• Fale conosco: (34) 3231-0900
  • E-mail: contato@medgen.com.br

13/11 - 2018


Contra perseguição de esquerda e de direita, acadêmicos criam revista científica 'anônima'



O novo periódico vai permitir que os pesquisadores publiquem artigos em áreas controversas sob pseudônimo. Para Jeff McMahan, universidade precisa discutir de forma mais aberta John Cairns Um grupo de pesquisadores de várias universidades ao redor do mundo está organizando o lançamento de um novo periódico científico no qual os autores de artigos sobre temas sensíveis ou "polêmicos" poderão publicar os resultados de sua pesquisa protegidos por pseudônimos. Para os líderes da iniciativa, a livre discussão intelectual em assuntos sensíveis está sendo cerceada por uma cultura de medo e de autocensura. A nova revista científica foi batizada de "Journal of Controversial Ideas" (algo como "Periódico das Ideias Controversas", em tradução livre). Será lançada no começo de 2019. Jeff McMahan, professor de filosofia moral da Universidade de Oxford, é um dos organizadores. "(O periódico) permitirá às pessoas cujas ideias podem criar problemas com a direita, com a esquerda ou com as administrações de suas universidades que publiquem sob um pseudônimo", disse. Ele revelou os planos para o novo periódico numa entrevista para o University Unchallenged, um rádio-documentário da BBC Radio 4 sobre diversidade de pontos de vista na academia. "A necessidade de discussões mais abertas é aguda. Há muita inibição nos campi universitários em assumir certas posições, por medo das consequências", disse ele. "O medo vem da oposição sofrida pelos pesquisadores, tanto por parte da direita quanto da esquerda. As ameaças de fora da universidade tendem a vir mais da direita. E as ameaças à liberdade de expressão de dentro da academia costumam vir mais da esquerda", disse ele. Revisão por pares McMahan frisou que a nova publicação, que tratará de várias disciplinas científicas, adotará o procedimento padrão em periódicos do tipo, com revisão por pares. "O processo de avaliação será tão rigoroso quanto o de outros periódicos. O nível de qualidade será mantido", disse. O conselho editorial será composto por estudiosos de várias áreas e em vários países, com representação do pensamento de esquerda e de direita, bem como de intelectuais religiosos e seculares. O objetivo é evitar que o periódico seja identificado com algum ponto de vista específico. A primeira chamada para artigos deve sair em breve. Outros pesquisadores importantes estão participando da iniciativa, como o filósofo australiano Peter Singer e a estudiosa de bioética Francesca Minerva, da Universidade de Ghent (Bélgica). McMahan disse que os responsáveis veem a iniciativa como uma resposta ao "espírito do tempo". "Acredito que todos nós ficaríamos muito felizes se, e quando, a necessidade de um periódico desses desaparecesse. O quanto antes, melhor". "Mas, nas condições atuais, algo deste tipo é necessário", disse. O rádio-documentário University Unchallenged estará disponível no BBC Sounds depois de ir ao ar na noite desta segunda-feira (12).

13/11 - 2018


O que podem ser os óvnis e luzes misteriosas avistados por pilotos de aviões na Irlanda



Pilotos de avião viram objetos que brilhavam muito e voavam muito rápido. Pilotos observaram um objeto voando muito rapidamente pelo céu na costa da Irlanda (imagem ilustrativa) Pixabay A Autoridade Irlandesa de Aviação está investigando relatos de luzes brilhantes e óvnis (objetos voadores não identificados) vistos na costa da Irlanda na semana passada. Na madrugada de sexta-feira, uma piloto da companhia aérea British Airways contatou o controle da tráfego aéreo na cidade da Shannon. Ela queria saber se havia exercícios militares sendo feitos na área porque havia algo se "movendo muito rápido". O controlador de voo disse que não havia exercícios do tipo. A piloto voava de Montreal, no Canadá, para o aeroporto de Heathrow, em Londres. Ela disse que havia uma "luz muito brilhante" e que o objeto não-identificado apareceu à esquerda da aeronave antes de "desviar-se rapidamente para o norte". Ela estava imaginando o que poderia ser, mas afirmou que o óvni não parecia estar em trajetória de colisão com o avião. Outro piloto da companhia Virgin também relatou ter visto óvnis e sugeriu que poderiam ser meteoros ou outros objetos entrando na atmosfera da Terra. Ele disse que havia "múltiplos objetos seguindo o mesmo tipo de trajetória" e que eles eram muito bilhantes. O piloto diz que viu "duas luzes brilhantes" à sua direita, que se afastaram com alta velocidade. Segundo ele, a velocidade era "astronômica, algo como um Mach 2" – ou seja, duas vezes a velocidade do som. O que poderia ser? O astrônomo Apostolos Christou, do Observatório e Planetário Armagh, no Reino Unido, disse que os pilotos provavelmente viram pedaços de poeira cósmica entrando na superfície da Terra a uma velocidade muito alta. "Era muito provavelmente o que é popularmente conhecido como estrela cadente", disse ele. "Parece que era extremamente brilhante, então, deve ter sido um pedaço de material bem grande." "Pela descrição dos pilotos não dá para ter certeza, mas deve ter tido o tamanho de uma maçã." O que os pilotos viram era provavelmente um meteoro, diz astrônomo Heinz-Peter Bader/Reuters O astrônomo diz que novembro tende a ser um mês muito ativo para esse tipo de atividade. "Também parece que havia pedaços saindo do objeto e voando perto da aeronave. Isso é o que você espera se uma rocha do espaço particularmente grande entra da atmosfera: ela tende a fragmentar." "Começamos uma investigação após relatos de um pequeno número de aeronaves na sexta sobre atividade incomum no ar", disse a Autoridade Irlandesa de Aviação. Um porta voz do aeroporto de Shannon disse que não era apropriado que o aeroporto comentasse o assunto já que há uma investigação da Autoridade Irlandesa de Aviação em andamento.

13/11 - 2018


Estudos expõem ferida psicológica deixada por atentados de 2015 na França



Entre as consequências dos atentados, os entrevistados citaram nesta ordem "o sentimento de medo", "as medidas de segurança reforçadas", "uma ameaça às liberdades individuais" e "uma sociedade dividida". Soldados franceses armados são vistos em frente às pirâmides do Museu do Louvre, em Paris, após atentados que mataram 130 pessoas. REUTERS/Charles Platia/Arquivo Os atentados cometidos por extremistas islâmicos que sacudiram a França em 2015 marcaram profundamente os franceses, tanto no plano da saúde mental como da memória coletiva, atesta um compêndio de estudos publicados nesta terça-feira (13). Em 13 de novembro de 2015, 130 pessoas morreram em uma série de ataques jihadistas em Paris, quando a França ainda estava em choque pelos atentados de janeiro, o pior deles contra o semanário satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos. Batizado de "13 de novembro", o programa da agência Saúde Pública França ilustra as cicatrizes de saúde, psicológicas e sociológicas deixadas por estes massacres. Entre as testemunhas e pessoas diretamente expostas aos atentados de novembro, 39% apresentavam oito meses depois estresse pós-traumático (ESPT), igualmente detectado em 20% das pessoas expostas aos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e em 11% dos afetados no ataque na ilha de Utoya, na Noruega. Destes 39%, quase um em cada dois (46%) declarou não ter se submetido a nenhum tratamento regular com psicólogo ou médico. No que diz respeito aos atentados de janeiro, 18% dos afetados sofriam ESPT e 20%, transtornos depressivos ou de ansiedade, segundo os estudos realizados 6 e 18 meses depois dos acontecimentos com 190 civis (reféns, feridos, testemunhas, familiares e amigos das vítimas). Cinquenta e três por cento deles receberam ajuda psicológica nas primeiras 48 horas, mas o estudo preconiza ampliar este apoio a todos os afetados, visto que os transtornos de saúde mental afetavam 40% deles. Os atentados de 13 de novembro tiveram repercussões para além do círculo mais próximo das pessoas afetadas. Pico nos serviços de emergência Na região de Ile-de-France, onde fica Paris, houve um pico sem precedentes de acessos aos serviços de urgência no dia seguinte aos atentados, seguido de outro no dia 16, sobretudo de pessoas na faixa de 15 a 44 anos. Os dois principais diagnósticos foram estresse pós-traumático e reação aguda ao estresse. Também registrou-se um aumento nas consultas no restante do país. "Fala-se demais" dos atentados Até mesmo para os franceses mais distanciados dos atentados, os ataques tiveram forte impacto. Sete meses depois do 13-N, quase todas as pessoas interrogadas pelo Centro de Pesquisas para o Estudo e a Observação das Condições de Vida (Crédoc) recordavam as circunstâncias precisas em que souberam da notícia, o que se denomina "flash bulb memory" (memória flash). Um quarto dos 2.010 franceses consultados pelo Crédoc afirmou ter um vínculo pessoal com uma vítima ou uma testemunha ou com um dos locais atacados, como o estádio de futebol de Saint-Denis, onde se disputava o jogo França-Alemanha, e sobretudo a casa de shows Bataclan. Os menores de 40 anos, com maior afinidade aos locais alvo dos ataques, parecem ter sido particularmente afetados. Além disso, três em cada quatro franceses asseguraram que precisavam continuar abordando o tema, mas 25% consideraram que se fala demais sobre ele. Entre as consequências dos atentados, os entrevistados citaram nesta ordem "o sentimento de medo", "as medidas de segurança reforçadas", "uma ameaça às liberdades individuais" e "uma sociedade dividida". Paralelamente a estes estudos, os especialistas realizam pesquisas - ainda em curso - para determinar como os atentados afetaram o cérebro das pessoas diretamente expostas.

13/11 - 2018


A desconhecida carta em que Einstein previu os 'tempos obscuros' do nazismo



'Aqui estão sendo gestados tempos obscuros, econômica e politicamente', escreveu o físico para sua irmã mais nova, em 1922. Manuscrito acaba de ser revelado e será leiloado em Jerusalém. Carta manuscrita de Einstein, de 1922, em que fala sobre o antisemitismo e de sua saída de Berlim Kedem Auction House - Jerusalem "Aqui estão sendo gestados tempos obscuros, econômica e politicamente, por isso estou contente de poder ficar longe de tudo isso durante um semestre". Foi esse o relato do físico Albert Einstein para sua irmã mais nova, Maja, em uma carta escrita em 1922, apenas dois anos depois da fundação do partido nazista. O documento acaba de se tornar público. Na mensagem, o físico previa o terror que se avizinhava da Alemanha. Seu amigo Walther Rathenau, de origem judia e então ministro de Assuntos Exteriores alemão, havia sido assassinado pouco tempo antes por alemães antissemitas. O próprio Einstein havia sido advertido pela polícia de que sua vida corria perigo. O cientista se viu, então, obrigado a sair de Berlim. Acabou se mudando para Kiel, no norte da Alemanha – onde, acredita-se, teria escrito a carta para a irmã. Na mensagem, o físico ainda escreveu sobre o perigoso caminho que a Alemanha estava seguindo. Naquela altura, já estavam plantadas as sementes do antissemitismo como política de Estado. "Estou muito bem, apesar de haver antissemitas entre meus colegas alemães", disse para Maja. A carta manuscrita será leiloada nessa terça-feira, em Jerusalém, com preço inicial de 12 mil dólares (cerca de R$ 45 mil) - mas os leiloeiros acreditam que o valor pode alcançar 20 mil dólares (R$ 75 mil). Não é a primeira carta conhecida de Einstein em que o físico alerta sobre os nazistas, mas é a mais antiga. Isso a torna particularmente significativa. Advertências de Einstein sobre o nazismo A carta, revelada há pouco tempo, é a mais antiga já encontrada em que Einstein aborda o antissemitismo Kedem Auction House - Jerusalem Na carta, Einstein também revela detalhes de sua vida. "Estou recluso aqui, sem barulho e sem sentimentos desagradáveis, e ganho meu dinheiro independentemente do Estado. Assim, sou realmente um homem livre. Aqui, ninguém sabe onde estou e se acredita que eu esteja desaparecido." "Veja, estou a ponto de me converter em uma espécie de pregador itinerante. Isso é, em primeiro lugar, agradável, e, em segundo lugar, necessário. Não se preocupe comigo, eu também não me preocupo", escreveu. Naquele ano, Einstein acabaria indo ao Japão para dar uma série de conferências. Foi durante esta viagem, inclusive, que foi informado que havia recebido o Prêmio Nobel de Física. Quando os nazistas chegaram ao poder, em 1933, Einstein sentiu na pele a perseguição aos judeus. Os nazistas ignoraram a teoria da relatividade, que foi taxada de "física judia". Já quando Hitler chegou ao poder, Einstein renunciou a sua nacionalidade alemã. Depois de passar por França, Bélgica e Reino Unido, Einstein se instalou nos Estados Unidos. Lá, trabalhou em Princeton até sua morte, em 1955. Anos antes dos nazistas chegarem ao poder na Alemanha, Einstein já relatava episódios de antisemitismo AFP/Getty

13/11 - 2018


O que a fusão de várias galáxias com buracos negros diz sobre o futuro da Via Láctea



Equipe de pesquisadores registrou pela primeira vez pares de buracos negros supermassivos, cada um ocupando o centro de suas respectivas galáxias, se aproximando uns dos outros antes de se fundirem em um único buraco negro gigante. Os pesquisadores registraram pares de buracos negros supermassivos se aproximando uns dos outros antes de se fundirem como um buraco negro gigante NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.) Uma equipe de astrônomos conseguiu observar pela primeira vez os estágios finais da fusão entre vários pares de galáxias. Este é um evento sobre o qual havia teorias, mas que até então não tinha sido registrado de maneira direta. A equipe liderada por Michael Koss, pesquisador da Eureka Scientific Inc - empresa americana fundada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley -, examinou centenas de galáxias próximas usando imagens do Observatório WM Keck, no Havaí, e do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os pesquisadores capturaram pares de buracos negros supermassivos, cada um deles ocupando o centro de suas respectivas galáxias, aproximando-se uns dos outros antes de se fundirem em um único buraco negro gigante, informou a Nasa em um comunicado. Imagem registrada pelo Telescópio Espacial Hubble mostra a fusão de duas galáxias NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.) Um dos eventos mais violentos No centro da maioria (se não de todas) as galáxias há buracos negros supermassivos com uma massa bilhões de vezes maior que a do Sol ou da Terra. O buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, é chamado de Sagitário A * (Sgr A *) e tem o peso de 4,3 milhões de sóis. As fusões de galáxias eram mais frequentes na fase inicial do universo. Portanto, essas imagens fornecem uma visão rara de um dos eventos mais violentos do universo. Elas também prenunciam o que provavelmente acontecerá quando a Via Láctea se fundir com a galáxia vizinha, Andrômeda. As duas galáxias contêm buracos negros supermassivos em seus centros, que acabarão por colidir e se fundir em um buraco negro maior. Fusão galáctica Uma fusão de galáxias é um processo lento, que dura mais de um bilhão de anos. Sob a inexorável força da gravidade, duas galáxias vão se aproximando lentamente até que finalmente se unem. Em suas análises, a equipe da Eureka Scientific Inc. confirmou que os buracos negros das galáxias crescem mais rápido quando estão se aproximando da colisão. "O fato de os buracos negros crescerem mais rápido à medida que avança o processo de fusão nos indica que esses encontros entre galáxias são realmente importantes para a compreensão de como esses objetos se tornam tão monstruosamente grandes", disse a colaboradora do estudo, Laura Blecha, da Universidade da Flórida, no comunicado da Nasa. A equipe de pesquisadores se concentrou em galáxias localizadas a, em média, 330 milhões de anos-luz da Terra, relativamente próximas em termos cósmicos. Muitas dessas galáxias são semelhantes em tamanho às galáxias da Via Láctea e de Andrômeda. No total, a equipe analisou 96 galáxias observadas com o telescópio Keck e outras 385 galáxias do arquivo do Hubble. A Via Láctea está se aproximando atualmente da galáxia de Andrômeda a uma velocidade média de 300 km/s, por isso, em algum momento elas irão se fundir em uma única grande galáxia. Mas você não precisa se preocupar com isso agora: os especialistas preveem que a fusão ainda vai demorar vários bilhões de anos.

13/11 - 2018


Taxas altas de triglicérides são sinais da síndrome metabólica



Quando o triglicérides aumenta, ele faz o colesterol ruim se “desintegrar” em moléculas menores, mais fáceis de entupirem as artérias. Triglicérides alto dificulta o trabalho do colesterol bom. Augusto Carlos/TV Globo Triglicérides alto é um dos indicativos de risco para diabetes. É ele que mostra que a insulina não está agindo. Quando o triglicérides está em excesso na corrente sanguínea também contribui para risco de entupimento das artérias. O Bem Estar abordou o tema com o cardiologista e consultor Roberto Kalil e a endocrinologista Erika Parente. Bem Estar - Edição de terça-feira, 13/11/2018 Diabetes: os cinco erros mais comuns Quando o triglicérides aumenta, ele faz o colesterol ruim se “desintegrar” em moléculas menores, mais fáceis de entupirem as artérias. Ele também dificulta o trabalho do colesterol bom. Campanha ajuda pessoas diabéticas Síndrome metabólica Triglicérides alto é um dos sinais da síndrome metabólica, caracterizada também por HDL (colesterol bom) baixo, glicose acima de 100, pressão alta e cintura acima de 94 cm para homens e acima de 80 cm para mulheres. Bastam dois sinais e a cintura grande para caracterizar a síndrome, que pode levar ao infarto, derrame e diabetes. Aprendi com o Bem Estar: telespectadora identifica sintomas de infarto Síndrome metabólica é fator de risco para infartos e derrames

13/11 - 2018


A razão pela qual tomar vitamina D sem receita médica pode não ser boa ideia



Acredita-se que a vitamina D ajude a combater o cansaço, a depressão e até câncer - mas alguns especialistas argumentam que os suplementos não são úteis para pessoas saudáveis. Quando os dias começam a encurtar no inverno do hemisfério norte, aumentam as preocupações sobre a falta de luz solar – e uma possível deficiência de vitamina D. Para muitos, a saída é tomar suplementos. Os comprimidos de vitaminas D2 e D3 estão disponíveis sem prescrição médica - no Brasil e em vários países - e têm sido associados à melhora da imunidade e de sintomas como cansaço, fraqueza muscular, dor no osso e até de depressão. Acredita-se que eles também ajudem a evitar câncer e sintomas do envelhecimento. Uma pesquisa da consultoria de mercado Mintel indica que um terço dos adultos britânicos inclui a vitamina D em seu coquetel de suplementos diários - mas seu uso indiscriminado causa controvérsia na comunidade científica. A maioria dos especialistas reconhece os benefícios da vitamina D para a saúde dos ossos, já que ela contribui na regulação do cálcio e do fosfato no corpo. É por isso que aqueles que têm deficiência da vitamina são encorajados a ingeri-la via suplementos. E esse número é maior do que muitos imaginam: um estudo estima que cerca de 20% da população do Reino Unido tem uma profunda deficiência de vitamina D, por exemplo. No Brasil, dados de 2011 do IBGE apontam que mais de 90% da população não ingere a quantidade recomendada de vitamina D – o que não significa que todos tenham deficiência. O que alguns médicos defendem é que, para pessoas saudáveis, a vitamina D não é uma forma de prevenir doenças. Assim, quem estivesse com níveis normais da vitamina não precisaria dos comprimidos. Então, qual é recomendação? Indicado apenas para quem tem risco de deficiência Apesar do nome, a vitamina D não é uma vitamina. É na verdade um hormônio que promove a absorção de cálcio pelo corpo. O desafio é que, com exceção de alguns alimentos como peixes oleosos (entre eles o salmão), a vitamina D é difícil de encontrar em um dieta normal. Mas ela pode ser produzida pela pele quando em contato com raios ultravioleta B - os raios solares. A vitamina D é encontrada apenas em poucos alimentos, como salmão Unsplash Há dois tipos de vitamina D. O primeiro é o D3, encontrada em animais, incluindo os peixes, e é o tipo que a pele produz quando exposta ao sol. O segundo é o D2, que vem de alimentos vegetais, incluindo os cogumelos. Estudos mostraram que o D3 é mais eficiente, e as conclusões de uma meta-análise de 2012 afirmam que essa é a escolha preferida para a suplementação. Hoje, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia não indica a suplementação de vitamina D para toda a população, e sim para aqueles com risco de deficiência. Há recomendações específicas para indivíduos com esse risco, entre eles idosos, pacientes com osteoporose, obesos, grávidas e outros. Há outros países que seguem diretrizes similares. Essas diretrizes e a onda de alimentos fortificados com a vitamina, como o leite, surgiram na esteira do combate ao raquitismo em meados do século 20. Sabemos que baixos níveis de vitamina D reduzem os níveis de cálcio do corpo, o que leva à redução da densidade óssea e pode causar raquitismo em bebês e crianças. Também se sabe que baixa vitamina D pode causar fraqueza muscular e fadiga. Um estudo publicado no North American Journal of Medical Sciences descobriu que os baixos níveis eram comuns em pessoas com cansaço extremo e que os sintomas melhoraram depois de cinco semanas de ingestão de suplementos de vitamina D. Outro estudo da Universidade de Newcastle descobriu que os baixos níveis podem reduzir a eficiência das mitocôndrias, produtoras de energia. Estudos com pacientes com câncer mostraram efeitos semelhantes. A vitamina D pode estimular a regulação do sistema imunológico ao remover bactérias. Ossos frágeis Apesar da importância da vitamina D, seus benefícios não necessariamente implicam que pessoas com níveis saudáveis do hormônio precisem suplementá-lo. Mais que isso, especialistas como Tim Spector, professor de epidemiologia genética da King's College London, afirmam que mesmo as diretrizes atuais para suplementação de vitamina D - indicada para fortalecer os ossos e evitar fraturas - foram baseadas em estudos "provavelmente falhos". Algumas dessas pesquisas, por exemplo, envolviam populações idosas que viviam em asilos - pessoas que não se expunham com frequência ao sol e que estavam mais propensas a sofrer fraturas e osteoporose do que a população em geral. É verdade que as evidências não são claras. Uma meta-análise publicada em agosto de 2018 concluiu que o aumento de níveis de vitamina D na população em geral não necessariamente reduziria o risco de fraturas nos ossos em pessoas saudáveis. E uma meta-análise com 81 estudos descobriu que a suplementação de vitamina D não previne fraturas e quedas, nem melhora a densidade mineral do osso. Os pesquisadores concluíram que as diretrizes deveriam ser atualizadas para refletir esse resultado. Mas Sarah Leyland, consultora de enfermagem em osteoporose pela Sociedade Nacional de Osteoporose, diz que os suplementos de vitamina D são úteis para grupos de risco que não têm nenhuma exposição ao sol. De acordo com o NHS, o serviço de saúde britânico, as pessoas só precisam ficar do lado de fora por um curto período de tempo, com mãos e antebraços descobertos e sem proteção solar entre março e outubro - meses com os dias mais longos no hemisfério norte - para garantir vitamina D suficiente pelo resto do ano. "Sabemos que as pessoas saudáveis não vão reduzir o risco de fratura tomando suplementos de cálcio ou vitamina D", diz Leyland. "Entretanto, pessoas que não estejam absorvendo o suficiente da vitamina, como aquelas que não podem sair de casa ou vivem em acomodações protegidas, podem se beneficiar desses suplementos." Ainda assim, os pesquisadores também não encontraram evidências claras disso. Uma meta-análise examinou a prevenção de fraturas em pessoas de moradias tradicionais, asilos ou paciente em hospitais e concluiu que a vitamina D, sozinha, provavelmente não previniria fraturas nas doses e formulações testadas até agora em idosos. D de doença Há ainda pesquisas conflitantes sobre o relacionamento entre a vitamina D e outras doenças. Uma das principais alegações é que os suplementos de vitamina D estimulam o sistema imunológico. Adrian Martineau, professor de infecção respiratória e imunidade na Escola de Medicina e Odontologia da Universidade Queen Mary de Londres, que coordena um grupo de pesquisa sobre os efeitos da vitamina D sobre a saúde, descobriu que ela tem um papel no combate a infecções respiratórias. Ao analisar dados brutos de 25 testes clínicos envolvendo 11 mil pacientes de 14 países, ele descobriu um pequeno benefício em ingerir diária ou semanalmente suplementos de vitamina D para reduzir o risco de infecções respiratórias, ataques de asma e bronquite. Embora o artigo tenha atraído várias críticas, Martineau ressalta que a redução do risco, mesmo que leve, ainda é significativa e comparável aos efeitos de outras medidas. Em relação ao envelhecimento, um artigo que analisou a relação entre a vitamina D e a expectativa de vida descobriu que a vitamina D3 pode ajudar na homeostase proteica - o processo de regulação das proteínas dentro das células. "Nossa observação de que a D3 melhora a homeostase proteica e, com isso, desacelera o envelhecimento ressalta a importância de se manter os níveis apropriados da vitamina D", escreveram os pesquisadores. Mas outros estudos foram menos conclusivos. Uma meta-análise concluiu que mais pesquisas são necessárias para esclarecer o efeito da vitamina D na mortalidade. A relação entre doenças cardiovasculares e a vitamina D também já foi bem estabelecida: a relação mostra que a doença cardíaca poderia causar baixos níveis de vitamina D, e não o contrário. Correlação ou causa? Essa é uma questão que perpassa quase todos os estudos que relacionam os baixos índices de vitamina D com doenças. Ian Reid, professor de medicina da Universidade de Auckland, acredita que as doenças é que provocam a redução dos níveis de vitamina D, já que a enfermidade pode impedir que o indivíduo passe tempo suficiente ao ar livre e exposto ao sol - e não o contrário. "Se observarmos qualquer grupo de pacientes com qualquer doença, seus níveis de vitamina D serão mais baixos do que os níveis dos indivíduos saudáveis. Isto tem levantado a hipótese de que baixa vitamina D provoca doenças, mas não há evidências que provem isso", ele afirma. Pesquisadores descobriram que níveis mais altos de vitamina D estão associados com baixos riscos de câncer colorretal - ela teria um papel na formação de novos vasos sanguíneos e no estímulo à melhor comunicação entre as células. A vitamina D também ajudaria, segundo a pesquisa, a manter níveis normais de cálcio no cólon, o que desacelera o crescimento de células não-cancerosas, mas de alto risco. Outros estudos, incluindo a relação entre a vitamina D e os cânceres de fígado, mama e próstata, sugerem que há razões para acreditar que a baixa vitamina D estimula a disseminação de células cancerígenas. E, pela lógica, ingerir o suplemento poderia prevenir o câncer. Mas uma recente meta-análise falhou em estabelecer a relação entre o suplemento e a redução do risco de câncer. D de depressão Outra condição frequentemente discutida é o transtorno afetivo sazonal (SAD, na sigla em inglês), um distúrbio do humor causado pela queda sazonal da exposição ao sol. A relação entre a exposição ao sol e o SAD está bem estabelecida. Mas, de novo, uma ligação direta com a vitamina D tem sido difícil de comprovar. Evidências sugerem que existe uma relação entre o SAD e a vitamina D, já que o composto está associado com os níveis de serotonina, um importante regulador do humor, e a melatonina, que regula o sono. Baixos níveis desse hormônio poderiam contribuir para os sintomas da SAD. Mas pesquisadores ainda precisam conduzir um ensaio clínico randomizado definitivo sobre essa relação. Além disso, o mecanismo exato pelo qual a vitamina estimula o hormônio é desconhecido. Uma teoria é que os receptores da vitamina D - encontrados em várias partes do cérebro e concentradas no hipotálamo, uma região relacionada ao sistema circadiano - tem influência no controle dos níveis hormonais do corpo. Pesquisas mostraram ainda que a vitamina D tem um grande papel em nossa saúde mental, como na depressão e esquizofrenia, assim como no desenvolvimento do cérebro, mas não se sabe como isso ocorre. Uma meta-análise publicada no início do ano mostrou que, embora exista uma correlação entre baixos índices de vitamina D e depressão, isto não significa que, necessariamente, o composto cause depressão. É possível, por exemplo, que pessoas deprimidas simplesmente saiam menos e, portanto, se exponham menos à luz do sol. A influência do sol Mas, se estudos são inconclusivos, isto talvez não tenha relação com a importância da vitamina D. Talvez isso ocorra porque a maioria das investigações se baseia em suplementos, e não na luz do sol. Alguns cientistas argumentam que obter vitamina D a partir de suplementos não é tão eficaz quanto absorvê-la diretamente do sol, já que o processo que acontece antes que o corpo produza vitamina D a partir da exposição solar é mais benéfico. Pesquisas mais conclusivas sobre isto estão sendo realizadas. Ainda assim, a maioria dos especialistas tende a concordar que os suplementos de vitamina D podem beneficiar aqueles que têm níveis muito baixos do composto. A pesquisa Martineau sugere que indivíduos com níveis muito baixos de vitamina D têm mais benefícios no uso do suplemento para prevenir doenças respiratórias, enquanto que os efeitos são bem mais modestos para indivíduos com níveis apenas moderadamente baixos. Reid reforça que estudos têm mostrado benefícios para aqueles com baixos índices de vitamina D. Mas, como a maioria não tem deficiência, elas não veriam benefícios na ingestão do suplemento. O problema é que não é fácil prever quem tem risco de sofrer com baixa vitamina D. Como a historiadora médica Roberta Bivins, da Universidade de Warwick, ressalta, a quantidade de vitamina D não depende apenas do tempo que a pessoa passa ao ar livre. "É muito individual o quanto de exposição ao sol uma pessoa precisa durante o verão, depende desde a pigmentação da pele à quantidade de gordura no corpo e o quão rápido seu corpo produz um osso novo. É incrivelmente complicado", ela diz. É por isso que a melhor forma de estabelecer se você tem baixa vitamina D não é apenas pelos sintomas, mas por um exame de sangue prescrito pelo médico. Níveis de suplementos A partir daí, a outra questão é estabelecer o nível de suplementação que cada pessoa precisa. Reid diz que "não há perigo" de tomar vitamina D sem receita médica em menos de 25 nanomols (nmol) por dia - pessoas com deficiência da substância têm níveis abaixo de 30 nmol/l. Mas com suplementos oferecendo doses altas como 62,5 microgramas sem receita, há preocupações sobre o risco de ingestão excessiva de vitamina D, o que pode, em casos raros, causar efeitos colaterais, incluindo náusea e vômito. Em longo prazo, alguns estudos sugerem que o excesso de vitamina D pode aumentar o risco de doença cardiovascular, embora a pesquisa não seja conclusiva. Outros argumentam, porém, que até mais vitamina D é necessária. Em 2012, a diretora-médica do Reino Unido (cuja função é aconselhar o governo em questões de saúde), Sally Davies, escreveu uma carta a clínicos gerais pedindo que eles recomendassem suplementos de vitamina D a todos os grupos de risco e afirmando que uma "proporção significativa" das pessoas no país provavelmente tem níveis inadequados de vitamina D. Em junho de 2018, pesquisadores do Instituto de Metabolismo e Pesquisa de Sistemas, da Universidade de Birmingham, afirmaram que a morte de um bebê por falência do coração causada por deficiência grave de vitamina D e sérias complicações de saúde em outros dois bebês era apenas "a ponta do iceberg" nas deficiências da vitamina D entre os grupos de risco. Suma Uday, coautora do artigo e doutoranda da universidade, diz que essas deficiências ocorrem porque os programas infantis de suplementação de vitamina D são mal implementados e não são monitorados no Reino Unido. "Nas crianças que descrevemos, a deficiência ocorreu porque a suplementação de vitamina D não foi recomendada ou monitorada. Qualquer criança desprovida de vitamina D por períodos prolongados pode desenvolver baixos níveis de cálcio, o que pode resultar em complicações potencialmente fatais, como convulsões e insuficiência cardíaca ", diz ela. Com esses resultados conflitantes, não é surpresa que os próprios especialistas médicos tenham visões bastante divergentes sobre os benefícios da suplementação disseminada. Alguns chegam a argumentar que os interesses escusos estão sustentando a indústria bilionária da vitamina. E Spector chega a chamar o suplemento de vitamina D uma "pseudo-vitamina para uma pseudo-doença". Enquanto o debate continua, muitos especialistas estão de olho no Hospital Brigham and Women's, afiliado da Escola Médica de Harvard, em Boston. Seus pesquisadores conduzem o aguardado teste clínico VITAL, que investiga se suplementos de vitamina D e ômega 3 têm algum efeito sobre câncer, derrame e doenças do coração em 25 mil adultos. Espera-se que esses resultados, previstos para serem publicados no final deste ano, levarão o debate rumo a uma resolução.

13/11 - 2018


A clínica que está devolvendo esperança de ter filhos a mulheres que sofreram infartos



Uma clínica em Londres está ajudando mulheres que têm uma doença cardíaca rara e que, em geral, ouvem dos médicos que não podem ter filhos. Hayley Martin, de 47 anos, lembra bem da manhã em que sua vida mudou para sempre. "Acordei me sentindo muito mal. Botei a mão na testa e vi que estava suando muito. Percebi na hora que estava tendo um infarto", disse ela a um programa da BBC. Ela era uma mulher saudável de 38 anos quando teve um ataque cardíaco causado por uma doença chamada dissecção coronária espontânea, ou Scad, na sigla em inglês - uma condição rara e, com frequência, não diagnosticada. Além da crise coronária, as mulheres que sobrevivem a estes infartos passam por outro trauma: em geral, ouvem que não podem mais ter filhos por causa do risco de que outro ataque aconteça. Mas, com apoio de especialistas e clínicas específicas, esse quadro começa a mudar. A Scad é a principal causa de infartos em mulheres em idade fértil. Acontece quando uma das artérias coronárias se rompe repentinamente, impedindo a chegada de sangue ao coração. No hospital, Hayley temia pelo pior. "Lembro de perguntar a eles, 'estou morrendo?' E eles diziam, 'estamos tentando de tudo, mas nada dá certo'", conta. 'Me senti menos mulher' Ela sobreviveu, mas como muitas mulheres com essa doença, ouviu que uma gravidez traria o risco de outro infarto. "Era mais uma coisa que eu queria e que estava sendo tirada de mim, então, eu quase não me permito pensar nisso, porque pode me deixar bem triste", reflete. "Me senti menos gente, menos mulher, mais fracassada, como se a culpa fosse minha." O que é a doença? A dissecção coronária espontânea é uma doença cardíaca pouco diagnosticada e afeta principalmente mulheres, às vezes durante, ou logo após, uma gravidez. A menopausa, o estresse e o esforço físico também estão associados à ocorrência da doença. Durante o ataque, há um rompimento ou um hematoma numa das artérias coronárias, impedindo a chegada do sangue ao coração. Pode levar à morte, insuficiência ou parada cardíaca. Decisão da paciente Hayley é o tipo de mulher que a cardiologista Abi Al-Hussaini está tentando ajudar na sua clínica, no Chelsea and Westminster Hospital, em Londres. A doutora Al-Hussaini avalia o dano causado ao coração pela doença e analisa a medicação que a paciente está tomando - em geral, reduzindo as doses. Ela utiliza essas informações para aconselhar as pacientes sobre os riscos envolvidos numa gravidez. Isso, às vezes, significa que ela tem de dizer às mulheres que o risco é muito alto, mas o importante é que a paciente tome a decisão, e não que se siga automaticamente o aconselhamento comum de não engravidar. Se uma de suas pacientes decide levar a gravidez adiante, ela é encaminhada a uma "equipe de gravidez de alto risco" no hospital, que vai monitorá-la ao longo do processo. "Eu recebi muitas pacientes que reclamavam de terem ouvido que nunca mais poderiam ter filhos", diz ela. "Essa foi uma das razões pelas que eu decidi criar a clínica, para dar a essas pacientes a orientação adequada e deixar que ela tomem uma decisão informada." Ela acha que a falta de pesquisa sobre a doença explica por que muitos cardiologistas preferem apenas recomendar que a mulher não engravide. Dor forte Uma das primeiras mulheres orientadas pela clínica foi Julie Murphy, 40, de Ruislip, na Inglaterra. Logo antes da sua lua de mel, em 2013, ela começou a se sentir mal, como se estivesse gripada. Durante a viagem, para o Quênia, os sintomas pioraram. Um dia, enquanto nadava, sentiu uma dor forte no peito. Quando voltou de viagem, fez exames e, "no dia seguinte, descobri que tinha tido um infarto". Os dias e semanas seguintes foram difíceis. "Os remédios me deixaram muito devagar, eu não conseguia nem subir escada quando voltei do hospital. Foi difícil para mim", diz ela. Como Hayley, Julie foi informada, a princípio, de que não poderia ter filhos. Mas ela entrou para o programa de pesquisa da doutora Al-Hussaini e teve a primeira filha, Holly, em 2015. 'Equipe incrível' Ela se tornou uma das primeiras pacientes da clínica quando engravidou novamente. "Estava com medo de eles dizerem que não teria jeito, que seria perigoso demais tentar ter filho, que colocaria minha vida em risco", diz ela. A criança, Bella, nasceu em abril. "A equipe é incrível, você se sente muito bem cuidada", diz. Apesar de estar dando esperança a pacientes, a doutora Al-Hussaini diz que enfrenta resistência de médicos do mundo todo. "Nos Estados Unidos, eles são contra qualquer gravidez depois de um infarto, ou de dissecção coronária espontânea. Mas acho que isso é porque não houve muita pesquisa ainda. Isso está mudando."

13/11 - 2018


As mentes por trás do maior acelerador de partículas do Brasil



Projeto Sirius possibilitará que cientistas desenvolvam estudos com tecnologia inédita em diversas áreas, como saúde, energia, tecnologia, agricultura e meio ambiente. Poucas pessoas que observam a estrutura gigante erguida em uma área rural de Campinas, a 93 km de São Paulo, fazem ideia do que se trata. A construção circular e envidraçada lembra um shopping center ou as novas arenas de futebol brasileiras. Nem mesmo alguns funcionários do local sabem explicar o que é o Projeto Sirius, obra do governo federal estimada em R$ 1,8 bilhão. "Até já me falaram, mas eu não sei te dizer. É melhor você perguntar para um cientista", disse um operador de empilhadeira à reportagem da BBC News Brasil. O Sirius, construído e mantido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), será a maior e mais avançada fonte de luz síncrotron, um tipo de radiação eletromagnética de alto fluxo e alto brilho produzida quando partículas carregadas, aceleradas a velocidades próximas à velocidade da luz, têm sua trajetória desviada por campos magnéticos. Mas por que isso é tão importante e custa tão caro? De maneira simplificada, o Sirius, único no mundo, é um ultra-aparelho de radiografia capaz de analisar de forma detalhada a estrutura e o funcionamento de estruturas micro e nanoscópias, como nanopartículas, átomos, moléculas e vírus. Cientistas explicaram à reportagem que isso é essencial para fazer pesquisas de maneira inédita. Isso pode levar, por exemplo, à criação de uma bateria para celular que, quando carregada apenas uma vez, dure cinco anos. Hoje, o Brasil tem um acelerador de partículas chamado UVX, mas que, segundo cientistas, já está defasado. O UVX também fica no CNPEM, no terreno ao lado do Sirius. A inovação no novo acelerador será expressiva: um processo que hoje demora horas para ser feito no UVX, por exemplo, será feito em poucos segundos no Sirius. Liu Lin (à esq.) com a mãe e o irmão mais novo quando deixaram a China para morar no Brasil Arquivo pessoal/Liu Lin Para a construção bem-sucedida do Sirius, dezenas de cientistas e engenheiros estão há décadas dedicados ao desenvolvimento de fontes de luz do tipo síncrotron, que têm dimensões colossais, mas exigem uma precisão milimétrica. Um deles é a chinesa Liu Lin, de 54 anos, que nasceu em Hong Kong e veio para o Brasil aos 2 anos de idade. Como cientista, ela se dedica há 33 anos ao desenvolvimento dos aceleradores de partículas brasileiros. "Eu comecei nesse projeto antes mesmo dele ser criado. O Brasil queria construir um síncrotron e eu viajei com a primeira equipe formada por quatro brasileiros em 1985 para Stanford, nos EUA (para estudar o acelerador americano)", conta. No ano seguinte, os cientistas começaram a projetar o primeiro acelerador brasileiro em uma sala na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois, ele foi transferido para uma casa e passou para um galpão, onde começaram a ser construídos os componentes do acelerador do UVX, do tamanho de um ginásio esportivo, onde atualmente trabalham centenas de pessoas, entre cientistas, engenheiros, técnicos e funcionários administrativos. Liu Lin ao lado de outros cientistas brasileiros durante visita a acelerador de partículas nos EUA Arquivo pessoal/Liu Lin Lin tinha 22 anos e era a única mulher na equipe que foi aos Estados Unidos em 1985. "A gente ficou três meses lá, aprendemos bastante e, quando a gente voltou, o projeto ficou indefinido. Não sabíamos se teria mesmo". A pesquisadora terminou o mestrado, ganhou um bolsa para fazer doutorado nos EUA e já estava com passagem comprada quando foi anunciada a decisão de que fariam um acelerador em Campinas. "Eu fiquei num dilema. Acabei optando por ficar no projeto e fiz meu doutorado na USP", lembra. A família dela não concordou com a decisão e achou que ela deveria ter ido estudar no exterior. Lin diz que não se arrepende. 'É como se você passasse da TV antiga de tubo para uma ultra HD 4K', explica cientista sobre inauguração do Sirius Felix Lima/BBC News Brasil "Eu acho que tomei a decisão correta. Aqui, a gente aprendeu muito fazendo. Foi diferente de uma carreira acadêmica normal", diz ela, que hoje é a líder do Grupo de Física de Aceleradores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), um dos quatro laboratórios nacionais do CNPEM. O UVX, atual acelerador de partículas em funcionamento no Brasil, já está defasado e é classificado como um aparelho de segunda geração. O Sirius será o segundo do mundo de 4ª geração, mas será o mais moderno por diversos fatores, principalmente por emitir luz com o brilho mais intenso. Sirius é capaz de fazer uma radiografia detalhada de estruturas micro e nanoscópias, como nanopartículas, átomos, moléculas e vírus Felix Lima/BBC News Brasil É como se os pesquisadores pudessem tirar um raio-x em três dimensões, e em movimento, de materiais e partículas extremamente pequenas e densas, como pedaços de aço e rocha, e até de neurônios. O aparelho será capaz de analisar os detalhes e funcionamento dos materiais de forma inédita. Será possível, por exemplo, desenvolver plantas que necessitam de menos água para crescer e novos remédios para tratar doenças crônicas. Tudo graças a um brilho superpotente produzido pela circulação de elétrons na velocidade da luz (cerca de 300 mil km/s). Isso possibilita que pesquisadores estudem até mesmo neurônios de seres vivos de maneira inédita, sem precisar "fatiá-los", como é feito hoje. Por isso, o aparelho é tido como a grande aposta científica brasileira para as próximas décadas. Bolsista e filho de caminhoneiro Além de Liu Lin, o Projeto Sirius envolve outras dezenas de físicos e engenheiros de diversas áreas. Tamanho esforço é feito para que os cientistas e pesquisadores possam trabalhar sem problemas nas saídas das linhas de luz. Narcizo Neto estudou parte de sua vida em escolas públicas em Campina Grande Arquivo pessoal/Narcizo Neto Um deles é o paraibano Narcizo Marques de Souza Neto, de 40 anos, que trabalha com experimentos de raio-x em condições extremas de pressão e temperatura. Nascido na cidade de Malta, de 5 mil habitantes, ele conheceu o CNPEM em 2001, quando foi selecionado para um programa de bolsa de verão e viajou de avião pela primeira vez. Depois de conhecer Campinas, ele fez mestrado e doutorado na Unicamp e pós-doutorado em Chicago, nos EUA, onde morou durante três anos. Lá, ele desenvolvia uma técnica para testar materiais sob alta pressão, quando recebeu uma proposta para trabalhar como pesquisador na fonte de luz síncrotron americana. Narcizo Neto (à dir.) fez parte da primeira turma de física da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba Arquivo pessoal/Narcizo Neto Mesmo com um salário maior nos EUA, ele preferiu voltar para o Brasil para colaborar na formação de cientistas do país e fugir do frio. A construção do Sirius também foi um fator decisivo na sua escolha, já que ele poderá fazer seus estudos no melhor aparelho do mundo, de acordo com o que dizem os cientistas. Uma das possíveis aplicações das pesquisas de Neto no Sirius é no desenvolvimento de trens de alta velocidade. Outra possibilidade seria desenvolver baterias e dispositivos eletrônicos com baixíssimo consumo de energia. "Você pode pensar que, daqui 50 anos, por exemplo, você teria um celular cuja bateria carregada apenas uma vez durasse dez anos", afirma. Narcizo foi o primeiro pesquisador da América Latina a ganhar o prêmio Dale Sayers Award, da Sociedade Internacional de Absorção de Raios-x Arquivo pessoal/Narcizo Neto Hoje, ele já faz seus estudos no UVX, mas diz que suas condições de trabalho vão melhorar significativamente quando o Sirius estiver pronto. A intensidade de luz que ele usa vai aumentar em mais de mil vezes e com um feixe de luz mil vezes menor, o que possibilita um sinal com baixíssimo ruído e um estudo mais preciso. No novo acelerador de partículas, o pesquisador paraibano ainda poderá testar materiais sob uma pressão semelhante à encontrada no núcleo de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. "O Sirius será o primeiro laboratório no mundo a atingir essas condições. Em alguns lugares do mundo, já é possível chegar à (pressão) do centro da Terra, mas a de Júpiter é pelo menos cinco vezes maior", explica. Em 2015, Neto foi o primeiro pesquisador da América Latina a ganhar o Dale Sayers Award da Sociedade Internacional de Absorção de Raios X (IXAS, por sua sigla em inglês). Esse é considerado um dos mais importantes prêmios na área de espectroscopia por absorção de raios-x (XAS). De acordo com a instituição, ele foi premiado devido a suas "contribuições para o desenvolvimento de XAS para estudos de matéria sob condições extremas". Fabricava os próprios brinquedos Mas suas condições de estudo nem sempre foram boas. Na infância, o físico estudou em escola pública durante alguns anos e tinha poucos brinquedos para se divertir em casa. O mais importante, lembra ele, era ter uma imaginação fértil. Na infância, Narcizo Neto inventava seus próprios brinquedos com pedaços de madeira Arquivo pessoal/Narcizo Neto "Eu inventava brinquedos. Usava pedaços de madeira para construir um carrinho, juntava um monte e imaginava que era um volante, uma marcha. Eu poderia ficar num canto brincando com pedras e madeiras e imaginar que era um brinquedo", conta Neto. Estudar nem sempre foi fácil para Neto. Filho de um caminhoneiro e uma dona de casa, seus pais passaram por "sérias dificuldades" para pagar as mensalidades de sua escola e as cartas de cobrança do colégio chegavam com frequência na sua casa. Mesmo quando chegou na universidade, ele não sonhava em trabalhar num laboratório tão importante. "Meu sonho era ser professor na Universidade Federal de Campina Grande. Hoje, mesmo distante, eu consigo colaborar com o pessoal de lá. Neste ano, um mestre se formou com a minha orientação, por exemplo", conta ele. O pesquisador ainda se orgulha ao falar que não se arrepende de ter voltado ao Brasil e que hoje seus amigos pesquisadores americanos tratam o Sirius como uma referência a ser estudada e alcançada. Pesquisador recusou proposta para trabalhar no acelerador de partículas em Michigan para voltar ao Brasil Felix Lima/BBC News Brasil A mãe de Neto morreu, mas ele diz que seu pai está muito orgulhoso de sua profissão. "Com 82 anos, ele viajou pela primeira vez de avião para visitar o neto aqui (em Campinas). Tudo o que ele queria em relação à educação funcionou e deu frutos." Como funciona o Sirius? Localizado em um terreno de 150 mil m² — o equivalente a sete campos de futebol — o túnel principal por onde os elétrons circulam tem 518 metros. A circulação constante das micropartículas é importante para gerar o feixe de luz síncrotron 24 horas por dia. Seu piso é feito de uma camada de 90 centímetros de concreto armado em cima de uma camada de quatro metros de terra compactada com cimento, e sob 13 estacas fincadas a 13 metros de profundidade no solo. A área ainda é isolada do prédio principal por um vão para evitar vibrações externas. Como funcionará o Sirius BBC News A reportagem da BBC News Brasil visitou as instalações do Sirius, inclusive a área onde os elétrons vão circular em alta velocidade. Um desnível de 0,5 centímetro nos mais de 500 metros de túnel pode desregular toda a circulação dos elétrons e interromper o funcionamento do Sirius, previsto para operar 24 horas. As paredes do túnel têm uma espessura entre 80 centímetros e 1,2 metro para impedir a propagação da radiação emitida durante a circulação dos elétrons. Mas todo o processo começa numa sala ao lado desse corredor de concreto e encanamentos. Uma máquina gera os elétrons, que são acelerados por um conjunto de equipamentos até ele ser transferido para um segundo acelerador. Máquina responsável por gerar elétrons, que são acelerados até atingirem a velocidade da luz e formar a luz síncrotron Felipe Souza/BBC News Brasil A ideia é "arrumar" os elétrons antes de eles serem desviados para o acelerador principal, onde são guiados por forças magnéticas geradas por centenas de ímãs que os fazem atingir a energia final de operação. Ao longo desses 518 metros, os ímãs de alta precisão são posicionados de maneira a pressionar os elétrons para que eles fiquem cada vez mais concentrados. Isso faz com que o feixe de luz que sai do acelerador de partículas, chamado de luz síncrotron, seja 30 vezes mais fino que um fio de cabelo. Primeira sala onde os elétrons são acelerados antes de serem guiados para o acelerador principal do Sirius Felipe Souza/BBC News Brasil Esse processo, aliado à circulação de elétrons a quase 300 mil km/s, gera uma luz tão potente que é capaz de fazer uma radiografia detalhada até mesmo de um pedaço de rocha. Mas a precisão exigida na região do túnel é tão rígida que a temperatura do local não pode variar mais de 0,1ºC para mais ou menos. Quando fica pronto? A conclusão da montagem dos aceleradores do Sirius está prevista para o final de 2018 e o início da operação, para 2019. Já a conclusão do projeto, incluindo 13 estações de pesquisa, é previsto para 2020. Sua estrutura, porém, tem capacidade para abrigar até 40 saídas de linhas de luz. Cada uma delas com um feixe de radiação eletromagnética específico, como raio-x e ultravioleta. Cada um possibilita o desenvolvimento de estudos em diferentes condições. O Sirius foi erguido com apenas 15% de peças e mão-de-obra trazidos de outros países. Algumas empresas brasileiras inclusive investiram em pesquisa para produzir alguns componentes. Os ímãs, por exemplo, foram desenvolvidos e construídos pela empresa WEG, de Santa Catarina, especificamente para o Sirius. Outras 280 empresas nacionais estão envolvidas no fornecimento de peças e componentes. Qual a importância do Sirius para o Brasil? Com a inauguração do Sirius, o Brasil terá uma das mais avançadas ferramentas de pesquisa do mundo, segundo cientistas. Isso possibilitará que os pesquisadores do país possam desenvolver estudos com tecnologia inédita em diversas áreas, como saúde, energia, tecnologia, agricultura e meio ambiente. Na saúde, poderão ser estudados vírus e bactérias para a descoberta de substâncias com potencial para dar origem a novos medicamentos e tratamentos. O diretor-geral do CNPEM e diretor do Projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva, explica que o cérebro poderá ser analisado de acordo com os estímulos que recebe ou doenças que possui. "(Será possível) entender doenças degenerativas ou problemas ligados ao cérebro. Para isso, eu preciso entender desde a escala de comunicação entre os neurônios, onde eles trocam os neurotransmissores, até chegar à organização espacial deles, como eles estão arrumados no cérebro e ver a diferença de um cérebro normal para um com doença", afirma Silva. Diretor do Sirius diz que fonte de luz síncrotron foi projetada para ser uma ferramenta na fronteira do conhecimento Felix Lima/BBC News Brasil No setor alimentício, poderão ser pesquisados alimentos e suas propriedades, visando o melhoramento, além do estudo de sementes e outras estruturas vegetais. Isso pode resultar no desenvolvimento de espécies mais resistentes à falta d'água e ataques de pragas. Tudo isso por causa da qualidade e da potência do brilho da luz que sai nas estações. A física Liu Lin diz que é como se você conseguisse enxergar as micropartículas em sua constituição mais básica. "É como se você passasse da TV antiga de tubo para uma ultra HD 4K. Fora que a luz produzida lá vai ter um grau de coerência maior. É como se você comparasse usar uma lanterna a um laser. É uma luz muito mais concentrada que faz toda a diferença", afirma Lin. Uma ferramenta tão moderna deve atrair pesquisadores estrangeiros para o Brasil. Como o Sirius é financiado por recursos públicos, qualquer cientista pode apresentar um projeto de pesquisa e, se aprovado, usar o acelerador de partículas brasileiro. O diretor do Sirius diz que ele foi projetado para ser uma ferramenta na fronteira do conhecimento. Nas palavras dele, com o "que há de mais moderno do mundo, com tecnologia brasileira, feito por pesquisadores brasileiros, ajudando a sociedade brasileira a resolver suas questões de futuro". "Em pesquisa, é como se você estivesse andando por uma região com vales e morros. Dependendo do tipo de pergunta que você encontra, é como se você estivesse numa área com uma rugosidade pequena e conseguisse passar por ela a pé ou com um carro pequeno. Mas tem horas que eu vou me deparar com um grande vale. Nesse momento, ou eu tenho uma ponte para cruzá-lo, ou fico parado. O Sirius será essa grande ponte dos pesquisadores brasileiros", explica o diretor do projeto. Confira o vídeo do Sirius no original da BBC

13/11 - 2018


Cresce o número de mulheres que caem a partir dos 40 anos



Estudo mostra que ações de prevenção devem ser postas em prática na meia-idade Embora associemos as quedas ao envelhecimento, esse é um problema que vem crescendo a partir dos 40 anos – e principalmente entre as mulheres. O alerta é do Trinity College Dublin, na Irlanda, que comparou dados irlandeses e também de Austrália, Grã-Bretanha e Holanda, relativos a mais de 19 mil indivíduos entre 40 e 64 anos. A prevalência de quedas entre mulheres é significativa: 9% entre 40 e 44 anos; 19% entre 45 e 49; 21% entre 50 e 54; 27% entre 55 e 59; e 30% entre os 60 e 64 anos. O estudo mostra que a meia-idade talvez seja o período crítico no qual as ações de prevenção devem ser postas em prática. Entre os idosos, um em cada três cai pelo menos uma vez ao ano, sendo que, a partir dos 80 anos, a proporção é de um em cada dois. A médica Rose Anne Kenny, professora do Trinity College e coautora do estudo sobre o risco de quedas em mulheres de meia-idade Divulgação As complicações de saúde resultantes de quedas são sérias: além de fraturas, ferimentos na cabeça, convívio social reduzido e declínio da independência. A médica holandesa Geeske Peeters, uma das autoras do trabalho, comentou: “embora médicos e pesquisadores sempre tenham utilizado a premissa de que esse é um problema que afeta as pessoas com mais de 65 anos, o estudo mostra que a prevalência de quedas já é muito alta a partir dos 50 anos, quando também vemos o aumento do número de casos de diabetes e artrite”. O quadro de maior fragilidade tem relação com o período pós-menopausa, que exige atenção especial das mulheres. Na opinião da especialista, a atual estratégia de prevenção não é eficaz porque é posta em prática muito tarde: “basicamente esperamos que os pacientes tenham desenvolvido os fatores de risco, quando seria melhor se preveníssemos esses fatores, ou se pudéssemos detectá-los num estágio inicial para reduzir suas consequências”. Rose Anne Kenny, professora do Trinity College e coautora do relatório, ressaltou mais um efeito colateral de uma queda: o medo de que outras ocorram pode levar a pessoa a restringir suas atividades, num círculo vicioso que só vai piorar o baixo condicionamento físico. “Essa é uma característica presente em um em cada quatro indivíduos acima dos 50. Quem teme sofrer uma queda ou já caiu deve participar de programas para aumentar o equilíbrio e a força muscular”. Pesquisas anteriores já demonstraram que se exercitar regularmente pode reduzir a taxa de quedas em até 32%. Além da idade e da baixa aptidão física, é preciso avaliar efeitos colaterais de medicamentos que podem afetar o equilíbrio, por isso é tão importante conversar com seu médico.

13/11 - 2018


Cientistas mulheres pedem inclusão de período de licença-maternidade no currículo Lattes



Cientistas argumentam que meses após o parto têm menor fluxo de publicações e acabam perdendo competitividade frente a pesquisadores homens. Mulheres cientistas comentam sobre como conciliar maternidade, trabalho e pesquisas Um grupo de pesquisadoras enviou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) uma carta com diferentes reivindicações para trazer mais igualdade de acesso e concorrência das mulheres às bolsas e financiamentos científicos no Brasil. Um dos pedidos é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes, uma forma de sinalizar um possível "buraco" na produção durante o período pós-parto e evitar qualquer comparação injusta com os homens cientistas em processos seletivos. O documento foi assinado pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, que chamou a atenção dos colegas ao colocar a seguinte frase no Lattes: "Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência". Currículo Lattes de Pâmela Mello Carpes Reprodução/Plataforma Lattes A pesquisadora faz parte de um grupo de mulheres cientistas que está tentando chamar a atenção para uma queda iminente na produção científica durante o período de licença-maternidade – e como isso pode influenciar negativamente na carreira de pesquisadoras. Eloah Rabello Suarez fez pós-doutorado na Universidade Harvard. Pesquisa uma das áreas mais promissoras no tratamento de câncer no mundo: a terapia genética. Isso não foi o suficiente porque ela tem um "buraco" na publicação de artigos científicos. Essa queda na produção coincide com outra parte importante de sua vida: ela é mãe de primeira viagem e, para os órgãos de financiamento de projetos, o tempo em que não produziu para cuidar do bebê interfere na hora de concorrer com outros pesquisadores, mesmo que sejam homens. Eloah apresentanto trabalho em encontro da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe) Carolina Dantas/G1 "A gente percebe que não existe uma compreensão muito grande das mulheres no meio científico com relação à licença-maternidade. A gente tem até vergonha de falar às vezes", disse Eloah. Pamela, a pesquisadora que chamou a atenção por colocar sua licença no Lattes, acabou sendo modelo para outras cientistas. Elas viraram um grupo que passou a acrescentar o período de licença-maternidade no currículo Lattes – a primeira tentativa de sinalizar para órgãos de financiamento porque há uma queda nas publicações por seis meses. Em palestra sobre o assunto em setembro deste ano, Pamela lembra outros dados do IBGE de 2017 sobre as horas de trabalho doméstico de homens e mulheres no Brasil. Independente da renda e da idade, as mulheres cuidam mais da casa que os companheiros, pais, irmãos. São tarefas como cozinhar, lavar, cuidar das roupas, limpar, fazer compras. Quando a renda não chega a R$ 1 mil, elas chegam a trabalhar mais de 10 horas por dia. E com a chegada da maternidade, manter a rotina científica fica ainda mais difícil. Pesquisa inédita Uma pesquisa inédita, ainda com resultados preliminares, analisou o impacto da maternidade na produção de mães cientistas: 81% delas dizem que ter um filho causa um impacto negativo ou muito negativo na carreira acadêmica. O estudo brasileiro foi liderado pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, que apresentou dados preliminares em um simpósio no início do ano e, mais recentemente, no evento anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe). Ela chamou o projeto de "Parent in Science". Outro dado apresentado por Fernanda é o de que 54% das mães cientistas são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos. Em 34% dos casos, os dois pais cuidam. Foram 1.299 docentes mulheres entrevistadas, 141 docentes de pós-graduação, 21 pós-doutorandas e 88 pais (maridos/companheiros de cientistas mulheres). Veja os resultados: Além disso, 40% dos entrevistados disseram que não conseguiram cumprir com os prazos para submissão dos trabalhos. O impacto da maternidade na carreira científica não é positivo: Foi assim, com base na pesquisa e em conversas com grupos de pesquisadoras, que Fernanda, Pâmela e outras colegas decidiram pedir oficialmente que o tempo de licença passe a ser incluído na plataforma Lattes, meio mais utilizado para expôr a produção científica e usado como base para financiamento de projetos. Em resposta às perguntas enviadas pelo G1, o CNPq disse que "está sensível à questão e recebeu a demanda do grupo "Parent in Science", encaminhada à Diretoria da agência para avaliação e discussão." Disse, também, que "já oferece prorrogação das bolsas de mestrado, doutorado, pós-doutorado e produtividade em pesquisa para as bolsistas que se tornam mães, por meio biológico ou por adoção, durante a vigência do auxílio. Há, ainda, a reivindicação de que esse benefício se estenda para todas as modalidades de bolsa do CNPq."

12/11 - 2018


Unicamp faz diagnóstico de 60 casos de AVC infantil por ano; médica faz alerta



Apesar de desconhecido, especialistas dizem que o problema é comum e causado por má formação vascular, alterações no sistema imunológico ou infecções. Cerca de 60 crianças recebem o diagnóstico de AVC todos os anos na Unicamp O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp identifica pelo menos 60 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em crianças por ano. Apesar de desconhecido, especialistas dizem que o problema é comum e tem como causa má formação vascular, além de alterações no sistema imunológico ou infecções como meningite e varicela. Os médicos alertam para a necessidade do diagnóstico antecipado para evitar as sequelas. O número é do grupo de pesquisa de Anormalidades Neurovasculares na Infância e Adolescência (Anvia), que tem parceria com universidades internacionais. De acordo com a neuropediatra Kátia Maria Ribeiro Schmutzler, o AVC perinatal é ainda mais comum que o AVC infantil porque atinge o bebê ainda dentro da barriga da mãe e pode ocorrer até o primeiro mês de vida da criança. “Se tem algum fator de risco, que seria, a mãe estar com infecção, a mãe estar com pressão alta, se houve alguma intercorrência, essa mãe deve questionar o médico se no ultrassom está tudo bem”, explicou. Por conta do desconhecimento da população sobre o assunto, uma ONG criou um site com conhecimentos gerais da doença. “Principalmente para as crianças obterem um diagnóstico o mais precoce possível e receber uma intervenção o quanto antes”. Tratamento O filho de Maria Selma dos Santos teve suspeita de AVC aos seis meses. Atualmente com um ano e meio, ele frequenta o ambulatório da Unicamp para fazer fisioterapia. Segundo a mãe, depois da fisioterapia ele começou a engatinhar, andar e teve um desenvolvimento muito avançado. Já a fisioterapeuta afimou que, no começo, o menino tinha dificuldades de usar o lado direito do corpo. “Ele não ficava em pé, negligenciava um dos lados, agora a evolução dele já é muito grande”, disse Gerusa Perlatto Bella. David teve suspeita de AVC com seis meses e frequenta fisioterapia Pedro Amatuzzi/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas

12/11 - 2018


Estudo do Instituto do Cérebro da UFRN descobre método que pode contribuir para curar cegueira



Pesquisa é do ICe/UFRN, em parceria com o Instituto Metrópole Digital e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ. Pesquisa foi desenvolvida no Instituto do Cérebro da UFRN, sob coordenação do neurocientista Marcos Costa José de Paiva Rebouças Retinopatias são lesões não inflamatórias da retina ocular. Assim como o glaucoma, a neurite óptica, entre outras, são doenças que não têm cura. Alguns tratamentos e cirurgias impedem o avanço, mas não recuperam a visão perdida. Isso só acontece, em alguns casos, através de transplante. Porém ciência tem apostado na regeneração celular como solução contra a cegueira. Muito já foi divulgado sobre o assunto, mas um estudo publicado por pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe/UFRN), em parceria com o Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, representa um grande passo nesta corrida. Com o título “Evidência da conversão de Müller glia em células ganglionares da retina usando Neurogenin2”, a pesquisa publicada no jornal suíço Frontiers in Cellular Neuroscience mostra ser possível converter células gliais de Müller (MGCs) em neurônios com características típicas de neurônios da retina, tais como fotorreceptores e células ganglionares. O avanço dessa pesquisa poderá contribuir, futuramente, segundo os pesquisadores, para o desenvolvimento de terapias gênicas em humanos, oportunizando possíveis tratamentos contra as cegueiras ocasionadas por retinopatias degenerativas. As glias de Müller, tipo de células gliais da retina que levam esse nome por terem sido descritas em 1851 por Heinrich Müller, são encontradas na retina de vertebrados e têm papel de suporte dos neurônios da retina. Os pesquisadores indicam que estudos anteriores haviam demostrado que as MGCs podem retomar a proliferação em retinas lesionadas de camundongos adultos. Contudo este processo é muito lento se comparado à reparação tecidual na retina de peixes adultos, em que as MGCs praticamente regeneram toda a retina após uma lesão. O novo estudo, o do ICe, mostrou que as MGCs de roedores adultos e recém-nascidos podem ser geneticamente reprogramadas em neurônios através da expressão de um único gene exógeno. “Nós e outros laboratórios conseguimos transformar MGCs em neurônios da retina utilizando apenas um fator de transcrição, conhecido como Ascl1. As MGCs que recebem este fator de transcrição adquirem características de fotorreceptores, células bipolares e amácrinas, mas não de células ganglionares, principal célula perdida no glaucoma. Agora, identificamos outro gene capaz de fazer isso”, afirmou o neurocientista Marcos Costa, coordenador da pesquisa. O resultado do estudo, desenvolvido exclusivamente no Instituto do Cérebro da UFRN durante seis anos, indica que outro fator de transcrição – a Neurogenina 2 – induz a reprogramação de MGCs de roedores pós-natais em células ganglionares da retina in vitro, e retoma a geração deste tipo neuronal a partir de progenitores tardios da retina em animais vivos. "Essas observações colocam a Neurogenina 2 na lista de genes candidatos para futuras terapias gênicas visando o tratamento da cegueira", acrescentou Marcos. O próximo passo, segundo o neurocientista, é mostrar isso em animais modelo para o estudo de glaucoma.

12/11 - 2018


OMS denuncia o mau uso dos antibióticos


Aumento ou baixo consumo pode levar ao surgimento de 'superbactérias'. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira (12) sobre o perigoso aumento do consumo de antibióticos em alguns países, como também sobre o baixo consumo em outras regiões, o que pode levar ao surgimento de "superbactérias" mortais. O relatório da OMS, baseado em dados de 2015 recolhidos em 65 países e regiões, mostra uma importante diferença de consumo, que vai de 4 doses diárias definidas (DDD) em cada 1.000 habitantes por dia no Burundi a mais de 64 na Mongólia. "Essas diferenças indicam que alguns países consomem provavelmente antibióticos demais enquanto outros talvez não tenham acesso suficiente a esses medicamentos", apontou a OMS em comunicado. Descobertos nos anos 1920, os antibióticos salvaram dezenas de milhões de vidas, lutando de maneira eficaz contra doenças bacteriológicas como a pneumonia, a tuberculose e a meningite. No entanto, ao longo dos anos, as bactérias se modificaram para resistir a esses medicamentos. A OMS advertiu em muitas ocasiões que o número de antibióticos eficazes está diminuindo no mundo. No ano passado, a agência das Nações Unidas pediu aos Estados e aos grandes grupos farmacêuticos que criassem uma nova geração de medicamentos capazes de lutar contra as "superbactérias" ultrarresistentes. "O consumo excessivo assim como o consumo insuficiente de antibióticos são as maiores causas de resistência aos antimicrobianos", afirmou Suzanne Hill, diretora de Medicamentos e Produtos Sanitários Essenciais na OMS, em um comunicado. "Sem antibióticos eficazes e outros antimicrobianos, perderemos nossa capacidade para tratar infecções tão estendidas como a pneumonia", advertiu. As bactérias podem se tornar resistentes quando os pacientes usam antibióticos que não precisam ou quando não terminam seus tratamentos. A bactéria tem assim mais facilidade para sobreviver e desenvolver imunidade. A OMS também se preocupa com o escasso consumo de antibióticos. "A resistência pode se desenvolver quando os doentes não podem pagar um tratamento completo ou só têm acesso a medicamentos de qualidade inferior ou alterados", diz o relatório. Na Europa, o consumo médio de antibióticos é aproximadamente de 18 doses diárias definidas por 1.000 habitantes por dia. A Turquia lidera a lista (38 doses diárias definidas), ou seja, cerca de cinco vezes mais que o último da classificação, Azerbaijão (8 doses diárias definidas). A OMS reconhece, contudo, que seu relatório é incompleto porque inclui apenas quatro países da África, três do Oriente Médio e seis da região da Ásia-Pacífico. Os grandes ausentes deste estudo são Estados Unidos, China e Índia. Desde 2016, a OMS ajuda 57 países com renda média e baixa a coletar datos para criar um sistema modelo de acompanhamento do consumo de antibióticos.

12/11 - 2018


Fones de ouvido podem provocar a fadiga auditiva



Um som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Augusto Carlos/TV Globo Aumentar o som libera neurotransmissores de prazer, mas também pode trazer riscos. Um desses problemas é a fadiga auditiva, uma sensação de ficar com o ouvido cheio, um zumbido, uma sensação de pressão no ouvido. Dependendo do tempo de exposição ao barulho, as células auditivas podem até morrer. A cóclea, parte interna do ouvido, tem entre 15 mil e 18 mil células ciliadas, que têm a função de transformar as ondas sonoras que chegam do ambiente ao ouvido em ondas elétricas e carregam informações para o cérebro. Você abusa do fone de ouvido? Um som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Para se regenerar, o aparelho auditivo precisaria de 14 horas de descanso. Mas com a agressão constante, a lesão passageira vira um problema permanente. Para compensar a perda auditiva, células vizinhas passam a trabalhar em ritmo acelerado e isso provoca uma sobrecarga no cérebro. Essa sobrecarga pode causar: Zumbido Intolerância a sons que antes não incomodavam Menor compreensão das palavras Progressão da perda auditiva Perda de memória Apesar de liberar a endorfina (hormônio do prazer), o som alto pode lesar o ouvido de qualquer pessoa. Pais colocam fones de ouvido em bebês para proteger do barulho E como proteger os ouvidos? Evite ficar ao lado da caixa de som Não ouça música num volume alto Use fone de ouvido sem som ligado para minimizar o ruído externo em alguns ambientes, como shows, estádios Em lugares com música ao vivo, fique mais distante da banda Criança escolhe o tem 'implante coclear' para o aniversário de 8 anos

12/11 - 2018


A puberdade está começando mais cedo?



O mundo parece ter mais pressa para tudo. As vinte e quatro horas de um dia parecem insuficientes ante tantas atividades — sejam elas de estudo, de trabalho ou de lazer- que “precisam” ser executadas. Perdeu-se a capacidade de saber esperar. Todos querem tudo imediatamente. Neste cenário, não é de estranhar que a puberdade esteja se antecipando e chegando mais cedo para muitas meninas que, mais precocemente, estão desenvolvendo suas características sexuais secundárias. O desenvolvimento mamário e os pelos pubianos estão surgindo mais cedo e progressivamente a menina vai se transformando em uma moça que — também mais cedo — irá apresentar sua primeira menstruação. A puberdade normalmente se inicia a partir de 8 anos de idade. No entanto, um estudo recentemente publicado nos Estados Unidos observou que 15% das meninas com 7 anos de idade já estava em puberdade. Aos 8 anos de idade este número aumentou para 25%. Por quais razões a puberdade está chegando mais precocemente, fazendo com que as meninas menstruem mais cedo? Isso seria uma vantagem ou uma desvantagem? Importante saber que não existe uma única causa que explique, de forma segura e confiável, as razões pelas quais isto está acontecendo. No entanto, especialistas apontam que a alimentação e o estilo de vida contemporâneos podem ter um papel causal relevante. É sabido que vivemos uma era em que crianças e adolescentes estão com índices alarmantes de sobrepeso e obesidade. A alimentação inadequada, com alto teor calórico, o estilo de vida mais sedentário e a diminuição das horas de sono são comuns nas crianças e adolescentes e isto tudo promove o excesso de peso. Sabemos que as células de gordura podem produzir o estrogênio, que é o hormônio sexual feminino. Meninas com excesso de gordura corpórea, portanto, podem ter a produção de estrogênio aumentada precocemente. Resultado: características pubertárias como desenvolvimento do tecido mamário, dos pelos pubianos e subsequentemente a menstruação, surgem mais cedo. Menstruar mais cedo parece não ser uma vantagem, pois estudos observaram que a menstruação precoce se relacionou à maior incidência de câncer de mama. O mundo contemporâneo, portanto, facilita a nossa vida, por um lado, e por outro produz fatores complicadores e de maior risco para a saúde. Por incrível que pareça, as três dicas de ouro para uma melhor qualidade de vida em todas as idades ainda estão valendo: comer saudável, praticar exercícios e dormir bem. Ana Escobar Arte/G1

11/11 - 2018


“Há uma crescente subtração da voz de quem está envelhecendo”



Em seu terceiro livro, a juíza Andréa Pachá transforma casos vividos por idosos em ficção Os mais de 15 anos em Varas de Família deram à juíza Andréa Pachá uma bagagem enorme sobre conflitos onde reina a subjetividade: separações, guarda de filhos e por aí vai. No entanto, ela afirma que, mesmo com essa experiência, não estava preparada para o que enfrentaria na Vara de Órfãos e Sucessões, na qual atua há seis anos. Ali, as questões envolvendo idosos se tornaram parte do seu dia a dia: é onde, por exemplo, estão os processos relacionados a inventários, testamentos e curatelas – essas, um mecanismo de proteção para pessoas maiores de 18 anos que estejam sem condições de reger sua própria vida por alguma incapacidade mental, intelectual ou física. “Foi uma angústia enorme, porque o papel do juiz é limitado, acaba sendo de redução de danos dentro de um leque estreito de possibilidades”, conta. A juíza Andréa Pachá, autora do livro “Velhos são os outros” Divulgação/Leo Aversa Talvez porque tenha tido uma trajetória pouco convencional, uma vez que, antes de abraçar o direito, trabalhou com teatro e dramaturgia, o que ela fez foi um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro, transformando-se em ouvinte atenta. “Há uma crescente subtração da voz de quem está envelhecendo”, diz a juíza, que resgatou essas vozes em seu terceiro livro: “Velhos são os outros”. Nos dois primeiros, “A vida não é justa” e “Segredo de justiça”, ela relatava casos vistos nas Varas de Família e o material inclusive inspirou uma série no “Fantástico”. Agora, optou por uma narrativa ficcional, mas as histórias que estão nas 38 crônicas, entremeadas por dez perfis curtos de idosos, são universais e é impossível não se identificar com os personagens. Nem sempre o final é feliz, mas alguns nos surpreendem e todos emocionam. Há casos de abandono afetivo e material, mas também lições sobre autonomia e paixão. A juíza não esconde sua angústia com a perda de identidade do idoso, como escreve na obra: “uma das experiências mais tristes em processos de curatela, quando os velhos perdem a memória, é a constatação de que não se morre apenas quando o coração para de bater, mas quando se é apropriado, ainda respirando, por pessoas que desconsideram o passado e o respeito que uma vida merece”. Na sua opinião, essa geração que está na faixa dos 50 e 60 anos deve ter como missão revolucionar a forma como se encara a velhice: “a sociedade associa o envelhecimento à doença, mas estamos tratando do passar do tempo e das escolhas que todos deveriam ter o direito de fazer. Temos que estar atentos para evitar que idosos vulneráveis sejam vítimas de pessoas e agentes de mercado mal-intencionados, mas é preciso garantir sua autonomia”. No que diz respeito às complexas relações familiares, é comum que filhos tentem controlar a vida de pais que ainda são plenamente capazes de tomar suas próprias decisões. A juíza Andréa Pachá faz uma reflexão: “quem nunca teve uma história de amor infeliz? Quando se é jovem, todos acham normal, mas, se isso acontece com alguém mais velho, logo surgem questionamentos sobre sua capacidade”. Ela também adverte para o risco de suprimirmos temas como velhice e morte das nossas conversas, lembrando que “esses são dados da condição humana”. Faz um convite à discussão ao compartilhar seu “testamento” com 16 desejos no fim do livro. Selecionei três personagens e suas observações. O conselho de dona Maria é simples: “você se prepare para a sua velhice, porque a gente fica velho de uma hora para a outra. Nem percebe. Eu mesma, até os 85 anos, achava que não ia ficar velha nunca!”. Já Célia constata como foi excluída: “olho com consternação para essa gente apressada e impaciente. Já estive nesse lugar. Sei como é ser jovem e, felizmente, aproveitei minha juventude. Eles nunca estiveram onde estou. Por isso a arrogância. Pensam que sabem tudo, porém nem sonham que, se tiverem sorte para chegar aonde cheguei, vão andar devagarinho. E aprender a lidar com o desprezo, se não quiserem sofrer muito”. Por fim, Eurico dá uma lição aos que tentam mascarar a realidade: “se um dia eu descobrir quem foi o infeliz que inventou essa história de melhor idade, eu dou um soco no meio da cara dele!”.

10/11 - 2018


Cinco descobertas surpreendentes sobre a solidão



Perfil da pessoa solitária é bem diferente daquele que povoa imaginário popular, conforme mostra pesquisa da BBC. O perfil da solidão é bem diferente daquele que povoa o imaginário popular. É o que mostra a pesquisa BBC Loneliness Experiment, que contou com 55 mil participantes ao redor do mundo. O estudo foi elaborado por acadêmicos de três universidades britânicas - Manchester, Brunel e Exeter - em colaboração com a Wellcome Collection. Confira abaixo cinco descobertas dos pesquisadores a partir dos dados coletados online: 1. Jovens se sentem mais sozinhos do que os mais velhos Quando você imagina uma pessoa solitária, o estereótipo que geralmente vem à mente é de alguém mais velho que mora sozinho e raramente recebe visitas. De fato, o BBC Loneliness Experiment mostrou que 27% dos participantes com mais de 75 anos sentem solidão com frequência ou muita frequência. É um percentual mais alto do que o registrado em outras pesquisas, mas como se trata de um questionário online, a amostra foi selecionada automaticamente e podem ter sido atraídas mais pessoas que se sentem sozinhas. Mesmo assim, as diferenças identificadas entre as faixas etárias são impressionantes. Os níveis de solidão mais altos foram registrados, na verdade, entre jovens de 16 a 24 anos - 40% declararam que com frequência ou muita frequência se sentem sozinhos. Mas por que tantos jovens se dizem solitários? Talvez estejam mais preparados para admitir esse tipo de sentimento do que os mais velhos, possivelmente mais preocupados em enfatizar sua independência. Os idosos não fazem parte da parcela da população que mais se identifica como solitária. Unsplash Mesmo quando perguntados sobre o momento em que se sentiram mais sozinhos, retrospectivamente, a resposta mais comum foi: no início da vida adulta. Então, não é necessariamente a vida moderna que faz os jovens se sentirem solitários. Há uma série de fatores importantes associados a essa etapa da vida. Embora a fase dos 16 a 24 anos remeta a um período associado à diversão, é também um momento de transição - de sair de casa, entrar na faculdade, começar a trabalhar - e tudo isso nos afasta dos amigos com quem crescemos. Ao mesmo tempo, esses jovens estão tentando descobrir quem são e seu lugar no mundo. Além disso, não estão acostumados ao sentimento de solidão e ainda não tiveram a experiência necessária para saber que muitas vezes isso passa, ou a chance de encontrar maneiras de lidar com essa sensação - seja se distraindo ou procurando companhia. 2. Mais de 40% das pessoas acham que a solidão pode ser positiva A constatação acima se encaixa na teoria de neurocientistas como John Cacioppo, que morreu em março deste ano. Ele afirmava que evoluímos para vivenciar a solidão porque pode ser útil, mesmo que seja tão desagradável. Mais de 40% das pessoas acham que a solidão pode ser positiva Unsplash Os seres humanos sobreviveram por meio da cooperação. Se as pessoas sentem que são excluídas de um grupo, o sentimento de solidão pode levá-las a se conectar com outros indivíduos, encontrar novos amigos ou reativar antigos relacionamentos. O problema é que isso pode se tornar crônico, levando a um sério impacto no bem-estar e até na saúde. Sentimentos de solidão crônica estão associados a um risco aumentado de depressão após um ano. Na pesquisa, embora 41% dos participantes tenham dito que a solidão poderia ser positiva, esse percentual cai para 31% entre aqueles que disseram que se sentiam sozinhos com frequência. A solidão pode ser tão infeliz e angustiante que, quando prolongada, fica difícil enxergar qualquer lado positivo. 3. Quem se sente sozinho tem habilidades sociais que não são melhores ou piores que a média Às vezes, parte-se do pressuposto de que quem se sente sozinho tem dificuldade de fazer amigos. Assim, aprimorar as habilidades sociais faria a diferença. Mas não foi isso que descobrimos. Um elemento-chave da interação social é a capacidade de dizer o que outras pessoas estão sentindo, para que você possa ajustar suas reações. Talvez elas estejam preocupadas com algo ou você as tenha ofendido sem querer. Quem se sente sozinho tem habilidades sociais que não são melhores ou piores que a média Unsplash Uma maneira de medir essa habilidade é mostrar uma série de fotografias de expressões faciais ou até mesmo só de olhares para avaliar se as pessoas conseguem identificar que tipo de emoção está representada. Não houve diferença entre a pontuação média daqueles que se sentiam sozinhos com frequência e dos que não se sentiam. Houve variação nas pontuações de neuroticismo (propensão a emoções negativas) - então talvez seja a ansiedade provocada por situações sociais que torne mais difícil lidar com esses eventos, se você se sente sozinho, em vez das habilidades sociais propriamente ditas. 4. O inverno não é mais solitário do que outras estações do ano Às vésperas do Natal, costumam aparecer campanhas de instituições de caridade com fotos de idosos solitários. É uma época do ano em que as famílias se reúnem para celebrar, então a ideia de passar a noite de Natal sozinho é algo que assusta muita gente. Na data, a comediante britânica Sarah Millican faz uma campanha no Twitter, promovendo a hashtag #joinin, para que aqueles que estão sozinhos possam conversar uns com os outros. E se você mora no hemisfério norte, o Natal também cai no meio do inverno, quando os dias são mais curtos e as pessoas ficam mais em casa, deixando você ainda mais isolado, caso se sinta sozinho. O inverno não é mais solitário do que outras estações do ano Unsplash Mas será que o inverno é a pior estação no que se refere à solidão? Perguntamos às pessoas em que época do ano e hora do dia se sentiam mais sozinhas. Mais de dois terços responderam que o inverno não era mais solitário do que qualquer outra estação do ano. A minoria das pessoas que disse que uma determinada época do ano é mais solitária, escolheu o inverno, mas algumas optaram pelo verão. No Natal, muitas famílias se esforçam para garantir que todos sejam incluídos, convidando os amigos para participar, caso saibam que podem não ter companhia. Mas no verão, se todos viajam de férias, você pode ser o único com o sentimento de ter sido deixado para trás. Então, talvez devêssemos começar a pensar se outras pessoas estão se sentindo sozinhas durante o ano todo, e não só no Natal. 5. Pessoas que se sentem sozinhas com frequência têm mais empatia Na pesquisa, foram medidos dois tipos de empatia. Um deles se referia à dor física - quão triste você fica por alguém que acidentalmente prendeu a mão na porta do carro, se queimou com a água fervendo do café ou foi picado por uma vespa. O outro relacionado à dor social - empatia por alguém que sofreu bullying na escola, não foi convidado para uma festa ou foi abandonado pelo parceiro. Pessoas que se sentem sozinhas com frequência têm mais empatia Unsplash Não houve diferença na empatia pela dor física entre as pessoas que se sentiam mais e menos solitárias. Mas no caso da empatia pela dor social, aquelas que declararam se sentir sozinhas com frequência e muita frequência apresentaram em média uma pontuação maior. Talvez por saberem o que é ficar de escanteio, elas se identifiquem mais com outras pessoas que se encontram na mesma situação.

10/11 - 2018


Arqueólogos encontram tumbas com múmias de gato no Egito



Descoberta foi feita em Sacará, a 30km do Cairo. Também foram achadas estátuas de outros animais e múmias de escaravelhos dentro das tumbas, que são do Egito Antigo. Arqueólogos egípcios encontraram sete tumbas da Era dos Faraós com dúzias de múmias de gatos em Sacará — sítio arqueológico a cerca de 30km da capital do Egito, Cairo. A descoberta também inclui múmias de escaravelhos — as primeiras a serem encontradas no local, afirmou neste sábado (10) o Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Mostafa Waziri, à agência de notícias americana Associated Press (AP). Gatos mumificados dentro de uma tumba na necrópole perto das pirâmides egípcias, em Sacará. Arqueologistas locais descobriram sete tumbas da era farônica contendo dúzias de múmias de gato e estátuas de animais feitas de madeira. Nariman El-Mofty/AP O Egito Antigo — época em que os faraós reinaram — reverenciava os felinos e fazia adoração à deusa Bastet, que tinha a cabeça de gato. Além das múmias, também foram encontradas estátuas de madeira retratando outros animais — como um falcão, um leão e uma vaca. Outras 100 estátuas de gato em madeira dourada e uma estátua de bronze, dedicada a dedicada a Bastet, estão entre as descobertas, afirma a Agência France Presse [(AFP). Segundo a AFP, a descoberta ocorreu "em torno de uma área rochosa em torno do complexo funerário de Userkaf na necrópole (real) de Saqqara", que era a capital do Reino Antigo, disse o ministro de Antiguidades, Khaled El Enany. Três dessas tumbas, afirma o ministro "datam do tempo do Novo Império e foram usadas como uma necrópole para gatos". As outras quatro tumbas remontam ao tempo do Antigo Império (4.300 anos aC), "das quais a mais importante é a de Jufu-Imhat, guardião dos edifícios pertencentes ao palácio real, datando do final da Quinta Dinastia e do início do VI ", segundo o ministro. Saqqara é uma vasta necrópole da região da antiga Memphis, onde incontáveis tumbas e os primeiros faraós foram encontrados. O Egito vem aumentando a publicidade em torno de descobertas históricas, destaca a AP, na esperança de recuperar o setor de turismo no país — devastado pela turbulência que se seguiu às revoltas de 2011 que levaram à queda de Hosni Mubarak. Confira mais fotos da descoberta: Arqueologista recupera uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Artefatos em exposição na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Arqueologistas recuperam uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Estátua de gato feita de bronze em exposição na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Arqueologista recupera uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Arqueologistas recuperam uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Artefatos em exposição em uma caixa de vidro em frente às tumbas recém-descobertas na necrópole em Sacará. Nariman El-Mofty/AP Trabalhador carrega um artefato para fora da tumba na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Papiro em exposição numa caixa de vidro na necrópole em Sacará. Nariman El-Mofty/AP Estátuas de gatos também foram encontradas na tumba REUTERS/Mohamed Abd El Ghany Equipes retiram gatos mumificados encontrados em tumbas no Egito REUTERS/Mohamed Abd El Ghany O líder da escavação segura uma estátua na tumba recém-descoberta em uma necrópole perto das pirâmides egípcias em Sacará, Giza, em 10 de novembro. O secretário egípcio de antiguidades diz que arqueologistas locaias encontraram sete tumbas da era faraônica contendo dúzias de múmias de gato e estátuas de madeira retratando outros animais. Nariman El-Mofty/AP

10/11 - 2018


O especialista em cobras que documentou a própria morte após ser picado



Karl P. Schmidt era um famoso especialista em anfíbios e répteis e acabou mordido no dedo quando analisava espécie com característica incomum. Depois disso, anotou, hora a hora, os sintomas que via e sentia. Ele não procurou atendimento médico. Jornal publicou que, para Schmidt, veneno não seria fatal. Mas há quem aponte outra hipótese para ele não ter procurado atendimento Chicago Daily Tribune Em setembro de 1957, um funcionário do Lincoln Park Zoo, em Chicago, nos Estados Unidos, levou uma cobra de aproximadamente 76 centímetros ao Museu de História Natural da cidade, em busca de ajuda para identificar a espécie. Karl Patterson Schmidt, um famoso herpetologista, ou seja, profissional que se dedica ao estudo de anfíbios e répteis, trabalhava no museu e concordou em dar uma olhada no animal. Schmidt era um reconhecido especialista em cobras, de grande prestígio na área, e era tão bom em identificar espécies que chegou a batizar dezenas delas, diz Elizabeth Shockman, do programa de rádio sobre ciência "Science Friday", transmitido às sextas-feiras pela Public Radio Internacional (PRI), dos Estados Unidos. Em 25 de setembro o pesquisador registrou que a cobra era de origem africana, que estava coberta com padrões de cores vivas e que tinha um formato de cabeça semelhante a de uma boomslang, um tipo de cobra venenosa que vive na África sub-saariana. O herpetologista, no entanto, tinha dúvidas sobre se se tratava mesmo de uma boomslang, uma vez que, como escreveu em seu diário, a "placa anal da cobra não estava dividida". O que ele fez em seguida acabaria lhe custando a vida: ergueu a cobra para examiná-la mais detalhadamente. A cobra que matou o famoso herpetologista era uma boomslang Science Photo Library Enquanto a observava, impressionado com as características incomuns que via, acabou picado no polegar esquerdo. O animal o deixou com dois furos no dedo, sangrando, com três milímetros de profundidade. Schmidt começou a chupar a ferida e em vez de procurar atendimento médico, voltou ao diário de anotações e começou a registrar os efeitos do veneno sobre ele. Vinte e quatro horas depois, estaria morto. Seu último dia Uma das hipóteses levantadas na época é que Schmidt não acreditava que a mordida da cobra seria fatal. Ele pegou o trem para casa e continuou registrando no diário os efeitos que observava e sentia: "16h30 - 17h30 Forte enjoo, mas sem vômitos." Viagem para Homewood em um trem suburbano. 17h30 - 18h30 Muito frio e tremores, seguidos por uma febre de 38,7ºC. Sangramento das membranas mucosas na boca começou por volta das 17:30, aparentemente principalmente na gengiva. 18h30 Comi duas torradas. 21h00 às 12h20 Dormi bem. Urinei às 12:20 da manhã, principalmente sangue, mas uma pequena quantidade. Tomei um copo d'água às 4:30 da manhã, seguido de enjoo e vômitos violentos, sendo que o conteúdo do estômago era o jantar não digerido. Me senti muito melhor e dormi até as 6h30 da manhã. " Depois de acordar, Schmidt continuou sua manhã como de costume. Tomou café da manhã e seguiu registrando no diário suas reações ao veneno. "26 de setembro, 6h30 da manhã. Temperatura 36.8ºC. Comi cereais e ovos cozidos sobre torradas, molho de maçã e café no desjejum. Não há urina, mas cerca de 30 ml de sangue a cada três horas. A boca e o nariz continuam sangrando, não excessivamente". "Excessivamente" foi a última palavra que escreveu. Depois do almoço, por volta das 13h30, ele vomitou e ligou para a esposa. Quando a ajuda chegou, Schmidt estava inconsciente e seu corpo estava coberto de suor. Um médico tentou reanimá-lo até chegarem ao hospital. Às 15h, ele foi declarado morto devido à "paralisia respiratória". Sangramento O veneno da boomslang age rapidamente. Apenas 0,0006 miligramas podem matar uma ave em minutos. O veneno causa coagulação intravascular disseminada, fazendo com que as vítimas sangrem até a morte. Segundo o relatório da autópsia de Schmidt, pulmões, olhos, coração, rins e o cérebro dele estavam sangrando. O jornal Chicago Daily Tribune informou que Schmidt foi aconselhado a procurar ajuda médica algumas horas antes de morrer. Mas recusou, dizendo: "Não, isso alteraria os sintomas". Alguns acreditam que a morte de Schmidt foi um caso de "a curiosidade matou o cientista". Outros, no entanto, ressaltam que, sendo especialista em herpetologia, Schmidt certamente sabia que o antídoto para o veneno da boomslang só estava disponível na África. Em outras palavras, existe a possibilidade de ele simplesmente ter aceitado a própria morte. Qualquer que tenha sido o caso, Schmidt, à beira da morte, não recuou, observou o produtor do programa PRI Science Friday, Tom McNamara. Em vez disso, ele "saltou para o desconhecido".

09/11 - 2018


Pesquisadores transplantam células-tronco para cérebro para tratar Parkinson



Um paciente homem com cerca de 50 anos será monitorado nos próximos dois anos no Japão. Cientistas do Japão estudam tratamento contra o Parkinson com a ajuda de células-tronco Sabine van Erp/Pixabay Pesquisadores japoneses disseram nesta sexta-feira (9) que transplantaram células-tronco para o cérebro de um paciente, em um ensaio inovador que busca curar o mal de Parkinson. A equipe de pesquisadores da Universidade de Kyoto injetou células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) – que têm o potencial de se desenvolver em qualquer célula do corpo – no cérebro de um paciente homem de cerca de 50 anos, informou a universidade em um comunicado à imprensa. O homem ficou estável depois da operação, que foi realizada no mês passado, e agora será monitorado por dois anos, acrescentou a universidade. Os pesquisadores injetaram 2,4 milhões de células iPS no lado esquerdo do cérebro do paciente, em uma operação que durou cerca de três horas. Se nenhum problema for observado nos próximos seis meses, eles irão implantar mais 2,4 milhões de células no lado direito. As células iPS de doadores saudáveis foram desenvolvidas em precursores de células cerebrais produtoras de dopamina, que não estão mais presentes em pessoas com mal de Parkinson. A operação aconteceu depois que a universidade anunciou em julho que realizaria o estudo com sete participantes de entre 50 e 69 anos. Este é o primeiro estudo envolvendo o implante de células-tronco no cérebro para curar o mal de Parkinson. Agradeço aos pacientes por participarem do teste com coragem e determinação O mal de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico degenerativo que afeta o sistema motor do corpo, muitas vezes causando tremores e outras dificuldades no movimento. Em todo o mundo, cerca de 10 milhões de pessoas são afetadas pela doença, de acordo com a Fundação da Doença de Parkinson. As terapias atualmente disponíveis "melhoram os sintomas sem retardar ou interromper a progressão da doença", diz a fundação. O ensaio com humanos chega após um teste anterior envolvendo macacos. Pesquisadores anunciaram no ano passado que primatas com sintomas de Parkinson recuperaram uma mobilidade significativa depois que células iPS foram inseridas em seus cérebros. Eles também confirmaram que as células iPS não se transformaram em tumores durante os dois anos após o implante. As células iPS são criadas estimulando células maduras e já especializadas, para que voltem ao estado juvenil – basicamente clonagem sem a necessidade de um embrião. As células podem ser transformadas em uma variedade de tipos de células, e seu uso é um setor-chave da pesquisa médica.

09/11 - 2018


Por que crianças precisam cochilar?



O sono ajuda a preservar e a controlar as emoções do dia não só em crianças como em adultos, mostram pesquisas. Dormir ajuda as crianças a controlar suas respostas emocionais PublicDomainPictures/Pixabay Quando sua filha estava na pré-escola, Rebecca Spencer passou por algo comum a muitos pais, mães ou babás: o poder do cochilo. Sem ele, sua filha ficava cambaleante, mal-humorada ou ambos. Spencer, neurocientista especializada em sono da Universidade de Massachusetts Amherst, quis investigar a ciência por trás desta experiência pessoal. "A observação de várias pessoas é que uma criança que não cochila fica emocionalmente desregulada", ela disse. "O que nos levou a questionar: 'o cochilo tem alguma função no processamento de emoções?'". Pesquisas já mostraram que, em geral, o sono nos ajuda a processar as emoções. Dormir tem um papel importante em decodificar informações baseadas nas experiências do dia, portanto, o sono é fundamental para preservar as memórias. E as memórias emocionais são únicas pela forma como ativam a amígdala, o centro emocional do cérebro. A ativação da amígdala é o que permite que seu casamento ou o funeral de seus pais sejam mais lembrados que um dia qualquer de trabalho A amígdala rotula as memórias importantes, de modo que durante o sono elas sejam processadas por mais tempo e reiteradas mais constantemente do que as memórias triviais. O resultado é que as memórias com importância emocional são mais fáceis de serem acessadas pelo cérebro no futuro. Mas, ao influenciar como as memórias são processadas, o sono pode também impactar na intensidade de uma memória. O sono é especialmente bom para transformar a memória emotiva Teste com imagens Em um estudo recente, Bolinger e seus colegas mostraram a crianças com idades entre 8 e 11 anos uma série de imagens negativas ou neutras. As crianças usaram emojis para registrar como as imagens as faziam sentir. Em seguida, uma parte do grupo de crianças dormiu. A outra parte foi mantida acordada. Nesse período, os pesquisadores monitoraram a fisiologia do cérebro delas por meio de eletrodos. Na manhã seguinte, todas as crianças viram as mesmas imagens, além de algumas novas. As crianças que dormiram conseguiram controlar melhor suas respostas emocionais. As crianças que dormiram tiveram, por exemplo, uma resposta emocional melhor no chamado potencial positivo tardio (LPP, na sigla em inglês). Bolinger descreve o LPP como a voltagem medida na parte de trás do cérebro. Ela se ativa quando o cérebro processa uma informação - e os picos são grandes quando essa informação é negativa. Mas humanos conseguem controlar com relativa eficácia o LPP. "Estamos ativamente tentando mudar como nos sentimos sobre algo enquanto o percebemos. Então, pensamos, 'ok, estou tentando não responder enfaticamente agora, quero controlar minha resposta emocional'", explica Bolinger. A pesquisa indica que o sono contribui com a cristalização da informação emocional - e com o controle de como ela nos faz sentir. E esse efeito funciona rapidamente. "Muitas pesquisas mostram que uma única noite de sono já contribuiu [para o processo]", diz Bolinger. "Isso é útil para processar a memória e para a regulação das emoções de maneira geral". Mas nem todo sono é igual. Tipos de sono O sono REM – ou do "movimento rápido dos olhos" – está associado a memórias emocionais. Quanto mais sono REM, melhor é a capacidade das pessoas de avaliar as intenções emocionais dos outros e de lembrar histórias emotivas. Uma teoria tenta explicar esse processo relacionando-o à inexistência do hormônio do estresse, a noradrenalina, durante o sono REM. Com um alívio temporário desse hormônio, o cérebro pode usar o tempo para processar memórias sem o estresse. Simon Durrant, que chefia o Laboratório de Sono e Cognição da Universidade de Lincoln, tem outra explicação para esse processo. O córtex pré-frontal é a parte mais desenvolvida do cérebro; o lugar, diz Durrant, onde "o impulso humano mantém-se controlado e não reage imediatamente às coisas". Quando estamos acordados, essa é a parte que mantém a amígdala, e portanto as emoções, sob controle. Durante o sono, essa conexão é reduzida. "Então, de certa forma, tira-se o freio das emoções durante o sono REM", afirma. Cientistas refutam a ideia de que os sonhos, que são mais intensos emocionalmente durante o sono REM, podem ter interpretações relevantes. Mas as experiências recentes das pessoas realmente podem se tornar sonhos, especialmente na forma de conteúdo emocional, e não como uma simples repetição de eventos. Durrant diz que há indícios tentadores apontando que "o que ocorre ocorre em sonhos é mais lembrado". O papel dos sonhos O processo tem sido alvo de investigação pela pesquisadora pioneira em sono Rosalind Cartwright, cuja teoria é de que, durante os sonhos, as experiências angustiantes da vida real são integradas a memórias semelhantes. Assim, os sonhadores são mais capazes de contextualizar novas memórias dolorosas contra outras já estabelecidas, conseguindo remover com mais facilidade o tormento associado a elas. Mas Spencer acredita que o sono não-REM também tem influência. O sono de ondas lentas é a primeira fase do sono que consolida memórias, e é especialmente eficiente em processar memórias neutras. A pesquisa de Spencer sugere que a atividade durante essa fase afeta como as memórias emocionais são transformadas. Os cochilos consistem principalmente de sono não-REM, incluindo os cochilos longos. E um artigo recente com coautoria de Spencer parece ser o primeiro a mostrar que o cochilo, e não apenas uma noite de sono, contribui para o processamento da memória emotiva em crianças. Sem um cochilo, as crianças tenderam a optar pelos emojis mais emotivos no experimento. Já com o cochilo, elas se mostraram mais tranquilas e responderam de forma mais equilibrada tanto para estímulos neutros quanto para aqueles que despertariam mais emoções. De maneira geral, "as crianças ficaram de fato mais emotivas e hipersensíveis a estímulos sem o cochilo", afirma a pesquisadora. Isso porque elas não consolidaram sua bagagem emocional prévia. Spencer acredita que o cochilo também ajuda a processar as emoções em adultos, embora não na mesma intensidade. Um adulto tem um hipocampo mais maduro, e portanto tem maior habilidade de controlar as emoções. Isso ocorre até certo ponto, no entanto. A pesquisa de Spencer relacionada à idade sugere que "é preciso consolidar as memórias com mais frequência à medida que se envelhece, porque pode ocorrer uma degeneração do armazenamento do hipocampo com o envelhecimento". Curiosamente, adultos mais velhos mostram uma tendência mais positiva em relação às memórias enquanto os mais jovens tendem ao lado negativo. Isso deve ocorrer porque focar em experiências negativas é uma forma de aprendizado para crianças e adolescentes: dos perigos do fogo aos riscos de aceitar uma bebida de um estranho. Porém, quando envelhecem, as pessoas priorizam as memórias positivas. Elas também têm menos sono REM - que costuma consolidar as memórias negativas, especialmente em pessoas com depressão. Usos terapêuticos Pesquisadores miram no potencial do sono para tratar o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Há experiências tanto com o chamado sonho lúcido (quando você sabe que está sonhando) como com uma simples noite de sono: um estudo sugere que dormir em até 24 horas depois de uma experiência traumática pode tornar a memória menos angustiante nos dias subsequentes. Para pessoas com ansiedade, a terapia do sono também pode ajudar a eliminar o medo. Mas se dormir pode ser uma técnica útil para se recuperar de experiências intensas, isto parece não ser o caso de pessoas com depressão. Por isso, está se tornando mais comum entre pacientes a terapia na qual as pessoas deliberadamente são privadas do sono. Ela não funciona em todos os casos, mas em alguns parece ter um efeito sobre o sistema circadiano, que está propenso a desacelerar em pessoas com depressão. Com isso, a ausência de sono em alguns casos pode ter um efeito protetor. Ou seja, evitar o sono REM pode ser uma estratégia benéfica para atrapalhar a habilidade cerebral de consolidar memórias emocionais. "Há várias evidências de que as pessoas com sono REM mais duradouro tendem a sofrer mais de depressão", afirma Durrant. Ele acredita que isso ocorra porque um determinado grupo de pessoas com depressão tende a reconsolidar memórias negativas durante o sono REM. Por que a falta de sono ajuda a equilibrar o estado emocional de algumas pessoas com trauma e depressão, mas não todas? Um novo trabalho de Durran e seus colegas sugere que a diferença pode ter fatores genéticos. Um gene em particular, o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), parece relevante à consolidação da memória durante o sono. Novas pesquisas sugerem que as pessoas que têm uma mutação do BDNF são vulneráveis à maior circulação de memórias negativas durante o sono. Essas pessoas podem ter melhores resultados indo dormir cedo e acordando muito cedo para reduzir a duração do sono REM. Pela mesma razão, Durrant também recomenda a elas um cochilo durante o dia. "Não acho que vamos resolver isto nesta vida", afirma Spencer sobre potenciais aplicações clínicas das terapias do sono. Mas o que está claro é que certas tomadas de decisão melhoram após o sono, em parte pela forma como o sono controla as emoções. Bolinger é clara: para a maior parte das pessoas, "o sono ajuda a se sentir melhor". Portanto, a melhor prescrição para um coração partido ou uma confusão mental pode ser dormir.

09/11 - 2018


Dissertação e cadeira de rodas de Stephen Hawking são leiloadas por mais de R$ 4 milhões



Famoso por seu trabalho sobre as origens do universo, Hawking morreu em março aos 76 anos. Livro com assinatura de Stephen Hawkings foi leiloado REUTERS/Toby Melville Uma cadeira de rodas motorizada usada pelo físico britânico Stephen Hawking foi vendida em um leilão na quinta-feira (8) por quase 300 mil libras (cerca de R$ 1.463.950), e uma dissertação dele obteve quase o dobro deste valor em um leilão de arrecadação para uma instituição de caridade. Somadas, a dissertação e a cadeira de rodas foram vendidas por cerca de R$ 4.317.490. Famoso por seu trabalho sobre as origens do universo, Hawking morreu em março aos 76 anos, depois de passar a maior parte da vida confinado a uma cadeira de rodas por sofrer de esclerose lateral amiotrófica. Alguns de seus pertences, como ensaios, prêmios, medalhas e uma cópia de seu livro "Uma Breve História do Tempo", assinada com sua impressão de polegar, foram vendidos pela internet na quinta-feira, assim como cartas e manuscritos de autoria de Isaac Newton, Charles Darwin e Albert Einstein. A dissertação de 117 páginas "Propriedades dos universos em expansão", de 1965, foi arrematada por 584.750 libras (R$ 2.864.040), bem mais do que a estimativa de 150 mil libras. Prêmios e medalhas foram comprados por 296.750 libras (R$ 1.453.450), tendo sido estimados em 15 mil libras, e uma cadeira de rodas motorizada vermelha saiu por 296.750 libras (R$ 1.453.450), também tendo sido estimada em 15 mil libras. A casa de leilões Christie's realizou o leilão virtual de nove dias batizado de "Nos Ombros de Gigantes" para arrecadar fundos para a Fundação Stephen Hawking e a Associação de Esclerose Lateral Amiotrófica. Ela também ofereceu aos fãs do físico, que falava com um sintetizador de voz eletrônico, uma chance de adquirir algumas de suas posses. "Stephen Hawking era uma grande personalidade mundial. Ele tinha uma habilidade incrível para se conectar com as pessoas", disse Thomas Venning, chefe do departamento de livros e manuscritos da casa de leilões Christie's de Londres, à Reuters antes do evento. Cadeira de rodas usada por Stephen Hawking foi leiloada REUTERS/Toby Melville

09/11 - 2018


Vacina contra gonorreia pode estar próxima, dizem pesquisadores



Cientistas mapearam proteínas das bactérias causadoras da doença. Micróbio causador da doença é considerado resistente aos remédios existentes para tratamento. A gonorreia é causada pela bacteria Neisseria CNRI/SCIENCE PHOTO LIBRARY Uma vacina contra a gonorreia pode estar mais próxima, segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon. Em um estudo, eles conseguiram mapear as proteínas de diferentes cepas das bactérias causadoras da doença e se aproximaram tanto de uma vacina quanto de entender por que estas bactérias são tão boas em combater os remédios existentes para o tratamento. As descobertas, publicadas na revista científica "Molomular and Cellular Proteomics", são especialmente importantes, uma vez que o micróbio, Neisseria gonorrhoeae, é considerado uma "superbactéria" devido à sua resistência a todas as classes de antibióticos disponíveis para o tratamento de infecções. A gonorreia, uma doença sexualmente transmissível que resulta em 78 milhões de novos casos em todo o mundo a cada ano, é altamente prejudicial se não tratada ou tratada indevidamente. Pode levar a endometrite, doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, epididimite e infertilidade. Bebês nascidos de mães infectadas estão em maior risco de cegueira. Até 50% das mulheres infectadas não apresentam sintomas, mas os casos assintomáticos ainda podem levar a consequências graves para a saúde reprodutiva do paciente, aborto espontâneo ou parto prematuro. O estudo Aleksandra Sikora, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da Universidade Estadual do Oregon, ajudou a liderar uma colaboração internacional que realizou perfis proteômicos- todas as proteínas produzidas por qualquer organismo- de 15 cepas gonocócicas. Entre os isolados do estudo estavam as cepas de referência mantidas pela Organização Mundial de Saúde, que mostram todos os perfis conhecidos de resistência antimicrobiana gonocócica. Como funciona a vacina? Os pesquisadores encontraram mais de 1.600 proteínas comuns entre as cepas e, a partir delas, nove novas vacinas candidatas foram identificadas. Uma vacina funciona através da introdução de uma proteína "invasora", conhecida como um antígeno, que aciona o sistema imunológico do corpo e, posteriormente, ajuda a reconhecer e atacar rapidamente o organismo que produziu o antígeno. Os pesquisadores também encontraram seis novas proteínas que foram expressas de forma distinta em todas as cepas, sugerindo que são marcadores ou desempenham papéis na resistência a drogas e, portanto, podem ser alvos eficazes para novos medicamentos. Além disso, os cientistas analisaram a conexão entre o fenótipo bacteriano - as características e comportamento observáveis ​​dos micróbios - e as assinaturas de resistência que o estudo das proteínas revelou. Eles encontraram sete agrupamentos fenotípicos correspondentes entre assinaturas já conhecidas e aquelas descobertas por análise proteômica. Juntas, as descobertas representam um passo fundamental em direção a novas armas na luta contra um patógeno implacável e em constante evolução. Criamos um banco de dados de proteômica de referência para pesquisadores que examinam vacinas gonocócicas e também resistência antimicrobiana As descobertas acrescentam novo impulso a uma pesquisa de vacinas que também recebeu um impulso no verão de 2017, quando um estudo na Nova Zelândia mostrou que pacientes que receberam a vacina meningocócica B com vesícula de membrana externa eram 30% menos propensos a contrair gonorreia do que aqueles que não receberam a vacina. "Todos os testes anteriores de vacinas falharam", disse Sikora. A gonorréia e a meningite meningocócica têm diferentes meios de transmissão e causam diferentes problemas no organismo, mas seus patógenos-fonte são parentes genéticos próximos.

09/11 - 2018


Diagnóstico sobre perda de biodiversidade alerta para o impacto disso na vida humana



Não será por falta de informações de alta qualidade que os tomadores de decisão vão naufragar diante da necessidade de se proteger uma das maiores riquezas que o Brasil tem, a biodiversidade. Passei parte da manhã de ontem (8), numa das salas do Museu do Amanhã, onde houve o lançamento, para a imprensa, do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade & Serviços Ecossistêmicos da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES). A ideia do grupo de mais de 120 pesquisadores, ao juntarem conhecimentos já existentes num único relatório, foi auxiliar os que fazem as leis e decidem pela maioria, com subsídios importantes que deveriam estar na mesa de debates a cada nova medida provisória ou projeto de lei. Gostei bastante ao perceber que o diagnóstico pontuou, acima de qualquer coisa, o bem estar dos seres humanos, mostrando como dependemos, para uma boa convivência no planeta, da conservação da biodiversidade. Foi bom também notar que o documento, resultado de três anos de estudos, deu espaço amplo para a diversidade cultural, mostrando que vivemos numa nação multicultural, onde nada menos do que cinco milhões de pessoas estão em comunidades tradicionais, ocupando ¼ do território nacional. São 305 etnias, 274 línguas faladas. Não dá para esquecer isto, sob pena de se criar falsas soluções para falsos problemas. Ao mesmo tempo, o diagnóstico mostra que, das 141 culturas agrícolas brasileiras, 85 dependem da polinização por animais, o que se chama de serviços ecossistêmicos, aqueles prestados pela natureza. Os porta-vozes da Plataforma que apresentaram o documento à imprensa no evento de ontem foram o biólogo Carlos Alfredo Joly, coordenador da BPBES; o engenheiro florestal e professor Fabio Rubio Scarano e Mercedes Bustamante, mestre em ciências agrárias e referência no bioma Cerrado. O objetivo do estudo é direto: gerar conhecimento para conseguir – ao menos, eu diria – que se cumpram as leis aqui no Brasil. E, em cinco capítulos, estará disponível na íntegra no endereço da Plataforma. A crise econômica e institucional que vem se perpetuando no país aumenta os riscos da biodiversidade, com perda da produtividade agrícola, aumento da vulnerabilidade a desastres naturais, disseminação de doenças e seus vetores, perda de cobertura de vegetação nativa e aumento das invasões biológicas. A lista de ações sugeridas, que o relatório chama de “novas oportunidades”, não é pequena, tampouco irrelevante. É preciso, com urgência, reduzir a pobreza e a desigualdade, valorizar os produtos nacionais, gerar mais emprego e renda, pensar num desenvolvimento social e econômico que leve em conta tudo isso e prestar atenção à liderança ambiental global. Há muito mais conteúdo no relatório, que não pretendeu trazer nenhuma grande novidade, mas alertar a sociedade para questões que já estão perdendo prazo para serem solucionadas. Após a explanação, quando foi dado espaço para os jornalistas fazerem perguntas, e depois de tantas notícias claras que tornaram ainda mais óbvia a importância que a biodiversidade tem para a humanidade, uma questão recorrente pairava em meus pensamentos. Já explico. Daqui a uma semana, no dia 17, começa a 14ª Convenção da Diversidade Biológica (COP 14) no Egito, onde se debate e faz acordos visando à repartição justa e equitativa dos recursos genéticos para que se possa impactar cada vez menos a biodiversidade. Ocorre que o Brasil não estará lá porque o Congresso não ratificou o Protocolo de Nagoya, um acordo internacional criado para dar mais segurança a todos que vivem diretamente de extrair bens da natureza, para que se faça isso de forma mais justa e equitativa. A nação mais rica em biodiversidade do planeta, no entanto, está excluída de decisões internacionais sobre o tema. “Quando o país se nega a ratificar este Protocolo ele fica dependente de outros países que o fizeram. Estava muito bem encaminhado para a ratificação, mas não aconteceu. Ainda há tempo, claro, mas quanto mais tarde fica, mais difícil fica participar do processo de decisão. Nos deixa sem voz num assunto que é central para o Brasil. Precisamos dialogar com o novo Congresso e construir esta agenda”, respondeu-me Mercedes Bustamante. Carlos Alberto Joly, que acompanhou diretamente as negociações para a assinatura do Tratado, disse que foi criada uma comissão, à época da assinatura, para empurrar à frente a ratificação. É só depois da ratificação que, de fato, o país se compromete com um tratado internacional. Só que a tal comissão não se reuniu uma única vez. “Acho um erro a não ratificação. Há uma oposição por parte de alguns setores, como o agronegócio e a indústria, com relação a algumas áreas cinzas que existem no Protocolo. Ratificando-o, porém, teríamos muito a ganhar. Espero que isto se modifique e entendo que o relatório que estamos divulgando hoje pode ajudar”, disse ele. Neste momento, em que um novo governo se organiza, existem riscos... e - como gostam de falar aqueles mais otimistas... - oportunidades. O meio ambiente, num governo que está sendo pressionado para fazer tantas mudanças a fim de “desenvolver o país”, começa a ser encarado como uma fonte de lucro apenas. O que vem sendo chamado de “ideologização” são cuidados necessários para que se consiga o que Bustamante chama de “ética entre gerações”, ou seja, não destruir tudo sem pensar que as pessoas que estão nascendo hoje, por exemplo, precisarão respirar, beber água e comer alimentos saudáveis sem substâncias que lhes causarão doenças. Gosto de pensar, como lembrou Bustamante, que como vivemos num regime democrático, a sociedade civil pode pegar o bastão. “Política pública não é só governo. Tem um aspecto de governança também. Parece que a esplanada dos ministérios está em outra dimensão, longe dos estados e municípios. Muitas das questões ambientais acabam desaguando nas cidades”, disse ela. O diagnóstico apresentado pela Plataforma ontem é o primeiro, virão outros. A torcida é para que os tomadores de decisão não os julguem como retórica inútil, porque não são. É preciso respeitar conhecimentos e pensar num dia depois de amanhã quando estamos tratando de questões tão sérias quanto a vida. É, no fim das contas, do que se trata a biodiversidade. Amélia Gonzalez Arte/G1

09/11 - 2018


'Quase metade dos países tem nascimentos insuficientes para evitar declínio da população'



Queda na taxa de fecundidade está levando à redução da natalidade, o que quer dizer que não há crianças suficientes para manter o tamanho da população. Há um declínio significativo a nível global no número de novos nascimentos. A tendência de queda na taxa de fecundidade está levando à redução significativa da natalidade em quase metade dos países, abaixo do chamado nível de reposição - indicando que o volume de filhos por família é insuficiente para manter o tamanho da população nesses locais. É o que mostra uma análise do estudo Fardo Global das Doenças 2017 (GBD, na sigla em inglês), publicado na revista científica Lancet. Os pesquisadores afirmam que a descoberta foi uma "grande surpresa" e que haveria profundas consequências para as sociedades com "mais avós do que netos". Qual o tamanho da queda? O estudo acompanhou a evolução da taxa de fecundidade em 195 países e territórios de 1950 a 2017. Em 1950, as mulheres tinham em média 4,7 filhos durante a vida. A taxa de fecundidade diminuiu pela metade, chegando a 2,4 filhos por mulher no ano passado. Mas isso mascara uma grande variação entre os países. A taxa de fertilidade no Níger, na África ocidental, por exemplo, é de 7,1, mas na ilha de Chipre, no Mediterrâneo, as mulheres têm um filho em média. No Brasil, o índice é de 1,8. Quão alta a taxa de fertilidade tem que ser? Sempre que a taxa de fecundidade média de um país cair abaixo de aproximadamente 2,1, as populações vão acabar encolhendo (esse processo é acelerado em países com altas taxas de mortalidade na infância). No início do estudo, em 1950, não havia nenhuma nação nessa situação. "Chegamos neste momento crítico em que metade dos países apresenta taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, então, se nada acontecer, as populações desses países vão entrar em declínio", afirma Christopher Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. "É uma transição considerável." "A ideia de que estamos falando de metade dos países do mundo é uma surpresa até para pessoas como eu, e será uma grande surpresa para muita gente", completa. Que países são afetados? Os países mais desenvolvidos economicamente, incluindo a maior parte da Europa, os EUA, a Coreia do Sul e a Austrália, têm taxas de fecundidade mais baixas. Isso não significa que o número de pessoas que vivem nesses países esteja caindo, pelo menos ainda não, já que o tamanho de uma população é uma mistura da taxa de fecundidade, de mortalidade e migração. Além disso, pode levar uma geração até que as mudanças na taxa de fecundidade se estabeleçam. Murray pondera, contudo, que "em breve vamos chegar a um ponto em que as sociedades vão se deparar com uma população em declínio". Além disso, a tendência é que os países que ainda estão conseguindo manter o ritmo de crescimento populacional também assistam a uma redução maior da taxa de fertilidade, à medida que avançam economicamente. 'Em breve vamos chegar a um ponto em que as sociedades vão se deparar com uma população em declínio', diz pesquisador Unsplash Por que a taxa de fecundidade está caindo? A queda na taxa de fertilidade não se deve à contagem de espermatozoides ou a qualquer fator que normalmente vem à mente quando pensamos em fertilidade. Em vez disso, a redução está associada principalmente a dois fatores - maior acesso das mulheres a educação, com consequente maior participação no mercado de trabalho, e maior acesso a métodos contraceptivos. Qual será o impacto? Se não houver imigração, os países vão enfrentar o envelhecimento e o encolhimento de suas populações. George Leeson, diretor do Instituto de Envelhecimento Populacional de Oxford, no Reino Unido, diz que não precisa ser algo negativo, desde que toda a sociedade se ajuste à grande mudança demográfica. "A demografia tem impacto em todos os aspectos de nossas vidas, basta olhar pela janela para as pessoas nas ruas, para as casas, para o trânsito, para o consumo, tudo é impulsionado pela demografia", disse à BBC. "Tudo o que planejamos não é apenas impulsionado pelos números da população, mas também por sua estrutura etária, e isso está mudando. Então fundamentalmente não temos a cabeça voltada para isso." Ele acha que os locais de trabalho vão ter que mudar e até mesmo a ideia de se aposentar aos 68 anos, idade para aposentadoria no Reino Unido, será insustentável. Segundo o relatório, os países afetados vão precisar considerar o aumento da imigração, que pode vir acompanhada de outras questões, ou introduzir políticas para encorajar as mulheres a terem mais filhos, que muitas vezes fracassam. "Pelas tendências atuais, haverá poucas crianças e muitas pessoas com mais de 65 anos, e isso é muito difícil para sustentar a sociedade global", argumenta Murray, autor do relatório. "Pense em todas as profundas consequências sociais e econômicas de uma sociedade estruturada assim, com mais avós do que netos." "Eu acho que o Japão está muito ciente disso, eles estão enfrentando o declínio da população, mas não acho que esse pensamento tenha atingido muitos países no Ocidente, porque a baixa fecundidade foi compensada com a imigração." "Mas, em nível global, a migração não é solução." E a China? A China vive um enorme crescimento populacional desde 1950, passando de cerca de meio bilhão de habitantes para 1,4 bilhão. Mas também se vê diante do desafio da queda na taxa de fecundidade, que era de apenas 1,5 em 2017, e recentemente abandonou sua famosa política do filho único (criada para reduzir o crescimento populacional). No país, segundo o relatório, a proporção de nascimentos de meninos é significativamente maior do que na maioria dos países - para cada 100 meninas nascidas, há 117 meninos. Para os autores, os números podem sinalizar "abortos seletivos, motivados pelo sexo do bebê, e até mesmo a possibilidade de infanticídio feminino".

09/11 - 2018


Oumuamua, o asteroide visitante



Oumuamua JPL/Nasa Então, essa semana nós ficamos sabendo que a Terra teria sido visitada por uma nave espacial alienígena. Dois eminentes astrônomos de Harvard anunciaram em um artigo científico que o asteroide 1I/2017 U1, mais conhecido como Oumuamua (mensageiro, em língua nativa havaiana) que passou a 30 milhões de km da Terra e atualmente está deixando o Sistema Solar não era um asteroide, mas sim uma nave espacial. Um artefato alienígena capaz de viajar pelo espaço movido pelo empurrão da luz das estrelas. O rebuliço causado por essa revelação foi intenso, e ainda continua reverberando, mas será que é isso mesmo? Porque está publicado então é isso mesmo? Vem comigo que eu explico. O asteroide Oumuamua foi descoberto em 2017 por Robert Weryk usando o observatório PANSTARS em Haleakala, Havaí. Esse observatório faz parte da rede de monitoramento do céu que cataloga asteroides buscando aqueles possam trazer algum risco de colisão. Depois de descoberto, um alerta foi enviado à vários pesquisadores cadastrados na rede de com alguns elementos de sua órbita já conhecidos. Foi aí que se percebeu que tinha algo, digamos, diferente nele. Ele vinha muito rápido, com uma velocidade em torno de 110 mil km/h. Também vinha de uma direção pouco comum para os asteroides. Ele entrou fazendo um ângulo de quase 90 graus com o plano da eclíptica, o plano onde se alinham as órbitas dos planetas. Juntando as duas informações, ficou evidente que a origem do objeto não poderia ser a Nuvem de Oort, o reservatório de cometas de longo período do Sistema Solar. Outro fato que ajudava nessa certeza de sua origem era o fato de que ele não exibia uma cauda como os cometas. Um asteroide quase não tem água ou materiais voláteis, ao contrário dos objetos de vêm da Nuvem de Oort, ou mesmo do Cinturão de Kuiper, o reservatório de cometas de curto período. Ou seja, ele teria mesmo que vir de fora do nosso sistema planetário. Essa sempre foi uma possibilidade muito aguardada pelos astrônomos. Receber e estudar um objeto vindo de outro sistema estelar. O problema é que a gente não estava preparado para tão ilustre visitante. Só conseguimos estudá-lo daqui da Terra mesmo. Ou com o Hubble, o que dá quase na mesma. Ainda não temos capacidade de resposta tão rápida (e talvez de tecnologia também) a ponto de lançar uma sonda para ao menos passar a poucos quilômetros do asteroide para estuda-lo em detalhes. Mas com nossos equipamentos conseguimos alguns resultados interessantes. Por exemplo: sabemos que os milhões de anos vagando pelo espaço sendo bombardeado por raios cósmicos o deixaram com uma crosta avermelhada. Sabemos também que ele é alongado como um charuto, a proporção comprimento/largura é algo como 10 para 1, ou seja, ele é 10x mais comprido do que largo. Outra coisa é sua rotação bizarra. Ele gira no sentido do seu comprimento além de rodar para o lado. Esse é um comportamento típico de objeto que tenha sofrido uma colisão. Mesmo tendo passado a apenas 30 milhões de km, um quinto da distância Sol-Terra, não pudemos ver nenhum detalhe de sua superfície, mas estudos cuidadosos das imagens não mostraram nenhuma emissão de gás ou mesmo poeira, mostrando que o bicho não poderia ser cometa mesmo. Mas a treta começou por outros motivos. Sempre que se tentava observar o Oumumua, os cálculos de suas coordenadas nunca batiam com sua posição no céu; ele sempre estava mais adiantado. Quando um objeto entra no Sistema Solar ele é acelerado pela gravidade do Sol, e, ao passar pelo periélio, a menor distância entre o objeto e o Sol, ele pega o caminho de saída do sistema. Aí o papel da gravidade é o de desacelerar o objeto. Sua velocidade vai caindo gradativamente até que o cometa ou o asteroide volte para o espaço profundo, em geral, com a mesma velocidade com que entrou. Órbita do Oumuamua JPL/Nasa Só que com o Oumuamua a história está diferente: ele sempre está mais adiantado que o esperado, ou seja, ele vai mais rápido do que o previsto. Isso significa que ou ele não está desacelerando de acordo com a teoria, ou tem alguma coisa acelerando-o. Como a primeira opção é impossível, pois a gravidade de Newton já foi testada e aprovada em escalas muito maiores do que o Sistema Solar, tem que ser a segunda opção. De fato, alguns fatores podem mesmo ser responsáveis por dar um empurrão em objetos no espaço. Por exemplo, jatos de gás podem empurrar e até fazer o núcleo de um cometa girar. A própria luz do Sol pode empurrar um objeto no espaço. Quando a luz (ou qualquer radiação) atinge um objeto, ela o empurra levemente — mas levemente mesmo: é a chamada pressão de radiação. Só que, no espaço, esse leve empurrão pode ser percebido ao longo do tempo e faz mesmo os objetos desviarem de seu comportamento esperado. Veja o caso do recém-aposentado telescópio espacial Kepler: quando uma de suas rodas de inércia pifou definitivamente, o que daria um fim ao seu sistema de posicionamento, a Nasa conseguiu dar uma sobrevida a ele usando apenas 2 rodas e a luz do Sol para mantê-lo na posição desejada. A pressão da luz solar conseguia manter o Kepler estável, sempre apontado na direção desejada com um leve, mas contínuo, empurrão solar. Isso tudo foi levado em conta na história do Oumuamua, mas ainda assim as contas nunca fechavam. Nesta hora é que entram Shmuel Bialy e Abraham Loeb, do Centro de Astrofísica de Harvard. Segundo a dupla, Oumuamua é um artefato construído por seres de outro sistema estelar para cruzar o espaço aproveitando a luz das estrelas para empurrá-lo, ou seja, um clássico veleiro estelar! Bialy e Loeb passam o artigo inteiro discutindo a origem da tal da aceleração “anômala” e que tipo de objeto natural poderia aproveitar tão bem esse empurrãozinho. Somente na conclusão do trabalho é que eles sugerem que só um objeto construído e mandado deliberadamente para o espaço na rota observada para o Oumuamua poderia se encaixar nas características observadas. Atá. Depois de ler o artigo, eu fiquei com a certeza de que, se eu tivesse escrito aquilo, nunca seria publicado. Eu ou qualquer outro astrônomo de um país menos influente, por assim dizer, que os EUA. Bialy e Loeb, apesar de computar o efeito do empurrão da luz solar, esqueceram de computar o efeito do aquecimento dela. É bem sabido que o Sol esquenta a face do objeto que está virado para ele e quando gira fazendo a parte quente ficar na sombra, essa face emite o calor de volta para o espaço. Isso também gera um impulso leve no objeto. Pequeno, mas suficiente para alterar uma órbita ao longo do tempo. Esse efeito é chamado de efeito Yarkovsky. Ele é bem complicado de se calcular, pois exige que saibamos os coeficientes de absorção (e de emissão) do objeto, a área iluminada, a massa total do objeto e suas dimensões, entre outras coisas, mas é algo real e mensurável. Esqueceram também que isso já foi observado antes nas sondas Pioneer e Voyager. O caso ficou conhecido como a gravidade anômala da Pioneer 11, que insistia em estar à frente de sua posição esperada, tal qual Oumuamua. Esse é um problema que sempre atiçou minha curiosidade e procurei muita coisa a respeito. Li um trabalho recentemente que dizia que a melhor explicação estava realmente no efeito Yarkovsky, mas que era impossível calculá-lo com precisão. Cada parte das naves tem um formato e composição diferentes, absorvendo e emitindo calor de forma diferente, sem mencionar o calor que se propaga para dentro da nave. É simplesmente impossível modelar e calcular a contribuição de cada peça. Veja que ninguém quis usar isso para dizer que era um raio trator alienígena puxando as naves para as profundezas do espaço. Eu não sou um estraga prazer ranheta que fica reclamando do trabalho dos outros. Eu adoraria que o Oumuamua fosse mesmo um artefato construído para estudar a galáxia e tivesse passado por aqui — mas como dizia Carl Sagan: “afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias” e neste caso está tudo muito fraco. O objeto foi monitorado também em rádio para saber se havia alguma emissão suspeita e nada, até o limite da radiação emitida por um aparelho de celular, nada foi detectado. Na boa, tá difícil de engolir. E então por que a dupla de Harvard fez um negócio desses? Bom, difícil dizer. Alguns cientistas gostam de causar tumulto no meio acadêmico com a intenção de começar ou incendiar uma discussão. Isso não é de todo ruim, mas às vezes pode dar um rebu que em nada ajuda no progresso da ideia, tipo agora. Tem outra coisa tão importante quanto o efeito Yarkovsky que ninguém está levando em consideração. Loeb é o presidente do conselho consultivo e diretor de teoria científica do Breakthrough Initiatives, bem como da Fundação que confere um prêmio de mesmo nome. E o que isso tem a ver? Quase nada: essa iniciativa envolve um bilionário russo e teve até mesmo Stephen Hawking em seus quadros e uma de suas iniciativas é justamente construir uma frota de veleiros estelares aproveitando a luz do Sol e um laser de alta potência emitido da Terra para chegar em Alfa Centauri em 25-30 anos. Coincidência, né? Depois de tudo isso, me vem à cabeça aquela peça de Shakespeare: “Muito barulho por nada”. Não concorda? Cássio Barbosa é doutor e pós-doutor em astronomia. Arte/G1 Idade estimada para Oumuamua afasta 'hipótese alienígena', dizem astrofísicos brasileiros

09/11 - 2018


Pesquisa da Unicamp identifica casos de overdose por droga sintética mais forte que MDMA



Estudo identificou substância 'N-etilpentilona' e faz alerta sobre efeitos. PF indica áreas de circulação e diz que ela foi 2ª mais detectada entre drogas sintéticas apreendidas em 2017. Pesquisadores da Unicamp identificam droga sintética com efeitos devastadores Pesquisadores da Unicamp descobriram casos de intoxicação e overdose provocados por uma nova droga sintética que contém a substância N-etilpentilona, também conhecida como efilona. Usada como se fosse ecstasy, sobretudo em festas, ela circula em comprimidos semelhantes, tem poder estimulante, mas produz efeitos diferentes que podem resultar na morte dos usuários. Os trabalhos são conduzidos na universidade por meio do Laboratório de Toxicologia Analítica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox). Durante os estudos, foram analisados sangue e urina de seis pacientes que ingeriram superdosagem de drogas sintéticas e, em todos os casos, a substância nova foi identificada. Veja, abaixo, balanço da Polícia Federal. "Ela vai provocar principalmente o aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, e isso desencadeia principalmente infarto agudo do miocárdio e, no caso mais grave assim, a gente observa também o acidente vascular cerebral [AVC]", explica o farmacêutico Rafael Lanaro. O farmacêutico Rafael Lanaro, da Unicamp Reprodução / EPTV As pesquisas tiveram início em 2017 e, como a droga era desconhecida, os cientistas precisaram desenvolver uma metodologia para identificar a substância. As análises de sangue mostraram que pequenas quantidades são suficientes para provocar danos no organismo. Um dos seis pacientes morreu, enquanto o outro está em estado vegetativo por causa das sequelas de um AVC. "É um dos fatores que é considerado possivelmente uma droga mais potente que o MDMA [...] Vai atuar no sistema de dopamina, responsável pelo efeito estimulante, o estado de agressividade. O ecstasy ele atua mais no sistema nervoso central, tendo efeito mais de alucinação", conta Lanaro. Um professor atualmente em tratamento para desintoxicação contou à reportagem ter consumido drogas sintéticas por dez anos e admitiu que, em muitas das vezes, desconhecia os produtos. "Já estamos às vezes sob o efeito de álcool e qualquer coisa que venha a surgir, né? Com a facilidade de ingerir, a gente acaba ingerindo. Sem mesmo ver nem saber o que está usando" lamenta. Droga sintética apresenta substância N-etilpentilona Reprodução / EPTV Ações da PF Dados fornecidos pela Polícia Federal à EPTV indicam que a N-etilpentilona foi a segunda substância mais detectada entre as drogas sintéticas em 2017. A circulação foi identificada no anterior, de acordo com a instituição, também constam casos na Europa e Estados Unidos. "Foram 816 comprimidos e 29,5 kg de cristais apreendidos pela Polícia Federal e periciados em 2017", diz nota da PF ao mencionar que o montante supera o dobro da quantidade de cristais de MDMA (droga sintética mais identificada) apreendidos e que passaram por perícia no período. As principais apreensões ocorreram nas regiões Sudeste e Sul do país, incluindo cidades como Campinas (SP), Itajaí (SC) e Curitiba (PR). "Também foi a substância mais encontrada em misturas feitas com outras DS [drogas sintéticas] comercializadas no mercado ilícito", destaca a polícia. 212 unidades no Deinter-2 Na região do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter-2), que abrange a região de Campinas, as seccionais subordinadas registraram ocorrências relacionadas a tal tipo de droga nas unidades de Bragança Paulista (SP) e Serra Negra (SP). Foram quatro casos em 2017 e um caso em 2018, totalizando 212 unidades da substância. Comunicação Diante dos resultados, o CIATox resolveu fazer um comunicado em rede social para alertar sobre os sintomas aos usuários, que muitas vezes usam drogas sem conhecer a presença da N-etilpentilona. "A gente alerta os médicos sobre quando atenderem casos de pacientes com drogas sintéticas, jamais ir pela via clássica, achando que é uma substância. Podem ser substâncias novas, nesse caso a etilpentilona, então ele tem que ter um cuidado a mais com esse paciente para poder ser identificada essa substância e como tratar essas intoxicações para drogas novas", conclui Lanaro. Estudo da Unicamp teve início no ano passado Reprodução / EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas.

09/11 - 2018


Pesquisadora brasileira usa terapia gênica em busca de novo tratamento contra o glaucoma


Pesquisa já verificou que a injeção de material genético de um vírus levou a uma mudança positiva dentro das células e uma melhoria no quadro de até 90% em ratos. A terapia gênica, conhecida por seu potencial em pesquisas contra o câncer, ainda é uma tecnologia de difícil acesso no Brasil e na América Latina. A pesquisadora Hilda Petrs Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é uma das poucas cientistas no país que estuda a aplicação das novas técnicas de edição para tratamentos de doenças. No futuro, ela quer ter a chance de criar um novo remédio contra o glaucoma. O trabalho da pesquisadora foi apresentado no encontro da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe) em setembro. Como funciona a pesquisa? Hilda detectou uma proteína que acaba desaparecendo do núcleo das células quando elas são atingidas por doenças como o glaucoma; Ela modificou o material genético de um vírus e injetou dentro dele a sequência da proteína; O vírus é injetado em modelos criados por ela que simulam a doença; Ele funciona como um vetor e vai até a célula: injeta o material genético dentro dela; A pesquisa notou uma retomada dentro das células e uma melhoria do quadro de até 90% em ratos. No Brasil, o G1 já mostrou o uso de terapias gênicas e projetos principalmente ligados ao câncer. Esse tipo de tratamento, onde a modificação do material genético é usado como uma das ferramentas para tratar doenças, é alvo de pesquisas em diferentes países do mundo, mas mais de 60% dos estudos estão concentrados nos Estados Unidos. A tecnologia, que usa de um vírus para transportar um material dentro do corpo humano, é a mesma usada no remédio mais caro do mundo, o Luxturna, desenvolvido por pesquisadores americanos. O medicamento foi aprovado pela FDA, órgão similar à Anvisa, no início deste ano. O custo é de US$ 850 mil (R$ 3,5 milhões). A dose é única e fez crianças com cegueira hereditária recuperarem a visão nos Estados Unidos. “Ele é o remédio mais caro mundo, mas tem dois motivos. Primeiro, uma doença como a cegueira hereditária tem poucos pacientes. Segundo, é uma terapia de dose única. Não é um medicamento para tomar pro resto da vida. E isso não é vantagem para a indústria” - Hilda Petrs Silva, pesquisadora da UFRJ Ela avalia que, no caso da criação de um medicamento para o glaucoma para o Brasil, uma terapia de dose única poderia funcionar como uma política no Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir custos. Como o número de casos da doença no Brasil chega a 1 milhão - representa 12% dos casos de cegueira no país, segundo a Organização Mundial da Saúde - há maior chance de o medicamento idealizado por Hilda ser mais aplicável a nossa realidade. Segurança do vírus Para conseguir aprender como usar o mecanismo de um vírus para a terapia, Hilda viajou para os Estados Unidos, especificamente até a Universidade da Flórida, e conseguiu uma parceria para aprender a aplicar a técnica em suas pesquisas. Depois disso, segundo ela, todo o processo de testes e de criação de modelos oculares foi feito no Brasil. “Eu fui pra lá e fiquei dois anos. Justamente para aprender toda a parte de manipulação de animal e a perspectiva de como a pesquisa chegaria até o paciente”, contou. Para garantir que o vírus não vá causar problemas, ela retira o material genético viral que poderia agir de forma negativa no corpo humano. “Quem leva gene para dentro da célula é vírus. Então, muito tempo atrás nos primeiros relatos de terapia genética já se acreditava que seria com a ajuda de um vírus”. “A gente pega o material genético do vírus e manipula. A gente tira tudo o que é viral e coloca tudo o que a gente quer lá dentro”, completou a pesquisadora. Ela explica que mantém apenas as proteínas virais de replicação, responsáveis por fazer o trabalho de interesse do vírus, mas que não representam um risco à saúde de quem recebe a terapia. Daqui para a frente, a pesquisadora busca parcerias para iniciar pesquisas em animais maiores. A ideia é fazer testes em porcos, que possuem os olhos mais parecidos com os dos humanos, para conseguir trazer resultados mais seguros.

08/11 - 2018


Taxa de tabagismo atinge nível mais baixo da história nos EUA



Em 2017, 14% dos americanos fumavam - número caiu em relação ao ano anterior, quando o índice era de 15,5%. Número de jovens adultos fumantes também declinou. 14% da população americana fumava em 2017 Ralf Kunze/Pixabay O cigarro está perdendo popularidade nos Estados Unidos, onde as autoridades de saúde anunciaram nesta quinta-feira (8) que apenas 14% da população atual fuma, o nível mais baixo já registrado no país. Cerca de 34 milhões de adultos americanos fumam cigarros, de acordo com uma pesquisa de 2017 dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. A taxa americana ainda é maior que a do Brasil: em 2016, segundo o Ministério da Saúde, 10,2% dos brasileiros fumavam. A taxa de fumantes de cigarros caiu de 15,5% em 2016 para 14% em 2017. A taxa atual representa um declínio de 67% desde 1965, ano em que o National Health Interview Survey (NHIS) começou a coletar dados anuais sobre fumantes, disse o relatório dos CDC. "Esta nova baixa histórica no consumo de cigarros entre os adultos dos EUA é uma tremenda conquista de saúde pública", disse o diretor dos CDC, Robert Redfield. O relatório do NHIS também destacou uma queda significativa no número de fumantes adultos jovens em 2017, em comparação com o ano anterior. Cerca de 10% dos americanos de entre 18 e 24 anos fumavam cigarros em 2017, em comparação com 13% em 2016. Enquanto isso, o uso de cigarros eletrônicos está aumentando rapidamente entre os jovens, e os reguladores dos EUA estão considerando proibir a nicotina aromatizada que é usada nos vaporizadores. Segundo os CDC, um em cada cinco adultos dos Estados Unidos (47 milhões de pessoas) ainda usa algum tipo de produto de tabaco – incluindo cigarros, charutos, cigarros eletrônicos, narguilé ou tabaco sem fumaça – uma taxa que se manteve estável nos últimos anos. O tabagismo ainda é a principal causa de morte e doenças evitáveis nos Estados Unidos, matando cerca de 480 mil americanos a cada ano. Cerca de 16 milhões de americanos sofrem de doenças relacionadas ao tabagismo. "Há mais de meio século, o tabagismo é a principal causa de mortalidade por câncer nos Estados Unidos", disse o diretor do Instituto Nacional do Câncer, Norman Sharpless. "Eliminar o tabagismo nos Estados Unidos eliminaria, com o tempo, cerca de um terço de todas as mortes por câncer".

08/11 - 2018


França cria polêmica com plano de reprodução assistida gratuita a mulheres solteiras



Entre 2 e 3 mil mulheres francesas recorrem a inseminação artifical em países vizinhos; parte da sociedade reclama de possíveis danos com falta de figura paterna e riscos de mercantilização da procriação. Projeto do governo francês quer legalizar reprodução assistida para mulheres solteiras e lésbicas, mas sociedade está dividida Reuters Um projeto do governo francês de legalizar a reprodução assistida para mulheres solteiras e lésbicas divide a classe política e a sociedade. O tema tem provocado debates sobre a falta da figura paterna na formação de uma família e a eventual "mercantilização da procriação" no país. A reprodução assistida para todas as mulheres, antiga reivindicação de ONGs que atuam na defesa dos direitos dos homossexuais, é uma promessa de campanha do presidente Emmanuel Macron. A medida faz parte do projeto de lei sobre a bioética, que revisará a legislação anterior, de 2011. O texto deve ser apresentado pelo governo no final de novembro. Atualmente, na França, apenas casais heterossexuais com problemas de fertilidade comprovados clinicamente têm direito à reprodução assistida, que pode ser realizada por meio de inseminação artificial ou fecundação in vitro. O governo já recebeu o sinal verde do Comitê Consultivo Nacional de Ética, que avaliou em um estudo que a autorização da reprodução assistida a todas as mulheres permitirá "remediar um sofrimento". O comitê ético ressaltou, no entanto, falta de acordo entre seus membros em relação às consequências, para uma criança, "da institucionalização da ausência do pai na diversidade da sua construção psíquica". As despesas com a reprodução assistida são cobertas pela Seguridade Social francesa. O projeto de lei deverá estender a gratuidade a todas as mulheres que recorrerem à técnica, chamada na França de PMA (Procriação Médica Assistida), o que também vem provocando debates. Atualmente, inúmeras francesas homossexuais ou solteiras viajam ao exterior para realizar procedimentos de reprodução assistida. Segundo estimativas do Conselho Nacional Consultivo de Ética, entre 2 e 3 mil mulheres francesas já teriam recorrido a uma inseminação artificial em outros países. Casamento gay entrou em vigor na França em 2013, garantindo a casais também o direito de adotar filhos Benoit Tessier/Reuters Há várias opções no continente europeu: países como Bélgica, Espanha, Reino Unido, Dinamarca, Holanda, Grécia e, mais recentemente, Portugal, já autorizam há anos a reprodução assistida para lésbicas e solteiras. Para os defensores da mudança da lei na França, a sociedade evoluiu e as famílias também são cada vez mais diversas. O casamento gay entrou em vigor no país em 2013, garantindo a esses casais também o direito de adotar filhos. "Se a lei autoriza as mulheres homossexuais a adotar, por que não poderiam ter filhos por reprodução assistida?", questiona o médico ginecologista Michael Grynberg. Segundo a associação SOS Homofobia, a medida permitiria acabar com anos de discriminação. A ampliação da reprodução assistida seria, para os apoiadores, uma maneira de permitir a igualdade de direitos, já que nem todas as mulheres têm condições financeiras para gastar milhares de euros realizando o procedimento médico no exterior. "Privar deliberadamente uma criança de um pai antes de sua concepção é causar um sofrimento para a vida toda", rebate Ludovine de la Rochère, presidente da associação ultraconservadora La Manif pour Tous. Esse grupo organizou, em 2012 e 2013, passeatas para lutar contra a legalização do casamento homossexual e se mobiliza atualmente, como a Alliance Vita, contra a mudança na lei de bioética. A extensão da reprodução assistida a todas as mulheres também era uma promessa do ex-presidente François Hollande. Mas ele abandonou a ideia devido aos protestos nas ruas contra o casamento gay. Em uma declaração, intitulada "A dignidade da procriação", a Conferência dos Bispos da França destaca "obstáculos éticos" que afetam o bem-estar da criança e pergunta se é possível aceitar que "o homem seja considerado um simples fornecedor de material genético". Falta de doadores de esperma Os opositores também ressaltam que a medida pode abrir caminho para a aprovação da gestação por outrem (GPA), a chamada "barriga de aluguel", proibida na França, e ao "comércio de esperma", o que tornaria a reprodução humana uma atividade comercial. "Parem de misturar tudo", reagiu a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, que descartou a possibilidade de inserir no projeto de lei o tema de "barrigas de aluguel". "A gestação por outrem é a mercantilização do corpo humano. As leis de bioética francesas são muito estritas em relação a isso", disse a ministra, se referindo ao fato de que isso continuará proibido no país. "É melhor não acreditar que quando a reprodução assistida for autorizada para todas as mulheres, terão acabado as reivindicações que ferem eventualmente o senso moral e ético", afirma o psicanalista Jean-Pierre Winter, que participou de discussões no Parlamento francês sobre o assunto. Na avaliação dos opositores, a gestação por outrem seria utilizada principalmente por casais de homens. Na Grécia, a GPA é autorizada e, segundo a imprensa francesa, isso teria levado a um "turismo" destinado a encontrar "barrigas de aluguel" no país. Outro problema apontado, inclusive por apoiadores da mudança da lei, é o risco da falta de doadores de esperma, já que o número é atualmente insuficiente no país, segundo especialistas. A doação de esperma na França não é remunerada, diferentemente de outros países. A Agência de Biomedicina do país acaba de lançar uma campanha para a doação de gametas (espermatozoides e óvulos). A nova lei de bioética poderá também pôr fim ao anonimato dos doadores, se eles optarem por isso. O assunto está em discussão e alguns estimam que isso poderá afugentar os futuros doadores. O eventual aumento da demanda por doadores de esperma poderá criar um mercado paralelo da procriação, remunerado, como em outros países, afirmam os críticos. Outro ponto polêmico é a questão do reembolso, pela Seguridade Social francesa, dos gastos médicos com a reprodução assistida. O partido do presidente Macron é favorável ao reembolso total das despesas médicas, como ocorre com casais heterossexuais inférteis. Mas a questão divide parlamentares, mesmo entre alguns dos correligionários do presidente. Muitos defendem que o contribuinte não deveria ter de arcar com demandas da sociedade que não são relacionadas a doenças. "Isso não vai custar milhões de euros à Seguridade Social. Não haverá uma quantidade astronômica de pacientes", afirma o ginecologista Grymberg. O custo total de uma inseminação artificial na França é de cerca de € 1,1 mil (R$4,7 mil), de acordo com a Agência de Biomedicina. Pesquisas apontam que de 60% a 75% dos franceses seriam favoráveis à reprodução assistida para todas as mulheres. Ataques homofóbicos Há divisões em relação à ampliação da reprodução assistida dentro dos próprios partidos. Alguns parlamentares conservadores são favoráveis, enquanto outros da esquerda, que em geral apoia a mudança, são contra. Um grupo de trabalho parlamentar, com 36 membros de diferentes partidos, vem realizando debates com especialistas sobre as mudanças na lei de bioética e deverá concluir um relatório sobre a questão nos próximos dias. Várias agressões homofóbicas têm sido relatadas na França nas últimas semanas. Segundo Jérémy Falédam, da ONG SOS Homofobia, isso estaria relacionado aos debates sobre a reprodução assistida. "A preocupação é reviver a mesma onda de ódio da época da lei sobre o casamento gay", diz. O projeto de lei que irá revisar a atual lei da bioética deverá ser votado no início de 2019. O texto deverá tratar de outros temas como pesquisas com células tronco, inteligência artificial e técnicas de engenharia genética.

08/11 - 2018


Estudo contradiz teoria de povoamento da América e sugere que rosto de Luzia era diferente do que se pensava



Pesquisadores da USP e Harvard extraíram DNA de ossos humanos enterrados por mais de dez mil anos. Pesquisadores descobrem o DNA do povo de Luzia, o humano mais antigo da América do Sul Pesquisadores da Universidade de São Paulo e Harvard divulgaram nesta quinta-feira (8) uma descoberta que contradiz a principal teoria do povoamento da América. Com ajuda da extração de DNA de fósseis enterrados por mais de dez mil anos, ele puderam avaliar o código genético dos fósseis para descobrir quem são nossos antepassados. "Até muito recentemente era praticamente impossível do ponto de vista técnico extrair DNA de ossos muito antigos. Porque no ambiente tropical que a gente vive há a degradação da matéria orgânica de forma geral e isso também se aplica ao DNA. Ela é muito intensa", disse André Strauss, Professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. O trabalho foi feito em conjunto pela USP, pela Universidade Harvard e pelo Instituto Max Planck, da Alemanha. Os cientistas estudaram nove ossadas humanas da região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Dos mesmos sítios arqueológicos de Luzia, a ossada de uma mulher que teria vivido há mais de 11 mil anos e é considerada a primeira brasileira. 'Novas' feições do povo de Luzia Simulação mostra novas feições de Luzia TV Globo O fóssil de Luzia- o humano mais antigo da América do Sul- foi encontrado nos escombros do Museu Nacional no Rio e tinha desaparecido no incêndio que destruiu o museu no ínicio de setembro. Existem duas teorias para a chegada dos seres humanos aos continentes americanos. A primeira diz que somos descendentes de populações do leste asiático, que atravessaram o estreito de bering - na época, ele ainda se conectava à América do Norte - e desceram até chegar à América do Sul. Mas, na década de 1990, foi criada um nova teoria. A de que os territórios americanos também foram povoados por humanos mais antigos ainda, os primeiros que já tinham saído da África, cruzado a Ásia e que teriam vindo direto para as Américas, até chegar ao Brasil. A ideia surgiu porque os pesquisadores estudaram as medidas do crânio de Luzia e acharam que ele era mais largo do que os dos indígenas e mais parecido com o dos africanos. Mas o resultado do estudo mostrou que a Luzia vai precisar de um rosto novo. O atual, com nariz e lábios mais grossos, foi feito com base na ideia de que ela descendia de povos africanos. Mas a análise do DNA mostrou que o código genético do povo de Lagoa Santa é semelhante ao de todos os povos indígenas da América e, neste caso, as feições seriam outras. Com essa comprovação, a teoria de que duas populações teriam povoado as Américas não faz mais sentido. "Os dados genéticos apontam para a existência de uma principal leva migratória com possíveis eventos secundários envolvidos. Mas, a grosso modo, o cenário que a gente tem hoje é que 98% da ancestralidade ameríndia pode ser traçado a uma única chega na América. Em outras palavras, o povo de Luzia chegou à América junto com todas as demais populações que vieram do continente asiático", disse Strauss. Reconstrução do rosto de Luzia TV Globo

08/11 - 2018


Como fósseis descobertos no Brasil ajudam a criar nova teoria sobre origem dos indígenas das Américas



Parte dos fósseis estudados pelos pesquisadores foram encontrados em 15 sítios arqueológicos brasileiros, incluindo Luzia, de 11.300 anos. Parte dos fósseis estudados pelos pesquisadores foram encontrados no Brasil Divulgação/André Strauss Todos os indígenas que vivem ou já viveram nas Américas descendem de uma única população que chegou ao Novo Mundo vinda do leste asiático, através do estreito de Bering, há cerca de 20 mil anos. A conclusão, de um trabalho de uma equipe internacional de 72 arqueólogos e geneticistas – entre os quais 17 brasileiros –, refuta as teorias mais discutidas ou aceitas até hoje sobre o povoamento do continente posteriormente "descoberto" por Cristóvão Colombo. Descoberta sugere que rosto de Luzia era diferente do que se pensava Assinado por pesquisadores das universidades de São Paulo (USP) e Harvard, dos Estados Unidos, e do Instituto Max Planck, da Alemanha, o artigo científico foi publicado nesta quinta-feira (8) na prestigiosa revista científica "Cell". Para chegar às conclusões, os autores se basearam na análise do DNA fóssil de 49 esqueletos provenientes de 15 sítios arqueológicos, dos quais dois na Argentina (11 esqueletos com idades entre 8,9 mil e 6,6 mil anos), um em Belize (três, de 9,4 mil a 7,3 mil anos), quatro no Brasil (15, de 10,1 mil a 1 mil anos), três no Chile (cinco, de 11,1 mil a 540 anos) e sete no Peru (15, de 10,1 mil a 730 anos). Dos esqueletos brasileiros, sete, com cerca de 9,6 mil anos, foram escavados no sítio arqueológicos Lapa do Santo, na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais; cinco, com idade em torno de 2 mil anos, no sambaqui Jabuticabeira 2, em Santa Catarina; e dois, de 6,7 mil anos, e um, com 5,8 mil anos, nos sambaquis fluviais Laranjal e Moraes, respectivamente, localizados no Vale do Ribeira no estado de São Paulo. O novo trabalho poderá desvendar um mistério que intriga cientistas e pesquisadores – e até pessoas leigas – desde 1492, quando Colombo desembarcou numa ilha do Caribe e foi recebido pelos tainos, um povo amistoso que ele pensava ser composto por indianos – estava convencido que havia chegado à Índia, convicção que manteve até a morte. Desde então, persiste a indagação: como as populações encontradas pelo navegador genovês a serviço da Espanha chegaram a este novo mundo descoberto por ele, mais tarde batizado de América? Teorias não faltam. Há desde aquelas que afirmam que o evento ocorreu há cerca de 12 mil anos até as que apostam em 100 mil anos ou mais. As primeiras teorias A hipótese mais antiga, e que permaneceu como a mais aceita por mais tempo, é a conhecida em inglês como Clovis-first (Clóvis-primeiro). Deve seu nome a um sítio descoberto em 1939, no Novo México, Estados Unidos, no qual foram encontradas pontas de flechas feitas de pedra datadas de 11,4 mil anos. Segundo essa hipótese, a chegada teria ocorrido há cerca de 12 mil anos. A ideia acabou caindo em descrédito após novas descobertas arqueológicas, como o sítio Monte Verde, no Chile, onde foram encontrados resquícios humanos com mais de 12.500 anos – anteriores, portanto, à cultura Clóvis. Uma segunda teoria foi proposta pelo bioantropólogo Walter Alves Neves e pelo geógrafo Luís Beethoven Piló, ambos da USP, em seu livro O Povo de Luzia – Em Busca dos Primeiros Americanos. Eles a chamam de Dois Componentes Biológicos Principais, porque, segundo essa tese, houve duas levas migratórias iniciais: a primeira há 14 mil anos e a segunda, há 11 mil, também vindas da Ásia pelo estreito de Bering. Estudo aponta que houve duas ondas migratórias há 14 mil e 11 mil anos Divulgação/André Strauss A mais antiga seria composta por uma população com traços que lembram os dos africanos e aborígenes australianos. É desses pioneiros que descenderia a famosa Luzia, o fóssil mais antigo de que se tem registro no país, com 11.300 anos. Seu crânio foi descoberto em 1974, pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire, na região de Lagoa Santa. Durante mais de 20 anos, os restos desse indivíduo jovem, do sexo feminino, ficaram guardados nas gavetas do Museu Nacional do Rio de Janeiro – um incêndio que destruiu o museu no dia 2 de setembro, mas pesquisadores conseguiram encontrar, nos destroços, quase todos os pedaços do crânio. Em 1995, Neves fez medidas antropométricas do crânio, que mostravam, segundo ele, que Luzia tinha mais a ver com os africanos que com os índios atuais. Em 1996, o antropólogo forense britânico, Richard Neave, reconstruiu a face dela. O resultado foi o rosto de uma mulher com traços semelhantes aos dos africanos e aborígenes australianos atuais. Há outra teoria ainda mais controversa e polêmica, proposta pela arqueóloga Niéde Guidon, com base em suas descobertas em vários sítios arqueológicos no sul do Piauí. Para ela, o homem chegou à região há nada menos que 100 mil anos, vindo diretamente da África, cruzando o Atlântico, numa época em que o planeta estava num período glacial, com o mar 120 metros abaixo de seu nível atual. Avanço nas descobertas O trabalho publicado agora na "Cell" põe em xeque todas as teorias anteriores. De acordo com o arqueólogo André Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), da USP, um dos autores do artigo, a forma do crânio não é um marcador confiável de ancestralidade ou de origem geográfica. "A genética, por outro lado, é a técnica que se presta por excelência a esse tipo de inferência", explica. "No nosso estudo, são apresentados os primeiros resultados positivos para a extração de DNA dos esqueletos de Lagoa Santa." Isso só foi possível graças a avanços metodológicos desenvolvidos pelo Instituto Max Planck. "Antes, a extração do DNA fóssil era quase impossível de ser realizada", diz Strauss. "A sua fragmentação extrema e a alta incidência de contaminação fizeram com que durante quase duas décadas diferentes grupos de pesquisas tentassem sem sucesso extrair o material genético dos ossos de Lagoa Santa. Agora, os novos métodos tornaram isso possível." Além da análise do DNA fóssil, também foi feita uma nova reconstituição da face do Povo de Luzia. A tarefa coube à especialista em reconstrução forense Caroline Wilkinson, da Liverpool John Moores University, na Inglaterra, discípula de Neave e responsável pela reconstrução facial do rei britânico de 1483 a 1485, Ricardo III. Luzia é o fóssil mais antigo de que se tem registro no país, com 11.300 anos Divulgação O trabalho atual foi feito a partir do modelo digital de um crânio do sítio arqueológico da Lapa do Santo. "Por mais acostumados que estejamos com a tradicional reconstrução facial de Luzia, com traços fortemente africanos, essa nova imagem reflete de forma muito mais precisa a fisionomia dos primeiros habitantes do Brasil, apresentando traços generalizados e indistintos a partir dos quais, ao longo dos milhares de anos, a grande diversidade ameríndia se estabeleceu", explica Strauss. Disso se infere que o povo que chegou à América há 20 mil anos saiu da Ásia antes dele e seus parentes que lá ficaram terem adquirido os traços físicos que os caracterizam hoje, assim como os indígenas atuais. Embora tênue, é um ponto em comum com a hipótese de Neves, que também propôs que a primeira leva de migrantes teria saído da Ásia antes da evolução que levou os asiáticos a terem os traços que os distinguem atualmente. Resta explicar como aquela população e os ameríndios atuais, que deveriam ter, há 20 mil anos, os traços genéricos apresentados pela reconstrução facial do Povo de Luzia feita por Caroline, evoluíram paralelamente, separados por milhares de quilômetros e um oceano e sem troca genética, para a morfologia semelhante que apresentam hoje. O que a análise do DNA fóssil realizada pela equipe internacional deixa claro é que o grupo humano que chegou à América há 20 mil anos compartilha dois terços de sua ancestralidade com as populações atuais do leste asiático e um terço com europeus. "Não existe nenhuma ancestralidade entre os índios americanos - do passado ou do presente - com populações da África ou da Austrália", garantes Strauss. De acordo com ele, há 16 mil anos essa população primária se dispersou rapidamente por todo o continente americano, tendo alcançado até mesmo o sul do Chile há cerca de 14 mil anos. "Em algumas regiões do continente, como no sul do Brasil, esses grupos originários permaneceram majoritariamente inalterados até o contato europeu - caracterizando uma impressionante continuidade demográfica", diz. Em outras regiões da América do Sul, no entanto, especialmente Lagoa Santa, a história foi bem diferente. "Os dados genéticos do nosso trabalho mostram que essas populações apresentam uma surpreendente conexão com a famosa cultura Clóvis", explica Strauss. "Uma das maiores descobertas do nosso estudo foi determinar que esses grupos Clóvis migraram para o sul, deixando descendentes por diversas regiões da América do Sul, algo inimaginável até então." Pesquisadores descobrem o DNA do povo de Luzia, o humano mais antigo da América do Sul Surpreendentemente, o Povo de Luzia, que imaginava-se ter ancestralidade não-ameríndia, revelou-se como uma dessas populações descendentes de Clóvis. "Essa população, entretanto, por razões desconhecidas, não perdurou por muito tempo", informa Strauss. "A partir de cerca de nove mil anos atrás ela desapareceu, sendo substituída pelos ancestrais diretos dos grupos indígenas que habitavam o Brasil durante o período colonial." Quanto à teoria de Niéde, Strauss diz que, se seres humanos pisaram ou viveram nas Américas antes de 20 mil anos, não deixaram rastros nem traços genéticos nos ameríndios do passado ou nos atuais.

08/11 - 2018


Idade estimada para Oumuamua afasta 'hipótese alienígena', dizem astrofísicos brasileiros



Pesquisadores da UFRJ calcularam a idade do objeto com base na órbita de estrelas ao redor da galáxias. Para eles, é improvável a hipótese de que o Oumuamua foi enviado por extraterrestres. Parece que não foi dessa vez que os extraterrestres estabeleceram contato. Dois cientistas brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) conseguiram estimar a idade do Oumuamua, primeiro objeto interestelar a cruzar o Sistema Solar, entre 200 e 450 milhões de anos. A pesquisa será publicada neste mês na versão física da "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". Isso significa que a "panqueca alienígena" é jovem — para padrões estelares. Esse cálculo torna ainda mais improvável que o Oumuamua tenha sido enviado à Terra por alienígenas, como afirmaram pesquisadores de Harvard em prévia de artigo divulgada na última quinta-feira (1) e com data de publicação prevista para a próxima segunda-feira (12), na Astrophysical Journal Letters. Quem explica é o primeiro autor do estudo, o doutorando Felipe Almeida Fernandes, que assinou a pesquisa em parceria com o orientador, Hélio Rocha Pinto, diretor do Observatório do Valongo, da UFRJ. "Essa idade, que pode chegar a 1 bilhão de anos — considerando algumas fontes de incerteza — vai contra ele ter uma origem artificial. É muito pouco tempo para a vida surgir, evoluir, e chegar a seres vivos com capacidade para explorar o espaço. Na Terra, foram 4,5 bilhões de anos para isso", pondera. Esses números valem para os padrões terráqueos de evolução. No entanto, se ele veio de fora do nosso sistema, poderia ser diferente se tivesse sido enviado pelos ETs? "Poderia ser diferente. Com certeza. A gente só sabe o único exemplo que conhece, que é a Terra. Mas aí seria mais uma 'forçação de barra' que teria que ser feita para explicar que é uma nave", analisa Felipe. Ele usou um modelo da pesquisa do doutorado — que não é sobre o Oumuamua, e sim sobre órbitas de estrelas na galáxia — para calcular a idade da "panqueca alienígena". Para Hélio Rocha Pinto, a hipótese da sonda extraterrestre também é improvável. "Como ele foi descoberto há um ano, tem muita gente falando muita coisa. Daqui a dois anos, essas ideias estapafúrdias vão ficando de lado. Na ciência, a gente levanta muita hipótese para que alguém possa refutá-las", ressalta. Outros pesquisadores já haviam tentado calcular a origem do Oumuamua, mas não a sua idade, afirmam os cientistas da UFRJ. Saber quantos anos o objeto tem pode, no entanto, ajudar a entender de onde ele veio, explica Felipe. "Essa idade significa que ele veio de um sistema planetário que orbita ao redor de uma estrela jovem — que não é o Sol. Todos os asteroides que a gente observa no Sistema Solar foram formados da mesma nuvem que deu origem ao Sol. Esse, não. Foi formado junto com uma nuvem que deu origem a uma outra estrela, a outro sistema planetário. O Oumuamua ficou orbitando ali até ser expulso. Pode ser por vários motivos: pode ter sido uma interação gravitacional com outro planeta ou ele pode ter sido parte de um corpo maior que sofreu uma colisão e aí foi ejetado", explica. Apesar de o intervalo possível para a idade do Oumuamua ser grande — Felipe considera até 1 bilhão de anos como sendo possível, apesar de menos provável — isso ajuda a eliminar estrelas mais antigas, como as que têm 13,7 bilhões de anos — a idade do Universo. Oumuamua JPL/Nasa Características naturais Fora a idade, a “panqueca alienígena” tem algumas características que podem ser explicadas naturalmente, dizem os cientistas. Além disso, a teoria da vela solar — de que o Oumuamua teria uma espécie de motor, movido a luz solar e colocado artificialmente, também levanta dúvidas por parte dos especialistas. Confira abaixo alguns dos (outros) motivos pelos quais o Oumuamua pode não ter sido, afinal, enviado pelos aliens: 1) A teoria dos ETs explica só uma coisa — a aceleração "Eles pegaram somente um aspecto — de que o Oumuamua se afastou do Sol com uma velocidade maior do que a esperada", diz Hélio Rocha Pinto. Ao se aproximar do Sol (sim, o nosso), o Oumuamua deveria acelerar, devido à força gravitacional. Isso aconteceu. Ao se afastar, ele deveria, no entanto, andar mais devagar — e andou, só que não tão devagar quanto era esperado, explica Felipe Fernandes. Isso foi o que levou os cientistas de Harvard a cogitarem a hipótese da vela solar, colocada por alguém. 2) Mesmo assim, a vela solar não explica tudo "Para a vela solar funcionar, ele teria que ficar próximo de uma estrela para receber a propulsão, senão teria que ter um motor próprio. E, se tem um motor próprio, alguém colocou. Só que isso não foi detectado", diz Hélio Rocha Pinto. "Além do mais, não foram detectadas ondas eletromagnéticas características de sondas", pontua. "Os cientistas que publicaram a teoria da vela solar aceitam que o Oumuamua tem uma superfície rica em carbono, e dizem que pode ser causado pelo fato de a vela acumular partículas ricas em carbono ao longo da viagem. Isso poderia acontecer, mas o problema é que poeira de carbono é muito escura, então a estrutura não iria mais refletir a luz — e é isso o que faz ela funcionar. Então não dá pra ter uma vela solar coberta de material rico em carbono", explica o astrônomo Alan Fitzsimmons, da Universidade de Belfast, na Irlanda do Norte, que publicou um artigo na revista "Nature" sobre a composição do Oumuamua. 3) A aceleração pode ter sido causada por liberação de gás Alguns cientistas já haviam levantado a hipótese de que a aceleração misteriosa do Oumuamua tenha sido causada por liberação de gás na sua superfície — de modo similar ao que ocorre em um cometa. "A pequena aceleração detectada é similar àquela vista em muitos cometas normais orbitando o nosso Sol, causada pela liberação do gás na direção do Sol. Isso empurra o cometa na direção oposta", explica Alan Fitzsimmons. "A natureza dele ainda é controversa, porque ele apresenta propriedades de um asteroide, por não ter a cauda de um cometa. Quando se aproxima do Sol, o cometa apresenta uma cauda, que é o gelo sendo expulso da superfície dele. Não foi observado no Oumuamua, mas pode estar abaixo do limite de detecção do telescópio", observa Felipe Fernandes. 4) O formato dele — de panqueca — é meio estranho. (Nisso, tanto os que acreditam nos aliens quanto os que duvidam deles concordam) "Ele é muito alongado. O comprimento dele é quase dez vezes maior que a largura. Esse formato fortalece a ideia de que ele se formou através de uma colisão, e não a partir do processo de aglutinação das partículas que existem no disco de matéria que dá origem aos asteroides, planetas e cometas do Sistema Solar", explica Felipe. Mesmo que o Oumuamua não seja do nosso sistema, diz o cientista, "nós não esperamos que o processo de formação destes corpos em outros sistema seja muito diferente do processo que aconteceu aqui". 5) A órbita A órbita do Oumuamua, explica Felipe, é circular. Se o objeto tivesse sido lançado por ETs, essa seria a opção que gastaria menos energia. Mas, ao mesmo tempo, a origem do objeto teria que ser ainda mais específica. "Teria que ser uma estrela de origem que está à mesma distância do centro da galáxia que o Sol. É um grande salto de raciocínio", diz. Fora isso, diz Alan Fitzsimmons, o Oumuamua não está somente girando. "Nossos dados telescópicos mostram que o Oumuamua não estava simplesmente girando, mas caindo pelo espaço, como pode ser esperado de objetos que foram ejetados de seus sistemas planetários originais", explica. A solução está próxima, dizem os pesquisadores Os cientistas acreditam que, em pouco tempo, será possível determinar a frequência com que objetos semelhantes ao Oumuamua aparecem no espaço — até lá, não se pode afirmar nem mesmo se ele é raro ou não. A observação desses objetos não era feita antes porque não havia instrumentos poderosos o suficiente para olhar o céu à procura deles, explicam os astrônomos. O telescópio que detectou o Oumuamua começou a fazer observações somente em 2010. Um novo telescópio, em construção no Chile, é um exemplo de novas possibilidades — assim como o observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia, que já está em operação. "Não vai demorar para acontecer. Vamos ter mais precisão para determinar a velocidade das estrelas e descobrir qual delas deu origem ao Oumuamua", acredita Felipe Fernandes.

08/11 - 2018


Descoberta sugere que rosto de Luzia era diferente do que se pensava



Estudo contradiz teoria de povoamento da América. Pesquisadores da USP e de Harvard extraíram DNA de ossos humanos enterrados por mais de dez mil anos. Pesquisadores descobrem o DNA do povo de Luzia, o humano mais antigo da América do Sul Pesquisadores da Universidade de São Paulo e de Harvard divulgaram nesta quinta-feira (8) uma descoberta que contradiz a principal teoria do povoamento da América. Com ajuda da extração de DNA de fósseis enterrados por mais de dez mil anos, ele puderam avaliar o código genético dos fósseis para descobrir quem são nossos antepassados. "Até muito recentemente era praticamente impossível do ponto de vista técnico extrair DNA de ossos muito antigos. Porque no ambiente tropical que a gente vive há a degradação da matéria orgânica de forma geral e isso também se aplica ao DNA. Ela é muito intensa", disse André Strauss, Professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. O trabalho foi feito em conjunto pela USP, pela Universidade de Harvard e pelo Instituto Max Planck, da Alemanha. Os cientistas estudaram nove ossadas humanas da região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Dos mesmos sítios arqueológicos de Luzia, a ossada de uma mulher que teria vivido há mais de 11 mil anos e é considerada a primeira brasileira. 'Novas' feições do povo de Luzia Simulação mostra novas feições do povo de Luzia TV Globo O fóssil de Luzia- o humano mais antigo da América do Sul- foi encontrado nos escombros do Museu Nacional no Rio e tinha desaparecido no incêndio que destruiu o museu no ínicio de setembro. Existem duas teorias para a chegada dos seres humanos aos continentes americanos. A primeira diz que somos descendentes de populações do leste asiático, que atravessaram o estreito de bering - na época, ele ainda se conectava à América do Norte - e desceram até chegar à América do Sul. Mas, na década de 1990, foi criada um nova teoria. A de que os territórios americanos também foram povoados por humanos mais antigos ainda, os primeiros que já tinham saído da África, cruzado a Ásia e que teriam vindo direto para as Américas, até chegar ao Brasil. A ideia surgiu porque os pesquisadores estudaram as medidas do crânio de Luzia e acharam que ele era mais largo do que os dos indígenas e mais parecido com o dos africanos. Mas o resultado do estudo mostrou que a Luzia vai precisar de um rosto novo. O atual, com nariz e lábios mais grossos, foi feito com base na ideia de que ela descendia de povos africanos. Mas a análise do DNA mostrou que o código genético do povo de Lagoa Santa é semelhante ao de todos os povos indígenas da América e, neste caso, as feições seriam outras. Com essa comprovação, a teoria de que duas populações teriam povoado as Américas não faz mais sentido. "Os dados genéticos apontam para a existência de uma principal leva migratória com possíveis eventos secundários envolvidos. Mas, a grosso modo, o cenário que a gente tem hoje é que 98% da ancestralidade ameríndia pode ser traçado a uma única chega na América. Em outras palavras, o povo de Luzia chegou à América junto com todas as demais populações que vieram do continente asiático", disse Strauss. Reconstrução do rosto de Luzia TV Globo

08/11 - 2018


Prefeitura de SP antecipa plano de combate ao Aedes aegypti para evitar surtos de dengue e febre amarela



Mosquito que também transmite Zika Vírus e chikungunya será combatido através de plano intersecretarial e com reforço de agentes de saúde. Mosquito aedes aegypt Paulo Whitaker/Reuters A Prefeitura de São Paulo anunciou na manhã desta quinta-feira (8) que irá antecipar o lançamento do plano de combate ao mosquito Aedes aegypti em toda a cidade e reforçar o efetivo de agentes de saúde envolvidos na ação. O mosquito que transmite a dengue, zika vírus, chicungunya e febre amarela, será combatido a partir da próxima semana, o dia exato não foi informado. Normalmente, as campanhas são lançadas em janeiro. A grande preocupação das autoridades neste ano são a transmissão das doenças da dengue e febre amarela. Isso porque a dengue é cíclica e o último grande foco foi em 2015 quando foram registrados mais de 100 mil casos e 25 mortes pela doença. Já a febre amarela deve ser combatida através da eliminação dos focos do mosquito e vacinação, que ainda é baixa na capital paulista. De acordo com a administração municipal, o diferencial do combate ao mosquito neste ano ocorre porque é um plano intersecretarial. "O que nós estamos neste momento é uma ação de governo, não é ação apenas da secretaria da Saúde. É uma ação que vai passar todas as áreas de governo então a capacidade do poder público não só de orientar, educar, mas de tratar os casos que podem ocorrer é muito maior", afirmou o secretário da Saúde Edson Aparecido. Segundo ele, a capacitação dos agentes também é fundamental. Além dos 8.500 agentes da saúde, neste ano outros 2.500 profissionais receberam treinamento para ajudar a população. Uma sala de situação, comandada pelo infectologiSta David Uip, será montada para monitorar as doenças transmitidas pelo mosquito. Até outubro deste ano foram registrados 505 casos de dengue no município. No amo passado, foram confirmados 866 casos. Em relação à febre amarela, neste ano goram 13 casos autóctones (adquiridos no próprio município), 107 casos importados e seis mortes. Em 2017 não teve nenhum caso autóctone e teve 28 casos importados. Também foram confirmados 24 casos de chicungunya autóctones neste ano e 30 importados. Em 2017 foram três autóctones e um importado. Neste ano não teve nenhum caso autóctone de zika e apenas um importado. No ano anterior foram 3 autóctones e um importado. Vacinação Neste mês, além dos posto de saúde, a vacina contra a febre amarela também será aplicada em estações trem, metrô e terminais de ônibus. A meta é imunizar 95% da população em 2019. De setembro do ano passado, quando começou a imunização, até outubro de 2018, foram vacinadas 6,8 milhões de pessoas, o que representa 58,5% da cobertura vacinal.

08/11 - 2018


A relação entre banho quente e o combate à depressão, segundo a Ciência



Banhos quentes regulares podem ajudar pessoas com depressão. Estudo de universidade alemã mostra que a prática pode superar os benefícios do exercício físico enquanto tratamento. Banho quente pode ajudar pessoas com depressão BBC Banhos quentes regulares podem ajudar a melhorar o ânimo de pessoas com depressão. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Freiburg, na Alemanha, e tem a ver com nosso ritmo circadiano, ou seja, com mudanças físicas e bioquímicas que o corpo sofre ao longo do dia - o nosso relógio biológico. Assista ao vídeo Na depressão, esse padrão é frequentemente interrompido. Os pesquisadores afirmam que um bom banho à tarde, com temperatura na casa dos 40°C por até 30 minutos, ajuda a elevar a temperatura do corpo e restaurar o ritmo circadiano. Também melhora o padrão de sono. A depressão é o mais comum dos transtornos mentais, mas sua causa principal ainda é desconhecida. Dados de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 11,5 milhões de brasileiros (ou quase 6% da população) sofriam com a doença no período. O tratamento inclui normalmente terapia, exercícios e antidepressivos. Mas o estudo conduzido na Alemanha afirma que o banho pode superar os benefícios do exercício físico, além de ser um tratamento mais acessível para aqueles com depressão leve ou moderada.

08/11 - 2018


Projeto ajuda idosos a manter o equilíbrio



PrevQuedas ajuda idosos a ter mais autonomia, gastando menos energia e sem cair. Aula ajuda a manter o equilíbrio De cada dez idosos acima de 60 anos, três sofrem queda dentro de um ano. A idade aumenta e a porcentagem de quedas também: acima de 80 anos, 50% desses idosos sofrem queda. Um projeto piloto no Distrito Federal quer ajudar esses idosos. O Sesc, em parceria com um grupo de mestrado e doutorado da UnB (Universidade de Brasília), criou o projeto PrevQuedas – como prevenir quedas. A turma, com 30 idosos, tem aula duas vezes por semana, de graça. Como se proteger da osteoporose? Prevenção da osteoporose é feita com alimentação, exercícios e sol O objetivo é que, em três meses de aula, os idosos saiam fazendo todas as atividades com autonomia, gastando menos energia, de forma eficaz e sem cair. “Fui subir uma escada lá em casa, na laje, a escada virou pra trás e quebrei todos os dedinhos”, conta o aposentado de 62 anos Walter de Almeida. O trabalho é multidisciplinar: físico, social e psicológico. E o circuito também ajuda quem tem osteoporose. “Osteoporose é uma doença crônica e silenciosa. Ela compromete a microarquitetura óssea e aquilo vai ficando extremamente frágil”, explica a pesquisadora da UnB Juliana Costa. Tem como reverter a osteoporose? Augusto Carlos/TV Globo Quedas As fraturas são apontadas em diversos estudos como a principal consequência das quedas em idosos. As ocorrências podem trazer perdas funcionais e deixar a pessoa mais susceptível a novos episódios de quedas, independentemente de sua frequência, comprometendo a qualidade de vida. A origem da queda pode ser decorrente de alterações fisiológicas do envelhecimento, doenças e efeitos de medicamentos, e de circunstâncias sociais e ambientais que oferecem desafios ao idoso. É importante alguns cuidados para evitar a ocorrência de quedas, como manter o ambiente bem iluminado, remover tapetes soltos, usar piso antiderrapante, barras de apoio e corrimões em escadas. Como prevenir ou reverter a osteoporose Consumir alimentos que contêm cálcio – a quantidade varia de 1000 mg a 1200 mg. Fazer atividade física que exige força da musculatura. Exercícios de carga ou que tenham resistência são os mais indicados, pois exigem mais do músculo. Fraturas são comuns em idosos com osteoporose

08/11 - 2018


Perda óssea dentária atinge mais mulheres do que homens



A menopausa é um fator de risco, assim como diabetes, tabagismo, mordida inadequada, hábito de ranger os dentes e outras influencias hormonais. Perda óssea dentária atinge mais mulheres do que homens A perda óssea dentária atinge mais mulheres do que homens. Em especial, acima dos 45 anos. A menopausa é um fator de risco, assim como diabetes, tabagismo, mordida inadequada, hábito de ranger os dentes e outras influencias hormonais. Algumas pessoas podem ter perda óssea por causa de um problema muito comum: a periodontite, doença que atinge a gengiva, os dentes e os ossos. Começa com uma inflamação na gengiva, progredindo pelo tártaro ou má escovação e pode acabar em perda óssea. Periodontite pode causar a perda óssea Augusto Carlos/TV Globo Segundo estudo da Universidade de Campinas, a perda óssea afeta 75% da população em diferentes graus – 14% de adultos de todas as idades têm a forma mais severa do problema, além de 30% dos idosos com infecção causada por bactérias subgengivais. O tratamento depende do motivo da perda óssea e da altura da mandíbula que foi perdida. Se ela ocorreu pela remoção de um dente, pode ser feito um enxerto para dar altura à mandíbula e colocada uma prótese fixa, móvel ou implante. Quanto mais rápido colocar dentes novos, menor a perda óssea. Se ela ocorreu por uma periodontite, é preciso fazer uma limpeza, raspagem do dente para tirar o tártaro e depois avaliar o tipo de tratamento ou acompanhamento.

08/11 - 2018


Mulheres não relatam problemas de incontinência urinária



Pesquisa mostrou que assunto não é discutido no consultório médico, embora impacte a qualidade de vida Mês passado, escrevi uma coluna sobre os riscos que a menopausa traz para a saúde das mulheres. É verdade que elas são mais focadas em cuidar do próprio bem-estar e se preocupam com doenças crônicas graves como hipertensão, diabetes ou demência. No entanto, há questões que ainda são pouco discutidas nos consultórios e, entre elas, está a incontinência urinária. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade de Michigan, quase metade das mulheres acima dos 50 sofre com o problema, mas dois terços não falam sobre isso com seu médico. Será por vergonha de tratar do assunto com o clínico ou ginecologista? Ou talvez pela crença de que o desconforto faz parte do envelhecimento e não tem solução? Mais de mil mulheres, entre 50 e 80 anos, foram ouvidas – dessas, 43% na faixa entre os 50 e 60 relataram experiências de incontinência; acima dos 65, o percentual subia para 51%. Apenas 38% faziam exercícios para fortalecer os músculos da região pélvica. Incontinência urinária: quase metade das mulheres acima dos 50 sofre com o problema, mas dois terços não falam sobre isso com seu médico https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6e/Continuing_Studies_reunion_-_Cheryl_Isaac_and_Catherine_McDonald_%288208897261%29.jpg A incontinência urinária já foi tema desse blog. Acima dos 65 anos, pelo menos 30% dos indivíduos apresentam esse quadro, que pode se tornar um transtorno social. A incontinência está associada a um esforço, como rir, tossir ou espirrar, quando a musculatura do assoalho pélvico não consegue reter a urina. Segundo o levantamento, a maioria das mulheres acabava apelando para protetores de calcinha ou roupas íntimas descartáveis, além de ingerir menos líquidos e até usar roupas escuras. Uma das conclusões do estudo é a necessidade de os médicos incluírem perguntas sobre incontinência quando conversam com suas pacientes. Para a uroginecologista Carolyn Swenson, que trabalhou na pesquisa, “a incontinência urinária é uma condição comum que pode estar sendo ignorada na rotina de cuidados primários, embora tenha um grande impacto na qualidade de vida da mulher. Normalmente é tratável e não deve ser considerada como inevitável no processo de envelhecimento”. Entre as entrevistadas, 79% apontaram tossir e espirrar como os fatores mais comuns apontados para levar à perda involuntária de urina. Para 49%, a incontinência ocorria quando riam, enquanto 37% disseram que era quando se exercitavam. Um terço das mulheres relatou enfrentar o embaraço quase diariamente. “A última coisa que queremos é que as mulheres parem de fazer exercício ou de se divertir”, afirmou a médica e professora Preeti Malani, coordenadora do trabalho. Os exercícios de Kegel são indicados para a incontinência – através de sua contração e relaxamento, tonificam e fortalecem os músculos do assoalho pélvico – e também ajudam a melhorar o prazer sexual, porque aumentam a circulação sanguínea.