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26/05 - 2019


Ignorar o público maduro é um desperdício de oportunidades



Abordagem multigeracional deveria guiar a publicidade para atingir o segmento A segmentação é uma obsessão do marketing: esse produto é para o jovem entre 18 e 25 anos; aquele, para a mulher entre 28 e 35; e por aí vai. No entanto, quando se trata de alcançar o público maduro, a impressão que se tem é de um tsunami de estereótipos que acabam arruinando a chance de conquistar esse grupo que, com razão, não se vê representado. É como se a virada dos 59 para os 60 anos tragasse os indivíduos para uma espécie de dimensão paralela. Com frequência, vemos avôs que usam bonés de feltro e vovós com cabelos impecavelmente brancos. No extremo oposto, há campanhas que apresentam idosos correndo maratonas – embora eles existam, são uma minoria. Os “novos velhos”, entre 60 e 75 anos, são mais ativos e uma parcela considerável deste grupo tem renda superior à de gerações anteriores https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Old_couples#/media/File:An_old_couple_relaxing_on_the_beach.jpg Muito mais importante que a idade é a atitude, o estilo de vida dos indivíduos. Some-se a isso o fato de a longevidade ter criado diferentes categorias de velhos, bastante heterogêneas: atualmente, as pessoas entre 60 e 75 anos são muito mais ativas – e uma parcela considerável com muito mais dinheiro no bolso – que as gerações anteriores. Há marcas que estão buscando um outro caminho, que tente refletir a realidade que vivemos. Optam por uma abordagem multigeracional, que não pregue rótulos de acordo com faixas etárias. Enquanto isso, consumidores maduros se zangam e se retraem quando se dão conta de que o mercado acredita que o leque de produtos que podem interessá-los está relacionado a problemas de saúde. Pior para as empresas que ignoram essa fatia suculenta do público. Ano passado, a gigante de publicidade McCann lançou um estudo intitulado “Truth about age” que mostra que a preocupação com o envelhecimento e o fim da vida está presente ao longo de toda a existência. Na verdade, a pesquisa mostrou que as pessoas na casa dos 20 anos são as que mais temem a morte; as que estão na faixa dos 30 são as mais preocupadas com o envelhecimento; e quem passou dos 70 é quem menos sente o peso negativo dessas questões. Como conclusão do levantamento, há sugestões sobre como os profissionais de marketing devem repensar campanhas. Algumas delas: ir além do fator idade, porque isso não define mais ninguém; celebrar as conquistas, em vez de focar nas perdas associadas ao envelhecimento; promover a conexão entre gerações. Segue o link para uma campanha bem-humorada que uma seguradora britânica fez após realizar uma pesquisa com mais de 50 mil pessoas acima dos 50 e descobrir que a maioria tinha planos e energia de sobra.

25/05 - 2019


Mayaro, dengue, zika e chikungunya: veja semelhanças e diferenças entre os vírus transmitidos por mosquitos



Pesquisas indicam que o vírus mayaro está circulando no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo. Doença é transmitida pela picada de mosquito Haemogogos, que vive na mata. Preocupação é que ele possa se adaptar e ser transmitido também pelo Aedes aegypti. Mosquito Aedes aegypti transmite a dengue, zika e chikungunya; já o Haemagogus janthinomys transmite a febre de Mayaro. Cientistas temem que o vírus do mayaro possa se adaptar e ser transmitido também pelo Aedes. Emphyrio/Pixabay Duas pesquisas divulgadas neste mês apontam evidências de que o vírus da febre de mayaro já está circulando no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo. Descoberto em 1955, o vírus é transmitido pelo mosquito silvestre Haemagogus janthinomys e endêmico (tem presença contínua) na Amazônia. A preocupação dos especialistas é que o mayaro se adapte ao meio urbano e passe também a ser transmitido pelo Aedes Aegypti, vetor de doenças como a dengue, zika e chikungunya. Veja a diferença entre as doenças dengue, zika, chikungunya e mayaro Os sintomas da febre do mayaro são semelhantes aos da chikungunya. Não há vacina para nenhuma das doenças. Para Amílcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, onde o estudo sobre o mayaro no Rio foi realizado, o esforço de prevenção deve se concentrar no combate ao mosquito. Sintomas de doenças transmitidas por mosquitos Rodrigo Sanches e Diana Yukari/G1 Dengue Transmissão: picada do Aedes aegypti Proliferação: água parada Sintomas: febre alta (acima de 38ºC); dores musculares intensas; dor ao movimentar os olhos; mal estar; falta de apetite; dor de cabeça; manchas vermelhas no corpo Duração: 2 a 7 dias Complicação: dor abdominal; vômitos; sangramentos nas mucosas Prevenção: evitar a proliferação do mosquito Vacina: só na rede privada. É indicada para quem já teve dengue Zika Transmissão: picada do Aedes aegypti; sexo sem proteção; mãe para o feto na gravidez Proliferação: água parada Sintomas: febre baixa; dor de cabeça; dores no corpo e nas juntas; manchas vermelhas no corpo; olho vermelho Duração: 3 a 7 dias Complicações: encefalite; Síndrome de Guillain-Barré; doenças neurológicas; microcefalia Prevenção: evitar a proliferação do mosquito Vacina: não tem Chikungunya Transmissão: picada do Aedes aegypti Proliferação: água parada Sintomas: febre alta (acima de 38°C); pele e olhos avermelhados; coceira; dores no corpo e articulações (joelhos e pulsos); dor de cabeça Duração: até 15 dias Complicações: encefalite; Síndrome de Guillain-Barré; complicações neurológicas Prevenção: evitar a proliferação do mosquito Vacina: não tem Mayaro Transmissão: picada do Haemagogus janthinomys Proliferação: copa de árvores; mata Sintomas: febre alta (acima de 38ºC); dor de cabeça; dor muscular; dor e inchaço nas articulações; manchas no corpo Duração: até 15 dias Complicações: encefalite; artrite crônica Prevenção: evitar a proliferação do mosquito; evitar área de mata Vacina: não tem Número de casos O Ministério da Saúde afirma que não há casos registrados da febre mayaro no país. O órgão ressalta, no entanto, que o diagnóstico de mayaro pode ser confundido com o de chikungunya. No Rio de Janeiro, onde há evidências de que o mayaro contaminou três pacientes, a incidência da chikungunya aumentou. De janeiro até o início de maio de 2018, foram 106 casos prováveis de chikungunya a cada 100 mil habitantes. Em 2019, no mesmo período, a taxa ficou em 121,8 casos prováveis a cada 100 mil habitantes - aumento de quase 15%. Em números absolutos, o estado do Rio já registrou 20,9 mil casos prováveis de chikungunya até 4 de maio de 2019. No mesmo período de 2018, o número era de 18,2 mil. Enquanto surgem evidências sobre o mayaro, casos de dengue e zika continuam a crescer no país. Houve um aumento de 403,7% nos casos prováveis de dengue neste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério da Saúde. A maior incidência é no estado de Minas Gerais, com 1 mil casos a cada 100 mil habitantes. Já a zika teve aumento de 7,3%. O estado com maior incidência é o Tocantins, com 46,3 casos a cada 100 mil habitantes. Evidências de mayaro no Sudeste No Rio, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) confirmaram a presença do vírus em casos autóctones (de pessoas que não viajaram e se contaminaram no próprio estado) analisando a sorologia de três pacientes que se infectaram em 2015. Os testes deram positivo para mayaro. Em São Paulo, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram amostras de sangue de doadores de São Carlos e também encontraram anticorpos para o mayaro. Mosquito haemagogus janthinomys, que também transmite a febre amarela Reprodução

25/05 - 2019


Como nosso cérebro atrapalha o combate às mudanças climáticas



O que garantiu a sobrevivência de nossa espécie agora dificulta a solução de desafios de longo prazo que ameaçam nossa existência. Mas isso também pode nos ajudar. Garota segura cartaz que diz "vamos parar as mudanças climáticas" em um protesto pelo clima nesta sexta-feira (24) em Bogotá, Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters Sabemos que o aquecimento global está acontecendo. É consenso também que as mudanças climáticas são resultado do aumento das emissões de carbono pelas atividades humanas, como a degradação da terra e a queima de combustíveis fósseis. Por fim, sabemos que precisamos de uma solução urgente. Um recente relatório internacional de especialistas em clima alerta que a Terra deve registrar um aquecimento médio de 1,5°C nos próximos 11 anos. Quando isso finalmente ocorrer, podemos esperar um "aumento dos riscos para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água, segurança humana e crescimento econômico". Os mesmos especialistas também descobriram que o aumento da temperatura já alterou os sistemas humanos e naturais de maneira profunda, resultando em condições meteorológicas mais extremas, o derretimento de calotas polares, a elevação do nível do mar, secas, enchentes e a perda crescente de biodiversidade. Apesar de sabermos disso tudo, não mudamos até agora nossos comportamentos em uma escala grande o suficiente para impedir as mudanças climáticas. Por quê? A resposta pode estar em nossa própria evolução. Os mesmos comportamentos que nos ajudaram a sobreviver estão hoje atuando contra nós. Mas é importante lembrar-se de uma coisa. De fato, nenhuma outra espécie evoluiu de modo a criar um problema tão grande - mas nenhuma outra espécie evoluiu com uma capacidade tão extraordinária de resolvê-lo. Vieses cerebrais A dificuldade de trabalharmos em conjunto para pôr fim ao aquecimento global se deve à forma como nossos cérebros evoluíram nos últimos 2 milhões de anos. Pixabay A dificuldade de trabalharmos em conjunto para pôr fim ao aquecimento global se deve à forma como nossos cérebros evoluíram nos últimos 2 milhões de anos. "Os seres humanos são muito ruins em entender as tendências estatísticas e as mudanças de longo prazo", diz o psicólogo político Conor Seyle, diretor de pesquisa da One Earth Future Foundation, uma incubadora de programas que foca na promoção da paz a longo prazo sediada no Colorado, nos Estados Unidos. "Evoluímos para prestar atenção às ameaças imediatas. Superestimamos ameaças que são menos prováveis, mas mais fáceis de lembrar, como o terrorismo. Por outro lado, subestimamos ameaças mais complexas, como as mudanças climáticas", explica. Nas fases iniciais da existência humana, enfrentamos uma série de desafios diários à nossa sobrevivência e à nossa capacidade de reprodução - de predadores a desastres naturais. Muita informação pode confundir nossos cérebros, levando-nos à inação ou a escolhas erradas que podem nos colocar em perigo. Como resultado, nossos cérebros evoluíram para filtrar informações rapidamente e se concentrar no que é imediatamente essencial para nossa sobrevivência e reprodução. Também evoluímos para lembrar tanto das ameaças, para que fossem evitadas no futuro, quanto das oportunidades, para que pudéssemos lembrar encontrar fontes de alimento e abrigo. Greve pelo Clima em Portugal: garota segura cartaz em manifestação contra as mudanças climáticas em Lisboa nesta sexta (24). Armando Franca/AP Essas evoluções biológicas garantiram nossa capacidade de nos reproduzir e sobreviver ao fazer com que nossos cérebros economizassem tempo e energia para lidar com grandes quantidades de informações. No entanto, essas mesmas funções são menos úteis em nossa realidade moderna e provocam erros quando temos que tomar decisões racionais. São os chamados vieses cognitivos. "Vieses cognitivos que garantiram nossa sobrevivência inicial dificultam o enfrentamento de desafios complexos e de longo prazo que agora ameaçam nossa existência, como as mudanças climáticas", diz Seyle. Os psicólogos identificaram mais de 150 vieses cognitivos que todos compartilhamos. Desses, alguns são especialmente importantes para explicar nossa inação sobre as mudanças climáticas. Entenda alguns deles. Desconto hiperbólico: Damos mais valor ao presente do que ao futuro. Durante a maior parte de nossa evolução, foi mais vantajoso nos concentrarmos no que pode nos matar ou nos devorar agora, não mais tarde. Esse viés agora impede nossa capacidade de agir para enfrentar desafios mais distantes, lentos e complexos. Nossa falta de preocupação com as futuras gerações: A teoria evolucionista sugere que nos preocupamos mais com apenas algumas gerações de nossas famílias. Em outras palavras: dos nossos bisavós aos nossos bisnetos. Sendo assim, apesar de sabermos o que precisa ser feito para lidar com as mudanças climáticas, temos dificuldade em observar por que devemos nos sacrificar para as gerações futuras. A teoria evolucionista sugere que nos preocupamos mais com apenas algumas gerações de nossas famílias. Unsplash O efeito espectador: Tendemos a acreditar que sempre haverá alguém que vai lidar com uma crise por nós. Desenvolvemos essa característica ao longo de nossa evolução. Se um animal selvagem ameaçador está pronto para atacar nosso grupo, seria um desperdício de esforço se cada membro entrasse em ação - sem mencionar que isso colocaria desnecessariamente mais pessoas em perigo. Em grupos menores, era claro quem agiria contra essas ameaças, então, essa tática funcionava. Mas, hoje em dia, esse pensamento nos leva a supor (muitas vezes erroneamente) que nossos líderes devem estar fazendo algo sobre o aquecimento global. E, quanto maior o grupo, mais forte esse viés se torna. A ativista pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos, fala durante a Marcha do Clima neste sábado (25) em Copenhague, na Dinamarca. Ritzau Scanpix/Claus Bech via Reuters A falácia do custo irrecuperável: Somos inclinados a manter o mesmo curso mesmo diante de resultados negativos. Quanto mais tempo, energia ou recursos investimos nesse curso, maior a probabilidade de continuarmos com ele - mesmo que não seja o mais ideal. Isso ajuda a explicar, por exemplo, nossa dependência contínua de combustíveis fósseis como fonte primária de energia apesar de décadas de evidência de que podemos - e devemos - fazer a transição para energia limpa e um futuro sem carbono. Esses vieses cognitivos evoluíram por um bom motivo. Mas agora estão prejudicando nossa capacidade de responder ao que poderia ser a maior crise que a humanidade já criou ou teve que enfrentar. Ascendente Evolutivo A boa notícia é que nossa evolução biológica não nos impediu de enfrentar o desafio do aquecimento global. Unsplash A boa notícia é que nossa evolução biológica não nos impediu de enfrentar o desafio do aquecimento global. Também nos deu as ferramentas para solucioná-lo. Leve em consideração nossa capacidade de "viajar no tempo" mentalmente. Em comparação com outros animais, somos os únicos capazes de recordar eventos passados e antecipar cenários futuros. Podemos imaginar e prever resultados múltiplos e complexos, além de identificar ações necessárias no presente para alcançar os resultados desejados no futuro. E, individualmente, muitas vezes nos provamos capazes de agir de acordo com esses planos. Guardamos dinheiro para nossas aposentadorias e compramos seguros, por exemplo, como formas de compensar nossos interesses de curto prazo no longo prazo. Infelizmente, essa capacidade de planejamento para assegurar um resultado futuro diminui quando é necessária uma ação coletiva em larga escala - como é o caso das mudanças climáticas. Como indivíduos, sabemos o que podemos fazer em relação ao aquecimento global. Mas abordar a questão também requer ação coletiva em uma escala que excede nossas capacidades evolutivas. Quanto maior o grupo, mais desafiador fica. Você se lembra do efeito espectador? Mas, em pequenos grupos, a história é diferente. Limites para relações estáveis Experiências antropológicas nos mostram que, em média, um indivíduo pode manter relações estáveis com outras 150 pessoas. Unsplash Como primatas, evoluímos de forma a cooperar para defender o território e colher alimentos e recursos de forma sustentável para o grupo, garantindo diversidade genética suficiente para procriar. Experiências antropológicas nos mostram que, em média, um indivíduo pode manter relações estáveis com outras 150 pessoas - um fenômeno conhecido como "número de Dunbar". Mais do que isso, as relações sociais começam a desmoronar, minando a capacidade do indivíduo de confiar e depender das ações dos outros para alcançar objetivos coletivos de longo prazo. Reconhecendo o poder de pequenos grupos, a Exposure Labs, empresa cinematográfica por trás dos premiados documentários Chasing Ice e Chasing Coral, vem usando seus filmes para incentivar comunidades a tomar ações locais sobre o aquecimento global. Jovens seguram cartazes em ato sobre mudanças climáticas na Cidade do México nesta sexta-feira (24). Edgard Garrido/Reuters Por exemplo, na Carolina do Sul, um Estado americano repleto de líderes que negam as mudanças climáticas, a Exposure Labs exibe um filme para iniciar um debate, convidando pessoas de vários grupos de interesse - como os setores agrícola, pesqueiro e turístico - para falar sobre como as mudanças climáticas os afeta pessoalmente. Eles então trabalham com esses pequenos grupos para identificar ações práticas que podem ser tomadas imediatamente a nível local de forma a causar um impacto - algo que ajuda a gerar a pressão política necessária para obrigar os parlamentares a aprovar legislações locais ou estaduais relevantes. Quando as comunidades locais moldam a narrativa em torno dos interesses individuais, as pessoas são menos propensas a sucumbir ao efeito de espectador e mais propensas a se engajarem. Jovens seguram faixa que diz "declarem a emergência do clima" durante ato em Mumbai, na Índia, nesta sexta-feira (24). Francis Mascarenhas/Reuters Essas abordagens também usam algumas outras estratégias psicológicas. Primeiro, quando pequenos grupos estão envolvidos em propor soluções, eles experimentam o efeito de doação: quando possuímos algo (até mesmo uma ideia), tendemos a valorizá-lo mais. Em segundo lugar, comparação social: costumamos nos avaliar observando os outros. Se estamos cercados por outras pessoas em um grupo que estão agindo contra as mudanças climáticas, é mais provável que façamos o mesmo. Essa é também a mesma essência por trás de programas como a comparação do consumo de energia de uma família com outra em um bairro. Pesquisas mostram que quando as pessoas comparam seu uso de energia com os de seus vizinhos por meio de informes em suas contas de energia, é mais provável que elas acabem reduzindo seu consumo. De todos os nossos vieses cognitivos, no entanto, o efeito de enquadramento é um dos que mais afetam nossos processos de tomada de decisão. Os seres humanos são mais propensos a mudar o comportamento quando os desafios são enquadrados de forma positiva, em vez de negativamente. Em outras palavras, como nos comunicamos sobre as mudanças climáticas influencia a forma como reagimos. As pessoas são mais propensas a agir em relação a um quadro positivo ("um futuro de energia limpa salvará X número de vidas") versus uma declaração negativa ("vamos nos extinguir devido às mudanças climáticas"). "A maioria das pessoas acredita no aquecimento global, mas se sente impotente para fazer algo a respeito, pois os resultados não são tão imediatos e muitas vezes sentidos longe de suas casas", diz a diretora-executiva da Exposure Labs, Samantha Wright. "Para que as pessoas saiam da inércia, precisamos fazer com que a questão pareça direta e pessoal abordando o problema localmente, apontando tanto para impactos quanto soluções locais: como gerar 100% de energia renovável." Da mesma forma, a mudança de comportamento também deve ser incentivada a nível local. Um país que lidera nesse sentido é a Costa Rica, que, em 1997, implementou um imposto inovador sobre combustíveis fósseis. Para aproximar os contribuintes dos benefícios práticos que essa taxa traz para a comunidade, parte da receita arrecadada se destina a agricultores e comunidades indígenas. Esses grupos, então, usam o dinheiro para proteger e reflorestar as matas nativas do país. O sistema da Costa Rica "agora gera US$ 33 milhões anualmente para esses grupos e ajudou o país a reverter seu desmatamento enquanto crescia e transformava sua economia", diz Carlos Manuel Rodríguez, ministro de Meio Ambiente e Energia da Costa Rica. Em 2018, 98% da eletricidade utilizada no país (cujo território é um pouco maior do que o Estado do Rio de Janeiro) veio de fontes de energia renováveis. Naquele mesmo ano, o Brasil divulgava ter uma fatia renovável em torno de 80%. Cartaz de manifestante em ato pelas mudanças climáticas nesta sexta-feira (24) em Bogotá, na Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters Rodríguez diz que o país está indo ainda mais longe: a Costa Rica anunciou uma meta de neutralizar suas emissões de carbono até 2050. Para isso, pretende elevar a parcela dos ônibus elétricos para 70% de toda a frota até 2035 e reduzir o número de carros usados nas cidades pela metade até 2040. A chave tem sido um esforço organizado em larga escala - mas apoiado e assimilado por centenas de grupos e comunidades menores. Em maior escala, o Acordo de Paris e o plano de neutralidade de carbono para 2050 da União Europeia desempenham um papel semelhante, criando um quadro de ação comum sobre mudanças climáticas para países, cidades, vilarejos e setor privado. "O plano de carbono da UE para 2050 é o que é necessário a nível global para gerar impulso, conscientização e ação, e, mais importante, é um exemplo que pode ser imitado e replicado por outros", diz Patricia Zurita, CEO da BirdLife International, uma parceria global de organizações de conservação de aves. Acima de tudo, a característica mais útil que desenvolvemos ao longo de nossa evolução é nossa capacidade de inovar. No passado, usamos essa habilidade para descobrir o fogo, inventar a roda ou plantar os primeiros campos. Hoje, ela se traduz em painéis solares, parques eólicos, veículos elétricos e precificação do carbono. Junto com a inovação, evoluímos para que a comunicação e a tecnologia passem por essas inovações, permitindo que uma única ideia ou invenção se espalhe muito além de nossa própria família ou cidade. Evoluímos para sermos capazes de impedir a mudança climática induzida pelo homem. Agora é o momento de agir.

24/05 - 2019


Teoria da relatividade: como eclipse solar no Ceará há 100 anos transformou Einstein em celebridade mundial



Há 100 anos, astrônomos britânicos foram a Sobral, no Ceará, para um experimento que mudou a maneira como a ciência enxergava o universo. O eclipse total do Sol, fotografado no Ceará, permitiu que cientistas britânicos confirmassem as previsões do jovem alemão Albert Einstein sobre como a luz se comporta em relação à gravidade Science Museum London "A população estacionou nas praças públicas, impressionada com o surpreendente espetáculo que a natureza lhe oferecia. Parecia que a aurora ia romper e, naquela escuridão, os galos cantavam e as avezinhas procuravam agasalho." Assim o jornal Folha do Littoral descreveu o momento em que a população de Sobral, no interior do Ceará, presenciou um eclipse total do Sol em 1919. Mas aquele não era um eclipse qualquer. O fenômeno permitiu que um grupo de cientistas comprovasse pela primeira vez a teoria da relatividade geral do físico alemão Albert Einstein, consolidando uma das maiores revoluções da história da ciência. Meses depois do fim da Primeira Guerra Mundial, a façanha catapultou o físico, que até então era pouco conhecido, para a fama mundial. "Alguns cientistas dizem que o anúncio dos resultados do experimento feito nesse eclipse foi um dos maiores momentos da ciência", disse à BBC News Brasil o físico Luis Carlos Bassalo Crispino, da Universidade Federal do Pará (UFPA), autor de artigos sobre o episódio. Nos anos seguintes, a relatividade geral de Einstein permitiria a formulação da teoria do Big Bang, um modelo para explicar como começou o universo. Um ramo especial da astrofísica, a cosmologia física, foi criado só para estudar esse tema. As ideias do alemão também permitiram que os cientistas desenvolvessem a ideia dos buracos negros e, muitos anos depois, o funcionamento do sistema de GPS - que usa a posição de satélites no espaço para localizar aparelhos na Terra. Mas tudo começou com uma ideia pouco convencional. BBC Uma revolução incomparável No século 19, a física avançava a passos largos, com descobertas sobre a eletricidade, a energia cinética (movimento), a termodinâmica (energia em forma de calor) e a luz, finalmente entendida como uma onda eletromagnética. Foi a partir destas ideias que o físico alemão Albert Einstein começou a pensar sobre o comportamento da luz e sua velocidade, usando uma série de "experimentos mentais" - problemas cujo resultado ele previa apenas em sua imaginação. Em 1905, ele afirma que as medidas de espaço e tempo poderiam mudar de acordo com o ponto de referência. Até então, toda a física se amparava na ideia de que tempo e espaço eram absolutos. A teoria da relatividade especial, como ficou conhecida, já causou espanto e interesse na comunidade científica, mas servia apenas para casos específicos da física. Nos anos seguintes, enquanto as potências europeias, entre elas a Alemanha e o Reino Unido, caminhavam para a Primeira Guerra Mundial, o jovem alemão daria um passo ainda mais ousado: questionar a Lei da Gravitação Universal do inglês Isaac Newton. Sua teoria da relatividade geral, publicada em 1915, confrontava um dos fundamentos da física clássica. Nesta teoria, Einstein afirma que o espaço e o tempo, interligados, formam uma espécie de tecido que conforma tudo ao nosso redor e que pode se curvar, de acordo com a massa dos corpos. Essas curvaturas explicam desde a gravidade, até o movimento dos planetas e estrelas no espaço, a existência dos buracos negros e a formação de todo o universo. "Filosoficamente, a relatividade geral foi quase tão importante quanto a ideia de Copérnico de que a Sol, e não o Terra, estava no centro do universo. Ela revolucionou completamente a maneira como os cientistas deveriam pensar sobre o funcionamento do mundo ao seu redor. As coisas ficaram mais complexas", disse à BBC News Brasil Teresa Wilson, física do Observatório Naval dos Estados Unidos. Newton baseou as afirmações de Einstein BBC O fato de um alemão, naquele momento, propor uma mudança tão fundamental na física também causou polêmica. Alguns pesquisadores simplesmente não acreditaram nele, e outros ignoraram suas ideias. "Por causa da guerra, os cientistas alemães e austríacos eram ignorados e excluídos dos órgãos internacionais. Havia muito ressentimento com relação a eles. Também deixaram de ser convidados a conferências e associações", disse à BBC News Brasil o astrofísico e historiador Daniel Kennefick, autor do livro No Shadow of a Doubt (Sem Sombra de Dúvida, em tradução livre), sobre eclipse de 1919. Mas alguns acadêmicos se consideravam "internacionalistas" - acreditavam que a ciência deveria reunir esforços de pessoas de qualquer nacionalidade. Entre eles estava o próprio Einstein, que havia renunciado a sua cidadania alemã e adotado a suíça em protesto contra o militarismo do regime germânico. Para vencer a resistência da comunidade científica à teoria de Einstein, no entanto, seria preciso confirmar suas previsões. Isso só aconteceria quatro anos após a formulação da teoria - e após o término da Primeira Guerra (em 1918) -, quando pesquisadores ingleses puderam viajar até o interior do Brasil para ver um eclipse. Por que um eclipse? Segundo a relatividade geral, a força de gravidade é um efeito causado pela curvatura do espaço-tempo. Um corpo massivo como o Sol, por exemplo, distorce o espaço-tempo a seu redor, e faz com que outros objetos menores tenham que seguir essa distorção. Einstein explicou a gravidade como a curvatura criada por um corpo massivo, como o Sol, no tecido do espaço-tempo BBC Até mesmo a luz de outras estrelas, em seu caminho até nós na Terra, tem sua trajetória alterada quando passa perto do Sol. Por isso, se pudessem ser vistas durante o dia, as estrelas se pareceriam um pouco mais afastadas do Sol do que realmente estão. Cálculos de Einstein previam um desvio da luz duas vezes maior do que o que era previsto de acordo com a teoria de Newton. Para testar a teoria, seria necessário fotografar estrelas próximas ao Sol e depois fotografá-las no mesmo lugar à noite. Em seguida, medir a posição delas no céu a cada momento, e encontrar a diferença entre estas medidas. O cenário ideal para isso seria um eclipse total, um alinhamento que faz com que a Lua esconda o Sol, projetando sua sombra sobre a Terra. A escuridão permite que os astrônomos observem as estrelas, os planetas e a atmosfera solar durante o dia, com mais facilidade. "Para comprovar que o campo gravitacional do Sol desvia a luz de uma estrela, ela precisa estar próxima do Sol, senão você não consegue perceber esse efeito. Mas o Sol é tão brilhante que normalmente não se consegue ver as estrelas durante o dia. Por isso era necessário fazer o experimento durante um eclipse total", explica Daniel Kennefick. BBC Einstein sabia que organizar esse experimento era complicado. Ele chegou a investir suas próprias economias na expedição do astrônomo alemão Erwin Finlay-Freundlich para observar um eclipse na Crimeia, na Rússia, em 1914, um ano antes de publicar a teoria da relatividade geral. Mas, quando Freundlich chegou à Rússia, explodiu a Primeira Guerra. Seus instrumentos foram confiscados e ele não conseguiu realizar o experimento. A busca pelo 'eclipse perfeito' Em 1917, os astrônomos ingleses Frank Watson Dyson, diretor do Observatório Real de Greenwich, o mais importante do Reino Unido, e Arthur Stanley Eddington, um conhecido astrofísico, queriam comprovar - ou não - a teoria de Einstein, por motivos diferentes. "Como muitos astrônomos, Frank Dyson era cético em relação à relatividade geral. E, naquele momento, os alemães eram percebidos como o inimigo. Ele também tinha um certo sentimento patriótico de que a teoria de Isaac Newton (que era inglês) deveria ser tratada com mais respeito do que a de um jovem da Alemanha", disse à BBC News Brasil o astrônomo Tom Kerss, do Real Observatório de Greenwich. Eddington, por sua vez, era um entusiasta das teorias de Einstein e um internacionalista, que acreditava no ideal de juntar as melhores mentes de todas as nacionalidades em busca da verdade científica. Frank Watson Dyson e Arthur Stanley Eddington usaram eclipse de 1919 para testar a teoria de Einstein; um era cético, e o outro era entusiasta das ideias do alemão Science Photo Library Segundo o historiador Daniel Kennefick, o entusiasmo de Eddington ajudou a convencer Dyson sobre a importância de organizar uma expedição para testar as ideias de Einstein sobre a luz. "Dyson já havia observado muitos eclipses e sabia que aquele experimento era importante e possível. Era um momento em que os instrumentos já tinham evoluído o suficiente pra medir com confiança os resultados que Einstein previa", disse Tom Kerss. Cálculos indicavam que em 1919 um eclipse seria visível na América do Sul e na África. Nesse momento, o Sol estaria perto de um aglomerado de estrelas especialmente brilhantes, as Híades. Parecia a oportunidade perfeita para a ciência e para os dois astrônomos ingleses. O primeiro passo era escolher o local onde eles iriam observar o fenômeno. "Durante um eclipse solar, a sombra da Lua viaja pela Terra de oeste para leste. Então eles desenhavam seu trajeto precisamente em um mapa e começavam a pesquisar", explica Kennefick. Mapa mostra a aparição do eclipse BBC Nesse caso, a faixa de totalidade do eclipse - ou seja, o trecho em que o Sol estaria completamente encoberto - cruzaria toda a América do Sul, começando na Bolívia, passaria pelo Oceano Atlântico e terminaria no continente africano, na Tanzânia. "Na Bolívia e no leste da África não funcionaria, porque o Sol estaria ainda nascendo ou já começando a se pôr, e isso causaria distorções atmosféricas que prejudicariam a medição. A maior parte do trajeto também seria em áreas de floresta tropical de um lado ou de outro. No oceano Atlântico também não era bom, porque um navio não teria estabilidade suficiente para os instrumentos", diz o historiador. A decisão de ir ao Brasil foi tomada depois que Dyson recebeu uma carta do engenheiro Henri Charles Morize, diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro e um dos fundadores da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Na carta, Morize dizia que Sobral - a segunda maior cidade do Ceará, bem conectada por trens e por um porto relativamente próximo - seria o melhor lugar para acompanhar o fenômeno. No entanto, Dyson e Eddington decidiram que ter apenas um ponto de observação não seria suficiente. Era comum que os resultados de expedições como essa fossem prejudicados por más condições de tempo. Em geral, nuvens acabavam impedindo que as estrelas fossem fotografadas. "Apesar do risco, eles estavam determinados a aproveitar essa oportunidade, porque sabiam que aquele eclipse, com uma duração longa e estrelas tão brilhantes, seria especial", disse Kennefick. Por isso, eles decidiram mandar duas equipes de astrônomos a lugares diferentes: a Sobral, no Brasil, e à Ilha de Príncipe, parte do arquipélago de São Tomé e Príncipe, na costa africana. Como fazer ciência em meio à guerra? Depois de decidir seu destino, os cientistas tiveram que solucionar outro problema: a Europa ainda estava em guerra. Dyson usou sua influência para conseguir financiamento e convencer o governo britânico a manter seu colega Eddington fora da frente de batalha. Mesmo assim, era muito difícil encontrar astrônomos com experiência e navios para levá-los ao Brasil e a África. "Eddington queria ir para Príncipe, mas precisou levar com ele um relojoeiro do interior da Inglaterra, porque todos os seus assistentes haviam morrido na guerra", afirma Kennefick. Dyson teve que ficar na Inglaterra e, após uma série de contratempos, encontrou dois candidatos para mandar a Sobral. Os escolhidos foram Charles Davidson, um calculista sem formação acadêmica, mas com muita experiência em telescópios, e o astrônomo irlandês Andrew Crommelin, que operaria um segundo telescópio levado por segurança. Depois de muitas mudanças de planos, o calculista Charles Davidson e o astrônomo irlandês Andrew Crommelin foram os escolhidos para a expedição do Brasil Observatório Nacional "Outro problema da guerra era que os britânicos tinham poucos instrumentos disponíveis, alguns haviam sido confiscados pelos russos em 1914. Eles tiveram que pedir um telescópio emprestado aos irlandeses", disse à BBC News Brasil o astrofísico Tom Ray, do Instituto de Estudos Avançados de Dublin, que encontrou e restaurou o equipamento original que foi a Sobral. Apesar de ser menor e mais velho, o telescópio irlandês foi o autor dos resultados que fizeram história. "Naquele momento, era preciso ter telescópios que fossem estáveis e precisos para conseguir fazer imagens do Sol de longa exposição. O telescópio irlandês tinha sido criado especialmente para eclipses em 1900 e tinha um campo visual maior, que permitia ver mais estrelas", explica Ray. Em novembro de 1918, o Armistício de Compiègne anunciou o fim da guerra e abriu caminho para a expedição. Eddington foi para Príncipe com seu assistente e Davidson e Crommelin saíram de Liverpool, na Inglaterra, para Belém, no Pará, à bordo do Anselm, o primeiro navio inglês a retomar a rota para o Brasil - que tinha sido paralisada por conta da guerra. Os 'sábios ingleses' em Sobral Em Belém, Davidson e Crommelin foram recebidos com festa no porto, e ainda tiveram tempo de fazer uma viagem de barco pelo rio Amazonas até Manaus. Em seguida, os britânicos foram de navio para Camocim, já no Ceará, e de trem para Sobral. No Ceará, a imprensa também se animava com a chegada dos estrangeiros, que eram chamados de "sábios ingleses". O navio Anselm, que levou os astrônomos britânicos de Liverpool a Belém, foi o primeiro a retomar as viagens para a América do Sul após a guerra Luiz Crispino/ Biblioteca Pública Arthur Vianna Em 26 de abril, o jornal O Malho dizia que "por amor à ciência", eles iriam "afrontar a seca, a febre amarela e a falta de conforto". Na época, de acordo com a pesquisa de Luis Crispino, da UFPA, o governo brasileiro enviou uma equipe de médicos especialmente para conter a febre amarela no Ceará, preocupado com os visitantes. "Precisamos defendê-los, por todos os modos, para que não se arrependam da sua viagem ao Ceará. É o ministério da Agricultura quem os vai hospedar em Sobral, e esse, de acordo comigo, fará proteger as casas que lhes forem destinadas com telas de arame, a fim de evitar a entrada do mosquito que serve de veículo à febre", escreveu o médico paraense Emygdio de Matos, que era parte da comissão de combate ao vírus no país. O Observatório Nacional organizou a logística da expedição britânica e também de uma americana, que foi fazer medições sobre o campo magnético terrestre e da eletricidade atmosférica. Mas a "falta de conforto" anunciada pelo jornal não atingiu os pesquisadores. Eles se hospedaram na casa do deputado e coronel Vicente Saboya, dono de um poço artesiano próprio. Água ali, tanto para as atividades diárias quanto para revelar as imagens do eclipse, não seria um problema. A pista de corrida do Jockey Club da cidade, que costumava atrair curiosos, também foi reservada para o acampamento de observação dos britânicos e americanos. "Pelos registros que temos, dá pra perceber que eles ficaram impressionados com a boa recepção das pessoas de lá. Havia muito interesse na chegada deles e todo mundo queria ajudar", diz Daniel Kennefick. "Mas eles também perceberam que Sobral passava por um período ruim. Estava muito seco e as condições de vida eram difíceis. Crommelin escreveu que a cidade tinha um aspecto deprimente, porque era muito seca e empoeirada. Ele também mostrou compaixão pelas pessoas que viu desesperadas cavando buracos em um rio seco, buscando água." Enfim, o eclipse A excitação em Sobral era tamanha que, segundo os jornais da época, o dia do eclipse foi um feriado informal na cidade. Todo o comércio foi fechado e a população encheu as praças públicas desde o início da manhã. As igrejas também ficaram repletas de fiéis com medo de que o escurecimento do céu fosse o anúncio de um mau agouro. "A Prefeitura Municipal instalou dois pequenos telescópios, cobrando pequenas quantias aos que desejavam observar o eclipse. Esse dinheiro reverterá a favor da construção do jardim da cidade. Aqueles aparelhos foram disputadíssimos", dizia o jornal O Malho. No entanto, o dia 29 de maio de 1919 amanheceu nublado. Por sorte, cerca de um minuto antes que o Sol fosse completamente coberto pela sombra da Lua, um vento afastou as nuvens. Os astrônomos tiveram cerca de quatro minutos para fazer 27 fotos do céu, mostrando as 12 estrelas que queriam observar. Nas ruas, os moradores de Sobral chegaram a quebrar as vidraças da porta de uma casa para conseguir pedaços de vidro que, escurecidos por velas, servissem para olhar o céu. "Na fase aguda do eclipse, o 'stock' esgotou-se e o recurso que se apresentou foi o assalto às vidraças. A casa de um nosso vizinho, na sua ausência, pois andava também vendo o eclipse, sofreu um terrível ataque, e uma das portas de sua linda habitação ficou sem duas lâminas das maiores e mais preciosas", escreveu o correspondente do jornal Folha do Littoral. Os britânicos tiveram um problema. O calor intenso em Sobral, segundo o físico Luis Crispino, pode ter causado uma dilatação incomum no espelho do seu principal telescópio. Por isso, algumas imagens ficaram distorcidas e, portanto, menos confiáveis. O pequeno telescópio irlandês, no entanto, produziu oito imagens nítidas e impressionantes do Sol escurecido e da luz das estrelas. Um mês mais tarde, Davidson e Crommelin fotografaram as mesmas estrelas, exatamente no mesmo lugar do céu, só que à noite. Agora já tinham o que precisavam para testar a teoria de Einstein. Em agosto de 1919, os britânicos começaram o caminho de volta à Inglaterra. Em Príncipe, Eddington teve menos sorte. O tempo fechado permitiu poucas imagens aproveitáveis, nas quais aparecia um número menor de estrelas. Seus resultados já pareciam favoráveis à teoria de Einstein, mas, sem base de comparação, crescia a ansiedade pela chegada da expedição de Sobral. Jornais brasileiros cobriram o dia a dia das expedições brasileira, britânica e americana em Sobral; alguns chegaram a "adiantar" o resultado favorável a Einstein, mesmo antes de os cientistas compilarem os dados Ildeu Moreira O dia que mudou a física Em novembro de 1919, foi publicado o estudo final sobre o eclipse, assinado por Dyson, Eddington e Davidson. "Os resultados das observações aqui descritas parecem confirmar a teoria da relatividade geral de Einstein", diz o trabalho. Nele, os pesquisadores também afirmam que as imagens do telescópio irlandês de Sobral eram as mais importantes e confiáveis. Era o primeiro experimento prático a confirmar a teoria do jovem físico alemão. "Nem todos ficaram convencidos", disse à BBC News Brasil Virginia Trimble, professora de Física e Astronomia da Universidade de Califórnia Irvine, nos EUA. "Os cientistas continuaram fazendo medições em eclipses para comparar seus resultados. E, nos anos 1970, as imagens de 1919 foram examinadas outra vez, com instrumentos mais avançados, para garantir que os números estavam corretos", "Na verdade, a teoria da relatividade geral foi testada muitas vezes e passou perfeitamente em todos os testes que fizemos. É impressionante." Como Einstein reagiu? Em setembro, Albert Einstein tinha recebido um telegrama de um amigo holandês dizendo que os resultados da expedição de Eddington a Príncipe, ainda que inconclusivos, apontavam para a confirmação da sua teoria. Eddington já falava disso em conferências internacionais, mas não escreveu pessoalmente a Einstein por causa do clima tenso que ainda existia entre acadêmicos da Inglaterra e da Alemanha após a guerra, terminada em novembro de 1918. "Einstein estava muito ansioso pelo experimento, mas quando o resultado finalmente chegou, ele já estava tão convencido da beleza e da coerência de sua teoria, que parecia nem precisar da comprovação", disse Daniel Kennefick. "Luzes distorcidas no céu", Teoria de Einstein triunfa", diz a capa do jornal americano The New York Times em 15 de novembro de 1919 The New York Times Anos depois, a filósofa alemã Ilse Rosenthal-Schneider contou em um de seus livros que estava com Einstein no momento em que ele recebeu o telegrama. Ela perguntou o que ele faria se o resultado final fosse desfavorável a suas ideias, e ele, calmamente, respondeu: "Eu teria pena de Deus, porque a teoria está correta". Mas, logo em seguida, o físico escreveu a sua mãe contando que recebeu a "notícia feliz" de que sua teoria havia sido confirmada. No dia 6 de novembro, o resultado final foi anunciado com pompa na União Astronômica Internacional. O filósofo e matemático Alfred North Whitehead, que estava na cerimônia, descreveu a cena como "de intensa emoção". "Havia um elemento dramático naquele cerimonial tão cênico e tão tradicional, que ocorria tendo como pano de fundo um retrato de Newton e nos lembrava que a maior das generalizações científicas acabava - depois de mais de dois séculos - de receber a sua primeira modificação", escreveu. No entanto, o próprio Einstein se manteve humilde em relação a sua descoberta. Em um artigo publicado dias depois da cerimônia no jornal Times of London, ele afirmou que "ninguém deve pensar que a grande criação de Newton pode ser derrubada por esta ou qualquer outra teoria". "Suas ideias claras e amplas sempre terão a importância de serem a base sobre a qual nossa concepção moderna da física foi construída." No mesmo artigo, Einstein reconhece a "alegria e gratidão" que sentia pela oportunidade de se comunicar com cientistas ingleses "depois do lamentável rompimento das relações internacionais entre homens da ciência" que aconteceu na Primeira Guerra. Einstein e Eddington só se encontraram na Inglaterra anos depois do eclipse que comprovou a relatividade geral; por causa da Primeira Guerra, o clima ainda era tenso entre cientistas britânicos e alemães Science Photo Library O ressentimento com relação a alemães e austríacos permaneceu por muito tempo depois da guerra, segundo Daniel Kennefick, mas Einstein passou a ser uma exceção. "Em muitos encontros científicos ele era o único alemão convidado", diz. A atenção que a relatividade geral recebeu da imprensa também fez com que Einstein se tornasse uma celebridade mundial. Ele chegava a ser parado nas ruas por admiradores. "Disso ele não gostou muito. Não suportava ter que falar com repórteres o tempo inteiro e chegou a dizer que: 'esse tormento é culpa daquela expedição inglesa'", conta Kennefick. Ele não esqueceu, no entanto, da alegria de ver comprovada a teoria que chamava de "seu pensamento mais feliz". Em 1925, quando fez uma visita ao Rio de Janeiro, o físico alemão escreveu em dedicatória ao empresário Assis Chateaubriand: "O problema concebido pela minha mente foi respondido pelo luminoso céu do Brasil". Um ilustre desconhecido Em Sobral, o tempo diminuiu o alvoroço causado pelo eclipse. Só em 1999 a cidade ganhou um pequeno museu dedicado ao episódio e, em 2015, um planetário. Sobral terá uma série de comemorações nos 100 anos do eclipse, e ganhou uma nova estátua de Albert Einstein, mas muitos na cidade ainda não sabem exatamente qual a relação entre o físico e a cidade Prefeitura de Sobral O físico Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), disse à BBC News Brasil acreditar que "a vinda dos britânicos em 1919 tenha contribuído para que Sobral desse mais atenção à educação". "Mas um motorista de táxi me disse que a maioria das pessoas hoje não sabe nada sobre a expedição." Segundo Moreira, é preciso retomar a importância da cidade na história da ciência não só para os próprios moradores, mas também para a comunidade internacional, que atribuiu a confirmação da relatividade geral mais a Eddington, o mais famoso dos cientistas envolvidos, do que à expedição que foi ao Brasil. No último mês de março, em preparação para os eventos de comemoração dos 100 anos do eclipse, a prefeitura de Sobral inaugurou uma estátua de Albert Einstein feita de argila e bronze. Nela, o cientista aparece descontraído, de bermuda, camisa aberta, chinelos de couro e cabelos ao vento. "Quando colocamos a estátua na praça, alguns jovens encostaram e perguntaram: 'Quem é esse?'. Disseram que deveríamos ter colocado uma placa com o nome dele, mas achamos que é mais interessante deixar as pessoas pesquisarem", diz Moreira.

24/05 - 2019


Vazamento de gás: por que é tão perigoso e como você pode evitá-lo



Seis brasileiros foram encontrados mortos por inalação de gás em apartamento na capital do Chile, Santiago. Seis brasileiros foram encontrados mortos por inalação de gás em apartamento na capital do Chile, Santiago Pixabay A inalação de monóxido de carbono, que teria vitimado seis brasileiros que estavam de férias em Santiago, no Chile, está entre as principais causas de mortes por envenenamento no mundo. O grupo, quatro adultos e dois adolescentes, estava no país havia uma semana. Eles tinham alugado um apartamento no centro da cidade por meio do serviço Airbnb. "Constatamos que havia seis pessoas mortas, quatro adultos e dois menores de idade, e que provavelmente suas mortes foram causadas por um vazamento de gás", informou o comandante da polícia chilena, Rodrigo Soto, à imprensa local. Os bombeiros esvaziaram o prédio, assim como imóveis na vizinhança. Eles testaram o ar dentro do apartamento e dizem ter descoberto altas concentrações de monóxido de carbono. Uma investigação foi aberta sobre o incidente. Autoridades chilenas ainda não identificaram a causa do vazamento nem seu local exato. Também não sabem por quanto tempo os brasileiros foram expostos ao gás. Segundo o Itamaraty, serão realizados exames para determinação das causas das mortes. A família lançou uma campanha de arrecadação para trazer os corpos de volta ao Brasil. No início da tarde desta quinta-feira, o Airbnb informou que vai custear o translado. O monóxido de carbono é liberado pela queima incompleta de combustíveis fósseis e se inalado por longos períodos pode levar à morte. Altamente tóxico, esse gás é incolor (sem cor) e inodoro (não tem cheiro) e por esse motivo fica difícil detectar sua presença no meio ambiente. "Ele se liga à hemoglobina (substância que dá a cor vermelha ao sangue e é responsável pelo transporte de oxigênio) de forma bastante ávida e estável (muito mais que a ligação entre a hemoglobina e o oxigênio), reduzindo drasticamente a capacidade de transporte de oxigênio no sangue", explica à BBC News Brasil Gustavo Faibischew Prado, pneumologista da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). "A baixa oxigenação do sangue pode gerar desde dores de cabeça e turvação visual, até desorientação, sonolência, perda de consciência, arritmias e depressão cardiovascular, podendo culminar no óbito", acrescenta Prado. Essa talvez seja a explicação mais provável sobre por que a família dos turistas brasileiros diz ter recebido telefonemas em que seus parentes falavam coisas desconexas e sem sentido. Preocupados, os familiares entraram em contato com a polícia brasileira. Um delegado de Florianópolis, por sua vez, acionou o consulado brasileiro em Santiago, que enviou um representante ao apartamento. O diplomata chegou ao local acompanhado de agentes da polícia, que tiveram que entrar à força no imóvel depois que ninguém respondeu à campainha. Quando abriram a porta, os seis corpos foram encontrados. As janelas do apartamento estavam fechadas. "Ambientes de instalação devem ser adequadamente ventilados para que haja troca de ar com o ambiente externo e, em particular, os aquecedores de água a gás devem ser instalados em áreas externas ou de serviço e sua chaminé deve ser dimensionada e mantida para que haja exaustão correta dos fumos", diz Edson Moro, gerente Executivo de Operações da Comgás, em nota enviada à BBC News Brasil. "Quando não há exaustão e ventilação adequados, pode haver concentração de monóxido de carbono, resultado de uma queima incompleta, e que é altamente tóxico e inodoro, podendo levar à morte por sua inalação. Por isso, a importância de que todos os requisitos de segurança sejam seguidos", acrescenta ele. Prado, da SBPT, lembra que "alguns sistemas de aquecimento de água e ambiente (calefação) à gás, especialmente os mais antigos, contam com uma "chama-piloto"". Em ambientes fechados, a combustão do gás pela chama-piloto e por outros aparelhos como fornos e fogões também pode levar gradativamente à maior produção de monóxido de carbono, reduzindo o oxigênio do ambiente. Entre as condições que levam à queima incompleta e a uma produção maior de monóxido de carbono estão a presença de sujeira nas tubulações do forno ou aquecedor, a falta de regulagem na admissão de ar e gás em proporções adequadas ou a falta de ventilação no ambiente. Vale lembrar que essa situação pode acabar sendo potencializada em localidades de clima frio, onde as janelas ficam fechadas por mais tempo.  Monóxido de carbono é liberado pela queima incompleta de combustíveis fósseis e se inalado por longos períodos pode levar à morte Pixabay Cheiro forte? Mas relatos de testemunhas indicam que havia um cheiro forte de gás, o que também pode indicar a hipótese de vazamento de gás de cozinha (normalmente uma mistura de propano e butano). "Nesta situação, na ausência de suficiente ventilação, exaustão ou renovação, o ambiente fechado teria sua "microatmosfera" tão saturada desses gases advindos do vazamento que a concentração de oxigênio acabaria por chegar a valores muitíssimo inferiores aos quase 21 % em que naturalmente se encontra na natureza", explica Prado, da SBPT. Esse gás também é inodoro e incolor. Essa é a razão pela qual se adiciona a ele um composto de enxofre chamado mercaptano. Essa substância, de odor forte e desagradável, serve para alertar sobre possíveis vazamentos ─ como se convencionou chamar "cheiro de gás". "Numa situação em que pode ter havido um pouco de vazamento, alguma combustão (mesmo sem um incêndio ou explosão), concorreriam então ao menos três causas para a asfixia: a escassez relativa de oxigênio no ambiente fechado pela presença dos gases que vazaram, a escassez absoluta do oxigênio pelo consumo (no fogão ou chama-piloto de aquecedores) e a redução do transporte de oxigênio no sangue pela intoxicação por monóxido de carbono", enumera Prado, da SBPT. Como identificar um vazamento No caso do gás de cozinha, segundo especialistas, o primeiro passo para saber se há realmente um vazamento ou identificar o local do problema é passar uma esponja com água e sabão neutro nas conexões e nas superfícies suspeitas. O aparecimento de bolhas indica vazamento. Esse procedimento vale para quem tem botijão de gás em casa, presente em 95% dos lares brasileiros, segundo dados do Sindigás (Sindicato Nacional dos Distribuidores de Gás). Se o vazamento ocorrer durante o uso, a detecção é normalmente feita por "cheiro de gás", por causa do odor do mercaptano. Em relação ao gás natural encanado, o método para detectar vazamento é feito a partir do teste de estanqueidade, que verifica as condições de toda a tubulação e conexões. Esse teste é exigência do Corpo de Bombeiros e, segundo o órgão, é a única forma de garantir que não há vazamento no sistema. Além disso, outras orientações devem ser seguidas caso haja a suspeita de vazamento de gás. São elas: Feche a válvula de gás imediatamente Abra as portas e as janelas Não fume, não acenda velas, isqueiros ou produza qualquer tipo de faísca Não ligue nem desligue equipamentos eletrônicos, nem acione interruptores de eletricidade (luzes ou campainha, por exemplo). Em vez disso, desligue a chave geral de eletricidade. Não use telefone fixo ou celular. No caso de um vazamento, a recomendação é acionar o número de emergência da concessionária que fornece o gás ou o Corpo de Bombeiros de sua região. Também avise a seus vizinhos sobre o vazamento. Outra opção cada vez mais comum é instalar sensores de detecção de gás. Nesse caso, o consumidor precisa ficar atento à melhor maneira de instalá-lo. Também vai depender do tipo de gás a ser detectado. No caso do gás natural, é aconselhável colocar os sensores em paredes livres de obstáculos. O aparelho tem que estar próximo das articulações e da fonte principal de fornecimento. Cuidado com reformas Moro, da Comgás, também alerta para reformas, que "podem danificar as tubulações e modificar a ventilação permanente necessária". "Atenção também deve ser dada ao posicionamento da tubulação de gás, como no uso de furadeiras, que podem danificar o tubo e gerar vazamentos", acrescenta. Ele lembra ainda da necessidade de manutenção regular. "As instalações prediais que utilizam gás e as instalações e manutenções de equipamentos requerem profissionais habilitados para sua execução", conclui.

24/05 - 2019


Alguma coisa acertou a Via Láctea e não sabemos o que foi



Satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea Divulgação/ESA Lembra do projeto Gaia? Aquele satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea inteira? O satélite, além de medir a posição de mais de 1 bilhão de estrelas, ainda está determinando a velocidade de quase 100 mil delas. Com a combinação das duas informações é possível estabelecer a distância até elas com extrema precisão. No fim das contas, o Gaia está produzindo o mais preciso e completo mapa da Via Láctea. Com isso, as estruturas já conhecidas, como o espalhamento de estrelas nas proximidades do Sol, estão revelando detalhes importantes que ajudam a explicar a morfologia da nossa galáxia. Mas o mapeamento está revelando também novas estruturas, como a deformação nas regiões exteriores. Essas novas estruturas só fazem aumentar a lista de perguntas ainda não respondidas. A última descoberta é ainda mais intrigante. A nossa galáxia possui alguns conjuntos de estrelas enfileiradas formando longas linhas. Essas “filas” de estrelas são originárias da destruição de aglomerados globulares que atravessam a nossa galáxia. Fazendo esses mergulhos perigosos, a gravidade da Via Láctea vai produzindo forças de marés, fazendo com que as estrelas sejam arrancadas do aglomerado e, como resultado da combinação das forças envolvidas, elas se alinham. Recentemente, Ana Bonaca, uma astrônoma envolvida com a missão Gaia, mostrou em uma conferência que a maior dessas fileiras de estrelas, chamada GD-1, tem uma interrupção. Sim, tem um buraco, como se alguma coisa a tivesse atravessado! Para ser mais preciso, o esperado era que a linha tivesse de fato uma interrupção, exatamente no local onde o aglomerado se rompeu. Nesse ponto, forma-se uma linha para cada lado e as estrelas seguem em fila, uma na direção oposta da outra. O que Bonaca apresentou nessa conferência foi que além desse buraco “progenitor”, a linha de GD-1 tem um outro, formando um vazio bem no meio da linha. Imagem de linha GD-1 Ana Bonaca/Gaia Mais ainda, o furo nessa linha tem em suas bordas muitas estrelas espalhadas ("spur" na figura), fruto da interação com o objeto que a atravessou. Mas, o que pode ter sido? Para causar o estrago que Bonaca e seus colaboradores encontraram, o objeto precisaria ter muita massa. Mas, em princípio, massa está associada a luminosidade, mesmo que seja em comprimentos de onda que não enxergamos como rádio, raios-X ou infravermelho. Então, deveria ser um bicho grande e brilhante, mas cadê? Nada foi encontrado. Pior, a massa estimada para gerar o estrago observado gira em torno de alguns milhões de massas solares. Nenhuma estrela tem tudo isso. Na verdade, essa é a escala de massa de buracos negros supermassivos, daqueles que habitam o centro das galáxias. No centro da Via Láctea tem um de cerca de 4 milhões de massas solares e o buraco negro no centro de M87, que teve imagem e tudo, tem da ordem de bilhões de massas solares. Pela primeira vez, telescópios conseguiram captar a imagem de um buraco negro, no centro da galáxia M87 Reprodução Mas o problema é outro, a ideia corrente é que uma galáxia possua apenas um buraco negro supermassivo. Colegas meus na USP até encontraram casos em que poderia haver dois buracos negros supermassivos na mesma galáxia, mas ambos estariam no centro dela, como resultado da colisão entre duas galáxias muito tempo atrás. Teria, então, um outro buraco negro atravessando nossa galáxia? Difícil dizer. Bonaca e colaboradores ainda admitem a hipótese de que o agente do impacto esteja dentro da Via Láctea, mas escondido por trás de nuvens de poeira, ou confundido com estrelas da nossa galáxia. A equipe já observou GD-1 com outros telescópios para medir a velocidade das estrelas para, de fato, identificar aquelas que fazem parte da fila, separando aquelas que parecem estar nela, mas, na verdade, é apenas um efeito de projeção. Outra possibilidade, ainda mais esquisita, é que a nossa galáxia teria sido atravessada por um, digamos, pedaço de matéria escura. Isso seria muito estranho no sentido que não se espera que a matéria escura se aglomere e se concentre em regiões do espaço, como uma nuvem, por exemplo. Pelo contrário, imagina-se que ela esteja dispersa, formando verdadeiros halos ao redor das galáxias. Dentre as soluções menos especulativas estão galáxias anãs e aglomerados globulares. São categorias de objetos diferentes, com escalas de massa e tamanho diferentes, mas que poderiam produzir estragos semelhantes a depender da sua velocidade. Objetos menos massivos, como os aglomerados, mas viajando a alta velocidade, produzem o mesmo efeito dinâmico que galáxias anãs, com mais massa, mas que tenham velocidades mais baixas. O trabalho da Ana ainda não foi publicado em uma revista arbitrada, ou seja, ainda não passou pela revisão de seus pares, mas a palestra dela teve boa aceitação e ela sobreviveu. Agora é juntar mais evidências para saber onde procurar o agente do impacto. Ela especula que o evento foi recente, na casa de dezenas de milhões de anos, mas como ainda não dá para dizer se ele vinha rápido ou devagar, não dá para dizer até onde ele deve ter entrado na Via Láctea.

24/05 - 2019


Entenda os riscos do monóxido de carbono, gás que pode ter provocado a morte de seis brasileiros no Chile



Aparelhos movidos a combustíveis, como aquecedores, podem vazar gás que mata por asfixia em minutos. Empresa solicita aos locatários que instalem detector de monóxido de carbono nos imóveis. Bombeiros atendem a chamado por vazamento de gás em Santiago, capital do Chile @cbsantiago/Reprodução/Twitter Autoridades do Chile suspeitam que a inalação de monóxido de carbono (CO) causou a morte de seis brasileiros em um apartamento em Santiago, na noite de quarta-feira (22). Os oficiais acreditam que o gás invisível e sem cheiro pode ter vazado de um aparelho doméstico, como um aquecedor. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), as moléculas de monóxido de carbono se ligam à hemoglobina presente no sangue. Isso dificulta a circulação e distribuição do oxigênio – essencial para vida humana – no corpo. É uma morte por asfixia. Os sintomas da asfixia por monóxido de carbono são: Dores de cabeça Tontura Fraqueza Dores abdominais e vômitos Dor no peito Confusão mental Na maioria das vezes, as vítimas não percebem que estão sob efeito do monóxido de carbono justamente porque o gás não tem cheiro nem cor. Como evitar acidentes? Aquecedores a combustível podem vazar monóxido de carbono caso estejam mal posicionados ou sem manutenção. Confinado em um ambiente fechado ou sem janelas, o gás mata em minutos. Há também outros aparelhos que podem causar mortes pela inalação do CO, como geradores de energia e churrasqueiras. Veja como prevenir acidentes, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês): Aquecedores ou qualquer outro aparelho doméstico movido a gás, óleo ou carvão devem passar por vistoria técnica ao menos uma vez por ano; Jamais deixe ligado um carro ou outro veículo na garagem, mesmo que haja uma porta aberta; Nunca use um fogão para aquecer a casa; Mantenha geradores e máquinas de lava a jato a ao menos seis metros de uma janela ou porta; Instale detectores em casa, dispositivos geralmente pequenos e que funcionam com pilhas ou baterias; Deixe o local imediatamente e procure os serviços de emergência caso sinta tonturas, dores e suspeite de vazamento de monóxido de carbono. Empresa pede que anfitriões instalem detectores A Airbnb, empresa de aluguel por temporadas pela qual a família brasileira alugou o apartamento em Santiago, afirma solicitar aos anfitriões que disponibilizem detectores de fumaça e monóxido de carbono dentro dos imóveis. No site oficial, a companhia diz que fornece o aparelho gratuitamente, quando solicitada. A instalação não é obrigatória – exceto quando a cidade ou o país tem uma lei ou regulamento específico sobre o assunto. Ainda assim, a Airbnb notifica os hóspedes quando estão prestes a alugar um imóvel sem detector de monóxido de carbono. Sobre o incidente em Santiago, a Airbnb informou ao G1 que vai arcar com o traslado dos corpos, e que também presta assistência aos responsáveis por oferecer o apartamento – a identidade do locador não foi revelada. Local onde os brasileiros foram encontrados mortos em Santiago, capital do Chile Guilherme Luiz Pinheiro/G1

24/05 - 2019


SpaceX lança primeiros satélites para rede que vai prover internet do espaço



Um foguete Falcon 9 da empresa decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, com 60 satélites. Empresa tem Elon Musk, da Tesla, em seu comando. Falcon 9 da SpaceX é lançado com 60 satélites em Cabo Canaveral, na Flórida, na quinta (23) Malcolm Denemark/AP A SpaceX lançou nesta quinta-feira (23) os primeiros 60 satélites de seu sistema "Starlink", cujo objetivo é prover Internet a partir do espaço. Elon Musk, que também é dono da montadora de carros elétricos Tesla, é quem está por trás da empresa espacial. Em 2018, o empresário chegou a enviar um carro Roadster para o espaço, durante o lançamento do 'superfoguete' Falcon Heavy. SpaceX anuncia contrato para levar ao espaço 1º turista para voar ao redor da Lua Um foguete Falcon 9 da empresa decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, por volta das 22h30 local (23h30 em Brasília). Os satélites começaram a ser liberados uma hora após o lançamento, a uma altitude de 440 km, e usarão seus próprios propulsores para se posicionar em uma órbita relativamente baixa, a 550 km. Elon Musk anunciou o sucesso da operação por meio de seu Twitter. "Implementação bem-sucedida de 60 satélites Starlink confirmada", disse Musk. Initial plugin text Inicialmente, o lançamento estava previsto para a semana passada, mas foi adiado devido à necessidade de atualizações de um software. Cada satélite pesa 227 kg e foi construído em Redmond, na região de Seattle. Imagem mostra lançamento de foguete Falcon 9 com 60 satélites Starlink da SpaceX SpaceX / via AFP Photo SpaceX na corrida espacial A empresa do magnata Elon Musk lidera a corrida espacial privada. Musk espera captar entre 3% e 5% do futuro mercado global, o que poderá render à SpaceX US$ 30 bilhões ao ano, dez vezes mais do que arrecada com o lançamento de foguetes. SpaceX leva cápsula à Estação Espacial Internacional, em parceria com a Nasa A SpaceX obteve aprovação do governo dos Estados Unidos para lançar até 12 mil satélites, em diferentes níveis de órbita, mas Musk avaliou na véspera que mil serão suficientes para que o sistema seja "economicamente viável". A Starlink começará a funcionar assim que forem ativados 800 satélites, o que exigirá uma dúzia de lançamentos. "Acredito que dentro de um ano e meio, talvez dois, se as coisas forem bem, é provável que SpaceX tenha mais satélites em órbita que todos os demais satélites combinados", disse Musk na semana passada. Atualmente, há cerca de 2.100 satélites ativos orbitando a Terra, além de milhares já inativos. Para reduzir o risco de acidente com outros satélites, cada equipamento da Starlink contará com tecnologia contra colisão, segundo a SpaceX. Para receber o sinal de Internet da SpaceX os usuários precisarão de uma antena que "basicamente se parece com uma pizza média", disse Musk. Em 2018, SpaceX enviou Tesla Roadster para o espaço SpaceX via AP

23/05 - 2019


Slime com bórax pode provocar queimaduras e intoxicação; entenda riscos da ingestão e do contato



Composto químico é tóxico se ingerido ou absorvido pela pele. Bórax contém ácido bórico, substância que também está contida em outros ingredientes usados para fazer slimes. Pediatras e químicos alertam para os riscos de intoxicação com slime Sesc Garanhuns/Divulgação A utilização do produto químico bórax na confecção do slime pode comprometer a saúde das crianças. O slime é a massa colorida, de aspecto gosmento, que pode ser comprada em lojas ou produzida em casa. O bórax é um dos ingredientes usados, mas ele tem ácido bórico em sua composição e pode causar inchaço, vermelhidão e queimaduras no contato com a pele. Se ingerido ou inalado em grandes quantidades, o bórax pode provocar ainda dor abdominal, náuseas, vômito e até hemorragia no sistema digestivo. O contato constante com as mãos pode levar a dermatites e desgaste das digitais, com potencial de provocar lesões. A água boricada, que pode ser usada no lugar do bórax para dar consistência gelatinosa à massa, também contém ácido bórico, mas em concentração mais baixa e considerada opção mais segura por pediatras. A toxicidade do bórax no slime pode aumentar se o produto for combinado com outras substâncias químicas, como as presentes em corantes, amaciantes e cremes de barbear - ingredientes que também são usados em algumas receitas de slime. Ana Escobar alerta para os riscos do slime Riscos do slime "O grande problema do slime é ter o bórax na composição", explica a pediatra Ana Escobar, colunista do G1. A médica indica que os pais não comprem slimes que tenham bórax na lista de ingredientes. Escobar recomenda ainda que os adultos não permitam que a substância seja usada na confecção de slimes caseiros. Para Werther Brunow de Carvalho, coordenador de pediatra do Hospital Santa Catarina, as brincadeiras com slime devem ser sempre supervisionadas pelos pais ou responsáveis das crianças. "Quando a brincadeira é com um slime feito em casa a gente tem que ter ainda mais precaução", alerta Carvalho. "Quando a criança vai fazendo a mistura, pode acabar colocando uma quantidade de ácido bórico muito maior do que a encontrada em produtos industrializados." O bórax em pó ou líquido é usado em receitas de slime e põe em risco a saúde das crianças Pixabay Como brincar de slime com segurança? Os pediatras Ana Escobar e Werther Brunow de Carvalho dão dicas de como crianças e adultos podem manusear o slime de maneira segura: Prefira os slimes vendidos prontos em lojas de brinquedos, considerados mais seguros por pediatras. Escolha produtos que não contenham bórax na lista de ingredientes. Se optar pelo slime caseiro, um adulto precisa estar responsável pela confecção do brinquedo. Opte por receitas de slime que não contenham bórax e que levem pequenas quantidades de água boricada. Utilize avental e luvas na hora de misturar os ingredientes do slime. Faça a mistura sempre em locais abertos e bem arejados. Evite acrescentar amaciante ou espuma de barbear, produtos que podem reagir com o ácido bórico. Guarde os produtos utilizados na confecção do slime em locais de difícil acesso para crianças. Limite o tempo de contato da criança com o slime a até 30 minutos por período. Lave as mãos das crianças com bastante água corrente depois da brincadeira. Para evitar a sensibilização da pele, aplique produtos hidratantes nas mãos depois de limpas. Efeitos do bórax na saúde A intoxicação causada pelo bórax pode ocorrer pelo contato da substância com a pele ou pela ingestão e inalação do composto. "O mais perigoso é ingerir o bórax, colocando a mão suja de slime na boca, por exemplo", explica Escobar. Nesses casos os sintomas da intoxicação são dor abdominal, náuseas, vômito e até hemorragia. Já o contato da pele com a substância pode ocasionar sintomas locais, como inchaço, vermelhidão e queimaduras. As lesões podem ser ainda mais graves se ocorrerem em áreas de mucosas, como lábios e olhos. Como ainda não existe no Brasil um exame laboratorial que comprove a intoxicação por bórax, o diagnóstico é feito por exclusão, com exames que descartem outras doenças. Não há antídoto para o bórax, por isso o tratamento é paliativo e focado em aliviar os sintomas da contaminação. Desde a suspeita de contaminação a criança deve se afastada imediatamente dos produtos que contêm a substância. O que é bórax? Também conhecido como borato de sódio, o bórax é um mineral derivado da mistura de um tipo de sal com ácido bórico. O ácido bórico é um ingrediente comum em diversos produtos cujo consumo e manuseio é seguro para humanos. A água boricada, usada em várias receitas de slime e também no tratamento de doenças oftalmológicas, é feita com ácido bórico em baixa dosagem e diluído em água. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica o bórax como uma substância altamente tóxica e determina que ela esteja presente em concentrações de no máximo 20% nos produtos comercializados no país. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, o boráx é uma substância perigosa que pode causar irritações na pele, olhos, nariz e garganta. Slime é um tipo de massa elástica, que pode ser produzida em casa pelas crianças Reprodução/TV Globo Alguns órgãos de saúde pelo mundo já alertaram para os riscos que a exposição contínua ao bórax pode trazer. Em 2016 a agência de saúde do Canadá emitiu um parecer recomendando que os pais evitem o bórax na confecção de slimes caseiros. Um estudo conduzido pelo órgão canadense mostrou que a exposição excessiva a grandes concentrações de ácido bórico teria potencial para causar problemas na saúde reprodutiva e no desenvolvimento de crianças e fetos. A Comissão Europeia também alerta que o contato com grandes quantidades de ácido bórico pode afetar a fertilidade. A instituição recomenda que o contato com produtos que contêm bórax seja feito dentro dos limites indicados pela comissão.

23/05 - 2019


Brasil vota contra decisão da OMS que pede apoio de saúde à Palestina



Apesar do voto contrário da delegação brasileira, projeto foi aprovado por 96 a 11. Itamaraty justificou que a OMS 'deve priorizar temas relacionados à saúde'. Mulher palestina e criança em campo de refugiados em Gaza REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa O Brasil votou contra um projeto apresentado na Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece uma série de medidas de apoio médico-hospitalar à Palestina. Apesar do voto brasileiro contrário, a proposta foi aprovada na quarta-feira (22) por 96 votos a favor e 11 contra, além de 21 abstenções. Aprovado com o título "Condições de Saúde nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e no Golã Sírio Ocupado", o texto pede à Direção-Geral da OMS que: Forneça apoio aos serviços de saúde da Palestina; Assegure o fornecimento de vacinas, medicamentos e equipamentos médicos em linha com padrões e leis internacionais; Garanta assistência técnica para o atendimento médico aos palestinos, inclusive detentos; Apoie o desenvolvimento de um sistema de saúde nos Territórios Palestinos, com foco no desenvolvimento e na alocação de recursos humanos e financeiros. A delegação brasileira em Genebra (Suíça) justificou o voto ao dizer que "a OMS deve priorizar temas relacionados à saúde, em conformidade com os mandatos da Organização". "O Brasil considera que o acordo constitutivo da OMS confere à Organização mandato abrangente para acompanhar a situação de saúde em qualquer região do globo, à luz de critérios técnicos e do quadro objetivo no terreno", afirmou o Itamaraty. O voto contrário do Brasil está em linha com a decisão de países como Estados Unidos, Israel, Alemanha e Hungria. A favor do texto, votaram representantes de delegações como Rússia, China, França e Japão – além das 26 nações de maioria muçulmana que apresentaram o texto junto com Bolívia, Cuba e Venezuela. Voto em linha com Israel O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante reunião em comissão na Câmara Vinicius Loures/Câmara dos Deputados O voto do Brasil na OMS condiz com a nova postura do país nas relações internacionais desde o início do governo de Jair Bolsonaro, com forte aproximação de Israel, entre outras mudanças. Em março, o Brasil votou contra resoluções apresentadas no Conselho de Direitos Humanos da ONU que pediam a condenação de Israel por repressão a civis na fronteira da Faixa de Gaza. No dia da votação, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comentou a votação em uma rede social. "Apoiar o tratamento discriminatório contra Israel na ONU era uma tradição da política externa brasileira dos últimos tempos", escreveu. "Estamos rompendo com essa tradição espúria e injusta, assim como estamos rompendo com a tradição do antiamericanismo, do terceiromundismo e tantas outras", disse Araújo na ocasião.

23/05 - 2019


Defensoria Pública reconhece visão monocular como deficiência e garante reserva de vagas em concursos



Atendimento prioritário também será oferecido pelo órgão. Apenas cegueira ou baixa visão costumam ser consideradas deficiências. Jornalista Amália Barros tem visão monocular Reprodução/Instagram A Defensoria Pública da União decidiu, nesta quinta-feira (23), considerar a visão monocular como deficiência. Portanto, pessoas que enxergam apenas com um dos olhos terão direito à reserva de vagas em concursos públicos do órgão e ao atendimento prioritário. Pela resolução, publicada no Diário Oficial da União, o grupo passará a ter esses benefícios previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A Defensoria Pública entende que, como a visão monocular impõe um impedimento de longo prazo, deve ser considerada deficiência - assim como a cegueira total ou a baixa visão. Pessoas que não enxergam com um dos olhos têm limitações nas noções de profundidade e de tamanho relativo, por exemplo. Discussão na Justiça A discussão sobre o assunto corre na Justiça também por meio do Projeto de Lei nº 1615, de 2019, que busca assegurar aos cidadãos com visão monocular os mesmos direitos previstos na legislação da pessoa com deficiência. Ele foi protocolado em 20 de março e segue em tramitação. Caso seja aprovado, esse grupo passaria a ter acesso, entre outros fatores: a serviços do SUS que promovam políticas públicas de acessibilidade; à educação inclusiva (vedada cobrança de mensalidade extra); a provas acessíveis em universidades (se comprovada a necessidade); à prioridade em serviços de socorro e proteção; à disponibilização de recursos que garantam igualdade; a estações e terminais de transporte público com garantia de embarque e desembarque; à comunicação acessível; à restituição do imposto de renda. O projeto é chamado de "Lei Amália Barros", nome de uma jornalista que tem visão monocular e que defende a causa. "Luto para que o governo deixe de considerar a colocação de prótese ocular como procedimento estético e passe a pagar a cirurgia para quem precisa. Uma mulher com câncer de mama tem direito à prótese do seio, o que é justo. Por que com o olho não existe o mesmo entendimento?", questiona Amália. Nas redes sociais, uma campanha busca chamar atenção para a importância dos direitos desse grupo - cantores famosos postaram fotos cobrindo um dos olhos com a mão. Initial plugin text Em abril de 2009, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também discutiu o tópico e decidiu, na Súmula nº 377, que a visão monocular asseguraria o benefício de concorrer, em concursos públicos, às vagas reservadas aos candidatos com deficiência. Ainda assim, persistem os casos em que esse direito é negado.

23/05 - 2019


Unicamp cria biscoito 'Brasileirinho' de arroz e feijão com alto valor nutricional e sem glúten



Receita crocante foi realizada no laboratório de Engenharia de Alimentos em Campinas e atende às necessidades de pessoas com restrições alimentares. Pesquisadores criam combinação de arroz com feijão em forma de biscoito Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp em Campinas (SP) desenvolveram um biscoito com altos valores nutricionais com dois ingredientes básicos da alimentação brasileira: o arroz e feijão. Apelidado de "Brasileirinho", o biscoito apresenta uma combinação nutritiva de proteínas, lipídios, minerais, carboidratos, entre outras propriedades. O arroz e o feijão consumidos separadamente não garantem o mesmo benefício. Para o pesquisador e doutor em alimento e nutrição David Welei Silva, é um estímulo ao consumo. "Quando você junta os dois, você tem esse fator complementar que torna ambos muito melhores do que cada um individualmente. Nutricionalmente falando, é uma fórmula campeã", explica o especialista. A reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, apresentou a opção para os consumidores, que aprovaram. Veja como foram as impressões no vídeo acima. Biscoito de arroz e feijão desenvolvido pela Unicamp em Campinas. Reprodução/EPTV O sabor do biscoito foi uma das preocupações da pesquisa, assim como a busca por um produto que agrade e atenda às necessidades de pessoas que possuam alguma restrição alimentar e enfrentam carência de opções no mercado. "Ele é muito indicado para essa população intolerante ao glúten, ou alérgico ao glúten, ou celíaco, e também para o público vegetariano porque não vai nada de origem animal, o público vegano", complementa o pesquisador. O biscoito não é um substituto de um prato de arroz e feijão, levando em consideração que cada pacote do "Brasileirinho" contém seis biscoitos, que equivalem a uma colher de arroz e meia colher de feijão. Entretanto, a porção de proteínas, vitaminas, sais minerais e fibras pode ser levada na bolsa ou na mochila. É uma opção para quem vive na correria e acaba sempre trocando o arroz e o feijão por lanches rápidos e menos nutritivos. Outro benefício é que a validade é de até dois meses. Biscoito 'Brasileirinho' de arroz e feijão tem alto valor nutricional, aponta pesquisa da Unicamp em Campinas. Reprodução/EPTV A estudante Luiza Morais Rossi é alérgica a glúten desde a adolescência. Recentemente, também descobriu a intolerância à lactose, o que dificulta na hora de encontrar alternativas para não abrir mão de pães, salgadinhos e queijos. Ela aprovou a versão compacta de arroz e feijão. "É gostoso, bem bom! Dá para sentir o gostinho do feijão mesmo. Eu levaria na bolsa sim", comenta Luiza. A próxima etapa da pesquisa é patentear a fórmula do produto para comercializá-lo em padarias mercados, para toda a população. Para o pesquisador, o público poderá se acostumar ao novo modelo de alimentação básica do cotidiano. "Agora no formato crocante", brinca. Pesquisador da Unicamp em Campinas desenvolve biscoito de arroz e feijão com alto valor nutricional. Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas

23/05 - 2019


Como nossos dentes podem ajudar a ciência



Diversas universidades brasileira mantêm bancos de dentes humanos para pesquisas odontológicas e com células-tronco; veja como doar. Além dos dentes de leite infantil, os permanentes também podem ser úteis em pesquisas científicas Pixabay Depois de perder um dente ao cair enquanto brincava, a professora Tamiris de Souza Rodrigues, na época com 12 anos, recebeu atendimento na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao ser avaliada, os dentistas informaram à menina que o dente não poderia ser recolocado e seria substituído por um de resina. "Os dentistas me explicaram, então, que eu poderia doar meu dente para pesquisas na universidade, e eu o doei", lembra Tamiris. O dente permanente da professora infantil foi para um Banco de Dentes Humanos, uma instituição sem fins lucrativos vinculada às universidades, que utilizam dentes humanos para desenvolverem estudos como parte de cursos de graduação, mestrado e doutorado. "Inúmeras pesquisas utilizam dentes em seus estudos. As mais comuns são: endodontia (tratamentos de doenças e lesões da polpa dentária), dentística (odontologia estética e restauração), ortodontia (alinhamento dos dentes), odontopediatria, próteses e implantes", explica o professor José Carlos Imparato, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. "Nos dentes dos Bancos de Dentes Humanos, aprimoramos técnicas com os alunos e pesquisadores para tratar canais, testamos materiais, como as massinhas para cobrir buracos deixados por cárie e etc", prossegue Imparato. "São graças às pesquisas com dentes cariados, por exemplo, que hoje é muito menos invasivo retirar uma cárie." Atualmente, Tamiris é mãe de um menino de cinco anos que acabou de perder o primeiro dente de leite. Em vez de jogar o dente no lixo ou deixá-lo para a "fada do dente", Tamiris mais uma vez doará o dente às pesquisas. A iniciativa pode ser repetida por qualquer pessoa, explica Imparato - que é coordenador do BioBanco de Dentes da Faculdade de Odontologia da USP. "Quaisquer dentes são aproveitados nos Bancos de Dentes Humanos tanto para a pesquisa como para o ensino: dentes sadios, restaurados, cariados, fraturados, permanentes ou decíduos (dentes de leite). Até o dente do siso serve para pesquisas e pode ser doado", explica Imparato. Além das pesquisas odontológicas, nos anos 1990 a comunidade científica mundial descobriu que a polpa dentária era rica em células-tronco e, desde então, os dentes também têm sido usados em pesquisas sobre regeneração óssea e doenças genéticas, como o autismo. Doação de órgãos No momento, o BioBanco da USP faz uma campanha nacional de doações de dentes de leite chamada O Endereço da Fada de Dente. Os dentes podem ser levados pessoalmente à Faculdade de Odontologia, em São Paulo, ou enviados pelo correio, acompanhados de um termo legal de autorização assinado pelo responsável do doador. "Além de precisarmos desses dentes de leite para continuarmos nossas pesquisas, gostaríamos que as famílias estimulassem os filhos a doarem seus dentes e enfatizar a eles que isso é o mesmo que doar órgãos", afirma Imparato. "Quem sabe um dia nós teremos uma geração mais sensível à doação de órgãos." No Brasil, dentes humanos também são utilizados em alguns laboratórios que desenvolvem pesquisas com células-tronco da polpa dentária Pixabay Ao saber da campanha do BioBanco de dentes da USP, a jornalista Juliana Procópio lembrou que tem guardado um de seus dentes de leite há 20 anos. "Me surpreendi ao saber que, mesmo depois de décadas e sem armazenamento especial, o meu dente de leite ainda serve para as pesquisas". A mãe da jornalista é quem guardava os dentes de leite junto com outras lembranças da infância da filha, mas, tempos atrás, a mãe resolveu jogar os dentes de Juliana fora. "Eu fiquei com dó, apenas pela memória emocional, de ver os meus primeiros dentes irem para o lixo. Daí eu peguei um e guardei-o comigo, mas agora vou doá-lo ao BioBanco da USP", conta a jornalista. O coordenador Imparato explica que qualquer dente humano, independentemente do tempo e do modo como foi guardado, pode ser doado a um Banco. "Não há limite de tempo para um dente. A única coisa que chamamos atenção é que um dente de leite, por ser menor e frequentemente não ter raiz, tem maior chance de fraturar do que um dente permanente quando está fora da boca". Segundo a tese de doutorado Levantamento dos Bancos de Dentes Humanos dos Cursos de Odontologia no Brasil, existem cerca de 64 bancos do tipo em todo o país vinculados às principais faculdades de odontologia do país, que são mantidos exclusivamente por meio da doação de dentes, já que o comércio do órgão é ilegal. "É importante lembrar que o dente é um órgão humano como qualquer outro", explica a professora da Universidade Estadual de Feira de Santana Dayliz Quinto Pereira, coordenadora do Banco de Dentes Humanos da UEFS. "Por isso, pesquisas que envolvem dentes humanos, assim como pesquisas com outros órgãos, só podem ser publicadas em revistas científicas após aprovação do Conselho de Ética e com a autorização legal do doador do dente". A remoção, manipulação e doação do dente humano está submetida à Lei 9.434/97, Lei de Transplantes, que dispõe sobre todas as partes do corpo humano utilizadas em transplantes, estudos e tratamentos. De acordo com a Lei, quem remove órgãos e tecidos inclusive após a morte de pessoas de maneira não identificada pode ser condenado à pena de três a oito anos de prisão. Células-tronco do dente No Brasil, desde os anos 2000, os dentes humanos também são utilizados em alguns laboratórios que desenvolvem pesquisas com células-tronco da polpa dentária. É o caso do BDH da UEFS. "Nosso BDH tem bolsistas que iniciaram pesquisas sobre as vantagens e desvantagens em utilizar células-tronco encontradas na polpa dos dentes, uma vez que temos uma estrutura física que favorece a retirada e armazenamento das células-tronco dentária", explica Pereira. Uma vantagem de se utilizar a célula-tronco da polpa dentária está na facilidade e no procedimento minimamente invasivo em remover dos dentes estas células quando comparada às outras fontes de células-tronco, como o tecido adiposo, cordão umbilical e medula óssea. Em 2005, a professora do Instituto de Biociência da USP Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, começou a desenvolver as primeiras pesquisas brasileiras em células-tronco retiradas dos dentes de leite. "Os objetivos iniciais eram avaliar o uso das células-tronco dos dentes de leite para reconstrução óssea do tecido craniano", afirma Passos-Bueno, explicando que foi comprovado nos primeiros estudos que essas células eram capazes de acelerar o processo de regeneração óssea do crânio. Atualmente, as células-tronco da polpa dentária têm sido usadas nos estudos sobre doenças genéticas como fissuras lábio-palatinas (FLP) e autismo. "A partir das células-tronco da polpa dentária, buscamos novos caminhos para a compreensão de doenças genéticas", explica a pesquisadora. "Em relação às fissuras lábio-palatinas, descobrimos que o mau funcionamento de genes de reparo de DNA, como BRCA1, pode contribuir para o nascimento de uma criança com FLP. Já em autismo, o uso dessas células foi importante para demonstrarmos a associação de um novo gene, o TRPC6, ao autismo". Quando questionada se um dia será possível que células-tronco retiradas do dente de leite sejam armazenadas para que, no futuro, seu próprio dono use-as para tratar uma doença ou lesão craniofacial grave, Passos-Bueno é otimista. "Sim, é possível, mas ainda não temos como predizer, principalmente porque não temos bancos de células-tronco de não doadores-específicos", afirma a pesquisadora, se referindo à possibilidade de, no futuro, cada pessoa poder ter um banco formado por suas próprias células-tronco e para uso próprio. De volta à professora Tamiris, ela comprou uma caixinha para guardar os dentes de leite do filho de cinco anos. "Vou doar, com os próximos que cairão, para a Faculdade de Odontologia da UFRJ, igual fiz dez anos atrás com meu próprio dente", conta ela, que mesmo assim não conseguiu se esquivar da "fada do dente". "Expliquei ao meu filho que doaríamos o dente, mas um dia ele chegou da escola falando que um amigo havia contado sobre a fada do dente. Eu deixei ele colocar o dente por uma noite embaixo do travesseiro dele, deixei um dinheiro ali, como diz a história, mas, no dia seguinte, voltei a guardar o dente na caixinha." Como doar dentes Interessados em doar dentes de leite para a campanha O Endereço da Fada do Dente da USP, é preciso acessar o site www.enderecodafadadodente.com.br e preencher um formulário com nome e endereço. Os doadores receberão em casa uma carta, já selada, pronta para a doação dos dentes, e um termo de autorização obrigatório, que deve ser assinado e enviado junto com o dente. "Mas também precisamos de dentes permanentes constantemente", lembra o coordenador do BHD da USP, José Carlos Imparato. No caso de doação de dentes permanentes, eles devem ser levados pessoalmente na Faculdade de Odontologia da USP, no endereço Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 - Butantã, São Paulo - SP, 05508-000, entre as 14h e 17h. Para doar dentes para o BDH da UEFS, é preciso ir pessoalmente no endereço Av. Transnordestina, S/N - Bairro Novo Horizonte Feira de Santana, Bahia - CEP: 44.036-900. Os dentes devem estar em embalagem plástica ou em recipiente fechado com água de torneira. Todos os tipos de dentes, assim como em qualquer estado e tempo de conservação, podem ser doados.

23/05 - 2019


Programa que amplia o horário de atendimento nas unidades de saúde atinge 15% da meta



São 151 unidades de saúde da família pelo país. Meta é atingir 1 mil neste ano. A adesão é voluntária. Unidade Básica de Saúde em Ribeirão Preto, SP Foto: Antonio Luiz/EPTV O programa de ampliação do atendimento na saúde básica atraiu 151 das 1 mil unidades de saúde da família mapeadas pelo governo para participarem da iniciativa. A adesão é voluntária. O objetivo é garantir que a população tenha acesso aos serviços de saúde fora do horário comercial. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Ministério da Saúde. Até agora, 29 das 400 cidades aptas a participarem da iniciativa já se inscreveram no programa, segundo o governo. Os estados com o maior número de inscrições são Paraná (47), Mato Grosso do Sul (33) e Santa Catarina (28). O Ministério da Saúde lançou o programa há uma semana e o procedimento de adesão foi aberto na sexta-feira (17). De acordo com Erno Harzheim, secretário de Atenção Primária à Saúde, o número é satisfatório. “Foram quatro dias de adesão aberta, e são 15% da meta deste ano. Daqui a pouco vou ter que ir no gabinete do ministro pedir mais recursos para atender a demanda", afirmou. Financiamento O programa tem orçamento de R$ 150 milhões, que serão transferidos para os municípios aplicarem na ampliação do serviço. Os repasses dependem do tamanho das equipes. “O financiamento é suficiente para responder por aproximadamente 50% do custo, claro que tem que ter a contrapartida municipal. Mas estamos dobrando o valor que anteriormente repassávamos para estas cidades”, afirma Harzheim. Pedidos em análise O Ministério da Saúde disse que, das 151 unidades que fizeram a solicitação, 110 delas tiveram os pedidos finalizados e agora passam por análise técnica. As demais 41 unidades encontram-se em processo de preenchimento de informações pelos gestores municipais de saúde. Segundo o ministério, além da meta deste ano, o objetivo é atrair até 1,3 mil unidades básicas de saúde em 2020; até 1,7 mil em 2021 e até 2 mil em 2022. Governo vai priorizar grandes cidades na ampliação do horário de atendimento de unidades de saúde Em geral, os serviços de atenção básica à saúde funcionam das 7h às 11h e das 13h às 17h, na grande maioria das cidades. A ideia é ter unidades abertas no horário do almoço, de noite e até aos finais de semana. Tipos de unidades de saúde O governo propõe os seguintes modelos de unidades de saúde: atendimento de 60 horas semanais, sem saúde bucal atendimento de 60 horas semanais, com saúde bucal atendimento de 75 horas semanais, com saúde bucal Requisitos: abrir na hora do almoço abrir à noite e, se quiser, aos finais de semana manter atualizado o prontuário eletrônico possuir infraestrutura adequada para comportar as equipes 50% dos atendimentos serão sem agendamento oferecer consultas médicas e de enfermagem nos três turnos (manhã, tarde e noite) oferecer consultas de pré-natal oferecer vacinação fazer coleta para exames laboratoriais realizar pequenos procedimentos cirúrgicos, como suturas

23/05 - 2019


Mayaro: o que se sabe e o que falta saber sobre o novo vírus transmitido por mosquitos que pode estar circulando no Rio



Pesquisadores da UFRJ identificaram casos de três pacientes infectados em 2016; sintomas semelhantes fazem deste vírus um 'primo' da chikungunya. Mosquito: dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo Aedes Aegypti; febre do mayaro, pela picada de Haemagogus Emphyrio/Pixabay Além dos nomes dengue, zika e chikungunya, os moradores e o poder público do Rio de Janeiro poderão ser apresentados a outro vírus, também transmitido por mosquitos e que dá indícios de ter adoecido pessoas do Estado nos últimos anos: o mayaro. Na semana passada, o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou que seus pesquisadores, liderados por Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro, confirmaram casos de infecção pelo mayaro em três pacientes adoecidos em 2016, todos da cidade de Niterói. O mayaro é endêmico (tem presença contínua) na Amazônia e é normalmente transmitido pelos mosquitos do gênero Haemagogus, que vive nas matas e também é conhecido por propagar a febre amarela silvestre. É um perfil diferente do Aedes aegypti, vetor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela urbana - já que este vive nas cidades. Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que no ano passado Em entrevista à BBC News Brasil por telefone, Tanuri explicou que sua equipe ainda busca detalhes sobre os deslocamentos destes pacientes para, por exemplo, regiões de mata no próprio Estado fluminense – mas suas fichas indicam que eles não viajaram para regiões endêmicas no período em que foram infectados. A notícia da chegada do mayaro ao Estado prenuncia desafios: a infecção por ele causada gera sintomas semelhantes à causada por chikungunya, como febre alta e dores articulares, o que dificulta o diagnóstico. Por isso, ele é chamado de "primo" da chikungunya. A gravidade da infecção pelo mayaro é considerada moderada, mas já houve casos com complicações sérias como hemorragia, problemas neurológicos e até morte. Não há imunização ou tratamento específico para a doença, mas sim o controle de seus sintomas, como por exemplo o uso de remédios para controlar a febre. A confirmação da presença do mayaro no Rio também é um passo inicial diante de muitas incógnitas ainda a serem descobertas pelos cientistas; entenda. O que se sabe sobre a doença O vírus foi isolado pela primeira vez na década de 50 a partir de amostras de sangue de pacientes infectados em Trinidad e Tobago, na América Central. Casos no Brasil já foram registrados ainda em 1955 em um surto em Belém do Pará, e posteriormente em outras partes da Amazônia e do Centro-Oeste, como em Goiás há quatro anos. Em outros países, a proximidade com a floresta também é decisiva na manifestação da doença, como em regiões do Peru, Bolívia e Venezuela. "Os principais celeiros das arboviroses (vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos) estão na floresta amazônica, com 192 tipos de vírus (já descritos), mas nem todos em humanos; e a costa oeste da África, com mais 600 tipos", explica o epidemiologista. No caso do mayaro, mamíferos - incluindo os humanos - e até aves já foram descritos como hospedeiros para o vírus, ou seja, são "reservatórios" cujo material infectado é transmitido pelos mosquitos. Os insetos do gênero Haemagogus são o principal vetor, mas pesquisadores acreditam que o Aedes aegypti pode ser um transmissor "competente" do vírus - e isto traz implicações sérias para o desenvolvimento da doença nas cidades. O que falta entender Os pesquisadores da UFRJ identificaram o mayaro a partir da análise a nível molecular de 279 amostras que, pelos sintomas, indicavam infecção por chikungunya. Pesquisadores da UFRJ anunciam que descobriram vírus mayaro no estado do Rio Mas 57 destas amostras não puderam confirmar a presença da chikungunya, e então os cientistas fizeram uma reanálise delas. Com uma técnica chamada PCR em Tempo Real, a equipe conseguiu finalmente identificar um gene específico do mayaro em três amostras. Os resultados devem ser consolidados e publicados nos próximos meses em um artigo. "Nosso interesse agora é descobrir se em 2019 o vírus continua circulando. Se está circulando, onde? E ele já pôde infectar mosquitos urbanizados?", indica Amilcar Tanuri. Para buscar estas respostas, a equipe está correndo atrás de amostras de pacientes infectados neste ano, inclusive em outras partes do Estado como cidades que já tiveram casos de febre amarela silvestre - portanto, envolvendo o Haemagogus ou ainda o mosquito Sabethes. E, como indicou Tanuri, os cientistas procuram também indícios se o Aedes já possa ter picado um hospedeiro do mayaro e estar transmitindo o vírus, ampliando em muito a possibilidade de expansão da doença nas cidades. Neste cenário, uma das medidas mais importantes a ser tomada já é conhecida - mas ainda deficiente: o combate ao mosquito, com a promoção do saneamento e da limpeza, impedindo a proliferação de ovos e larvas do vetor na água parada, por exemplo. "(Este tipo de arbovirose) É um subproduto da expansão das fronteiras agrícolas, da entrada da zona urbana dentro da mata, do movimento de pessoas", explica Tanuri. Desafios para levar pesquisa adiante Segundo o cientista, dos mais de 6 mil casos relatados pelo Estado do Rio de Janeiro como indicativos de chikungunya neste ano, cerca de 20% não foram conclusivos para confirmação desta doença - o que abre margem para que possam na verdade incluir casos de mayaro. Mas estudar milhares de amostras implica em custos e demanda investimentos, o que joga luz sobre obstáculos sérios a serem enfrentados na investigação. Segundo Tanuri, "desde 2014" o investimento em pesquisa através de órgãos de fomento federais e estaduais vem caindo, e agora neste ano o cenário deve ser agravado pelo contigenciamento de verbas para universidades federais como a UFRJ - afetando condições básicas para o estudo, como o fornecimento de luz, água, limpeza e segurança. Em 2016, o trabalho da equipe de Amilcar Tanuri e Rodrigo Brindeiro no laboratório da UFRJ chegou a uma das publicações científicas mais importantes do mundo, a revista Lancet, na qual os brasileiros apresentaram o sequenciamento completo do genoma do zika. Dados do Ministério da Saúde mostram que, de dezembro de 2018 ao início de maio, o Rio de Janeiro foi o Estado com a maior incidência de chikungunya no país - configurando um surto. Já em relação à dengue, zika e febre amarela, um relatório de janeiro do governo estadual mostra que a situação é melhor do que nos anos anteriores.

23/05 - 2019


Como as doenças crônicas afetam a mobilidade dos idosos



Mesmo inconscientemente, os mais velhos vão limitando seus movimentos Sabemos que as doenças crônicas acabam limitando a capacidade de locomoção dos idosos. Normalmente, as pessoas têm consciência de sua condição em casos mais graves, que provoquem muita dor ou limitações funcionais; no entanto, se a progressão da enfermidade é lenta, é comum que a restrição gradual de mobilidade passe despercebida. Numa interessante pesquisa realizada na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, foram monitorados os movimentos de 779 gêmeos, com a idade variando entre 71 e 75 anos, dentro de casa. O estudo mostrou que as doenças crônicas – artrite reumatoide, osteoartrite, diabetes, doença coronariana, por exemplo – afetavam significativamente a mobilidade dos idosos, sem que eles se dessem conta disso. Indivíduos saudáveis dão, em média, 7 mil passos por dia (cerca de 4.5 quilômetros). Entretanto, os que eram portadores de pelo menos três enfermidades davam menos de 4 mil passos. Restrição gradual de mobilidade de idosos pode passar despercebida Dave Haygarth - originally posted to Flickr as Jean's Bionic Knee / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5307210 Os pesquisadores, que acompanham esse grupo desde 1975, concluíram que o volume de atividade física na juventude não tinha influência nos resultados: a grande diferença na capacidade de locomoção era entre quem estava mais ou menos saudável. Para o professor Urho Kujala, coordenador do estudo, o resultado indica a importância de exercícios personalizados com o objetivo de manter a independência dos pacientes. Exercitar-se é um mantra dessa coluna, corroborado por todas as pesquisas científicas. Uma delas, feita pela faculdade de medicina da Northwestern University, em Chicago, mostra que uma hora de caminhada vigorosa por semana – por se-ma-na! – ajuda a prevenir problemas de mobilidade em idosos com osteoartrite. “São menos de dez minutos por dia para o paciente manter sua independência”, resume a professora Dorothy Dunlop, completando: “atingindo esse patamar, o indivíduo pode se motivar a adotar um estilo de vida que inclua atividade física, o que certamente trará inúmeros benefícios para sua saúde”. O ritmo dessa caminhada seria o equivalente a andar como se a pessoa estivesse atrasada para chegar a um compromisso. Os benefícios mapeados: habilidade de realizar tarefas como vestir-se ou ser capaz de atravessar a rua durante o tempo do sinal verde para pedestre. No Brasil, cerca de 12 milhões sofrem de osteoartrite. Depois que a doença se instala, como mostrou a primeira pesquisa, a tendência é restringir a locomoção, num círculo vicioso que leva a problemas ainda mais graves.

23/05 - 2019


Satisfeito com seu nariz? Conheça os tipos de cirurgia e os riscos envolvidos



De motivação estética ou para reparar problemas de saúde, os procedimentos devem priorizar a respiração, alertam os especialistas. Pré-operatório deve ser cumprido à risca para garantir segurança do paciente em qualquer tipo de cirurgia. Shutterstock Você gosta do seu nariz? Embora a função principal dessa estrutura seja a respiração, a aparência também tem importância para os brasileiros. Hoje, a rinoplastia (nome dado à cirurgia plástica de nariz) é a quarta mais procurada, ficando atrás apenas do implante de mamas, lipoaspiração e outras cirurgias de face. Veja os cuidados para evitar o nariz entupido durante os meses de frio Mito ou verdade? Teste seus conhecimentos sobre o nariz Segundo o último levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizadas cerca de 90 mil rinoplastias no país em 2016. Segundo o presidente da SBCP, Níveo Steffen, são três as principais queixas de quem chega aos consultórios: “meu nariz é grande”, “meu nariz tem um caroço em cima” ou “meu nariz tem uma ponta muito grande”. Todos as reclamações são passíveis de reparação, mas os cirurgiões alertam que a prioridade de qualquer cirurgia de nariz é manter a respiração intacta. Ou seja: não adianta arrumar a aparência e deixar o paciente respirando mal. “Jamais você vai priorizar a estética em detrimento da função. São cirurgias que se complementam. Quando corrige a parte estética, você também pode mexer no problema respiratório, se houver algum. O paciente tem que respirar pelo nariz, isso é condição fundamental”, reforça o otorrinolaringologista e presidente da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face, Washington Luiz de Cerqueira Almeida. Steffen, da SBPC, diz que estética e reparação andam juntas. “Há 50 anos, quando a cirurgia plástica de nariz foi criada, se pensava apenas na forma. Hoje, não. A estética e as reparações de saúde caminham juntas. Não se pensa em deixar o nariz só bonito e trazer problemas para a respiração. Tem que se manter absolutamente íntegra a respiração do paciente, ou melhorar”, enfatiza. Para quem pensa em fazer uma rinoplastia, seguir à risca os passos do pré-operatório é fundamental. Escolher um profissional habilitado (com registro na SBCP ou no Conselho Regional de Medicina, ou, ainda, no Conselho Federal de Medicina) é importante para garantir que o procedimento será feito com um especialista (cirurgião plástico ou otorrinolaringologista). Depois, o paciente deve se certificar de que o local da cirurgia está habilitado para comportar procedimentos cirúrgicos, seja um hospital ou uma clínica com alvará para isso. Por fim, realizar todos os exames antes da cirurgia (de sangue, avaliações cardiológicas quando necessário, entre outros). “Fazer uma cirurgia às pressas compromete a segurança do paciente. Todas as etapas do pré-operatório devem ser cumpridas corretamente, inclusive as conversas entre médico e paciente, para que o cirurgião conheça o histórico da pessoa”, defende Steffen. Correção de septo Mas toda cirurgia de nariz é uma cirurgia plástica? Não necessariamente. Existem aquelas voltadas apenas a reparos de saúde, como as cirurgias de correção de septo. O septo é aquela “parede” que divide as cavidades nasais em duas. Quando está desviado para um lado ou para o outro, pode obstruir a respiração. “Dificilmente alguém terá um septo 100% reto, mas o importante é que algumas pessoas têm um desvio de septo que chega a causar obstrução. E apenas nesses casos há necessidade de tratamento”, explica o otorrinolaringologista e vice-presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Fabrizzio Ricci Romano. Nessa cirurgia, o médico descola a mucosa do septo e corrige ou retira a parte desviada da cartilagem e do osso septal. Em seguida, reposiciona a mucosa. O procedimento costuma ser bastante seguro, e os riscos estão mais atrelados à anestesia (geral ou local, dependendo do paciente). No pós-operatório, o nariz pode ficar um pouco congestionado nos primeiros quatro dias, mas não costuma haver dor. Veja ainda outros tipos de cirurgia de nariz: Turbinectomia: diminuição dos cornetos (estruturas de formação óssea e mucosa localizadas nas paredes laterais do nariz que ajudam a aquecer e umidificar o ar na respiração). Quando o paciente tem desvio de septo, um dos cornetos pode inchar para ocupar o espaço deixado pela outra narina. Por exemplo: se o septo está desviado para o lado esquerdo, corre-se o risco de o corneto crescer do lado direito para compensar o espaço livre. Na turbinectomia, não há retirada total dos cornetos, apenas diminuição. Pode ser feita durante a cirurgia de correção de septo. Adenoidectomia: retirada da adenoide, mais comum em crianças que roncam ou dormem de boca aberta. A adenoide é um tecido que cresce no fundo do nariz, na área da rinofaringe, e pode causar obstrução nasal intensa. A cirurgia corrige esse problema. Sinusectomia: abertura e limpeza dos seios paranasais (seios da face, próximos ou no entorno do nariz). Serve para tratar sinusite crônica. É possível obter mais informações nos sites da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico (www.aborlccf.org.br) e da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (www.abcpf.org.br).

23/05 - 2019


Desistências no Mais Médicos crescem e chegam a 19% das vagas preenchidas após saída de cubanos



De acordo com o Ministério da Saúde, 1.325 profissionais formados com registro profissional válido se desligaram do programa até o mês de maio. Não há desistências nas vagas preenchidas por médicos brasileiros formados no exterior. Desistências já somam 1,3 mil no Mais Médicos; edital em andamento busca preencher 2 mil vagas ociosas Reprodução / TV Liberal Cerca de 19% dos médicos brasileiros que entraram no Mais Médicos desistiram de participar do programa até o mês de maio. Dados obtidos pelo G1 junto ao Ministério da Saúde mostram que 1.325 profissionais com registro profissional brasileiro se desligaram do programa até agora. O número de desistências cresceu 25% em relação ao balanço anterior, que indicava 1.052 médicos desistentes nos três primeiros meses do ano. Após a saída de Cuba do programa, em novembro, um edital foi aberto para preencher as 8.517 vagas que foram deixadas. No total, 7.120 vagas foram preenchidas em seguida por médicos formados no Brasil. Cuba decide deixar programa Mais Médicos no Brasil e cita declarações 'ameaçadoras' de Bolsonaro Em um novo edital, publicado em dezembro, as 1.397 vagas remanescentes foram oferecidas a médicos brasileiros formados no exterior. O Ministério da Saúde alega que não há desistências nesse grupo: todos concluíram o módulo de acolhimento obrigatório e foram direcionados aos municípios escolhidos durante o edital. Diversos municípios brasileiros convivem com a ausência de médicos nos serviços de saúde desde a saída dos profissionais cubanos. Na Grande São Paulo, por exemplo, 19 cidades somavam 106 vagas ociosas no último dia 8 por conta da saída dos cubanos. Novo edital Na segunda-feira (13) o Ministério da Saúde lançou um novo edital do Mais Médicos. O objetivo é contratar pelo menos 2 mil médicos que devem atuar em 790 municípios considerados carentes ou de difícil acesso, onde vivem cerca de 6 milhões de pessoas. Os profissionais com registro profissional brasileiro devem se inscrever entre os dias 27 e 29 de maio no site do programa. Caso haja vagas remanescentes, as oportunidades serão estendidas, em um segundo chamamento público, aos profissionais brasileiros formados em outros países. Até o momento, 36 municípios foram contemplados pelo novo edital. A seleção de cidades ainda pode mudar já que, nesta primeira fase do edital, os municípios precisam renovar ou aderir e, em seguida, validar a participação no programa e o número de vagas ofertadas. Reformulação do Mais Médicos O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já afirmou que novas ações para o Mais Médicos estão em análise. Em entrevista ao G1, em fevereiro, Mandetta disse que o programa seria "reformulado". Em nota enviada nesta quarta-feira (22), o Ministério da Saúde afirma que, neste momento, a priorização de atendimento médico é para os municípios com maior vulnerabilidade social. "Um novo programa para ampliar a assistência na Atenção Primária está sendo elaborado e será divulgado em breve", informa o Ministério da Saúde. Cronologia do Mais Médicos Em julho de 2013, governo federal cria o programa Mais Médicos para fixar profissionais em regiões mal atendidas Em novembro de 2018, Cuba anuncia saída do programa No mesmo mês, governo publica edital com 8.517 vagas abertas No primeiro edital, todas as vagas foram ofertadas a médicos com registro no Conselho Regional de Medicina do Brasil Em dezembro de 2018, um segundo edital foi lançado para preencher 1.397 vagas remanescentes com brasileiros formados no exterior Em janeiro de 2019, os médicos brasileiros começaram a se apresentar aos municípios No começo de março de 2019, os médicos formados no exterior iniciam a fase de acolhimento obrigatória No início de maio de 2018, um terceiro edital é lançado com 2.000 vagas para municípios vulneráveis

22/05 - 2019


Decreto muda estrutura da área de combate à Aids no Ministério da Saúde



Departamento que cuidava do HIV passa a tratar também de doenças que não são transmitidas sexualmente. Em nota, pasta afirma que reestruturação não prejudica estratégia contra a Aids. Ministério da Saúde Aílton de Freitas / Agência O Globo Por meio de um decreto presidencial, o governo federal modificou a estrutura do departamento que promove o combate à Aids no Ministério da Saúde. O Departamento de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), Aids e Hepatites Virais passa a se chamar Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Na nova estrutura, políticas públicas para doenças como hanseníase e tuberculose são analisadas pelo mesmo departamento que cuida da estratégia brasileira contra o HIV. Antes, o departamento cuidava apenas de doenças sexualmente transmissíveis. Em nota divulgada nesta quarta-feira (22), o Ministério da Saúde afirma que "a nova estrutura fortalece integração entre as áreas do Ministério da Saúde" e que a "estratégia de resposta brasileira ao HIV não será prejudicada". Publicado em 17 de maio, o decreto Nº 9.795 foi criticado por redes, coletivos e organizações do movimento nacional de luta contra a Aids. Os grupos reclamam que a mudança foi feita sem diálogo com a sociedade civil, já que o tema não foi discutido na Comissão Nacional de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais (Cnaids) e na Comissão Nacional de Articulação com Movimentos Sociais (Cams). Mudanças estruturais Até a publicação do decreto presidencial, o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, criado em 1986, cuidava apenas de políticas contra o HIV e as hepatites virais. O setor, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, tornou-se referência mundial no tratamento e atenção à Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis. Agora, a Coordenação-Geral de Vigilância do HIV/Aids e das Hepatites Virais passa a ser subordinada ao Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, que deve analisar também doenças como tuberculose e hanseníase. Em nota, o Ministério da Saúde nega que a mudança cause prejuízos para o combate à Aids no país. A pasta destaca que o orçamento para área não foi alterado com a nova estrutura e que a verba aumentou em relação a 2018. "Do ponto de vista programático, não haverá perda orçamentária para o HIV/Aids. O orçamento da área passou de R$ 1,7 bilhão em 2018 para R$ 2,2 bilhões em 2019", afirma a nota. De acordo com o órgão, a mudança ocorreu porque foi identificada a necessidade de se implementar ações mais efetivas, eficientes e contemporâneas contra a Aids. "A intenção é trabalhar com as doenças mais comuns nas populações com maior vulnerabilidade e com os mesmos condicionantes sociais", diz a pasta. "Além disso, o HIV/Aids, a tuberculose e a hanseníase possuem características de doenças crônicas transmissíveis, com tratamento de longa duração, o que permite uma integração das ações. As pessoas vivendo com HIV, por exemplo, têm maior risco de desenvolver a tuberculose, além de ser um fator de maior impacto na mortalidade nesses casos", afirma o ministério em nota. "Também é comum que o diagnóstico da infecção pelo HIV seja feito durante a investigação/confirmação da tuberculose." Entidades reagem Para os movimentos sociais de luta contra a Aids, a mudança "acaba com uma experiência democrática de governança de uma epidemia baseada na participação social e na intersetorialidade". Em nota, a Articulação Nacional de Luta contra a Aids (Anaids), a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), o Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), o Grupo de Apoio e Prevenção à Aids no RS (Gapa/RS), o Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+Brasil) se pronunciaram contra a medida. "Não se trata apenas de uma questão de nomenclatura: é o fim do Programa Brasileiro de Aids. O governo, na prática, extingue de maneira inaceitável e irresponsável um dos programas de Aids mais importantes do mundo, que foi, durante décadas, referência internacional na luta contra a Aids", dizem os seis movimentos de combate à doença. "Por mais que se afirme que 'nada mudará', o que fica é o descaso com uma doença que mata cerca de 12 mil pessoas por ano e que, longe de estar controlada, continua crescendo, especialmente populações pauperizadas e estigmatizadas, já tradicionalmente excluídas e que com este ato se tornam mais invisíveis e desrespeitadas", diz a nota.

22/05 - 2019


Secretaria de Educação confirma surto de caxumba em escola no DF



Segundo pasta, 20 pessoas tiveram sintomas da doença no Centro Educacional 07, em Ceilândia. Aulas estão mantidas. Centro Educacional 07, em Ceilândia Reprodução/TV Globo A Secretaria de Educação do Distrito Federal confirmou, nesta quarta-feira (22), um surto de caxumba no Centro Educacional (CED) 07, em Ceilândia. Segundo a pasta, 20 pessoas apresentaram sinais da doença na unidade. As aulas continuam normalmente na escola, mas os estudantes doentes foram afastados. Os demais alunos passarão por imunização nos próximos dias, no próprio colégio. Mesas e carteiras utilizadas na unidade também estão sendo conferidas. A escola é uma das quatro que teve a gestão militarizada pelo Governo do DF no início do ano. O novo surto da doença se soma a pelo menos outros três registrados na capital federal nos últimos meses. Segundo a Secretaria de Saúde, o número de casos de caxumba contabilizados no DF dobrou neste ano, em relação a 2018. Até abril, foram 457 ocorrências, contra 222 no mesmo período do ano passado. Casos de caxumba causam interdição de prédio da Caixa Econômica Federal Pedro Alves/G1 No dia 12 de abril, o andar térreo de um prédio da Caixa Econômica Federal, na quadra 512 Norte, foi interditado depois que 12 funcionários apresentaram sintomas de caxumba. Duas semanas depois, uma turma de Engenharia Civil do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) teve de realizar as atividades pela internet após casos de caxumba em alunos. Já em 30 de abril, aulas foram suspensas por dois dias no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), depois que cinco estudantes apresentaram sinais da doença. Sintomas Sintomas da caxumba Arte/TV Gazeta A caxumba é uma doença infecciosa causada pelo vírus Paramyxovirus e que provoca sintomas como febre, calafrios, dores de cabeça e musculares, além de fraqueza e inchaço no rosto. Em casos graves, a enfermidade pode levar à surdez e causar meningite ou até a morte. Por que os casos de caxumba continuam crescendo no Brasil, apesar da vacina? A doença é altamente contagiosa e pode ser transmitida por meio de contato com saliva, espirro ou tosse de pessoas contaminadas. Após o diagnóstico, os objetos com os quais a pessoa infectada teve contato precisam passar por desinfecção. Não existe tratamento específico para a doença, portanto, a Secretaria de Saúde do DF aponta que a melhor forma de combate é a vacinação, ainda durante a infância. A vacina tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola) é aplicada aos 12 meses e aos 15 meses de vida. Para prevenir, é importante também manter hábitos como lavar as mãos e cobrir o rosto ao tossir e espirrar. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

22/05 - 2019


Supremo retoma nesta quarta julgamento sobre fornecimento de remédio de alto custo


Quatro ações discutem se poder público deve ser obrigado a fornecer medicamentos. Três ministros já votaram e estipularam condições diferentes para o fornecimento dos produtos. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na manhã desta quarta-feira (22) o julgamento que definirá se o poder público deve ser obrigado a fornecer medicamentos de alto custo aos doentes. Estão na pauta do tribunal quatro processos sobre o tema, que envolvem a concessão dos remédios que estão fora da lista de produtos oferecidos gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A chamada judicialização da saúde é hoje um dos principais problemas do Judiciário, afirmam de foram recorrente ministros do Supremo. No caso dos medicamentos, há centenas de processos espalhados em tribunais de todo o país. A maioria dos casos envolve doenças raras, e o juiz determina a concessão do remédio. Segundo dados do Ministério da Saúde, até 2016 o governo federal já havia cumprido 16,3 mil decisões sobre fornecimento de medicamentos. De 2010 a 2015, houve aumento de 727% nos gastos referentes à judicialização dos medicamentos. Segundo o Ministério da Saúde, já foram gastos R$ 7 bilhões com fornecimento de remédio por ordem judicial. "É um tema delicado, muito sensível. Muita gente reclama da intervenção judicial, mas há situações muito dramáticas e temos que examinar isso em todo o contexto. (...) A gente tem que achar uma saída", declarou nesta terça-feira (21) o ministro Gilmar Mendes. Os argumentos O caso chegou ao Supremo porque há dois princípios constitucionais diferentes defendidos por cada lado: o poder público argumenta que a concessão de medicamentos caros coloca em risco o fornecimento do básico para toda a coletividade e também diz que não há orçamento disponível para medicações caras para apenas uma pessoa; os pacientes que precisam dos remédios argumentam que a vida deles depende daquilo e que os medicamentos são, na maioria das vezes, a única esperança de sobrevivência. Dúvidas No julgamento, os ministros devem responder a dúvidas como: O poder público deve fornecer apenas medicamentos previstos na lista do SUS ou outros? É possível obrigar o fornecimento de medicamentos que não estejam registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)? Remédios em fase de testes também devem ser fornecidos obrigatoriamente? O paciente sempre deve comprovar não ter condições financeiras de comprar ou em todos os casos o poder público é obrigado a fornecer? As ações em julgamento O julgamento de duas das ações que estão previstas começou em 2016, e três ministros já votaram sobre o tema: o relator, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Cada um deu um voto diferente (veja mais abaixo) propondo condições para o fornecimento dos remédios. Os dois casos – ações dos governos do Rio Grande do Norte e de Minas Gerais contra decisões que os obrigaram a fornecer remédios – têm repercussão geral. Com isso, o que o Supremo decidir valerá para todos os casos semelhantes que tramitam na Justiça. Em outro processo, no qual o estado de São Paulo questiona determinação de fornecimento de remédios, a Procuradoria Geral da República pediu nesta semana o adiamento do julgamento para que o órgão envie um parecer. Marco Aurélio Mello também é relator desse caso, mas não tinha decidido sobre o adiamento até a noite desta terça (21). A quarta ação discute se União e estados devem ser responsabilizados conjuntamente a arcar com o fornecimento de medicamentos. O caso é de Sergipe e o relator é o ministro Luiz Fux. Votos já proferidos Como há três votos diferentes, se outros votos também forem divergentes, o Supremo terá que rediscutir o caso para se chegar a um voto comum. MARCO AURÉLIO MELLO Para o ministro o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: se for imprescindível para o tratamento do paciente; se não puder ser substituído por outro já disponibilizado pelo SUS; se a família do paciente não tiver condições de pagar; é possível a importação de remédios que, mesmo não registrados na Anvisa, não sejam fabricados ou comercializados no Brasil. LUÍS ROBERTO BARROSO Para o ministro, o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: incapacidade financeira do paciente; prova de recusa do órgão técnico em incorporar o medicamento no SUS; inexistência de substituto terapêutico na rede pública; eficácia do fármaco para tratar a doença; que o custo seja imposto à União, por ser o ente responsável por incorporar o medicamento ao SUS. permite fornecimento de remédio sem registro na Anvisa desde que esteja em avaliação por mais de um ano e já tenha registro em agências de Estados Unidos, Europa ou Japão. LUIZ EDSON FACHIN Para o ministro, o medicamento deve ser fornecido nos seguintes casos: se houver prévio pedido ao próprio SUS paciente obter receita por médicos da rede pública com indicação do remédio; ter justificativa da inadequação de outro tratamento na rede pública; laudo do médico que indique necessidade, estudos e vantagens do tratamento.

21/05 - 2019


A falsa psiquiatra que enganou pacientes durante 22 anos para ficar com suas fortunas



Zholia Alemi se aproximava de pacientes para obter acesso a suas vidas financeiras; ela foi condenada em 2018, mas a extensão dos danos que ela causou só agora começa a vir à tona. Zholia Alemi foi condenada por fraude e roubo em 2018 Polícia de Cumbria Zholia Alemi trabalhou como profissional de saúde mental no NHS, o serviço de saúde pública britânico, durante 22 anos e atendeu centenas de pacientes, mas sequer concluiu o primeiro ano do curso universitário. A "psiquiatra fajuta", como se tornou conhecida no Reino Unido, foi condenada a cinco anos de prisão em outubro de 2018, sob acusações de roubo e fraude na Escócia. Agora, veio à tona a informação de que Alemi não apenas enganava seus pacientes para ter acesso a suas contas bancárias, como também pode ter receitado a dezenas de pessoas - sem ter a qualificação para tal - medicamentos, internações ou terapias invasivas, como a eletro-convulsiva. Das dezenas de pacientes que passaram por seu consultório, o caso mais escandaloso foi o de uma senhora de 87 anos, que teve seu testamento modificado por Alemi. A falsa profissional pretendia ficar com uma herança de 1,3 milhão de libras (R$ 6,7 milhões). Mas como a mulher conseguiu enganar tantas pessoas por tanto tempo? Pessoas vulneráveis A estratégia de Alemi era "se fazer de amiga" dos pacientes e ganhar sua confiança durante as sessões de terapia, para obter informações sobre suas situações financeiras, disse ao jornal escocês The Herald a médica Catherine Calderwood, responsável pelo sistema de saúde da Escócia. Em 2016, ela começou a tratar a idosa Gillian Belham em uma clínica para pacientes com demência. Quatro meses depois, aproveitando-se do elo de confiança que havia estabelecido com a paciente, modificou de modo fraudulento o testamento, deixando de fora a família de Belham e as instituições de caridade que a idosa pretendia beneficiar. No lugar, Alemi colocou ela própia e seus netos como beneficiários. Falsa psiquiatra ordenou a internação de pacientes e receitou tratamentos eletro-convulsivos, sem capacitação para tal Unsplash Durante o julgamento, o júri foi informado também de que Alemi roubou cartões de crédito de pacientes e usou assinaturas deles em benefício próprio. Agora, porém, o que mais preocupa especialistas são os pacientes que podem ter sido tratados de maneira incorreta sob indicação da "psiquiatra fajuta". Catherine Calderwood escreveu cartas aos seis conselhos de saúde em que Alemi trabalhou, com um pedido para que chequem os registros médicos relacionados ao caso e identifiquem pacientes que parecem ter recebido orientação para "tomar medicamentos e fazer tratamento eletro-convulsivo" ou que tenham sido de algum modo diagnosticados ou tratados erroneamente. Além disso, Alemi ajudou a avaliar pacientes para determinar se eles seriam ou não internados à força, sob a Lei de Saúde Mental britânica. Durante os 18 meses em que ocupou essa função, a partir de 2007, 24 pessoas foram detidas com o seu aval. Autoridades britânicas afirmaram que entrarão em contato com cada uma delas. Nas cartas, obtidas pelo jornal Herald, Calderwood adverte: "Ela (Alemi) é conhecida por ter ficado amiga e 'seduzido' pessoas vulneráveis com as quais fez contato enquanto trabalhava como psiquiatra, com o objetivo principal de acessar suas finanças". Registro médico Só depois de sua condenação, no ano passado, soube-se que Alemi havia abandonado o curso de Medicina que frequentava em seu país natal, a Nova Zelândia. Ainda assim, ela conseguiu enganar as autoridades britânicas e ser contratada pelo NHS para trabalhar do Reino Unido, a partir de 1985. Dados de pacientes atendidos por Alemi serão revisados pelo sistema de saúde público britânico Unsplash Em solo britânico, Alemi trabalhou em diversos hospitais e em órgãos de saúde, que agora terão de revisar todos os casos em que ela se envolveu. O Conselho Médico Geral do Reino Unido (GMC, na sigla em inglês) afirmou que Alemi obteve seu registro profissional britânico graças a uma brecha na Lei Médica, que permite que candidatos de determinados países registrem-se para trabalhar como médicos em solo britânico sem a necessidade de passar por um exame de validação de suas qualificações, como ocorre com os demais médicos estrangeiros. O GMC afirmou que estabelecerá controles mais rigorosos e revisará os registros de outros 3 mil médicos contratados sob as mesmas regras que Alemi.

21/05 - 2019


A duas semanas do fim da campanha, apenas 63% receberam vacina contra gripe



Ainda falta vacinar quase 22 milhões de pessoas e a vacina está disponível até 31 de maio. Idosa tomando a vacina da gripe em posto de Caruaru Divulgação Faltam duas semanas para o encerramento da campanha nacional de vacinação contra a gripe e somente 63,4% do público-alvo recebeu a imunização, totalizando 37,7 milhões de pessoas, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira (21). A campanha vai até 31 de maio em todo o país e envolve 41,8 mil postos de vacinação. "Para diminuir a circulação do vírus no país é preciso que todas as pessoas que fazem parte do público prioritário da campanha se vacinem. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a doença”, afirma o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A vacina protege contra os tipos mais graves do vírus (H1N1; H3N2 e influenza B) e os subtipos mais comuns no Hemisfério Sul. Além disso, a vacina ajuda a evitar infecções virais e bacterianas decorrentes da gripe. Até 11 de maio, foram registrados 807 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza em todo o país, com 144 mortes. Vacina da gripe é eficaz? Tire dúvidas Gripe: quando se preocupar? A vacina não é capaz de causar a gripe, pois inclui só pedaços do vírus. A única contra-indicação é para pessoas alérgicas a algum componente da vacina, como a clara de ovos, usada na fabricação. Quem deve tomar a vacina? Conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas oferecidas gratuitamente pelo governo são destinadas a: Crianças de 6 meses a 5 anos de idade; Gestantes; Puérperas, isto é, mães que deram à luz há menos de 45 dias; Idosos; Profissionais de saúde, professores da rede pública ou privada, portadores de doenças crônicas, povos indígenas e pessoas privadas de liberdade; Portadores de doenças crônicas (HIV, por exemplo) que fazem acompanhamento pelo SUS. Porém, qualquer pessoa pode tomar a vacina. Quem não faz parte dessas categorias pode adquirir a vacina contra a gripe na rede privada por cerca de R$ 100 a 150. Quem já se vacinou O grupo das puérperas é o que registra maior cobertura vacinal em todo o país, de 81,9%, ou 288,6 mil doses aplicadas. A cobertura dos idosos chega a 72,2%. Em seguida, vêm funcionários do sistema prisional (71,3%), indígenas (70,7%) e professores (65,7%). Os grupos que menos se vacinaram foram os profissionais das forças de segurança e salvamento (24%), população privada de liberdade (32,2%), pessoas com comorbidades (54%), trabalhadores de saúde (60,9%), crianças (61,5%) e gestantes (63,2%). Estados com maior cobertura Amazonas - 93,6% Amapá - 85,5% Espírito Santo - 75,3% Alagoas - 73,4% Rondônia - 72,6% Pernambuco - 72,2% Estados com menor cobertura Rio de Janeiro - 45,8% Acre - 49,7% São Paulo - 57,0% Roraima - 57,4% Pará - 59,2%

21/05 - 2019


Como o sedentarismo mudou nossos pés



Mudanças de hábitos trazidas pela Revolução Industrial fizeram com que nossos pés passassem por várias transformações, agravadas pelo nosso atual estilo de vida. Pesquisadores alertam para riscos de ficar sentado: comportamento sedentário é um desafio contemporâneo Paul Glendell / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9485483 Durante quase dois milhões de anos, os seres humanos evoluíram em sincronia com o meio ambiente. Mas há 250 anos chegou a Revolução Industrial e mudou tudo. Embora a inovação e a tecnologia trazidas pelo fenômeno tenham gerado muitos benefícios para a humanidade, nossos corpos tiveram de pagar um alto custo físico nesse processo. Os trabalhos que fazíamos, que antes envolviam tarefas manuais, realizadas ao ar livre, passaram a ser feitos a portas fechadas e a exigir que passássemos a maior parte do dia sentados e parados, fosse em uma fábrica, em um escritório ou dirigindo um veículo, por exemplo. Isso teve um impacto enorme sobre nossos corpos, e um dos primeiros afetados foram nossos pés. O professor na Universidade de Kent, Vybarr Cregan-Reid, autor dos livros Footnotes (Notas de Rodapé, em tradução livre) e Primate Change (Mudança Primata), levantou a questão na série "Changing World, Changing Bodies" (Mundo em Mudança, Corpos em Mudança), do Programa de rádio da BBC The Compass. Segundo Cregan-Reid, há evidências científicas crescentes de que os pés são chave na evolução humana. Mas há pouca informação sobre como nossos antepassados se desenvolveram, porque existem poucos fósseis de pés e mãos. É por isso que encontrar pegadas antigas é tão importante para os paleontólogos Perfeitos Um das marcas mais antigas de pegada humana já identificadas data de um milhão e meio de anos atrás e foi encontrada no Quênia. A marca ajudou a descobrir algo fascinante: que os pés de nossos antepassados permaneceram praticamente sem mudanças, enquanto o resto de seus corpos passava por grandes transformações. Isto indica que durante muito tempo os nossos pés foram perfeitamente adequados ao nosso estilo de vida. Enquanto nossos cérebros cresceram, nossos dentes diminuíram e nossos ossos aumentaram, o processo evolutivo não afetou demasiadamente os pés. No entanto, isso mudou drasticamente nos últimos três séculos, quando nossos pés passaram por transformações sem precedentes: eles mudaram devido ao que fazemos - e deixamos de fazer - com eles. Fracos, grandes e planos Hoje, nossos pés são mais fracos, maiores e mais planos. E isso é uma má notícia não só para a saúde dos nossos pés, mas para o nosso corpo inteiro. A perda de eficiência dos nossos pés se reflete em um fato surpreendente: quase 80% das pessoas que praticam corridas sofrem algum tipo de lesão todos os anos. Foi essa estatística que primeiro levou Cregan-Reid a se interessar pelas extremidades inferiores do nosso corpo. Ela decidiu consultar Hannah Rice, pesquisadora da área de esportes e saúde da Universidade de Exeter, no Reino Unido, especializada em entender como e por que machucamos tanto os nossos pés. Segundo Rice, os machucados não se devem ao fato de os corredores forçarem demais os limites. "Há dezenas de milhares de anos atrás as pessoas usavam (os pés) muito mais que agora, então não é um problema de uso excessivo. Talvez o problema seja que não os usamos o suficiente para acostumá-los a muito uso", explicou. Rice deu como exemplo o corredor "clássico", que pratica o esporte três ou quatro vezes por semana e passa o restante do tempo sentado no escritório ou no sofá da casa. Isso quer dizer: o que realmente nos machuca não é correr, mas o que fazemos quando não estamos correndo. E os especialistas conseguiram estabelecer quando o problema começou: com a Revolução Industrial e o início de um estilo de vida mais sedentário. A partir daí, os pés começaram a se adaptar a nossa nova realidade. Rice resume a questão com a famosa frase: "Use-o ou perca-o". Superfícies duras e solas planas Outras características da vida moderna pioraram ainda mais o quadro. Por exemplo, as superfícies duras e planas sobre as quais costumamos caminhar diariamente. Ou o calçado de sola plana que costumamos usar para percorrer esses pisos. Estes não permitem que os cerca de cem músculos e tendões que temos em cada pé se movam como costumavam fazer quando a vida era menos cômoda, os empregos exigiam movimento e as pessoas se deslocavam mais a pé. O resultado é que a musculatura enfraqueceu, tornando nossos pés mais frágeis. Também perdemos a camada protetora de calos que nossos antepassados costumavam ter por passarem muito tempo descalços. Mas foi somente a partir dos anos 70, quando correr virou moda, que a dimensão real do estado de nossos pés começou a se revelar, após cerca de duzentos anos de sedentarismo. A loucura por corridas acrescentou um novo problema: a moda de usar tênis no dia a dia. Talvez você ache que isso deveria ser uma boa notícia, já que muitos desses calçados, especialmente hoje em dia, são anunciados pelos supostos benefícios que oferecem aos pés. No entanto, desde que começamos nosso caso de amor com os tênis, a incidência de pés chatos tem aumentado em muitas partes do mundo, especialmente no Ocidente. Ter pés chatos é um problema porque a curvatura dá estabilidade ao pé. Também é essencial para poder caminhar, mas, sobretudo, para correr. "Quando você corre, a curvatura do pé funciona como uma mola e, de fato, é uma das molas mais poderosas do corpo", explica o paleontólogo Dan Lieberman, da Universidade de Harvard. Ter pés chatos também pode afetar os joelhos e os quadris. Como se todos esses desafios não fossem suficientes para nossos pobres pés, nos últimos anos a epidemia global de obesidade se somou a eles, uma vez que o sobrepeso aumenta a pressão sobre essa parte do corpo. O que podemos fazer Uma das coisas mais simples (e baratas) que podemos fazer para melhorar a saúde dos nossos pés é caminhar. Idealmente, descalços. Segundo Rice, um estudo realizado em crianças na Índia comprovou que aqueles que não usavam sapatos ou sandálias tinham menos pés chatos. Vybarr Cregan-Reid acredita que devemos "redescobrir nossos pés para aprender a usá-los novamente". Pequenos hábitos como tirar os sapatos dentro de casa e tentar se mover mais podem ajudar. O especialista diz, entretanto, que, o que quer que você faça, deve ser feito com calma. "Descobrir os músculos esquecidos dos pés pode ser doloroso no começo, mas depois vai ser gratificante", afirma ele.

21/05 - 2019


O que acontece com o corpo da mulher quando entra na menopausa



O cérebro, o coração, os ossos e a pele podem todos ser afetados pelas alterações hormonais trazidas pelo processo natural do envelhecimento que encerra o ciclo reprodutivo do corpo feminino. Útero Sven Lachmann/Pixabay A menopausa acontece quando a menstruação de uma mulher para e ela não pode mais ficar grávida naturalmente - mas o que mais acontece com seu corpo, e por quê? Trata-se de um processo natural do envelhecimento, que normalmente ocorre na faixa dos 45 aos 55 anos, mas que também pode ser provocado por cirurgias para remover os ovários ou o útero (histerectomia). No Reino Unido, a idade média da menopausa é 51 anos; no Brasil, um dos estudos mais completos sobre o assunto, publicado em 2010 pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), calculou uma idade média de 48,1 anos. E então, o que está por trás destas mudanças? A menopausa é causada pela redução na produção de hormônios, especificamente o estrogênio. Ele é crucial para todo o ciclo reprodutivo - o desenvolvimento e a liberação de um óvulo dos ovários a cada mês, e pelo processo de tornar mais espesso o revestimento do útero para recepção do óvulo fertilizado. Com o passar dos anos, o corpo gradualmente para de produzir o estrogênio. Mas isso não ocorre da noite para o dia: pode levar anos para que esse hormônio chegue a níveis baixos. Neste processo, o armazenamento de óvulos declina, afetando pouco a pouco a ocorrência da ovulação, menstruação e gravidez. Qual é o impacto destas alterações hormonais? Enorme. O cérebro, pele, músculos e emoções são afetados pela queda dos níveis de estrogênio; ondas de calor, suores noturnos, problemas de sono, ansiedade, mau humor e perda de interesse por sexo são comuns. Problemas na bexiga e secura vaginal também são normais durante esse período. E muitas mulheres sentem estes sintomas muito antes da menstruação realmente parar - período chamado de perimenopausa. Quando a produção de estrogênio para por completo, há um efeito de longo prazo nos ossos e no coração. Os ossos podem enfraquecer, aumentando o risco de fraturas, e as mulheres podem se tornar mais vulneráveis ​​a doenças cardíacas e a derrames. É por isso que algumas mulheres recebem a chamada terapia de reposição hormonal, ou TRH, que eleva os níveis de estrogênio e ajuda a aliviar os sintomas. Mas nem todas as mulheres passam por estes sintomas. Eles também podem variar em sua gravidade e duração - de alguns meses a vários anos. O que causa as ondas de calor? A falta de estrogênio. Ele está envolvido também no controle da temperatura do corpo no cérebro. Quando este hormônio está em falta, o "termostato" fica instável e o cérebro pensa que o corpo está superaquecendo - quando não está. O estrogênio afeta o humor também? Sim, pode acontecer. O hormônio interage com substâncias químicas em receptores cerebrais que controlam o humor. Em níveis baixos, pode causar ansiedade e mau humor. A falta de estrogênio também pode afetar a pele, fazendo com que ela fique seca ou dando a sensação como se insetos estivessem rastejando sob a pele. Há outros hormônios envolvidos na menopausa? Sim, a progesterona e a testosterona - mas eles não têm o mesmo impacto que os baixos níveis de estrogênio. A progesterona ajuda a preparar o corpo para a gravidez a cada mês, e diminui quando a menstruação para. A testosterona, que as mulheres produzem em níveis baixos, tem sido associada ao desejo sexual e aos níveis de energia. Ela declina a partir dos 30 anos, e apenas um pequeno número de mulheres precisa dela em níveis altos. Como saber se você está passando por esse processo? É possível fazer um exame de sangue para medir os níveis de um hormônio chamado FSH (hormônio folículo-estimulante) - mas os resultados podem não ser muito precisos, especialmente na idade por volta de 45 anos. Especialistas dizem que os níveis do hormônio sobem e descem o tempo todo, mesmo ao longo de um dia, então há sempre um risco de o teste ser impreciso. A melhor maneira de fazer esse diagnóstico é conversar com um clínico geral ou um profissional de enfermagem sobre o padrão de sua menstruação e quaisquer sintomas que você esteja experimentando. É bom saber quais sintomas observar - sentir-se irritadiça ou com o "astral" baixo pesa tanto quanto os calores e suores noturnos. Alterações na menstruação, como quando ela torna-se mais intensa ou irregular, são um dos primeiros sinais da menopausa se aproximando. Mas você só terá certeza de ter chegado à menopausa quando tiver ficado um ano sem menstruar. Coletor menstrual é alternativa a absorventes durante a menstruação Reprodução/Flickr/Michelle Tribe E então? Os níveis de estrogênio no corpo não se recuperam após a menopausa. Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres estão vivendo mais de um terço de suas vidas com deficiência de estrogênio. Mas não há motivo para ficar intimidada, diz a ginecologista Heather Currie, especialista em menopausa e ex-presidente da Sociedade Britânica da Menopausa. "As mulheres continuam a trabalhar mais tarde na vida, elas ainda aparentam incríveis. A imagem da menopausa está mudando". Seu conselho: "Se você for afetada, visite um médico e leve informações". "As mulheres devem saber quais sintomas devem ser observados". Ela diz que há muito apoio e informação para ajudar as mulheres a lidar com as mudanças físicas e emocionais que a menopausa traz. Hoje, a terapia de reposição hormonal é vista como o tratamento mais eficaz disponível para os sintomas da menopausa. Ela pode causar efeitos colaterais, e houve incertezas sobre a sua segurança a longo prazo. Mas há evidências de que "os benefícios da TRH superam os riscos", diz Currie. Conversar com outras mulheres passando pela menopausa e compartilhar relatos dos mesmos sintomas também é uma ajuda real, acrescenta. E a menopausa é outra boa razão para as mulheres levarem um estilo de vida saudável, como: Ter uma dieta equilibrada, pobre em gordura e rica em cálcio para fortalecer os ossos e proteger o coração; Praticar exercícios regularmente, reduzindo a ansiedade e o estresse; Parar de fumar, prevenindo doenças cardíacas e ondas de calor; Pão beber muito, reduzindo também as ondas de calor.

21/05 - 2019


Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que no ano passado


10 estados e o Distrito Federal estão com alta incidência de dengue. AC, DF, GO, ES, MG, MT, MS, PR, RN, SP e TO estão com mais de 100 casos a cada 100 mil habitantes. Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que o ano passado O número de casos de dengue em todo o país já é cinco vezes maior que no ano passado. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 foram registrados 675.174 casos prováveis de dengue. Em 2018, o número era de 134.048 no mesmo período. As informações são do Bom Dia Brasil. Em Brasília, os casos já são 11 vezes maiores que em 2018. O último dado divulgado mostra quase 13 mil casos de dengue notificados. O número está defasado porque há três semanas o governo de Brasília não divulga um novo boletim sobre a dengue. Foram 10 mortes em 2019. Em 2018, na mesma época, uma pessoa havia morrido em Brasília. 10 estados e o Distrito Federal estão com alta incidência de dengue, de acordo com dados do Ministério da Saúde referentes ao dia 4 de maio: AC, DF, GO, ES, MG, MT, MS, PR, RN, SP e TO estão com mais de 100 casos a cada 100 mil habitantes. Especialistas alertam que a dengue é uma doença cíclica, com surtos e epidemias registrados a cada três ou cinco anos. O número de casos depende do tipo de vírus circulando. Falta de combate Em Brasília, o serviço de fumacê foi suspenso porque o produto usado estava com prazo de validade vencido. O local de preparo do inseticida foi interditado devido à precariedade. Em vez de material específico, havia funis feitos de galões de água. O descaso leva ao aumento no número de casos. "Nunca tinha visto um monte de gente que eu conheço ter dengue", disse Ravylla Carvalho Santos, consultora de vendas, que se recupera de uma dengue hemorrágica. Segundo ela, pai, mãe, vizinhos e amigos tiveram a doença. Ravylla conta que não viu agentes de saúde na região onde mora. Governos dão mau exemplo de combate ao mosquito Aedes aegypti Em São Luis (MA), uma obra da prefeitura que deveria ser uma maternidade acumula água. A construção começou em 2014 e até agora está parada. No Rio de Janeiro, um pátio do Detran tem poças d'água se formando entre carros. Em Belo Horizonte, o mesmo se repete. Um pátio com carros arpeendidos está tomado pelo mato e água parada. No cemitério, há água parada nas lápides e plantas. Na capital mineira são 15 mil casos confirmados de dengue e seis pessoas morreram. Em todo o estado, 38 morreram. Os governos de MG e RJ e a prefeitura dizem que fazem manutenção constante nos locais apontados. A prefeitura de São Luís não enviou resposta.

21/05 - 2019


Ter ou não ter um cachorro? A genética pode explicar essa decisão



Estudo realizado por cientistas suecos e britânicos trouxe indícios de que a genética tem influência sobre a decisão de manter ou não um animal de estimação em casa. Ter ou não cachorro pode estar relacionado à genética, indica pesquisa. Mikael Wallerstedt/Divulgação Ter um cachorro de estimação é essencial na vida de muita gente – e uma ideia que pode ser repugnante para outros. A explicação, apontam cientistas, pode estar nos genes. Um estudo realizado por cientistas suecos e britânicos e publicado no periódico Scientific Reports trouxe indícios de que a genética tem influência sobre a decisão de manter ou não um animal de estimação em casa. "Constatamos que a nossa constituição genética influencia escolhas complexas, como a escolha de ter um cachorro. Isso implica dizer que pessoas têm diferentes chances de querer ter ou não um cachorro", disse à BBC News Brasil a pesquisadora Tove Fall, professora de epidemiologia molecular no Departamento de Ciências Médicas e no Laboratório de Ciência para a Vida da Universidade de Uppsala, da Suécia. Para chegar a tal conclusão os cientistas cruzaram dois bancos de dados bastante abrangentes. De um lado, usaram as informações de 35.035 pares de gêmeos do registro nacional sueco. Somaram a isso os dados do registro nacional de cães do país – na Suécia, praticamente todos os cachorros de estimação são catalogados na base de dados do governo. O resultado foi que, em mais da metade das vezes, a variação genética explica a posse dos cães – um componente hereditário impresso nos genes humanos que, de certa forma, deve ter sido forjado ao longo de milênios de evolução. A partir do estudo, a pesquisadora acredita que "algumas pessoas têm uma propensão inata maior para cuidar de um animal de estimação do que outras". Sven Lachmann/Pixabay Estima-se que cachorros tenham uma relação próxima com os seres humanos há pelo menos 15 mil anos. Eles são considerados os primeiros animais a serem domesticados pelo homem. "Ficamos surpresos ao perceber que a composição genética de uma pessoa parece ter influência significativa no fato de possuir ou não um cão", explicou Fall. "Tais descobertas têm implicações importantes em vários campos diferentes relacionados à compreensão da interação cão-homem ao longo da história. Embora ter cães e outros animais de estimação seja comum em todo o mundo, pouco se sabe ainda sobre como eles afetam nossa vida diária e nossa saúde." A partir do estudo, a pesquisadora acredita que "algumas pessoas têm uma propensão inata maior para cuidar de um animal de estimação do que outras". "Analisamos proprietários registrados de cães e encontramos evidências robustas de que a escolha de possuir e cuidar de um cão depende parcialmente do arranjo genético, ou seja, os genes herdados dos pais", resumiu à BBC News Brasil o chefe do registro nacional de gêmeos da Suécia, Patrik Magnusson, professor de epidemiologia no Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatística no Instituto Karolinska, também da Suécia. "Algumas pessoas carregam genes que aumentam a probabilidade de que eles adquiram um cão." Especialista em interação-homem animal, o pesquisador Carri Westgarth, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, acredita que a pesquisa pode ser um passo importante para compreender os benefícios obtidos por algumas pessoas no convívio com animais de estimação. "Tais resultados sugerem que supostos benefícios para a saúde de possuir um cão, relatados em outros estudos, podem ser explicados pelas diferenças genéticas entre as pessoas", pontuou. Estudo aponta que escolha de ter ou não cachorro pode estar associado à genética. congerdesign/Pixabay Método Utilizar gêmeos como ponto de partida de estudos genéticos é um método bastante difundido na ciência, principalmente quando se pretende compreender diferenças de biologia e de comportamento. No caso do estudo sobre a predisposição em ter ou não um cão, os cientistas tomaram o cuidado de comparar características e comportamentos de gêmeos idênticos - aqueles que compartilham o genoma inteiro - com os não-idênticos - que têm variação genética entre si. Ao analisar cada par, verificando quais combinavam no fato de ter ou não um cão, os dados tabulados mostraram como a genética pode desempenhar um papel importante em tal escolha de vida. Os cientistas descobriram taxas de concordância da posse de cães muito maiores em gêmeos idênticos do que em não-idênticos - sustentando a visão de que a genética desempenha um papel fundamental em tal escolha. "Tal tipo de estudo não pode nos dizer exatamente quais genes estão envolvidos, mas pelo menos demonstra, pela primeira vez, que a genética e o ambiente desempenham papéis iguais na determinação da posse de cães", afirmou Magnusson. A pesquisa foi restrita a posse de cães porque não há dados completos sobre outros animais de estimação - como gatos ou peixes de aquário - nos registros públicos suecos. "Só podíamos estudar cães, portanto", resumiu Fall. "Até agora, nossa única evidência é para cães, então não sabemos se o mesmo se aplica a outros animais", comentou Magnusson. "A razão pela qual poderíamos fazer isso para cães era que existem registros de propriedade desses animais de alta qualidade na Suécia, com boa cobertura. A base de registros de gatos é menos completa e menos confiável." Estima-se que cachorros tenham uma relação próxima com os seres humanos há pelo menos 15 mil anos. Eles são considerados os primeiros animais a serem domesticados pelo homem. Matan Ray Vizel/Pixabay Possibilidades "O próximo passo óbvio é tentar identificar variantes genéticas a partir desse fato", prosseguiu o pesquisador. "Ou seja: como tais genes se relacionam com traços de personalidade e outros fatores individuais, como alergias." Magnusson acredita que pode estar no mesmo arranjo genético a explicação sobre por que alguns têm mais capacidade de compreender e interagir com cães do que outros, por exemplo. E até mesmo explicações sobre sentir ou não medo desses animais. "Esta composição genética é provavelmente mais complexa e pode abrigar variações genéticas que afetam fenótipos como alergia a cães e diferentes características de personalidade", completou Fall. "Vamos agora realizar um estudo de genética molecular para descobrir mais." São chaves até para compreender um pouco melhor a amizade duradoura entre humanos e cães. "O estudo tem grandes implicações para a compreensão da história profunda e enigmática da domesticação de cachorros." "Décadas de pesquisas arqueológicas nos ajudaram a construir uma imagem melhor de onde e quando os cães entraram no mundo humano. Mas os dados genéticos modernos agora vão nos permitir explorar diretamente o por quê e o como", comentou o zooarqueólogo Keith Dobney, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Liverpool. Amizade entre humanos e cães pode estar relacionada aos genes. Pezibear/Pixabay

21/05 - 2019


Diagnóstico precoce melhora chances de tratar rigidez após AVC



Aplicação de botox deve ser feita num prazo que maximize seus benefícios, diz professor da Universidade do Texas No Brasil, o número impressionante de cerca de 100 mil mortes por ano causadas por AVC (acidente vascular cerebral) indica apenas parte do problema. Além disso, o derrame, como é conhecido popularmente, também é a primeira causa de incapacidade no país. As pessoas sabem que um estilo de vida saudável tem papel crucial para prevenir a doença, mas o que pode fazer diferença na recuperação de um paciente que sofreu AVC? Esse era o assunto da palestra a que assisti na última quinta-feira no Rio, dada por Gerard Francisco, diretor médico do Memorial Hermann Rehabilitation Network e professor da Universidade do Texas. Nos Estados Unidos, a cada 40 segundos uma pessoa sofre derrame e uma morre a cada quatro minutos. O campo de atuação do doutor Francisco é o tratamento da espasticidade pós-AVC – traduzindo para nós, leigos, trata-se da rigidez que acomete os músculos neste quadro. Gerard Francisco, diretor médico do Memorial Hermann Rehabilitation Network e professor da Universidade do Texas Divulgação Cerca de 40% dos pacientes desenvolvem espasticidade e ele enfatiza que iniciar na hora certa a aplicação de toxina botulínica, o conhecido botox da dermatologia estética, previne uma série de complicações. “Uma de minhas preocupações é o momento adequado no qual devemos iniciar o tratamento. Estudos mostram que uma intervenção mais precoce pode reduzir danos”, afirma. Esta é uma sequela comum em quem sofre doença neurológica que provoque lesões de células do sistema nervoso responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários. A toxina botulínica já é empregada há 30 anos. Aprovada pela Anvisa desde 1992, o procedimento faz parte do SUS e está incluído na cobertura dos planos de saúde. O que o professor Francisco ressalta é a importância de a aplicação do botox ser feita num prazo que maximize seus benefícios. “A espasticidade dificulta a recuperação das funções. A rigidez dos músculos chega a um patamar que prejudica o trabalho do fisioterapeuta, que não consegue realizar os exercícios necessários. Depois de tratar a espasticidade, melhoram as chances de êxito para a fisioterapia, por isso é indispensável combinar a toxina com a estimulação e a reabilitação motora. Ao contrário do que pacientes e familiares às vezes pensam, essa rigidez não significa força, na verdade mascara a fraqueza”, explicou. Ele citou casos como o da pessoa que fica com o punho tão cerrado que não consegue fazer a higiene da mão; ou aquela que não consegue baixar o cotovelo e fica impedida de vestir uma camisa. Em sua apresentação, lembrou que, depois de dez dias do AVC, é comum que a rigidez ocorra; no entanto, quando esta acontece quatro semanas depois do episódio, aumenta a probabilidade de ser severa. Sobre o momento certo de intervir, contou que a aplicação mais precoce de toxina que fez foi num indivíduo que havia sofrido derrame apenas três semanas e meia antes. “A espasticidade tem um pico depois do AVC e é importante a observação de sinais de rigidez para atuarmos prontamente inclusive no manejo da dor”, acrescentou. O botox pode ser ministrado em qualquer músculo do corpo afetado pela rigidez e o medicamento começa a agir em 72 horas. A melhora surge, em média, em 15 dias e atinge seu pico em um mês – normalmente são feitas aplicações a cada três meses. O neurologista Flavio Henrique Rezende Costa, professor adjunto da UFRJ e neurologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, participou do evento e lembrou que o botox começou a ser utilizado, na década de 1970, para casos de estrabismo: “só depois a toxina botulínica passou a ser empregada para fins estéticos e na área da neurologia. Trata-se de uma substância que vem se renovando e costumo dizer que a versão 3.0 do botox é o uso nos casos de espasticidade e em distúrbios do movimento presentes em doenças neurológicas”.

21/05 - 2019


Índice de suicídio entre jovens e adolescentes negros cresce e é 45% maior do que entre brancos



Dados do Ministério da Saúde mostram que risco de suicídio aumentou 12% na população jovem negra e se manteve estável entre brancos. Taxa de mortalidade por suicídio aumentou 12% entre jovens e adolescentes negros de 2012 a 2016 Pixabay Adolescentes e jovens negros têm maior chance de cometer suicídio no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O risco na faixa etária de 10 a 29 anos foi 45% maior entre jovens que se declaram pretos e pardos do que entre brancos no ano de 2016. A diferença é ainda mais relevante entre os jovens e adolescentes negros do sexo masculino: a chance de suicídio é 50% maior neste grupo do que entre brancos na mesma faixa etária. Suicídios de adolescentes: como entender os motivos e lidar com o fato Como pais e educadores podem trabalhar a prevenção ao suicídio Enquanto a taxa de mortalidade por suicídio entre jovens e adolescentes brancos permaneceu estável de 2012 a 2016, o número aumentou 12% na população negra com a mesma idade. Analisando esses dois grupos em 2016, nota-se que a cada 10 suicídios em adolescentes e jovens aproximadamente seis ocorreram em negros e quatro em brancos. Os dados são da cartilha Óbitos por Suicídio entre Adolescentes e Jovens Negros, lançada pelo Ministério da Saúde (MS) durante o Seminário Nacional de Saúde da População Negra na Atenção Primária. Os números foram calculados a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do ministério. Segundo a médica Rita Helena Borret, organizadora do seminário realizado no sábado (18), o maior risco de suicídio na população jovem negra está relacionado ao racismo estrutural, que causa maior sofrimento e adoecimento entre os jovens e adolescentes do que entre os brancos da mesma idade. Adolescentes homens têm maior risco A taxa de mortalidade por suicídio entre adolescentes e jovens negros apresentou um crescimento significativo no período de 2012 a 2016. Em 2012, a taxa foi de 4,88 óbitos por 100 mil. O número aumentou 12% e chegou a 5,88 óbitos por 100 mil mo ano de 2016. No mesmo período, a taxa de mortalidade por suicídio entre os jovens e adolescentes brancos permaneceu estável. Em 2012, a taxa nesse grupo foi de 3,65 óbitos por 100 mil. Em 2016, essa taxa foi de 3,76 óbitos por 100 mil. Em todos os anos analisados, o número de suicídios foi maior entre adolescentes e jovens negros quando comparados com os brancos. Em 2012, a cada 100 suicídios entre adolescentes e jovens brancos ocorreram 134 em adolescentes e jovens negros. O maior risco foi observado em 2016: neste ano, a cada 100 suicídios em adolescentes e jovens brancos, ocorreram 145 suicídios entre negros. Assim, o risco de suicídio foi 45% maior na população jovem negra. Na população negra de 10 a 29 anos do sexo masculino o risco foi ainda mais elevado: 50% maior que entre homens da mesma idade brancos. O grupo de maior vulnerabilidade é composto por homens negros mais jovens, com idade entre 10 e 19 anos. O risco de suicídio neste grupo foi 67% maior do que entre adolescentes brancos do sexo masculino. Construção de identidade na juventude Para entender porque o suicídio atinge mais jovens negros do que jovens brancos é necessário analisar os impactos do racismo na sociedade, segundo a médica Rita Borret, presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro. Organizadora do Seminário Nacional de Saúde da População Negra na Atenção Primária, Borret explica que o racismo causa impactos danosos que afetam significativamente os níveis psicológicos e psicossociais de qualquer pessoa. No caso dos jovens e adolescentes, os efeitos são ainda mais graves. "O jovem negro, quando está na fase de construir sua própria identidade, a constrói a partir do entendimento de que ser negro é ser inferior, ser feio, ser menos valorizado", explica. "Essa percepção de não pertencimento faz com que esse jovem tenha um sofrimento e um adoecimento muito maior e pode, em muitos casos, levar ao suicídio negro." A cartilha do Ministério da Saúde reconhece o racismo como um dos fatores de risco para suicídio. Rejeição, discriminação e racismo são fatores determinantes de risco para o suicídio, segundo o ministério. "Um dos grupos vulneráveis mais afetados pelo suicídio são os jovens e sobretudo os jovens negros, devido principalmente ao preconceito, à discriminação racial e ao racismo institucional", aponta a cartilha. Segundo o documento, o estigma em torno do suicídio pode ser ainda maior quando há questões raciais envolvidas. "Muitas vezes as queixas raciais podem ser subestimadas ou individualizadas, tratadas como algo pontual, de pouca importância, o que acaba culpabilizando aquele que sofre o preconceito", atesta o relatório. Para Borret, os dados da cartilha recém-lançada comprovam que o racismo e a desigualdade racial afetam a ocorrência de problemas de saúde e potencializam seus fatores de risco. "Viver em uma sociedade que trata diferente pessoas negras e brancas é adoecedor, gera um sofrimento e uma sensação de preterimento", explica a médica. "Por isso são necessárias políticas públicas focadas na saúde da população negra." Racismo nos serviços de saúde Criada em 2009, a Política Nacional de Saúde da População Negra (PNSIPN) visa garantir a equidade e a efetivação do direito à saúde de negras e negros. Apesar de ter sido criada há mais de 10 anos, a política ainda é pouco aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS). "Os gestores muitas vezes acreditam que não existe racismo no Brasil e por isso não há necessidade de aplicar as políticas nacionais para combater esse problema", afirma a médica Rita Borret. Um levantamento de pesquisadores da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e da USP mostrou que, em um universo de mais de 5 mil municípios brasileiro, somente 57 colocaram em prática a PNSIPN. Segundo a pesquisa, o estado de São Paulo é onde mais cidades aderiram à estratégia, com 27 municípios participantes. Empatados em segundo lugar estão Minas Gerais e Paraná, com apenas 4 municípios cada. "As instituições de saúde brasileiras também são instituições racistas, tanto pelo silenciamento das situações de racismo que ocorrem dentro delas como pela reprodução do racismo estrutural que existe na nossa sociedade", diz a médica Rita Borret. Apenas 17,6% dos médicos brasileiros são negros, segundo pesquisa de 2014 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A população negra, que inclui pessoas pretas e pardas, corresponde a 50,7% dos brasileiros, conforme o Censo 2010 do IBGE.

21/05 - 2019


Governo federal aprova registro de mais 31 agrotóxicos, somando 169 no ano



Número de produtos autorizados vem crescendo há 3 anos. No ano passado, foram registrados 450 agrotóxicos Agência Brasil O Ministério da Agricultura formalizou nesta terça-feira (21) o registro de mais 31 agrotóxicos. No ano todo, já são 169 produtos autorizados. O número de defensivos aprovados no Brasil vem crescendo significativamente nos últimos três anos, fato que preocupa ambientalistas e profissionais da saúde. Em 2015, foram 139. Em 2018, 450. O registro de um agrotóxico é feito pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que verifica a eficiência no combate a pragas e doenças no campo. Mas o registro só é concedido quando o produto também é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os riscos à saúde, e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa os perigos ambientais. Sem o aval dos três órgãos, ele não é liberado. Segundo o Ministério da Agricultura, o aumento da velocidade dos registros se deve a ganhos de eficiência possibilitados por "medidas desburocratizantes" implementadas nos três órgãos nos últimos anos, em especial na Anvisa. A agência confirma esforços para diminuir a fila de produtos em análise. A lista dos 169 produtos não é homogênea. Ela contém desde um novo princípio ativo (produto técnico) e suas "cópias" quando caem as patentes (produto técnico equivalente) até o composto que chega ao agricultor (produto formulado) e os "genéricos" desse composto (produto formulado equivalente). Em 2019, nenhum princípio ativo novo foi aprovado. O último registrado foi o sulfoxaflor, no fim do ano passado. Ainda não foram liberados produtos formulados à base dessa substância e, portanto, ela ainda não chegou ao mercado para o agricultor. Esse princípio ativo é associado à redução do número de abelhas em estudos feitos fora do país. Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas Cópias de glifosato liberadas Dos 31 agrotóxicos registrados nesta terça-feira, 29 são produtos técnicos equivalentes, ou seja, reproduções de princípios ativos já autorizados no Brasil. Três deles são do polêmico glifosato, associado a um tipo de câncer em processos bilionários nos Estados Unidos. Os outros dois são produtos finais: Compass e Troia, à base de ametrina e mancozebe, respectivamente. Essas substâncias já estão presentes na composição de outros venenos. Somados todos os atos publicados pelo Ministério da Agricultura em 2019, o número de agrotóxicos autorizados chega a 197. Isso acontece porque os registros de 28 produtos concedidos no ano passado foram formalizados em janeiro deste ano.

20/05 - 2019


Justiça da França ordena retomar cuidados de paciente em estado vegetativo



Médicos haviam interrompido alimentação de Vincent Lambert, em estado vegetativo desde um acidente de trânsito em 2008. Questão divide familiares do paciente. 'Vivo', diz pequeno cartaz escrito por manifestante em Paris contrária à interrupção do tratamento que mantém o francês Vincent Lambert vivo. Kenzo Tribouillard/AFP A corte de apelações de Paris, na França, determinou na noite desta segunda-feira (20) a retomada dos cuidados que mantêm vivo Vincent Lambert, de 43 anos, até que um comitê nas Nações Unidas se pronuncie. Ele está hospitalizado na cidade de Reims em estado vegetativo desde 2008, quando sofreu um acidente de carro. Os médicos interromperam o tratamento de Lambert ainda nesta segunda-feira, mas os pais dele recorreram à Justiça local para reverter a medida. Com o recurso, o tribunal ordena que a França adote "todas as medidas para que se respeitem as medidas provisórias solicitadas pelo Comitê Internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência em 3 de maio de 2019, que tendem a uma manutenção da alimentação e da hidratação". De acordo com a agência France Presse, que obteve acesso à decisão judicial, o caso divide a sociedade francesa e a família do paciente (leia mais abaixo). O tema da eutanásia, inclusive, entrou no debate político às vésperas das eleições ao Parlamento Europeu. Os pais e uma irmã de Lambert consideram que cortar sua dieta e hidratação é uma forma de eutanásia, método proibido na França. Por outro lado, esposa e cinco dos irmãos de Lambert denunciam uma crueldade terapêutica porque ele está em estado vegetativo e sofre lesões cerebrais consideradas irreversíveis. O caso de Vincent Lambert Vincent Lambert em leito de hospital na França recebe cuidados da irmã, em foto de 2014 Cortesia da família Lambert/AFP Lambert sofreu um acidente de trânsito em 2008, quando tinha 32 anos, e os médicos verificaram que os danos cerebrais eram irreversíveis. O caso provocou a retomada do debate sobre o fim da vida. Os médicos decidiram finalmente suspender os cuidados a partir desta segunda-feira, após a última decisão do Conselho de Estado francês. Os pais de Lambert se opõem veementemente a encerrar a vida de seu filho e recorreram contra todas as decisões judiciais de interrupção dos cuidados médicos. No sábado eles enviaram uma carta ao presidente Emmanuel Macron e pediram sua intervenção. Vídeo com suposta reação de Lambert gerou polêmica em 2015 O presidente francês, entretanto, afirmou nesta segunda-feira, em uma mensagem publicada no Facebook, que "não cabe a ele suspender" esta decisão tomada "pelos seus médicos e sua esposa, que é sua tutora legal". Do outro lado, a esposa de Lambert, Rachel, cinco de seus irmãos e um sobrinho apoiaram as decisões da justiça para interromper o atendimento. Eles denunciaram uma "crueldade terapêutica". Segundo eles, Vincent Lambert não gostaria de ser mantido vivo através de máquinas. Porém, o paciente não deixou nenhum documento por escrito manifestando esse desejo. Pais pedem que mantenham filho vivo Pierre Lambert, pai de Vincent Lambert François Nascimbeni/AFP "É uma vergonha, um escândalo absoluto, nem sequer puderam beijar seu filho", disse o advogado dos pais de Lambert, Jean Paillot. "São uns monstros!", gritou Viviane Lambert, mãe de Vincent, em frente ao hospital onde ele está internado. Em uma mensagem em referência ao caso de Lambert, o papa Francisco pediu nesta segunda-feira em um tuíte a "proteção da vida". "Roguemos pelos que vivem em estado de grave doença. Custodiemos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até seu fim natural. Não cedamos à cultura do descarte", escreveu o papa argentino em suas contas do Twitter em seis idiomas. Initial plugin text Interrupção do atendimento médico 'A qualidade de uma civilização se mede pelo respeito que ela dá aos mais fracos', diz cartaz apresentado em Paris durante protesto para manter o francês Vincent Lambert vivo Kenzo Tribouillard/AFP Validada pelo Conselho de Estado em abril, a interrupção do atendimento médico prevê que as máquinas que hidratam e alimentam o paciente sejam desligadas. Ele também será sedado "profunda e continuamente até sua morte" e receberá analgésicos como precaução. Segundo os médicos, nestas condições, o paciente falecerá em alguns dias ou uma semana. Foi o Dr. Vincent Sanchez, chefe da unidade em que Lambert está hospitalizado há vários anos, que informou à família nesta segunda-feira por e-mail sobre o início do protocolo de fim de vida. "Neste doloroso período, espero que, pelo senhor Vincent Lambert, todos saibam como abrir um parêntese e se encontrar ao seu redor, para que esses momentos sejam os mais tranquilos, íntimos e pessoais possíveis", diz o e-mail que a AFP pôde consultar. Batalha legal Os advogados Jean Paillot e Jérôme Triomphe, que representam os pais de Lambert, apresentaram mais cedo um último recurso ante o Conselho de Estado e outro ante a Corte Europeia de Direitos Humanos. Porém, o tribunal europeu rejeitou o recurso, considerando que não há nenhum "elemento novo" que o faça "adotar uma posição diferente" da de 2015, quando concluiu que parar de alimentar e hidratar este homem não consiste em uma violação do direito à vida. Os advogados igualmente encaminharam a questão para um órgão da ONU, o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que solicitou à França que não suspendesse os cuidados até que o mérito da questão fosse examinado. Mas a França não é obrigada a respeitar este pedido, disse a ministra da Saúde Agnès Buzyn.

20/05 - 2019


Botulismo: o que é e como evitar a intoxicação alimentar que pode levar à morte



A conservação e o envase de alimentos, em destaque as produções caseiras, são fases delicadas no manejo de alimentos. O botulismo é causado por uma toxina liberada pela bactéria 'Clostridium botulinum' Pixabay A hospitalização de duas irmãs na Argentina, em estado grave, trouxe à tona o alerta sobre uma grave intoxicação decorrente da alimentação. Internadas na semana passada, elas apresentaram "sintomas compatíveis com o botulismo" após consumirem homus mal conservado. O botulismo pode causar complicações como fraqueza prolongada, mau funcionamento do sistema nervoso e problemas respiratórios agudos. Se não for tratada a tempo, essa intoxicação pode acabar sendo fatal - embora autoridades em saúde de vários países alertem que os casos são pouco frequentes. Os casos que de fato acontecem, porém, coincidem em algo: os pacientes adoeceram depois de consumir alimentos mal processados ​​ou conservados. Qual é a origem? O botulismo é causado por uma toxina liberada pela bactéria Clostridium botulinum. As bactérias em si não são prejudiciais. Na verdade, elas estão presentes no ambiente de maneira geral, em lugares com falta de oxigênio. É o caso de conservas de alimentos, em que os esporos (unidades de reprodução) da bactéria começam a liberar a toxina. "Isso ocorre principalmente em conservas feitas sem as devidas precauções e em alimentos indevidamente processados, enlatados ou envasados ​​em casa", explica a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na realidade, o nome da bactéria vem do botulus, palavra em latim para salsicha - na época da descoberta da intoxicação, era o alimento que mais frequentemente espalhava o problema. Como o botulismo pode se propagar? A OMS adverte que este tipo de intoxicação não pode ser transmitida de pessoa para pessoa, embora ela possa, sim, ser repassada especificamente pelo contato com feridas ou pela inalação. Há ainda o botulismo infantil, em que as bactérias presentes no ambiente infeccionam o intestino de crianças. Mas a toxina botulínica é transmitida principalmente por meio de alimentos mal processados ​​ou com um nível muito baixo de acidez. Na lista de produtos a considerar, a organização internacional inclui vegetais enlatados com baixa acidez, como feijão verde, espinafre, cogumelos e beterraba. Carnes cruas ou peixes preservados por salga ou defumação deficientes também podem apresentar a toxina. O mesmo vale para vitaminas e suplementos alimentares. "Casos de botulismo de origem alimentar são frequentemente relacionados a alimentos prontos para consumo, embalados com pouco oxigênio", diz a OMS. Quais são os sintomas desta intoxicação? A organização sem fins lucrativos Mayo Clinic aponta que os primeiros sinais mais evidentes de intoxicação incluem fraqueza muscular, pálpebras caídas, voz fraca, vertigem, secura na boca e visão turva. As toxinas botúlicas são neurotóxicas, o que significa que afetam o sistema nervoso. Isso leva a uma paralisia e uma flacidez que podem produzir insuficiência respiratória. Com isso, um caso não tratado pode levar a um estado de saúde ainda mais grave. Quando os efeitos do botulismo começam a ser sentidos? Os sintomas normalmente se manifestam entre 12 e 36 horas após a ingestão do produto em más condições. O prazo mínimo é de quatro horas e o máximo, de oito dias, explica a Agência Espanhola de Defesa do Consumidor, Segurança Alimentar e Nutricional. Como o botulismo pode ser prevenido? Uma vez que a intoxicação pode ser gerada a partir da comida enlatada, a vácuo ou com baixa acidez, a primeira pista de que um produto não está em condições será a embalagem. As latas amassadas ou mal fechadas são os principais inimigos. Salsichas e outros embutidos caseiros ou de proveniência duvidosa também devem ser evitados. "A prevenção é baseada em boas práticas de fabricação, particularmente preservação e higiene, e o botulismo pode ser evitado pela desativação de esporos bacterianos em produtos esterilizados", diz a OMS. Qual é o tratamento? "Se você for diagnosticado com botulismo alimentar ou uma lesão precoce, a injeção de antitoxina reduz o risco de complicações, embora não possa reverter os danos já causados", explica a clínica Mayo. Os antibióticos só são recomendados caso a toxina tenha entrado na corrente sanguínea por meio de uma ferida. Quando o caso já está avançado e é diagnosticado tardiamente, é provável que o paciente precise de um respirador mecânico à medida que a toxina é liberada no corpo.

20/05 - 2019


O que acontece quando você abre um pote de mel no espaço?



Astronauta canadense David Saint-Jacques quis mostrar efeito da microgravidade dentro da Estação Espacial Internacional. O astronauta canadense mostra o efeito da microgravidade no mel BBC O astronauta canadense David Saint-Jacques quis mostrar o efeito da microgravidade (sensação de ausência de peso) no espaço. Para isso, ele abriu um pote de mel na Estação Espacial Internacional. O resultado você vê neste vídeo. Essa suposta ausência de peso é, na verdade, a sensação de queda livre. Isso porque astronautas ficam à mercê da atração gravitacional exercida pela Terra. Ou seja, é como se eles “caíssem” em direção ao nosso planeta. "Um veículo orbital cai continuamente em volta da Terra, pois lhe foi dada uma certa velocidade inicial tal que sua trajetória o leva além da superfície da Terra, antes que o campo gravitacional terrestre possa puxá-lo para o solo", diz o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Assim, a astronave e todos os objetos em seu interior estão sob a influência da gravidade; eles só 'não têm peso' relativamente ao sistema de referência que se move com o veículo", acrescenta o órgão.

20/05 - 2019


Pesquisa da Unicamp alerta que doença gengival pode ser genética e que prevenção deve ser precoce



Segundo estudo feito por cirurgiã na FOP, características encontradas na boca de crianças são semelhantes a dos pais que têm periodontite, problema que afeta tecidos da boca e que pode evoluir para queda dos dentes. Um estudo da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alerta que a doença periodontal, que afeta a gengiva, pode ser passada de pai para filho. Segundo a pesquisa, a saúde bucal dessas crianças deve ter um acompanhamento mais rigoroso para evitar o desenvolvimento da enfermidade. Além disso, foi identificado que o uso de uma substância química específica pode favorecer no controle de algumas alterações bucais. A cirurgiã-dentista Mabelle de Freitas Monteiro, pesquisadora autora da tese de doutorado, explica que a doença periodontal, ou periodontite, consiste na inflamação das gengivas e de outros tecidos da boca em resposta ao acúmulo de placa bacteriana, sendo que em casos mais graves pode causar perda óssea e até mesmo a queda dos dentes. “Constatamos que crianças de 6 a 12 anos já têm alterações bucais, características essas muito parecidas com as dos pais que têm a periodontite”, diz a pesquisadora. Pesquisadora Mabelle de Freitas Monteiro e o professor Renato Corrêa Viana Casarin, da FOP/Unicamp Comunicação/FOP-Unicamp Entre as alterações clínicas percebidas que têm relação com as dos pais com a patologia estão mudanças precoces na saliva, aparecimento de placa bacteriana e respostas inflamatória nos tecidos da boca, o que sugere o início do desenvolvimento da periodontite ou indícios de que há riscos da doença se manifestar futuramente. Com essas constatações, a linha de pesquisa foi dividida em três fases: tentar identificar como esses aspectos identificados se desenvolvem na boca das crianças ao longo do tempo, se eles têm potencial para desenvolver a patologia, e como o Triclosan – substância presente em algumas pastas de dente – pode ajudar no controle da saúde bucal para evitar o surgimento da doença. “Precisamos entender o por quê a periodontite ocorre. Uma vez que identifico qual a causa, consigo trabalhar melhor nela”, ressalta Mabelle. Segundo a FOP, participaram do estudo 30 pais e 36 crianças divididos igualmente nos grupos de famílias com periodontia agressiva e saudáveis. Foram coletadas e congeladas amostras das placas bacterianas e dos fluidos da gengiva de cada participante, sendo os materiais enviados aos Estados Unidos para passarem pela avaliação microbiológica na The Ohio State University (OSU), que permitiu identificar mais de 400 tipos diferentes de bactérias. "Percebemos que o comportamento das características na boca de filhos do grupo de pais saudáveis foi diferente das do grupo de pais com a doença", complementa a cirurgiã-dentista. Pesquisa orienta que crianças com pais com periodontite visitem dentista com maior frequência Reprodução EPTV Cuidados devem começar logo na infância De acordo com a tese da Unicamp, a periodontite é uma das doenças que mais prejudicam a cavidade oral. Os casos agressivos representam em torno de 1% a 6% dos brasileiros, mas, devido à gravidade da enfermidade, o estudo alerta que os cuidados devem ser tomados desde cedo, mesmo que ainda não haja a confirmação de que os filhos de pais com periodontite têm maior probabilidade de desenvolver a patologia. Segundo a tese da Unicamp, o acompanhamento rotineiro da saúde bucal, como tratamento de cáries ou de dores de dente, e a correta escovação e higienização são importantes. No entanto, o controle da placa bacteriana não é o suficiente. Com isso, a orientação é que os dentistas devem ficar mais atentos com as mudanças identificadas na boca dessas crianças, principalmente quando há o histórico familiar da doença gengival. "Por causa da gravidade da doença, é preciso de um controle muito mais meticuloso, então se for percebido qualquer sangramento ou alteração na gengiva, é necessário investigar a fundo a causa disso. O ideal é um acompanhamento a cada 3 ou 6 meses", diz Mabelle. A explicação da tese para os cuidados não serem o suficiente é que a periodontite não está relacionada apenas a questões de higiene, já que pode haver também associação de fatores genéticos, além de que a aplicação das técnicas habituais de escovação não contribuíram tanto para controle das placa bacteriana acumulada. Periodontite atinge gengiva e outros tecidos da boca Reprodução/TV Globo Possíveis tratamentos e próximos passos Como o uso de cremes dentais habituais para o controle de placas não apresentou resultados desejados durante o estudo, a pesquisa passou a focar nos benefícios do Triclosan. De acordo com o projeto de doutorado, apesar da substância antibactericida não ter agido como o esperado no controle das bactérias, ela foi capaz de reduzir níveis de sangramento e controlar as características salivares. Agora, o objetivo do estudo é encontrar formas mais eficientes para a prevenção e tratamento precoce da doença periodontal. Futuramente, deve ser estudado o que bactérias identificadas na boca e a enfermidade podem causar no resto do organismo. FOP, em Piracicaba Cesar Maia-FOP Unicamp A pesquisa teve orientação do professor Renato Corrêa Viana Casarin, da área de periodontia da FOP, e coorientação da professora Purnima Kumar, da The Ohio State University (OSU) e reconhecida internacionalmente na avaliação de microbioma oral e periodontal. A tese vai competir internacionalmente no maior congresso de odontologia científica, da Associação Internacional de Pesquisa Odontológica (IADR). *Sob supervisão de Samantha Silva, do G1 Piracicaba e Região Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba

19/05 - 2019


Como o sexo surgiu nas Américas há 250 milhões de anos



Seguindo os traços que o tempo deixou nas rochas do Grand Canyon, voltamos ao tempo do supercontinente Pangeia e ao momento em que seus habitantes tiveram de encontrar uma maneira mais eficiente que a dos anfíbios para se reproduzir. As rochas do Gran Canyon permitem entender como ocorreu a evolução na Terra Sasha/Unsplash Em um lugar na Terra, há um portal do tempo que permite ver a história do nosso planeta. Sua conexão direta com um passado misterioso, cujos segredos são escritos na linguagem da geologia, revelam um mundo perdido há muito, muito tempo. A evidência que revela esse passado antigo está escondida em rochas, paisagens e até alguns animais, e fala de um momento decisivo da evolução da espécies e que transformou a história humana. Este lugar é o Grand Canyon, nos Estados Unidos. Suas rochas são o ponto de partida para entender a origem do sexo. Há 413 milhões de anos, o norte e o sul das Américas, separados por milhares de quilômetros de oceano, se movimentavam em direção um ao outro, em uma colisão lenta que levantou enormes montanhas ao longo da zona de impacto. Naquela época, todas as massas de terra do planeta se uniram e formaram um único supercontinente gigante, a Pangeia, com o que hoje são as Américas bem no centro. Ainda há vestígios desse mundo em lugares como Manhattan, onde rochas com cerca de 300 milhões de anos, conhecidas como xisto, podem ser encontradas até mesmo na superfície. Em certas partes do Central Park, em Nova York, o xisto chega à superfície Roberto Nickson/Unsplash A Pangeia teve uma enorme influência no moderno continente americano, determinando desde a distribuição dos recursos naturais até, em casos como o de Nova York, a forma das cidades. Mas o supercontinente acabou deixando marcas em todo o planeta, porque desempenhou um papel crítico em um dos desdobramentos evolutivos mais importantes da história da vida na Terra: o surgimento do ato sexual. Esse importante evento só pode ser entendido ao se viajar para os primeiros dias da Pangeia - e o próprio Grand Canyon pode nos conduzir a esse momento. Um passado escrito em pedra Sua paisagem condensa mais de 1,5 bilhão de ano - há rochas desde quando a única vida que existia era unicelular a formações com cerca de 500 milhões de anos, quando a vida tornou-se mais complexa. Um grupos de rochas conhecido como Formação de Supai data do período mais antigo da Pangeia, antes de estar completamente formada. Graças a ele sabemos que, no início, o supercontinente foi um lugar com bastante água. Fósseis nestas rochas revelam que o tipo de vida que existia naquela época era anfíbio. Hoje, anfíbios, como salamandras e sapos, são menos abundantes. Antes de a Pangeia se formar, eles dominaram a Terra - afinal, foram os primeiros a explorá-la. Para eles, a água foi e continua a ser imprescindível, particularmente para a reprodução e sua metamorfose, de modo que o ambiente "molhado" dos princípios da Pangeia era ideal para eles. Mas, então, o mundo mudou. A evidência está em algumas rochas amarelas chamadas de Formação de Coconino, que foi criada quando a América do Norte era parte do supercontinente e revela uma paisagem que mudou o curso da vida no planeta. A superfície destas pedras é lisa. Se você se aproxima com uma lupa, vê muitos grãos de areia em volta, quase todos mais ou menos do mesmo tamanho. Isso mostra que elas foram formadas pelo vento que leva os grãos mais finos de areia. Sabemos, por meio da Formação de Coconino, que o Grand Canyon tornou-se a fronteira ocidental de um deserto gigante há 250 milhões de anos que cobria quase tudo que hoje são as Américas, a África e a Europa. Este enorme deserto foi resultado direto da formação da Pangeia. A grande massa de terra fez com que a maioria do continente ficasse tão distante do mar que os ventos não conseguiam trazer chuva até seu centro. O fato de que grande parte da Terra se transformou em locais desertos deserto não foi uma boa notícia para os anfíbios. Sem água suficiente, eles eram como Adão e Eva antes de provar o fruto da árvore da sabedoria: não tinham chance de se reproduzir e, portanto, estariam condenados à extinção. Mas isso não significa que na região árida do Pangeia não havia vida: outros animais surgiram. A prova está nas mesmas rochas, onde seus rastros foram imortalizados e mostram que estas criaturas se movimentavam com base em suas patas e caudas. Eram os répteis. Tornozelos e o sexo A maioria dos répteis se adaptou bem à vida terrestre, graças à sua pele dura e escamosa, seus pulmões bem desenvolvidos, seu sistema circulatório de duplo circuito, um sistema excretor que conserva água, pernas fortes e a capacidade de controlar a temperatura do corpo mudando lugar. Mas isso não teria sido suficiente para evitar o destino dos anfíbios: para viver em ambientes superáridos, foi necessária uma inovação evolucionária essencial herdada por todos os répteis, aves e mamíferos. Então, há 250 milhões de anos, as Américas não estavam apenas no centro da Pangeia, mas de uma grande mudança evolutiva. Para entendê-la, é preciso observar um animal antigo com uma reputação temível: o jacaré. Seus ancestrais percorriam a América quando ela era parte de Pangeia. Sabemos que eram seus antepassados porque estes animais compartilhavam de uma adaptação verdadeiramente única: a articulação do tornozelo. Esta conexão anatômica com os antigos répteis lhes permite manter os pés quase verticalmente sob o corpo quando estão em terra, e o pé pode girar durante sua locomoção com um movimento de rotação do tornozelo. A forma como os antepassados do jacaré se moviam foi uma das razões pelas quais eles foram muito bem-sucedidos na Pangeia. Mas o maior avanço foi algo que os preparou para viver em um mundo desértico: o sexo. O coito do jacaré é muito semelhante ao dos humanos, ao menos no estilo de cópula. A chave é a fertilização interna: entregar o espermatozoide dentro da fêmea, diretamente ao óvulo. Os antepassados dos jacarés nos ensinaram a copular Jim Degerstrom/Pixabay A invenção do sexo O sexo é a maneira mais eficiente e direta de conseguir a fertilização. É assim que répteis, pássaros e mamíferos modernos se reproduzem. Até esta "inovação", a fertilização só poderia ocorrer externamente, na água. Os anfíbios foram os primeiros vertebrados a ir para a terra. Mas, porque sua fertilização ocorria externamente, eles precisavam retornar à água para se reproduzir. Os répteis recém-evoluídos fizeram as coisas de maneira diferente. Fertilizaram e desenvolveram seus ovos dentro das fêmeas. Os ovos tinham revestimentos duros e impermeáveis e continham líquido amniótico, com toda a energia e água necessárias para sustentar uma vida, algo que os anfíbios precisavam procurar em rios e lagos. Assim, ovo representou uma revolução. Mais tarde, os mamíferos mantiveram esses fluidos de suporte vital e forneceram nutrição através de uma placenta. Mas ainda somos filhos desse primeiro réptil amniótico. Os ovos são a embalagem perfeita: suas conchas resistentes mantêm tudo o que é necessário para o embrião se desenvolver sem a necessidade do mundo externo Pixabay Os desertos de Pangeia eram uma barreira impenetrável para os anfíbios. Mas, para os répteis, a história era diferente. O desenvolvimento da fertilização interna e do ovo amniótico permitiram que eles se espalhassem e prosperassem em ambientes áridos. É um maravilhoso exemplo de como a mudança ambiental pode ser o catalisador de avanços que eventualmente levaram à nossa evolução. E é interessante pensar que o modo como fazemos sexo foi moldado por aqueles desertos de um passado tão distante.

19/05 - 2019


O discurso escrito em caso de tragédia e outras 5 curiosidades sobre a missão que levou o homem à Lua



Há 50 anos, um sonho de longa data foi realizado: chegar e voltar da Lua, aquele satélite tão familiar, mas tão desconhecido - uma história que tem muitos detalhes interessantes. Astronauta Neil Armstrong na Lua Divulgação/Nasa "Decidimos ir à Lua não porque é fácil, mas porque é difícil", disse o ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy (1917-1963) em setembro de 1962. A frase ficou na memória de várias gerações em relação ao evento histórico. Mas a meta vinha acompanhada de um prazo: levar um homem à Lua e trazê-lo de volta à Terra até o fim da década. Kennedy foi assassinado no ano seguinte e nunca chegou a saber se seu país ganhou a corrida espacial contra sua rival, a União Soviética, que já havia realizado dois feitos ao colocar em órbita o primeiro satélite, o Sputnik, em 1957, e ao mandar o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961. Fotos da Nasa mostram onde caiu aeronave israelense que deveria ter pousado na Lua Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos precisavam que seu primeiro passo nesse sentido fosse de uma magnitude igual aos de Moscou Pouco antes do prazo estabelecido por Kennedy expirar, a Nasa conseguiu: em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong (1930-2012) fez história ao se tornar o primeiro homem a pisar na Lua. A frase que pronunciou ao colocar o pé esquerdo sobre a superfície do satélite natural da Terra se tornou uma das mais conhecidas na história: "Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". Mas Armstrong não estava só. Na arriscada missão Apollo 11, estava acompanhado por Michael Collins e Edwin "Buzz" Aldrin. Ainda que Collins não estivesse no módulo que aterrissou na Lua - só havia espaço para dois astronautas -, Aldrin, o piloto, estava ao lado de Armstrong e também desceu para admirar a paisagem. Mas o que ele disse ao pisar na Lua? Esse é um dos detalhes não tão conhecidos da missão que completa 50 anos neste ano e que foi a realização de um sonho alimentado pelo homem desde o início dos tempos. 1. Envelopes assinados pelos astronautas Apesar dos seguros terem sido criados para indenizar aqueles que se arriscavam a empreender viagens pelos mares do mundo, as empresas seguradoras resistiram a prestar seus serviços a outro tipo de viajante, o do espaço. Esta aventura lhes pareceu perigosa demais. A Nasa deu aos astronautas um seguro de vida básico, mas Armstrong, Aldrin e Collins continuavam preocupados com o futuro de suas famílias caso ocorresse um desastre. Eles assinaram então envelopes comemorativos da missão, adornados com imagens e selos sobre a Apollo 11. Assim, se morressem, suas famílias poderiam vendê-los a colecionadores. Agência espacial pretende mandar novamente homem à Lua NASA 2. Um discurso para o caso de desastre Os astronautas não foram os únicos a se planejar para o pior. Se tudo falhasse, quem deveria comunicar isso ao mundo seria o presidente americano na época, Richard Nixon (1913-1994) - e não seria um bom momento para improvisar. O responsável pelos discursos presidenciais, Bill Safire (1929-2009), preparou o texto que ninguém queria escutar, lamentando a morte de Armstrong e Aldrin caso eles ficassem presos na Lua. Safire havia falado com a Nasa e sabia que havia uma boa chance de que isso ocorresse. Sonda chinesa pode confirmar teoria sobre origem da Lua O texto "Em caso de desastre lunar" usa palavras edificantes para elogiar a valentia o sacrifício e o espírito explorador dos astronautas. "O destino quis que os homens que foram à Lua para explorar em paz fiquem na Lua para descansar em paz. Esses bravos homens, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, sabem que não há esperança de sua recuperação. Mas eles também sabem que há esperança para a humanidade em seu sacrifício. Esses dois homens estão dedicando suas vidas ao objetivo mais nobre da humanidade: a busca da verdade e da compreensão. Eles serão lamentados por suas famílias e amigos; eles serão lamentados pela nação; eles serão lamentados pelas pessoas do mundo; eles serão lamentados por uma Mãe Terra que ousou enviar dois de seus filhos para o desconhecido. Em sua exploração, eles levaram as pessoas do mundo a se sentirem como uma só; em seu sacrifício, eles fortaleceram os laços da irmandade humana. Nos dias antigos, os homens olhavam para as estrelas e viam seus heróis nas constelações. Nos tempos modernos, fazemos o mesmo, mas nossos heróis são homens épicos de carne e osso. Outros os seguirão e certamente encontrarão o caminho de casa. A busca do homem não será negada. Mas estes homens foram os primeiros, e permanecerão em nossos corações. Todo ser humano que olhar para a Lua nas noites por vir saberá que há algum canto de outro mundo que é para sempre da humanidade." 3. Uma bomba nuclear a bordo O foguete Saturn 5 levou a Apollo 11 ao espaço. Era tão poderoso que equivalia a pilotar uma bomba nuclear. Pesava mais de 2,8 milhões de quilos. Com 111 metros de altura, superava em 18 metros a Estátua da Liberdade. Funcionava em três etapas, e cada uma se separava da nave depois de realizar seu trabalho. Lua está encolhendo e sofrendo abalos de terremotos O foguete gerava 34,5 milhões de newtons de empuxo no lançamento. Um newton é a força necessária para proporcionar uma aceleração de 1 m/s² a um objeto de 1 kg de massa. Devido ao calor que produzia, exigiu uma zona de exclusão de 5 km ao redor da plataforma de lançamento. A distância era tal que os espectadores só escutaram seus motores funcionando 15 segundos depois - para eles, era como se a Apollo 11 tivesse decolado em silêncio. 4. Um foguete criado por um cientista que foi ligado ao nazismo O diretor do Centro Marshall de voos espaciais, a sede original da Nasa, era o professor Wernher Von Braun (1912-1977), um ex-cientista nazista e o cérebro por trás do Saturn 5. O foguete se baseava em uma tecnologia que Von Braun havia desenvolvido para o programa de foguetes V-2 de Adolf Hitler (1889-1945) durante a Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, já como cidadão americano, Von Braun se tornou dos físicos e engenheiros do Terceiro Reich que trabalharam para a Nasa. Ele era conhecido por sua cuidadosa abordagem científica, mas, no entanto, alguns críticos diziam que era cauteloso demais e o culpavam pelo fato de os soviéticos terem levado um homem ao espaço primeiro. 5. Fogo na Lua Quem melhor para cobrir a maior notícia da década - ou, dependendo do ponto de vista, do século - que não um dos mais famosos escritores americanos, Norman Mailer (1923-2007)? Não só era um grande nome do jornalismo literário, mas também havia estudado engenharia aeroespacial na Universidade Harvard. A revista o contratou e o enviou a Houston e a Cabo Canaveral para que testemunhasse o voo da Apollo 11 e escrevesse sobre o acontecimento inédito. Mailer chegou com a expectativa de se ver em meio a um ambiente de emoção e magia. No entanto, enquanto perambulava pelo Centro de Naves Espaciais Tripuladas, a Nasa lhe pareceu um lugar estéril e pouco inspirador. Em escritórios sem janelas, as pessoas comiam olhando para telas de computador. Pareciam estar apaixonadas pelas máquinas, aos olhos de Mailer, que imaginou um futuro em que tudo seria feito digitalmente, até mesmo se relacionar romanticamente com outra pessoa. Mesmo assim, foi tomado pela emoção do acontecimento. "Todo o mundo de preparou para presenciar o grande final da semana mais importante desde o nascimento de Jesus Cristo (...) Através da eletricidade estática dos alto-falantes, chegavam frases soltas. 'A águia está ótima, está tudo bem', chegou aos ouvidos, junto com dados sobre a altitude. 'Tudo pronto para o desembarque, fim!' 'Tudo bem, tudo pronto para o desembarque, 900 metros'. Assim (...), eles se prepararam para entrar pelo funil de um evento histórico cuja importância poderia igualar a da morte (...) É também assim a experiência de estar prestes a nascer? Você aguardava um em uma sala moderna, entre estranhos, enquanto números eram anunciados?: 'Alma número 77-48-16, pronto, vá para a área CX, será concebida em 16,04 horas' (...) -'Houston, aqui a base Tranquilidade. A águia pousou. Era a voz de Armstrong, a voz serena do maior garoto da cidade, aquele que te puxa para fora do mar quando você está se afogando e foge antes que você possa oferecer uma recompensa. (...) A Lua falava de buracos, torturas, cicatrizes, queimaduras e fusões de magma fervente. Massacrada, desmembrada, esquartejada, torcida, espancada, uma terra de desertos na forma de círculos de 80 e até 130 quilômetros de diâmetro, uma terra de anéis montanhosos, alguns mais altos do que o Himalaia, uma terra de recessos ocos e crateras sem fim, crateras dentro de crateras, que, por sua vez, residiam dentro de outras crateras ...". Essas são algumas das 115 mil palavras registradas no livro De um Fogo na Lua, publicado em três edições da revista Life, entre 1969 e 1970, e mais tarde publicado como livro. 6. A segunda pisada Em 21 de julho, às 05h56 do horario de Brasília, Armstrong se tornou o primeiro homem a caminhar sobre a Lua. Enquanto o astronauta pronunciava as palavras cuidadosamente escolhidas pela Nasa que fizeram história, Aldrin o filmava a partir do módulo lunar. Após 19 minutos, ele se juntou a Armstrong na superfície do satélite. Fechou a porta da cabine com cuidado e contemplou a paisagem cinza e branca. Estavam a 380 mil km de distância da Terra, que se parecia com uma bola de gude. "Bela vista", disse Aldrin. Logo Armstrong concordou e acrescentou: "Magnífica desolação". Mas o que disse o terceiro homem a pisar na Lua? "Uhuuuu! Cara, esse pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas foi um grande passo para mim", falou Charles Conrad Jr. (1930-1999), comandante da missão Apollo 12, em 20 de novembro de 1969. Buzz Aldrin na Lua em 1969 Nasa/Divulgação

19/05 - 2019


Fotodano, manchas, flacidez, pelos faciais: a pele depois dos 50



Dermatologista explica as principais alterações que o envelhecimento provoca no maior órgão do corpo A pele é o maior órgão do corpo e onde o envelhecimento se torna mais visível. Esse “espelho” da passagem do tempo acaba fazendo com que a área da dermatologia não fique restrita ao campo da saúde e tenha uma relação direta com a autoestima. São tantos os assuntos que interessam a quem passou dos 50, que escolhi alguns tópicos para a conversa que tive com a dermatologista Flávia Addor, que tem mestrado pela USP (Universidade de São Paulo) e extensão universitária na Vrije university, em Bruxelas. Pós-graduada em nutrologia, é autora de diversos artigos e dos livros “Envelhecimento cutâneo”, em parceria com Denise Steiner, dirigido a profissionais; e “Doce voo da juventude”, com o clínico geral Alex Botsaris. Por último, mas não menos importante, fiquei feliz de saber que a doutora Flávia é adepta da slow medicine (medicina sem pressa), que foi tema deste blog e cujo objetivo é fazer com que a abordagem médica dedique o tempo que for preciso para avaliar o paciente como um todo. Como as funções fisiológicas normais da pele vão diminuindo com a idade, ela vai se tornando mais frágil. Há um motivo para temos a impressão de que está fininha e sensível como se fosse “de papel”, como explica a dermatologista: “a espessura do colágeno diminui e há um declínio da coesão na junção da derme com a epiderme. Nesse caso, qualquer pequeno trauma leva a um rompimento da pele”. A dermatologista Flávia Addor: os estragos causados pela exposição solar são conhecidos como fotodano Divulgação A proteção tem que ser redobrada, principalmente porque boa parte da geração acima dos 50 não usou filtro solar. “Os estragos causados pela exposição solar se chamam fotodano”, diz a médica. “Os problemas tendem a surgir de maneira precoce, e grave, quando a pessoa não se protege”, completa. Ela lembra que as melanoses solares, que são conhecidas popularmente como manchas senis, também são resultado da exposição ao sol, e acrescenta que estudos recentes demonstraram que a poluição atmosférica tem uma ação oxidativa bastante prejudicial. Hidratação é fundamental, ainda mais porque idosos têm a pele desidratada, com menor oleosidade e elasticidade. A doutora Flávia recomenda cremes com maior poder oclusivo (para permanecerem no tecido) e hidroscópico (capazes de reter a água). Sobre a necessidade de pegar sol para evitar a deficiência de vitamina D, recomenda: “com a idade, perdemos a capacidade de sintetizar a vitamina D através da exposição aos raios solares e torna-se indispensável usar o suplemento vitamínico. O idoso que se expõe ao sol vai se tornar mais suscetível a tumores”. No quesito banho, o ideal é optar pela água morna, na temperatura do corpo, e nunca por tempo prolongado. Os sabonetes líquidos que disponham de um sistema de higienização menos agressivo são os indicados – basta procurar produtos Syndet. Suplementos vitamínicos com biotina, que faz parte do conjunto de vitaminas conhecido como complexo B, têm efeito positivo para as unhas, mas a dermatologista lembra há doenças, como disfunções da tireoide, “que podem acarretar alterações na lâmina ungueal. Por isso é sempre importante investigar as causas”, diz. Depois da menopausa, é comum que as mulheres se vejam às voltas com indesejáveis pelos faciais. “Eles podem surgir no queixo ou no buço e surgem devido à queda na produção do estrógeno, um hormônio sexual feminino. A falta do hormônio também afeta os cabelos, que se tornam mais finos. Há tratamentos de reposição de testosterona que podem minimizar tais efeitos, mas que só devem ser feitos com a supervisão de um ginecologista ou endocrinologista, sob pena de efeitos adversos graves”, enfatiza. No entanto, o que incomoda muito as mulheres é a flacidez facial e do pescoço. Explicação científica: os coxins gordurosos perdem volume e modificam o contorno facial. Como resultado, o rosto se torna encovado e aparece aquela “expressão de buldogue”, de bochechas flácidas. Segundo a doutora Flávia, embora o Brasil esteja em segundo lugar em procedimentos estéticos e a dermatologia cosmética disponha de recursos e ótimos profissionais, o país enfrenta um sério problema: “pessoas não qualificadas vêm realizando esses procedimentos, agindo com total irresponsabilidade. Os danos podem ser terríveis e não há parâmetros em nenhum outro país com o que está acontecendo aqui”. Pele saudável depende ainda de alimentação e sono de qualidade. “A alimentação tem que estar baseada em três pilares. O primeiro é a ingestão proteica adequada. O segundo é a redução de alimentos de alto valor glicêmico, para evitar a instalação ou o agravamento do diabetes que, além de todas as complicações de saúde, acelera a flacidez. O terceiro é a ingestão de antioxidantes”, ensina.

18/05 - 2019


Fotos da Nasa mostram onde caiu aeronave israelense que deveria ter pousado na Lua



Em 11 de abril, a Beresheet chegou à superfície lunar, mas por causa de falhas nos motores não foi capaz de realizar um “pouso suave”. Imagem mostra ponto onde a aeronave israelense parece ter caído, segundo a Nasa Divulgação/NASA/GSFC/Arizona State University O ponto onde provavelmente caiu a aeronave israelense Beresheet na Lua foi visualizado pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Imagens da agência mostram o local onde a nave deveria ter pousado, como parte da missão da SpaceIL - organização sem fins lucrativos que coordenou a operação junto com a Israel Aerospace Industries. Em 11 de abril, a Beresheet chegou à superfície lunar, mas por causa de falhas nos motores não foi capaz de realizar um “pouso suave”, e terminou se chocando contra o astro. A missão foi a primeira realizada pela iniciativa privada com o objetivo de pousar na Lua e custou cerca de US$ 100 milhões (R$ 380 milhões), o que é considerado pouco para esse tipo de projeto. Missão israelense fracassa com queda da nave Beresheet na Lua Segundo a Nasa, a foto acima, divulgada na quarta-feira (15), mostra o local provável onde a Beresheet caiu, uma região da Lua chamada de "Mar da Serenidade", uma antiga região vulcânica da Lua. A câmera LROC, da Nasa, que está a 90 km da superfície da Lua, capturou a imagem de uma mancha escura com cerca de 10 metros de largura, indicando o ponto do impacto. A aeronave, que tem o tamanho próximo ao de uma lava-louças, não aparece nas fotos. Clique no gif abaixo para ver o "antes e depois" da superfície lunar e a pequena cratera criada pela Beresheet. A foto do "antes" é de 16 de dezembro de 2016. Antes e depois na superfície da Lua com a queda da nave israelense, em fotos capturadas pela Nasa. Divulgação/NASA/GSFC/Arizona State University Sonda Beresheet, de Israel, é lançada para explorar a Lua Antes do choque, a nave perdeu comunicação com a Terra. Mais tarde, a SpaceIL, confirmou no Twitter que o time israelense "chegou perto, mas não teve sucesso com o processo de pouso" na Lua. A selfie da nave Beresheet foi tirada a cerca de 13 quilômetros da superfície da lua. Na bandeira israelense os dizeres 'País pequeno, sonhos grandes'. Divulgação/SpaceIL e Israel Aerospace Industries

18/05 - 2019


Ministério da Saúde lança campanha anual para aumentar estoques de leite materno



Brasil tem 225 bancos de leite humano e, entre 2008 e 2018, cerca de 2 milhões de recém-nascidos foram beneficiados. Todos os anos, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras ou abaixo do peso normal Governo de Roraima/Divulgação Com o objetivo de aumentar em 15% o volume de leite materno coletado em todo o país e também ampliar o número de doadoras, o Ministério da Saúde lançou na sexta-feira (17) uma campanha anual realizada em parceria com a Rede Global de Bancos de Leite Humano (RBLH) – representada no Brasil pela Fiocruz. De acordo com o ministério, todos os anos, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras ou abaixo do peso normal (com menos de 2,5 kg) no país. A campanha visa a atrair mais gestantes e mulheres que amamentam a doarem leite ao longo do ano. A Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês sejam alimentados apenas com leite materno até os seis meses de vida. Mesmo bebês prematuros devem receber leite materno Doações em números Porém, a quantidade de leite materno coletado no Brasil supre somente 55% da demanda real. A quantidade coletada diminui, especialmente, em feriados prolongados e durante o período escolar. Segundo a RBLH, entre os anos de 2008 e 2018, cerca de 2 milhões de recém-nascidos foram beneficiados com 2 milhões de litros de leite humano de 1,8 milhão de mulheres. O Brasil tem 225 bancos de leite humano. As campanhas têm tido efeito nos últimos dez anos, segundo o ministério. De 2008 a 2018, foram coletados 215 mil litros de leite humano, um aumento de 30% no período. No ano passado, mais de 185 mil crianças receberam leite doado por quase 183 mil mulheres e o número de doadoras cresceu 45%. Cinco pontos destacados pela campanha Um dos objetivos da campanha é desmistificar que é preciso "ter muito leite" para ser doadora, pois qualquer quantidade de leite pode ser doada. Os pontos destacados são: Toda mulher que amamenta é uma possível doadora; 300ml de leite podem ajudar até 10 recém-nascidos por dia; Bancos de leite recebem doações mesmo de pequenas quantidades; A amamentação ajuda a reduzir a mortalidade infantil; A amamentação traz vários benefícios à saúde da mulher, como a redução das chances de desenvolver câncer de mama, útero e ovário. Ministro lança campanha O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez o lançamento da campanha no Rio de Janeiro. “O leite materno é insubstituível e é com ele que vamos ganhar a batalha da vida contra a morte. Nosso desafio é fazer da doação um ato de amor, de entendimento ao próximo”, declarou o ministro, segundo nota oficial. “A criança internada na UTI neonatal com acesso ao leite materno tem uma reabilitação mais rápida”, disse Mandetta. 10 Passos: amamentação e nada de açúcar são importantes nos primeiros anos de vida

18/05 - 2019


Bloqueio de bolsas de pesquisa coloca a ciência brasileira em perigo



Laboratório de Biologia Molecular (LaBMol) da Universidade Federal de Roraima (UFRR) Inaê Brandão/ G1 RR / Arquivo Não tenho como não falar sobre os últimos anúncios de cortes de verbas em educação e pesquisa, que simplesmente põem fim à praticamente toda pesquisa brasileira. O corte severo de recursos vai interromper pesquisas importantes, como também vai abreviar a carreira de jovens pesquisadores, produzindo uma lacuna difícil de se preencher no futuro. Capes diz que 3.474 bolsas sofrerão 'bloqueio preventivo' Suspensão de bolsas de estudo da Capes 'fere de morte' o ensino, diz associação As universidades federais produzem a maior parte da pesquisa brasileira, conduzida por professores e seus estudantes de graduação e pós-graduação. São os estudantes que carregam o piano, produzindo conhecimento e inovação tecnológica necessários para o desenvolvimento de qualquer nação. Em muitos casos, trabalham sem remuneração. Sim, é um trabalho. Um trabalho de pesquisa, financiado a maior parte das vezes pelo governo federal. Existem fundações estaduais (e uma distrital) de amparo à pesquisa, mas de qualquer maneira também se trata de financiamento público. Todo trabalho deve ser remunerado, certo, meu avô dizia que só relógio trabalha de graça (o que no fundo nem é verdade, né?) e para dar algum suporte financeiro aos estudantes/pesquisadores, são concedidas bolsas em diversas modalidades. Não são salários, são bolsas. As bolsas são concedidas mediante um contrato que determina um prazo para seu encerramento. Querendo ou não, você precisa encerrar suas pesquisas em 12 meses (no caso dos estudantes de iniciação científica), 24 meses (projetos de mestrado) e 36-48 meses nos casos de doutorado. Muitas pessoas dizem que os estudantes que recebem bolsa estão ganhando para estudar, mas não entendem que estão ganhando para trabalhar em pesquisa. E como eu disse, não é salário, ou seja, não recolhe FGTS, não tem 13º, não paga Previdência e sequer tem férias! O período trabalhado em pesquisa, contabilize aí apenas os tempos de mestrado e doutorado, algo em torno de 6 anos, não conta como tempo de trabalho para cálculo de aposentadoria. Então isso está longe de ser um privilégio. Ah, sem falar que os valores das bolsas federais estão estagnados desde 2013. O estrago está sendo feito em duas frentes, cortando-se os recursos para as pesquisas, os projetos em si serão afetados. Muitos já estão em situação precária, mas no fim do dinheiro que foi repassado nos anos anteriores, as pesquisas precisarão ser interrompidas. Na outra frente, o corte de novas bolsas e a suspensão de bolsas já aprovadas vai interromper a formação de novos pesquisadores. Os valores dessas bolsas já não são atrativos, o que faz muita gente desistir da carreira antes de mesmo de começar, mas com a verba aprovada apenas para pagamentos de salários e despesas como água, energia, por exemplo, não irá sobrar nada para se investir em financiamento de projetos. Até mesmo iniciativas de grande vulto, chamados de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, que têm a pretensão de fazer pesquisa de ponta envolvendo instituições espalhadas pelo país todo e formando núcleos de excelência estão ameaçados. Interromper pesquisas em andamento e, mais grave ainda, brecar a formação de novos pesquisadores vai fazer com que o país aos poucos vá perdendo sua capacidade de gerar conhecimento e gerar novas tecnologias. Uma coisa anda ao lado da outra. Na outra frente, se os cortes de bolsas não forem revertidos, não haverá novos pesquisadores se formando e por fim a pesquisa no país irá morrer por inanição. E não pense em pesquisa apenas na astronomia que você vê aqui toda semana. O país e provavelmente a humanidade poderia sobreviver sem ela, mas o que dizer da área de saúde, das engenharias e das ciências humanas? A correlação entre o vírus da chicungunya e a microcefalia partiu de pesquisadores brasileiros, seguindo estudos iniciados no Nordeste. Pesquisadores brasileiros ligados ao Ministério da Saúde desenvolveram uma vacina bastante promissora, mas que ainda se encontra em fase de testes. O que será dela, quando os recursos para sua pesquisa se esgotarem? Será que alguma grande indústria da área de saúde irá concluir os estudos e passar a fabricar a vacina lucrando milhões de reais vendendo para o governo brasileiro? O Brasil tem sim tradição em pesquisa, ainda que um tanto recente, e nunca fez feio no cenário internacional. Não raro, pesquisadores brasileiros se destacam a ponto de se tornarem referências mundiais. É uma falácia dizer que o dinheiro investido em pesquisa no país deveria ser direcionado para outras áreas porque o país nunca produziu um prêmio Nobel. Então o que dizer da Medalha Fields concedida ao brasileiro Artur Ávila em 2014? Essa medalha é um prêmio concedido apenas a cada quatro para matemáticos com até 40 aos de idade, ou seja, para pesquisadores que despontam ainda jovens. Só por esses critérios já dá para dizer que é um prêmio bem mais difícil de se conquistar. Em várias ocasiões pesquisadores brasileiros chegaram perto de ganhar um Nobel, mas a academia sueca faz suas escolhas baseadas não apenas no mérito científico e inclui fatores econômicos e políticos. Essa é uma equação desastrosa, cortar investimento em educação e pesquisa vai fazer o país depender ainda mais de conhecimento e tecnologia desenvolvidos no exterior. Obviamente pagando por isso. E pagando bem caro, para gerar recursos que continuem a financiar pesquisas lá fora.