – mesmo na ausência de um perigo real. Plano avançado Quando se trata de um evento específico ou ocorrido em um prédio, pesquisas estão ajudando a desenvolver formas de manter multidões a salvo. E muitas vezes, as melhores medidas são as menos esperadas. A equipe da firma Smart Space, de Sharma, tem vários dados sobre os fatores que influenciam comportamento em massa, desde condições do vento até preferências culturais e espaço pessoal. Usando seu software de simulação de multidões, eles planejaram essas variáveis em diferentes cenários para mostrar como até mesmo passos simples – como mudar a saída de um bloco de apartamentos – pode evitar aglomerações. "Os dados muitas vezes vão desafiar suas pressuposições", diz Sharma. Por exemplo, a equipe de um hospital afirma que uma área do seu hospital é a mais movimentada. Mas se você colocar dispositivos de rastreamento nos funcionários, eles podem mostrar que o centro de atividade é em outro local. Isso pode acabar na sugestão de uma forma diferente de organizar o espaço. Às vezes, as recomendações são até mais simples. Todos os dias, quando tocava o sinal, alunos de uma escola de Newcastle se amontoavam no corredor. A equipe de Sharma acompanhou os estudantes tendo dificuldade para andar por ali em várias direções. Mas eles perceberem que a ideia da escola – de ampliar o corredor – seria custosa e desnecessária. Em vez disso, a equipe de Sharma recomendou algo muito mais simples: livrem-se do sinal. Se os professores terminarem suas aulas com uma diferença de alguns minutos, as aulas não vão liberar todos os alunos exatamente ao mesmo tempo. De repente, ficou muito mais fácil se movimentar no corredor. Perguntas certas Como resultado, Sharma acredita que fazer a pergunta certa pode ajudar a evitar o desconforto das aglomerações, mesmo até em lugares com recursos limitados. As estações de trem de Mumbai são famosas por serem superlotadas, por exemplo. Garantir que a informação correta esteja sendo transmitida e prestar atenção em como os passageiros são distribuídos pelas saídas pode ajudar a evitar mais tragédias como o pisoteamento nas escadas da estação de Elphinstone Road, que resultou em 22 mortes. Mas apesar do progresso que a ciência de gestão de multidões tenha feito nos últimos anos, há muito o que melhorar ainda. O trabalho da psicóloga Anne Templeton, da Universidade de Kent (Reino Unido), por exemplo, demonstra que muitas ferramentas de simulação de multidões não conseguem explicar a forma como membros de uma multidão interagem entre si. Uma "multidão física" (basicamente um grupo de corpos no mesmo espaço) deveria ser visto diferentemente de uma "multidão psicológica" (quando uma multidão tem um senso de identidade compartilhado). Por exemplo, diz Templeton, "em um nível básico de movimento, multidões psicológicas vão andar mais devagar para manter uma formação próxima com outros membros da multidão". A sofisticação cada vez maior da modelagem de dados pode permitir que esses fatores mais difíceis de se ver sejam incorporados ao planejamento do cenário. "Multidões físicas podem se tornar psicológicas em emergências, por isso, os modelos computacionais precisam ser versáteis para acomodar a mudança na identidade de grupo e as mudanças comportamentais que acompanham", diz Templeton. Entrevistas (checar o que as pessoas dizem) podem ser combinadas com sensores (checar o que as pessoas fazem) para chegar a uma compreensão mais completa do comportamento humano e suas necessidades. Multidões podem ser surpreendentemente complexas e sofisticadas. Mas também são as técnicas para compreendê-las.

16/06 - 2018


Unicamp lidera ranking de instituições sediados no Brasil em nº de pedidos de patentes: 'Inéditos e promissores'



Nos últimos cinco anos, universidade de Campinas subiu posições entre as instituições que depositam patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Pesquisadora do Instituto de Química da Unicamp durante análise em laboratório de nanopartículas de magnetita e sílica, no estudo sobre dupla função contra o câncer, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A Unicamp, em Campinas (SP), é a instituição sediada no Brasil que mais depositou patentes de invenção em 2017 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Foram 77 pedidos, ao todo, 15 a mais que em 2016, quando a universidade ocupava a 2ª posição. Instituto tem investido para reduzir tempo de análise das patentes, mas espera média ainda é de 10 anos. "Mostra que a Unicamp está preparada para atender demandas tecnológicas do mercado. Isso mostra que a universidade é capaz de desenvolver projetos realmente inéditos e promissores", afirma Patrícia Leal Gestic, diretora de propriedade intelectual da agência de inovação Inova Unicamp. O ranking foi divulgado no estudo "Indicadores de Propriedade Industrial 2018", do INPI. [Veja as dez instituições que mais pediram patentes na tabela, abaixo] A agência Inova Unicamp é o órgão responsável pela gestão da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia da universidade, e conta com uma seleção interna de patentes rígida para garantir o ineditismo e que as ideias sejam aplicáveis no mercado. Segundo Patrícia, em 2017 foram recebidos pela agência entre 120 e 130 pedidos, mas 81 foram enviados ao INPI, que reconheceu 77 deles. "A propriedade intelectual - basicamente as patentes - é a infraestrutura invisível da inovação. É aquele valor que se precisa dar e investir para que se tenham produtos e processos inovadores e competitivos. A Unicamp está no caminho certo". Veja os avanços que a Unicamp teve nos últimos cinco anos em número de pedidos de patentes de inovação no gráfico, abaixo. Em 2017 foram 25.658 pedidos ao INPI, de instituições residentes e não residentes no Brasil. Só as sediadas no país pediram 5.480 patentes no ano passado, sendo o estado de São Paulo o maior solicitante, com 30%. Transferência de propriedade intelectual A diretora destaca que a Unicamp é uma das universidades que mais transferem propriedade intelectual para o mercado atualmente. Isso significa a aplicação da inovação nas indústrias para que os produtos possam ser consumidos pela população. "A gente teve casos de patentes que geraram produtos saudáveis, com baixo teor de gordura trans e saturada, e que hoje estão em inúmeros ingredientes da indústria de alimentos e que o consumidor usa". Foram 25 transferências em 2017 número que vem crescendo nos últimos anos. Antes de 2013, a média era de cerca de seis por ano, afirma Patrícia. "A gente teve também em 2017 o recorde de patentes concedidas, mostra que as patentes são robustas o suficiente para serem transferidas para o mercado. Cada nova patente é uma nova oportunidade de negócio e de agregar valor com o conhecimento, e isso a gente acaba vendo na prática na sociedade", diz. Foram 62 patentes concedidas, numa realidade de demora na análise dos pedidos pelo INPI. Segundo Patrícia, em média, leva sete anos e meio para as análises nas áreas de cosméticos e odontologia e até 14 anos para tecnologia da informação. No entanto, com o respaldo do conhecimento dos pesquisadores e por meio de contrato, a Unicamp pode transferir a propriedade quando o processo está em andamento no INPI. As empresas recebem o pedido de patente e são avisadas de que ainda não se trata do registro final. Assim, já podem dar continuidade ao desenvolvimento da tecnologia. "As universidades geram conhecimento e tecnologia, e o mais importante é a transferência para o mercado. É ele que vai fazer com que essas tecnologias sejam utilizadas. A gente completa o ciclo da inovação, fazendo com que as empresas se tornem mais competitivas", explica. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp Ranking Apenas uma empresa conseguiu uma posição entre as dez instituições que mais depositaram pedidos de patentes em 2017. Três universidades que não estavam no ranking anterior ganharam espaço: a Universidade Federal de Campina Grande (PB), que alcançou o 2º lugar, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Associação Paranaense de Cultura, mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ranking de instituições residentes no Brasil que mais registraram pedidos de patentes no INPI "Além de identificarmos e prospectarmos a oportunidade de tecnologia nos laboratórios, nós recebemos dos professores e dos alunos o que a gente chama de comunicação de invenção. Quando eles acham que tem alguma coisa promissora, eles nos avisam", afirma Patrícia sobre o estímulo na Unicamp. Investimentos X Espera longa No último ano, o INPI investiu em profissionais para agilizar as análises das patentes, reduzindo o tempo de espera. Foram contratados 140 examinadores em 2017. Medidas administrativas também têm sido adotadas para agilizar o processo. O número de pedidos na fila teve uma redução de 7,6% no ano passado em relação a 2016, o percentual equivale a 18.705 patentes analisadas ou arquivadas. Eram 243.820, em 2016, e passou a 225.115, em 2017, de acordo com a Instituição. Desde o ano passado, examinadores foram estimulados a trabalhar de casa, com aumento de produtividade. São 96 profissionais com produção, em média, 50% acima da meta contratada, sendo que o compromisso para se manter do programa era produzir 30% acima da média. E as medidas aplicadas também já refletem nos resultados deste ano do INPI. Foram 3.854 decisões - conclusão dos processos - de janeiro a abril de 2018, contra 1.608 no mesmo período de 2017, um incremento de 139%. Prédio da agência de inovação Inova Unicamp, em Campinas Thomaz Marostegan/Inova Unicamp No entanto, o prazo para concluir um processo continua longo, 10 anos, em média. No ano passado, o G1 divulgou que pesquisadores de Campinas procuravam alternativas fora do Brasil, diante da demora. Um Acordo de Cooperação Técnica entre INPI, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) busca investimento de R$ 40 milhões no Instituto, dividido em três anos. Desse montante, o MDIC aprovou o aporte de R$ 20 milhões em 2018. O recurso, segundo o INPI, permitiria avanços na infraestrutura tecnológica do órgão, com revisão e atualização de processos, além da geração de inteligência competitiva e análise de novas oportunidades no campo de patentes. Veja mais notícias da região no G1 Campinas

15/06 - 2018


Relatório mostra impactos do assédio sexual contra mulheres em ambiente acadêmico dos EUA



Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina analisaram estudos que mostram assédio sistemático. Assédio por causa do gênero é o tipo mais comum. Assédio sexual no ambiente acadêmico é sistemático, diz relatório Frank May/Picture Alliance/DPA/AFP/Arquivo As Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina divulgaram um relatório sobre assédio sexual no ambiente acadêmico nos EUA. O relatório intitulado "Assédio Sexual Contra as Mulheres: Clima, Cultura e Consequências nas Academias de Ciência, Engenharia e Medicina" concluiu que o resultado cumulativo do assédio sexual traz dano significativo à integridade das pesquisas e uma grande perda de talentos nesses campos acadêmicos. Entre as principais conclusões do relatório, que analisou diversos estudos de universidades americanas, alguns destaques: O assédio sexual é comum nestes campos e acontece com alunos, professores e pesquisadores Assédio por causa do gênero é a forma mais comum de assédio sexual no meio acadêmico Mulheres que sofrem com assédio têm medo de denunciar por medo de retaliação ou repercussão negativa O assédio sexual prejudica o sucesso profissional e educacional das mulheres e sua saúde mental e física Treinamentos sobre assédio sexual não se mostraram eficazes na prevenção do assédio O relatório sugere ainda que faculdades, universidades e agências federais devem ir além da conformidade legal básica para adotar políticas e práticas baseadas em evidências para combater o assédio sexual. E ressalta que o assédio sexual geralmente ocorre em um ambiente de incivilidade e desrespeito generalizado. Em contraste, o assédio sexual é menos provável de ocorrer quando os sistemas organizacionais e as estruturas apoiam a diversidade, a inclusão e o respeito. "Uma mudança na cultura e clima nas faculdades e universidades do nosso país pode impedir que o padrão de comportamento de assédio atinja a próxima geração de mulheres que ingressam na ciência, engenharia e medicina", disse Paula Johnson, co-presidente do comitê que conduziu a pesquisa e escreveu o relatório, e presidente da Wellesley College. Além disso, o relatório cobra o Congresso americano e legisladores estaduais a considerar uma série de ações, incluindo a proibição de confidencialidade em acordos e permitir que processos sejam movidos diretamente contra os supostos assediadores, não apenas contra suas instituições. Assédio nas universidades Em pesquisa realizada pela Universidade do Texas entre seus alunos de graduação e pós-graduação, cerca de 20% das estudantes de ciências, mais de um quarto de estudantes de engenharia e mais de 40% de estudantes de medicina sofreram assédio sexual de professores ou funcionários. A Universidade Estadual da Pensilvânia realizou uma pesquisa semelhante e descobriu que 33% de suas alunas e 43% de suas alunas de pós-graduação (de todas as disciplinas) sofreram assédio sexual por parte de professores ou funcionários; assim como 50% das estudantes de medicina. Como essas pesquisas revelam, as alunas na medicina acadêmica experimentam assédio sexual mais frequente perpetrado por docentes e funcionários do que mulheres estudantes em ciências e engenharia. Além disso, a melhor análise disponível até hoje revelou que 58% das mulheres docentes e funcionários acadêmicos (todas as disciplinas, não limitadas a ciências, engenharia e medicina) sofreram assédio sexual. Outra pesquisa mostra que as mulheres de cor experimentam mais assédio - sexual, racial / étnico ou uma combinação dos dois - do que outros grupos Assédio nas universidade americanas acontece com alunos, professores e funcionários Frank May/Picture Alliance/DPA/AFP/Arquivo Como evitar? Prevenir e lidar efetivamente com o assédio sexual de mulheres na academia é um desafio significativo, mas pesquisas mostram o que pode funcionar, diz o relatório. Presidentes de faculdades e universidades, reitores, diretores de departamentos devem tornar a redução e a prevenção do assédio sexual uma meta explícita de seu mandato. "Em última análise, o sucesso em enfrentar este desafio exigirá uma liderança forte e eficaz dos administradores em todos os níveis. Bem como o apoio e trabalho de todos os membros dos campi universitários - estudantes, professores e funcionários", disse a co-presidente do comitê Sheila Widnall, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Líderes da academia e de centros de pesquisa e treinamento devem prestar mais atenção e adotar políticas que cubram o assédio de gênero, como forma de abordar a forma mais comum de assédio sexual e ajudar a prevenir outros tipos de assédio. Sistemas nos quais as punições contra comportamentos inaceitáveis ​​são claras e que responsabilizam os membros da comunidade que não atendem às expectativas comportamentais e culturais estabelecidas pela liderança têm menores taxas de assédio sexual. As instituições acadêmicas devem desenvolver e compartilhar políticas claras sobre assédio sexual e padrões de comportamento. As instituições acadêmicas devem trabalhar para criar um ambiente diverso, inclusivo e respeitoso, no qual esses valores estejam alinhados e integrados às estruturas, políticas e procedimentos da instituição, diz o relatório.

15/06 - 2018


Cientistas de Hong Kong dizem que novas pesquisas apontam para anticorpo universal para HIV


Pesquisadores dizem que buscam usar o anticorpo em testes clínicos entre os próximos três a cinco anos. Uma equipe de pesquisadores da Aids em Hong Kong afirma que sua nova pesquisa, testada em ratos, indica uma cura funcional para o HIV, vírus que causa a síndrome, podendo levar à criação de um novo anticorpo que poderia ser usado tanto para a prevenção quanto para o tratamento.  As descobertas, publicadas na revista Journal of Clinical Investigation, são divulgadas enquanto a China enfrenta uma crescente epidemia entre grupos de risco, como trabalhadores sexuais e homens homossexuais.  O hub de dados da Aids apoiado pela ONU diz que cerca de 850 mil pessoas na China estão infectadas com o HIV, que compromete o sistema imunológico e torna as pessoas mais vulneráveis a infecções e doenças.  Uma equipe liderada pelo professor Chen Zhiwei no Instituto de Aids da Universidade de Hong Kong diz que a descoberta, testada em ratos, mostra que o novo anticorpo pode ajudar a controlar o vírus e eliminar células infectadas.  O anticorpo poderia tratar todas os tipos do HIV -pela primeira vez, disse Chen- já que não há vacinas contra os diferentes tipos do vírus causador da Aids.  "O nosso recém-descoberto anticorpo biespecífico funciona para todos os tipos, então é uma grande diferença', disse Chen à Reuters.  Chen e sua equipe dizem que buscam usar o anticorpo em testes clínicos entre os próximos três a cinco anos.

15/06 - 2018


Mensagem de voz do astrofísico britânico Stephen Hawking é enviada ao espaço



A mensagem - com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião - foi enviada pela Agência Espacial Europeia. O físico Stephen Hawking durante evento em Nova York, nos EUA. Arquivo/Lucas Jackson/Reuters Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking foi transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton. A mensagem - com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião - foi enviada pela Agência Espacial Europeia. "É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente", disse sua filha Lucy Hawking. O cientista, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, foi enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. Uma longa história no tempo Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas. A mensagem de Hawking foi enviada "ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária", revelou a filha de Hawking. O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que levará para chegar a mensagem. "É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta". Homenagens O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 "Uma breve história do tempo", um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica. Ele morreu no dia 14 de março, aos 76 anos. Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas.

15/06 - 2018


O que nos faz sentir coceira e por que queremos nos coçar?



Em geral, a coceira é um sinal enviado por nervos da pele ao cérebro após a liberação de substâncias do sistema imunológico - como a histamina - respondendo a irritações. De onde vem a sensação de coceira? E por que dificilmente conseguimos evitar nos coçar? BBC É praticamente impossível ficar parado quando aquele comichão surge do nada. Mas de onde vem a sensação de coceira? E por que dificilmente conseguimos evitar nos coçar? Assista ao vídeo. O corpo reage a toxinas deixadas na pele - por exemplo, por insetos ou plantas - enviando substâncias químicas defensivas, como a histamina, à área irritada. É nesse momento que os sinais de coceira são enviados ao cérebro por terminações nervosas da pele. É o corpo reagindo a uma irritação - que pode ter várias causas. Entre elas, segundo a dermatologista britânica Anjali Mahto, há condições como "deficiência de ferro; para vegetarianos ou veganos, se tiverem baixos níveis de vitaminas ou nutrientes, como B12, e ácido fólico; se houver problemas com o funcionamento dos rins ou do fígado; se há um problema com o funcionamento da tireoide; a lista é longa". Mas ela alerta ser importante saber "se há uma condição médica por trás disso". Para isso, é necessário fazer um exame de sangue, explica. Além disso, sempre que possível, busque ajuda médica. Mas há dicas que você pode colocar em prática, como manter a pele refrescada, usar roupas de fibras naturais, passar hidratante e tomar anti-histamínicos. Também evite coçar demais o local, já que isso pode causar danos à pele. "Sua pele é uma barreira, mantendo as coisas boas para dentro e as coisas ruins para fora", diz. "Se você coçá-la demais, suas unhas vão destruir essa barreira. É importante romper com esse ciclo vicioso de coçar a coceira", acrescenta.

15/06 - 2018


Brasil tem 973 mortes por tétano em 9 anos; doença ainda é problema de saúde pública, diz ministério



Com vacina disponível desde os anos 1950, tétano infectou 2939 brasileiros entre 2007 e 2016. Homens pardos e aposentados são os mais afetados, diz Ministério da Saúde. Vacina disponível no Brasil protege contra a coqueluche,difteria e tétano Marlon Tavoni/EPTV A vacina antitetânica passou a ser disponibilizada no Brasil nos anos 1950, mas 973 brasileiros morreram pela doença entre 2007 e 2016, diz boletim sobre o tétano divulgado esta semana pelo Ministério da Saúde. Entre os casos -- foram 2939 infecções no período analisado -- a maioria é de quem não tomou a vacina ou deixou de tomar alguma dose de reforço. Hoje, a vacinação contra o tétano é dada em três doses na infância -- e especialistas aconselham ainda o reforço a cada dez anos. O Ministério da Saúde alerta que a imunização só é garantida após o indivíduo completar todas as doses. Quem não tomou na infância, pode começar a imunização na idade adulta. Dentre os casos de tétano confirmados no Brasil, muitos são os que sequer sabiam que tinham tomado a vacina. Dentre os que sabiam, 31,4% nunca tinha se vacinado e 13,5% tomou apenas uma dose. A partir da segunda dose, o índice de infecção diminui: 1,9% tomou duas doses; 2,2% (três doses); 2,6% (3 doses + 1 reforço); 0,7% (3 doses + 2 reforços). Apesar de prevenível com o imunizante, o tétano tem uma alta mortalidade, informa o governo, com 33,1% de mortes entre os casos. De cada 100 pessoas que adoecem, cerca de 35 a 40 morrem. "O tétano é um importante problema de saúde pública, pois apresenta alta letalidade e tratamento de custo elevado", conclui boletim da Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão do ministério responsável pelos dados. Causada pela bactéria Clostridium tetani, o tétano não é contagioso (não se pega de pessoa pra pessoa). A doença ocorre quando ao indivíduo tem um ferimento profundo e há a introdução da bactéria em grandes quantidades nessas lesões. A maioria se machuca em casa (31,5%) ou em vias públicas (17,7%). O Ministério da Saúde informa que 73,1% dos casos ocorreram em áreas urbanas. No total, 5.224 casos suspeitos foram notificados ao Ministério da Saúde. Em 44,5% dos casos, a principal porta de entrada para a doença foi ferimento por perfuração, principalmente nos membros inferiores (66,0%) Entre os mais infectados estão indivíduos entre 35 e 64 anos (56,7%), do sexo masculino (84,5%) e de raça parda (50,0%). Em relação à escolaridade, 38,1% dos indivíduos tinham até o ensino fundamental, e em torno de 5,7% eram analfabetos. "Aposentados, pedreiros, donas de casa e trabalhadores agropecuários foram os mais acometidos, totalizando 58%" -- Ministério da Saúde. A doença começa com uma febre baixa, rigidez muscular e espamos e contraturas. "Em geral, o paciente se mantém consciente e lúcido", informa documento do ministério. A internação deve ser imediata e o tratamento consiste em neutralizar a ação da bactéria e controlar os sintomas, diz o Ministério da Saúde .

15/06 - 2018


Perdido em Marte



Tempestade de areia em Marte Nasa Há em Marte, hoje, uma quantidade admirável de naves e jipes a estudar o planeta. Do espaço, são 5 satélites, três da NASA, um europeu e uma nave da Índia. Em solo, são dois jipes da NASA: o Curiosity e o Opportunity. O Curiosity pousou em 2012 e carrega um verdadeiro laboratório de análise fisico-química de dar inveja a muitos laboratórios da Terra. No post da semana passada eu falei de alguns dos resultados mais importantes destes quase 6 anos de atividades. Já o Opportunity está na superfície de Marte desde 2004. O Opportunity, chamado carinhosamente de Oppy, pousou em janeiro de 2004 junto com seu irmão gêmeo Spirit. Ambos são bem menores e mais simples do que o Curiosity, mas fizeram muitas pesquisas importantes que abriram o caminho para as experiências mais complexas do jipe mais moderno. Ambos os jipinhos foram projetados para durar 90 dias macianos, chamados de sóis. Um sol equivale a um pouco mais do que um dia terrestre. Todavia, ambos duraram mais muito mais que isso. O Spirit parou de funcionar em 2010 ao ficar atolado em uma camada de areia mais fofa. Nessa situação ele foi transformado em uma base permanente de pesquisas, após ter percorrido 7,7 km, mas sua posição era desfavorável para receber luz solar. Com isso suas baterias recebiam menos energia do que o necessário para manter seu sistema de aquecimento interno, situação que se agravou no inverno. Nesse período, tanto a incidência de luz diminui, o que prejudica a recarga das baterias, quanto a demanda por eletricidade para os aquecedores internos funcionem aumenta. Resultado, os sistemas eletrônicos não suportaram as temperaturas abaixo dos 50 graus negativos e o Spirity silenciou definitivamente no inverno marciano de 2010. Dois jipes da NASA estão estudando Marte hoje NASA Todavia a situação com o Oppy é bem diferente. O jipe já dura 14 anos, plenamente funcional. Na verdade, uma das suas 6 rodas travou e não gira mais. Como é uma das rodas dianteiras, jipe então passou a andar de ré e simplesmente a arrasta pela superfície marciana. Com essa estratégia, o Oppy se tornou o veículo a percorrer a maior distância fora da Terra, num total de mais de 45 km. Durante esse tempo todo o jipe passou por poucas e boas, enfrentando momentos em que seus painéis solares estavam tão cobertos de areia que não estavam dando conta de recarregar plenamente as baterias. Mas os próprios ventos marcianos se encarregaram de dar uma limpada neles, afastando o perigo de uma falha. Em outras vezes o jipe enfrentou tempestades de areia que diminuíram muito a incidência de luz sobre os painéis. Em 2007, durante uma severa tempestade de areia, ambos os jipes só funcionaram alguns minutos or dia, o suficiente para se comunicarem com a Terra, apenas. Agora o Oppy está enfrentendo outra tempestade em Marte e essa pode ser fatal. Tempestades de areia em Marte são comuns, especialmente quando o planeta fica mais próximo do Sol. Essa em específico foi detectada pelos satélites em órbita de Marte no finzinho de maio e no dia 31 ela já aparecia nas imagens. De lá para cá ela só fez crescer e atingiu a posição onde está o Oppy uns 5 dias depois, como você pode ver nessa animação com imagens obtidas dos satélites. Atualmente a tempestade já encobriu quase metade do planeta, inclusive o local onde opera o Curiosity a mais de 5 mil km de distância! Esta tempestade de areia é talvez a mais intensa jamais vista. Os satélites em órbita, assim como o Curiosity em solo, têm um instrumento capaz de medir a opacidade da atmosfera, ou seja, a medida de quanto a atmosfera absorve a luz. Durante a grande tempestade que aconteceu em 2007, a medida da opacidade chegou em 5,5, no último domingo (10/06) a medida chegou a 10,8! E aí o tempo fechou para o jipe, literalmente. Essa outra imagem representa uma simulação de como o Oppy enxerga o Sol em sua posição conforme a tempestade foi se intensificando até atingir o valor observado no domingo. A quantidade de poeira levantada na tempestade é tão alta que ficou praticamente noite no local onde o jipe está. E pouca luz é problema. O jipe não está recebendo energia suficente para uma plena recarga das baterias e desse modo o jipe precisou ser colocado em modo de proteção. Nesse modo, todas as atividades científicas estão suspensas e apenas o relógio interno está funcionando. O relógio está programado para acordar o computador de bordo periodicamente no horário que o Sol está mais alto no céu para checar o nível da bateria e mandar uma mensagem para a Terra. Se ele estiver abaixo do nível crítico, o computador volta a hibernar e a rotina se mantém até que as baterias estejam com carga suficiente para acordar o computador, mas também com carga para sustentar a eletrônica do jipe, principalmente os aquecedores. Atualmente, o nível de insolação no sítio do jipe está no nível suficiente para manter o relógio interno funcionando apenas, mas se a tempestade se intensificar e ficar mais escuro, o relógio deixará de funcionar. Se isso acontecer, o computador perderá a noção do tempo e vai ligar de forma aleatória procurando saber se a quantidade de luz é suficiente para recarregar as baterias. A falta dos aquecedores nem é tanto um problema, pois Marte está quase no verão e apesar de bloquear a luz do Sol, a tempestade de areia forma um cobertor cobrindo a superfície. O pouco de calor que atinge a superfície acaba retido pela capa de poeira e a temperatura acaba se mantendo em níveis elevados, comparativamente é claro. A última vez que a NASA conseguiu contato com o Opportunity foi no domingo dia 10/06 e, baseado nos dados dos satélites, acredita que o jipe ainda tenha carga para manter o relógio interno funcionando e sabe também quais os horários que ele vai tentar se comunicar. Mas, por precaução, a rede de antenas da NASA foi colocada em prontidão para tentar ouvir o jipe a qualquer hora, caso o nível das baterias tenha caído abaixo do crítico. Tristeza de uns, alegria de outros. Enquanto a tempestade ameaça a sobrevivência do jipe Opportunity (o Curiosity funciona com baterias nucleares, então está a salvo) ela está fazendo a alegria de outros tantos cientistas. Essa é talvez a mais intensa tempestade jamais vista e pode durar até meses, mas justamente agora nunca houve tantos instrumentos em Marte para estudá-la. É uma oportunidade fantástica para se estudar a dinâmica da atmosfera e permitir melhorar os modelos que façam a previsão de novas tempestades no futuro. E isso será fundamental quando estivermos a ponto de colonizar Marte, como bem sabe o Matt Damon.

14/06 - 2018


Portadores do HIV pedem remédios em visita de diretora da Opas à Venezuela



Desabastecimento dos antirretrovirais é total, afirma documento entregue a representante da organização. Pacientes com HIV e familiares de portadores do vírus protestam contra a falta de medicamentos na Venezuela Federico Parra / AFP Com máscaras ou caixas vazias de remédios que não conseguem obter grudadas no corpo, dezenas de portadores de HIV protestaram, nesta quinta-feira (14), em frente à sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em Caracas, capital da Venezuela, durante a visita da representante desse organismo, Carissa Etienne. "Não mais mortes, queremos remédios", gritavam os manifestantes enquanto colavam na fachada do organismo cartazes com nomes de portadores de HIV que morreram pela falta de antirretrovirais na Venezuela. Portadores de HIV e familiares protestam contra a falta de medicamentos antirretrovirais na Venezuela Federico Parra / AFP No protesto, a ONG Rede Venezuelana de Gente Positiva entregou à Opas um documento em que denuncia que "mais de 80 mil pessoas com HIV e Aids se encontram afetadas e em perigo pelo desabastecimento de 100% de medicamentos antirretrovirais". Na Venezuela, que sofre uma grave crise com hiperinflação e falta de alimentos, a escassez de fármacos é de entre 85% e 100%, segundo a Federação Farmacêutica. Venezuela corta fornecimento de medicamentos e Aids lembra casos dos anos 1990 Sthefany Ramírez, de 24 anos, e vários de seus familiares — incluindo seu bebê — tem HIV e há um ano não conseguem o tratamento. "Quando vou à farmácia me dizem que não há medicamentos. O governo não deu a assinatura para que os medicamentos passem, houve mortos demais", disse à AFP na manifestação. "Queremos viver", lia-se em vários cartazes de pessoas que exigiam que a diretora da Opas os atendesse. Espera-se que Etienne se reúna durante a tarde com o chanceler, Jorge Arreaza. 'Emergência humanitária' Uma mulher fantasiada de esqueleto participa de um protesto contra a escassez de medicamentos em Caracas, na Venezuela. O cartaz diz: 'Pacientes renais estão morrendo por falta de medicação, pacientes psiquiátricos estão se suicidando. Não há medicamentos. Intervenção humanitária, já. SOS Venezuela' Carlos Garcia Rawlins/Reuters Em 11 de junho, o governo de Nicolás Maduro fez um acordo com a Opas para adquirir medicamentos. Segundo a Rede Venezuelana de Gente Positiva, desde maio de 2017 o Ministério da Saúde não assinou ordens de compra de antirretrovirais, que escasseiam desde 2009. Maduro anuncia novos ministros; Mulheres são maioria A organização pediu a Etienne que ajude a solucionar "a emergência humanitária", com doações de remédios, vacinas e insumos. Escassez chega a 88% Enfermeiro usa luz de telefone celular ao manusear material em hospital em Rubio, na Venezuela Carlos Eduardo Ramirez/Reuters Os hospitais venezuelanos registram uma escassez de medicamentos da ordem de 88% e uma falta de material médico cirúrgico de 79%, segundo uma pesquisa do parlamento de maioria opositora e uma ONG divulgada em março. "Os venezuelanos vão a um hospital e têm de comprar tudo. Há 84% de escassez de cateteres e sondas, que são coisas básicas em qualquer hospital", denunciou o médico e deputado José Olivares em coletiva de imprensa em que apresentou os resultados da Pesquisa Nacional de Hospitais. Venezuela sofre com escassez de produtos nos supermercados Marco Bello/Reuters O relatório, realizado durante os dez primeiros dias de março pela Assembleia Nacional e pela ONG Médicos pela Saúde também determinou que 94% dos serviços de raio-x não funcionam, assim como 97% dos de tomografia. "Cem por cento dos laboratórios do país não funcionam de maneira correta por falta de reativos, 79% dos hospitais têm problemas de fornecimento de água e 53% das salas de cirurgião não funcionam", detalhou Olivares.

14/06 - 2018


Voz de Hawking ressoará no espaço em mensagem de "paz e esperança"



Cinzas do cientista serão depositadas na Abadia de Westminster, em Londres. Hawking em evento de premiação para a comunicação científica, cuja medalha recebeu seu nome, em imagem de dezembro de 2015 Toby Melville / Arquivo / Reuters A voz de Stephen Hawking será enviada na sexta-feira (15) ao espaço, depois que suas cinzas forem depositadas na Abadia de Westminster, em Londres, no Reino Unido, em uma "mensagem de paz e esperança", informou sua família nesta quinta-feira (14). As palavras do físico, que morreu em 14 de março aos 76 anos em Cambridge, serão acompanhadas de uma trilha musical composta pelo músico grego Vangelis, famoso por ser o autor da trilha sonora do filme "Carruagens de Fogo". Para Lucy Hawking, filha de Hawking, a ação constitui "um belo e simbólico gesto que cria um vínculo" entre a presença de seu pai neste planeta e "seu desejo de ir ao espaço e suas explorações do Universo". A voz de Hawking será transmitida por satélite para o buraco negro mais próximo da Terra e, segundo Lucy, é uma "mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos em harmonia neste planeta". Um CD da composição, uma "homenagem pessoal de Vangelis ao professor", será entregue a todos os convidados na cerimonia na Abadia de Westminster, anteciparam os familiares. Amigos do físico, entre eles o ator Benedict Cumberbatch - que interpretou Hawking em uma série da "BBC" - e o astronauta Tim Peake, comparecerão ao serviço, junto com a família e outras mil pessoas que solicitaram presença. Os restos mortais do professor, que sofria desde os 21 anos com uma doença neurodegenerativa que, pouco a pouco, o deixou imóvel e o obrigava a se comunicar através de um sintetizador de voz, descansarão ao lado dos de Isaac Newton e Charles Darwin.

14/06 - 2018


Cientistas cortam DNA de cobaias machos e ovário aparece no lugar de testículo



Material cortado não apresentava nenhum gene. Experimento de 'reversão sexual' foi publicado na revista 'Science' nesta quinta-feira (14). Da esquerda para a direita, camundongo XY com genitália feminina e cobaia fêmea (XX) sem alteração no material genético Instituto Francis Crick/Greta Keena Camundongos passaram a apresentar ovários em vez de testículos depois que cientistas cortaram um pedaço pequeno do DNA das cobaias durante o desenvolvimento. O curioso é que o material retirado não apresentava genes e os camundongos eram machos no momento da alteração (já apresentavam o cromossomo Y). A pesquisa foi coordenada por cientistas do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, e está na edição desta quinta-feira (14) da revista "Science". Normalmente, mamíferos se tornam fêmeas se há uma quantidade insuficiente de uma proteína conhecida como SOX9. Essa proteína é codificada por um gene localizado no cromossomo Y. É por isso que os machos, que têm um cromossomo X e um cromossomo Y, geralmente desenvolvem testículos; enquanto as fêmeas, que têm dois cromossomos X, não o fazem. A surpresa do estudo, no entanto, é que os cientistas cortaram uma parte do material genético que não possuía genes. Pesquisadores -- como o primeiro autor Nitzan Gonen -- não esperavam que uma mudança nesse tipo de material pudesse ser o gatilho para uma alteração tão radical no sexo das cobaias. "Fiquei surpreso ao descobrir que um único pedaço era capaz de controlar algo tão significativo quanto o sexo" -- Nitzan Gonen. Apenas 2% do DNA humano contém o "código" para produzir proteínas. Os 98% restantes são "não-codificantes" -- e o pedaço cortado estava nesse grupo. Cientistas acreditam que o estudo poderia ajudar a explicar distúrbios do desenvolvimento sexual em humanos. Segundo os autores da pesquisa, pelo menos metade desses distúrbios tem causa genética desconhecida. Como foi o estudo O pedaço do DNA cortado (Enh13) estava localizado a meio milhão de bases do gene responsável pela produção dos testículos, localizado no cromossomo Y. Mesmo com a presença do cromossomo Y, contudo, camundongos desenvolveram ovários e genitália feminina quando a equipe removeu o Enh13. Após o experimento, cientistas descobriram que o Enh13 é um potenciador da proteína responsável pelos testículos. Quando esse pedaço do DNA está presente, a proteína fica aumentada. Isso mostra assim, que o cromossomo Y não é o único responsável pela produção de testículos, diz Robin-Lovell Badge, professor do Instituto Francis Crick e um dos autores do estudo. "Acreditamos que o Enh13 tem um papel em transtornos de desenvolvimento sexual e poderia ser usado para ajudar no diagnóstico" -- Robin-Lovell Badge. Imagem mostra ação da proteína Sox9 no desenvolvimento de gônadas sexuais. Nas duas primeiras colunas, o desenvolvimento de testículo na presença da proteína. Já nas duas últimas, cientistas mostram gônada revertida e gônada sem intervenção da ciência Gonen et al Ciência e experimentos de reversão sexual Experimentos de reversão sexual em cobaias não são novos. Em 1991, o mesmo grupo revelou "Randy", um rato cromossomicamente feminino (XX) que se desenvolveu como macho depois que a equipe alterou seu material genético. "Percorremos um longo caminho desde Randy, e agora, pela primeira vez, demonstramos a reversão sexual depois de mudar uma região do DNA que potencialmente não codificaria nada" -- Robin-Lovell Badge. Cientistas acreditam que muitas das respostas para distúrbios sexuais podem estar nessas regiões não codificadoras. O próximo passo do estudo britânico é estudar um pouco mais a relação entre essas regiões sem genes e a determinação do sexo.

14/06 - 2018


Diários de Einstein revelam racismo e xenofobia desconhecidos



Registros pessoais do cientista mais famoso do mundo mostram a forma como ele descrevia povos e áreas que conheceu na Ásia e no Oriente Médio nos anos 1920. Albert Einstein escreveu os diários entre outubro de 1922 e março de 1923 AFP/Getty "Pessoas industriosas, imundas e obtusas." Diários de viagens recentemente publicados revelam visões racistas e xenofóbicas do físico alemão Albert Einstein, cientista mais famoso do mundo e "pai" da Teoria da Relatividade – que chegou a se engajar, contraditoriamente ou não, na luta contra o racismo que enxergava, no século 20, nos Estados Unidos. Escritos entre outubro de 1922 e março de 1923, os diários registram as viagens que fez com a mulher, Elsa, por países da Ásia e do Oriente Médio, mostrando generalizações negativas que usava para descrever povos e áreas que encontraram nessas regiões, com particular crueldade quando se refere aos chineses. "São pessoas industriosas, imundas e obtusas", escreveu sobre eles em um dos trechos. Einstein defenderia mais tarde os direitos civis nos Estados Unidos, chamando o racismo de "doença de pessoas brancas". Esta é a primeira vez que os diários são publicados como um volume independente em inglês. Publicado pela Princeton University Press, "The Travel Diaries of Albert Einstein: The Far East, Palestine, and Spain", 1922-1923 (Os Diários de Viagem de Albert Einstein: O Extremo Oriente, Palestina e Espanha, 1922-1923, em tradução livre) foi editado por Ze'ev Rosenkranz, diretor assistente do Projeto Einstein Papers, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Einstein viajou da Espanha para o Oriente Médio, passando depois pelo Sri Lanka – na época chamado de Ceilão – a caminho de China e Japão. Einstein embarcou para a viagem que registra nos diários junto com sua mulher, Elsa Getty Images Comentários impróprios O físico descreve a chegada a Port Said, no Egito, dizendo ter deparado com "levantinos de todas as tonalidades ...", se referindo a pessoas de uma grande área do Oriente Médio chamada Levante, "como se fossem vomitados do inferno" e entrassem em seu navio para vender mercadorias. Também descreve seu tempo em Colombo, no Ceilão, afirmando que o povo "vive com uma grande imundície e considerável fedor no chão" e "faz pouco e precisa de pouco". Seus comentários mais ferozes têm como alvos, porém, o povo chinês. De acordo com uma reportagem do jornal britânico "The Guardian" sobre os diários, Einstein descreve crianças chinesas como "sem espírito e obtusas", e diz que seria "uma pena se os chineses suplantassem todas as outras raças". Em outros registros, ele chama a China de "nação peculiar, com cara de rebanho" e "(com a população) mais parecida com autômatos do que com gente", antes de afirmar que há "pouca diferença" entre homens e mulheres chineses e questionar como os homens são "incapazes de se defender" da "atração fatal" feminina. Reconhecido por seu brilhantismo científico e seu humanismo, Einstein emigrou para os EUA em 1933, após a ascensão de Adolf Hitler e do partido nazista na Alemanha. O cientista judeu descreveu o racismo como "uma doença de brancos" em um discurso que fez em 1946 na Universidade Lincoln, na Pensilvânia. Diários refletem mudanças de opinião O correspondente da BBC News em Washington, Chris Buckler, observa que a Teoria da Relatividade mudou a forma de as pessoas pensarem sobre o espaço e o tempo, e que "esses diários demonstram como as próprias opiniões do cientista sobre raça parecem ter mudado ao longo dos anos". "Os escritos podem ter sido concebidos como reflexões pessoais, privadas, mas sua publicação deve incomodar algumas correntes na América, onde ativistas ainda celebram Albert Einstein como uma das vozes que ajudaram a lançar luz sobre a questão da segregação (racial)", diz Buckler. O jornalista lembra que, quando se mudou para os EUA em 1933, o alemão foi surpreendido por escolas e cinemas separados para negros e brancos. Posteriormente, ele se juntou à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, uma das mais antigas e influentes instituições americanas com o objetivo de garantir igualdade de direitos políticos, educacionais, sociais e econômicos para todos, buscando eliminar a discriminação racial no país. Conta-se que Einstein dizia ver semelhanças entre a forma como os judeus eram perseguidos na Alemanha e como os afro-americanos estavam sendo tratados em sua nova pátria. Ele escolheu a Lincoln University, na Pensilvânia, uma universidade historicamente negra, para fazer um de seus discursos mais contundentes apenas um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial. Pesquisadores que estudam seus escritos da década de 1920 podem argumentar que suas crenças relacionadas à questão possivelmente se baseassem em seus próprios sentimentos. "Seus diários estão repletos de reações instintivas e visões pessoais. No contexto do século 21, são pensamentos que podem manchar a reputação de um homem reverenciado quase tanto como humanitário quanto como cientista", analisa Buckler. Ele pondera, no entanto, que tais palavras foram escritas antes que o alemão visse o que o racismo poderia provocar na América e na Alemanha – um país de onde havia efetivamente fugido.

14/06 - 2018


Filhotes de lobo de zoológico na Rússia são chamados de Fifa e Zabivaka


Nomes homenageiam Copa do Mundo da Rússia. Copa do Mundo: filhotes de lobo de zoológico na Rússia são chamados Fifa e Zabivaka Dois filhotes de lobo ganharam os nomes de Fifa e Zabivaka, nome do mascote da Copa do Mundo da Rússia, para homenagear o evento. Eles foram apresentados no zoológico de Penza na quarta-feira (13). Os funcionários do zoológico organizaram uma "partida de futebol" entre os lobinhos, uma fêmea e um macho, que não pareceram lá muito interessados em brincar com as bolas. A fêmea tem pelos mais escuros e o macho é mais claro. As patas de ambos foram marcadas em uma bola de futebol, que deve ser presenteada para a seleção russa, que ganhou de 5 x 0 no seu jogo de estreia contra a Arábia Saudita nesta quinta-feira (15).

14/06 - 2018


Doação de sangue: 1,6% da população brasileira é doadora, diz Ministério da Saúde



Número é aceitável, mas o ideal é chegar até 3% de doadores, diz a pasta. Governo lançou campanha de doação nesta quinta-feira (14), no Dia Mundial do Doador de Sangue. Doador Flávio Dantas, de Natal (RN) mostra as carteirinhas de doador de sangue que já conseguiu preencher Reprodução/Inter TV Cabugi Atualmente, 1,6% da população brasileira é doadora de sangue, informa o Ministério da Saúde em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (14). O parâmetro é considerado aceitável pela pasta, mas há espaço para melhora do indicador: segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal é que 3% da população seja doadora. Saiba quem pode doar, o que é exigido e se a doação vale folga no trabalho O governo aproveitou o dia 14 de junho, em que é lembrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, para lançar campanha de doação de sangue. A campanha tem o slogan "Doe Sangue regularmente. Tem sempre alguém precisando de você". Carpinteiro José Maria Pantoja, de 53 anos, doador de sangue Jorge Abreu/G1 A campanha tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a importância da doação. No Brasil, lembra o Ministério da Saúde, 100% das doações são voluntárias. "Em muitos casos, o sangue é insubstituível. Ou se tem sangue ou não se consegue fazer o atendimento", diz Flávio Vormittag, coordenador de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, 60% dos doadores são homens. A população mais jovem também é a que mais doa: jovens de 18 a 29 anos representam 42% das doações. Como doar sangue A pasta lembra que a doação de sangue é segura e o doador responde a um questionário no hemocentro sobre suas condições de saúde. "Não existe a possibilidade de o doador ter complicações mais graves. É possível que ocorra somente um pequeno mal-estar, que desaparece com a ingestão de água ou suco", continua Vormittag.

14/06 - 2018


UE destina 18 milhões de euros para energias renováveis em Cuba



Bloco e ilha estão dispostos a manter relação diplomática independente da posição dos Estados Unidos. Os 28 países da UE são os principais investidores estrangeiros em Cuba. Homem em frente a um poster de Fidel Castro em Havana Yamil Lage/AFP A União Europeia (UE) vai destinar 18 milhões de euros a Cuba para que 24% da eletricidade da ilha seja gerada em 2030 com energias renováveis. O acordo é o primeiro após a normalização das relações diplomáticas. Os europeus também preveem financiar a partir do fim do ano um programa de apoio à segurança alimentar resistente ao clima e sustentável em Cuba, com uma contribuição de 19,65 milhões de euros. Outro dos objetivos do acordo com energias renováveis é ajudar a ilha socialista a "atrair investimentos" estrangeiros para o setor da energia e "intercambiar práticas" para avançar na agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. A informação é do comissário europeu de Cooperação e Desenvolvimento, Neven Mimica. A aproximação entre Bruxelas e Havana ocorre desde 1º de novembro de 2017 com a entrada em vigor do Acordo de Diálogo Político e Cooperação. O bloco e Cuba estão decididos aprofundar relações independentemente de Washington. Cuba é afetada por um embargo americano desde 1962. Uma aproximação foi ensaiada pelo ex-presidente americano Barack Obama, mas seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump, paralisou o degelo com as autoridades da ilha. A nomeação, em 19 de abril, de Miguel Díaz-Canel como presidente cubano, após os governos de Fidel e Raúl Castro, tampouco mudou a postura de Washington, que reiterou sua prioridade de libertar Cuba, onde permanece o "legado de tirania" dos líderes da revolução de 1959. Já a UE, que também enfrenta a diplomacia de Trump na questão do acordo nuclear iraniano, opta por manter sua estratégia de diálogo com as autoridades como "a melhor forma de acompanhar as transformações em Cuba", disse à AFP um alto funcionário europeu. Investimentos internacionais Os europeus esperam que sua cooperação econômica com a ilha melhore a vida dos cubanos e estabeleça assim as bases para uma maior abertura política no país latino-americano, onde o Partido Comunista (PCC, único), com Raúl Castro à frente até 2021, representa o núcleo do poder cubano. "Há mudanças simbólicas. Pela primeira vez, temos um presidente que não participou da revolução, que não é um militar", mas "precisa-se de tempo para medir o impacto que isto terá na linha política do país", detalhou esta fonte, que pediu anonimato. Abertura da ilha A ilha trabalha atualmente para atualizar seu modelo econômico de perfil soviético, um plano que contempla uma maior abertura a investimentos estrangeiros e à promoção de negócios privados. Os 28 países da UE são os principais investidores estrangeiros em Cuba (principalmente nos setores de turismo e construção), segundo a Comissão Europeia, que calcula além disso em 471 milhões de euros as importações de bens cubanos em 2017 e em 2,094 bilhões suas exportações à ilha. Junto à cooperação econômica, Havana e Bruxelas lançaram também cinco diálogos sobre desenvolvimento sustentável, não proliferação, controle de armas, direitos humanos e medidas unilaterais, cuja primeira reunião formal terá lugar entre outubro e março de 2019. A questão da liberdade política e dos direitos humanos na ilha, que já foi abordada em três diálogos separados entre Bruxelas e Havana, é também prioritária para a diplomacia europeia, que enfrenta uma forte pressão das bancadas conservadora e liberal da Eurocâmara. O acordo diplomático, ratificado por enquanto por 13 dos 28 países da UE, contempla a possibilidade de suspendê-lo em caso de uma violação grave dos compromissos sobre direitos humanos.